A Invenção das Asas

A Invenção das Asas Sue Monk Kidd




Resenhas - A Invenção das Asas


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Fernanda 12/03/2014

Resenha: A Invenção das Asas
Resenha: “A invenção das asas” possui uma narrativa profunda, sensível e sutil. O jeito como Sue Monk Kidd escreve é literalmente ‘de cortar o coração’ em todos os sentidos. O leitor se sente extasiado por poder acompanhar algo surreal e ao mesmo tempo tão realista. Mas principalmente por ficar sem palavras em diversos momentos, e mesmo depois de finalizar a leitura, a história não sai da cabeça tão facilmente. Cada trecho possui uma mensagem nas entrelinhas e leva a crer que sempre existe mais do que se pode imaginar.

Há uma divisão de seis partes na obra, entre os anos de 1803 à 1938. São momentos relevantes e desvendados com clareza e discrição. A narração se alterna entre Encrenca e Sarah. Hetty “Encrenca” Grimké se mostrou muito esperta, um tanto quanto engraçada, irônica e ousada desde pequena. É o tipo de personagem que se destaca logo no início e tem muito mais a ensinar ao longo dos acontecimentos. Encrenca era seu nome de berço (sendo que havia o nome oficial) e, com certeza, fazia jus ao nome e apesar de ser escrava, não se intimidava com qualquer coisa e era bem indelicada e observadora.


CONFIRA A RESENHA COMPLETA NO BLOG SEGREDOS EM LIVROS:

site: http://www.segredosemlivros.com/2014/03/resenha-invencao-das-asas-sue-monk-kidd.html
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Amanda Azevedo 10/02/2014

A Invenção das Asas — Sue Monk Kidd

A Invenção das Asas foi o meu primeiro contato com a autora Sue Monk Kidd, mas seu nome não era estranho para mim, pois já tinha ouvido falar — muito bem — de outro livro de sua autoria, A Vida Secreta das Abelhas. A minha primeira experiência com a autora foi maravilhosa, seu lançamento de 2014 traz uma história comovente e, baseada em fatos e personagens reais.

O livro é narrado, em primeira pessoa, sob o ponto de vista de duas personagens: Hetty — ou Encrenca — e Sarah. Os capítulos vão se alternando entre a narrativa das duas e, através deles vamos acompanhar a trajetória dessas mulheres ao longo de 35 anos. O fato de o livro ser em primeira pessoa enriquece a história, pois com isso é possível que o leitor se sinta mais íntimo das personagens. O vínculo criado entre leitor-personagem-história fica mais intenso.

Sarah Grimké é filha de um aristocrata, um juiz de grande renome e proprietário de escravos. Hetty é uma das escravas na propriedade da família Grimké, em Charleston, Carolina do Sul. A princípio, elas podem parecer bem distintas, mas existe algo em comum dentro delas: uma inquietação, uma insatisfação, e isso fará toda a diferença.

A história tem início em novembro do ano de 1803 com o aniversário de 11 anos de Sarah e o seu presente é uma escrava, a Encrenca, que tinha apenas 10. Desde o primeiro momento, Sarah tem repudio a essa ideia de ganhar uma pessoa de presente. Desde muito nova ela demonstrava ter ideias abolicionistas. Mas além de muito jovem, ela era mulher. Então, até certo tempo, suas vontades e seus pensamentos, eram quase que completamente ignorados. E, muitas vezes, quando ela tentava mudar, um pouco, a realidade ao seu redor, ela era punida por isso.

‘“Mamãe, por favor, deixe... deixe-me devolver Hetty pra você.” Devolver Hetty. Como se ela fosse minha. Como se ter pessoas fosse tão natural quanto respirar. Apesar de toda a minha resistência em relação à escravidão, eu respirava aquele ar doente também.’ — Página 21

No livro, a autora resolveu dar voz a Sarah Grimké, mas ela não travou essa batalha sozinha. Juntamente com sua irmã mais nova, Angelina, elas se tornaram uma das maiores abolicionistas dos Estados Unidos. A diferença de idade entre Sarah e Angelina — ou Nina — é grande — treze anos —, então a Angelina demora um pouco para aparecer na história, mas nem por isso sua presença deixa de ser marcante.

