O Rei de Amarelo

O Rei de Amarelo Robert W. Chambers
Tiago P. Zanetic
Airton Marinho




Resenhas - O Rei de Amarelo


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Henrique 19/04/2014

"Depois de uma leitura como O Rei de Amarelo, as únicas alternativas eram o cano de uma arma ou o pé da cruz.

Esperei, com ansiedade potencialmente irrequieta, que O Rei de Amarelo fosse lançado por essas terras, com uma edição digna e uma tradução, na medida do possível, fiel ao original. Por isso, quando o tive em mãos, nem pensei duas vezes antes de pausar a releitura que estava a fazer de Game of Thrones. Como que respondendo a um desejo já antigo, a Editora Intrínseca nos agracia com a publicação de um clássico bem traduzido, com uma bela capa, esbanjando originalidade. O revisor, Carlos Orsi, escritor e jornalista a respeito de quem, até então, não havia lido nada a respeito, preenche de notas cada conto da coletânea, lançando luz sobre aspectos que acabariam por passar desapercebidos, até mesmo para o leitor mais experiente.

Curiosamente, há outras editoras que pretendem publicar suas próprias edições do livro O Rei de Amarelo. Acredito que isso deve-se ao grande sucesso da série True Dectetive (uma série complexa a qual recomendo a todos os que estão em busca de trabalhos bem feitos), que estreou em 12 de janeiro e é exibida pela HBO e que recebeu boas críticas, especialmente pelo enredo, consistência dos personagens e pelas atuação dos atores. Um dos personagens da trama denomina-se O Rei Amarelo, uma clara alusão à obra de Chambers, que inspirou e inspira grandes nomes da literatura, como a minha muito amada Marion Zimmer Bradley, mais conhecida pela quadrilogia As Brumas de Avalon e a extensa e bem sucedida série Darkover, o adorado e reconhecido H.P. Lovecraft, mais conhecido pela terrível e assustadora mitologia do Cthulhu, E. Raymond Chandler, que escreveu um conto policial intitulado O rei de amarelo, os incríveis e respeitados Terry Pratchett e Neil Gaiman, que juntos escreveram Belas Maldições, Stephen King, reconhecido como o prolífico e atual rei da Literatura de Horror, entre outros.

Uma Ressalva

O Rei de Amarelo é uma leitura difícil, complexa, com escrita rebuscada e um texto que precisa ser devidamente interpretado para que não se perca a atmosfera que sua leitura proporciona. O livro faz muitas referências que facilmente passarão despercebidas ao leitor desatento (portanto, foco!). As notas deixadas pelo revisor do texto acabam por tornarem-se mais que valiosas, pois além das referências que Chambers faz a elementos e fenômenos da realidade, da cultura e da Histórias, há também referências que ligam um conto ao outro, ainda que implicitamente. Existem, ainda, muitos mistérios em torno da Mitologia Amarela de Chambers, alguns dos quais jamais poderão ser desvendados, dando margem para diversas suposições. A própria natureza de O Rei de Amarelo, um livro em forma de peça teatral presente em alguns dos contos, é um mistério proposital, e o pouco que é revelado, já nos fornece muito para pensar.

Sobre a Obra

Robert William Chambers (1865-1933) publica, em 1895, um peculiar volume de contos, contendo dez histórias sendo que quatro delas giram em torno de uma peça de teatro intitulada O Rei de Amarelo.

Em sua obra, Chambers nos fornece apenas vislumbres do que seja ou do que esteja contido nessa peça de teatro (que á, na verdade, um livro, ao estilo de Shakespeare). Na obra, após os personagens lerem O Rei de Amarelo, eles experimentam o que pode ser denominado uma nova emoção ou sensação, tão radical, que a própria beleza do texto se converte em uma maldição para quem o lê, como salienta Carlos Orsi. São essas reações, por parte dos personagens que leem o livro, que inserem o horror na obra, pois elas são acompanhadas por uma espécie de revelação, em que os personagens já não enxergam as coisas como as outras pessoas enxergam e, em seu íntimo, estão sempre perturbadas pelas revelações que a leitura do livro lhes proporcionara. É como se lhe fossem contadas verdades enlouquecedoras. Um trecho que descreve bem é o que segue:

Seu olhar caiu sobre o livro amarelo que Lorde Henry lhe enviara. O que seria isso, perguntou-se (...) após alguns minutos, estava absorto. Era o livro mais estranho que já havia lido. Parecia que, em vestes refinadas, e ao som delicado de flautas, os pecados do mundo desfilavam, em silêncio, diante dele. Coisas com que havia sonhado de modo vago tornavam-se reais para ele. Coisas que jamais imaginara eram-lhe reveladas. - O retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde (1854-1900)

Desfechos Dúbios

Os quatro primeiros contos, que fazem referência direta à peça O Rei de Amarelo, possuem desfechos dúbios, que nos levam a parar um pouco e repensar a trama para atribuir uma explicação razoável que nos permita compreender o que se passou. No entanto, essa busca pela compreensão pode se converter em frustração, pois, como já citei, os mistérios presentes na obra são profundos e escuros, pois giram em torno do tão misterioso livro Rei de Amarelo e sua mitologia, cujas informações nos são dadas parcamente.

Acredito que muitos leitores terão a sensação, ao chegar ao desfecho de um conto, de que o autor foi impedido de continuar a escrever, como ocorrem nas obras incompletas, como os contos da Cantuária, em que o autor morre antes de concluir a escrita. Essa sensação não deve dar margem para frustração, mas para a reflexão.

Você Precisa Saber Antes de Ler

Já me referi à dificuldade pertinente à leitura do livro, por sua escrita e por sua trama. No entanto, essa é uma ótima oportunidade para dar passos mais ousados na sua experiência de leitura, pois ela exigirá muito de seu raciocínio, de sua memória e de seu vocabulário. Espero que esse aspecto não o prive de ler essa preciosidade.

Outro aspecto relevante é a natureza dos dez contos presentes na coletânea. Quatro deles se passam em uma realidade na qual existe a peça O Rei de Amarelo, que exerce influências sinistras naquele que a lê. Dois contos, ainda contendo elementos fantásticos, não citam a peça, mas parecem possuir ligação com os outros contos. Já os quatro últimos contos são de caráter completamente realistas e como nos outros dois, a peça sinistra não é citada. No entanto, como as notas nos permitem confirmar, Chambers parece ter inserido em outros contos, referências e elementos comuns aos contos que mencionam o Rei. Para o leitor que busca as experiências do horror ou do fantástico da leitura dos contos, esse últimos jamais irão conceder nem mesmo a sombra da sombra de tais experiências. Eles devem ser lidos sem qualquer expectativa, para evitar desencantos com a obra. Tratam-se de contos românticos envolvendo jovens boêmios que vivem em Paris e que também possuem algumas ligações entre si e referências implícitas ao Rei de Amarelo.

Pessoalmente, não vi como essas referências poderiam ser úteis na compreensão de aspectos da Mitologia Amarela e aconselho que sejam lidos como contos à parte, sem expectativa alguma de encontrar informações consistentes sobre o Rei. O desejo de encontrar tais informações é quase inevitável, do meu ponto de vista, por se tratar de uma trama misteriosa na qual temos no enredo um livro maldito que amaldiçoa aquele que o lê, é despertado em nós um interesse bastante natural acerca do que está contido no livro maldito e do que exatamente são os elementos que os personagens que o leram acabam por revelar, como por exemplo, Carcosa, onde os sóis gêmeos afundam sob o lago e as sombras se alongam, onde o manto em retalhos do Rei se agita, onde estrelas negras sobem e estranhas luas o céu percorrem...

Por fim...

Nas análises que faço dos livros que leio, tenho por regra sempre discorrer sobre os aspectos morais retratados, temas que são abordados nos quais podemos refletir, reflexões a respeito desse ou daquele personagem, dessa ou daquela afirmação, entre outros. No entanto, cada um dos dez contos presentes nessa coletânea merece atenção particular, de modo que se fosse discorrer sobre cada um deles, eu precisaria de muitas e muitas linhas. Por isso, vou considerar a possibilidade de trabalha-los de modo singular. Dentre os contos, os que mais me foram caros são O Reparador de Reputações, tanto pelos personagens e trama quanto pelo fato de haver sido o primeiro contato que mantive com O Rei de Amarelo, o conto O Emblema Amarelo, pois foi o que mais me transmitiu horror e o conto Rua de Nossa Senhora dos Campos, pela moral que ele contém e pelo ótimo teor cômico.

