O Coração das Trevas

O Coração das Trevas Joseph Conrad




Resenhas - O Coração das Trevas


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Guynaciria 22/02/2018

Romance escrito por Joseph Conrad, ele traz como personagem principal  Charles Marlow, um homem inglês que sonha em ser capitão de um navio e acaba sendo contratado pela companhia de comércio belga, para trabalhar em um barco a vapor, em algum rio africano.

Charles Marlow, transporta marfim através do Congo. Mas logo no inicio das suas atividades o seu barco sofre um acidente que o leva a pique. Enquanto está resgatando os destroços e concertando da melhor forma possível, o capitão toma conhecimento a respeito do comerciante Kurtz.

Kurtz, parece ser um homem admirável, ele conhece o rio como ninguém. É todos falam tão bem dele, que o jovem capitão passa a sonhar com o dia que vai conhecer tal homem.

Quando essa narrativa se inicia, Marlow já é um homem feito, muitos anos se passaram, e ele está contando aos seus companheiros de embarcação a sua mais terrível aventura no Congo.

Muitos devem saber que esse livro inspirou o filme Apocalypse Now, que se passa durante a guerra do Vietnã, alterando assim o cenário, mas mantendo o ar psicológico da trama.
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Jefferson Vianna 30/01/2018

Um livro para poucos...
A princípio senti muita vontade de abandoná-lo por se tratar de uma leitura cansativa e até mesmo de difícil compreensão. No entanto, após insistir um pouco mais, me vi dentro do contexto e mergulhei na narrativa de Charlie Marlow, um marinheiro que se torna capitão de uma embarcação e que segue até as florestas do Congo, tendo como principal missão encontrar e resgatar Kurtz, responsável pela exploração de marfim daquela densa região. Neste livro Joseph Conrad, nos transporta a um ambiente estranho, repleto de enigmas e que em alguns momentos além de medo nos causa certo incomodo. É como se o autor nos conduzisse a um olhar interior e nos colocasse dentro da embarcação, numa “viagem” que é só nossa... O livro fala de preconceito e sufoca o leitor, levando-o a “adaptação e/ou conformismo”. O Coração das Trevas é uma espécie de critica ao racismo, ao colonialismo e ao modo como tratamos/enxergamos a natureza e o nosso próximo. A maneira como o autor conta a história nos instiga a prosseguir na leitura, não é por um acaso que esta novela, originalmente publicada em 1899, é um clássico! Na verdade Conrad convida-nos a conhecer algo que tememos: a nossa própria natureza, as nossas próprias trevas! Horror! Horror!
“E talvez esteja aí toda a diferença; talvez toda a sabedoria, toda verdade e toda sinceridade estejam apenas contidas naquele inapreciável momento em que ultrapassamos o limiar do invisível.” - Joseph Conrad
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Kleber Rafael 23/11/2017

A história dentro da história...
O livro é pequeno, mas pode enganar. A sua leitura não foi rápida. Não achei um livro sensacional, mas não é ruim, é uma novela muito interessante, principalmente porque o protagonista do livro o capitão Marlow é o alter ego do próprio Joseph Conrad. Ele narra sua aventura pessoal em um história dentro de outra história, o que achei que foi um toque genial do escritor. O livro precisa de bastante atenção do leitor para não ficar perdido no meio da narração fragmentada do escritor. Foi esse livro que serviu de inspiração para o filme "Apocalypse Now" de 1979 dirigido por Coppola. Livro para leitores exigentes, e que gostam de um bom desafio de vez em quando.
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Elza 21/11/2017

Impressões
Leitura não tão rápida quanto faz crer o número de páginas dessa obra. No entanto, não quer dizer que seja difícil. Há passagens que me pediram uma leitura mais lenta, feita com atenção para poder apreender melhor o conteúdo e mergulhar no "coração das trevas". A selva, o rio, os olhos escondidos a vigiar, a escuridão, alguns percalços de viagem, tudo vai aumentando a nossa expectativa pelo encontro de Marlow com Kurtz. Gostei do livro, embora não tenha entrado entre os meus favoritos.
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Gladston Mamede 12/11/2017

