Mares de Sangue

Mares de Sangue Scott Lynch




Resenhas - Mares de Sangue


28 encontrados | exibindo 1 a 15
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Flávia Menezes 01/03/2019

Roubo em alto mar
Sem palavras. Estou sem palavras para essa sequência maravilhosa de As Mentiras de Locke Lamora. Assim como o volume que o precede, Mares de Sangue me arrebatou da primeira à última página e seria chover no molhado rasgar elogios para essa obra. Não preciso dizer nada a respeito da genialidade e originalidade de Lynch em criar uma história de fantasia como essa.
Aqui, acompanhamos nossos já queridos Lamora e Tannen em uma aventura em alto mar. Fugidos de Cammor depois de vários crimes que mancharam seus nomes para sempre, os dois amigos se instalam em Tal Verrar. Tentando viver de seus golpes, já que é isso que sabem fazer de melhor, são descobertos pelo Arconte da cidade, que os chantageia e os manipula para que trabalhem para ele. Tem-se início assim, uma aventura na qual Locke e Jean se verão envolvidos com piratas e criminosos de todo tipo, que porão em risco suas vidas e até mesmo a amizade de ambos. A situação piora quando os dois ladrões descobrem não saber nem o que significa bombordo e estibordo ou a popa e proa de um navio.
Possuindo uma linguagem muito mais fluída e fácil de ler do que As mentiras de Locke Lamora, este segundo volume da saga vai nos fazer viajar pelo mundo dos barcos a vela, dos piratas e viver mais uma vez as aventuras da dupla de picaretas mais amada da literatura.
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Lit.em Pauta 08/09/2018

Literatura em Pauta: seu primeiro portal para críticas e notícias literárias!

—> Os exemplos estarão em inglês, por causa da leitura ter sido da versão americana.

"Mares de Sangue, segundo volume da série Nobres Vigaristas, dá continuidade ao desenvolvimento de seus dois personagens principais, Locke Lamora e Jean Tannen, focando em sua conturbada, mas calorosa amizade. No entanto, a mudança de direção temática para pirataria não recebe a mesma atenção, sendo prejudicada por uma estrutura narrativa problemática.

A trama do romance segue os preparativos do próximo grande golpe planejado pela dupla de vigaristas: roubar Requin, o maior mafioso da cidade de Tal Verrar, que organiza com punho de ferro um cassino em uma torre sinistra. No entanto, mais forças da cidade possuem outros planos para Lamora e Tannen, levando-os a partir em uma viagem em alto-mar e engajar com piratas.

A frase que abre o livro já explicita bem seus elementos principais: “Locke Lamora stood on the pier in Tal Verrar with the hot wind of a burning ship at his back and the cold bite of a loaded crossbow’s bolt at his neck.”, situando o protagonista num cenário específico, prevendo a temática de pirataria com o navio em chamas e informando sobre o perigo iminente com a ameaça da besta. Poucas páginas depois, o próprio corpo de Locke é comparado às partes de uma embarcação (“His ribs stood out beneath his pale skin like the hull timbers of an unfinished ship”), tornando a imagem anterior ainda mais agourenta. Para piorar a situação do personagem, o romance também se inicia com uma possível traição de Jean, marcando um terrível golpe para ele.

O tema de Mares de Sangue certamente é a relação entre Lamora e Tannen, desenvolvendo sua união e mostrando seus diversos desentendimentos. No início, por exemplo, quando o protagonista está amargurado devido aos eventos de As Mentiras de Locke Lamora, Jean não mede esforços para conseguir revitalizar seu companheiro e fazê-lo recobrar a vontade de viver. O próprio Locke explicita a importância vital de Jean em sua vida: “Gods help me, I will never be better off without you.” As desavenças entre eles ganham destaque, portanto, por servirem como dicas para a motivação da traição, da mesma forma com que sua amizade continua sendo considerada uma fragilidade num submundo perigoso e inescrupuloso que não hesita em usá-la contra eles: “If either of you causes any trouble, I’m instructed to punish the other one”, os ameaçam em determinado instante. Por outro lado, os laços que os prendem servem como um contraponto positivo, visto que um funciona como âncora para o outro em meio a tanta atrocidade. Já seus insultos divertem pela frequência e pela criatividade: “You might still be a lying, cheating, low-down, greedy, grasping, conniving, pocket-picking son of a bitch”.

