Villette

Villette Charlotte Brontë




Resenhas - Villette


9 encontrados | exibindo 1 a 9


Naiara Aimee 04/10/2014

Um livro delicioso!
A ausência do sofrimento era a maior aproximação de felicidade que eu esperava conhecer
-- Villette Charlotte Brontë (pag 107)

Com certeza o que todos querem saber primeiro (pelo menos assim eu penso) é se Villette é melhor que Jane Eyre. Eu tenho uma relação muito especial com Jane Eyre, desde o momento em que ele chegou em minhas mãos, eu senti que ia gostar da leitura. Mas eu não gostei de Jane Eyre, eu amei; esse livro me mudou de várias formas, tocou minha alma e ganhou o pódio do meu coração, perdendo apenas para o livrinho de capa preta.

Então é difícil para eu dizer que qualquer livro seja melhor que Jane Eyre, no entanto, Villette consegue ser magnífico também. A história é muito bem desenvolvida (aliás, é uma autobiografia). A trama não gira apenas em torno de Lucy Snowe, mas envolve uma mocinha encantadora, linda e doce chamada Polly, uma das primeiras personagens do livro que no começo não chega a ser tão amável, porém é tudo isso em sua fase adulta. Envolve também um gentil, afável e charmoso médico, John Graham, por quem ela desenvolve uma paixãozinha (e eu também porque ele consegue ser maravilhoso?!). Todavia há também um professor nada gentil, bem grosseiro e que vive a zombar dela etc, por vários motivos, esse é o Monsieur Paul, que também se torna uma pessoa muito importante em sua vida.

Lucy Snowe fica por muito tempo trabalhando como professora em um colégio em Villette e lá ela tem que aturar muitas coisas desagradáveis por parte da diretora, Madame Beck. Lucy é obrigada a lidar com grandes tristezas e desafios, pois, como mencionado, o livro é uma autobiografia de Charlotte Brontë.

Se cada um tem um modo de enxergar as coisas, na minha visão a Lucy, apesar das adversidades, é mais humorada e mais respondona que a nossa Jane. Ela é simples, mas não é uma mulher fraca. Lucy Snowe, essa moça tímida que, presa em um sótão assombrado, tem mais medo de baratas e ratos do que de um fantasma, conquistou meu coração.

O livro em si não chega a ser muito romântico, explora sim o romance, mas não da forma como ele é explorado em Jane Eyre. Você sofre com a Lucy, você sente suas paixões, seus terrores, suas angustias, saudades, amores, você é Lucy, porque a Charlotte consegue fazer você se sentir o personagem, ela explora pontos tão verdadeiros, que é impossível você não conseguir absorver todos os seus sentimentos.

A minha rainha da literatura não me decepcionou. Villette é um livro delicioso, que você deve mastigar com calma e sutileza, para poder sentir a poesia das palavras em seu paladar e assim sentir o gosto esplêndido de sua genialidade.


site: http://literaturadeepoca.blogspot.com.br/search/label/Villette
Sissy 02/09/2014minha estante
Quero muito ler esse livro! O que você achou da qualidade da encadernação e tal? Vale a pena?


Naiara Aimee 02/09/2014minha estante
Sissy, a qualidade do livro é excelente, a capa é forte (não é dura, mas é um material muito bom), vem ilustrado e a tradução também é muito boa. Se você gosta de clássicos, gostou de Jane Eyre, certamente irá gostar de Villette ;)


Emanuelle Najjar 18/11/2014minha estante
Sissy, se você pretende comprar Villette eu sugiro a segunda edição. A pedra azul está para lançar ou lançou recentemente, não sei dizer. Não sei se é só o meu exemplar da primeira edição, mas no meu há problemas com as fontes utilizadas (em determinados pontos há fontes diferentes sem que haja uma explicação lógica) e outros pontos com problemas nas notas de rodapé. Pode ser que seja apenas o meu, mas provavelmente o segundo deve vir com mais coisas.




Coruja 03/11/2015

Levei quase dois meses para conseguir vencer as quase seiscentas páginas de Villette. Parte da culpa é minha: comecei o livro justo na semana da mudança de apartamento e para além do caos natural que se segue mesmo após todas as caixas terem sido desocupadas – você sempre acha alguma coisa nova para arrumar e trocar de lugar – teve férias, viagem, aniversários e confraternizações. Em suma, toda vez que eu me sentava e achava que ia conseguir avançar mais que uma ou duas páginas de vez, alguém me chamava para ajudar em alguma coisa.

