O Coração das Trevas

O Coração das Trevas Joseph Conrad




Resenhas - O Coração das Trevas


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Kleber Rafael 23/11/2017

A história dentro da história...
O livro é pequeno, mas pode enganar. A sua leitura não foi rápida. Não achei um livro sensacional, mas não é ruim, é uma novela muito interessante, principalmente porque o protagonista do livro o capitão Marlow é o alter ego do próprio Joseph Conrad. Ele narra sua aventura pessoal em um história dentro de outra história, o que achei que foi um toque genial do escritor. O livro precisa de bastante atenção do leitor para não ficar perdido no meio da narração fragmentada do escritor. Foi esse livro que serviu de inspiração para o filme "Apocalypse Now" de 1979 dirigido por Coppola. Livro para leitores exigentes, e que gostam de um bom desafio de vez em quando.
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Elza 21/11/2017

Impressões
Leitura não tão rápida quanto faz crer o número de páginas dessa obra. No entanto, não quer dizer que seja difícil. Há passagens que me pediram uma leitura mais lenta, feita com atenção para poder apreender melhor o conteúdo e mergulhar no "coração das trevas". A selva, o rio, os olhos escondidos a vigiar, a escuridão, alguns percalços de viagem, tudo vai aumentando a nossa expectativa pelo encontro de Marlow com Kurtz. Gostei do livro, embora não tenha entrado entre os meus favoritos.
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Gladston Mamede 12/11/2017

Um livro estupendo e que merece ser lido e pensado, principalmente por estudantes de Direito. Usei a edição bilíngue (171p) da Editora Landmark, com tradução de Fabio Cyrino. Um dos grandes clássicos da literatura mundial, este livro será melhor aproveitado por aqueles que, antes da primeira página, fizerem uma pesquisa sobre a colonização do “Estado Livre do Congo”, ou seja, o miolo da África, por uma companhia criada por Leopoldo II, rei da Bélgica, num dos episódios mais infames da história da humanidade: morte de milhões de africanos, por vezes sem razão alguma, tortura, mutilação, tratamento desumano, etc. A genialidade de Conrad está em tratar essa realidade como cenário e desenvolver a história por dentro da “companhia”.
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leila.goncalves 26/10/2017

O Semi-Deus
Você sabia que o badalado filme "Apocalipse Now", dirigido por Coppola, foi inspirado no livro "No Coração das Trevas", de Joseph Conrad? A principal diferença é que a película tem como palco a Guerra do Vietnã, ao passo que o romance foi ambientado no Congo, durante a virada do século, quando o país era propriedade particular de Leopoldo II, rei da Bélgica.

Considerado o melhor livro escritor, trata-se de uma pertinente crítica ao imperialismo e colonialismo europeu, curiosamente, escrito durante o apogeu desse processo histórico. Lançado em capítulos, pela Blackwood?s Magazine, entre fevereiro e abril de 1899, ele só chegou às livrarias três anos depois, porém, seu sucesso não foi imediato, levou décadas para ser reconhecido. Entretanto, de acordo com Harold Bloom, "hoje em dia, por conta de sua ambiguidade, é a obra da literatura mais analisada em colégios e universidades norte-americanas".

Com resquícios autobiográficos, "No Coração Das Trevas" exibe uma história dentro de outra história. Enquanto uma escuna aguarda condições mais favoráveis para navegar pelo Tâmisa, um marinheiro chamado Charles Marlow (personagem recorrente em outros romances do escritor) narra para os colegas sua aventura na África, quando foi contratado para transportar marfim num barco a vapor. No entanto, seu serviço mais urgente era resgatar à civilização o Sr. Kurtz, um comerciante que comandava um posto de troca no meio da selva e era considerado um semi-deus pelos nativos.