Como o título original do romance revela, Lynch continua trabalhando com a simbologia do vermelho como sinalizador de perigo: “Red seas under red skies” aponta não uma, mas duas fontes de perigo, refletindo a estrutura do livro. Pois, assim que os preparativos para o golpe em Requin estão sendo finalizados, a dupla é sequestrada e feita refém por um inescrupuloso político, que representa o segundo obstáculo que precisam superar. A própria cidade de Tal Verrar também trabalha com essa conexão com cores, sendo chamada de A Rosa dos Deuses, enquanto as perigosas vespas que os dois encontram em determinado momento possuem uma coloração avermelhada brilhante e o próprio navio que as transportam para Tal Verrar, e no qual Locke e Jean eventualmente partem para o alto-mar, completa o aviso, chamando-se o Mensageiro Vermelho.

Locke é um personagem curioso. Apesar de roubar e aplicar golpes, ele é gentil, torce sempre para o mais fraco e tem um senso de justiça social aguçado. A narrativa, entretanto, pesa a mão nesse último elemento, inserindo uma cena absurda, digna da série de filmes The Purge, quando o garoto se depara com nobres e comerciantes ricos jogando um jogo de tabuleiro com peças humanas (obviamente composta por pessoas miseráveis, que não ter onde dormir e muito menos dinheiro para comer), que aceitam ser humilhadas e torturadas física e psicologicamente sempre que são sacrificadas no jogo: “At the Amusement War they can do exactly what they want to do to the poor folk and the simple folk. Things forbidden elsewhere. All you’re seeing is what they look like when they stop pretending they give a damn about anything.” Tornando a cena ainda mais exagerada em sua alegoria política, a violência social não somente é tratada de forma mundana, como também comercializada, com leilões entre os privilegiados para decidir quem terá o direito de escolher a punição adequada – leilão em que até crianças participam, estimuladas por seus pais vestidos em tons de vermelho e ouro. Esses mesmos personagens ganham até espaço para se justificar, apoiados em uma noção de meritocracia religiosa, afirmando que aquelas peças estão lá por culpa e inabilidade delas mesmas: “That’s life, under the gods, by the will of the gods. Perhaps if they’d prayed harder, or saved more, or been less thoughtless with what they had, they wouldn’t need to come crawling here for Saljesca’s charity. Seems only fair that she should require most of them to earn it”. Trata-se de um capítulo inspirado, mas graças ao seu exagero, na forma de um sadismo puro e sem controle, ele foge do tom do restante da narrativa."

Participe da discussão, lendo a crítica completa em:



site: http://literaturaempauta.com.br/Livro-detail/mares-de-sangue-critica/
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Djulia Azevedo 04/07/2018

Surpreendente!
O autor realmente me surpreendeu neste segundo livro. No início, não estava gostando do ritmo do livro. As primeiras 80 páginas foram tão maçantes que quase parei a leitura por ali mesmo. Porém, um pouco depois disso a história começou a tomar rumos diferentes. Os nobres vigaristas entraram em situações totalmente inesperadas (por mim) e a velocidade com que os cenários e situações mudavam foi sensacional. O final então... Sem palavras...
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Camila Roque 11/05/2018

Do riso descontrolado ao choro desenfreado
Confesso que tenho todos os preconceitos possíveis contra “As mentiras de Locke Lamora”. Para mim, o primeiro volume da série Nobres Vigaristas somente fez tanto sucesso devido a uma estratégia de marketing muito forte, capaz de atrair leitores ao compararem/associarem Lynch com Rothfuss (é comum ver muitos leitores dizendo que As mentiras é tão bom quanto O nome do vento). Foi com esse sentimento negativo que comecei Mares de Sangue, através de um combinado de leitura coletiva com um amigo.

Acontece que o livro me surpreeendeu muito, mas muito mesmo.

O segundo volume de Nobres Vigarista é muito melhor que o primeiro, a história flui com naturalidade, a leitura é dinâmica e os personagens apresentam um desenvolvimento incrível! Impossível não simpatizar com o sensível Jean, ou com o inseguro Locke. Foi um trabalho encantador.

Outra coisa interessante foi a representatividade dos personagens. Diversas mulheres fortes (capitã Drakasha que o diga), que nos fazem sentir orgulho e que não precisam nem um pouco de ajuda. E negros também (Drakasha again, ò mulher), com papel central na trama ou personagens de muita força, como o jabril. Eu realmente gostei desse aspecto, sendo a Drakasha a grande personagem construída no livro, por ser, ao mesmo tempo, uma mãe sensível e capitã de navio temida, sagaz.

Como dito anteriormente, outros aspectos dos principais Jean e Locke também ficam em evidência. É possível acompanhar o crescimento dos personagens, sentir a força da amizade entre os dois e realmente se emocionar.

