O Açougue Maldito

O Açougue Maldito Luiz Augusto Pereira




Resenhas - O Açougue Maldito


7 encontrados | exibindo 1 a 7


Rodrigo Mozelli 18/08/2015

Este é mais uma excelente história nacional.

Escrita pelo professor de história Luis Augusto Pereira, O Açougue Maldito, como o próprio nome já entrega, é um misto de terror e suspense. Se passa no interior de São Paulo, na década de 70, durante a Ditadura Militar. A personagem principal perdeu os pais de forma trágica. Eles morreram em casa no interior, mas seus corpos sumiram e nunca foram encontrados. Ela estava na cidade grande nessa época. Nesse meio tempo, seu marido morreu de forma repentina e a deixou com seu filhinho Flávio.

Sozinha no mundo, ela então resolve voltar para sua cidadezinha e tomar posse do casarão no qual os pais dela morreram. A cidade está diferente, com diversos desaparecimentos obscuros, todos estão com medo, inclusive do casarão. Ninguém se atreve a ir lá. No mesmo dia em que ela chega ao casarão, coisas sobrenaturais começam a acontecer. Os espíritos os mandam ir embora. Um gato preto comia uma carne estranha.

Mesmo assim, ela não desiste e permanece na casa. Ao descer a rua, reconhece um antigo açougue que fora fechado ainda na época em que ela morava na cidade. As carnes são sempre bem frescas e ela se sente atraída pelo açougueiro. Enquanto isso, os eventos em sua casa pioram, além de que seu filhinho desapareceu. Agora, ela terá que entender o que está acontecendo na cidade, em sua casa e encontrar o pequeno Flavinho.

A história, em si, é surpreendente. Confesso que não esperava o desfecho que ele teve e, mesmo quando estava próximo do final, ainda não acreditava que o fim seria o que eu li. Virava cada página esperando ansiosamente pelo o que poderia acontecer em seguida. A descrição das cenas são vívidas, incluindo o casarão, com aquela tônica de velharia, mofado, ainda com a "presença" (literal e no sentido figurado) dos pais da personagem principal. Além disso, o autor cita trechos da música Blitzkrieg Bop, da banda Ramones.

As únicas críticas que tenho acerca dessa obra são os erros de pontuação e alguns erros gramaticais que encontrei. Além disso, um mesmo fato é descrito mais de uma vez, às vezes da mesma forma que fora descrito anteriormente, às vezes com outras palavras. Não sei se isso foi intencional. Mesmo assim, esses detalhes são pequenos e não interferem em nada na grandiosidade da história, especialmente para os amantes de terror.
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Isaac Zedecc | livrosereticencias 18/08/2015

Resenha: O Açougue Maldito por Arte de Ler
 A obra retrata a historia de Rose Ramos, uma moça que se encontra em estado desolado que se muda para cidade em busca de qualidade de vida, mas o que encontra por lá é um ambiente tumultuado e assolado pela ditadura militar que não ira fazer bem para seu filhotinho Flavinho, que vivia sozinho com ela após o pai ter morrido durante uma partida de futebol, teve a ideia de voltar para a casa dos pais que ficava em uma cidadezinha, casa essa que foi local onde ocorreu um crime super misterioso onde o corpos dos pais nunca foram encontrados, a cidade toda está assustada quando percebe que Rose Ramos é a herdeira da casa misteriosa, Rose passa dias sendo atormentada por aparições, espíritos e assombrações pela casa avisando-a para ir embora imediatamente, mas Rosa não dá ouvidos e o pior acontece... Seu filhotinho, seu meu bem mais valioso e precioso desaparece juntamente com um carroceiro e uma faxineira que foram ajudá-la com a arrumação da casa... O que será que aconteceu? Será que Rose encontrará seu filhotinho San e salvo  ?Ela pressente o mal e vê que o açougue no fim da rua é o lugar onde todos encontram seu fim... O Local onde findam todos aqueles cartazes de desaparecidos...
Perfeitoo *---* 
Então,  o livro é uma ótima pedida para todos aqueles apaixonados por medo e suspense... O Luiz tem uma escrita leve que nos motiva a ler o livro com carinho, a obra tem pontos emocionantes, sensuais e em partes tem misturas de gêneros que é uma coisa que eu adoro muito. É um livro que te prende do começo ao fim, pode achar o começo um pouco chato como eu achei mas depois a historia se desenvolve super bem a ponto de você não querer que o livro acabe...
 A obra me conquistou e me assustou desde a capa assustadora até a ultima palavra...   MAS... Como tudo na vida, em O açougue maldito nem tudo são espinhos, de acordo com o Luiz Augusto a Rua do Arvoredo tem pontos mirabolantes e perfeitos para Rose Ramos e Flavinho se deliciar com os livros da Agatha Christie...