Tendo como leitmotif o isolamento, as condições extremas além do eterno conflito entre ser e parecer, o livro revela-se audacioso, experimental e controverso, mas também muito humano. São inúmeros os absurdos e atrocidades ao longo da leitura, desde o cruel tratamento dado aos negros até a desmesurada ambição dos colonizadores, estabelecendo outra discussão: a quem cabe o papel de herói e vilão, se é que esses papéis existem?

No entanto, o romance também tem enfrentado duras criticas por parte dos escritores pós-colonialistas, em virtude da maneira como os nativos são retratados. Por exemplo, o nigeriano Chinua Achebe, conhecido como patriarca da novela africana, afirma que a narrativa é "ofensiva e deplorável, pois desumaniza os negros". Mediante essa perspectiva, uma boa recomendação é "O Africano", de Jean-Marie Gustave Le Clézio, vencedor do Prêmio Nobel de 2008, que passou parte da infância na Nigéria.

Finalmente, com boa tradução de José Roberto O'Shea e introdução de Bernadete Limongi, as 112 páginas do romance exigem redobrada concentração, em parte por conta do estilo introspectivo, fragmentado e analítico do escritor. Quanto a edição, adquiri o ebook que atendeu minhas expectativas.
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leila.goncalves 26/10/2017

O Semi-Deus
Você sabia que o badalado filme "Apocalipse Now", dirigido por Coppola, foi inspirado no livro "O Coração das Trevas", de Joseph Conrad? A principal diferença é que a película tem como palco a Guerra do Vietnã, ao passo que o romance foi ambientado no Congo, durante a virada do século, quando o país era propriedade particular de Leopoldo II, rei da Bélgica.

Considerado o melhor livro escritor, trata-se de uma pertinente crítica ao imperialismo e colonialismo europeu, curiosamente, escrito durante o apogeu desse processo histórico. Lançado em capítulos, pela Blackwood?s Magazine, entre fevereiro e abril de 1899, ele só chegou às livrarias três anos depois, porém, seu sucesso não foi imediato, levou décadas para ser reconhecido. Entretanto, de acordo com Harold Bloom, "hoje em dia, por conta de sua ambiguidade, é a obra da literatura mais analisada em colégios e universidades norte-americanas".

Com resquícios autobiográficos, "O Coração Das Trevas" exibe uma história dentro de outra história. Enquanto uma escuna aguarda condições mais favoráveis para navegar pelo Tâmisa, um marinheiro chamado Charles Marlow (personagem recorrente em outros romances do escritor) narra para os colegas sua aventura na África, quando foi contratado para transportar marfim num barco a vapor. No entanto, seu serviço mais urgente era resgatar à civilização o Sr. Kurtz, um comerciante que comandava um posto de troca no meio da selva e era considerado um semi-deus pelos nativos.

Tendo como leitmotif o isolamento, as condições extremas além do eterno conflito entre ser e parecer, o livro revela-se audacioso, experimental e controverso, mas também muito humano. São inúmeros os absurdos e atrocidades ao longo da leitura, desde o cruel tratamento dado aos negros até a desmesurada ambição dos colonizadores, estabelecendo outra discussão: a quem cabe o papel de herói e vilão, se é que esses papéis existem?

No entanto, o romance também tem enfrentado duras criticas por parte dos escritores pós-colonialistas, em virtude da maneira como os nativos são retratados. Por exemplo, o nigeriano Chinua Achebe, conhecido como patriarca da novela africana, afirma que a narrativa é "ofensiva e deplorável, pois desumaniza os negros". Mediante essa perspectiva, uma boa recomendação é "O Africano", de Jean-Marie Gustave Le Clézio, vencedor do Prêmio Nobel de 2008, que passou parte da infância na Nigéria.