E falando em emoção… bem, acho que tenho andado insensível porque há tempos que eu não me via tão enredada por uma estória. Em Mares de Sangue foi diferente, pois lembro-me que numa quarta feira eu voltava para casa rindo, leve, das respostas do Locke e já na quinta eu voltei aos choros… é impossível não se emocionar com uma passagem específica do livro… um daqueles momentos em que você é obrigado a suspender o rosto da página, olhar para qualquer outra direção (mesmo que no momento você não esteja enxergando ou ouvindo nada ao redor) para tentar digerir o que acabou de acontecer e quais os impactos disso. E então você vê que as lágrimas se formaram nos cantos de seus olhos, mesmo que involuntariamente, por todo o sentimento criado por aquela personagem, por sentir mesmo que somente um milésimo da dor dela, através da empatia. Sinceramente, obrigada Lynch por proporcionar esse momento caro e obrigada Alves Calado pela tradução primorosa.

Acho que não tenho mais nada a falar do livro… muito sensível ainda ao capítulo 15/parte 1 do capítulo 16. Simplesmente impossível de largar ou esquecer.

Se você como eu não gostou de As mentiras de Locke Lamora… bem, não tem problema. Dê uma chance a Mares de Sangue que não irá se arrepender.
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Bianca.Bonami 01/05/2018

Oh. My. Goddesses.
Acho que nunca vi uma história com uma reviravolta tão grande, nem tão ineperada.
Em Mares de Sangue, Lynch aprofunda ainda mais no relacionamento de Locke e Jean, os únicos Vigaristas que restaram, em suas desvnturas e situações de quase morte, tudo pelo golpe perfeito... e por suas vidas.
Temo dizer que o segundo livro sobrepuja o primeiro. Mas meu coração ainda não se recuperou do final, e quero uma continuação.
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Luan 19/01/2018

Mares de Sangue é chato, mas ainda mostra a mente incrível de Scott Lynch
Um livro é ruim ou a gente é que cria altas expectativa – seja por comentários de outros ou por um livro anterior a ele – e acaba se frustrando? Me deparei com esta pergunta, novamente, ao fim da leitura de Mares de Sangue, o segundo volume da trilogia Nobres Vigarista, e que é sequência do ótimo As mentiras de Locke Lamora. Não sei se consigo responder a esta questão. Mas o fato é que Mares de Sangue não chegou nem perto do primeiro, me deixando rapidamente chateado.

Nesta sequência, o leitor é convidado a acompanhar a história de Locke e Jean tempos depois dos episódios derradeiros do primeiro volume da trilogia. Agora que fugiram Camorr, eles precisam arranjar um lugar para ficar – e aplicar seus golpes. Este local é Tal Verrar. Lá, a dupla voltará a aplicar seus golpes. Mas, não espera, no entanto, que será vítima de uma armadilha que vai colocar ambos no meio de uma grande trama conspiratória.

O livro, ao mesmo tempo que mantem a qualidade do primeiro em vários aspectos, apresenta algumas situações chatas e, por vezes, entediantes. A bem da verdade, o livro todo soou como desnecessário. O plot central até pode parecer interessante à primeira vista. Mas não é. Além de não dar uma sequência de acontecimentos de "As mentiras...", já que o arco foi fechado lá, a aventura principal, aquela trama cujo os protagonistas acabam se metendo, soa artificial e para encher linguiça, no jargão popular.

Quando começa, apesar de um pouco lento, o início parece promissor, apresentando inclusive bons personagens novos. Logo somos apresentados a um grande golpe que está sendo orquestrado pelos dois. A sensação é de que, apesar de ser mais do mesmo, vem uma boa aventura, pois a história contada neste exato momento é interessante. Além disso, intercalando com isso, há capítulos de dois anos atrás, que mostram Locke e Jean chegando a Tal Verrar, o que faz o ritmo cair rapidamente. E o que se segue dá uma grande guinada no livro, o tornando ainda mais maçante. Com isso, boa parte dele vai se passar dentro de um navio. Mas vamos por partes.

O autor Scott Lynch tem uma mente poderosa e incrível em se tratando de criar história para os dois criminosos. Os golpes são detalhados e muito bem construídos. Posto isso, a parte em que ele quer dar um golpe da Agulha do Pecado enche os olhos. Até a parte em que um outro líder verrari aparece na história e o coloca como vítima de uma trama diferente. Parece que houve uma ruptura. É possível dizer que parece que se inicia um outro livro, embora aquela outra trama ainda esteja presente. O problema é que esta segunda parte é chata. Com termos técnicos em excesso e uma história sem muito foco, ela vai fazendo o leitor perder o interesse. Não poderia estar mais desinteressado com aquelas tramas da metade em diante.

