Coração

Coração Natsume Soseki




Resenhas - Coração


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Liz 01/04/2012

Desafio Literário 2012 - Abril (literatura oriental)
Um clássico da literatura nipônica e com nada de especial em seu enredo. O protagonista, estudante universitário, vive sozinho em Tóquio e conta como foi o seu relacionamento com um ser muito reservado que sempre chamou de "professor". A diferença de idade entre os dois era grande e por isso suas opiniões, valores e prioridades muitas vezes não coincidiam; isso não impediu que os dois acabassem virando bons amigos, e o mais novo estimava muito mais os ensinamentos dele do que aqueles vistos em sala de aula.

Eu não tenho certeza absoluta se eu gostei ou não desse livro. Apesar da narração de Soseki ser muito fluida, eu demorei bem mais do que previ para terminar a leitura. O livro é dividido em três partes, e as duas primeiras até que foram bem tranquilas de serem lidas. Mas a última foi quase um sacrifício - nesse momento o professor faz um "pequeno" relato sobre seu misterioso passado que o tornou tão anti-social. Essa parte foi extremamente entediante, muitos detalhes poderiam ter sido cortados sem nenhum prejuízo. E, apesar de ele ter passado por maus bocados, pouco me afetou em minha opinião sobre ele.

Ao mesmo tempo, eu adorei como o autor falou sobre várias coisas de um jeito realmente atemporal. Muitos detalhes sobre a sociedade comentados durante a história podem falar tanto sobre o comportamento humano no Japão do século XIX como na Rússia no século XXI. Ele não fala sobre o pessoal da sua época, mas sim da humanidade como um todo.

Há uma parte em que um personagem descreve um triângulo amoroso do qual fez parte; não sei bem se foi a intenção do autor, mas fiquei com uma impressão muito forte de que, no final, o narrador dessa passagem queria ficar com a garota mais por um sentimento de competição com o outro menino do que por amor à ela. Achei isso brilhante.

Vi de relance na orelha e na introdução do livro muitos comentários sobre como os personagens e suas características refletem o Japão daquela época, seu imperialismo sobre os países próximos, e bláblábláblá...não digo que não seja interessante, pelo contrário. Só que, se você não se interessa por isso tudo, pode aproveitar a obra e suas mensagens sem problema nenhum.

Por fim, eu realmente estou com mixed feelings em relação a esse livro. Foi muito, mas muito entediante mesmo em certas partes; a história, até durante o clímax, pouco me interessou. Ao mesmo tempo, gostei muito das filosofias que pesquei. Mas a pessoa antes dessa leitura e depois não mudou nada. Acho que, com tantos elogios que vi sobre essa história, acabei tendo expectativas altas demais...

PS: Se você for ler, NÃO LEIA a orelha ou a introdução antes de terminar a história. A editora Globo, muito simpática, colocou por aí spoilers monstruosos.

Resenha completa: http://bit.ly/HK4hNs
Manuella 18/02/2014minha estante
Liz, valeu pela dica dos spoilers na orelha. Odeio quando uma editora faz esse 'desfavor' ao leitor.
Apreciei sua resenha.




PlissandrO 07/08/2010

Diferente, e muito bom
Natsume Soseki é um dos mais renomados escritores japoneses. Apesar de suas estórias serem contemporâneas ao escritor(início do século 20), seus temas são completamente atemporais. Em coração, mostra duas situações simultaneamente:
A do jovem que está prestes a se formar na faculdade, mas não escolheu seu futuro e a do velho senhor aparentemente antisocial que possui um passado misterioso.
O livro faz muito bem seu trabalho em contar o enredo de forma que o leitor não precise ficar voltando páginas para se lembrar de fatos préviamente mencionados e inclusive conta a história de forma que o leitor não vê a hora de descobrir o segredo do velho senhor. Porém podem se assustar os mais acostumados com livros ocidentais, pois a forma de contar difere da que estarão acostumados.
A crítica social presente no livro pode passar despercebida àqueles que não conhecem a história do Japão, mas não lhe faltarão em nenhum momento o entendimento do livro.
Ótimo livro, podendo ser comparado ao famoso Dom Casmurro(Machado de Assis) por possuírem vários pontos em comum.
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Gleici 09/04/2011

Um livro envolvente, cativante eu diria, que trás com uma naturalidade e simplicidade indescritível o interior de um coração, talvez até do coração da humanidade em geral.
Visivelmente muito bonito e com um interior de superior beleza.
Recomendado!
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Aguinaldo 02/02/2011

