O Conto da Deusa

O Conto da Deusa Natsuo Kirino




Resenhas - O Conto da Deusa


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Lethycia Dias 07/08/2019

Uma história interessante, contada de uma forma que desanima
"O conto da deusa" recria um mito japonês sobre a criação do mundo e sobre o sentido da vida e da morte. Pelos olhos de Namima, uma jovem nascida numa ilha mística em forma de lágrima e destinada a se tornar uma sacerdotisa das trevas, nós somos introduzidos no ambiente dessa lenda e dos sentidos atribuídos a várias divindades e forças da natureza.
A história de Namima fala de amor, traição e vingança, assim como a história de Izanaki e Izanami, divindades masculina e feminina que deram origem ao mundo como o conhecemos. Quando Namima morre ao tentar desafiar seu destino por amor, ela é levada até o Reino dos Mortos, onde se encontra com Izanami e descobre por que a deusa foi transformada naquela responsável pela morte.
Comecei a ler com muita curiosidade, mas desde o início tive dificuldades para mergulhar na história. O ritmo nas primeiras páginas é bem lento, e a forma escolhida para a narração, com Namima já morta contando seu passado e antecipando algumas informações, me atrapalhou um pouco a me ambientar nesse universo.
É difícil saber de quem na verdade é essa história. Embora Namima seja a narradora na maior parte do tempo, há passagens no ponto de vista de Izanaki. E acho que a história dele e de Izanami é bem mais importante que a de Namima, que é usada apenas para levar o leitor até "perto" dos deuses.
Embora seja uma história muito boa sobre como o amor se transforma em rancor e depois em ódio; com um ponto de vista bem diferente do que estamos acostumados sobre as narrativas de origem da vida; e apesar de ter me dado várias reflexões sobre como o feminino ou a figura da mulher é associada a coisas negativas, acabou não sendo uma leitura muito boa. O final é bastante anticlimático, quebrou as minhas expectativas e me desanimou muito.
Essa foi a minha leitura de julho para o Desafio Leia Representatividade 2019, organizado pelo Blog Parênteses, em que deveríamos ler livros com protagonista ou autor(a) asiático(a). Não pretendo ler de novo.

site: https://www.instagram.com/p/B013fnaDdCZ/
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Metz 24/10/2018

O Conto da Deusa - Natsuo Kirino
O livro trata-se de uma releitura do conto de Izanagi e Izanami, como esses dois deuses atuaram na criação do Japão e como influenciaram nos personagens da história, onde o foco principal ocorrerá em meio a uma ilha localizada ao sul do Japão e na vida de duas irmãs, a mais nova chamada Kamikuu e Namima, na qual suas ações resultaram em um fim trágico.
É uma leitura simples e leve, a trajetória dos personagem se torna envolvente até a metade do livro para depois focar na história da criação e das divindades. Como o próprio livro diz é uma releitura, então muitas divindades não aparecem ou tem uma participação mais ativa, além das divindades principais.
Caso se sinta interesado por mitologia oriental, recomenda-se que leia um livro específico sobre o assunto, esse é um romance.
P.S.: Posso estar enganada mas acho que teve um erro mais para o final do livro, sinto que trocaram os nomes das divindades, pois a descrição que vem a seguir combina mais com o outro do que o que se refere. (mas nada que comprometa a leitura).
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Cleo 26/07/2018

Eu amo mitologias , mas esse eu não curti , chatíssimo
No começo achei ate interessante . Mas depois começou a ficar confuso e começou a nascer deus de cada movimento de outro deus , limpou o nariz nasceu um deus , tomou banho nasceu mais deuses , limpou os olhos mais deuses nasceram . Fora que a historia desses dois deuses que deram origem a tudo que foi deus ( confuso né ) é de amor e ódio , ciúmes e vingança . Achei muito chato , achei que teria guerras e lutas pelo poder , mas é só uma historia de vingança pelo abandono mesmo , uma deusa que foi abandonada e se recusa a perdoar. Basicamente isso . Achei q a senda da criação do Japão fosse mais "movimentada " . Livro muito chato , devo ter abandonado antes de chegar na metade . Tentei continuar , pulei para as últimas paginas e fiquei satisfeita . Foi bom enquanto durou .
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Kath 24/08/2017