Um livro estupendo e que merece ser lido e pensado, principalmente por estudantes de Direito. Usei a edição bilíngue (171p) da Editora Landmark, com tradução de Fabio Cyrino. Um dos grandes clássicos da literatura mundial, este livro será melhor aproveitado por aqueles que, antes da primeira página, fizerem uma pesquisa sobre a colonização do “Estado Livre do Congo”, ou seja, o miolo da África, por uma companhia criada por Leopoldo II, rei da Bélgica, num dos episódios mais infames da história da humanidade: morte de milhões de africanos, por vezes sem razão alguma, tortura, mutilação, tratamento desumano, etc. A genialidade de Conrad está em tratar essa realidade como cenário e desenvolver a história por dentro da “companhia”.
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leila.goncalves 26/10/2017

O Semi-Deus
Você sabia que o badalado filme "Apocalipse Now", dirigido por Coppola, foi inspirado no livro "No Coração das Trevas", de Joseph Conrad? A principal diferença é que a película tem como palco a Guerra do Vietnã, ao passo que o romance foi ambientado no Congo, durante a virada do século, quando o país era propriedade particular de Leopoldo II, rei da Bélgica.

Considerado o melhor livro escritor, trata-se de uma pertinente crítica ao imperialismo e colonialismo europeu, curiosamente, escrito durante o apogeu desse processo histórico. Lançado em capítulos, pela Blackwood?s Magazine, entre fevereiro e abril de 1899, ele só chegou às livrarias três anos depois, porém, seu sucesso não foi imediato, levou décadas para ser reconhecido. Entretanto, de acordo com Harold Bloom, "hoje em dia, por conta de sua ambiguidade, é a obra da literatura mais analisada em colégios e universidades norte-americanas".

Com resquícios autobiográficos, "No Coração Das Trevas" exibe uma história dentro de outra história. Enquanto uma escuna aguarda condições mais favoráveis para navegar pelo Tâmisa, um marinheiro chamado Charles Marlow (personagem recorrente em outros romances do escritor) narra para os colegas sua aventura na África, quando foi contratado para transportar marfim num barco a vapor. No entanto, seu serviço mais urgente era resgatar à civilização o Sr. Kurtz, um comerciante que comandava um posto de troca no meio da selva e era considerado um semi-deus pelos nativos.

Tendo como leitmotif o isolamento, as condições extremas além do eterno conflito entre ser e parecer, o livro revela-se audacioso, experimental e controverso, mas também muito humano. São inúmeros os absurdos e atrocidades ao longo da leitura, desde o cruel tratamento dado aos negros até a desmesurada ambição dos colonizadores, estabelecendo outra discussão: a quem cabe o papel de herói e vilão, se é que esses papéis existem?

No entanto, o romance também tem enfrentado duras criticas por parte dos escritores pós-colonialistas, em virtude da maneira como os nativos são retratados. Por exemplo, o nigeriano Chinua Achebe, conhecido como patriarca da novela africana, afirma que a narrativa é "ofensiva e deplorável, pois desumaniza os negros". Mediante essa perspectiva, uma boa recomendação é "O Africano", de Jean-Marie Gustave Le Clézio, vencedor do Prêmio Nobel de 2008, que passou parte da infância na Nigéria.

Finalmente, com boa tradução de José Roberto O'Shea e introdução de Bernadete Limongi, as 112 páginas do romance exigem redobrada concentração, em parte por conta do estilo introspectivo, fragmentado e analítico do escritor. Quanto a edição, adquiri o ebook que atendeu minhas expectativas.
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leila.goncalves 26/10/2017

O Semi-Deus
Você sabia que o badalado filme "Apocalipse Now", dirigido por Coppola, foi inspirado no livro "O Coração das Trevas", de Joseph Conrad? A principal diferença é que a película tem como palco a Guerra do Vietnã, ao passo que o romance foi ambientado no Congo, durante a virada do século, quando o país era propriedade particular de Leopoldo II, rei da Bélgica.