Mas tirando isso tudo, é preciso destacar que, além do poder do autor em criar as histórias, como já dito acima, a escrita e o diálogo são o forte do autor. Poucos autores têm esta precisão e cuidado com a escrita. É poética e ao mesmo tempo forte e precisa. Os diálogos não são nada artificiais, mesmo se tratando de uma fantasia. É muito prazeroso acompanhar o livro a partir deste ponto de vista. Soma-se a isso os personagens. Além de Locke e Jean, que tem na obra um teste colocado à prova em relação a amizade, e que estão muito construídos, outros tipos. Vilões de grande qualidade, personagens que aparecem em vários momentos bastante profundos e reais.

Em suma, um livro de contrastes. Que mantem a qualidade de escrita e construção de mundo – que, aliás, para não me alongar, é algo positivo que acontece neste livro, já que Scott nos mostra muito mais desse universo criado, que antes não conhecíamos - mas acaba por decaindo em dar uma sequência à altura ao primeiro livro da trilogia. O que Scott construiu foi brilhante e grandioso e tem um produto incrível para dar um final de tal tamanho também. Espero que República de Ladrões supere Mares de Sangue nos traga uma trama tão interessante quanto foi em As mentiras de Loke Lamora.
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João Vitor Gallo 19/06/2017

E eis que voltamos aos golpes e embustes de Locke Lamora e de seu comparsa Jean Tannen, e desta vez os Nobres Vigaristas apostam alto, içam velas e navegam por águas estranhas.

Após os acontecimentos do livro anterior, quando Locke e Jean se tornaram “personae non gratae” em Camorr e se viram obrigados a abandonarem a cidade, a dupla de vigaristas decide que essa pequena inconveniência pode ser uma bela oportunidade para respirarem novos ares, conhecerem outros locais fascinantes, algumas pessoas interessantes e então roubá-los, e o alvo da dupla desta vez é a bela cidade de Tal Verrar, onde fica localizada a Agulha do Pecado, a mais famosa casa de tavolagem do mundo, onde ser pego roubando no jogo significava a morte, algo que para os nobres vigaristas soa mais como um irresistível desafio do que um severo aviso ao qual pessoas bem ajustadas e sensatas dariam ouvidos.

Após dois anos de planejamento meticuloso, quantias substanciais de dinheiro e de tempo gastos e um pouco daquilo que eles mesmos chamavam de “métodos discretamente não ortodoxos”, a dupla vai aos poucos subindo aos níveis mais altos da casa de jogos até que enfim conseguem chamar a atenção de Requin, o senhor da Agulha do Pecado, porém, quando achavam que tudo estava indo conforme o imaginado, seus golpes mais uma vez são interrompidos ao se verem presos a uma poderosa pessoa que sabe da vida criminosa dos dois e quer se aproveitar das habilidades de ambos, desta vez porém se trata de Maxilan Stragos, o Arconte de Tal Verrar, que deseja quem ambos instiguem uma nova onda de pirataria às costas sua cidade, uma vez que divida a autoridade de governo com o Priori, que era basicamente um conjunto de conselhos mercantis, mas com uma ameaça deste porte à cidade ficaria com o poder absoluto em suas mãos.

Poucas vezes precisei de tão pouco pra me tornar fã de algum escritor. A atenção aos detalhes ao criar um mundo vivo e dinâmico, aliada a uma invejável habilidade de escrita fazem de Scott Lynch indubitavelmente um dos grandes nomes da fantasia contemporânea, e nome certo ao procurar algum livro de ficção fantástica que vá te fisgar de primeira. Confesso que já estava ansioso pela continuação de um dos melhores livros de fantasia que li nos últimos anos, e as minhas expectativas foram todas recompensadas com mais um livro absolutamente divertido, surpreendente e que consegue expandir ainda mais esse universo fantástico que serve tão bem de palco para as trapaças e artimanhas dos Nobres Vigaristas.

O livro, de início, segue um ritmo bem parecido com As Mentiras de Locke Lamora, com Locke e Jean executando mais um de seus grandiosos golpes que beiram o impensável, tentando roubar o instransponível cofre da Agulha do Pecado, porém os acontecimentos acabam levando a dupla de golpistas a terem de desempenhar o papel de piratas, deixando a história mais presa ao Mar de Bronze, e nesse ponto há uma certa quebra no ritmo da narrativa, mas em nenhum momento se torna algo monótono ou cansativo, na verdade algo a ser dito é que a trama é sempre bem movimentada e não fica presa a um só evento, inclusive os Nobres Vigaristas tem de se virar para enganar três núcleos diferentes ao longo da história. Apesar de isso ser uma receita para o caos, de alguma forma Lynch consegue fazer com que tudo fique bem amarrado sem ter a necessidade de passar por cima ou abandonar algum acontecimento que tenha iniciado.