Na infância e início da adolescência, o desagrado da Sarah em relação à escravidão é forte. Mas, por volta dos seus dezessete anos, percebemos que, por mais que esse fato ainda a incomode bastante, as suas tentativas de alterar algo dessa realidade, ameniza um pouco. Mas como sua irmã, Angelina, nutre os mesmos anseios de mudança, elas acabam reunindo forças e descobrindo a coragem e potencial que possuem, e assim elas se unem ainda mais e abraçam a causa juntas.

É inevitável que a narrativa se torne triste em alguns momentos. E isso acontece por vários motivos: as punições que os escravos sofrem; a tristeza que os assola quando um deles é vendido, pois eles criam laços, mas em um dia qualquer um deles pode ser levado para outro lugar e nunca mais terão notícias uns dos outros; e a situação de desalento que as irmãs Grimké se encontram algumas vezes, como elas abriam mão das coisas para continuar seguindo o que elas tinham como objetivo maior em suas vidas.

“Escolhi o arrependimento com o qual poderia viver melhor, só isso. Escolhi a vida à qual pertencia.” — Página 256

Por mais que a narrativa seja triste em alguns momentos, o livro nos apresenta uma história bonita. E digo isso pelo fato das personagens continuarem acreditando mesmo diante das dificuldades. Vez ou outra a crença que elas depositavam na mudança vacilava, e isso é normal. Quando queremos que algo aconteça, mas o resultado demora aparecer, ficamos desiludidos, às vezes. Mas mesmo com os obstáculos elas não deixaram seus desejos morrerem, mesmo que o desânimo as assombrasse em alguns momentos, elas continuaram tentando. Talvez o grande segredo esteja justamente nessa palavra: tentar. A mudança pode não acontecer nem no momento, nem do jeito que você espera, mas da sua coragem, da sua vontade, vai resultar algo.

Sinto que poderia escrever sobre esse livro e seus personagens durante horas a fio. Porque a partir das escolhas que fizeram, é possível absorver uma infinidade de coisas. É a história de duas mulheres lutando não somente contra a escravidão, mas lutando também pela igualdade racial e pelos direitos das mulheres. É a história de duas escravas incapazes de aceitarem a situação que se encontravam. É uma história intensa escrita por pessoas de coragem.


site: http://www.lendoecomentando.com/
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Michela 25/09/2020

Que livro maravilhoso, amei demais, meu Deus.
A escritora nos leva para realidade do mundo escravo, nos mostrando a crueldade daqueles dias e nos fazendo refletir sobre o assunto com muito afinco.
E também nos mostra a luta, das irmãs Grimké pela libertação dos escravos e pelos direitos de igualdade dos escravos e pelos direitos de igualdade das mulheres.
Baseado em fatos verídicos é um livro que vai mexer profundamente com você.
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Pripec 22/06/2014

