Manoel de Barros

Manoel de Barros Manoel de Barros




Resenhas - Manoel de Barros - Poesia Completa


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Adriel 20/02/2020

Uma nova perspectiva
Manoel de Barros me fez ver a natureza com outros olhos, os olhos que desveem as coisas como são. Em sua obra, que muitas vezes parece sem pé nem cabeça, na verdade faz todo o sentido, pois o papel da poesia é expulsar a razão, a razão da poesia é sentir.

As aventuras do menino Bernardo em desver as coisas, desconstruí-las e criá-las é fascinante. Quem um dia irá esquecer de suas fantásticas invenções?
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Josi do Beco 20/04/2020

E, aquele que não morou nunca em seus próprios abismos
Nem andou em promiscuidade com os seus fantasmas
Não foi marcado. Não será exposto
Às fraquezas, ao desalento, ao amor, ao poema.
_
Entender é parede: procure ser árvore.
_
Sou água que corre entre pedras_ liberdade caça jeito.
A poesia de Manoel de Barros é sobre natureza, sobre o Pantanal e sobre ser livre nas palavras.
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Castelo (@apalavradoslivros) 03/08/2020

Manoel é um professor de "agramática".
Gosto de imaginar a vida como que dividida em fases, como capítulos de livros, onde o início e o fim de cada um não é bem demarcado e a transição é a constância. Sabe-se a passagem de um capítulo só "no depois", um tempo muito específico, que só se sabe olhando para trás. Um detalhe que gosto de reparar é nos livros que me acompanharam em cada um desses capítulos da vida: a companhia de alguns foi mesmo como um momento de entrega a descobertas outras durante a travessia do que eu estava vivendo.

Agora sabemos que não estamos enfrentando o melhor dos capítulos da história do Brasil. Além de "Brasil: Uma Biografia", que ando lendo, há este outro tesouro aqui, que tem me mostrado poemas como se eu estivesse descobrindo orações.

Ler poesia é um exercício de encantamento. Os olhos, emprestados aos versos do poema, se voltam para um lugar não mais concreto, mas abstrato: a nova realidade construída pelas palavras do poeta. Manoel nos dá licença, ao lê-lo, para nos sujarmos com o des-sentido das palavras. Importa a ele a palavra equivocada de seu sentido - é ela que faz poesia. E a partir de então podemos enxergar um pouco o mundo sob sua ótica: olhar para o chão, achar nele um vasto material poético, onde o mais inútil é o mais válido para a poesia. Nos ensina sobre as árvores, nos faz imaginar porque uma laranjeira dá laranja, por exemplo, quando um abacateiro dá abacates, e nos faz deduzirmos que é porque a laranjeira prefere os brincos amarelos e os abacateiros é mais afeito às crostas das castas do abacate.

Interessa ao poeta a "palavra suja". O termo aqui faz oposição à palavra que se pretende organizada nos demais discursos que não o discurso poético, onde há um rebuliço na semântica.

A julgar pelo poema "O Cisco", diria que Manoel teve algum contato com o pensamento de Jacques Lacan, do qual ele faz uma referência direta no poema citado, exatamente nos versos: "O cisco há de ser sempre aglomerado que se iguala a restos. / Que se iguala a restos a fim de obter a contemplação dos poetas. / Aliás, Lacan entregava aos poetas a tarefa de contemplação dos restos". Lacan faz nas suas formulações teóricas sobre linguística e psicanálise a virada que Manoel pratica nos seus poemas. É no buraco da comunicação entre o Eu e o Outro que mora o equívoco do qual o analista faz uso para a interpretação, sabendo antes que, enquanto sujeitos de fala, nossa divisão subjetiva se esconde ali, no buraco do equívoco da linguagem. E é com uma beleza imensa que Manoel vai fazer referência ao verbo delirado - questão da qual também Lacan se debruçou nos anos que seguiram seu seminário sobre as psicoses. Cria Manoel:

"No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele
delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer
nascimentos —
O verbo tem que pegar delírio."

Manoel, como todo grande poeta, nos ensina a olhar.