Para aqueles que pretendem ler O Rei de Amarelo (de minha parte, eu mais que recomendo), estejam preparados para uma leitura que inspirou grandes nomes.

Visite meu blog

site: http://pilulasliterarias.blogspot.com.br/
yurigreen 20/04/2014minha estante
Que análise portentosa! É a resenha mais bem feita que já li nesta rede. Estava ansiosíssimo pra ler a obra após terminar True Detective, baixei algumas amostras em inglês pelo Kindle e desde o lançamento da tradução aguardava uma avaliação assim. Ao final da sua crítica, fiquei com mais vontade de ler, não só a obra, mas outras resenhas suas.
Parabéns, abraço. To te adicionando por aqui hein!


Henrique 25/04/2014minha estante
Hey, Yuri!
Bom saber que fui útil, um saber duplamente bom: sempre bom quando incentivamos alguém a ler um livro que figura entre nossos favoritos.

Abraços! Desfrute da leitura ;-)


Carolina 28/04/2014minha estante
Excelente resenha, Henrique! Acabo de encomendar o livro - mal posso esperar para tê-lo em mãos e mergulhar nessas histórias tão intrigantes.


Henrique 29/04/2014minha estante
Hey, Carolina!
Que sua leitura seja tão intensa quanto foi a minha. A Intrínseca fez um ótimo trabalho de revisão de texto. Agora é deixar o Chambers fazer a parte dele. ;-)


Tatiana 04/05/2014minha estante
Pronto! Adoeci!!! Peguei ele na livraria e terminei não comprando!!! Por que eu fiz isso?


Lígia Colares 15/05/2014minha estante
Adorei a sua resenha, foi a primeira q li, e com certeza nao vou precisar ler outras haha! a estou acompanhando seu blog também! Parabens pelo trabalho, e o livro ja esta na lista para ser comprado com urgencia haha


Matheus Cunha 16/05/2014minha estante
Gostei tanto da tua resenha quanto do livro escrito pelo Chambers.
Parabéns.


Wesley 19/06/2014minha estante
Que baita resenha! Na qualidade e no seu tamanho rs! Realmente o True dectetive meio que me apresentou a obra (acho que fez isso com meio mundo de curiosos). Ela entrou em uma fila de títulos que preciso adquirir $$ e o hiato de espera seria grande não fosse sua resenha. Digamos que o livro pulou vários da fila. Parabéns pela resenha!


Flávia 12/09/2014minha estante
Parabéns pela resenha. Acabei de adquirir o livro em uma visita despretensiosa a Nobel. Por um acaso encontrei e por algo que não sei explicar, precisei comprar. Curiosamente acabei de iniciar True Detective e não sabia que o livro era mencionado.


Gabriela M. 26/02/2015minha estante
Henrique! Parabéns pela resenha! Já li o livro por curiosidade, e como foi o primeiro contato com literatura fantástica, não consegui apreciar muito, mas com as tuas informações e teu entusiasmo com o livro, já vejo ele com outros olhos :)


Nenna Amori 24/01/2017minha estante
Que resenha excelente! Descreveu tudo que eu pensei sobre a obra de uma forma infinitamente melhor, achei o livro maravilhoso.




Gabriela 11/06/2014

RESENHANDO: O REI DE AMARELO
ESSA RESENHA TAMBÉM ESTÁ NO BLOG 'É O ÚLTIMO, JURO!' E NO CANAL DO YOUTUBE!

NOTA: 5/5

PONTOS FORTES: Achei que Chambers criou um clima muito bom nos contos sobrenaturais e toda essa coisa do Rei de Amarelo. O universo não é tão profundo, mas o clima é sensacional. Toda aquela coisa do proibido e de que ninguém deve ler o livro deixa a gente curioso o tempo todo sobre ele. Esse clima sobrenatural que você não identifica se o personagem está sonhando, se está se passando no nosso mundo, se é real é muito bom! Os personagens dele são muito bem feitos e achei que ficaram perfeitos em cada conto.