Meu corpo pode ser escravo, mas não minha mente.
Esta parte do livro em que coloquei como título, foi a mais marcante para mim.
Uma fala de Hetty Encrenca: " Ela estava presa como eu , mas presa por sua mente, pela mente das pessoas em volta dela, não sei. Na Igreja Africana, Sr. Vesey dizia: " Cuidado , você pode ser escravizado duas vezes, uma vez pelo corpo e uma vez pela mente". Tentei dizer isso para ela ( Sarah ) . Falei " Meu corpo pode ser escravo, mas não minha mente."
Não vou colocar como spoiler pois é uma parte do livro que não revela nada que possa atrapalhar ou interferir na leitura de outras pessoas.
Todo o livro é divido entre as narrações em primeira pessoa de Sarah e Hetty, a branca e "sua escrava", uma amizade complicada, um amor de certa forma escondido até delas duas.
Muitas partes me comoveram e é difícil saber, que apesar de se tratar de uma parte da história americana, ela pertence a humanidade.
Me surpreendeu a luta também , além da escravidão, pelo direito da mulher.
Após o fim do livro existe uma nota da escritora, que para mim foi muito importante. Mostra uma grande pesquisa realizada por ela para poder escrever este romance e os detalhes históricos agregam ao leitor muitos conhecimentos sobre o tema da abolição.
Indico este livro como forma não só de lazer e prazer a leitura, mas também como forma de reflexão e conhecimento da História da nossa humanidade.
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Bruna 04/08/2014

Um livro forte e delicado. Levei dele duas lições: há diversos tipos de amor e que a vida está sempre mudando. A gente nunca sabe quando.
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Tili Oliveira 05/11/2014

Choro e orgulho
Eu simplesmente chorei! Do começo ao fim do livro.
Umas vezes o choro foi de agonia, outras de alegria, outras de desespero, até que, no final, eu chorei de gratidão por ser mulher, negra, feminista e livre.
Inventar suas asas, sim, é possível!
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Laísa 13/08/2020

Recomendo!
" o que é moralmente correto um homem fazer é moralmente correto uma mulher fazer ." Carta sobre igualdade dos sexos Sarah Grimke
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cid 25/01/2015

Questionar as regras da sociedade
A autora misturou biografia e ficção para criar esse livro inesquecível.Simplesmente, você não consegue parar de ler. E quando o livro acabou busquei o google para maiores informações,
A figura de Sara Grimke ficou comigo e esse é um daqueles livros que conversam com você.
Ficam na sua memória e parece expandir sua consciência.
Renata CCS 13/07/2015minha estante
Parece ser esta uma leitura fascinante!




Chelsea.Archer 22/08/2014

Emocionante
Livro que descreve com emoção e detalhes a época da escravidão nos Estados Unidos, a importância de enxergarmos o próximo como ser humano e a dedicação de uma verdadeira amizade.
Leitura muito gostosa onde a autora procura expor os pontos de vista dos personagens de forma detalhada e diferenciada.
Recomendo.
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Leo Augusto 06/03/2014

Não há salvação!
A invenção das Asas
SUE MONK KIDD
Editora Paralela

O livro 'A Invenção das Asas' resgata a história das irmãs Sarah e Angelina Grimké. "Elas nasceram na aristocracia poderosa e abastada de Charleston, uma classe social derivada dos conceitos ingleses da aristocracia rural. Eram mulheres piedosas e refinadas, que frequentavam círculos sociais de elite, e, no entanto, poucas mulheres do século XIX foram tão completamente “malcomportadas”.
Elas passaram por uma longa e dolorosa metamorfose, separando-se da família, da religião, da terra natal, das tradições, tornando-se exiladas e, por fim, párias, em Charleston."

No livro: “Quando criança, Sarah tinha recebido uma jovem escrava chamada Hetty para ser sua dama de companhia. De acordo com Sarah, elas se tornaram próximas. Desafiando as leis da Carolina do Sul e seu próprio pai jurista que ajudara a criar essas leis, Sarah ensinou Hetty a ler, pelo que ambas foram severamente punidas. A outra metade da história, a ficcional, pertence à Hetty, a escrava.

O Livro ‘A Invenção das Asas’ não é um livro arrebatador ou maravilhoso, é, na verdade, um livro que nos faz pensar e analisar a situação da escravidão.
É um livro que nos tira da zona de conforto, tirando o chão e, ao mesmo tempo, não nos dá as tais asas.

Pare um instante e pense na escravidão...