Considerado o melhor livro escritor, trata-se de uma pertinente crítica ao imperialismo e colonialismo europeu, curiosamente, escrito durante o apogeu desse processo histórico. Lançado em capítulos, pela Blackwood?s Magazine, entre fevereiro e abril de 1899, ele só chegou às livrarias três anos depois, porém, seu sucesso não foi imediato, levou décadas para ser reconhecido. Entretanto, de acordo com Harold Bloom, "hoje em dia, por conta de sua ambiguidade, é a obra da literatura mais analisada em colégios e universidades norte-americanas".

Com resquícios autobiográficos, "O Coração Das Trevas" exibe uma história dentro de outra história. Enquanto uma escuna aguarda condições mais favoráveis para navegar pelo Tâmisa, um marinheiro chamado Charles Marlow (personagem recorrente em outros romances do escritor) narra para os colegas sua aventura na África, quando foi contratado para transportar marfim num barco a vapor. No entanto, seu serviço mais urgente era resgatar à civilização o Sr. Kurtz, um comerciante que comandava um posto de troca no meio da selva e era considerado um semi-deus pelos nativos.

Tendo como leitmotif o isolamento, as condições extremas além do eterno conflito entre ser e parecer, o livro revela-se audacioso, experimental e controverso, mas também muito humano. São inúmeros os absurdos e atrocidades ao longo da leitura, desde o cruel tratamento dado aos negros até a desmesurada ambição dos colonizadores, estabelecendo outra discussão: a quem cabe o papel de herói e vilão, se é que esses papéis existem?

No entanto, o romance também tem enfrentado duras criticas por parte dos escritores pós-colonialistas, em virtude da maneira como os nativos são retratados. Por exemplo, o nigeriano Chinua Achebe, conhecido como patriarca da novela africana, afirma que a narrativa é "ofensiva e deplorável, pois desumaniza os negros". Mediante essa perspectiva, uma boa recomendação é "O Africano", de Jean-Marie Gustave Le Clézio, vencedor do Prêmio Nobel de 2008, que passou parte da infância na Nigéria.

Quanto a essa edição bilíngue, a tradução de Fábio Cyrino apresenta erros e deixa a desejar. Esse é o motivo das duas estrelas, já que o romance merece cinco. Aliás, a Amazon disponibiliza o ebook gratuito em inglês.
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leila.goncalves 26/10/2017

O Semi-Deus
Você sabia que o badalado filme "Apocalipse Now", dirigido por Coppola, foi inspirado no livro "O Coração das Trevas", de Joseph Conrad? A principal diferença é que a película tem como palco a Guerra do Vietnã, ao passo que o romance foi ambientado no Congo, durante a virada do século, quando o país era propriedade particular de Leopoldo II, rei da Bélgica.

Considerado o melhor livro escritor, trata-se de uma pertinente crítica ao imperialismo e colonialismo europeu, curiosamente, escrito durante o apogeu desse processo histórico. Lançado em capítulos, pela Blackwood?s Magazine, entre fevereiro e abril de 1899, ele só chegou às livrarias três anos depois, porém, seu sucesso não foi imediato, levou décadas para ser reconhecido. Entretanto, de acordo com Harold Bloom, "hoje em dia, por conta de sua ambiguidade, é a obra da literatura mais analisada em colégios e universidades norte-americanas".

Com resquícios autobiográficos, "O Coração Das Trevas" exibe uma história dentro de outra história. Enquanto uma escuna aguarda condições mais favoráveis para navegar pelo Tâmisa, um marinheiro chamado Charles Marlow (personagem recorrente em outros romances do escritor) narra para os colegas sua aventura na África, quando foi contratado para transportar marfim num barco a vapor. No entanto, seu serviço mais urgente era resgatar à civilização o Sr. Kurtz, um comerciante que comandava um posto de troca no meio da selva e era considerado um semi-deus pelos nativos.

Tendo como leitmotif o isolamento, as condições extremas além do eterno conflito entre ser e parecer, o livro revela-se audacioso, experimental e controverso, mas também muito humano. São inúmeros os absurdos e atrocidades ao longo da leitura, desde o cruel tratamento dado aos negros até a desmesurada ambição dos colonizadores, estabelecendo outra discussão: a quem cabe o papel de herói e vilão, se é que esses papéis existem?