Vingança, mitologia japonesa e a singularidade humana
Namima e Kumikuu são duas irmãs que vivem numa ilha ao sul do Japão medieval, Namima é muito apegada à sua irmã que lhe devota amor e companheirismo, pelo menos até seu aniversário de seis anos quando sua avó Mikura, chama-a de "impura" e diz que a partir daquele momento ela não pode mais tocar em nada de Kumikuu e nem mesmo dirigir-lhe a palavra. Confusa, Namima não entende o que está acontecendo até que sua mãe lhe explica as rígidas leis que regem Umihebi, a ilha onde ela mora. Kumikuu, a irmã mais velha, é yang protetora do sol, enquanto Nimima é yin a impura.
Quando Mikura leva Namima para reclusão para prepará-la para assumir seu lugar, é dever de Namima, a impura, levar-lhe a melhor comida todos os dias e jogar fora aquilo que a irmã não come uma vez que ela é a impura não pode tocar em nada que Kumikuu toque. A tarefa desgasta a menina porque sua ilha é muito pobre e pessoas morrem de fome enquanto ela tem que jogar fora todos os dias uma comida de alta qualidade e muito rara. Kumikuu dá uma escapadela para falar com a irmã e além de expressar sua tristeza pelo destino de Namima, confidencia também seu amor proibido por Mahito, cuja família - considerada amaldiçoada - é exilada pelos moradores e ele não pode sequer juntar-se aos homens para pescar.

Uma das capas japonesas do livro :o
Namima também é apaixonada por Mahito e quando o encontra furtivamente numa noite em que está indo jogar fora os restos deixados por sua irmã, não consegue negar-lhe a comida que ele lhe pede. Sua mãe está grávida e muito fraca porque ninguém consegue comida suficiente em sua família, que é responsável por oferecer as sacerdotisas auxiliares, como ela não dava a luz a uma menina ha muito tempo consideraram a família amaldiçoada e os exilaram. Ninguém na ilha podia ajudá-los ou mesmo dirigir-lhe a palavra. Com a esperança que dessa vez ela desse a luz a uma menina, Namima aceita ajudá-lo dando-lhe a comida que Kumikuu deixou, mas quando a mulher dá a luz é outro menino.
Atordoado, Mahito incita Namima a comer com ele a comida da sacerdotisa toda noite e, no envolvimento dos dois, eles acabam se entregando ao amor. Namima se preocupa porque infringiu todas as leis supremas da ilha: comeu da comida do oráculo sendo uma impura e teve relações com um homem amaldiçoado, se alguém descobrisse ela seria condenada a morte. Quando Mikura morre deixando para Kumikuu a incumbência da sacerdotisa da ilha, Namima acaba descobrindo seu sombrio destino como sacerdotisa das trevas, ela seria afastada de todos os moradores e confinada a uma cabana no cemitério onde passaria a vida cuidando dos mortos e guiando suas almas para a outra vida.
Assustada, principalmente por saber que estava grávida de Mahito (e a sacerdotisa das trevas tinha de ser virgem) ela implora para que não fizessem isso com ela, mas ninguém, nem mesmo sua família, mostra-lhe qualquer clemência. Não apenas cumprir seu papel com os mortos, mas em virtude da morte de Kumikuu ela também deveria morrer ainda que estivesse bem de saúde. Desesperada, Namima aceita fugir com Mahito para salvar a vida de sua criança e eles ficam por meses a deriva no mar em direção a Yamato, a ilha maior, onde recomeçariam suas vidas. Ela dá a luz a uma menina dentro do barco, mas é surpreendida pelas mãos do marido estrangulando-a e desperta no mundo dos mortos para servir a Izanami, a deusa dos mortos.
A partir daí segue-se um entrelaçar da vida de Namima com a vida da deusa e Izanaki, o deus que a condenou a permanecer no submundo pela eternidade e tirar, todos os dias, mil vidas. Namima se identifica com essa deusa cheia de ódio e amargura, atormentada para descobrir como está sua filha e a razão de Mahito tê-la matado, ela desafiará perigos de uma volta breve ao mundo dos vivos que vai mudar tudo que ela acreditava para sempre. As vidas de Izanaki, Namima e sua filha entrelaçar-se-ão de uma maneira que nem mesmo nós vamos acreditar.
Eu achei o livro muito bom, ele intercala a narração na primeira pessoa, por Namima, e terceira pessoa contando uma passagem de Izanaki como o "mortal" Yukinahiko. Há descrições e, a melhor parte, muito sobre as lendas e costumes do Japão medieval, gente é fascinante. Foi uma experiência única ler uma literatura realmente japonesa, eu tinha tentado ler A Imperatriz do chinês Da Chen, mas não rolou simplesmente, fiquei um pouco traumatizada, vou tentar voltar depois, mas a Natsuo certamente entrou na lista de autores que eu vou querer ler de novo. Em alguns momentos as descrições podem estranhar a nós ocidentais por não fazer parte do nosso cultural monoteísta, eu mesma fiz algumas pesquisas para conseguir entender o que se passava. O final do livro é agridoce, há umas coisas que não explicou direito (ou fui eu que deixei passar algum detalhe, não sei), mas no geral é muito bom! 4 estrelinhas de 5.