Contudo, não foi só minha maneira truncada de ler o livro que atrapalhou. Villette é um livro complexo, e cheio de questões de levantam interesse, mas ao longo de pouco mais da metade do volume, quase nada parece acontecer: a narrativa de Lucy Snowe é uma longa procissão de acontecimentos que não parecem desembocar em nada. E assim é que passei uns quarenta dias para ler quatrocentas páginas, e quando a coisa afinal engatilhou, foram duas tardes para ler as últimas duzentas páginas.

A história segue Lucy, uma jovem inglesa típica, que após um longo histórico de perdas e tristezas, atravessa o canal para Labassecour – reino ficcional inspirado na Bélgica – onde acaba arranjando emprego como professora de inglês num pensionato para garotas.

Lucy é muito diferente de Jane Eyre, a personagem mais emblemática pela qual Charlotte Brontë ficou famosa. Em ambos os livros, são as protagonistas que narram a história, mas, enquanto Jane convida o leitor para perto, faz dele seu cúmplice, Lucy é oblíqua, desconfiada e parece estar sempre fugindo de fazer qualquer afirmação mais incisiva, diminuindo os acontecimentos de tal maneira que nos tornamos confusos sobre seus verdadeiros sentimentos.

É isso que acontece em seu relacionamento com o bom Doutor John Bretton. Ela dá a atender num suspiro que as atenções do médico tinham-na levado a devaneios românticos, e no parágrafo seguinte apaga todos os castelos no ar com uma mão descuidada, afirmando que tudo não passa de afeição inocente, fraternal. De princípio, afirma que no futuro, John a faria sofrer, e páginas adiante, é ela quem faz a ponte entre ele e a verdadeira musa do rapaz, tudo com o maior prazer e boa vontade em ver duas pessoas tão boas que se merecem, assim como todas as bênçãos com que são ambos cumulados.

Jane Eyre é um ser passional, que não esconde sua intensidade, enquanto Lucy Snowe se acomoda em sua existência e tenta reprimir a todo custo seus impulsos. E ela o consegue… exceto em alguns momentos, especialmente quando provocada pelo professor Monsieur Paul Emanuel.

Todas as melhores cenas do livro, na minha opinião, são as que apresentam Monsieur Paul – ou pelo menos tocam tangencialmente em sua existência. Ele é quase um alívio cômico em muitos pontos – por motivos que não sei explicar, a imagem dele na minha cabeça ficou igual ao do Hercule Poirot de David Suchet (até porque os dois personagens são belgas…) – mas, ao mesmo tempo, ele é um verdadeiro herói romântico: generoso e gentil, irascível e ciumento em alguns momentos, mas pronto a reconhecer suas falhas e fazer as devidas contrições, trabalhando nos bastidores para aplainar o caminho de Lucy.

Lucy me lembra muito a protagonista de Mansfield Park, Fanny Price. Ambas são, ao longo de boa parte de suas respectivas histórias, mais observadoras do mundo ao redor delas que agentes ativas de seus destinos. Mas quando afinal decidem tomar as rédeas de suas vidas, fazem-no de maneira espetacular. Lucy desafiando Madame Beck é Fanny dizendo não ao tio: elas deixam de serem peões para se tornarem jogadoras.

Como disse antes, não parece existir realmente um plot a seguir (e a ambiguidade do final quase me fez tacar o livro na parede, porque eu não queria acreditar no que era deixado implícito), mas Villette compensa muito pelo estudo psicológico feito de Lucy.

Charlotte Brontë explora bastante no romance questões de gênero, em especial os papéis impostos pela sociedade a cada sexo e também a independência feminina. Lucy não é uma mocinha protegida, tremendo diante das realidades do mundo, dependente do herói: por mais que se acomode em certos aspectos, quando é forçada pelas circunstâncias ela é capaz de tomar corajosas atitudes que rompem com o padrão da época – vide sua decisão de deixar a Inglaterra e seguir para Villette sem qualquer plano definido além de ‘procurar trabalho’ quando chegar lá. Ela é levada a essas decisões pelo desespero (ainda que tente ocultar esse sentimento), mas isso não diminui a importância de uma heroína com vontade própria e disposta a fazer o que for necessário para garantir seu sustento.