Temos no imaginário coletivo, a escravidão ‘padrão Rede Globo’. Imaginamos a Sinhazinha boazinha, o Coronel malvado, a Preta doméstica e a fila de negros indo, cantando, para a lavoura. Mas, o sistema escravocrata foi muito mais do que isso.

Foi de uma violência e de uma brutalidade sem tamanho e nem parâmetro na história da humanidade, mas, que, de repente, foi esquecido por todos. Um silêncio e um esquecimento bem conveniente, pois todos os setores da sociedade o apoiaram: Governo, Igreja (de todos os credos) e sociedade civil.
Esse sistema foi o estilo de vida, a base da riqueza e sustentou a economia de várias nações, inclusive a nossa.
No Brasil, quando a questão dos escravos ficou insustentável, fez-se a abolição e pronto! Tudo foi esquecido. Mas, a realidade é bem outra. Ainda estamos pagando a alta conta que esse sistema gerou. Pagamos e nem sabemos que ainda estamos pagando...

Acredito que um livro é mais que mero entretenimento. Acredito que os textos sirvam para nos posicionar diante da vida e do mundo. Assim, a história do livro ‘A invenção das Asas’ cumpre dignamente esse papel.
Leia o livro, pense, questione e adote uma posição, não sobre a escravidão em si. Mas sobre o seu legado, a sua fatura ou sobre qualquer outra questão, como: a violência, as drogas ou a corrupção. Não deixe mais uma fatura para ser paga por outras gerações.

Somos todos culpados.
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Berta Lucia 28/04/2020

Invenção das asas
Que livro sensacional, foi um livro totalmente diferente para mim, eu achei que não iria gostar, mas não poderia estar mais errada, é um livro fluido que apesar de abordar o tema escravidão, não nos deixa angustiados do começo ao fim, mas foi retratado de uma maneira maia leve, super indico a leitura vale muito a pena ler, e nos mostra o quanto somos privilegiados de nascermos em uma época que não se é comum a escravidão.
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Bex @eolivrolevou 14/04/2020

A Invenção das Asas
Sarah Grimké é filha de uma família conservadora e escravocrata no sul dos EUA. Desde que Sarah presenciou, quando criança, uma escrava ser chicoteada, ela nunca mais foi a mesma. Mesmo criança, ela já tinha decidido lutar pela abolição se tornando uma futura jurista. No entanto, ao completar 11 anos, Sarah ganha de presente uma escrava de 10 anos que se chama Encrenca. Sarah começa a perceber que o "estilo de vida" sulista não será tão fácil de ser derrubado.
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Encrenca faz jus ao nome. Aos 10 anos, quando a sinhá decide que ela será a dama de companhia de Sarah Grimké, ninguém espera muito da garota. Porém, com o passar dos anos, em meio aos castigos e grilhões, Encrenca e Sarah criam uma relação até mesmo maior que a amizade. Juntas buscam a liberdade e uma igualdade que parece impossível.
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A Invenção das Asas narra um dos períodos mais cruéis da história da humanidade. A escravidão. A autora tem uma maneira tão poética e ao mesmo tempo fria de narração que faz a gente ficar com um bolo na garganta.
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Depois de concluir o livro, a autora disponibiliza algumas informações sobre a vida da Sarah Grimké e sua irmã Angelina Grimké que lutaram pela causa abolicionista, igualdade racial e igualdade de gênero. Saber que essas personagens realmente existiram me fez dar pulos de alegria.
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Enfim, esse livro é emocionante, dói e nos faz refletir sobre o passado e o presente que infelizmente ainda é marcado pela escravidão e o racismo.
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Adriano 03/06/2014

Ela costumava dizer: "se você precisa errar, erre pela audácia". Ela foi audaciosa
Hoje, trago para vocês, os leitores mais lindos do mundo, a resenha do livro A Invenção das Asas, escrito pela norte-americanada Sue Monk Kidd. O livro foi oferecido a mim pela Editora Paralela, como cortesia para leitura e resenha!