Quanto a essa edição bilíngue, a tradução de Fábio Cyrino apresenta erros e deixa a desejar. Esse é o motivo das duas estrelas, já que o romance merece cinco. Aliás, a Amazon disponibiliza o ebook gratuito em inglês.
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leila.goncalves 26/10/2017

O Semi-Deus
Você sabia que o badalado filme "Apocalipse Now", dirigido por Coppola, foi inspirado no livro "O Coração das Trevas", de Joseph Conrad? A principal diferença é que a película tem como palco a Guerra do Vietnã, ao passo que o romance foi ambientado no Congo, durante a virada do século, quando o país era propriedade particular de Leopoldo II, rei da Bélgica.

Considerado o melhor livro escritor, trata-se de uma pertinente crítica ao imperialismo e colonialismo europeu, curiosamente, escrito durante o apogeu desse processo histórico. Lançado em capítulos, pela Blackwood?s Magazine, entre fevereiro e abril de 1899, ele só chegou às livrarias três anos depois, porém, seu sucesso não foi imediato, levou décadas para ser reconhecido. Entretanto, de acordo com Harold Bloom, "hoje em dia, por conta de sua ambiguidade, é a obra da literatura mais analisada em colégios e universidades norte-americanas".

Com resquícios autobiográficos, "O Coração Das Trevas" exibe uma história dentro de outra história. Enquanto uma escuna aguarda condições mais favoráveis para navegar pelo Tâmisa, um marinheiro chamado Charles Marlow (personagem recorrente em outros romances do escritor) narra para os colegas sua aventura na África, quando foi contratado para transportar marfim num barco a vapor. No entanto, seu serviço mais urgente era resgatar à civilização o Sr. Kurtz, um comerciante que comandava um posto de troca no meio da selva e era considerado um semi-deus pelos nativos.

Tendo como leitmotif o isolamento, as condições extremas além do eterno conflito entre ser e parecer, o livro revela-se audacioso, experimental e controverso, mas também muito humano. São inúmeros os absurdos e atrocidades ao longo da leitura, desde o cruel tratamento dado aos negros até a desmesurada ambição dos colonizadores, estabelecendo outra discussão: a quem cabe o papel de herói e vilão, se é que esses papéis existem?

No entanto, o romance também tem enfrentado duras criticas por parte dos escritores pós-colonialistas, em virtude da maneira como os nativos são retratados. Por exemplo, o nigeriano Chinua Achebe, conhecido como patriarca da novela africana, afirma que a narrativa é "ofensiva e deplorável, pois desumaniza os negros". Mediante essa perspectiva, uma boa recomendação é "O Africano", de Jean-Marie Gustave Le Clézio, vencedor do Prêmio Nobel de 2008, que passou parte da infância na Nigéria.

Com boa tradução de Albino Poli Júnior e sem qualquer extra, adquiri o ebook que possui índice ativo completo. Boa leitura!
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@janeladelivro 22/10/2017

Que escrita fabulosa! Precisa ficar atento no enredo e talvez ler até em voz alta pra não se perder. Mas a descrição de alguns personagens...nossa!! Nunca li algo assim! Maravilhoso!
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vespeiro 24/09/2017

Sobre o horror absoluto do frenético colonialismo. E dos limites ocultos da alma humana.
Joseph Conrad nasceu em 1857 numa Polônia ocupada pela Rússia. Perdeu seus pais cedo e foi criado pelo tio. Sonhava em ser marinheiro e aos 17 anos conseguiu fazer parte da tripulação de um navio mercante francês. Algumas experiências em Marselha, Martinica e Antilhas para depois integrar um navio britânico, finalmente desembarcando na Inglaterra em 1878, aos 21 anos. Falava fluentemente o francês e o polonês. No inglês ainda arranhava poucas palavras. Fez carreira na marinha mercante inglesa, chegando ao posto de comandante. Tornou-se cidadão britânico, viajou para muitos lugares do mundo até que em 1890, cumprindo a promessa de aventurar-se na África, chegou ao Congo. Comandando um navio a vapor de uma companhia belga, viu o verdadeiro inferno durante o sombrio processo predatório de colonização daquele continente pelos europeus. Voltou para a Inglaterra alguns meses depois com sérios problemas de saúde, uma profunda frustração que o levou a desanimar da vida no mar, mas trazendo consigo a história que viria a se tornar um dos maiores clássicos da literatura mundial. Em 1895, decidido a se tornar escritor, abandonou as viagens marítimas, casou-se e fixou residência em Londres. Conrad morreu em 1924, com 66 anos, em Kent (The Garden of England), sudoeste da Inglaterra.