No entanto, o romance também tem enfrentado duras criticas por parte dos escritores pós-colonialistas, em virtude da maneira como os nativos são retratados. Por exemplo, o nigeriano Chinua Achebe, conhecido como patriarca da novela africana, afirma que a narrativa é "ofensiva e deplorável, pois desumaniza os negros". Mediante essa perspectiva, uma boa recomendação é "O Africano", de Jean-Marie Gustave Le Clézio, vencedor do Prêmio Nobel de 2008, que passou parte da infância na Nigéria.

Com boa tradução de Albino Poli Júnior e sem qualquer extra, adquiri o ebook que possui índice ativo completo. Boa leitura!
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@janeladelivro 22/10/2017

Que escrita fabulosa! Precisa ficar atento no enredo e talvez ler até em voz alta pra não se perder. Mas a descrição de alguns personagens...nossa!! Nunca li algo assim! Maravilhoso!
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Mauricio (Vespeiro) 24/09/2017

Sobre o horror absoluto do frenético colonialismo. E dos limites ocultos da alma humana.
Joseph Conrad nasceu em 1857 numa Polônia ocupada pela Rússia. Perdeu seus pais cedo e foi criado pelo tio. Sonhava em ser marinheiro e aos 17 anos conseguiu fazer parte da tripulação de um navio mercante francês. Algumas experiências em Marselha, Martinica e Antilhas para depois integrar um navio britânico, finalmente desembarcando na Inglaterra em 1878, aos 21 anos. Falava fluentemente o francês e o polonês. No inglês ainda arranhava poucas palavras. Fez carreira na marinha mercante inglesa, chegando ao posto de comandante. Tornou-se cidadão britânico, viajou para muitos lugares do mundo até que em 1890, cumprindo a promessa de aventurar-se na África, chegou ao Congo. Comandando um navio a vapor de uma companhia belga, viu o verdadeiro inferno durante o sombrio processo predatório de colonização daquele continente pelos europeus. Voltou para a Inglaterra alguns meses depois com sérios problemas de saúde, uma profunda frustração que o levou a desanimar da vida no mar, mas trazendo consigo a história que viria a se tornar um dos maiores clássicos da literatura mundial. Em 1895, decidido a se tornar escritor, abandonou as viagens marítimas, casou-se e fixou residência em Londres. Conrad morreu em 1924, com 66 anos, em Kent (The Garden of England), sudoeste da Inglaterra.

Sua dramática experiência no Congo fez com se dedicasse à prosa, a fim de descrever profundamente os horrores que lá presenciou. A África havia sido “loteada” no fim do século XIX e distribuída entre Inglaterra, França, Portugal, Itália, Alemanha, Espanha e Bélgica. O Congo, em especial, vivia uma situação peculiar. Após conferências em Bruxelas e Berlim, os europeus definiram ajustes territoriais naquela partilha e, de forma inusitada, o Congo acabou legado em termos particulares ao Rei Leopoldo II, da Bélgica. Sob o argumento de “difundir o cristianismo”, companhias foram autorizadas a espoliar sem pudores aquela terra, escravizando seu povo, sugando sua riqueza e comissionando o rei belga. Foi naquele cenário que Conrad chegou à África e viu seu sonho se tornar um pesadelo, retratado com maestria na sua obra-prima “O Coração das Trevas”.

Publicado em fascículos em 1899, “O Coração das Trevas” ganhou o formato de livro em 1902. O romance conta a história do marinheiro Charlie Marlow, contratado por uma companhia belga para ir ao Congo capitanear um navio a vapor. Chegando lá, depara-se com o caos estabelecido. A depravação moral imposta pelos “brancos civilizados” sobre os “negros selvagens” em nome da exploração do marfim é chocante. Ordens superiores o levam a adentrar a insólita selva, através do Rio Congo, à urgente procura de Kurtz, um mítico e enigmático chefe de um Posto Interior daquela companhia. Porém, o romance não se resume a contar uma aventura na selva africana. O portentoso clássico ganha vulto quando sai da superfície e atinge camadas onde se encontra uma visão crítica do colonialismo, da exploração desenfreada, da sede pelo poder, da obscura natureza humana.