Há também o conflito cultural – Lucy não sabe francês quando chega a Villette e vai aprendendo aos poucos a linguagem. Suas origens, sua religião (ela é protestante, enquanto todos ao seu redor são católicos) e sua dificuldade com a língua forçam-na a um isolamento que a leva a determinada altura da história a um esgotamento nervoso.

O mais interessante do livro, claro, é a teoria de que mais que um romance, Villette é uma autobiografia. Charlotte foi uma criatura extraordinariamente sofrida e ela sabe muito bem emprestar esse sofrimento à personagem. Por mais que Lucy tente se reprimir, é impossível não perceber nas entrelinhas o quanto ela está cansada e esmagada por sua situação, pelas cobranças sobre seus ombros, pelas pequenas decepções que se sucedem sem parar.

Não é um livro fácil. São muitas as nuances e reflexões colocadas ao longo da história. Mas creio que valha à pena se aventurar pelos jardins e ruas de Villette, acompanhando Lucy em suas tentativas de encontrar seu lugar no mundo.

site: www.owlsroof.blogspot.com,br
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Danne ( Nas Entrelinhas dos Livros) 28/03/2016

Livro Fascinante
Olá pessoal,

Villette é um livro extraordinário. Não vou compará-lo com Jane Eyre porque cada um tem a sua personalidade, Jane Eyre é o mais famoso da Charlotte Bronte e sem dúvida é o queridinho da maior parte do público, em especial o meu sem dúvida. Porém, quero deixar claro que após a leitura de Villette confesso que meu coração disparou e se emocionou juntamente com a queridíssima Lucy Snowe. Eu terminei minha leitura com os olhos cheios de lágrimas e profundamente abalada.

Lucy Snowe é a heroína, uma mulher forte, inteligente e de sentimentos conflituosos que nos encanta nas primeiras páginas. Contada na primeira pessoa, a escrita é sublime reflete a poesia dos sentimentos e a riqueza de detalhes dos lugares visitados por Lucy e a complexidade dos personagens. A narração se divide em três volumes que são marcados pelas passagens e mudanças ocorridas na vida de Lucy e seus amigos.

A história inicia-se em Bretton, lugar que morava sua madrinha e seu filho Grahan.

Eu acredito que ela previa claramente certos eventos de que eu não suspeitava, sendo que uma leve suspeita seria suficiente para me transmitir imensa tristeza.

Um acontecimento trouxe para vida da família a menina Polly uma criança de 6 anos que alegrou a casa e seus companheiros, a sua passagem trouxe vida e preocupação para todos. No entanto, o futuro reservou uma linda história de amor. Lucy passa por vários sofrimentos e conflitos internos que a levam para um futuro incerto. Passado algum tempo e após longos anos, eles se reencontram e nossa heroína é apenas a coadjuvante nesta história que não deixa de causar um certo desconforto, que no entanto é recompensado pela felicidade dos amigos.

Uma fatalidade caíra sobre ela

Lucy Snowe é levada para uma cidade chamada Villette na França e recomeça sua vida num pensionato da Rue Fossette dirigido por Madame Beck, Lucy primeiramente é contratada como preceptora das filhas da Madame. Sobre Madame Beck:

A bruxa da decepção, do desapontamento acenava-se e sua alma rejeitou aquela intimidade. (95)

Após algum tempo, devido o seu esforço no aprendizado do Francês Lucy é contratada para ser a nova professora de Inglês no pensionato. Ela era profundamente triste, solitária e melancólica em vários momentos podemos perceber esses sentimentos aflorados:

Nunca tinha sentido na minha alma um tumulto tão contaditório, como nessa noite, durante uma hora: a dor e riso, a tristeza e a coléria compartilharam o meu coração. Eu chorei lágrimas de fogo (108)

Não abundava naquela casa bons sentimentos de qualquer espécie e aquela gota pura de uma fonte suave penetrava fundo, conquistando o coração e fazendo-me encher os olhos de lágrimas. (109)

No tocante, justamente em um momento solitário, de profunda dor e sofrimento Lucy tem o prazer de reencontrar sua Madrinha e seu filho, agora, o Dr. John Grahan por quem Lucy nutri uma paixão, que logo é esquecida devido a chegada de Paulina, a sua querida Polly.