Sua dramática experiência no Congo fez com se dedicasse à prosa, a fim de descrever profundamente os horrores que lá presenciou. A África havia sido “loteada” no fim do século XIX e distribuída entre Inglaterra, França, Portugal, Itália, Alemanha, Espanha e Bélgica. O Congo, em especial, vivia uma situação peculiar. Após conferências em Bruxelas e Berlim, os europeus definiram ajustes territoriais naquela partilha e, de forma inusitada, o Congo acabou legado em termos particulares ao Rei Leopoldo II, da Bélgica. Sob o argumento de “difundir o cristianismo”, companhias foram autorizadas a espoliar sem pudores aquela terra, escravizando seu povo, sugando sua riqueza e comissionando o rei belga. Foi naquele cenário que Conrad chegou à África e viu seu sonho se tornar um pesadelo, retratado com maestria na sua obra-prima “O Coração das Trevas”.

Publicado em fascículos em 1899, “O Coração das Trevas” ganhou o formato de livro em 1902. O romance conta a história do marinheiro Charlie Marlow, contratado por uma companhia belga para ir ao Congo capitanear um navio a vapor. Chegando lá, depara-se com o caos estabelecido. A depravação moral imposta pelos “brancos civilizados” sobre os “negros selvagens” em nome da exploração do marfim é chocante. Ordens superiores o levam a adentrar a insólita selva, através do Rio Congo, à urgente procura de Kurtz, um mítico e enigmático chefe de um Posto Interior daquela companhia. Porém, o romance não se resume a contar uma aventura na selva africana. O portentoso clássico ganha vulto quando sai da superfície e atinge camadas onde se encontra uma visão crítica do colonialismo, da exploração desenfreada, da sede pelo poder, da obscura natureza humana.

O livro é um mergulho profundo, lento, denso e irreversível na lírica prosa conradiana. Uma narrativa envolvente, um primoroso exercício de estilo. Com um assombroso realismo delineado com classe, o autor nos apresenta um interessante formato de exposição “terceirizada”. O primeiro narrador não tem nome. Ele e outras quatro pessoas estão num iate, ancorado às margens escuras do Rio Tâmisa, em Londres, aguardando pela subida da maré. Nesse ínterim, o experiente marinheiro Marlow começa a contar uma história. A partir dali, passa a ser reproduzida a narração do novo orador, crítica e filosófica. É a história de Kurtz, personagem onipresente, precedido pela sua fama, dínamo do lucro da companhia belga, mas que só aparece efetivamente no final do livro. A África aparece como metáfora para o continente interior do coração humano. Definitivamente, uma obra que subjuga o leitor, mas que não atingirá a todos.

Conrad, um dos grandes estilistas da língua inglesa, exige uma tradução que acompanhe sua categoria. As edições que li (Hedra e L&PM) cumpriram seu papel. Nos textos, aprendi novas palavras e a outras fui reapresentado: espicha, mezena, drapejar, diáfana, ominosamente, concertina, promontório, azagaia, frêmito, inextricável, enfarruscado, alvaiade, adejar, arcipreste, tépido e butim.

“O Coração das Trevas” serviu como base para o roteiro do filme “Apocalipse Now” (1979), dirigido por Francis Ford Coppola. Na adaptação, o Congo passa a ser o Vietnam, os exploradores brancos são representados pelos soldados americanos, o Rio Congo pelo Rio Mekong, mas a malevolência permanece intacta.