Segundo Olavo Bilac, em seu poema parnasianista Profissão de Fé, o trabalho do poeta transcende a "inspiração" e almejando a excelência deve fazer uso da "transpiração". Isto posto, provo meu argumento de que certamente a Sue Monk Kidd transpirou muito para conseguir criar essa obra que beira a perfeição. Escrever um livro histórico, acima de tudo, faz o escritor virar aluno e com isso, torna seu dever de escrever mais complexo, ao passo em que, mesclar história (real) com a imaginação (fictício) não é abordagem fácil.

Como deixei claro acima, o livro é histórico e aborda uma importante lacuna da formação sócio-cultural norte-americana: a escravidão. O livro aborda a influência de duas personalidades abolicionistas e feministas numa sociedade que julgava natural o ato de se escravizar outrem. Posteriormente, a autora toca noutra sistemática interessante: a igualdade de gêneros e evidencia traços que realçam o quão preconceituoso ainda é o mundo em que vivemos.

A história inicia em novembro de 1803, quando Sarah Grimké (personalidade real) completava 11 anos. Nesse dia, a mocinha ruiva e desengonçada ganhou um presente: a escrava Hetty (personagem fictício), também chamada de Encrenca, para ser sua dama de companhia. Desde pequena, a sinhazinha já se recusava a possuir outro ser humano e por isso, logo cedo foi considerada a ovelha-negra da família. Impotente diante dos desmandos da família escravocrata eis que a moça aceita o presente e passa a desenvolver amizade e carinho pela escrava.

Sarah nunca se enquadrou naquele modelo de sociedade. Ela não tolerava que a igreja e os ricos produtores rurais julgassem a escravidão como a vontade divina. Enquanto todos viam os escravos como objetos, ela os via como humanos, detentores de sentimentos e angústias; medos e alegrias. Pensando nisso, a menina transgride as normas quando decide ensinar Encrenca a ler.

No livro, torna-se cada vez mais nítido que Sarah era uma moça diferente e que se inquietava com tudo aquilo mas era impossibilitada de fazer algo. Além disso, o livro aborda os castigos que a Sinhá aplicava aos escravos infratores e a forma como eles eram desrespeitados e invadidos pelos "educados brancos". Se achar no direito de possuir alguém, é na minha opinião uma das maiores provas da ignorância humana. Eu fui tocado pela narrativa da autora e em muitos momentos me peguei criticando todo aquele sistema.

" Para uma mulher, nada existia além da esfera doméstica e aquelas florzinhas gravadas em cadernos de arte. Uma mulher aspirar ser advogada - bem, possivelmente, seria o fim do mundo. Mas uma semente se tornava uma árvore, não?"

Desde o começo os capítulos são intercalados, portanto conhecemos a visão dos fatos por Sarah (que por um lado, representa a elite e por outro os abolicionistas) e Encrenca (que representa o explorado e escravizado). A Sue representou no livro, todas as emoções e inquietações das meninas. Ainda com 11 anos uma delas ganha um ser humano e a outra já é escravizada sem nem ao menos saber o porquê do mundo ser assim.

Os anos se passam, Sarah desenvolve maior criticidade e passa a sonhar com algo que não lhe assiste: ser juíza de direito. Até então, esse titulo só pertencia aos homens. E em pleno século XIX só convinham as mulheres, exercer tarefas femininas como bordado, pintura, música e esperar por um marido. Sarah nunca concordou com esse sistema.

Já Encrenca foi privada desde cedo de ter objetivos e ambições. Como se as asas que lhe permitissem voar fossem-lhe tiradas antes mesmo de zarpar voo. Algo que me admira em Encrenca é sua ironia e sarcasmo diante do que lhe incomoda. Ela brinca com as situações mais tensas.