Coração
"Kokoro", coração em japonês, é o nome deste bom livro, escrito por Natsume Soseki, autor de "Eu sou um gato", que li feliz no ano passado. Coração foi publicado em 1914, mas tem a força dos livros realmente perenes, que suportam bem as viagens no tempo e no espaço. Li em algum lugar que Soseki teve influências semelhantes as de nosso Machado de Assis (Laurence Sterne por exemplo, ou ainda William James) e lendo este livro não tenho como discordar. É um livro bom de se ler. O enredo acompanhamos os sucessos de um triângulo amoroso que é contado retrospectivamente (e muito elipticamente, quase até o final), por um casmurro (porque não) senhor de meia idade para um jovem estudante universitário. Dois temas são importantes no livro: a relação entre mestre e discípulo, que mesmo quando dissimulada é marcante; e a rivalidade entre jovens pelo amor de uma mulher, mesmo quando ambos não sabem ao certo expressar se o que sentem é mesmo amor, ou apenas o desejo de partilhar ou competir por algo com o companheiro. No passado o sujeito havia sido enganado financeiramente por um tio o que tornou-o egoísta e incapaz de relacionar-se francamente com os demais. O sujeito conta aos poucos sua trágica história para o jovem, mas este é susceptível demais e se deprime com as tribulações alheias, afetando seu próprio comportamento. O sujeito não tem exatamente uma dúvida que o atormente (como no caso do Machado de Assis) mas se pergunta sobre cenários distintos para sua vida e do outro casal caso ele tivesse um entendimento melhor do que é mesmo a maturidade e o que é mesmo a capacidade de ouvir as pessoas que o cercam. "Escondi meus pontos fracos na palavra humano", ele diz. E é isto o que fazemos quando queremos escusar nossas misérias. No prefácio aprendi que o livro metaforicamente fala das transformações pelas quais o Japão estava passando, com a rápida industrialização alcançada após a restauração Meiji. Soseki critica também (metaforicamente) o progressivo expansionismo japonês, que levará o país posteriormente para os desastrs da segunda grande guerra. A edição é bem cuidada. O texto foi traduzido diretamente do japonês, há um bom prefácio assinado por um especialista na literatura de Soseki e curtas notas de rodapé dirimem os termos japoneses mais herméticos. Gostei do conjunto, das cerimônias de chá, dos jogos poéticos na casa rural dos pais do estudante, dos crisântemos em flor. [início 05/01/2009 - fim 07/01/2009]
"Coração: Kokoro", Natsume Soseki, tradução de Junko Ota, editora Record (1a. edição) 2008, brochura 14x21, 279 págs. ISBN: 978-85-250-3351-2
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Andréia Sk 24/06/2009

O título diz tudo: Kokoro/Coração traz, com detalhes, o que se passa no íntimo de nosso coração... Todas aquelas idéias que temos a respeito do comportamento dos outros, e até de nós mesmos, não passam de aparências... no fundo, só mesmo nosso Coração pode entender...
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Marlo R. R. López 30/12/2009

Eu diria que Coração é uma história bastante terna, bastante real e bastante simples, longe no entanto de parecer piegas.

Resenha completa em: www.artigosefemeros.blogspot.com
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jota 10/05/2015

Se oriente, rapaz
Pensei que fosse gostar mais de Coração, que fosse algo parecido com os livros de Junichiro Tanizaki, autor japonês que aprecio. Na verdade, gostei do início e do final – e atenção: se for ler, somente leia as orelhas depois de terminado o livro. Senão vai matar logo de cara um dos “mistérios” da obra. (Não, não as li antes e por isso teria achado o livro apenas bom).

Atravessar certos capítulos do meio da história, que tratam da vida rotineira dos personagens principais (mesmo que isso seja importante para o entendimento geral do texto), foi meio entediante por vezes. Certamente porque como ocidentais não temos a paciência necessária que acreditamos que certos orientais têm – não falo tanto dos japoneses modernos, mas das pessoas do tempo em que Coração foi escrito, mais de cem anos passados; o livro foi publicado pela primeira vez em 1914.

Resumindo bastante, a história de Coração é mínima: trata da amizade um tanto incomum entre um velho professor e um estudante universitário que conversam sobre a vida (não, o estudante não foi nem é aluno dele). Mas o livro não é exatamente - ou somente - sobre amizade e sim sobre o egoísmo humano, que pode levar a uma situação trágica e depois a um intenso arrependimento. Arrependimento que pode conduzir a outra situação extremada.

Gostaria de ter gostado mais de Coração, mas o problema é comigo não com o livro (e suas metáforas) ou seu autor, reconhecidamente respeitados por estudiosos da literatura japonesa e por muitos leitores. E finalizo com um pensamento de Roberto Kazuo Yokota, prefaciador da obra: “Apesar das pedras, talvez haja esperança no fluxo.”

Lido entre 03 e 10/05/2015.
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Emilio 29/03/2009

Para entender o coração e a alma
É um livro especialmente bom para entender o coração e a alma do japonês do começo do século, que de certa forma, se mantém até hoje.

http://estou-sem.blogspot.com/2009/03/livro-coracao-kokoro-de-natsume-soseki.html
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