A Filha do Louco

A Filha do Louco Megan Shepherd




Resenhas - A Filha do Louco


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Fernanda 24/03/2014

Resenha: A Filha do Louco
Resenha: A filha do louco, baseado no clássico A Ilha do Dr. Moreau de HG Wells, apresenta influências góticas e características referentes a ciência e a religião. É inquietante o modo como Megan Shepherd descreveu as cenas carregadas de tensão e cheias de suposições intrigantes.

Juliet Moreau tem apenas 16 anos e já apresenta uma vida marcada por tragédias. Primeiro surgiram os boatos sobre seu pai e de como mantinha um trabalho abominável. Após diversas acusações, desapareceu sem deixar rastros, deixando filha e mulher sem estrutura. Mesmo após a morte da mãe, a garota tenta se recompor diante das críticas que a sociedade impôs sobre sua família.



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site: http://www.segredosemlivros.com/2014/03/resenha-filha-do-louco-megan-shepherd.html
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Desi Gusson 24/04/2014

Atmosfera Perturbadora, Mocinha Perturbada
"Um grito doloroso rasgou a noite. O susto fez com que eu jogasse os lençóis para fora da cama, e eu senti o suor encharcando meu pescoço. Seria o cachorro? Eu não conhecia nenhuma criatura capaz de emitir um som tão inumano. Conforme os gritos se arrastaram, assombrando-me a cada respiração, minha mente começou a devanear entre lugares mais sombrios. Imaginando o que faria um animal gritar daquele jeito. [...] Estava trabalhando em algo novo. Algo diferente."

A Filha do Louco tomou um rumo completamente inesperado para mim. Não tenho o costume de conferir resenhas antes de ler um livro justamente para entrar na história cega, sem influências além da sinopse, pronta para as minhas próprias conclusões. Talvez dessa vez eu devesse ter ‘pesquisado’ um pouco mais antes de me jogar, não porque a estória seja ruim, longe disso, mas fui achando que era Páscoa e só depois percebi que era Halloween, dá pra entender?

Não? Mea culpa. Vamos deixar em que A Filha do Louco não é só um livro de época com um toque obscuro. É de época sim, e obscuro, para dizer o mínimo, mas é muito mais que isso… não leitor, me recuso a dizer mais, você vai ter que passar pelo que passei se quiser saber do que estou falando. Confesso que estou um pouco dramática agora, acabei de assistir O Grande Gatsby, impossível não se afetar e escrever um pouco obsessivamente depois disso.

Não sei se foi uma combinação sábia

Vamos aos fatos sem spoilers malvados, eu odeio a Juliet. Poderia muito bem ter ficado sem ela o livro todo. Lembrando a personagem de Shakespeare que inspirou seu nome ela é daquelas meninas indefesas e chatinhas que passam tempo demais dizendo o contrário. Pra piorar, ela gosta de se vangloriar (pra ela mesma, veja se isso não é caso de psiquiatra) que é fria, mórbida e meio louca. Nesse ponto tenho que concordar com o pai dela, que é um personagem nojento, diga-se de passagem, quando ele diz que ela não passa de uma histérica.

Quero dizer, a menina VAI atrás do pai que ela sabe que que a abandonou e admite para si mesma que as acusações horrorosas contra ele podem ser verdade. Ela INSISTE para ser levada até onde ele está apesar de ser avisada que as coisas na ilha são meio diferentes e quando chega lá ela RECLAMA, tem ataque de pelancas quando descobre a verdade verdadeira, apesar de o tempo TODO dizer que ela mesma é doentia e fria demais. Bitch, você cansa minha beleza literária! Para mim Juliet achou que o papai ia largar as vivissecções para recuperar o tempo perdido com a filhinha (pra quem ele se lixava até então) e organizar o casamento do ano com Montgomery, afinal agora que ele faz parte da família, por que não estreitar um pouco mais esses laços, se é que você me entende.

Desculpe, mencionei que ela arruma tempo pro triangulo amoroso no meio de uma crise macabra na Ilha de Lost vitoriana? Pois é.

Ok, me recuperando do meu próprio ataque de pelancas, adorei ter uma história com terror numa ilha tropical. Quantas vezes vemos isso? Os escritores tendem a seguir pela névoa e gigantescas casas mal iluminadas, alguém ser constantemente ameaçado num paraíso dos trópicos de uma forma que deixa o leitor ansioso e sem respirar é bem diferente.

