O Deserto dos Tártaros

O Deserto dos Tártaros Dino Buzzati




Resenhas - O Deserto dos Tártaros


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Lista de Livros 22/02/2021

Lista de Livros: O Deserto Dos Tártaros, de Dino Buzzati
“Talvez a questão esteja toda nisso. Talvez nós pretendamos demasiado. Cabe-nos sempre o que merecemos, realmente.”
*
“Justamente naquela época Drogo deu-se conta de que os homens, ainda que possam se querer bem, permanecem sempre distantes; que, se alguém sofre, a dor é totalmente sua, ninguém mais pode tomar para si uma mínima parte dela; que, se alguém sofre, os outros não vão sofrer por isso, ainda que o amor seja grande, e é isso o que causa a solidão da vida.”
*
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Mariana. 13/06/2011

"Se fosse um homem comum, a quem por direito não cabe senão um destino medíocre?"

Alegoria do existencialismo, provando que não apenas falta qualquer sentido à existência, como sobram cinismo e ironia na vida.

Leitura obrigatória.
Arsenio Meira 08/02/2013minha estante
Com a devida licença, perfeito o seu comentário-resenha.
Apenas uma frase é capaz de definir um livro para sempre. Esse poder de síntese não é fácil.


George 10/07/2020minha estante
Difícil resenhar esse livro, mas realmente descreve como muitas vezes a nossa vida se torna banal e supérflua. Cabe a nós seguirmos o exemplo do tenente Dino e lutarmos sem cessar por um lugar ao sol!!




leila.goncalves 27/02/2020

Obra-Prima
Lançado em 1940 na Italia, Il deserto dei Tartari ou O Deserto dos Tártaros só foi publicado no Brasil 44 anos depois, um hiato que surpreende em virtude do sucesso que alcançou o livro ao redor do mundo, sendo considerado a obra-prima de Dino Buzzati.

Advogado de formação e jornalista de profissão, o escritor trabalhou 40 anos no Corriere de la Sera onde se aposentou como redator-chefe e foi na redação desse jornal, enquanto cumpria o entediante período notirno, que lhe ocorreu a ideia do livro. Atiçamento, sua história revela o temor de Buzzati em permanecer na obscuridade, isto é, ter seus livros conhecidos por um reduzido número de admiradores, algo que já ocorrera com os dois anteriores.

Apresentando um clima misterioso e angustiante, o romance gira ao redor de Giovanni Drogo, um militar de carreira, designado para servir no remoto Forte Bastiani. Localizado numa região montanhosa e defronte a um deserto, o local já foi uma importante defesa contra os tártaros, mas atualmente sua única função é aguardar a volta do inimigo. O protagonista passa os dias vasculhando o horizonte de cima das muralhas, ansiando por uma batalha que poderá justificar sua vida e torná-lo um herói, mas sem maiores novidades, tudo que lhe resta é uma rotina insossa, marcada pela rígida disciplina e obstinação.

Em linhas gerais, o livro trata da acomodação gerada pelo ramerrão diário e de como ela molda as expectativas, desconsiderando a passagem do tempo e a própria finitude da vida. De caráter existencialista e surreal, a narrativa, saturada de humor negro, não se restringe à vida militar. A bem da verdade, é mais apropriado considerá-la uma alegoria sobre a nossa existência e relevar esse aspecto é apequenar as questões morais e o conteúdo filosófico que ela abarca.

Finalmente, recomendo o filme homônimo (1976), dirigido por Valerio Zurlini , e o ensaio de Antonio Cândido sobre o romance. Ele pode ser encontrado no livro ?O Discurso e a Cidade?, mas também está disponível na internet, porém, devido aos spoilers, deixe para ler após o desfecho da obra.

Nota: Com boa tradução e breve Apresentação de Ugo Georgetti, o e-book atendeu minhas exigências.
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Helena 05/01/2015

