Clara dos anjos

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Resenhas - Clara dos anjos


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Gloria Ferreira 30/10/2016

Então, no céu, também se encontram manchas?
Na lista dos livros que marcaram o Pré-Modernismo brasileiro, Clara dos Anjos, de Lima Barreto, reflete a sociedade carioca do início do séc. XX, acorrentada pelos preceitos de hierarquia de classes, ainda com cicatrizes abertas da escravidão, numa realidade onde brancos aristocratas se sobressaem aos negros dos subúrbios.

Encontramos em Clara, a personagem principal, a imagem de uma menina negra, pobre, inocente e superprotegida por sua família, que buscava preservar acima de tudo os valores morais e a honra de sua filha. A educação de Clara, que cresceu isolada em casa, sem muitos amigos, liberdade e contato com a realidade e do mundo fora das suas ilusões de menina, acabou por torná-la vítima de Cassi, um jovem burguês que carregava em sua fama o hábito de desonrar e enganar donzelas ingênuas.

Dessa forma, mesmo contra a vontade de seus pais, Clara acaba se apaixonando cegamente por Cassi, e esse amor torna desastroso e triste o desfecho final da história. Lima Barreto apresenta em suas páginas, a crueldade e a injustiça enfrentada pelos desfavorecidos daquela época, e nos mostra tudo de uma forma bem simples, sem o rebusco comum dos clássicos literários, o que facilita muito a leitura.
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Priscila.Araujo 13/09/2016

É interessante como Lima Barreto coloca muito de si em suas obras. Ele foi humilhado diversas vezes, deixado de lado por ser mulato e pobre, não conseguia a ascensão e o reconhecimento que tanto almejava. Era brilhante, mas só depois de sua morte, conseguiu notoriedade. Os escritores medíocres da época conseguiam quase tudo em vida, ele nada. Mas quem são esses autores agora? Lima Barreto é grande, estudado, analisado. Suas obras são ícones. Gostaria muito de encontrá-lo e dizer que hoje ele é um ícone da literatura brasileira, hoje ele tem notoriedade. Pena que não conseguiu em vida. Morreu jovem, bêbado e na sarjeta. Lima Barreto e Aluisio Azevedo são meus autores brasileiros preferidos, ambos realistas.
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Rafael 30/08/2016

Lima Barreto foi um gênio e suas obras provam isso. Clara dos anjos é uma obra rica em detalhes,daquelas que te leva ao local onde tudo está acontecendo.
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rcavalcanti3 28/07/2016

Incrível
Mais de um século depois de ser escrito, Clara dos Anjos continua encantando por sua simplicidade complexa - ou seria complexidade simples? Lima Barreto nos brinda com um texto de linguagem simples de ler, constrói seus personagens com maestria e conduz uma história incrível em cima de um tema simples, que continua a ser atual até hoje. Um clássico da literatura brasileira que merece ser lido e conhecido por todos que gostam de boas histórias.
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Liz 14/07/2016

As relações sociais de opressão de gênero, classe e raça em Clara dos Anjos de Lima Barreto
O autor representa, na figura de Clara e no seu drama, a condição social da mulher, pobre e negra, “mulheres de cor”, daquele tempo. O preconceito racial por causa da cor, raça, a discriminação por ser pobre e o determinismo com que essas mulheres eram vistas: toda mulher pobre e de cor estava determinada a ser seduzida, corrompida e abandonada.

É por isso que a mãe de Clara tinha uma superproteção para com a filha, porque ela sabia o conceito genérico que elas sofriam. Clara ao mesmo tempo em que representa as mulheres pobres e negras, acaba representando também um pouco a identidade social dos homens pobres e negros em geral, que também eram muito discriminados na época. Como no caso do próprio autor do livro, Lima Barreto, que assim como Clara, era pobre e negro, e também sofreu discriminação por ser filho de uma negra.

Através da história das personagens é pintado um painel de críticas a essa sociedade racista, hipócrita, preconceituosa e excludente. Críticas a essa cultura estabelecida de determinar as raças, de lhes impor um destino já traçado, de que toda mulher pobre, “de cor”, seria seduzida e abandonada. Críticas à manutenção desse preconceito social e racial que fazia parte da cultura "daquele tempo''.

''Sem salvação'', arrastada por esse status quo - social, por sua manutenção, Clara, ironicamente dos Anjos, representa de certa forma uma parcela da nação brasileira, discriminada, corrompida, traída e abandonada.

A questão do poder em relação às classes sociais: o papel da influência, do favor e da indicação também é trabalhado na obra. Em geral, todas as mulheres que o Cassi (homem que ilude e abandona Clara) desonrava eram pobres, de humilde condição. Sem nenhum peso na sociedade. Então quando ele era denunciado não acontecia nada, porque a família dele tinha um pouco mais de condição que a das vítimas, porque seu pai tinha certa influência e/ou sua mãe tinha algum conhecido importante.