Em Mares de Sangue também vemos o mesmo recurso utilizado no volume anterior com pequenos interlúdios, desta vez focada nos últimos dois anos dos Nobres Vigaristas, quando eles fugiram de Camorr em direção a Tar Verrar e de toda a preparação do plano para efetuarem o roubo do cofre de Requin. Essas pausas na história também servem para aprofundar mais a relação entre Jean e Locke, já que ambos vivenciaram um período conturbado tentando lidar com as perdas que tiveram e a reação de cada um diante desse abalo que sofreram é algo que gera algum atrito entre os dois, aliás, a relação entre os colegas/comparsas e os diálogos entre ambos sempre rendem bons momentos e certamente são um dos pontos altos desse livro.

Lynch continua mostrando sua excepcional habilidade na construção de mundos, acrescentando detalhes que parecem dar uma vida própria a esse universo, e essa atenção a cada ponto é vital para que se possa construir uma sociedade rica e plausível, com seus artefatos intrigantes, locais fascinantes, supertições originais e até mesmo marcada por pequenos conflitos que acrescentam como plano de fundo, como é o caso da Guilda dos Escribas com a introdução da impressora naquela sociedade. A exemplo de Camorr e Veneza, Tal Verrar, “A Rosa dos Deuses”, lembra muito a Monte Carlo dos dias de hoje pela riqueza ostentada e a fama relacionada a uma casa de jogos, aliás, toda a série é marcada por ter uma cultura que remete ao Mediterrâneo, mais precisamente inspirada nos estados italianos na Idade Média e Renascença, seja pela relação de governo ou mesmo pela semelhança histórica, já que antigamente havia um Império que se dividiu em cidades-estados, o Trono Terin, exatamente como ocorreu com a queda do Império Romano, ou mesmo pela rivalidade entre essas cidades-estados.

Não há como não ficar fisgado pela forma como Scott Lynch tece suas histórias, mesclando um humor carregado de sarcasmo, personagens ardilosos, cenários fantásticos e reviravoltas surpreendentes. Apesar de ter adorado o clima que Camorr possuía, acho acertada essa decisão de cada livro promover uma mudança de cenário, algo que estimula a inventividade do autor e dá a possibilidade de se explorar outras cidades com suas particularidades e outras facetas dos Nobres Vigaristas, algo que estou ansioso pra ver nos próximos volumes. No geral é um livro que beira a excelência, ainda que pessoalmente eu tenha gostado mais do primeiro, mas Mares de Sangue tem tudo pra agradar a quem tenha gostado ou mesmo para conquistar de vez quem não tenha se encantado tanto por seu antecessor e certamente coloca um pouco de ansiedade pelo próximo volume da série, República de Ladrões.
“Que os ladrões prosperem. Que os ricos se lembrem.”.


site: https://focoderesistencia.wordpress.com/2017/01/07/mares-de-sangue-nobres-vigaristas-vol-2-scott-lynch/
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Dani 25/05/2017

3,5 - Esperava mais
Acho que acabei ficando um pouco desapontada por esperar mais desse livro.
Adorei o primeiro livro dos nobres vigaristas. Ele teve uma construção lenta , mas foi sempre interessante e a conclusão fez todo o investimento valer à pena.
O mesmo eu não posso dizer desse segundo volume. Apesar de ter também gostado e me divertido com a história, ele teve muitos momento extremamente lentos , ao ponto de eu ficar bem entediada.
A história começa bem, com um prólogo que me deixou imediatamente curiosa ( embora tenha ficado bem decepcionada quando esse prólogo é finalmente explicado mais ao final do livro. Sério que era só isso?) . Ela começa à ficar bem mais lenta no meio do livro e só volta à ganhar ritmo no final .
Gostei da introdução da pirataria, mas acho que talvez o autor tenha ficado muito tempo nesse enredo e tenha acabado se distanciado muito do enredo inicial do roubo. O excesso de termos náuticos também me cansou.
O final foi satisfatório e, em algumas partes, inesperado, mas ficou longe de alcançar o nível do primeiro livro.
Fernando Lafaiete 25/05/2017minha estante
Putz... pretendo ler pelo menos o primeiro livro ainda este ano. Quero muito gostar desta trilogia. Mas quem me conhece já me avisou que eu provavelmente vou achá-la mediana. :(


Dani 25/05/2017minha estante
kkkkk Será? O primeiro eu gostei bastante, mas dei 4 estrelas pq tem uma construção muito lenta. Uma coisa que me ajudou muito nesses momentos mais lentos dos 2 livros foi intercalar a leitura com o audiobook que tem uma narração excelente!