O livro é um mergulho profundo, lento, denso e irreversível na lírica prosa conradiana. Uma narrativa envolvente, um primoroso exercício de estilo. Com um assombroso realismo delineado com classe, o autor nos apresenta um interessante formato de exposição “terceirizada”. O primeiro narrador não tem nome. Ele e outras quatro pessoas estão num iate, ancorado às margens escuras do Rio Tâmisa, em Londres, aguardando pela subida da maré. Nesse ínterim, o experiente marinheiro Marlow começa a contar uma história. A partir dali, passa a ser reproduzida a narração do novo orador, crítica e filosófica. É a história de Kurtz, personagem onipresente, precedido pela sua fama, dínamo do lucro da companhia belga, mas que só aparece efetivamente no final do livro. A África aparece como metáfora para o continente interior do coração humano. Definitivamente, uma obra que subjuga o leitor, mas que não atingirá a todos.

Conrad, um dos grandes estilistas da língua inglesa, exige uma tradução que acompanhe sua categoria. As edições que li (Hedra e L&PM) cumpriram seu papel. Nos textos, aprendi novas palavras e a outras fui reapresentado: espicha, mezena, drapejar, diáfana, ominosamente, concertina, promontório, azagaia, frêmito, inextricável, enfarruscado, alvaiade, adejar, arcipreste, tépido e butim.

“O Coração das Trevas” serviu como base para o roteiro do filme “Apocalipse Now” (1979), dirigido por Francis Ford Coppola. Na adaptação, o Congo passa a ser o Vietnam, os exploradores brancos são representados pelos soldados americanos, o Rio Congo pelo Rio Mekong, mas a malevolência permanece intacta.

Nota do livro: 8,83 (5 estrelas).
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Mauricio (Vespeiro) 24/09/2017

Sobre o horror absoluto do frenético colonialismo. E dos limites ocultos da alma humana.
Joseph Conrad nasceu em 1857 numa Polônia ocupada pela Rússia. Perdeu seus pais cedo e foi criado pelo tio. Sonhava em ser marinheiro e aos 17 anos conseguiu fazer parte da tripulação de um navio mercante francês. Algumas experiências em Marselha, Martinica e Antilhas para depois integrar um navio britânico, finalmente desembarcando na Inglaterra em 1878, aos 21 anos. Falava fluentemente o francês e o polonês. No inglês ainda arranhava poucas palavras. Fez carreira na marinha mercante inglesa, chegando ao posto de comandante. Tornou-se cidadão britânico, viajou para muitos lugares do mundo até que em 1890, cumprindo a promessa de aventurar-se na África, chegou ao Congo. Comandando um navio a vapor de uma companhia belga, viu o verdadeiro inferno durante o sombrio processo predatório de colonização daquele continente pelos europeus. Voltou para a Inglaterra alguns meses depois com sérios problemas de saúde, uma profunda frustração que o levou a desanimar da vida no mar, mas trazendo consigo a história que viria a se tornar um dos maiores clássicos da literatura mundial. Em 1895, decidido a se tornar escritor, abandonou as viagens marítimas, casou-se e fixou residência em Londres. Conrad morreu em 1924, com 66 anos, em Kent (The Garden of England), sudoeste da Inglaterra.

Sua dramática experiência no Congo fez com se dedicasse à prosa, a fim de descrever profundamente os horrores que lá presenciou. A África havia sido “loteada” no fim do século XIX e distribuída entre Inglaterra, França, Portugal, Itália, Alemanha, Espanha e Bélgica. O Congo, em especial, vivia uma situação peculiar. Após conferências em Bruxelas e Berlim, os europeus definiram ajustes territoriais naquela partilha e, de forma inusitada, o Congo acabou legado em termos particulares ao Rei Leopoldo II, da Bélgica. Sob o argumento de “difundir o cristianismo”, companhias foram autorizadas a espoliar sem pudores aquela terra, escravizando seu povo, sugando sua riqueza e comissionando o rei belga. Foi naquele cenário que Conrad chegou à África e viu seu sonho se tornar um pesadelo, retratado com maestria na sua obra-prima “O Coração das Trevas”.