“(...) Em geral, as moças que ele desonrava eram de humilde condição e de todas as cores. Não escolhia. A questão é que não houvesse ninguém, na parentela delas, capaz de vencer a influência do pai, mediante solicitações maternas (...).”. (BARRETO, p.21).

As Artificialidades de aparências da sociedade são tratadas com sarcasmo e críticas. Ao explicar a origem do sobrenome Jones, o narrador ironiza o desejo de muitos brasileiros de se distinguirem por uma suposta origem estrangeira.

“(...) Cassi Jones de Azevedo era filho de Legítimo de Manuel Borges de Azevedo e Salustiana Baeta de Azevedo. O Jones é que ninguém sabia onde ele o fora buscar, mas usava-o, desde os vinte e um anos, talvez, conforme explicavam alguns, por achar bonito o apelido inglês... A mãe, nas suas crises de vaidade, dizia-se descendente de um fantástico Lorde Jones, que fora cônsul da Inglaterra, em Santa Catarina; e o filho julgou de bom gosto britanizar a firma com o nome do seu problemático e fidalgo avô. (...)”. (BARRETO, p.20).

Já que Lima Barreto é considerado um forte crítico da sociedade de seu tempo, ele não poderia deixar de mencionar em sua obra o descompromisso do governo em relação às camadas pobres da sociedade. Negligência política em relação às camadas socialmente baixas. Que só são lembradas quando é para pagar impostos. Assim, o autor também faz uma crítica às estruturas culturais e econômicas.

“(...) Por esse intricado labirinto de ruas e bibocas é que vive uma grande parte da população da cidade, a cuja existência o governo fecha os olhos, embora lhe cobre atrozes impostos, empregados em obras inúteis e suntuárias noutros pontos do Rio de Janeiro. (...) Mais ou menos é assim o subúrbio, na sua pobreza e no abandono em que os poderes públicos o deixam. (...)”. (BARRETO, p.74-75).

Clara dos Anjos é um romance intrigante e envolvente que nos ajuda a conhecer um pouco do cenário sócio-cultural do Brasil daquela época, sobretudo dos subúrbios cariocas onde configura-se o espaço central da narrativa.

Lizandra Souza

Resenha completa em: http://loucurasedevaneiosbyliza.blogspot.com.br/2013/07/resenha-critica-do-livro-clara-dos.html

site: http://loucurasedevaneiosbyliza.blogspot.com.br
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Ricardo Santos 03/06/2015

Crônica do Brasil de sempre
Uma ficção poderosa vai além da crônica. No caso de Lima Barreto, é o jornalismo a serviço da ficção. É uma compreensão mais completa do cenário social e da percepção psicológica do brasileiro urbano com um pé no rural. Em Clara dos Anjos, o autor consegue essa proeza de aliar o registro jornalístico em sua descrição e opinião do Brasil na República Velha, modernizador mas negligente, e o apuro literário na construção de personagens cativantes pelo o que são: Cassi, o marginalzinho branco de boa família; Clara, a jovem mulata ingênua; Marramaque, espécie de herói ético; Leonardo Flores, o poeta cheio de verniz, uma paródia do artista comprometido com sua arte, mas cego para tanta coisa... Lima Barreto era um apaixonado pelo subúrbio carioca, a terra dos desassistidos (e os subúrbios não continuam assim?), mas, como disse um especialista, era uma paixão crítica, porque ele criticava todo mundo, os poderosos e o povo. Espantosa a atualidade de um texto escrito há quase cem anos, em sua percepção de mazelas que ainda persistem com um engajamento refinado contra o racismo. Releitura de um texto fundamental numa edição que merece ser prestigiada.
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ANINHAPONCE 29/03/2015

Clara dos Anjos
Olá... O post de hoje será para falar do livro Clara dos Anjos – Lima Barreto. Em 2006, minha professora de Português colocou esse livro na lista de leitura que devíamos fazer aquele ano, então acabei comprando um exemplar, mas ela retirou a obra da lista, como já havia comprando resolvi ler... Só que não rolou, achei enfadonho e abandonei a leitura...
No final de 2014 (quase 10 anos depois) tomei a resolução de lê-lo e então decidir o que iria fazer com o meu exemplar: se iria mantê-lo em minha coleção ou passaria para frente: bom, pretendo passa-lo a diante. Consegui concluir a leitura, a história é interessante, embora previsível, mas não faz o meu gênero, nem o estilo de obra que quero ter em minha coleção.
A obra foi concluída em 1922, no mesmo ano da morte do autor. Mas foi publicada apenas em 1948, como pertencente ao pré-modernismo brasileiro.
A história se passa no subúrbio do Rio de Janeiro. No inicio somos apresentados a Joaquim dos Anjos, carteiro, casado com Dona Engrácia e pai de Clara dos Anjos, mulata bem educada, com bons valores, mas teve sua educação negligenciada no que diz respeito a relacionamentos e as “realidades da vida”.
E por esse motivo acaba por ser apaixonar pelo malandro Cassi Jones, um jovem renegado pelo pai devido à vida desregrada e por suas “aventuras românticas”.
O preconceito racial e a “libertação” estão presentes nas obras de Lima, que era descendente de escravos pelo lado materno e de portugueses pelo paterno, e enfrentou preconceito durante toda a sua vida por ser mestiço.
Suas obras, que apresentam temática social, abordam o abandono, a vida dos pobres, boêmios e os arruinados. Caindo ele mesmo nessa situação, falecendo aos 41 anos devido ao alcoolismo.