Nota do livro: 8,83 (5 estrelas).
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vespeiro 24/09/2017

Sobre o horror absoluto do frenético colonialismo. E dos limites ocultos da alma humana.
Joseph Conrad nasceu em 1857 numa Polônia ocupada pela Rússia. Perdeu seus pais cedo e foi criado pelo tio. Sonhava em ser marinheiro e aos 17 anos conseguiu fazer parte da tripulação de um navio mercante francês. Algumas experiências em Marselha, Martinica e Antilhas para depois integrar um navio britânico, finalmente desembarcando na Inglaterra em 1878, aos 21 anos. Falava fluentemente o francês e o polonês. No inglês ainda arranhava poucas palavras. Fez carreira na marinha mercante inglesa, chegando ao posto de comandante. Tornou-se cidadão britânico, viajou para muitos lugares do mundo até que em 1890, cumprindo a promessa de aventurar-se na África, chegou ao Congo. Comandando um navio a vapor de uma companhia belga, viu o verdadeiro inferno durante o sombrio processo predatório de colonização daquele continente pelos europeus. Voltou para a Inglaterra alguns meses depois com sérios problemas de saúde, uma profunda frustração que o levou a desanimar da vida no mar, mas trazendo consigo a história que viria a se tornar um dos maiores clássicos da literatura mundial. Em 1895, decidido a se tornar escritor, abandonou as viagens marítimas, casou-se e fixou residência em Londres. Conrad morreu em 1924, com 66 anos, em Kent (The Garden of England), sudoeste da Inglaterra.

Sua dramática experiência no Congo fez com se dedicasse à prosa, a fim de descrever profundamente os horrores que lá presenciou. A África havia sido “loteada” no fim do século XIX e distribuída entre Inglaterra, França, Portugal, Itália, Alemanha, Espanha e Bélgica. O Congo, em especial, vivia uma situação peculiar. Após conferências em Bruxelas e Berlim, os europeus definiram ajustes territoriais naquela partilha e, de forma inusitada, o Congo acabou legado em termos particulares ao Rei Leopoldo II, da Bélgica. Sob o argumento de “difundir o cristianismo”, companhias foram autorizadas a espoliar sem pudores aquela terra, escravizando seu povo, sugando sua riqueza e comissionando o rei belga. Foi naquele cenário que Conrad chegou à África e viu seu sonho se tornar um pesadelo, retratado com maestria na sua obra-prima “O Coração das Trevas”.

Publicado em fascículos em 1899, “O Coração das Trevas” ganhou o formato de livro em 1902. O romance conta a história do marinheiro Charlie Marlow, contratado por uma companhia belga para ir ao Congo capitanear um navio a vapor. Chegando lá, depara-se com o caos estabelecido. A depravação moral imposta pelos “brancos civilizados” sobre os “negros selvagens” em nome da exploração do marfim é chocante. Ordens superiores o levam a adentrar a insólita selva, através do Rio Congo, à urgente procura de Kurtz, um mítico e enigmático chefe de um Posto Interior daquela companhia. Porém, o romance não se resume a contar uma aventura na selva africana. O portentoso clássico ganha vulto quando sai da superfície e atinge camadas onde se encontra uma visão crítica do colonialismo, da exploração desenfreada, da sede pelo poder, da obscura natureza humana.

O livro é um mergulho profundo, lento, denso e irreversível na lírica prosa conradiana. Uma narrativa envolvente, um primoroso exercício de estilo. Com um assombroso realismo delineado com classe, o autor nos apresenta um interessante formato de exposição “terceirizada”. O primeiro narrador não tem nome. Ele e outras quatro pessoas estão num iate, ancorado às margens escuras do Rio Tâmisa, em Londres, aguardando pela subida da maré. Nesse ínterim, o experiente marinheiro Marlow começa a contar uma história. A partir dali, passa a ser reproduzida a narração do novo orador, crítica e filosófica. É a história de Kurtz, personagem onipresente, precedido pela sua fama, dínamo do lucro da companhia belga, mas que só aparece efetivamente no final do livro. A África aparece como metáfora para o continente interior do coração humano. Definitivamente, uma obra que subjuga o leitor, mas que não atingirá a todos.