Publicado em fascículos em 1899, “O Coração das Trevas” ganhou o formato de livro em 1902. O romance conta a história do marinheiro Charlie Marlow, contratado por uma companhia belga para ir ao Congo capitanear um navio a vapor. Chegando lá, depara-se com o caos estabelecido. A depravação moral imposta pelos “brancos civilizados” sobre os “negros selvagens” em nome da exploração do marfim é chocante. Ordens superiores o levam a adentrar a insólita selva, através do Rio Congo, à urgente procura de Kurtz, um mítico e enigmático chefe de um Posto Interior daquela companhia. Porém, o romance não se resume a contar uma aventura na selva africana. O portentoso clássico ganha vulto quando sai da superfície e atinge camadas onde se encontra uma visão crítica do colonialismo, da exploração desenfreada, da sede pelo poder, da obscura natureza humana.

O livro é um mergulho profundo, lento, denso e irreversível na lírica prosa conradiana. Uma narrativa envolvente, um primoroso exercício de estilo. Com um assombroso realismo delineado com classe, o autor nos apresenta um interessante formato de exposição “terceirizada”. O primeiro narrador não tem nome. Ele e outras quatro pessoas estão num iate, ancorado às margens escuras do Rio Tâmisa, em Londres, aguardando pela subida da maré. Nesse ínterim, o experiente marinheiro Marlow começa a contar uma história. A partir dali, passa a ser reproduzida a narração do novo orador, crítica e filosófica. É a história de Kurtz, personagem onipresente, precedido pela sua fama, dínamo do lucro da companhia belga, mas que só aparece efetivamente no final do livro. A África aparece como metáfora para o continente interior do coração humano. Definitivamente, uma obra que subjuga o leitor, mas que não atingirá a todos.

Conrad, um dos grandes estilistas da língua inglesa, exige uma tradução que acompanhe sua categoria. As edições que li (Hedra e L&PM) cumpriram seu papel. Nos textos, aprendi novas palavras e a outras fui reapresentado: espicha, mezena, drapejar, diáfana, ominosamente, concertina, promontório, azagaia, frêmito, inextricável, enfarruscado, alvaiade, adejar, arcipreste, tépido e butim.

“O Coração das Trevas” serviu como base para o roteiro do filme “Apocalipse Now” (1979), dirigido por Francis Ford Coppola. Na adaptação, o Congo passa a ser o Vietnam, os exploradores brancos são representados pelos soldados americanos, o Rio Congo pelo Rio Mekong, mas a malevolência permanece intacta.

Nota do livro: 8,83 (5 estrelas).
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r.morel 31/08/2017

Resenha Telegráfica
O Horror! O Horror!  Seu poder é tamanho que virou um épico de guerra nas mãos fílmicas de Francis Ford Coppola, mas, reconheçamos, a magia já estava nas páginas do livro, genuína magia literária.

Trecho: “Finalmente, em sua descida curva e imperceptível, o sol afundou no horizonte, passando de branco resplandecente a um vermelho fosco, sem raios e sem calor, como se estivesse prestes a apagar, ferido de morte pelo contato com a escuridão que pairava sobre uma multidão de homens.”

site: popcultpulp.com
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Cris.Borrego 22/08/2017

"As histórias dos homens do mar têm uma simplicidade direta, cujo significado cabe inteiramente na casca de uma noz partida." - O Coração das Trevas

Um daqueles livros curtos (111 págs) com a intensidade dos grandes romances russos.

Eu me interessei pelo livro a partir de Apocalypse Now (no filme, a floresta está no Vietnã e o homem branco/estrangeiro são os soldados norte-americanos)

O narrador principal é Marlow, um homem do mar que se vê comandando um barco no sinuoso Rio Congo, com desafios que vão além da navegação num ambiente desconhecido para um homem do mar: a floresta, as diferentes etnias, a ganância do homem branco, a ambição humana, o capitalismo, as doenças, a loucura, o horror.
Mauricio (Vespeiro) 22/09/2017minha estante
Livraço, Cris!! Um dos melhores que já li. Agora estou sedento por algo deste nível, raríssimo de se encontrar hoje em dia. Clássico é clássico!




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Juliana 10/05/2017

Difícil
Livro difícil, com algumas boas passagens mas que não me tocaram tanto. Quem sabe em alguma futura releitura eu esteja mais preparada para o seu conteúdo.
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