site: http://myrefuge-katharynny.blogspot.com/2017/08/o-conto-da-deusa-natsuo-kirino.html
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Helô 17/07/2017

Envolvente
O livro tem uma história envolvente, a leitura é simples, é muito boa as referências as lendas japonesas, porém não deixa de ser um livro infantojuvenil.
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Marina 20/06/2017

Peguei este livro pra ler porque amei os outros que eu já conhecia da autora (Do Outro Lado e Grotescas), mas este é um estilo bem diferente. É uma releitura de uma história folclórica japonesa, que fala sobre a origem do japão e do surgimento de divindades. Não deixa de ser interessante, mas prefiro os outros que li da autora.
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Nat 27/05/2017

Kamikuu e Namima são irmãs. Elas vivem com a família em uma ilha ao sul de Yamato. Kamikuu é a mais velha, e aos seis anos ela sai de casa para se preparar para se tornar o próximo Oráculo. Namima sofreu com a separação da irmã querida, o que ela nunca imaginou é que ela mesma teria um papel a desempenhar dentro dos costumes cruéis de sua gente. Pois aos dezesseis anos, Namima agora se tornou a guardiã do Amiido, local em que os mortos são enterrados. A obrigação de Namima, desse dia em diante, até a morte de sua irmã, a nova Oráculo, é velar pelos mortos. A jovem jamais imaginou que seria esse seu destino e se desespera, ainda mais por causa do romance proibido (e seu fruto) com o jovem Mahito, um jovem que faz parte de uma família de renegados. Eles fogem e Namima dá a luz uma menina, Yayoi. E mais uma vez sua vida dá uma guinada: ela é assassinada, sem entender por quê. No mundos dos mortos, ela descobre muito sobre os deuses, a criação do mundo, os acontecimentos de sua vida e finalmente assume seu papel como sacerdotisa das trevas e dos mortos.

Esse livro foi (mais ou menos) uma surpresa. Tenho ele na estante faz um tempinho, comprei por causa da capa e porque eu nunca havia lido nada de nenhum autor japonês. Li a sinopse e gostei, achei que devia guardar para algum desafio literário (e de novo, acertei). Confesso que no início eu li direto, não conseguia parar por causa das reviravoltas que esperava que acontecessem. E aconteceu uma, que me surpreendeu demais e fiquei sem saber o que esperar da história. É a partir desse ponto, em que a autora começa a falar dos deuses e da criação do mundo de acordo com lendas japonesas (eu só reconheci Amaterasu dos meus estudos antigos sobre lendas mundiais) que eu me perdi um pouco e comecei a achar a história arrastada. Depois que começa a mostrar a vida dos personagens, resultado do acontecimento-reviravolta, que a história volta a ficar emocionante. O engraçado é que você sabe que o tempo passa, mas não existem datas nem medições, então algumas coisas surpreendem quando você nota, por exemplo, o crescimento e nascimento de alguns personagens. Eu gostei bastante, o final foi inesperado, o que só acrescentou a história como um todo. Completamente recomendado.

site: http://ofantasticomundodaleitura.blogspot.com.br/2017/05/o-conto-da-deusa-natsuo-kirino-idy-2017.html
Kah Gessy (@naoeaterradonunca) 28/05/2017minha estante
Esse livro é ótimo, li faz algum tempo. E confesso que me encantei com toda a historia, a descrição dos ritos e folclore que envolve o fantástico do livro. Tudo muito bem entrelaçado e fluído.
=]