Conrad, um dos grandes estilistas da língua inglesa, exige uma tradução que acompanhe sua categoria. As edições que li (Hedra e L&PM) cumpriram seu papel. Nos textos, aprendi novas palavras e a outras fui reapresentado: espicha, mezena, drapejar, diáfana, ominosamente, concertina, promontório, azagaia, frêmito, inextricável, enfarruscado, alvaiade, adejar, arcipreste, tépido e butim.

“O Coração das Trevas” serviu como base para o roteiro do filme “Apocalipse Now” (1979), dirigido por Francis Ford Coppola. Na adaptação, o Congo passa a ser o Vietnam, os exploradores brancos são representados pelos soldados americanos, o Rio Congo pelo Rio Mekong, mas a malevolência permanece intacta.

Nota do livro: 8,83 (5 estrelas).
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r.morel 31/08/2017

Resenha Telegráfica
O Horror! O Horror!  Seu poder é tamanho que virou um épico de guerra nas mãos fílmicas de Francis Ford Coppola, mas, reconheçamos, a magia já estava nas páginas do livro, genuína magia literária.

Trecho: “Finalmente, em sua descida curva e imperceptível, o sol afundou no horizonte, passando de branco resplandecente a um vermelho fosco, sem raios e sem calor, como se estivesse prestes a apagar, ferido de morte pelo contato com a escuridão que pairava sobre uma multidão de homens.”

site: popcultpulp.com
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Cris.Borrego 22/08/2017

"As histórias dos homens do mar têm uma simplicidade direta, cujo significado cabe inteiramente na casca de uma noz partida." - O Coração das Trevas

Um daqueles livros curtos (111 págs) com a intensidade dos grandes romances russos.

Eu me interessei pelo livro a partir de Apocalypse Now (no filme, a floresta está no Vietnã e o homem branco/estrangeiro são os soldados norte-americanos)

O narrador principal é Marlow, um homem do mar que se vê comandando um barco no sinuoso Rio Congo, com desafios que vão além da navegação num ambiente desconhecido para um homem do mar: a floresta, as diferentes etnias, a ganância do homem branco, a ambição humana, o capitalismo, as doenças, a loucura, o horror.
vespeiro 22/09/2017minha estante
Livraço, Cris!! Um dos melhores que já li. Agora estou sedento por algo deste nível, raríssimo de se encontrar hoje em dia. Clássico é clássico!




Gustavo Stein 26/07/2017

Citações interessantes
O coração das trevas / Joseph Conrad; tradução de Albino Poli Jr.. – Porto Alegre: L&PM, 2011. (Colação POCKET L± v. 81) CDD 823; CDU 820-3.

p. 12: “A conquista da Terra, o que na maior parte significa tirá-la daqueles que têm uma fisionomia diferente ou narizes ligeiramente mais achatados do que os nossos, não é uma coisa bonita quando você olha demais para ela. O que a redime é somente a ideia. Uma ideia que está por trás; não uma pretensão sentimental, mas uma ideia; e uma crença não egoísta na ideia – algo que se pode erguer, para depois se curvar diante e oferecer um sacrifício...” [Fala do personagem Marlow]

p. 25: “Na imensidão vazia de terra, céu e mar, lá estava ele, incompreensível, bombardeando o continente. Bum!, soava uma das armas de seis polegadas; uma chama breve dardejava e esmaecia, desprendendo uma fumacinha branca que logo desaparecia, um projetil diminuto dava um fraco estalido – e nada acontecia. Nada poderia acontecer. Havia um toque de insanidade no procedimento, uma sensação de comicidade lúgubre no que estava se passando. E não se dissipou quando alguém a bordo assegurou-me sinceramente de que havia ali um acampamento de nativos – chamava-os de inimigos! - oculto em algum ponto na selva.”