Qual é o homem honesto, que ao ser casualmente confundido com um ladrão não se sente mais envergonhado do que lisonjeado. (sobre o Dr. John)

E é nesta fase que surgi um personagem que não estava esquecido, ao contrário se fazia presente com suas implicâncias e brigas com Lucy Snowe que pouco a pouco vai tocando o coração de Lucy. Mousier Paul no alto da sua confiança, arrogância e prepotência ocupar um lugar celebre da atenção, do carinho e da amizade no coração da nossa querida heroína. Mousier Paul Emanuel apesar de todos os exageros ajuda Lucy a crescer e se fortalecer.

Várias vezes tenho verificado que as pessoas mais intratáveis não são, de modo algum, as piores criaturas da humanidade, assim com as mais humildes não são as menos delicadas de sentimento.

Villette é autobiografico e esconde nas suas entrelinhas sentimentos que foram verdadeiramente sentidos por nossa querida Charlotte Bronte, e ao analisar nesse âmbito meu coração chorou e se emocionou pela profundidade de emoções contidas e que foram de certa forma vivenciadas e acrescentadas neste romance singular pela autora. Eu me sinto privilegiada de ler este livro e que vou guardar como um tesouro.

Há pessoas de quem secretamente fugimos, pessoas as quais pessoalmente gostaríamos de evitar, embora a razão confesse que são boas pessoas. Todavia há outras com falhas de temperamento e gênios bastantes evidentes que, ao lado das quais, vivemos contentes, como se o ar que as rodeia nos fizesse bem. (158)

Eu sem dvida alguma posso dizer que Villette mexeu comigo e me ensinou demasiadamente. Um livro extraordinário e na minha opinião foi escrito com muita maestria. Se eu já era fã da Charlotte antes por causa da Jane Eyre hoje sou mais. Uma delicia de livro que a Editora Pedrazul publicou para nós.

Eu li Villette em homenagem ao mês das mulheres para o Desafio Literário Skoob 2016 e para a I Dare You.

Como certas pessoas abrem caminho para um ponto que, para outras, parece inatingível.

Um abraço a todos

Daniela Correa

site: Http://danielacorrea2011.wordpress.com
Sam 30/10/2016minha estante
Ótima resenha....só deixou minha vontadr de ter este livro na estante mais forte ainda..


Sam 30/10/2016minha estante
Ótima resenha...me deixou com uma vontade ainda maior de ter este livro na estante...




Luciana Klanovicz 05/03/2018

Villette de Lucy Snowe - cinco estrelas
Escrevo essa avaliação ainda impactada do fim dessa leitura. Ainda estou a sentir os passos vacilantes de Lucy Snowe acostumada que estava de olhar pelos seus olhos e de sentir o peso opressivo dos silêncios e da solidão. Um mês para delicadamente contemplar essa riqueza de palavras ocultando gestos grandiosos em doses tremendas de humanidade e veracidade.
Lucy Snowe é uma das personagens mais reais que já li na literatura do século XIX. É de uma dureza grande observar, como ela fazia costumeiramente, os caminhos se abrirem sempre para os outros. Para nossa protagonista, ciente de seu duro destino, estava pronta de se fazer por si mesma. É de uma coragem contida que falo. Não é do tipo heroína arrojada (embora a considere muito arrojada para o período em que vivia), como bem somos em nosso interior. Heroínas contidas de nós mesmas, sempre prontas aos desafios do mundo masculino, o que é raro em livros clássicos onde a nobreza ganha seus contornos de protagonismo inato. Villette me ganha por me mostrar o oposto.
Já convencida me lancei pelas folhas para saber mais sobre ela. Sobre o peso da tremenda timidez diante das adversidades cotidianas, daquilo que escapava ao seu controle. Sofri quando ela se viu obrigada a "fechar os olhos" diante do sol que surgiu pela primeira vez em sua vida, das rejeições que rasgam o coração. Do apagamento sonoro da dor enterrada literalmente ao pé daquela árvore. Empoleirei-me ao lado de sua cama para ouvi-la falar das famosas cartas, das assombrações do corpo e da alma, dos arranjos de Madame Beck, e do amor que brotava lentamente com a figura impressionante de Monsieur Paul.
É um livro para se olhar, além do romance, acerca do caminho de uma jovem mulher sobrevivendo a tudo sozinha. Essa solidão perene de Lucy me desalentou por diversas vezes. E isso me fez ama-la ainda mais. Quis fazer dela minha amiga. Desejei a ela todas as boas venturas.
Lá pelo penúltimo capítulo senti todas as minhas preces atendidas. Chorei e sorri por ela, minha nova amiga, Lucy Snowe.
Esse livro é importante porque tantas razões, mas vou me deter apenas ao fato de que se trata de uma história de uma jovem sem amparos, em um país estrangeiro, vivendo em uma outra língua. Ela é de origem humilde, suas reivindicações e sonhos são mais próximos da realidade. Da dura realidade. A sua narrativa choca e nos aproxima. Faz com que deixemos homenagens a Lucy em nome de todas as mulheres que sobreviveram ao mundo cruel a partir de si próprias.
Nota importante:Sugiro que não leiam com pressa; Lucy Snowe tem o seu próprio tempo de leitura. Há que se aguardar para o deleite literário se firmar e nos envolver.
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Nat 10/07/2015