Key 24/04/2017

O Conto da deusa me arrebatou, achei a narrativa da autora brilhante e simples, apesar de se tratar de uma mitologia de uma cultura que não sou próxima, conseguiu me passar a beleza e profundida da história, sem ser muito simples, ao contrário a história proposta é bem intensa.
Apesar da beleza e intensidade da narrativa, que torna esse livro marcante, não é uma leitura fácil, a um pouco de thriller policial em como a autora descreve os eventos, gerando uma espécie de angustia, e por vezes ela reduz o ritmo e isso gera uma controversa sensação de impaciência aflita no leitor. Mas, avance principalmente depois da primeira parte da narrativa e será muito recompensado.
O livro é bem ambientado com descrições riquíssimas das paisagens, esse é um ponto que as vezes me incomoda em certos livros, mas nesse foi extremamente necessário para dar o tom da narrativa, pois as paisagens complementavam as emoções, geravam uma ligação do leitor com a trama.
Trata-se da história da criação do Japão e a história de seus deuses, pontuadas através da visão de Namina e sua irmã. Mais que um conto de mitologia, o Conto da Deusa desenha sentimentos como amor , traição, ódio, resignação, destino, morte e vida, yin e yang e a finitude da vida, bem como da criação e do perdão.
É incrível as emoções que são impressas no leitor ao longo da jornada dos personagens, a inquietação de que algumas coisas na vida são imutáveis e não há uma explicação razoável para tornar a realidade mais doce.
Existe uma crítica social a pobreza e como a mitologia e as tradições afetavam negativamente a vida das pessoas, e é bem chocante ter em mente que realmente o destino das pessoas eram decidido por esses critérios arbitrários.
Também nota-se o amadurecimento das personalidades dos personagens, e a dualidade dentro de cada um.
Um dos livros que mais me marcou, e indicaria sempre, Natsuo Kirino tem o dom de mesclar sentimentos que não te deixam abandonar a leitura, porém deixo a ressalva que não é uma leitura facilmente consumível, mas que vale muito a pena.
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matheus.sacramentooliveira 01/09/2016

Revirou a minha cabeça
Nunca tinha lido um livro que me pegasse de tamanha surpresa como esse, eu não sabia o que sentir - se era raiva tremenda, amor acompanhado de alivio pu mesmo - a historia me pegou de jeito. E os personagens são incríveis, adorei eles. Espero... melhor, correndo atras de mais livros da bela e incrível autora Natsuo Kirino.
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Dani-chan 06/02/2016

Belo e Trágico
Esse e o primeiro livro que leio da autora, sei que ela é famosa por seus policiais urbanos, mas nessa obra ela conta a história de Isaname, a Deusa do Mundo dos Mortos.

No livro conhecemos Namima, é pelos olhos dela que boa parte da história é contada. Na primeira parte ficamos sabendo que Namima está morta (isso é falado no primeiro paragrafo do livro) e ela conta como isso aconteceu, sobre toda a sua sina e de sua irmã Kamikuu de serem opostas. Na segunda parte temos a história da criação do mundo e dos deuses que criaram o Japão (consequentemente o mundo conhecido) Izanami e Izanagi, e a história dos dois é bem trágica e cheia de mágoas. E assim a história de Namima e Isanami vei se entrelaçando de forma tocante e trágica.

"... ela ficou associada apenas à metade escura: terra, mulher, noite, escuro, yin e, sim, degradação."

Foi difícil fazer esse resumo, porque já conheço a história desse deuses, sou apaixonada pela cultura oriental, e, sabe quando a gente sabe de uma coisa e acha um absurdo que os outros não, então, não sei até onde posso contar e não ser spoiler.

"Uma ferida nunca sara enquanto o coração se lembra da dor"

Adorei cada personagem dessa trama Namima, é um moça de eternos 16 anos, e tão jovem já aprendeu tanto, já Izanami é uma deusa de milênios de idade, tempo o suficiente para cultivar um ódio mortal, Izanagi é o deus da vida, e como tal é vibrante e encantador. Eu até consigo entender o porque de tanta amargura em Izaname estando presa no Yomi, enquanto seu marido vive livre, lindo e solto só colocando filhos no mundo.