p. 28: “Estavam construindo uma ferrovia. O penhasco não estava no caminho de coisa alguma; mas a despropositada dinamitação consistia no único trabalho em andamento.”

p. 29: “Haviam sido tachados de criminosos, e a lei ultrajada, assim como os bombardeios, tinha chegado até eles, como um mistério insolúvel vindo do mar.”

p. 35: “Quando colocaram em sua sala um catre com um doente (um empregado qualquer vindo do interior), mostrou-se um pouco aborrecido. 'Os gemidos desse doente', dizia, 'distraem minha atenção. É preciso estar atento para evitar erros na contabilidade num clima como este.'”

p. 50: “Tudo isso era grandioso, promissor, silente, e o homem continuava a tagarelar sobre si próprio.”

p. 52: ““...Não, é impossível; é completamente impossível transmitir as sensações de vida de qualquer época determinada de nossa existência – aquilo que a torna verdadeira, seu sentido – sua essência sutil e penetrante. É impossível. Vivemos, como sonhamos – sós...””

p. 55: “Não gosto de trabalhar – nenhum homem gosta -, mas gosto do que existe no trabalho – a oportunidade de encontrar-se a si próprio.”

p. 58:
““Aquele dedicado bando intitulava-se Expedição Exploradora do Eldorado, e acredito que haviam jurado manter em segredo seus objetivos. Mas a conversa deles era a conversa de sórdidos bucaneiros – temerária sem bravura, gananciosa sem audácia e cruel sem coragem [...]””

p. 69: “Bem, vocês sabem, não havia nada pior do que a suspeita de que não eram inumanos. E essa desconfiança pouco a pouco se apoderava de nós. Uivavam, saltavam, rodopiavam e faziam caretas horrendas; mas o que mais impressionava era a ideia de que eram criaturas humanas... como nós, a ideia de que havia um remoto parentesco entre nós e aquele selvagem e aprixonado furor. Horrível.”

p. 79: “Além disso, haviam recebido toda semana três pedaços de arame de bronze, cada um com cerca de vinta centímetros de comprimento; teoricamente, podiam comprar suas provisões com aquele moeda nas aldeias à beira do rio. Podem imagina como aquilo funcionava. Ou não havia aldeias, ou a população era hostil, ou o diretor, que, como o resto de nós, se alimentava de enlatados, misturado às vezes com carne de bode velho, não queria parar o vapor por alguma razão mais ou menos recôndita. Portanto, a não ser que engolissem o arame, ou fabricassem anzóis para pegar peixes, não vejo que serventia lhes teria seu extravagente salário.”

p. 80: “Sim, eu olhava para eles como vocês fariam com relação a qualquer ser humano, com curiosidade sobre seus impulsos, motivos, capacidades, fraquezas, postos à prova diante de uma necessidade física inexorável. Um freio! Que tipo de freio poderia ser esse? Superstição, repugnância, paciência, medo – ou alguma primitiva noção de honra? Nenhum medo pode suportar a fome, nenhuma paciência pode esgotá-la, a repugnância simplesmente não existe onde há fome; e quanto a superstições, crenças e o que se poderia chamar de princípios são menos do que palha soprada pelo vento.”

p. 94: “Deviam tê-lo ouvido falar 'Meu marfim'. Eu ouvi. 'Minha Prometida, meu marfim, meu posto, meu rio, meu...', tudo lhe pertencia. Fez com que prendesse minha respiração na expectativa de ouvir a floresta rebentar numa prodigiosa explosão de riso, que deslocaria do lugar as estrelas do céu.”