Os outros personagens, que na minha opinião poderiam ter trancado Juliet num baú, são ótimos. Principalmente Montgomery, Balthazar e Edward que me deixavam agitada cada vez que apareciam, inquieta, tentando descobrir o que havia por de trás de suas fachadas aparentemente simples. Já o Doutor Moreau me deixou dividida entre sair correndo, gritando, ou bater nele com uma vara, para continuar mantendo distância.

Estou até agora impressionada com o quanto gostei do livro, apesar do quanto desgostei da personagem principal. Não sosseguei até saber o que estava acontecendo, foi simplesmente viciante acompanhar toda a ação da ilha e perceber que, com o passar do tempo, Juliet começa a se referir à ilha como uma pessoa, como se ela houvesse de alguma forma absorvido a maldade do pai e fosse cruel por si só. Sem contar o final, aquele final, que me fez querer gritar nããããããããão sem ligar pra acordar a casa toda, as pessoas tem que entender que reações exageradas para finais com ganchos são naturais.

A estória baseada no livro de H. G. Wells A Ilha do Doutor Moreau cumpre seu papel, é arrepiante e carregada de suspense para te deixar acordado lendo até perceber que falta pouco para ter que ‘acordar’. Agora estou assim, órfã de continuação! Pode uma coisa dessas?

site: www.desigusson.wordpress.com
luciana.melo.73 29/01/2015minha estante
A Filha do louco é um dos meus livros favoritos, não conseguia parar de ler nenhum minuto, e a cada capítulo a história vai tendo alguma coisa para ser desvendada, e sim eu concordo com o que você disse sobre o final, fiquei louca da vida e meio sem rumo, com vontade de gritar mesmo kkkk. Mas enfim, eu fiquei intrigada com o final, e fui pesquisar mais sobre, e descobri que é uma trilogia, mas não consegui datas para os lançamentos aqui no Brasil :(




Uma volta literária 07/08/2020

Envolvente e cheio de mistérios!
RESENHA: A Filha do Louco

E aí? Vamos dar mais uma volta literária?

Esse livro, escrito pela Megan Shepherd, se trata de um suspense com um romance histórico... o pacote completo para mim, rsrsrsrs!

Essa história que eu, particularmente, achei envolvente e cheia de mistérios fala sobre Juliet Moreau, nossa querida principal.

Após um escândalo envolvendo seu pai, um médico, o Dr. Moreau, e, também, o desaparecimento desse, a vida de Juliet acabou sendo totalmente afetada.

Esse acontecimento arruinou a reputação, que era de grande relevância no período, dela e de sua mãe.

Assim, além da sociedade londrina, os parentes e antigos amigos as abandonaram à margem da sociedade.

Após a morte de sua mãe, nossa principal construiu sua vida trabalhando como arrumadeira e tentando lidar com todas as consequências do escândalo.

O seu pai havia sido acusado de fazer experiências sinistras envolvendo seres humanos e animais.

Mas será que tudo isso era verdade? Será que seu pai era, de fato, o monstro que a sociedade dizia ser?

Passando sua vida convivendo com a possibilidade do seu pai estar morto e com diversas dúvidas sobre os acontecimentos anteriores, Juliet foi surpreendida com a notícia de que seu pai estava vivo e exilado em uma ilha tropical remota, talvez... fazendo aquelas sinistras operações...

Então, determinada, nossa principal embarca em uma viagem para reencontrar seu pai.

Nesse período, ela irá descobrir muitos mistérios acerca do passado, verdades sobre si mesma e se envolverá em alguns romances...

- O antigo criado de sua família ou o estranho misterioso náufrago?

Eu simplesmente me apaixonei pela história! E estou louca para ler a sequência!

E já aviso, o final termina “em aberto”, deixando aquela pontinha de curiosidade e um coração ansioso para ler os outros livros!

Você já leu “A Filha do Louco”? Se sim, gostou? Ficou com vontade de ler? Conta aqui nos comentários!

site: https://www.instagram.com/uma.volta.literaria/
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Paula 09/12/2014

Sinto-me surpresa e decepcionada.
Enfim, tudo começa com uma órfã de 16 anos, chamada Juliet. A moça, que não tem uma vida fácil por causa de seu pai que a abandonara, acaba fugindo de Londres e vai lá ver se é verdade que o pai é um insano. Eu gostava da personagem até ai, torcia por ela, mas Juliet é muito impulsiva, indecisa e isso me irritou muito. Você lerá e jamais vai acreditar na reviravolta da história. Eu posso dizer que considero ingênua (ou digamos tapada) demais, para quem era uma órfã na Inglaterra. Você vai escolher um personagem favorito, e vai se decepcionar com ele. Eu posso concluir pessoalmente (pois minha resenha é mais um desabafo) que a autora quis mostrar que ninguém era bom demais, ou os finais felizes nem sempre acontecem, e mais, que as aparências enganam. Para concluir, salvo que, fiquei triste por Balthazar. Espero que leia, por que apesar de toda a minha decepção, o livro é também surpreendente, uma vez que a autora fez coisas que passam longe de nossas suposições, incluindo o final da trama. Bom, é minha primeira resenha, não ficou muito boa, mas foi de coração.