PONTOS FRACOS: Achei que na parte realista tem uns dois contos meio arrastados. Parei de ler na metade porque ficou meio chato, aí peguei de novo, aquela coisa, sabe? Mas só na parte realista, mesmo.

O QUE MAIS GOSTEI: Gostei mais da primeira parte, claro, rs. Sou bem mais fã de fantasia, todo mundo sabe. Gostei muito do lance do livro ser proibido e dessa aura macabra que ele tem. Mas o principal pra mim e que eu mais gostei foi a linha tênue que liga alguns contos entre si. Ele faz bem discretamente e deixa aquela coisa de será que é mesmo?. Aí rola umas dúvidas quanto à realidade que a história se passa, o tempo que passou entre um e outro, essas coisas! Muito foda!

O QUE MAIS: Bom a edição que eu tenho é o lançamento da Intrínseca do mês passado. Ficou muito linda! O livro é todo bem feito, com as divisões dos contos super bonitas, com uma apresentação e tals, curti! Gostei muito também que o livro é cheio de notas, então tem muita informação sobre o universo, os contos, a ambientação é ótimo porque nignuém é obrigado a saber de todas as minúcias e pra não ficar parando pra ir atrás das ligações é bem bacana ter essas explicações todas aí! Curti muito e recomendo!

Para quem quiser dar uma pesquisada sobre cada conto individual (meus preferidos com *) :

O reparador de reputações*
A máscara*
No Pátio do Dragão
O Emblema Amarelo*
A Demoiselle d'Ys*
O paraíso do profeta
A rua dos Quatro Ventos
A rua da primeira bomba
A rua de Nossa Senhora dos Campos*
Rue Barrée*

Acompanhem minhas resenhas pela minha página no facebook, blog e canal no youtube!

site: https://www.youtube.com/user/oultimojuro
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Rodrigo.Dias 10/07/2016

Os medos mais profundos só podem ser percebidos com o espírito
Se procura uma história de horror como as do King ou mesmo as do Lovecraft, esqueça. O verdadeiro horror do Rei de Amarelo só pode ser alcançando com muita reflexão. O verdadeiro horror está bem enterrado pq é muito terrível. Talvez não tanto para nós que vimos tantos horrores durante o século XX, mas sem dúvidas esse livro, como muitos outros, é um preparo para o mergulho dentro de todo a imundice que viria a existir nas décadas seguintes.

Mas você não vai conseguir enxergar isso lendo superficialmente.
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Marques 18/02/2016

Admito que comecei a ler 'O Rei de Amarelo' depois das referências da icônica figura real na série televisa 'True Detective' da HBO.

Fui pego de surpresa, pois esperava algo que estivesse mais relacionado com o universo apresentado pela série. Mas foi algo muito maior!

A forma romântica e ultra-romântica da escrita de Robert W Chambers é desesperadora. No bom sentido. As experiências únicas que cada conto revela são profundas, intimista e desafiadora para nossa imaginação.
Devo dizer, também, que a forma com a Editora Intrínseca decidiu dividir os contos: quatro primeiros mais relacionados ao Rei de Amarelo e os últimos podendo ou não fazer parte de tal universo foi uma escolha muito bem acertada.

Recomendo àqueles que, assim como eu, ficaram intrigados com a insanidade mostrada na série e/ou querem conhecer o autor que influenciou bastante as obras de H.P. Lovecraft e Stephen King.
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Renata (@renatac.arruda) 16/10/2014

O livro amarelo
Mantendo-se fiel à edição original, o livro é dividido em duas partes: a primeira, com quatro contos entre o sobrenatural e o terror, onde estão concentradas as histórias sobre "O Rei de Amarelo" -- um volume de capa amarela, que contém uma sinistra peça de teatro que todos evitam ler e cujos aqueles que leem, têm suas vidas transformadas. Ou, em alguns casos, eventos estranhos ocorrem e o volume costuma aparecer misteriosamente por perto. Segundo Orsi explica, a capa amarela do volume - assim como os trajes do rei -, seria uma referência à chamada literatura amarela do final do século XIX, em que o amarelo simbolizava o pecado, a doença e a arte moderna (!). Orsi conta que a principal revista literária de Londres chamava-se O Livro Amarelo e que os livros dos autores decadentistas franceses chegavam à Inglaterra encadernados e amarelo. Ele conta uma história curiosa:

