Sepe Tiaraju

Sepe Tiaraju Alcy Cheuiche




Resenhas - Sepe Tiaraju


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Pedro Luiz Viegas 16/08/2011

Feito com pressa
Sepé Tiaraju, Romance dos Sete Povos das Missões, mescla ficção e fatos históricos para contar a história de Sepé Tiaraju e parte da história das Reduções Jesuíticas, mais especificamente dos Sete Povos das Missões. Assim, personagens contemporâneos e próximos tiveram seus nomes incluídos em situações fictícias ou nem tanto.

No seu ambiente ficcional, a obra permite que Alcy Cheuiche comente, através dos personagens, sobre questões como a docilidade dos indígenas guaranis que receberam os missionários jesuítas aculturadores no sul do continente. O autor comenta se esta não seria, também, uma forma de violência contra o modo de vida dos índios. De qualquer forma, não seria pior do que a violência cometida contra os índios tupis no restante do continente, uma colonização espoliativa e escravagista.

Neste livro descreve-se uma típica comunidade socialista ou comunista, mas sem partido, manual, bandeira, cor, símbolo ou seja lá o que for que lembre uma dessas coisas feias que a história trouxe como mau exemplo de comunismo. Talvez para os índios, que já viviam desprovidos de uma condição individualista, fosse mais simples adotar uma vida numa sociedade assim. Os únicos símbolos desses índios comunistas foi a cruz cristã e a bandeira espanhola.

A questão que leva ao desfecho parece ser o Tratado de Limites, traição da Coroa Espanhola contra os Jesuítas e contra os guaranis, obrigando os Sete Povos das Missões, a leste do Rio Uruguai, então com trinta mil habitantes, a se mudar com seus bens e gado em apenas um ano, sem considerar suas cidades e suas igrejas, sendo que a de São Miguel Arcanjo havia sido avaliada por um engenheiro espanhol em um milhão de pesos à época. A respeito disto, no romance, Sepé teria ficado irredutível e não aceitaria acordo nenhum dos invasores de suas terras.

Fala-se sobre a Ordem dos Jesuítas e a conspiração do Marquês do Pombal na Corte da Espanha para dissolve-la e, com isso, toda sua obra, inclusive as Reduções Jesuíticas, que já somavam 30 sob o domínio da Coroa Espanhola.

A estória-história é contada pelo padre Michael (Miguel) que conta sua origem na Holanda até tornar-se padre jesuíta e vir a uma missão na região das Reduções Jesuíticas, domínio da Coroa Espanhola. Ali conhece Sepé Tiaraju desde bebê até sua morte na luta contra os portugueses e espanhóis. Alguma inverosimilhança é percebida no enredo em função do clima de aventura que o autor quis passar (se quis passar um clima épico, para mim passou clima de aventura mesmo).

A impressão inicial que se tem ao ler o livro é que se terá um enredo fascinante, mas pelo meio da narrativa acaba-se perdendo um pouco do vigor até perder-se o rumo para uma aventura sem saída em direção ao fim insosso que aguarda os Sete Povos, como se isso não pudesse gerar um texto mais rico, mais descritivo. Em vez disso arranja-se uma prisão inútil para Sepé em Buenos Aires para que vários personagens arquitetem uma fuga aventuresca que não convence. Um tema tão rico poderia gerar um belo romance com mais páginas e mais paciência do autor, que demonstrou ter grande competência.

Este não é um livro de leitura difícil nem é um livro monótono. Mas dá a impressão que o autor teve pressa de termina-lo.
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