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Gustavo 17/01/2015

Simplesmente incrível
Essa é a minha primeira resenha, então pode estar bobinha, e duvido que alguém vá ler, mas enfim, eu precisava falar o que achei do livro.
O começo da narrativa já é incrível. Ela mostra que o livro não veio para ser bonitinho e feliz, mas sim obscuro. Começamos com a personagem principal, Juliet, limpando manchas de sangue em um chão de pedra, no meio da noite, e como a narrativa é em primeira pessoa temos uma visão maior dos pensamentos de Juliet. A personagem me cativou no começo do livro, mas depois ela deslanchou e me decepcionou muito. Vamos por parte... No começo ela parece decidida e muito independente, isso foi algo marcante para mim, porque não era fácil se portar assim sendo uma mulher, órfã, em 1800 e bolinha, então logo de cara achei que ia amar a personagem pela sua força e independência.
Aconteceram coisas que a levaram a encontrar Montgomery, um antigo amigo/criado de sua família. Ai a personagem principal começa a decair. Olha, eu gosto de romance, mas na medida certa, porque o que a autora fez com a personagem, começou a me matar... No decorrer do encontro entre a Juliet e o Montgomery temos vários devaneios irritantes e sem serventia por parte de Juliet, falando de como o Montgomery é lindo, forte, bronzeado, e etc. Nada contra uma descrição detalhada do personagem, mas ela fica batendo na mesma tecla o encontro inteiro. Ela descobre que o pai morto na verdade esta vivo, fica chocada por uns dois parágrafos e depois pensa "Como o Montgomery é lindo". Nossa, ódio que me deu dela.
Enfim, tirando essa falha gravíssima com a Juliet, o livro é incrível. Os personagens são fortes, e bem profundos, até os secundários tem seu brilho e causam empatia, como o Balthasar ou a Alice. O pai da Juliet é um ser cruel e desprezível, tanto que, em uma passagem, de tanto ódio, meus olhos se encheram de água. As descrições são coerentes e de peso, sem ser cansativas. Os cenários, tanto de Londres, como do navio, e da ilha, são bem construídos e detalhados. O suspense ao redor do Dr. e de suas criações é muito bem trabalhado e te faz querer ficar horas acordado lendo o livro. A escrita e a edição são gostosas, e achei poucos erros de revisão, só uns 4 se não me engano.
Sei que o livro faz parte de uma trilogia (coisa que não é especificada em nenhuma parte do livro, o que achei um erro), mas, na minha opinião, ele não deixa pontas soltas e se quiser parar nele da para faze-lo numa boa.
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Augusto Bogo 09/02/2020

Interessante...
Uma história interessante que me manteve atento a cada página. Acho que o livro teve um pouco de enrolação, podendo ter tido um desfecho bem antes.
Algumas reviravoltas se mostraram forçadas, mas nada que fizesse a história menos interessante.
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biarj7 14/04/2014

O FINAL DEIXOU A DESEJAR.
Livro ótimo. Prende o leitor do início
ao fim. Só o final que achei que deixou
a desejar. O destino da mocinha era a Inglaterra
quando ela não poderia voltar pra lá. E voltando
continuaria na pobreza.
Achei que o final deixou a desejar. Será que
vai ter continuação?
Karol 26/04/2014minha estante
ja teve a continuação o livro 2 ainda não chegou ao Brasil mas vai ter sim :)




spoiler visualizar
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Syrah 30/04/2020

É um livro que surpreende o leitor mesmo que ele já tenha suas suspeitas, adorei a descrição dos detalhes e a pequena surpresa do final pra mim foi realmente inesperada mesmo já "sentindo algo errado"
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Daiany.Cordeiro 16/08/2019

Surpreendente
Eu peguei esse livro emprestado da biblioteca juntamente com mais dois outros livros, os outros eu já conhecia, já tem filmes deles, e esse era completamente desconhecido por mim, apesar de já ter ouvido falar de um outro livro da autora, O Mistério dos Cavalos Alados. Peguei esse livro pela capa, não li a sinopse, e com a visão da capa e o título, achei que poderia ser um livro de mistério e na pior das hipóteses terror (não gosto de livros de terror mas acabo lendo alguns) e na verdade o livro é de ficção científica.