 Quotes : " O Calor era infernal. O menino ainda dormia será que ele estava bem ? "
 " Passou de novo o sabonete pelo corpo, nos seios fartos e de mamilos rosados, tentando fantasiar algum homem interessante, que estivesse em sua memoria "
 " O gato preto caiu de lado, arreganhando os dentes, fazendo aquele miado estridente, como se quisesse expulsá-la dos eu canto "

" Quando a voz de trovão dele ecoou no ar: - O que deseja ? Não posso atender agora, estou muito ocupado. "

Iai Galera ? Gostou ? Eu adorei fazer esta resenha... Espero que tenham gostado...
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Yara 17/08/2015

Resenha no blog Ilusões Escritas
Após o falecimento do marido, Rose decide se mudar da cidade grande, voltar para a cidade do interior onde viveu sua infância e onde pretende fazer seu filho Flavinho viver os melhores momentos de sua vida.
Mas ao chegar em sua antiga casa, a mesma em que seus pais foram mortos de forma trágica e de onde seus corpos desapareceram momentos depois de terem sido encontrados, ela percebe que a paz que tanto sonha ainda está longe de se tornar realidade.
A casa parece realmente mal assombrada, coisas estranhas acontecem o tempo inteiro e, em determinado momento, seu filhinho, aquela criança doce e linda, desaparece.
Rose, desesperada, saí procurando sua criança pelas ruas da cidade e descobre que o açougue da rua é um lugar muito estranho e que aquele recinto pode estar envolvido no sumiço de seu filho... O que não a impede de ir atrás da criança, é claro. Mas será que conseguirá salvar seu bebê?


Até pouco tempo não sabia da existência deste livro, mas assim que o descobri fiquei interessada pois não é o tipo de livro que estou acostumada e ando querendo sair da minha "zona de conforto", me arriscando em obras de suspense, terror (bem pouco!), policial etc... E quando tive a oportunidade de ler O açougue maldito, não hesitei em nada, afinal olhem bem o título do livro! *arrepiada* E, após concluir a leitura, posso dizer que, no geral, é uma boa obra "bruta", mas que seria ainda melhor se tivesse sido mais "lapidada", e com isso quero dizer melhor explorada. A ideia inicial, o enredo e o desfecho são bons, mas poderiam ser mais bem desenvolvidos, assim como Rose, a personagem principal, poderia ter sido melhor fundamentada e apresentada ao leitor.

Pude notar que o autor tem uma "veia" sentimental em suas palavras, diversas vezes adicionando frases mais marcantes e expressivas no enredo. Gostei bastante disso, pois torna a leitura mais intensa, porém se ele tivesse utilizado outras palavras, algo um pouco mais complexo, ficaria melhor. Como ele fez uso de um vocabulário extremamente simples ficou sem graça e essas "frases de efeito" ficaram um pouco deslocadas, perdidas e dissociadas do resto da história. Outra coisa que me incomodou um pouco foi a questão da revisão da obra. Ou a falta dela. Não existem muitos erros de digitação, mas sim de compreensão. Existem vírgulas demais em todas as frases, quebrando o pensamento e interrompendo a cena. Tive que reler diversas passagens por conta das vírgulas indevidas que me atrapalhavam a compreensão e cortavam a linha de pensamento. E o livro se passa na época da ditadura, porém não existe muito foco ou referências à isso.

Mais um aspecto que poderia ter sido melhor tratado no livro diz respeito à condução da história, que foi repetitiva. Por exemplo: o autor dizia que a protagonista saiu de casa com a intenção de comprar carne para o almoço, aí ela começava a pensar em como sua vida tinha se transformado devido à mudança da cidade grande para a pequena, e depois o autor retomava a ideia de que ela tinha saído de casa com a intenção de comprar a carne para o almoço. E eu já sabia que ela tinha saído de casa com a intenção de comprar a carne para o almoço, pois ele tinha me contado isso apenas algumas linhas acima. E então eu ficava confusa com essas constantes retomadas de assunto. Não existia a necessidade de tudo isso. Mas o bom da narrativa do autor foi ela ser em terceira pessoa, mas sempre focando em Rose e não fazer uso de muitos diálogos. O livro inteiro se parece com um daqueles contos de terror que o pessoal costuma contar no meio da noite, quando a energia elétrica acaba e se tem um amigo medroso por perto.

