O Deserto dos Tártaros

O Deserto dos Tártaros Dino Buzzati




Resenhas - O Deserto dos Tártaros


132 encontrados | exibindo 76 a 91
1 | 2 | 3 | 6 | 7 | 8 | 9


spoiler visualizar
comentários(0)comente



Fabiana Vicentim 10/03/2019

Espera, solidão e o absurdo da rotina
A obra é bastante associada ao existencialismo, mas mais precisamente é possível associá-la a uma ramificação - que se tornou independente - dessa vertente filosófica: o absurdismo de Camus. Se no existencialiamo há ainda um certo otimismo em relação à existência de sentido ou objetivo para a vida, no absurdismo fica sempre a incógnita do talvez. E é isso que sentimos com Drogo em sua eterna espera e, mais que espera, a eterna repetição como no mito de sísifo que é a base teórica de Camus para explicar a repetição, rotina e angústia da vida. Essa é a sensação de vazio e falta de sentido ou o Absurdo da qual o filósofo descreve. É possível criar um sentido, como vemos Drogo fazendo por toda sua vida, focando suas esperanças em uma possível guerra e glória, mas sua espera sempre frustrada mostra o quanto, na verdade, isso é só um pretexto para continuar a viver e mirar aquele deserto que representa o nada da vida e que, aí sim, podemos apontar ao existencialismo sartreano.
comentários(0)comente



Ingrid - @ingridysses 04/03/2019

O que você está fazendo da sua vida?
O deserto dos tártaros faz pensar no quanto a gente espera que um dia aconteça algo que nos recompense pelas nossas atitudes. Estamos aproveitando a vida ou apenas aguardamos nosso melhor momento? Quantas vezes nos deparamos com grandes dúvidas que começam com “e se…”?

Recomendo a leitura a pessoas que gostam de livros com enredo simples e narrativa existencialista. Embora a obra seja de fácil entendimento, é provável que seu sentido seja melhor aproveitado ou proporcione maior identificação na idade adulta.


site: Se quiser me seguir: https://www.instagram.com/ingridysses/
Dan 05/03/2019minha estante
livro magnífico!




spoiler visualizar
comentários(0)comente



@livroleitura 17/02/2019

O Deserto dos Tártaros
Escrito em 1940, O Deserto dos Tártaros conta a história de Giovani Drogo. Um jovem de 22 anos, recém-formado na Escola Militar, é designado para o Forte Bestiani que fica distante da sua cidade e isolado. Giovani se despede da sua família e segue para o Forte sonhando em ser herói. Ao chegar no seu destino, Drogo visualiza o Forte e sente vontade de voltar, mas é convencido a ficar e com o tempo ele se encanta pelo lugar e muda de ideia.

Durante toda a narrativa ficamos junto com o personagem, esperando pela guerra, pela invasão e nessa expectativa a vida segue sem grandes acontecimentos, levando a uma rotina que o faz perder a noção dos dias.

O livro retrata uma vida vazia, regada de espera e medo. O medo de perder a oportunidade, o medo de mudar, o medo de enfrentar o novo nos deixam estagnados e acabamos adaptados a rotinas e nos tornamos como o Drogo, sempre esperando que algo mude, que nossa oportunidade apareça e no fim a vida passa e nada acontece.

Então fica a reflexão: o que estamos fazendo da nossa vida? Estou buscando melhoras ou fico esperando algo acontecer?

Apesar da leitura ser um pouco cansativa vale muito a pena. Indico a leitura e o vídeo resenha maravilhoso feito pela @isavichi no canal da @taglivros no youtube.

site: @livroleitura
comentários(0)comente



Paulinho 01/02/2019

Um Livro sensível e tocante.
Um relato sensível e tocante entre o homem e o tempo, o livro narra de maneira singular a trajetória do Tenente Giovani Drogo, que abandona sua família e amigos para seguir uma carreira militar.
Porém o personagem acaba frustrado com o local do serviço, um forte próximo a planície do norte e o Deserto dos Tártaros, sempre preparado para enfrentar um inimigo que tarda a chegar....
O livro apresenta um desfecho surpreende o que faz valer toda a leitura.
comentários(0)comente



João 24/01/2019

O Deserto dos Tártaros - Dino Buzzati.
Giovanni dedicou sua vida a buscar um sentido. Fez-se tenente e tentou a melhor sorte. Passaram os anos e notou que para si havia mentido. Espírito inquieto, não sossegou no próprio Forte.