Gisele @abducaoliteraria 01/06/2017minha estante
Eu sou super suspeita pra falar dos Nobres Vigaristas porque gosto DEMAIS desses livros. Gostei da sua resenha e concordo com alguns pontos. O primeiro é sem dúvidas melhor, mas eu acabei adorando este também rs




Victor Vale 18/05/2017

Os falsários se enrolam com uma história muito complexas. As camadas de mentiras se enrolam no enredo tornando-o lento em sua segunda metade forçando uma conclusão rápida e conveniente demais. Porém, ainda é delicioso o espectro do falsário na fantasia.
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Mundo de Tinta 01/02/2017

Mares de Sangue
No final de As Mentiras de Locke Lamora (bem aqui tem a resenha), acompanhamos o sofrimento terrível imposto aos nobres vigaristas e o resultado de tudo no final. Jean e Locke conseguem fugir, deixando para trás dor e destruição. Partem em busca de um recomeço.
Chegam então em Tal Verrar, último local a oeste dito civilizado. E é lá que se localiza a Agulha do Pecado, casa de tavolagem mais exclusiva que há na cidade. Feita de vidrantigo, possui 45 m dos mais sórdidos, ilegais e arriscados jogos. Somente os mais ricos e poderosos tem acesso. Possui 8 andares e a cada andar galgado, o nível de dificuldade e risco dos jogos aumenta. É claro que os olhinhos de Lamora brilham ao ver a Agulha do Pecado, e sua mente ultra mega super maluca já começa a bolar um plano brilhante para se dar muito, muito bem.

Quer continuar a ler?
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Bjs

site: http://blogmundodetinta.blogspot.com.br/2016/04/resenha-de-tinta-mares-de-sangue.html
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Dhiego Morais | @liemderry_ 18/07/2016

Mares de Sangue
“— Se uma tempestade de final de verão vier até nós, estará se movendo para noroeste mais rápido do que podemos velejar para leste, logo teremos de passar por ela. Não adianta se esforçar para escapar, pois só iria nos deixar mais cansados. Eu vou fazer o máximo que puder, mas é melhor o senhor rezar esta noite na sua cabine por uma coisa.
— Para quê?
— Para que caiam gatos da porcaria do céu.”
Depois de derrotar o Rei Cinza em Camorr e perder tudo e todos os que os ligavam a cidade, Locke e Jean se veem em uma nova aventura, tentando esquecer o recente passado sangrento dos Nobres Vigaristas, partindo para Tal Verrar.
Pouco mais de dois anos se passaram, e, ainda que pensem ter deixado para trás seus inimigos, outros são mais tenazes e alimentam o momento em que poderão se vingar da dupla de ladrões, acreditando ser possível atravessar mais uma vez o seu caminho.
Agora, Locke e Jean têm um alvo diferente e não menos ambicioso. Na procura de um roubo perfeito, os remanescentes dos Nobres Vigaristas usam de todas as suas artimanhas e ensinamentos de Padre Correntes, além de seu mais puro instinto, almejando talvez, a joia mais preciosa de Tal Verrar: a Agulha do Pecado — a mais exclusiva casa de jogos do mundo conhecido, onde a pena para aqueles que tentam transgredir suas regras é a morte.
Liderada por Requin, a Agulha do Pecado permanece com o título de possuir um cofre ostentoso e inteiramente inexpugnável. No entanto, é este atrativo que leva a dupla a maquinar o plano ideal durante os dois anos em que se afastaram de Camorr.
Tentando permanecer entre as sombras, Locke e Jean não tardam a chamar a atenção de antigos e novos perigos, aguçando até mesmo, a atenção do Arconte de Tal Verrar, Stragos, um homem impiedoso, ardiloso e astuto de uma maneira que eles nunca enfrentaram.
“— Qualquer homem pode peidar num cômodo fechado e dizer que comanda o vento — comentou Locke.”
Em pouco tempo, o título do segundo volume se faz compreender, quando os Nobres Vigaristas mergulham em uma complexa intriga política envolvendo os homens mais poderosos da majestosa Tal Verrar. Ameaçados de morte, não lhes resta opção senão partir para uma delicada viagem em alto-mar.
É fantástica a mitologia engendrada por Lynch, que se deu mais liberdade, injetando uma dose ainda maior no mundo dos Nobres Vigaristas. Ciência e magia se entrelaçam de maneira fantástica, adornada e lapidada com o humor ácido tão característico de Lynch, À medida que se avança na leitura, fica nítida a pesquisa e o zelo na construção de uma obra que eleva Scott Lynch à vanguarda da literatura fantástica contemporânea.
“— Meus filhos realmente correm mais perigo do que algum pobre coitado convocado para lutar nas guerras de um duque? Ou alguma família miserável morrendo de peste devido ao fechamento do bairro pela quarentena? Ou morta depois de queimarem as casas até os alicerces? Guerras, doenças, impostos. Baixando a cabeça e beijando botas. Há uma quantidade suficiente de coisas famintas rondando a terra, Orrin. A diferença é que as do mar não usam coroas.”
Piratas, traições e reviravoltas, sangue, gargalhadas, criaturas sobrenaturais, roubos e diálogos espetaculares, intrigas políticas e batalhas em alto-mar, além de gatos! Essas são algumas das coisas que aguardam o leitor de “Mares de Sangue”.
“— Se virmos outra vela naquele horizonte, em qualquer direção, devemos persegui-la. Devemos provocar uma luta. Sabe por quê? Para ver se conseguimos pegar alguns malditos gatos. Antes que seja tarde demais.”
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Caroline 29/05/2016