Mais em: @apalavradoslivros
ou no blog: apalavradoslivros.blogspot.com
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Cristiano Pedras 08/07/2016

Manoel de Barros, o poeta dos passarinhos
Antes de tudo Manoel de Barros é um homem do campo que compreendeu o significado profundo de amar e respeitar a natureza. Um grande conhecedor dos hábitos das aves e dos animais do Pantanal. Sua poesia completa deve ser internalizada aos poucos, como em doses homeopáticas. Tenho um blog (link abaixo) em que escrevi mais sobre ele.

site: http://www.avesarvores.com.br/2016/05/o-poeta-dos-passarinhos.html
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Rhalyson 22/03/2020

Manoel de Barros
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios
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Gabriella 28/04/2020

Eu sou muito suspeita pra falar sobre um livro de poesias, porque eu me amarro em poesias. Mas posso dizer que, quem espera ler esse livro para apenas se deparar com um compilado de obras poéticas de Manoel de Barros sobre natureza e afetos, ou seu amor por pedras, árvores e garças, pode ultrapassar muito suas expectativas.

São poesias muito versáteis. Em alguns momentos, eu me vi relendo a mesma frase umas três vezes, não por não entender, mas por apreciar a profundidade. Ele escrevia coisas profundas de maneira tão simples.

Em síntese, esse livro nos expõe por que Manoel se tornou um poeta tão renomado. Depois de ler esse livro, não resta dúvidas de sua grandeza como poeta.
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Erick.Silva 15/06/2020

O medo da lucidez
Para começar, gostaria de recomendar o mini documentário que está disponível no YouTube "Só dez por cento é mentira" que fala bem melhor sobre a obra desse gênio. Bom, eu nunca fui uma pessoa de ler poesia e sempre me identifiquei com o lado mais racional das coisas do que o emocional. E mesmo assim me surpreendi enormemente com a obra de Manoel de Barros que é um tratado totalmente dedicado a esse lado emocional e sentimental, e que por diversas vezes até despreza da razão. O mais interessante é que ele não se utiliza apenas dos sentimentos mais elevados e divinos, mas de todos os tipos, inclusive alguns negativos mas que são completamente associados a nossa natureza humana e que tão bem nos representam. Foi através dessa visão tão humana e limitada das coisas que consegui me identificar tanto com seus poemas e até sentir o que ele colocou ali sem auxílio nenhum da razão. Me vi com um sentimento de nostalgia, lendo sobre uma infância completamente diferente da minha, me senti muito pequeno e curioso diante do mundo infinitamente belo das coisas minúsculas e desimportantes que ele tanto ama, me vi sentindo respeito e admiração pelos mendigos e andarilhos que representam o vazio e o silêncio que todos possuímos de alguma forma (ou que nos possui?), me senti em comunhão plena com diversos aspectos da natureza, me senti inspirado até pela beleza do chão e enfim, senti o amor nas mais variadas formas. Me surpreendi genuinamente e com toda certeza, de agora em diante vou considerar de uma forma completamente diferente os trabalhos de poesia. E com certeza passo a ter total respeito e admiração por essa pessoa tão talentosa e eterna que foi Manoel de Barros.

"Olho é uma coisa que participa o silêncio do outro" - em Arranjos para Assobio, Manoel de Barros.
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Luciana.Mansur 20/09/2020

Pra todos os dias
Manoel de Barros é presente e acontecimento puro. Existência das coisas e da vida descritas de forma poética e subversiva no sentido do desafio da linguagem. É um poeta para quem lê com a alma e coleciona poesia.
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isa.dantas 18/12/2014

"Do lugar onde estou já fui embora"
Mal foi embora e já deixou saudades. É apenas isso que tenho a dizer desse livro que acabei de ler. Poesia gostosa, sobre o Pantanal, sobre a natureza, sobre ser livre na poesia e nas palavras!

Sua perda foi enorme para a poesia...
amorinha 25/02/2016minha estante
Isabella, gostaria de tirar uma dúvida com você você adquiriu este livro já? é que eu quero MUITO comprar a obra completa do Manoel de Barros, mas quero saber se essa obra contém o "Livro sobre nada" e "Retrato do artista quando coisa" pois são meus preferidos e se não tiver,não tenho interesse de adquirir


Jéssika Cordeiro 22/05/2016minha estante
Oi, Amorinha. Eu li o livro e tem esses dois livros, sim. Além de outros que valem muito a pena também!