Luci Snowe é uma jovem inglesa que aos 23 anos não tem conhecidos e nem um meio de se manter. Ao viajar, ela consegue por “acidente” um emprego de babá em um pensionato francês. Mesmo sem saber nada da língua, Madame Beck a contrata, primeiro como preceptora de suas filhas, depois Lucy se torna professora de inglês. Apesar de ter que aturar coisas muito desagradáveis de Madame Beck, Lucy passa a gostar de sua patroa e até mesmo se afeiçoa a suas estudantes, exceto a Miss Ginevra Fanshawe, um “projeto de coquete”, jovem voluntariosa e materialista, que resolve brincar com as atenções que o médico John Graham lhe dispensa, quando na verdade ela está mesmo interessada no conde De Hamal. A vida de Lucy continua a mesma, sua inteligência e consciência da própria insignificância perante o mundo desperta a atenção de Monsieur Emanuel. Durante as férias, Lucy acaba se deprimindo por ficar sozinha no internato e sem saber acaba encontrando sua madrinha e seu filho. Feliz com o reencontro, ela também retoma relações com (não mais) pequena Paulina e seu pai, Monsieur De Bassompierre. As adversidades no caminho de Lucy não são poucas, mas os princípios inabaláveis da moça ajudam-na sempre.

Esse livro foi a minha primeira compra na editora Pedrazul. Tudo porque depois de ler Jane Eyre, também de Charlotte Brontë, eu fiquei com muito mais vontade de ler os livros das irmãs Brontë (exceto O morro dos ventos uivantes que eu odiei de todo o meu coração). Assim, quando a Pedrazul anunciou o lançamento, eu corri atrás. O acabamento é lindo, as ilustrações são perfeitas, a diagramação é uma das melhores que eu já vi. Eu só fui entender mais a introdução do livro depois que li ele todo. Um dos fatos mais importantes é que Villette é uma história autobiográfica, e através de Lucy Snowe e as dificuldades de sua vida, nós podemos entender um pouco da vida da própria Charlotte. Um clássico da literatura que eu recomendo para todos.

site: http://ofantasticomundodaleitura.blogspot.com.br/2015/06/villette-de-charlotte-bronte-dl-do.html
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GIZALYANNE 25/12/2018

Surpreendente!!
Nesta estoria conhecemos Lucy snowe uma jovem pobre porém muito determinada a conseguir os seus objetivos e para isso ela viaja para a França . Lá consegue emprego em uma escola , conhece pessoas e reencontra outras se apaixona se sente solitária e descreve seus sentimentos em relação as pessoas.
Eu gostei muito pois já havia lido uma biografia romanceada da autora , Diários secretos de Charlotte Brönte da Syrie James e pude identificar claramente as referências da vida pessoal que ela colocou no livro, também achei interessante como ela incluí várias referências bíblicas que eu consegui acompanhar pois sou cristã e leio a Bíblia mas não sei se uma pessoa que não vai compreender. O livro pode ser chamado de feminista pois a autora novamente como em Jane Eyre mostra uma mulher solteira lutando pela sobrevivência e não por um casamento. A personagem principal é uma professora e a estória se passa na sua maioria em uma escola . Em suma leiam é bom!!!
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Tamires 06/12/2016