"A vida inteira que podia ter sido e que não foi"
que sensação estranha esse livro dá.. uma tristeza grande, impossível não entender os anseios e as dores de Giovanni, tão humanas! Esse livro é uma alegoria da vida, dos desejos frustrados, dos sonhos abafados pela mediocridade, pela rotina e o ritmo alienante das exigências do mundo e a ação de um tempo que não para, mas paradoxalmente também não passa, por estar estagnado em adição infinita de zeros. nada se soma verdadeiramente. uma vida relativamente sem sofrimento, mas também sem criação, sem propósito. até mesmo sem relações afetivas profundas. tudo no meio-termo.
Impossível não lembrar da frase linda de Antonio Cândido citada por Maria Rita Kehl: "Tempo não é dinheiro. O tempo é o tecido de nossas vidas". E o que nós fazemos com nosso tempo? Com nosso tecido de vida?
Vida humana é roteiro (exemplificada no livro pela inóspita burocracia militar)? tempo de serviço? busca de aposentadoria, finais de semanas, férias livres de trabalhos frustrantes e obrigatórios? vida é o tempo que gastamos indo ao trabalho, imaginando chegar mais cedo em casa, pra dormir mais cedo, acordar mais cedo, ir trabalhar mais cedo, morrer mais cedo?
Certamente são questões dignas de reflexão que ficaram em mim após ler esse livro.
Hélio Rosa 11/07/2018minha estante
Li há bastante tempo, motivado por um ensaio do Antonio Candido. Mas não sabia que essa expressão que você colheu na Maria Rita Kehl era dele... Vou procurar, agradeço.


Pedro Luiz Viegas 19/02/2019minha estante
Seu comentário me impressionou muito! Fiquei interessado nesse livro...




Pedro Luiz Viegas 08/02/2020

O deserto de cada um
O Deserto dos Tártaros é um livro que mexe com a imaginação e com a alma. Com a imaginação porque é difícil não despertar a curiosidade um livro com esse título. Com a alma porque o enredo criou mesmo alguma identificação com este leitor. Quantos leitores não defrontam seus próprios desertos, esperando que algo saia deles?
***
O protagonista, um oficial de um exército, escolhe por engano um forte retirado para se apresentar, acaba se acomodando e desiste de uma vida inteira em função de um sonho de glória ante a remota possibilidade da invasão naquela remota fronteira do seu país com o país tártaro. Seus colegas optaram por uma vida plena nos quartéis nas cidades. O tempo passa inexorável diante das montanhas impassíveis. Um dia eles chegam, ele é um oficial graduado, porém adoeceu seriamente naqueles anos todos. Seus colegas, contudo, chegam saudáveis da cidade para assumir o controle da situação que por tanto tempo ele aguardou.
Disso tudo eu concluo: A vida não deve ter um propósito único. Os propósitos não devem ter caráter obsessivo. Não se deve desesperar quando o propósito se perde.

Uma história para ser lida com o tempero da escrita de Dino Buzzati.

Cinco estrelas e entra para a galeria dos preferidos, dos inesquecíveis, dos que mexeram com a alma do leitor.


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RafaelW 08/10/2013

O Deserto de Komul da Tartária
Não sou de fazer resenhas. Gosto apenas de transcrever trechos dos livros que eu li e que eu acho mais significativo.
Fiquei tentando entender porque o autor do livro deu esse nome, se os Tártaros são povos que vivem ou viveram na Rússia e na Ásia. Não estava entendendo a relação desse povo com a Itália, até que numa pesquisa simples no Wikipédia eu achei essa definição:
"O 'deserto de Komul da Tartária'foi mencionado pelo pensador alemão Immanuel Kant em suas Observações sobre o Sentimento do Belo e do Sublime como uma "grande [e] infinita solidão".
Essa definição do Deserto de Tártaro explica bem o livro: Drogo não é escolhido pelo Exército para assumir um posto numa fortaleza qualquer perto do Deserto de Tártaro. Na verdade, qualquer fortaleza militar é um Deserto de Tártaro; a vida militar é um Deserto de Tártaro; a vida é um Deserto de Tártaro; a vida é uma 'grande (e) infinita solidão'."
Maria de Fátima 31/03/2015minha estante
Você não é de fazer resenhas, mas esta foi poderosa o bastante para me fazer ter uma vontade incrível de ler o livro! (:


Dan 12/05/2016minha estante
Muito bom!!! Essa informação eu não sabia!!!




rodrigo 18/02/2021

É notável perceber “o tempo” como palavra-chave no livro, a partir desta palavra, o autor buscou descrever um enredo reflexivo sobre os caminhos, nesse caso, passagem do tempo e os impactos nas vidas dos personagens. Assim, iremos Acompanhar Giovani, um jovem que foi designado para assumir um cargo no forte Bastione, localizado no deserto dos tártaros, ao chegar, os sonhos de Giovanni vão desintegrando-se aos poucos, ao tempo, o personagem vai construindo uma falsa esperança de reconhecimento//Vitória. No local, Giovanni vai conhecer pessoas q estão mais de 15 anos no forte, de formar clara, o autor descreve a vida monótona dos soldados, os próprios saldados não questionam o modo de vida deles e seu papel no forte. O forte assume um papel de prisão ao invés de fortaleza, enterrando os soldados no esquecimento de uma vida normal e familiar, alimentando uma falsa esperança de glória.