Leia mais no Prosa Espontânea:

site: http://mardemarmore.blogspot.com.br/2014/10/o-rei-de-amarelo-robert-w-chambers.html
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Ninguém 26/07/2018

Sou uma pessoa guerreira...por não ter caído no sono.
Criei tanta expectativa em cima desse livro por conta dos vídeos que assisti no Youtube e dos comentários alheios que certo dia quando eu estava em um sebo e tinha uns trocados no bolso achei o bendito Rei de Amarelo, comprei o mesmo na hora !...maldito seja, quero meus trocados de volta !....Não importa se eu começasse a ler às 13h00 ou 00h00, a cada página era um bocejo. Não encontrei nada de marcante e nada que me fizesse dizer "wow !" em nenhum momento. Indico para quem tem insônia.
Flávia 15/08/2018minha estante
nossa, concordo com você ! achei o livro muito chato, os primeiros 3 contos até que eu gostei, mas depois disso meu deus ... que chatice !




Luiz Eduardo 31/12/2016

O rei de amarelo
Chambers inaugurou um gênero que influenciou vários autores. Um gênero dito fantástico e de terror para a época que dou escrito. Este é o principal ponto: a época no qual foi escrito. Ali sim, ele teve ter surpreendido. Hoje, na minha humilde opinião, é fraco; até cansativo. Os contos acabam e você fica com a sensação de que ficou faltando mais informação.
Natalie 31/12/2016minha estante
Luiz, minha opinião é idêntica.


l. r. Silva 03/01/2017minha estante
Gosto do Chambers, mas concordo contigo quanto a esta obra, e acredito que você provavelmente gostaria mais de Ambrose Bierce ou Clark Ashton Smith.




Café & Espadas 08/04/2015

Resenha O Rei de Amarelo
Poucos são os autores que conseguem estabelecer um conjunto de obra sólido, com vários títulos consagrados. Robert W. Chambers não era um desses autores.

Poucas são as obras que, devido a sua relevância, riqueza de elaboração, originalidade e envolvência tomam para si o título de atemporais e se consagram como clássicos. O Rei de Amarelo deve ser considerada uma dessas obras.

Antes de mais nada, devo mencionar alguns detalhes importantes referentes a edição feita pela Editora Intrínseca, que com certeza irão ajudar o leitor durante a leitura.

Se você ainda está em dúvida se foi uma boa ideia ou não adquirir um exemplar da grande obra de Chambers recomendo a leitura da introdução da edição, feita pelo jornalista e escritor Carlos Orsi. Nela ele irá explicar um pouco mais profundamente toda a natureza misteriosa desta coletânea, sua ligação com as grandes escolas literárias francesas, as principais influências e também explana um pouco sobre a vida do autor.

Esse texto inicial merece o seu destaque próprio pois ele abre o apetite para o que vem a seguir, e auxiliado pelas inúmeras notas de rodapé espalhadas em cada conto, ajudam o leitor incauto a compreender que essa obra não é igual a nenhuma das outras obras de terror com as quais ele teve contato.

Há muito o que se falar sobre esse marco do terror cósmico. Esta coletânea de contos – que subdivide-se intuitivamente – se materializa em torno de uma obra fictícia que leva o mesmo nome do livro, O Rei de Amarelo. Esse escrito trata-se de uma peça teatral sobre a qual não vemos muitos detalhes, nada além do nome de alguns personagens e lugares fantasiosos e mórbidos. O texto, aparentemente macabro e de uma beleza ímpar, amaldiçoa quem ousa lê-lo, fazendo com que a insanidade se aposse do corpo e da mente do leitor – ou vítima.

Os quatro primeiros contos (O Reparador de Reputações, A Máscara, No Pátio do Dragão e O Emblema Amarelo) são totalmente ligados a figura da peça amaldiçoada. Nada de mais profundo e detalhado é falado sobre o conteúdo do roteiro, mesmo que alguns personagens e locais fantasiosos sejam usados várias vezes. Todos eles compõem a chamada mitologia amarela, um cânone pequeno e denso que atrai diversas teorias literárias.