Villette
“Villette é, de muitas formas, um romance delicado e deliciosamente difícil. Tudo o que diz respeito à sua heroína, Lucy Snowe, é encoberto por uma névoa de inacessibilidade e uma certa escuridão que sustenta a narrativa. Lucy se muda para a cidade fictícia de Villette, onde será professora de inglês em um internato. Ali, será confrontada pelos traumas do passado enquanto completa seu percurso de heroína, com os dissabores e conquistas de uma mulher vitoriana, mas eternamente atual. Uma obra-prima de Charlotte Brontë.” (sinopse)

Villete é um romance escrito por Charlotte Brontë, publicado originalmente em 1853, que narra a vida de Lucy Snowe, uma jovem de poucos recursos que sai da Inglaterra com destino a cidade de Villette e acaba tornando-se professora de inglês em um internato.

A história começa em uma visita de férias que a protagonista faz a casa de sua madrinha, a Sra. Bretton. Pelo olhar de Lucy Snowe, conhecemos a casa dos Bretton's e a pequena Polly, filha de um amigo da família. A menina desenvolve uma forte relação de amizade com jovem Graham Bretton, na época com 16 anos. A visita de Polly durou poucas semanas e também Lucy deixaria a casa da madrinha em breve.

Alguns anos depois desta visita, anos esses que Lucy não revela muito do que se passou, mas permite-nos saber que sua situação financeira não é das melhores, ela começa a trabalhar como dama de companhia da Srta. Marchmont, uma rica, porém reumática senhora.

“E, assim, dois quartos quentes e fechados se tornaram meu mundo; e uma senhora idosa e inválida, minha patroa, minha amiga, tudo para mim. Atendê-la era meu dever; sua dor, meu sofrimento; seu alívio, minha esperança; sua raiva, minha punição; sua apreciação, minha recompensa. Esqueci que havia campos, bosques, rios, mares, um céu sempre cambiante além da gelosia embaçada de seu quarto de inválida; eu quase me sentia contente por esquecer isso.” (p. 74)

Contudo, o destino reservara algo diferente para Lucy: com o falecimento da Srta. Marchmont, ela se vê obrigada a procurar uma outra colocação. A jovem, então, seguiu para Londres e, de lá, para Villette, no reino (de língua francesa) de Labassecour. Seus caminhos levaram-na ao pensionato de Madame Beck, onde, a princípio, ela ficaria responsável pelos cuidados com as filhas da Madame, mas depois acabou assumindo o posto de professora de inglês na escola.

“Digo novamente: Madame era uma grande mulher, e muito capaz. Aquela escola proporcionava a seus poderes uma esfera muito limitada; ela deveria ter conduzido uma nação: deveria ter sido líder de uma turbulenta assembleia legislativa. Ninguém poderia tê-la desencorajado, ninguém irritava seus nervos, exauria sua paciência ou ultrapassava a sua astúcia. Em sua pessoa, ela poderia ter abarcado os deveres de um primeiro-ministro e de um superintendente de polícia. Sábia, firme, desconfiada; sigilosa, astuta, desapaixonada; vigilante e inescrutável; perspicaz e insensível; e, além disso, perfeitamente decorosa; o que mais poderia ser desejado?” (p. 136)

Villette seria uma versão ficcional da cidade de Bruxelas, na Bélgica, onde a autora estudou com sua irmã Emily. Todo o romance tem elementos que indicam ser um relato autobiográfico de Charlotte Brontë e de posse desta informação o leitor torna-se ainda mais próximo da heroína Lucy Snowe, em seus devaneios e sofrimentos. As protagonistas de Charlotte Brontë, como eu tenho visto até agora, são mulheres a frente de seu tempo, como a autora mesma foi. Elas iam à luta, buscavam o seu sustento da forma que era possível, e tal atitude é exemplo para nós ainda nos dias de hoje.