Que bom que não li a sinopse, eu não teria pegado para ler, já que não leio muito ficção científica, fui surpreendida, gostei muito do livro.
Não deixa de ser de terror, já que tem umas experiências macabras com animais, então acredito que algumas pessoas vão odiar esse livro, por que realmente é tenebroso o que fazem com os animais.
Eu amei esse livro, e ao mesmo tempo odiei por ter lido, já que descobri que não tem a continuação em português, e o final me fez querer ler a continuação desesperadamente.
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Adriana 17/04/2014

Muito Bom!
Gente que livro mais legal! Eu não dava muito por ele apesar de estar curiosa para lê-lo, mas "A Filha do Louco" me pegou logo nas primeiras páginas.
A história se passa em uma época que eu amo (Não diz exatamente o ano, mas imagino que seja o século 19), e isso por si só já torna tudo mais interessante. Além disso a escrita da autora - Megan Shepherd - é aquele tipo eletrizante que te deixa tão curiosa e até ansiosa que você só consegue largar depois de terminar, - tem ação, mistério, romance e algumas partes eu até classificaria como terror (Um terror leve, mas ainda assim, mais aterrorizante do que eu estou acostumada a ler)
Quando terminei a leitura só fiquei com um sentimento de que o final poderia ter sido diferente, PORÉM para minha felicidade, descobri que o livro faz parte de uma trilogia e isso faz o final ser totalmente apropriado.
Agora aguardar o lançamento dos próximos volumes

site: http://hobbyecletico.blogspot.com.br/2014/04/a-filha-do-louco-livro-01-megan-shepherd.html
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Carol 25/06/2020

Amei!!
O livro é incrível, uma história que prende o leitor... Literalmente... Afinal depois de ler ele em dois dias pude voltar a vida cotidiana...
Ele foi perfeito do início ao fim, não deixou nenhuma ponta solta, e isso foi incrível pois só quando fui adicionar o livro no Skoob que descobri que tem continuação!
Mesmo que a continuação não esteja traduzida ainda, ele não deixa a desejar com o final da história com questões não resolvidas, oque é um ponto muito positivo pois odiaria esperar meses ou anos até anunciarem a tradução da continuação.
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Lucianoasantos 10/03/2015

Estou feliz escrevendo esta resenha. Quando recebi o “A Filha do Louco” da Editora Novo Conceito eu até me senti atraído pelo título e pela capa – já sabem, não leio sinopses – mas acabei deixando a leitura pra depois. E acho que foi uma coisa sábia. Agora, aproveitando a onda de feriados e pontos facultativos pude me dedicar ao livro. E que bela surpresa ele me saiu!

Nele conhecemos Juliet, uma adolescente que trabalha como faxineira no departamento de medicina de uma universidade em Londres, em uma função que jamais imaginara que teria de desempenhar. Ela é filha do renomado cirurgião, para muitos o melhor de todo o país, Henri Moreau, e crescera em uma enorme propriedade, sem ter de se preocupar com nada. Até que acontece um escândalo acerca das pesquisas médicas de seu pai, ele desparece e é dado como morto, e, como passa a ser considerado um criminoso, tem seus bens confiscados, deixando sua esposa e sua filha na rua.

Não demora muito e mãe e filha percebem que as portas da sociedade londrina estão fechadas para elas. As mesmas pessoas que se refestelavam em jantares e festas na casa da família Moreau, agora não mais os recebiam, e se recusavam a dar-lhes qualquer tipo de ajuda, o que acaba fazendo com que a mãe de Juliet se dispa de seus pudores, e faça o que é preciso para dar a filha um lar. Anos depois, órfã de mãe e, provavelmente, também de pai, um antigo colega de universidade do Dr. Moreau fica sabendo das dificuldades pelas quais Juliet passa, e consegue para ela um emprego na universidade, mas quando ficam sabendo que ela é filha do tal doutor acabam lhe dando apenas com o cargo de faxineira.

Henri Moreau. Se o sobrenome é vagamente conhecido por você, não se engane. O “A Filha do Louco” se baseia na história do Dr. Moreau, personagem do clássico “A Ilha do Dr. Moreau” escrito por H.G. Wells, célebre autor de ficção científica, mais conhecido por livros como “A Guerra dos Mundos” e “A Máquina do Tempo”. Não li o “A ilha”, mais o nome Moreau faz parte do inconsciente coletivo, então é natural que se faça alguma conexão ou que deixe em quem o lê uma sensação de reconhecimento, mas não sei dizer até que ponto as narrativas se aproximam ou o quanto diferem uma da outra.