Mas eu disse que o livro era bom, não disse? Pois é, ele é. Não cheguei a ficar com medo de nada do que estava lendo nem mesmo no final, mas a curiosidade foi enorme. Fiquei muito intrigada com alguns acontecimentos, pensando "Mas que raios, como pode acontecer uma coisa dessas?!" e fazendo mil e uma suposições sobre o desfecho. Cheguei a acertar uma parte dele, mas a outra me surpreendeu bastante. E é por isso que eu indico o livro para quem se interessa pelo tema ou gênero. Porque raramente livros policiais ou de suspense me agradam em seu final e este agradou. Não foi algo totalmente inimaginável (se eu tivesse o mínimo de bom-senso teria conseguido chegar à conclusão antes mesmo de ler as explicações) e me deixou um pouco boba com o quanto o ser humano consegue ser detestável e destrutivo. Recomendo a leitura para que todos tirem suas próprias conclusões e deixo aqui a minha: é um bom livro, podia ser ainda melhor.
Quando estamos no escuro, com medo, é só acender uma luz, que todo o medo passa. O escuro provoca o medo, o pavor. (Pág 93).
PS: O autor me disse que, para a Bienal, preparou uma nova edição revisada e ampliada, então acho que alguns dos aspectos negativos que citei referentes à revisão estão resolvidos nesta nova edição. :D
PPS: O livro é baseado em um crime real, mas sua história é bem diferente do acontecimento em si.

site: http://www.ilusoesescritas.com/
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Hugo.Pereira 22/02/2017

O Açougue Maldito, Luis Agusto Pereira.
É uma história de terror, baseado em fatos reais, o “Crime do Açougue da rua do Arvoredo” em 1863, foi retratado nessa obra, porém, inserida no contexto do Regime Militar em 1976.
Com 224 páginas e 23 capítulos, a história se passa em 4 noites, sendo a protagonista Rose Ramos, muito bem descrita tanto fisicamente como psicologicamente. Inserido dentro do Contexto Militar de 64, a história ganha ainda mais suspense, juntando duas histórias mal contadas.
O livro nos trás diversos pontos interessantes e intrigantes, ao mesmo tempo em que o autor retrata uma história objetiva, nós leitores, podemos encará-la de forma bastante subjetiva.
O grande anseio do autor em querer descrever o possível e o impossível sobre sua personagem, preocupado desde o tom da pela até a maneira na qual Rose encara os problemas, somos levados a imaginar e tentar reconhece-la em nosso meio. E essa preocupação de descrever até o tom dos olhos, nos revela o carinho e a preocupação para com a personagem.
-O Bem foi muito bem descrito, já o mau, mal tinha rosto, insinuando para que desconfiemos de tudo e todos.
Depois de muito bem descrita no capítulo 7, somos inseridos no mundo misterioso da cidade misteriosa. Ou seja, depois de entendermos os jeitos e trejeitos da personagem, somos levados a ver o mundo em torno, desvendo a personagem para depois desvendar os mistérios.
A história vai se desenrolando, a personagem a todo tempo retoma momentos de medo e terror vividos naquele lugar, deixando claro o pânico vivido, e também ao mesmo tempo, traços de sensualidade e saudades deixa claro para nós a confusão mental que vivia.
Em relação ao momentos de pânico, muito bem descritos, com bastante carinho precisão.
E por fim. No começo da história é nítido, temos um narrador, as personagens, portanto, 3º pessoa. Porém, com o avançar da narrativa, essa distinção vai se perdendo aos poucos, e de uma maneira bastante intrigante, é difícil distinguir quando é a Rose e quando é o Augusto narrando a história. O Autor fica tão ligado, tão íntimo, toma para si o sofrimento dela, até que dado momento os dois tornam-se um; ou seja, no ato da escrita já se sofria junto com Rose. Essa sensibilidade é o que mais me chama a atenção.
Um livro muito bom, recomendo, e espero logo o segundo! Luis Augusto foi meu professor de Sociologia durante dois anos do ensino médio, e um ano lecionou geografia em meu período do fundamental. Conhecer pessoalmente o autor faz toda a diferença, interessante reconhecer traços dele em sua obra.
Professor Augusto, abraços!!!!
Hugo Pereira
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"Ana Paula" 26/07/2014

O Açougue Maldito é o livro de estréia de Luiz Augusto Pereira. Achei a capa do livro e a sinopse muito intrigantes por falar sobre a ditadura e claro o terror! Mas acabei me decepcionando um pouco, pois só senti medo mesmo no final! rsrsrsrsrrs

"Queria viver suas vidas em paz, longe de todo o tipo de confusão e transtornos. Talvez o exército estivesse metido naquilo tudo. Viviam num país fechado pelo regime militar. O exército costumava desaparecer com aqueles que não concordavam com o regime político instituído no país."