“O Deserto dos Tártaros” é a obra-prima do italiano Dino Buzzati. Escrito em 1940, o romance integra o rol das maiores obras de literatura do século XX. De caráter um tanto quanto intimista, o livro também flerta com o estilo surrealista, corrente artística da qual Buzzati é caudatário.

Na edição de 2017 da editora Nova Fronteira, o livro vem dividido em 30 pequenos capítulos. Possui estampado na capa a pintura “The Red Tower”, de Giorgio de Chirico.

Lido o romance, terminei convencido de que “O Deserto dos Tártaros” constitui uma bela alegoria da vida de todos nós. É claro que alguns sentem mais e outros menos a aridez desse deserto. Mas em geral o deserto está ali para todos. E da sua estéril paisagem rebentam as mais férteis esperanças.

Do Forte de nossas vidas contemplamos o deserto como quem contempla o porvir dos dias. Esperamos que o deserto de nossas vidas, mais dia menos dia, nos encha de significado e nos brinde com grandes feitos.

Esse é o espírito que governa a narrativa do livro.

Narrada em terceira pessoa, a história é protagonizada por Giovanni Drogo, um jovem recém-formado na Academia militar que assume o posto de tenente numa guarnição do Forte Bastiani.

Giovanni Drogo aparece como um jovem promissor que deseja empreender uma brilhante carreira militar. Embora a contragosto, aceita o posto que lhe fora destinado no Forte Bastiani localizado em local inóspito, distante da cidade, numa região de fronteira, árida e montanhosa, defronte para o deserto dos Tártaros. Acredita que a passagem pelo Forte lhe permitirá galgar novas patentes em curto prazo.

Contudo, a evolução dos acontecimentos e as contingências da vida terminam por fazer com que Giovanni permaneça mais tempo do que o previsto no Forte Bastiani. Não só eventos alheios à sua vontade, mas no seu próprio íntimo surge uma força que o impele a permanecer no Forte. É a esperança de que a guerra aconteça trazendo para a fronteira os antigos e lendários Tártaros. É o encantamento que a glória dos grandes feitos produz sobre o espírito inquieto dos militares do Forte Bastiani. É o desassossego gerado pela monotonia da vida que impele Giovanni Drogo a esperar pelos Tártaros. É a sede de imprimir significado à sua vida.

Os anos passam um a um, e Giovanni Drogo não perde as esperanças. Sente que ainda tem muito a viver. Porém, já não se anima com as breves visitas que faz à cidade natal. Algo o obriga a sempre retomar sua posição no Forte.

Décadas se passam, e Drogo já não é tenente. Foi promovido a capitão, e agora já é major. Mas ainda falta algo de importante em sua vida, algo de significativo. Ele espera e espera. Quase não vive, apenas espera.

Eventos importante se sucedem. Mas não importa, agora o major Drogo está sentado encarando a morte, como quem por ela já esperasse. E finalmente sereno, já não espera, apenas sorri.

Eis, portanto, uma obra de caráter existencial. Por vezes poético e profundo, o romance é um primor pela sua originalidade e beleza.

Boas leituras!
comentários(0)comente



Rodiney 28/12/2018

O torpor dos hábitos
O capítulo X parece servir de resumo ou mote de toda obra. A experiência do tenente Drogo no forte Bastiani é a experiência da humanidade. Parece-me também interessante o exercício de fazermos uma comparação com a Alegoria da Caverna de Platão. Para Platão os homens estavam acorrentados no fundo de uma caverna e essa caverna e suas correntes simbolizavam a ignorância humana. Buzzati em sua obra acaba nos proporcionando uma prisão muito mais sutil que dispensa cavernas e correntes, a saber: o hábito. O hábito é o fim da novidade. O hábito provoca torpor, indiferença. E esse torpor permeia toda obra presente nos sentimentos de Drogo. Interessante notar que a personagem tem plena consciência desse torpor, mas não consegue superá-lo, ao contrário, vai se entregando todo, sendo absorvido por um niilismo totalitário. Vale ainda dizer que para Buzzati, o tema solidão sempre esteve presente em suas obras. Passagens marcantes que valem ser destacadas:

"Ontem e anteontem eram iguais, ele não mais sabia distingui-los; um acontecimento de três dias antes ou de vinte acabava por parecer-lhe igualmente distante." (p.57)

"(O capitão Ortiz lhe dissera: 'É sempre assim, os recém-chegados no começo ganham sempre. Com todos acontece o mesmo, iludimo-nos de sermos realmente valentes, só que, ao contrário, é apenas questão da novidade, os outros também acabam por aprender o nosso sistema, e um belo dia não se consegue mais nada.')" (p.57)
comentários(0)comente



Aline Teodosio @leituras.da.aline 12/12/2018

Giovanni Drogo é um jovem oficial designado à integrar a guarda do Forte Bastiani no cargo de tenente. Como todo jovem, ele parte para cumprir essa missão com entusiasmo e determinação latente. Porém, ao se deparar com o seu posto não consegue ser capaz de conter a sua decepção.