A autora abordou 35 anos da vida de Sarah e Encrenca, ou seja de 1803 até 1838. Nesse período, Sarah ganha mais uma irmã: Angelina Grimké. Nina, como é chamada, possui a mesma visão abolicionista e feminista de Sarah, no entanto possui um pouco mais de audácia e coragem que a irmã para colocar em prática suas crenças.

Juntas, Sarah e Nina serão duas das personalidades abolicionistas mais importantes do século XIX. Aclamadas pela massa sofrida e odiadas pela elite burguesa as duas rodam os Estados Unidos procurando soldados para sua causa. Posteriormente, a causa ganha tantos adeptos que elas também dão voz ao sentimento de igualdade dos sexos e passam a defender o direito da mulher de estudar e de ser tratada socialmente tão capaz quanto um homem.

O livro é incrível!
Encrenca enfrentou a dor da perda, mas também descobriu seu talento e sua coragem. Sarah, por sua vez, encontra sua chance de mudar o mundo quando se junta à causa abolicionista, se tornando pioneira na luta pelos direitos do negro e das mulheres!

Em um romance envolvente, a autora de grande sucesso Sue Monk Kidd, conta uma história emocionante sobre o poder das asas da imaginação!

site: http://geracaoleiturapontocom.blogspot.com.br/2014/06/resenha-invencao-das-asas-sue-monk-kidd.html
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Queria Estar Lendo 03/12/2018

Resenha: A Invenção das Asas
A Invensão das Asas é o terceiro livro de ficção da autora Sue Monk Kidd - mesma autora de A Vida Secreta das Abelhas e A Cadeira da Sereia - e publicado por aqui pela Editora Paralela, que nos cedeu uma cópia para a resenha. A história é uma novelização da vida real de Sarah Grimké, uma abolicionista do inicio do século XIX que lutou não só pelo fim da escravidão, mas pela igualdade racial e de gênero.

Aos 11 anos de idade, Sarah Grimké, a filha do meio de dez crianças de uma abastada e aristocrática família sulista, recebe como presente de aniversário Hetty "Encrenca", uma escrava de 10 anos. Horrorizada com isso, ela tenta recusar o presente de todas as formas, inclusive ao tentar alforriar a escrava, porém sem sucesso. É ali que Sarah descobre seu destino: fazer de tudo para tornar-se uma jurista e lutar contra a escravidão.

Hetty, que prefere ser chamada de Encrenca - o nome de berço que recebeu de sua mamã - não conhece nada do mundo além da casa dos Grimké e sua vida como escrava. Ao lado da mãe, Charlotte, Encrenca cresce como uma garota curiosa, escutando as histórias da mãe sobre a África e sobre como o povo negro costumava ter asas. Desde muito cedo, Encrenca sonha em ser livre.

"Se você precisa errar, erre pela audácia."

A história das duas garotas se entrelaça definitivamente ali, no aniversário de Sarah e, mesmo com os anos que se passam, a diferença entre a vida das duas mulheres fica cada vez mais discrepante, embora no íntimo ambas desejem o mesmo: a liberdade. Enquanto Encrenca é prisioneira de corpo, Sarah, com suas opiniões fortes, é escrava de mente.

Eu não achei que fosse gostar tanto de A Invenção das Asas como gostei, em especial da história de Encrenca e sua mãe. Por vezes me peguei revirando os olhos para a Sarah, preciso confessar. Como a própria Sue Monk Kidd revela no fim, ao falar da figura histórica, Sarah era reservada e tomava atitudes com uma lentidão bastante enervante para uma romancista, o que fez com que ela adiantasse alguns acontecimentos e também entregasse a Sarah alguns atos e falas que, na verdade, pertenceram a sua irmã, Angelina.