“Não há nada como encarar tudo o que você faz com uma expectativa modesta: isso mantém a mente e o corpo tranquilos; enquanto as noções extravagantes podem levar ambos a um estado febril.” (p. 87)

No pensionato conhecemos também Dr. John, que ajudou Lucy em sua chegada a Villette e por quem ela nutriu sentimentos controversos, diria quase um amor platônico; Ginevra Fanshawe, um projeto de coquete que se diverte em um jogo de sedução envolvendo Dr. John e De Hamal, dentre outros. O personagem mais carismático e meu favorito neste romance é M. Paul Emanuel, que é um dos poucos, senão o único, a travar diálogos interessantes e estimulantes com Lucy. Ele é responsável pelas melhores cenas do livro e será muito importante na vida da nossa heroína.

Villette é de leitura mais lenta que Jane Eyre, romance mais conhecido da autora. Durante páginas e mais páginas a história de Lucy Snowe parece não avançar quase nada. Era o mar calmo na superfície com um turbilhão de sentimentos nas profundezas. Ainda assim, sabendo, como já foi dito, que trata-se de uma autobiografia de Charlotte Brontë, embora não com o compromisso de ser integralmente fiel a realidade, a motivação para prosseguir vinha até nos momentos em que desistir para retomar a leitura em outro momento apresentava-se como opção. Quando entendi o ritmo do romance a leitura fluiu melhor. Saber mais sobre uma mulher que mesmo com todas as adversidades e tristezas foi capaz de criar histórias que emocionam até os dias de hoje é recompensador. Charlotte Brontë é Lucy Snowe e Lucy Snowe é um pouquinho de cada uma de nós, mulheres.

“Seu tom é simultaneamente pessoal, profundo, altamente cultural e traz alguns indícios de feminismo, se fosse possível falar dele nesse período histórico.” (posfácio, por Lilian Cristina Corrêa)

A edição especial da Martin Claret conta com o prefácio de Lenita Maria Rimoli Esteves, uma nota da tradutora, Solange Pinheiro, e o pósfácio de Lilian Cristina Corrêa. Além do cuidado no acabamento do livro e da capa lindíssima, vê-se que a editora tem se preocupado em incluir em suas obras, sobretudo nas edições especiais, um material complementar que em muito enriquece a nossa experiência de leitura. Um ponto negativo para mim, mas que não diminui em nada o trabalho feito nesta edição, foi colocar todas as expressões em francês no final do volume. A tradutora optou por manter as expressões em francês no corpo do texto, para que este ficasse o mais próximo do original possível, mas teria sido mais confortável ter as traduções no rodapé das páginas. Contudo, entendo que isso poderia ser um problema no acabamento do livro, pois Villette segue o padrão das outras edições especiais das irmãs Brontë já publicadas pela editora, a saber: Agnes Grey, Jane Eyre e O Morro dos Ventos Uivantes.

Destaco, sem spoilers, que o final da história é bastante interessante. É um final diferente, digamos, dos que vemos em livros similares. Para os fãs de Charlotte Brontë e de uma história bem escrita, Villette é uma ótima pedida!

site: http://www.tamiresdecarvalho.com/resenha-villette-de-charlotte-bronte/
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Benditos livros - Luana 14/03/2019

Não curti , e fui pesquisar mais sobre a autora e o período escrito
O livro não é ruim, de modo algum.

Eu gostei muito do primeiro terço do livro, que nos mostra uma protagonista forte, que , sem familia, sofre com os obstaculos sociais e vai tentar a sorte em uma cidade no interior da França. Eu fiquei entediada com boa parte do livro porque a vida da protagonista é tediosa mesmo, e como narradora, ela não está muito a fim de dar explicações sobre o que se passa ao seu redor. Somente no terço final eu me vi engajada nos acontecimentos, e eu adorei o final do livro.

Como um todo, entendo a genialidade do livro como classico da era vitoriana, e para compreender tudo isso, eu tive de ler resenhas criticas a respeito do periodo e da autora. Acabei por descobrir que ela colocou muito de sua vida pessoal no livro, e toda essa pesquisa ajudou no meu entendimento do texto.

Quando você estiver encarando um classico, acho que uma pesquisa como essa ajuda muito na nossa compreensão. Quando li Morro dos ventos uivantes, fiz a mesma coisa e o meu entendimento e carinho pelo livro cresceu bastante.