Jéssika Cordeiro 22/05/2016

Entender é parede: procure ser árvore.
Esta edição é muito organizadinha, tem uma capa linda e uma espessura maravilhosa. O livro reúne uma série de livros e caderninhos de anotações do Manoel de Barros e pode ser lido rapidamente ou durante anos. Preferi a leitura rápida, pois a curiosidade não me deixava desgrudar dele.
Sempre que leio Manoel de Barros, é a mesma sensação: sinto que entendi tudo sem nada ter entendido. É complicado, mas como ele mesmo disse: "Poesia não é para compreender, mas para incorporar. Entender é parede: procure ser árvore." Eu decidi, então, ser árvore e deixar a minha imaginação florear dentro dos poemas.
Após ler todos esses livros de uma vez, continuo tendo a mesma opinião que tive do Manoel quando o li a primeira vez anos atrás. É engraçada a forma como ele se apropria do acervo lexical para brincar com as palavras, dar novos sentidos e acima de tudo, mexer com os sentimentos dos leitores. E talvez seja isso que eu ame, deixar o meu intelecto um pouco de lado e apenas sentir, porque quando entendo parece que o meu entendimento interfere no sentir. Prefiro ser árvore!
Aos leitores iniciantes, indico o documentário "Só 10% é mentira" para entender um pouco mais a respeito desse poeta lindo que é o Manoel de Barros. Nosso infindo menino do mato!
andressaf 22/05/2016minha estante
Eu não podia ter dito de maneira mais bonita que a sua.
É isso: sentir que entendeu tudo sem nada ter entendido. Procurando ser árvore, sempre.


Jéssika Cordeiro 23/05/2016minha estante
???
Menina, descobri há pouco tempo o CD Crianceiras. Conhece? Uma lindeza!




Biblioteca Álvaro Guerra 01/02/2019

Reconhecendo o valor e a importância de um dos mais destacados poetas brasileiros, Manoel de Barros, a LeYa publica neste fim de ano a jóia 'Poesia Completa' em formato brochura para os apreciadores dos versos simples e carregados de sentido. O livro conta com um poema inédito e também com o volume 'Escritos em verbal de ave', publicado pela Leya em 2011. Trata-se de uma chance única de ter em casa a obra completa deste poeta genial.

Livro disponível para empréstimo nas Bibliotecas Municipais de São Paulo. De graça!

site: http://bibliotecacircula.prefeitura.sp.gov.br/pesquisa/isbn/9788562936142
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Erick.Silva 15/06/2020

O medo da lucidez
Para começar, gostaria de recomendar o mini documentário que está disponível no YouTube "Só dez por cento é mentira" que fala bem melhor sobre a obra desse gênio. Bom, eu nunca fui uma pessoa de ler poesia e sempre me identifiquei com o lado mais racional das coisas do que o emocional. E mesmo assim me surpreendi enormemente com a obra de Manoel de Barros que é um tratado totalmente dedicado a esse lado emocional e sentimental, e que por diversas vezes até despreza da razão. O mais interessante é que ele não se utiliza apenas dos sentimentos mais elevados e divinos, mas de todos os tipos, inclusive alguns negativos mas que são completamente associados a nossa natureza humana e que tão bem nos representam. Foi através dessa visão tão humana e limitada das coisas que consegui me identificar tanto com seus poemas e até sentir o que ele colocou ali sem auxílio nenhum da razão. Me vi com um sentimento de nostalgia, lendo sobre uma infância completamente diferente da minha, me senti muito pequeno e curioso diante do mundo infinitamente belo das coisas minúsculas e desimportantes que ele tanto ama, me vi sentindo respeito e admiração pelos mendigos e andarilhos que representam o vazio e o silêncio que todos possuímos de alguma forma (ou que nos possui?), me senti em comunhão plena com diversos aspectos da natureza, me senti inspirado até pela beleza do chão e enfim, senti o amor nas mais variadas formas. Me surpreendi genuinamente e com toda certeza, de agora em diante vou considerar de uma forma completamente diferente os trabalhos de poesia. E com certeza passo a ter total respeito e admiração por essa pessoa tão talentosa e eterna que foi Manoel de Barros.

"Olho é uma coisa que participa o silêncio do outro" - em Arranjos para Assobio, Manoel de Barros.
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