Pretty Deadly, Vol. 1

Pretty Deadly, Vol. 1 Kelly Sue DeConnick




Resenhas - Pretty Deadly, Vol. 1


2 encontrados | exibindo 1 a 2


spoiler visualizar
comentários(0)comente



Paulo 09/03/2018

Essa sinopse descreve perfeitamente do que se trata o quadrinho. Misturar velho oeste com fantasia é uma combinação maluca. Some a isto uma narrativa com elementos de realismo mágico e você tem algo complicado para trabalhar. Tentar algo novo é sempre desafiador e quando é bem feito produz um resultado surpreendente. Me recordo que quando li a sinopse, me interessei imediatamente. E não me arrependi do resultado.

O roteiro da Kelly Sue DeConnick é lindo. Uma escrita poética ao mesmo tempo em que consegue ser direta. Seja na construção de personagens ou no desenvolvimento da trama. E o melhor de tudo: é um roteiro fechado em si mesmo. Tem início, meio e fim. Alguns momentos da narrativa são incríveis como a contação de histórias no meio da vila. A fusão de elementos textuais com as imagens da Emma Rios dão toda uma outra camada à história. E eu acho que isso é o que faz de Pretty Deadly tão acima da média: um belo roteiro com imagens exuberantes. Ficaram algumas pontinhas soltas que a autora parece que vai abordar no segundo volume apesar de este não ser uma continuação da história.

Daí temos que falar dos traços lindos da Emma Rios. Ela soube captar muito bem a rudeza de um western a uma série de imagens que fazem com que a gente se lembre muito de Sandman. Ao mesmo tempo em que os quadros são belos, os personagens são repletos de personalidade. O olhar frio de Ginny, o rosto inocente de Sissy, a objetividade de Alice, a melancolia da Morte e o olhar compassivo de Fox. Ao mesmo tempo temos uma palheta de cores puxada para o amarelo e o marrom no começo, mostrando a aridez do deserto enquanto que no final essa palheta vai escurecendo com toques de laranja e até de um verde mais escuro. Essa mudança vem da proximidade dos personagens ao seu objetivo final e o encontro com a Morte. Emma ainda nos presenteia com páginas duplas inacreditáveis como as vistas em cima. A habilidade dela de preencher as splash pages com fundos lindos e o uso adequado dos balões produzem um efeito visual que chama a atenção do leitor.

"Nosso conto começa com uma grande beleza e uma grande injustiça feita a ela.

Atentem à canção de Ginny Face da Morte e como ela veio a ser um espectro de fúria contra homens que prendem e machucam quem deseja ser livre.

Tudo começou quando o Pedreiro tomou Bela como sua esposa. Ele rapidamente se tornou um tolo e a tornou uma joia na coroa de seu orgulho resplandecente.

Ele amou aquela garota desde que eram crianças, uma beleza maior do que sua pele. Mas, ele amaldiçoou aquela alegria quando ele a tornou o seu brinquedo para provocar os homens que a cobiçavam.

Mas, transtornado com o medo de perdê-la, ele construiu uma prisão de pedras para ela. Ela disse "Morrerei de desespero se você me colocar ali".

Se ao menos, ele a tivesse ouvido,
Se ao menos, ele soubesse. (...)"

Temos uma história sobre um homem que se arrependeu de seus pecados e busca a redenção. Uma decisão errada ocasionou toda uma série de problemas. Querer desejar o belo apenas para si enquanto faz com que outros homens cobicem sua joia é uma falha de caráter de muitos homens. Muitos de nós esquecemos que mulheres não são joias para seres ostentadas, mas companheiras para o resto da vida. O Pedreiro demorou muito para entender isso e acabou pagando de uma maneira cruel. Esse pecado acabou arrastando Sissy para o meio de todo esse drama pessoal. Lógico que o nascimento de Sissy é um mistério interessante de ser descoberto e vai surpreender a todos.

A história vez ou outra adota um tom que parece uma fábula. Isso porque muitos dos personagens tem nomes de animais: Fox, Bunny, Butterly. Existe uma espécie de moral sendo apresentada em todos os capítulos feita a partir de uma conversa entre Bunny e Butterfly. Claro que Kelly Sue dá uma distorcida nessa fábula ao introduzir um pacto fáustico no meio da narrativa. Para poder realizar o seu desejo, o Pedreiro faz um acordo com a Morte. Para isso tudo o que ele precisava fazer era realizar uma missão para a Morte. Mas, por conta de sua escolha, a Morte envia sua filha Ginny Face da Morte atrás dele.

Ao final da narrativa, veremos que os personagens precisarão fazer escolhas. Fox precisará escolher encarar algo que o persegue há muito tempo; Sissy precisará escolher o seu destino; Ginny, se a sua missão vale o sacrifício necessário e Alice o quanto ela deseja realizar sua missão. Todas essas escolhas parecem ser simples, mas nenhuma delas deixará os personagens ilesos. Todos sofrerão uma mudança a partir de suas escolhas. Gostei muito do final e da maneira como a autora chega até ele. É muito filosófico e representa bastante o que a personagem tentou contar em suas cento e vinte páginas.

site: www.ficcoeshumanas.com
Soares.Julio 06/04/2019minha estante
Gostei muito da sua resenha da obra. Pretendo ler em breve e não esperar que alguma editora brasileira traduza (embora vou ter que ler com um dicionario ao lado).
Seria mais interessante se você tivesse mencionado a incrível Jordie Bellaire. a colorista da obra.
Abraço!




2 encontrados | exibindo 1 a 2