Contudo, depois da leitura e da pesquisa de Villette, eu posso dizer que compreendo e valorizo o livro, mas que não gostei. Vida que segue
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Raquel 05/12/2016

Uma leitura densa, extremamente deliciosa e contagiante para o leitor!
Publicado originalmente em 1853, villette é considerado autobiográfico e foi o último romance publicado em vida de Charlotte Brontë. A protagonista feminina do livro, Lucy Snowe, é sozinha e precisa delinear seu próprio caminho no mundo. Num primeiro momento, aos 14 anos, a moça inglesa está estabelecida na casa da sua madrinha, a Senhora Bretton, que tem um filho, o carismático John Graham Bretton, e posteriormente também hospedará a peculiar criança Paulina, apelidada carinhosamente de Polly, que, diga-se de passagem, uma menina intensa, devotada ao pai e ao filho da sua anfitriã. Um pouco depois, o pai da pequena Polly vem buscá-la e Lucy também parte. O cenário descrito nesse momento é a rotina doméstica, a forma como a própria Lucy se comporta nesse meio onde é enxertada e os conflitos internos que irão amadurecer durante toda a narrativa.

"Eu não sabia, então, que a tristeza é o melhor sentimento para alguns espíritos, nem refleti que algumas ervas, embora inodoras quando inteiras, exalam perfume quando esmagadas”. (p.134)

Lucy é descrita como uma mulher calma, independente, inteligente com algumas dificuldades intelectuais para a aritmética, sem nenhuma beleza e sem parentes vivos. Embora geralmente reservada e emocionalmente controlada, Lucy tem fortes sentimentos e afeições para aqueles que ela realmente valoriza mesmo quando a austeridade não permite grande efusão de demonstração. Depois de uma série de acontecimentos pontuais relatados, decide encontrar meios de subsistência, sai da Inglaterra e vai para a França, se estabelecendo na fictícia cidade de Villette.
No inicio, ela começa cuidando de algumas crianças, tornando-se posteriormente professora de um internato para jovens, na Rua Fossette. E é exatamente nesse período, entre as paredes do pensionato de Madame Beck, o olho que tu ver, que a protagonista, também narradora, compartilha com o leitor seus dramas, sejam sentimental ou social (os vínculos estabelecidos durante esse período), as impressões sobre o ambiente e sua existência solitária, assim como, a formação de elos durante a extenuante estadia em Villette.

“Aqueles que vivem recolhidos, cujas vidas têm caído na reclusão de uma escola ou de outras habitações muradas e vigiadas, são susceptíveis de desaparecerem subitamente, por um longo período de tempo, da memória de seus amigos, os habitantes de um mundo mais livre. (p.231)"

Particularmente, achei sensacional a forma como a autora reintroduziu os personagens do inicio, assim como seu desfecho para a encantadora Polly e o Graham, a conduta frívola de Ginevra e a explicação nada sobrenatural para os episódios da Freira “assombrada”, o que contribuiu para a classificação do romance como gótico, assim como não poderia deixar de relatar a aproximação um pouco conturbada entre Miss Lucy e o instável Paul Emmanuel.
Villette é um romance rico em descrições pormenorizadas da psique feminina, suas batalhas na sociedade inglesa da primeira metade do Século XIX, assim como a luta cultural ao deparar-se com costumes ou preceitos religiosos divergentes dos ensinados no âmbito patriarcal, protagonizado pela figura do Padre Silas ao tentar converter a personagem ao catolicismo como solução para aliviar os pesos da alma. Lucy é uma personagem resistente, que carrega dentro de si paixões e anseios. O final ambíguo de Villette propõe ao leitor imaginar o destino da protagonista, embora pressuponha ou deixa a entender que uma grande tempestade interveio nos planos para a felicidade plena.
Em resumo, é uma leitura densa, não é um livro que você lerá em um dia, pois demanda tempo, concentração e degustação, mas extremamente deliciosa e poética; um relato dosado de sentimentalismo e realismo sobre os conflitos pessoais da moça inglesa, que contagia o leitor!

“O espaço em branco é sempre um ponto nebuloso para o solitário”. (p.232)
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