O problema no livro está relacionado ao ritmo, o livro é meio monótono, tipo de leitura q não vai agradar muitas pessoas, eu até fiquei com sono, mas é uma história profunda.
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Ana 17/06/2011

Todo mundo com quem falei, que leu esse livro, tem sensação parecida: identificação imediata! E não importa a idade. Imperdível, e para ler a cada década (apesar de que acho difícil esquecer. Depois da primeira leitura, a mensagem está dada ...). Será que todo mundo se sente em seu Forte Bastiani particular?

Talvez a diferença de leitura em fases diferentes da vida sejam os trechos mais impactantes. Por um lado, ao observar Drogo jovem (e sendo mais velha), um certo ar de "espere e verá". Depois, ao ver Drogo envelhecer e começar a perceber o que se passa (ou não se passa), a identificação ...

"Assim, Drogo sobe mais uma vez o vale do forte e tem quinze anos a menos para viver. Infelizmente ele não se sente muito mudado, o tempo passou tão veloz que a alma não conseguiu envelhecer. E, mesmo que a angústia obscura das horas que passam se torne cada dia maior, Drogo persiste na ilusão de que o importante ainda está para começar. Giovanni aguarda, paciente, a sua hora que nunca chegou, não pensa que o futuro se reduziu terrivelmente, não é mais como antes, quando o tempo vindouro podia parecer-lhe um período imenso, uma riqueza inexaurível que ele não corria nenhum risco em esbanjar." (p. 187)
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Layla 25/11/2020

Recheados de reflexões
Um livro profundo bem reflexivo que nos ensina coisas grandiosas como que a gente precisa viver mais o presente e não ao tempo todo esperar por um futuro que não vem, somos efêmeros nessa vida e quando percebemos a gente se dá conta que não aproveitamos de verdade a vida e não há mais nada para se fazer, outra coisa que gostei foi ele nos dizer uma verdade difícil de aceitar, que realmente somos sós, se sofremos a dor é só nossa e em um determinado tempo percebemos o frio da solidão , resta você saber o que fazer com ela. Ponto negativo foi a história ser muito arrastada, acha que ela seria melhor se fosse um conto.
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Tito 27/08/2013

Uma longa espera por algo que a justifique.
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Ronnie K. 29/03/2009

Em prol da liberdade
Esse é daqueles livros que te capturam imediatamente já nas primeiras linhas, na primeira frase. "Nomeado oficial, Giovanni Drogo deixou a cidade numa manhã de setembro para alcançar o forte Bastiani, seu primeiro destino." Uma grande mudança, o início de uma nova fase na vida do protagonista se pronuncia aqui. Como em toda mudança, abrem-se grandes perspectivas. Imediatamente, porém, se avança na leitura para se deparar com as seguintes linhas: "Pediu que o acordassem de noite ainda e vestiu pela primeira vez o uniforme de tenente. Quando terminou, olhou-se no espelho, à luz do lampião de querosene, mas sem sentir a alegria que imaginava. Na casa reinava um grende silêncio, ouviam-se apenas vagos rumores vindos do quarto vizinho; sua mãe estava se levantando para se despedir dele." Em rápidas pinceladas o tema do romance se apresenta. As Esperanças e as Frustração que norteiam nossas vidas. Drogo desperdiçará o melhor de sua vida esperando o momento certo para agir, para apostar alto, para tentar ser feliz. Mas ele saberá quando chegar esse momento? Dos grandes romances, esse é o mais existencialista que há! E como é magistralmente trabalhado e escrito numa linguagem simples, acessível a todos. A memória, a invenção, o que foi, o que poderia ter sido, o que poderá ser. Todos esses sentimentos embalam a confusão sentimental do protagonista, seus medos, suas dúvidas, suas esperanças. Que afinal são as nossas. Um livro para abalar nossas certezas, nossos alicerces e nos fazer pensar se o rumo que estamos dando para nossas vidas é realmente o mais apropriado. Leitura obrigatória!
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otxjunior 10/08/2012