Alguns acreditam que esses primeiros contos se passam em um universo de fantasia compartilhado, que é acessado por meios não convencionais – muito similar a Dreamland de Lovecraft - e quando lemos atentamente, podemos perceber algumas ligações sutis, como nome de personagens secundários, lugares comuns, recursos linguísticos e metalinguagens utilizados pelo autor e a linha cronológica dos eventos. Outros críticos dão um status de “obra autobiográfica” para O Rei de Amarelo, pois a maioria dos protagonistas são artistas americanos que viveram em Paris, assim como Chambers.

Esses contos canônicos da mitologia amarela, assim como os demais, possuem finais instigantes e não muito conclusivos, podendo levar o leitor para mais questionamentos do que respostas. Porém suas qualidades de escrita e elaboração são magistrais. Nada nas histórias é jogado ao léu, tudo se encaixa mesmo que de forma muito opaca, e a insanidade iminente, que surge inesperadamente em todas as narrativas, dão o tom do terror psicológico imersivo (como em O Reparador de Reputações e O Emblema Amarelo) que desconstrói toda e qualquer crença humana de proteção divina, de intocabilidade (como em No Pátio do Dragão), essências do cosmicismo.

Os demais contos têm o pé calcado na realidade, mas sem perder as características da escrita rebuscada e a estrutura complexa e elegante de Chambers.

Indo de um amor que cruza o véu do tempo até os terrores do cerco parisiense por tropas prussianas durante a guerra de 1870, esta segunda parte da coletânea rende belas histórias como A Demoiselle d’Ys e algumas mais maçantes como A Rua da Primeira Bomba. Vale salientar que estes contos fazem referências aos quatro iniciais, ou seja, mesmo estes últimos não sendo tão fantasiosos a conexão com a mitologia amarela é mantida, e é uma sólida evidência de o quanto o autor bebeu da fonte das escolas literárias francesas para construir sua visão de mundo decadente.

Acima de tudo, O Rei de Amarelo é um marco não só no gênero de terror, mas na literatura mundial. A lista dos grandes autores influenciados pelos horrores que vivem sob a máscara pálida é extensa e engloba nomes como Lovecraft, Stephen King e E. Raymond Chandler.

Essa leitura não é uma das mais fáceis, o terror descrito nas páginas não é sanguinolento ou visceral, mas quando entendido em sua matéria prima, é um dos mais perturbadores e enigmáticos já escritos. Robert W. Chambers se mostra muito dinâmico e versátil ao transitar nas temáticas de cada conto, criando uma aura envolvente de mistério, caos e rompimento com a realidade.
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LiteraNERD 22/08/2017

Uma seleção bem desigual
Os primeiros contos, relacionados à peça fictícia O Rei de Amarelo, são interessantíssimos. Temos outros contos que variam do bom ao mediano. Já os dois contos finais, que acompanham jovens aspirantes a artista americanos em Paris são de uma chatice inominável.
O horror dos dois últimos contos está relacionado à vontade de morrer que você sente ao lê-los, enquanto os mesmos não terminam...
Entendo porque o número de desistentes deste livro é tão alto.
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Valério 03/07/2015

Instigante
Uitlizando-se do realismo fantástico, Chambers traz um livro de contos de mistério onde os personagens se vêem em situações inusitadas, sempre aparecendo o amarelo, simbolicamente. A leitura é rápida, interessante e agradável.
O Rei de Amarelo trata-se, na verdade, de uma peça. E, todos aqueles que a Lêem tem sua vida modificada profundamente.
Semelhante ao filme "O chamado", onde todos que assistem a uma determinada fita cassete passam a ser amaldiçoados.
Afinal, grande parte da literatura de terror posterior a Chambers se baseou nele.
Autor aclamado, especificamente por esta obra, tanto que suas obras posteriores ficaram abaixo da crítica.
Em suma, se quer ler Chambers, leia ESTE livro.
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Alex666Messias 29/06/2016

Sublime...
Poucos entenderão a forma sublime em que os contos são apresentados.
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Micha 06/10/2016