"— Sempre existem venenos. Pode ter certeza disso. Se há o dia, há também a noite. E onde existe yang também existirá yin. Para cada frente um verso. Não há branco sem preto. Tudo na terra possui seu oposto, seu parceiro. Caso você fique imaginando o porquê, pense que se existisse apenas um não haveria nascimentos. No começo havia dois, e esses dois foram atraídos um ao outro e reunidos, e daí nós obtemos significado. Ou pelo menos é o que se diz."

A escrita de Natsuo Kirino é bem ágil, normalmente eu fico meio enfadada com descrições demais, a autora faz isso algumas vezes, mas não me senti entediada nenhuma vez, muito pelo contrário os lugares são tão lindos que é difícil, a parte da criação do mundo foi um pouco lenta, mas foi necessária. Outra coisa que costuma me deixar entediada é os devaneios do tipo 'ai, porque EU morri' e chororo, isso não acontece não existe chororos nessa história, mas sim ódio e vingança.

"... Izanami é sem dúvida uma mulher entre as mulheres. Essas provações às quais ela se submeteu, são as provações que todas as mulheres devem enfrentar."

No fim temos uma bibliografia com material de referência de órgão japoneses que cuidam e difundem a cultura de seu país.

Vou indicar o livro para todos, e principalmente para quem está afim de conhecer lendas e mitos de uma cultura diferente.
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Tammy 18/09/2015

O Conto da Deusa (Livreando)
O Conto da Deusa é uma obra que saí do cotidiano que a autora costuma escrever, nunca li nenhuma das outras obras bem conhecida da Natsuo Kirino, na verdade essa é a primeira, mas fui completamente tragada para o universo narrado sobre a mitologia que cerca a criação do Japão e suas ilhas.

Boa parte dessa história é contada através de Namima (mulher em meio às ondas), uma sacerdotisa da deusa Izanami. Izanami é a deusa que governa o Reino dos Mortos, e a trajetória de Namima até se tornar uma sacerdotisa aos dezesseis anos, é o que compõe esse livro.

Namima nasceu em uma ilha que era conhecida entre os homens por Umihebi, nome de sua família. Uma ilha que tinha seus próprios ritos e costumes, era considerada a ilha aonde os deuses chegavam e partiam por ficar mais perto do sol. Sua população era pequena e se sustentavam através das pescas e plantações. Não tinham muitas riquezas, mas abençoavam os deuses pelo lugar.

Namima tinha uma irmã chamada Kamikuu. Elas sempre foram bem próximas e se amavam por demais. Sua família era a responsável por gerar o Oráculo, uma sacerdotisa que era a responsável por orar pelos homens que iam para o mar e pela benção da ilha. Sua avó, Mikura-sama era a atual Oráculo, mas em breve teria que ensinar aquela que ficaria em seu lugar. Namima não tinha ideia do que o futuro reservava para ela e viu sua vida mudar de maneira que nunca poderia pensar.

"Mas como Mikura-sama podia olhar para mim e saber que eu era impura? O que me tornava impura? Essas perguntas me afligiam, e eu estava em tamanha confusão mental que não consegui dormir naquela noite."

Por tradição a escolhida para ser o Oráculo teria que ser uma mulher e Yang, uma sacerdotisa que governa o Reino da Luz, a que nascia depois era Yin, responsável pelo Reino das Trevas onde velava os mortos, e adivinhem quem Namima era das duas? Depois de descobrir que era uma Yin, Namima ficou completamente perdida, ainda mais que escondia um segredo de todos na ilha. Ela estava apaixonada por Mahito, um rapaz da família Umigame que era amaldiçoada por não conseguir gerar uma filhar para se tornar o Oráculo caso os Umihebi fracassassem, por isso, se descobrissem o envolvimento deles, os dois seriam severamente castigados.

A história narra toda a vida de Namima, do nascimento até se tornar sacerdotisa da deusa Izanami, a partir daí, passamos o conhecer o passado de Izanami junto com Izanagi, também chamado de Izanaki-sama, até o momento em que ela se tornou a responsável do Reino dos Mortos, cheia de rancor, ódio e desejo de vingança.

"Se dispomos apenas de uma vida, então um momento feliz é particularmente venerado."

Em O Conto da Deusa as histórias de Namima e Izanami estão completamente ligadas, durante a leitura, conseguimos entender o porquê. Izanami é uma mulher cheia de rancor e não está disposta a perdoar Izanaki pelo que fez há milênios atrás, sua sede de vingança e fúria e o que à move durante os tempos. Quando Namima chega, consegue entender a razão de Izanami ser assim e não a julga, até porque suas feridas são parecidas com a dela. E como Namima sofreu, nossa!