‘Mares de Sangue’: os Nobres Vigaristas agora aprontam no mar
Queridos, se vocês gostaram d’As Mentiras de Locke Lamora – volume 1 da série Os Nobres Vigaristas –, vão adorar Mares de Sangue. Eu adorei!
Mas vamos tentar manter a calma, o decoro, e fingir que somos leitores sérios.
O livro Mares de Sangue, segundo volume da série Os Nobres Vigaristas, escrito pelo sensacional Scott Lynch – por quem eu já declarei devoção eterna, diga-se de passagem – e publicado pela editora Arqueiro não foi uma agradável surpresa…
Foi um estouro! Arrasou o meu coraçãozinho de leitora compulsiva! Quando eu terminei de ler, a minha vontade foi de abrir o livro novamente e ler tudo de novo.
Quando terminei de ler o primeiro volume, tive, sim, uma maravilhosa surpresa ao constatar que havia encontrado outro grande autor, a quem eu passaria a seguir os passos e acompanhar o trabalho. Mas, nesse segundo volume, eu já esperava excelência.
O que eu não esperava era que as minhas expectativas – já muito, muito altas – fossem superadas. Isso é algo raro – minhas resenhas são sempre muito elogiosas, porque eu me conheço muito bem e, na maioria das vezes que escolho livros para ler, eu acerto. Mas, acreditem, sou uma leitora difícil de agradar.
E é por isso que eu adoro o Scott Lynch!
A comédia inserida é apresentada com maestria – porque, na verdade mesmo, inserir o humor em qualquer obra literária exige habilidade e timing muito apurados, porque a comédia forçada torna a obra ridícula. E isso Lynch também trabalha com perfeição.
No entanto, não se deixe enganar. Esse livro não é uma comédia. Ela está presente, mas não é o foco. E o próprio título deixa isso evidente. Mares de Sangue é um nome, no mínimo, grave. Então, preparem os corações. Mais de uma vez, me peguei com os olhos cheios de água – já contei para vocês que eu sou muito chorona com livros e filmes? Vergonhoso, né? Mas sou.
Mais um motivo para eu adorar esse livro. O autor conseguiu me fazer sentir de maneiras diferentes – com risadas e lágrimas. Ponto para Lynch!

site: http://www.vailendo.com.br/2016/02/24/mares-de-sangue-de-scott-lynch-resenha/
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Anderson 31/12/2015

Continua dando um show!
Continua dando um show!

Bom, virei fã do Scott Lynch desde As Mentiras de Locke Lamora(primeiro livro da série Nobres Vigaristas), fiquei fascinado com a história, os personagens, o cenário...

Mares de Sangue, segundo livro da série, Lynch não deixou a desejar, a história continua com a mesma grandiosidade da primeira: bem escrita e imprevisível; com situações que faz o leitor pensar: fodeu!, como eles vão sair dessa?! Quando eu penso que vai acontecer uma coisa, acontece outra totalmente diferente. Hahaha! E é isso que me deixa com gostinho de quero mais, muito mais!

Nobres Vigaristas, seus mentirosos sacanas e ardilosos, como eu adoro vocês.

Bom, agora deixa eu ir para a República de Ladrões, terceiro livro da série.
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Livros e Citações 24/06/2015

Entrou para a prateleira dos favoritos!
Autor: Scott Lynch
Editora: Arqueiro
Páginas: 512
Classificação: 5/5 estrelas

http://www.livrosecitacoes.com/resenha-arqueiro-mares-de-sangue-scott-lynch/

Essa resenha contêm spoilers do primeiro livro!