Nem um pouco perturbador.... que pena
Então né percorri diversos sebos atrás de O rei de Amarelo e toda feliz pq paguei barato por um livro tão bem falado e tal a expectativa era enorme.
Que decepção, achei que realmente os contos seriam sombrios com uma pegada gótica, morbida, mas os 4 contos principais que reallmente pertencem ao Chambers são muito curtos e não achei tanta coisa como escutei e vi em resenhas na net. O meu conto favorito foi o emblema amarelo e a mascara . Mas não posso deixar de citar que o restante dos contos que são de outros autores realmente são irrelevantes, muito arrastados e que pena nada instigantes. Que fique aqui minha opinião
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Vick 26/01/2015

Não enlouquece ninguém, mas diverte pra caramba!
Confesso que só comprei o e-book porque já tinha esbarrado com esse livro em várias livrarias e a capa sempre me interessou (esse rei que me lembra a Ana Paula Arósio enrolada um cobertor amarelo), e porque uma amiga (alô, Fernanda!) me disse que achou o livro legal mas nada que deixasse alguém realmente chocado.

De fato, se você procura um livro de terror, continue na busca. Essa coletânea de contos dividida em duas partes tem um ar de A Zona Morta, Lovrecraft com personagens femininas bem desenvolvidas e uma pitadinha de romance de banca. A primeira parte traz histórias de infelizes leitores da famigerada obra que dá nome à coletânea, O Rei de Amarelo, capaz de enlouquecer quem ousa desvendar suas linhas. A segunda são vários contos interligados (ou não, vai da interpretação) um pouco mais realistas.

Gostei das duas partes, e o jeito que o autor escreve é delicioso. Mil pontos para as personagens femininas, variadas e bem construídas, da cortesão à nobre quase santa. O autor deve ter sido, em vida, um homem muito sensível (característica normalmente associada aos artistas em geral, por isso mesmo até meio óbvia) pois usa bem os sentimentos e motivações dos personagens, sem pesar na mão.

Indicadíssimo para quem procura mindfucks e inspiração para devaneios.
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Alan 21/02/2015