Aos 11 anos ela decide que quer ser jurista, como os irmãos mais velhos e o pai. Sarah é uma garota "peculiar" e, embora seu pai não incentive, nunca impediu seu desenvolvimento intelectual através das obras que ela retirava de sua biblioteca para ler ou dos debates que ele promovia entre a garota e seus irmãos a mesa de jantar. E é por isso que ela decide ser jurista, uma atitude que, quando toma conhecimento, seu pai faz questão de esmagar. Embora sempre tenha sentido o impeto de usar seu intelecto, Sarah acaba abaixando a cabeça para os costumes da época, almejando ao casamento e aos filhos e, quando isso não funciona, entregando-se a Deus em busca de um sentido na vida.

O que mais me irritou na personagem é que ela tomava uma decisão e com o primeiro não, com a primeira dificuldade, desistia. Então voltava a se relegar as atividades socialmente aceitáveis por um longo período, para só depois tentar novamente. A gente fica nesse vai e volta, nessa introspecção da forma como ela se sente e como gostaria de fazer tudo que tem vontade, e isso vai nos fazendo rolar os olhos com muita força.

"Naturalmente, eu sabia que não havia advogadas. Para uma mulher, nada existia além da esfera doméstica e aquelas florzinhas gravadas em caderno de arte. Uma mulher aspirar ser advogada - bem, possivelmente, seria o fim do mundo. Mas uma semente se tornava uma árvore, não?"

A narrativa é fluida, os capítulos são pequenos, então acaba sendo bem fácil de ler. A irritação fica total por conta da incapacidade da Sarah de se rebelar de forma consistente. Mesmo com os abusos em casa, ela se recusa a se impor, mesmo que por dentro esteja morrendo de vontade de fazer isso. Ela é muito passiva e permissiva, ela não age de fato. É uma pessoa para quem as coisas acontecem e que levou um tempão para começar a reagir. De fato, Sarah só toma as rédeas da própria vida e da sua militância em prol da abolição da escravidão, da igualdade racial e de gênero, quando sua irmã Angelina age.

Angelina é 12 anos mais nova que Sarah e, de acordo com a história real, a primeira mulher nos Estados Unidos a discursar na assembleia legislativa. Angelina foi criada pela visão de mundo de Sarah, mas com um fogo que a compele a, de fato, agir. E é apenas quando ela se vê livre das garras da mãe, reencontrando-se com a irmã mais velha, que Sarah finalmente começa a agir em direção ao seu futuro. É Angelina quem faz sua história acontecer, e até chegarmos nisso, passamos por muitos capítulos de Sarah lamentando-se por amores não correspondidos, pelo que sua vida poderia ter sido, pelo seu intelecto menosprezado e por seu desejo de ajudar Encrenca - embora nunca se imponha o suficiente para fazer isso.

"Mamã não queria o tecido, só queria criar confusão. Ela não podia ser livre e não podia dar na sinhá com uma bengala, mas podia pegar a seda dela. Você se rebela do jeito que pode."

Agora Encrenca já é outra história. Embora ela não seja exatamente uma figura histórica real, como tantas outras nesses livro, ela é baseada na escrava real, chamada Hetty, que Sarah recebeu de presente em seu aniversário de 11 anos, uma garota com a qual teve um forte laço de amizade na infância, mas que morreu cedo. Sue Monk Kidd, então, imaginou o que teria acontecido com Encrenca, coso ela não tivesse morrido, e nos entregou uma jovem mulher determinada, inteligente, habilidosa. Uma mulher que nunca se contentou com sua posição de escrava, que se rebelava como podia.

Quando eram crianças, Sarah ensinou Encrenca a ler e escrever e, como na época ensinar um escravo a ler e escrever era crime, ambas são punidas por isso quando descobertas. E é ali que Encrenca passa a compreender sua condição de escrava. Aos dez anos, ela não questionava. Ao lado de sua mãe, contentavam-se com os momentos juntas em seu quartinho, costurando suas colchas de retalhos e roubando doces quando a sinhá não estava olhando.

"Ninguém pode escrevê num livro quanto ocê vale."