O livro tem uma narrativa de fácil compreensão, cada detalhe é explicado, o que faz com que o leitor, mesmo que não conheça nada sobre o Japão, não se sinta perdido. Natsuo Kirino desenvolve minuciosamente a história com intensidade, envolvem o leitor a cada parágrafo com sentimentos bem expressados. Não tem como não se comover com a história e com alguns personagens. Há também uma duplicada de sentimentos entre amor e ódio com alguns personagens, mas cada um foi delineado de maneira singular.

Para aqueles que têm curiosidade sobre a cultura japonesa e suas mitologias, esse livro é para você. Ele também traz o amor, o sofrimento e o engano a cada momento, mas com muito encanto e bem estruturado. Há algumas pontas que ficam soltas ao terminar o livro, mas nada que estrague toda a obra.

site: http://www.livreando.com.br/
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Adriana 30/08/2015

Desafio literário 2015
Natsuo Kirino é uma autora muito conceituada no Japão. Escreveu principalmente muitos policiais. O livro "O conto da Deusa" explica conforme a Mitologia Japonesa o surgimento dos Deuses, não sei dizer se a versão correta. A história é principalmente centrada em um casal seres divinos Izanami e Izanaki(acho que o correto seria Izanagi), eles foram responsáveis pela criação do Japão. A história destes se entrelaça a vida de duas irmãs Kamikuu e Namima, Sinceramente não sei dizer, se gostei ou não do livro, o estranhamento talvez tenha sido causado pelo "desconhecido", mas acho também foi interessante pelo fato de conhecer uma lenda de um país, onde eu tenho vários amigos. Confuso não é? rs
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Andrea 31/07/2015

Deusas e mulheres com um só destino
Natsuo Kirino é uma renomada escritora japonesa mais conhecida por seus romances policiais. Eu nunca li nenhum livro dela dentro desse gênero, nosso primeiro encontro foi mesmo com "O conto da Deusa". Nessa narrativa, nos são contadas duas histórias: a primeira, a respeito dos deuses Izanaki e Izanami - criadores de vários outros deuses do panteão japonês - e a segunda, fala a respeito das desventuras da narradora-personagem Namima e sua luta para conseguir justiça.
Àqueles que conhecem um pouco a respeito das culturas orientais já devem saber que nestas o papel das mulheres é o mais subserviente possível, é preciso lembrar que esse "conto" é permeado por uma atmosfera onírica e mitológica, não nos é mostrado com clareza em que época estamos e os nomes das localidades não condizem com as que conhecemos, nós imaginamos que a narrativa se passa no arquipélago japonês porque temos como pano de fundo a história de dois deuses venerados pelos japoneses. Namima nos diz ser habitante da ilha de Umihebi, lá existe uma tradição em que duas moças são escolhidas para serem sacerdotisas, uma da Luz e a outra das Trevas. A primeira possui todas as regalias possíveis e imagináveis, a segunda é totalmente desprezada e temida pelo povo e só existe porque é necessária para cuidar dos mortos. Quando a sacerdotisa da Luz morre a das Trevas também deve morrer...
Nossa Namima é, infelizmente, escolhida para ser a segunda sacerdotisa e sua irmã mais velha, Kamikuu, a primeira. Ambas sentem-se desoladas por serem afastadas, visto que nossa protagonista agora é impura. No entanto, esta não foi a maior desventura dela, Namima é traída por seu amado e acaba entrando no mundo da Deusa Izamani. Lá, só entram as almas desesperadas que não estavam preparadas para morrer ou que ainda não mereciam a morte. É na companhia da Deusa que nossa protagonista descobre todas as intrigas às quais fora submetida e sente um ódio terrível e mortal.
A única coisa que ela quer é justiça, e ao ouvir a história da Deusa, de como esta foi traída e descartada por seu marido, Izanaki, nós nos sentimos, juntamente a Namima, revoltados. Ambas querem vingança, ambas querem justiça, no entanto, há escolhas que não podem ser revertidas, e nem mesmo a Deusa da Morte é capaz de salvar-se desta.
Um livro surpreendente, com uma narrativa próxima a dos romances policias, O Conto da Deusa encanta e revolta na medida certa.

site: http://allumina.blogspot.com.br/
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