O livro começa com Rose Ramos chegando a uma pequena cidade no interior de São Paulo, onde decide morar com seu filho. Rose perdeu os pais à alguns anos e o marido também. Agora está sozinha com seu filho e quer a vida tranquila da pequena cidade para recomeçar a vida. A casa onde Rose vai morar é a mesma onde passou sua infância, mas está maltratada pelo tempo e pelo abandono, Rose fará o possível para deixar a casa apresentável novamente e viver tranquilamente com seu filho.

O que Rose não esperava, era que todos os boatos sobre a casa serem verídicos: fantasmas, assombrações, coisas mexendo sozinhas, passam a incomodar a nova moradora, que em apenas 2 dias de estadia na casa, começa a repensar se deveria realmente estar ali. E o açougue do outro lado da rua? Que segredos esconde seu morador bonito e atraente? Rose descobrirá da pior forma possível.

Eu gostei muito da ideia do autor em escrever este livro baseando-se em um crime que é real. Gostei também da abordagem sobre a ditadura na época e como política e livre arbítrio não se misturavam, mas esse tema foi pouco usado no livro, pequenos trechos apenas. A história também é muito diferente do crime verdadeiro, o que foi muito legal de se ler.

Mas algumas coisas deixaram a desejar: O autor é muito repetitivo durante o livro inteiro, batendo sempre na mesma tecla. A narrativa é em terceira pessoa, focando somente na protagonista, o que não foi ruim, ao contrário, o leitor sente na pele a incerteza, insegurança e medo de Rose. Mas a repetição de pensamentos e acontecimentos está ali, o que irrita um pouco o leitor. Outro ponto positivo, é que temos a impressão de estar ouvindo mesmo um conto da nossa avó, não há diálogos no livro, tudo é contado por uma terceira pessoa, fazendo o leitor lembrar de histórias e lendas de terror.

Como o autor já havia me avisado, a revisão tbm não está boa, muitos erros de concordância e acentuação, excesso de vírgulas e quebra de narrativa para o próximo capítulo. A capa é bem mole, o que deixa o livro aberto quando vc o manuseia muito. As folhas são brancas e as letras em um tamanho agradável que não prejudica a leitura. Os capítulos são curtos e não apresentam títulos, o que não acaba dando spoiler sobre o que vai acontecer! Apesar da história se passar em 1976, temos uma narrativa atual, sem palavras que possam dificultar a leitura. Outra coisa que me incomodou no livro foi as senas que deveriam ser sensuais, mas acabaram ficando sem sentindo perante o enredo que o livro apresenta.

"Ficou parada, tentando recobrar o fôlego. Alguém estaria lhe avisando de alguma coisa ruim? Seriam os espíritos dos pais que voltaram para lhe assustar, dizer algo? Estariam mesmo envolvidos com magia negra, ocultismo, e agora estariam com suas almas presas naquela casa?"

Outra coisa instigante no livro é a menção da banda Ramones, ler este livro ouvindo um bom rock é realmente uma experiência maravilhosa!
O autor já me informou que fez muitas alterações na próxima edição, então, quem tiver a oportunidade de ler, aproveite a leitura!

site: www.livrosdeelite.blogspot.com
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Fabiana Alves 27/07/2015

O Açougue Maldito de Luiz Augusto Pereira
Sabe quando você começa a ler um livro, e esse começa a ficar tão interessante que lhe prende a atenção de tal forma que logo nas primeiras páginas você quer saber o final da história?

Pois é, está foi a minha sensação quando comecei a ler O Açougue Maldito, livro de estreia do escritor e professor Luiz Augusto Pereira.

No início há pequenos erros de pontuação que acabaram dificultando um pouco a leitura, mas logo depois já não era mais perceptível. Os capítulos foram bem divididos, permitiram-me pausar a leitura sem prejudicar o sentido da história. Ou seja, poderia ler tranquilamente um capítulo inteiro durante o meu percurso ao trabalho (mais ou menos 15 minutos), na hora do almoço, de volta para casa.