Essa obra, de cunho existencialista, reverbera os melindres humanos por meio de descrições poeticamente deslumbrantes. É um verdadeiro mergulho na alma em busca de um sentido para a existência. Sentido esse que nem sempre é tão facilmente encontrado.

Assim como Drogo, o ser humano tende muitas vezes a esperar da vida algo grandioso, um quê de fantástica relevância que glorifique a própria essência. A esperança, por sua vez, aflora. Contudo, se o feito extraordinário não chega, esse mesmo humano, outrora tomado por grandes expectativas, cai num tédio lastimoso, num enorme marasmo, afoga-se em frustrações, cava um buraco em si e afunda em suas próprias amarguras.

E a espera, árdua e sacal, prevalece insistentemente. Espera-se, pelo medo do novo ou pelo conformismo. Predomina, assim, a mesmice, e atônito, o ser desacreditado não consegue sair do lugar. Estagnado, resta-lhe lastimar-se penosamente enquanto espera, espera, espera...

O deserto dos tártaros é um livro forte sobre a solidão, as aflições, a resignação, a reclusão, as dores da alma e o abandono de si mesmo. Entretanto, mais do que isso, é um livro que nos conduz a uma reflexão acerca do nosso agir e da nossa postura perante a vida. Uma narrativa ultra sensível, mas capaz de nos dar aquela sacudida ululante e essencial para que possamos acordar, mudar, sair da zona de conforto, viver.

"No fim, cabe-nos sempre aquilo que merecemos".
comentários(0)comente



leonardo camargo 26/10/2018

Tempo de desencanto
Durante as duzentas e seis páginas, o leitor acompanha os caminhos da vida e os pensamentos do jovem Giovani Drogo, mesmo que a vida e a reflexão não sigam na mesma direção. O início do livro indica mudanças, Giovani é um jovem militar indicado a deixar a casa dos pais para permanecer no distante forte Bastiani, como oficial. Depois de anos de estudos, preparos e sonhos, é chegado o dia tão esperado, onde as coisas deveriam acontecer. Mas quando se vê sozinho, Giovani sente uma distância da alegria da conquista, como se forçasse a si mesmo para dar vida a uma esperança longínqua, que não enxerga em seu próprio reflexo no espelho, antes de partir.

O forte Bastiani é um lugar apagado no tempo, uma construção esquecida e perdida no meio de um deserto, uma verdadeira moradia do silêncio. É neste cenário que acompanhamos os encontros e desencontros de Giovani, com outros homens, situações frustradas e pensamentos melancólicos. Boa parte da história se sustenta em duas possibilidades paralelas, aquela que realmente acontece no forte e outra na escuridão do quarto de Giovanni, que tenta escutar os barulhos da noite e decifrá-los.

As esperanças frustradas do personagem são quase um manto que o impede de sentir o tempo e suas mudanças, porque Giovanni sempre está na espera de que algo realmente grande aconteça, que mude seu destino drasticamente e o aproxime da glória desejada. Tal característica humaniza todo o texto, acompanhado da poesia que Buzatti encontra nas paisagens, nas expressões dos homens, no silêncio e no desconhecido.

No trecho da resenha crítica de Antônio Candido, presente na revista da TAG, o leitor é convidado a fazer uma análise do primeiro e do último capítulo da obra. Neste parâmetro, é possível encontrar algo que une dois sorrisos distintos de Giovanni, interligados a essa busca por algo maior, que nada mais é do que a nossa eterna procura de um propósito.

A leitura é leve, encantadora e dinâmica, os capítulos são curtos e dão ritmo para a leitura. O autor utiliza de certa poesia para criar paisagens e nos descrever as mudanças de estações, dos dias em noites, em contraste as indagações do personagem que pouco se move. Em certos pontos, o autor nos distancia do personagem principal, sem grandes explicações, tornando o próprio forte e seus homens uma parte da história. No entanto, a característica citada por Alejandro Zambra é algo que realmente prende o leitor a história, o “humano demasiado humano” Giovanni. Suas indagações ao tempo nos colocam em janelas contemplativas. Vemos, do alto das torres, seu horizonte, suas cores. Cada dia algum detalhe chama a atenção, mas não pela sua existência, mas pela nossa percepção, aguçada pelo arrastar dos dias, que nos leva para longe, cada vez mais próximo de nós mesmos.