Bons contos, facil leitura, e ainda atual.
Oh, o Rei de Amarelo.
Admito ser suspeito para fazer a analise de um livro que eu mesmo sugeri para o grupo de leitura que faço parte, e cujo estilo dos contos tanto me agrada. Atualmente, parte das obras de Chambers está enquadrada dentro do que chamamos de cultura Lovecraftiana, mesmo sendo anteriores a Lovecraft, e em alguns casos, servindo de inspiração para o mesmo e muitos autores que vieram depois.
Trata-se de resenha da edição brasileira do livro, aqui publicado pela editora intrínseca (1ª edição, reimpressão de junho de 2014), o qual utilizou papel de qualidade razoável (pólen soft), o que permitiu uma leitura agradável e que não vem a causar desconforto após uma exposição prolongada, não dando um contraste tão grande entre o branco da pagina e a letra impressa. Porem, a capa deixou a desejar, uma vez que o material utilizado pela mesma se desgastou muito em menos de um mês, causando vários pontos em que houve marcas de leitura, manchas brancas e até mesmo em pequeno enrugamento na lombada do livro. Pessoalmente, a arte também deixou um pouco a desejar, mas esse ponto não afeta a qualidade do material.
A introdução apresentada é, embora muito reduzida, bem útil para a compreensão de vários pontos do livro. Embora, quem deseje um maior entendimento ou maiores informações possa buscar tais na internet ou em livros sobre o tema.
Quanto aos contos, o livro, como informado na introdução, pode ser dividido em três partes, sendo a primeira composta por quatro contos voltado para o suspense e o fantástico, com um toque que, atualmente, pode ser considerado como terror leve.
O primeiro conto desta série é “O reparador de reputações”, um conto no qual mostra com ironia o que seria um mundo utópico e futurista para sua época, trazendo previsões, que conforme foi comentado em notas, quase proféticas. Também é um conto que, em minha opinião, poderia ter omitido sua ultima nota, a qual induz o leitor a uma conclusão, evitando deixa-lo em duvida sobre a verdade da situação. Basicamente, conta a história do jovem Castaigne que, em contato com o Sr. Wilde, obteve informações suficientes para, ou lhe dar grandes pretensões, para as quais havia ainda apenas um pequeno empecilho, ou então, um delírio de grandeza entre os dois homens insanos.
O segundo conto, chamado de “A máscara” vem a ser um conto sobre o relacionamento entre jovens artistas, e as consequências dos estudos de um dele. É um conto muito mais suave que o primeiro, voltado mais para o romance combinado com o fantástico, passando-se no mesmo mundo que o primeiro conto, mas em momento anterior. Pessoalmente, eu acredito ser um dos melhores contos presentes ao livro.
O terceiro conto, chamado de “No Pátio do Dragão”, é um conto em que ocorre muita ação, um conto mais rápido e agitado, passando-se no mesmo mundo em que os contos anteriores, no qual um homem corre para fugir que algo que lhe amedronta. É um conto rápido para se ler, de boa qualidade, no qual impera o fantástico.
O quarto conto, que encerra os contos voltados para o fantástico, é “O Emblema Amarelo”, o qual aparenta ter diretas ligações com o conto “No Pátio do Dragão”, tratando de um romance desafortunado entre um artista e sua modelo, o qual sem saber acabam se envolvendo com o fantástico existente no universo de Chambers.
O quinto conto, “A demoiselle d’Ys”, o qual faz parte do segundo grupo de contos, chamado de grupo de transição, é um conto sobre um viajante e uma jovem senhora que ele encontra ao explorar uma região que por ele não era bem conhecida, tratando-se de uma história na qual ainda impera o fantástico, porem o suspense e o leve terror existentes deixam de estar em primeiro foco para serem substituídos pelo romantismo. Creio eu ser o conto mais lindo do livro.
O sexto capitulo, um capitulo chamado de “O paraíso do profeta”, é uma série de poemas curtos, aos quais em muitos dos outros contos existem referencias. Sinceramente, de longe o capitulo menos favorito do livro.
O sétimo conto, e o primeiro do grupo realista, chamado de “A rua dos Quatro Ventos” trata sobre o jovem artista Severn, e a idealização sobre como seria a dona de um gato que em seu apartamento aparecera, um conto romântico com um leve toque de insanidade.
O oitavo conto, chamado de “A rua da primeira bomba” é um conto mais longo, e um pouco mais voltado para o romântico, trazendo a história do Quartier Latin, o bairro onde, nele ou em suas proximidades, se passam grande parte dos contos apresentados no livro. Nessa história acompanhamos a vida de alguns dos moradores do local durante a guerra contra o império alemão, e ao mesmo tempo nos é apresentada a insignificância do homem perante o que ocorre a sua volta e o acaso.
O nono conto, chamado de “A rua de Nossa Senhora dos Campos”, é um belo conto romântico com uma carga de quebra de paradigmas e superação de barreiras sociais, passando-se no mesmo mundo e tempo do conto “A rua dos Quatro Ventos”. É um belo conto, mas a sua leitura foi um pouco mais cansativa.
O décimo conto, chamado de “Rua Barrée”, é mais um conto romântico, sobre um artista de coração e alma limpa na corrida pelo amor de uma misteriosa mulher, envolvendo varias pessoas presentes ao conto “A rua dos Quatro Ventos” e “A rua de Nossa Senhora dos Campos”. É um conto belo, mas que peca por cair no mesmo tom do conto anterior.
Quanto ao estilo de escrita, posso afirmar que é, em sua maioria, de fácil absorção e que prende o leitor em sua leitura, sendo que as poucas expressões em francês não traduzidas não causam dano a leitura. Pessoalmente, achei ser um ótimo livro, salvo pelo sexto capitulo, cuja leitura vale a pena, uma vez que este serviu de inspiração para grandes obras que atualmente existem, e pelo fato de ser um livro que, em um dia é possível de se ler inteiro sem ficar cansado.
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Maxwell 29/06/2016

Contos de Horror e amor
o livro é um compilado de contos do contos do autor. o livro abre com os quatros contos que tem a peça o rei de amarelo citada. seguido de um conto fantástico e mais uma série de quatro contos realista. As história do horror são boas, com destaque para o emblema amarelo. O conto fantástico A Demoiselle d'Ys me surpreendeu. Por fim, os contos realista, com excessão do primeiro, a rua dos quatros ventos, chamam pouca atenção. Outro ponto que merece destaque são as notas de Carlos Orsi que somam muito a leitura. achei que o teor romântico é mais presente no livro do que o horror.
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