Bem descritivo, o narrador-onisciente soube passar bem o enredo da história, usando o fluxo da consciência em determinadas partes. É possível sentir bem o que se passa com a personagem Rose, principalmente no penúltimo e ultimo capítulos.

Uma história de terror e suspense muito bem contada, cheia de detalhes e intrigante. Baseada nos fatos reais ocorridos na cidade de Porto Alegre, no ano de 1863 (uns dizem 1864), chamado de “Os Crimes da Rua do Arvoredo”, que nos deixa ainda mais boquiabertos. Rose, personagem principal, em meio a ditadura militar que assombra principalmente as grandes cidades, decide voltar a pequena cidade natal com seu filho de três anos após a morte de seus pais e de seu marido. A pequena cidade, até então bucólica, tem sofrido com sumiço de muitas pessoas, incluindo seus pais. Chegando na cidade ela se depara com muitos cartazes de pessoas desaparecidas. Ao se instalar na casa de seus pais coisas estranhas começam acontecer e a cada capítulo a tensão só aumenta.

Me fez imaginar um filme muito bem produzido com ótimos atores (desconhecidos para tornar mais real) em um cenário bucólico e ao mesmo tempo sombrio. Sem efeitos especiais, somente a boa e velha interpretação.

Enfim, livro indicadíssimo!

site: https://umpoucosobrequalquercoisa.wordpress.com/2015/02/11/o-acougue-maldito-de-luiz-augusto-pereira/
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Angelo Miranda 09/12/2015

Um terror baseado em fatos reais
O livro de terror O Açougue Maldito (224 páginas, Editora Lexia) é o livro de estreia do escritor Luis Augusto Pereira e foi escrito baseado nos crimes que ocorreram na Rua do Arvoredo, em Porto Alegre, no final do século XIX.

A história presente no livro não se passa no Brasil do final do século XIX. O autor, de forma genial, trouxe-a para a Ditadura Militar, período que por si só foi um período de terror. Utilizando-a como pano de fundo, Pereira conseguiu explorar o seu potencial para imprimir na sua narrativa esse momento de tensão, suspense e medo na história brasileira, complementado com muitas outras cenas que deixam qualquer leitor apreensivo.

A história narra a chegada de Rose Ramos a uma cidadezinha onde crescera com os seus pais, mortos sem explicação e cujos corpos nunca foram encontrados. Dos pais, sobrou apenas um casarão abandonado onde Rose Ramos passa a viver com o seu filho pequeno, mas a casa guarda para a dupla muitos momentos de angústia e medo. Se não bastasse, há ainda a figura de um açougueiro misterioso que tira a paz da protagonista.

O autor conseguiu dosar bem os momentos de terror psicológico e de um terror mais carregado de sangue. Outro ponto que eu considero relevante é o autor ter optado por uma protagonista feminina. De modo geral, escritores masculinos sempre optam por protagonistas do mesmo sexo. O sexo oposto é um desafio para a escrita deles, já que sentimentos, hábitos, pensamentos entre outras características das mulheres se configuram num terreno desconhecido, mas o autor parece conhecer esse universo, tão bem retratado na pele da personagem principal Rose Ramos.

Destaco também a força do argumento da história tão bem explorada pelo escritor ao longo das páginas. Pereira construiu basicamente uma história linear, cujos fatos vão se sucedendo um atrás do outro, com pouquíssimos flashbacks da protagonista, mas que quando existem, ajudam a delinear as características conflitantes da personalidade da personagem.

A história se desenrola de modo ágil a cada capítulo, deixando o leitor apreensivo em saber o que ocorrerá no próximo levando-o a não largar o livro por hipótese alguma até o desfecho surpreendente.

O principal ponto negativo do livro ficou por conta da má revisão que impediu uma leitura com maior fluidez. Há muitos erros de ortografia, acentuação e, principalmente do emprego de vírgulas.

Outro ponto importante é a necessidade de uma revisão mais apurada sobre a estrutura do texto, pois há muita repetição de expressões e palavras desnecessárias. Senti também a falta de mais diálogos entre os personagens. Quando isso ocorre, são sempre muito rápidos e superficiais. O autor poderia ter explorado o fato das pessoas viverem numa cidadezinha do interior para imprimir na fala dos personagens caracteres regionais. Ficaria bem interessante um contraste entre a fala da personagem principal, que morava na cidade, com as pessoas do interior.

Acredito que uma boa revisão para uma próxima tiragem deixará o livro muito melhor do que já é, aumentando o poder de provocar em quem lê, o medo e a angústia, companheiros dos leitores que se aventuram a ler "O Açougue Maldito".
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