O Deserto dos Tártaros, Dino Buzzati
"E se realmente estivesse errado? Se fosse um homem comum, a quem por direito não cabe senão um destino medíocre?" questiona-se Giovanni Drogo numa passagem de O Deserto dos Tártaros. Outras dúvidas, igualmente cruéis, irão tomar o protagonista no seu caminho de autoconhecimento enquanto o mesmo espera o reconhecimento glorioso de anos dedicados a vida militar em um forte esquecido por Deus e por homens.
Dino Buzzati expõe sobretudo a falta de sentido no rigor das atividades diárias que ocupam boa parte da nossa existência passiva (e medíocre). O tempo é implacável na destruição dos sonhos da juventude e, dessa forma, a vida passa sem sequer um episódio marcante. Drogo é um reflexo da humanidade na sua busca incessante por um momento que justifique a sua existência. Chega a ser sufocante e dolorosa a leitura de alguns trechos do livro onde a ilusão desaparece e a triste realidade sobressai: Nada vai acontecer. Você não é especial.
Deprimente, não? Não poderia ser diferente. Pois acompanhamos a história de um homem que espera a vida inteira para sua vida começar. Obra-prima!
Daniel 21/08/2014minha estante
A sinopse não tinha me atraído nada ("livro sobre guerra? sobre um forte? sobre militares? eca!").
Mas trata-se de Literatura, com L Maiúsculo, daquele tipo que faz pensar, refletir e fica na cabeça do leitor por horas depois de ter fechado o livro.




Anselmo 19/07/2020

Perturbador
Esse livro conta como é fácil alguém desperdiçar sua vida ao dedicar-se exclusivamente a alguma coisa. Quando você deixa de viver sua vida para agradar a outros ou a situações do cotidiano. Quando o tempo se torna o seu maior inimigo invisível, que implacavelmente suga sua essência, tal como o vampiro suga o sangue de alguém, tem a dor da mordida, mas depois fica anestesiado e só percebe quando é tarde demais. É o amargor do arrependimento e tudo que lhe resta. Livro muito triste. É um soco. o estômago das pessoas que esperam passivas a vida muda para a melhor, sem fazer esforço.
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Henrique Fendrich 12/03/2011

Guerra contra a mediocridade
Não, "O Deserto dos Tártaros" é bem mais do que uma crítica a "inutilidade do poder", como sugere a sua orelha. Trata-se, essencialmente, da terrível batalha que o ser humano trava consigo mesmo para vencer a mediocridade e assim transcender. Parece inaceitável que o tempo passe e a vida se gaste sem que nada de realmente importamente ou mesmo heróico aconteça ao homem. Nessa esperança ele se fia, mas de forma passiva: espera que esse "algo", que ele não sabe precisar, aconteça naturalmente, sem a sua ação.

Mas os anos passam, a inércia permanece e, por isso, cada vez mais a esperança se esvai. Giovanni Drogo é tenente de um forte, um inútil forte, em que todos esperam ansiosamente pelo dia em que virá a guerra, porque aí sim os anos que desperdiçaram lá, e as suas próprias vidas, poderão ser recompensados. O desejo é tamanho que os militares se acostumam a viver no forte, e temem sair de lá e perder o grande momento. E, além do mais, vão ter muitos anos ainda para passar no meio da cidade, como pessoas normais.

A cidade, aliás, nem é tão atrativa assim. Os capítulos em que Giovanni deixa o forte e volta para a cidade são pungentes, lindos, dilacerantes. Nela, ele se dá conta que o tempo passou, levando consigo todos os desejos, todas as afeições de outrora, o mundo todo passou a ser uma outra coisa, não restando nada senão estranhamento, e o desejo de voltar: voltar para a nossa boa esperança, e certos de que a cidade sempre poderá esperar. Somos tão jovens, afinal!

Mas há um momento em que as coisas envelhecem, e até mesmo os sonhos. Giovanni tem o seu, mas ele parece absurdo, e por isso sofre. Ele percebe, como um verdadeiro Ivan Ilitch, que o seu sofrimento não diz respeito às outras pessoas. Em Giovanni, há ainda uma reflexão ausente no personagem de Tolstói: não é sequer o amor que irá garantir que o seu sofrimento seja compartilhado pelos outros. Ainda que lhe devotem grande afeição e estima, Giovanni se desconsola ao perceber que a dor continuará sendo sentida e sofrida apenas dentro dele.

E no meio disso tudo, o absurdo kafkaniano, as situações ocorrendo de forma improvável, mas sempre tendo como resultado a opressão de Giovanni, preso em circustâncias das quais não tem controle, e contra as quais não parece haver nada a ser feito. Resta então se conformar com as injustiças, e tentar travar uma luta ainda mais difícil e de resultado definido, contra o tempo e contra a própria morte.
Nilva 28/07/2014minha estante
Você sabe, Henrique, este foi o livro que eu mais tive dificuldade em ler? Talvez por me ver refletida no Giovanni Drogo. Esta certeza de ter entrado numa batalha perdida contra a finitude. Queria, como John Donne, sentir a verdade dos versos:

"Um breve sono a vida eterna traz,
E, vai-se a morte.
Morte, morrerás."




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