site: www.leonardojcamargo.wordpress.com/
comentários(0)comente



Lopes 10/07/2018

| do outro exílio |
“O deserto dos tártaros”, de Dino Buzzati, esfria os rumos e sequelas de um poente envolvente. Uma vida seguramente equilibrada entre o dever cívico e seus rompantes inerentes. Servir a si de meditações acerca de um futuro promissor, e em dado momento seguir para tal ação, justifica sonhos e idealizações que pré-julgam felicidade ou merecimento. Giovani Drogo, personagem reconhecível até nos cemitérios em formato de lampejos mais escondidos de nossa humanidade, se prepara para enfrentar e se posicionar nessa formação. No entanto, vestir a farda e esperar o inimigo para a Guerra, longe do nascimento, sequencia atos que somente a vida humana consegue tamanha objetificação e precisão. Drogo ao chegar em seu lugar de vigilância enfrenta, logo que chega, sua primeira contradição, que vai permear sua vida, não por ter escolha, afinal, é falsa essa ideia, e sim por que o preencher social exige sacrifícios, e somente a partir disso - sem onerar o Estado, falseando que também sem onerar o indivíduo - que a história se escreve e dá significado ao homem a existência. A promessa de enfrentamentos e dos bárbaros, não ocorre, ser herói se torna a cada ano espelho de discursos inverossímeis, e Drogo se vê indo de encontro à velhice, sem encontrar nenhum movimento que lhe caiba. É a banalidade se solidificando, como deve ser. Essa estratégia é componente do abrir os olhos e esperar, anos a fio, o romper da Aurora, que nunca chega, e vai tampando os poros da pele até criar consciência, e para não romper com a vida, e não olhar ela de forma crua e se certificar de que nada mais se sabe, a não ser esperar o inimigo, aguardar se torna a maior ação, o combate preciso e eficiente, a primordial defesa do país, o maior e melhor exercício como soldado, enquanto que colegas de profissão vão criando suas novas rotinas ao formar famílias e partir dali. Esse entorno nunca é central, ele desenvolve somente em quem já não possui esperança no Estado ou em si, ou mesmo só se desenvolve na ficção do olhar, e Drogo se respeita e sabe que compete a ele a segurança da nação, assim como sua ruína, que ninguém nunca vai saber.
comentários(0)comente



Simone.GAndrade 09/05/2018

O homem e o tempo...
O deserto dos Tártaros (1940) obra do escritor italiano Dino Buzzati - Obra fantástica e existencialista, que retrata a relação do homem com o tempo e suas implicações, "o torpor dos hábitos, a vaidade, o amor doméstico pelos muros cotidianos" a tendência humana em se deixar contaminar pelo servilismo, e sua incapacidade de decidir, levando a uma anulação existencial, além da solidão, mesmo em meio a uma multidão. O personagem Giovanni Drogo em busca de glória, a imortalidade de seu nome, aguarda no seu Forte Bastiani, uma guerra que pode vir ou não acontecer, enquanto isso o tempo passa, como a areia do deserto. Assim como muitas pessoas, na permanente espera que algo de extraordinário mude o rumo de suas vidas "compreende-se que o tempo passa e que a estrada, um dia, deverá inevitavelmente acabar. A um certo momento batem às nossas costas um pesado portão, fecham-no a uma velocidade fulminante, e não há tempo de voltar," o torpor prevalece e não há mais tempo de reagir, pois não se pode agir, se estamos sempre esperando. Uma esperança cômoda, a tal ponto de negar-se a outra e qualquer reação. Ótima reflexão!
comentários(0)comente



Dose Literária 11/04/2018

Resenha completa no blog
Eu quero um close nesse livro!
Fazia tempo que eu não lia algo que não me sensibilizasse tanto como eu acabei sendo impactado depois de terminar o último capítulo. Pelo que recordo, a última vez que tive uma sensação parecia foi quando eu li “A metamorfose” do Kafka que acabou me dando um desconforto muito grande. Apesar de a história desse livro ser diferente da Metamorfose, ambos acabam tocando num assunto parecido: uma condição existencial estabelecida na qual a personagem principal acaba chegando a um fim inevitável e corrosivo...

site: http://www.doseliteraria.com.br/2018/03/o-deserto-dos-tartaros-dino-buzzati.html
comentários(0)comente



132 encontrados | exibindo 76 a 91
1 | 2 | 3 | 6 | 7 | 8 | 9