Mares de Sangue é o segundo livro da saga Nobres Vigaristas. Após quase não saírem vivos da batalha brutal que ocorreu em Camorr, o vigarista Locke Lamora e o seu melhor amigo, Jean Tanner, fogem da cidade e desembarcam em Tal Verrar, uma cidade exótica que oferece várias possibilidades para continuarem sua carreira criminosa.

O alvo da vez é a Agulha do Pecado, a mais famosa e exclusiva casa de jogos do mundo, sendo que qualquer pessoa pega trapaceando é punida com morte, exatamente o tipo de desafio que Locke não consegue resistir. No entanto, existem forças ocultas trabalhando contra Locke e Jean e as coisas não vão sair tão bem como eles planejaram.


Sabe aquele autor que te deixa com raiva por todas as sacanagens que ele faz os personagens passarem, mas não te deixa largar o livro por um minuto porque você mal pode esperar para ver o que vai acontecer? Bem, Scott Lynch é esse cara e só digo que ele já conquistou um enorme espaço no meu coração e na minha estante.

A escrita de Lynch continua primorosa e a trama vai se construindo aos poucos, mas em nenhum momento a leitura se torna enfadonha ou cansativa. Ao contrário, os momentos de tensão e ação são diversos, me deixando ansiosa para terminar o livro e descobrir o que estava para acontecer. E para ajudar a aliviar a tensão há vários momentos engraçados e o sarcasmo rolou solto diversas vezes, principalmente se ele saia da boca de Locke Lamora, me deixando ainda mais apaixonada por esse ser irritante e arrogante, mas muito charmoso personagem.

Nesse livro, Lynch nos leva a aprofundar mais o mundo de Locke, construindo cidades que são tão ricas e envolventes como Camorr, cheias de costumes e tradições diferentes, mas não menos fascinantes e intrigantes. O local dos golpes desta vez é Tal Verrar, uma cidade portuária que parece calma na superfície, mas na realidade é cheia de segredos e armadilhas, algo que os vigaristas acabam apreendendo da pior maneira.

"Sabe de uma coisa? Eu apostaria que, contando as pessoas que estão nos seguindo e as que estão nos caçando, nós viramos o principal meio de emprego desta cidade. Toda a economia de Tal Verrar está baseada agora em foder com a gente."

Mas não é por menos, já que os vigaristas parecem fazer inimigos por qualquer lugar que passem; primeiro os nobres de Camorr, depois os Magos Servidores e agora Requin e Stragos. Assim, é interessante e engraçado ver nossa dupla favorita tentando sobreviver no meio de uma guerra silenciosa entre duas facções diferentes, a Priori e o Arconte, que querem por tudo o comando da cidade e não se importam de usá-los para chegar a esse fim.

Ademais, os personagens parece criar vida conforme a história vai desenvolvendo, principalmente nossos protagonistas, Jean e Locke, que tem sua amizade colocada a prova em várias situações, mas também vemos o amor e confiança que constitui uma das relações mais sólidas da história e da saga como um todo. E preciso destacar novamente como mulheres são tão bem representadas nas histórias de Scott, nesse volume nós temos Zamira Drakasha, a capitã do navio Orquídea Venenosa, e sua tenente Ezri Dalmastro, que são personagens apaixonantes, inteligentes e que várias vezes roubam a cena. E em vários momentos é reconhecido que mulheres desse mundo possuem os mesmos direitos dos homens e que não deixam nada a dever em relação a eles.

"Só temos duas leis. A primeira é: que os ladrões prosperem….mas a segunda obrigação é a seguinte: que os ricos se lembrem."

Locke Lamora nunca foi um Robin Hood e nunca fingiu ser, mas neste livros vemos o quanto a persona do “Espinho de Camorr” faz parte dele e quanto os nobres vigaristas são fundamentais em uma sociedade em que tudo parece ser corrupto, onde os menos privilegiados tendem a sofrer nas mãos daqueles que tem mais poder. Então não é por menos ser recompensador ver Locke destruir a cidade no qual os nobres jogavam de maneira cruel e perversa com os pobres, demonstrando que os personagens não podem ser os mais santos, mas também não estão imunes a injustiça.

Ao todo, volto a repetir que Scott Lynch entrou para os prateleira dos favoritos e mal posso esperar para ler a continuação. Minha única reclamação é que o autor resolveu que Nobres Vigaristas será uma saga de sete livros, numa vibe meio George R.R Martin, e paciência não é lá minha melhor qualidade. De qualquer forma, se você quiser ler um livro repleto de ação, aventura, mentiras, intrigas e planos mirabolantes e geniais, então eu recomendo muito Mares de Sangue.

Resenha por: Debora

site: http://www.livrosecitacoes.com
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