p. 97: “O parágrafo de abertura, no entanto, à luz de informação posterior, parece-me agora sinistro. Começa com o argumento de que nós, brancos, em razão do nível de desenvolvimento a que chegamos, 'devemos necessariamente aparecer a eles (selvagens) como seres de natureza sobrenatural – aproximamo-nos deles com a força de uma divindade', e assim por diante. 'Pelo simples exercício de nossa vontade, podemos exercer para sempre um poder praticamente ilimitado' etc. etc. A partir desse ponto, elevava-se a grande altura, levando-me junto.”

p. 98: “Talvez vocês achem estranho esse pesar por um selvagem que não tinha mais valor que um grão de areia no negro Saara. Bem, é preciso que vocês percebam que ele havia realizado algo, havia governado o barco; durante meses, ficou à minha retaguarda... como uma ajuda... um instrumento. Era uma espécie de parceria. Governava o barco para mim... eu tomava conta dele, preocupava-me com suas deficiências, e assim criou-se um vínculo sutil, do qual só tomei conhecimento quando subitamente se partiu. E a íntima profundidade daquele olhar que me deu ao receber o ferimento permanece até hoje na memória... como uma reivindicação de distante parentesco afirmada num momento supremo.”

p. 122: “[...] 'O gerente pensa que você devia ser enforcado.' Demonstrou, então, uma preocupação com esse raciocínio que, a princípio, me divertiu. 'Melhor eu sair do caminho sem fazer alarde', disse ele honestamente. 'Não posso fazer mais nada por Kurtz agora, e eles logo encontrariam alguma desculpa. O que poderia detê-los? Há um posto militar a quinhentos quilômetros daqui.'”

p. 133: “Mas tanto o amor diabólico como o ódio sobrenatural dos mistérios que havia penetrado lutavam pela posse daquela alma saciada de primitivas emoções, ávida de falsa fama, de enganosa distinção, de todas as aparências de sucesso e poder.”

p. 133: “Os longos trechos do rio pareciam sempre o mesmo e único remanso, bem como as monótonas curvas que passavam pelo vapor com sua profusão de árvores seculares olhando pacientemente para esse pálido fragmento de outro mundo, precursos da mudança, da conquista, do comércio, de massacres, de bênçãos.”

p. 136: “Coisa engraçada é a vida – misterioso arranjo de lógica implacável para um propósito fútil. O máximo que você pode esperar dela é algum conhecimento de si próprio... que chega tarde demais... uma colheita de inesgotáveis arrependimentos.”

p. 138: “Achei-me de volta à cidade sepulcral, ressentindo a visão de pessoas com pressa nas ruas para roubar um pouco de dinheiro uma das outras, devorar sua infame cozinha, engolir sua cerveja insalubre, sonhas seus sonhos insignificantes e tolos.”

p. 138: “Suas maneiras, que eram simplesmente as maneiras de indivíduos comuns lidando com seus negócios na certeza da perfeita segurança, eram ofensivas para mim como a escandalosa empáfia dos tolos diante de um perigoque são incapazes de compreender.”

p. 142: “Restavam apenas sua memória e sua Prometida... e eu queria desistir disso, também, entregando tudo ao passado... relegando, de certa forma, tudo que restara dele comigo ao esquecimento, última palavra de nosso destino comum.”

p. 148: “Verei esse eloquente fantasma enquanto eu viver, e verei também a ela, uma sombra trágica e familiar, lembrando com esse gesto uma outra, tráfica também, enfeitada de amuletos inúteis, estendendo os braços morenos e nus sobre o brilho do rio infernal, o rio das trevas.”
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spoiler visualizar
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Juliana 10/05/2017

Difícil
Livro difícil, com algumas boas passagens mas que não me tocaram tanto. Quem sabe em alguma futura releitura eu esteja mais preparada para o seu conteúdo.
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isa.dantas 21/04/2017

Sem dúvida, a história desse livro é incrível, mas não consegui - de novo - entrar no seu espírito!
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