Ok. Juliet trabalha como faxineira, mora em uma pensão para moças, e tem de encarar um médico tarado que insiste em lhe “ensinar a ser mulher”. Ela sabe que a situação é insustentável, mas não há muito o que possa fazer, já que precisa do emprego para viver, e para comprar um medicamento formulado por seu pai que ela tem de tomar diariamente, já que sofre de uma condição médica semelhante à diabetes. Mas as coisas mudam quando ela se depara com um esquema médico representando um animal, e o reconhece. Pertencera a seu pai.

Por ser mulher, Juliet era considerada pelo pai inapta às ciências, com ele preferindo instruir e ter como assistente Montgomery, um jovem filho da criada da família por quem Juliet tem uma afeição sincera. A amizade faz com que, às escondidas, Montgomery transmita à ela tudo o que seu pai lhe ensina, por isso ela consegue reconhecer com facilidade o diagrama como pertencente ao Dr. Moreau. E ela se pergunta, mais do que nunca, se ele estaria vivo, e, se sim, se era o monstro que diziam, e por quais razões não a procurara?

Em um gesto desesperado em busca da verdade, ela reencontra Montgomery, vivo, acompanhado de um estranho homem, deformado, que lhe assusta, mas tem modos inofensivos. Fica sabendo também que seu pai está vivo, recluso em uma ilha.

Enquanto o começo da narrativa se dá em Londres do século XIX, a autora investe pesado no clima úmido e nevoado, dando à cidade uma atmosfera densa, escura, que normalmente já é associada com a cidade, ainda mais na época em que o desenrolar do livro se passa. Quando acontece à mudança, e Juliet tem de fugir para ir em busca do seu pai, ela ruma para uma ilha tropical, onde sol, calor, e cores vibrantes fazem parte da paisagem, ela até destaca em certo momento “ouvir o canto de pássaros que ela jamais ouvira antes”. É difícil que um autor consiga descrever dois ambientes tão distintos de forma igualmente satisfatórias. Megan Shepherd conseguiu isso com mérito. E não se enganem quanto à profusão de sons e cores da ilha: nos momentos de tensão, ela é tão sufocante e amedrontadora quanto se a ação se passasse inteiramente na cinzenta Londres.

A ilha, remota, com uma vegetação hostil e seres desconhecidos, tem uma ambientação perfeita para doses de suspense e mistério. Como Juliet é uma personagem bastante confusa no que diz respeito à sua relação com seu pai e no que ela mesmo acha de si – em alguns momentos ela tem uma auto-estima super baixa, em outros tá seduzindo o vento – ela fica bastante perdida frente aos acontecimentos. E não é mesmo fácil ter um pai com uma moral tão deturpada e um ego tão grande quanto o Dr. Moreau. Em diversos momentos ela tem simplesmente de fugir do que está ao seu redor, então corre desesperadamente rumo à selva enquanto sabe em seu íntimo que não pode fugir do que ela é, a filha do louco, e ela se sente horrorizada quando se pega intimamente admirando a obra do pai e sua genialidade.

Nas passagens em que fica perdida em meio à selva, a autora imprime no leitor um ritmo de leitura diferente – todo o livro é narrado em primeira pessoa – que trás uma sensação opressora, um incômodo, a famosa sensação de estar sendo observado; e eu me surpreendi muito com isso pois não esperava encontrar nada parecido no livro.

Eu fiquei com a sensação de que o livro foi muito bem executado. Ao que se propôs, a autora se saiu muito bem. Existem mistérios o suficiente e revelações e reviravoltas que me mantiveram interessados o tempo todo em saber o que aconteceria a seguir. Fiquei positivamente surpreso com o que encontrei. E já falei isso em uma outra resenha, mas é incrível o quanto fluem sem problema algum comigo os livros traduzidos pelo Ivar Panazzolo Júnior. Sério, dois abraços pra ele.

Agora, não tenho certeza, mas me parece que o livro faz parte de uma série. Bom, eu tenho comigo que ele é fechado o suficiente para ser encarado como volume único, mas a autora soube me cativar, e principalmente me intrigar com o que acontece com Juliet. Se tiver realmente uma continuação eu a leio sem problemas. Em um mundo perfeito, por sinal, Juliet seguiria os passos do pai ;)

site: http://www.pontolivro.com/2014/06/a-filha-do-louco-de-megan-shepherd.html
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Edilaine.Santana 30/01/2017

A filha do louco
Minha opinião: pensem num livro ruim. Fui até o fim só pra saber como acabava. Talvez, os pré adolescentes gostem.
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