Porém, com o conhecimento dos livros logo chega o conhecimento do mundo. Encrenca e Sarah tem uma relação de amizade que perdura por toda sua vida, e através dessa relação, fica muito claro a condição de escravidão e a visão que se tinha dos escravos na época. Encrenca sabe que é um ser humano como todos os outros, não tem nenhuma diferença entre ela e os brancos, e conforme vai conhecendo o mundo, recebendo punições e assistindo as pessoas que ama recebendo-as também, nasce um ódio dentro dela que a torna rebelde e ao mesmo tempo destemida. Inteligente pela forma como lida com as pessoas.

Eu nunca consegui me conectar muito bem com Sarah, e um dos motivos é pela forma como ela se lamentava pelos romances que não deram certo e pelos decretos do pai de que jamais poderia seguir em frente com sua intenção de tornar-se jurista. Ela age como se não tivesse opção nenhuma no mundo, embora pudesse enfrentar seus pais sim, caso o desejasse. Eu entendo que Sarah estava presa pelo machismo e pelo patriarcado, pela noção com a qual cresceu de obediência e tudo o mais, mas isso irrita muito quando do outro lado temos Encrenca, sendo punida pelos atos de Sarah. Assistindo a mãe ser punida por rebelar-se.

"Permanecer em silêncio em frente ao mal é, em si, uma das formas do mal."

A disparidade entre a existência das duas mulheres é tão grande que quando Sarah se lamentava por ter o acesso a biblioteca negado em um capítulo, no outro Encrenca, aos 11 anos, estava recebendo sua primeira chibatada. E não tem como eu lamentar pela Sarah ou achar isso tão importante quanto o sofrimento da Encrenca. Porque Sarah jamais seria punida daquela forma cruel por rebelar-se ou desafiar os pais e a sociedade.

Porém, preciso dizer que minha personagem preferida de todos foi Charlotte. A forma como ela se rebela, como engana a sinhá, como se arrisca alugando-se clandestinamente em busca de comprar a liberdade dela e da filha, como se relaciona com um negro livre que instiga nela ainda mais a ideia de que negros não são inferiores aos brancos. Charlotte cozinha dentro de si um ódio aos brancos que a escravizaram e uma reverência a sua mãe e as histórias dos negros de asas que a impulsiona a seguir em frente, sempre em frente, em busca de liberdade. Mas a bem da verdade, Charlotte nunca se deixou domar, aprisionaram seu corpo, mas nunca seu espírito e eu amei cada passo que ela deu nesse livro.

"Eu sempre quis a liberdade, mas nunca tive para onde ir nem como sair. Não importava mais. Queria liberdade mais do que respirar. A gente iria, em cima dos nossos caixões se precisasse. Foi assim que mamãe viveu a vida dela. Ela dizia, "cê tem que saber que lado da agulha vai sê, o que tá amarrado na linha ou o que fura o pano."

A Invenção das Asas é um livro curto, mas com uma narrativa que encanta e personagens verdadeiros. Um livro que não abranda o período da escravidão porque é uma parte "feia" da história, como alguns autores já fizeram - o que, honestamente, é o equivalente a chamar Hitler de "bobo" - e que traz relatos reais de quem lutou contra esse sistema que encontrava apoio mesmo dentro das igrejas.

"Eu era cautelosa, ela era intrépida. Eu pensava, ela agia. Eu acendia o fogo, ela o espalhava. E bem ali e para sempre, eu vi como as Moiras tinham sido espertas. Nina era uma asa, eu era outra."

É uma leitura que indico, apesar dos pesares, porque no fim os pontos positivos são muito maiores. A história de Encrenca, sua resiliência e luta, merece ser lida. A invenção de suas asas é uma história que deveria ser conhecida por mais pessoas, e a narrativa de Sue Monk Kidd é impecável ao fazê-lo.

site: http://www.queriaestarlendo.com.br/2018/12/resenha-invencao-das-asas.html
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