Espero que tenham gostado. Beijos e até a próxima.
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Daphiny 25/05/2014

Lima Barreto me ensinou a não ser romântica. Olha, eu passei o livro inteiro achando que Cessi (o modinheiro safado e desvirtuador de moças) tomaria finalmente vergonha na cara e se apaixonaria por Clara, mesmo eu a achando uma tola (o que ela realmente é: inocente e iludida), mas eu percebi que sou tão tola e iludida quanto a Clara que, mesmo sabendo de todos os pobres de seu amado, ainda assim se deu a luxo de apaixonar-se por ele e permitir-lhe tirar sua "pureza".
A riquíssima descrição do espaço (um Rio de Janeiro suburbano) me irritou profundamente durante o livro inteiro, visto que não sou fã de gazilhões de descrições físicas. Fomos apresentados às casas e às histórias de todos os personagens que são mencionados nesse livro, tendo, pelo menos, 4 páginas de descrição sobre cada um (o que também me irritou as veras).
Não foi o pior livro que eu já li em toda a minha vida, mas depois de tantas histórias "clássicas" mais elaboradas que li para a escola, esse livro com certeza me decepcionou. Sei que as moças, naquela época, eram chochas e inocentes e não deviam se portar como nos portamos ultimamente, mas a Clara foi o apogeu de todas as mocinhas bobas que eu já conheci na literatura e eu acho cárcere privado em que Clara foi criada ajudaram nessa inocência incalculável e absurda dela.
Enfim.... decepções a parte, fico feliz que tenha sido um livro curto.
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J.C 10/05/2014

Incrível
Apesar da escrita antiga e os costumes daquela época diferentes, o autor usa de uma linguagem de fácil compreensão.

Livro muito bom e gostoso de se ler. Recomendo.
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Camila 14/11/2013

Como última obra feita pelo escritor carioca Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922), publicado depois de sua morte, Clara dos Anjos, traz uma denúncia áspera do preconceito racial e social, vivenciado por uma pobre mulata do subúrbio carioca.

O livro conta a estória de uma mulata que se apaixona por Cassi Jones, que enganava as mulheres com seu falso amor para conquistá-las. Suas “vítimas” eram sempre mulheres negras, pobres ou casadas, pois assim ele não seria obrigado a casar-se com elas já que sua mãe era extremamente preconceituosa e o protegia quando elas iam atrás dele.

Cassi Jones pertencia a uma posição melhor que Clara, e era considerado o desgosto da família, pois ele vivia enganando pobres mulheres e acabando na cadeia por isso, seu pai o reprimia, porém sua mãe sempre o ajudava a sair de suas confusões.

Já a Clara tinha dezessete anos, era ingênua e foi criada “com muito desvelo, recato e carinho; e, a não ser com a mãe ou pai, só saía com Dona Margarida, uma viúva muito séria, que morava nas vizinhanças e ensinava a Clara bordados e costuras.”

Mas no final do romance o autor relata que ela, consciente e lúcida, reflete sobre sua situação:

“O que era preciso, tanto a ela como às suas iguais, era educar o caráter, revestir-se de vontade, como possuía essa varonil Dona Margarida, para se defender de Cassi e semelhantes, e bater-se contra todos os que se opusessem, por este ou aquele modo, contra a elevação dela, social e moralmente. Nada a fazia inferior às outras, senão o conceito geral e a covardia com que elas o admitiam…”

“O verdadeiro estado amoroso supõe um estado de semiloucura correspondente, de obsessão, determinando uma desordem emocional que vai da mais intensa alegria até à mais cruciante dor, que dá entusiasmo e abatimento, que encoraja e entibia; que faz esperar e desesperar, isto tudo, quase a um tempo, sem que a causa mude de qualquer forma.”

site: http://world-book-4you.tumblr.com/
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Malu Andrade 15/09/2013

Um dos livros que marcaram o Pré-Modernismo brasileiro, traz marcado nas suas páginas a realidade do próprio autor: Lima Barreto. Negro, nascido no subúrbio carioca, enfrentou muitas dificuldades em sua breve vida.
Em Clara dos Anjos, o "romance" entre os personagens principais não é muito ressaltado. Mesmo assim nem de longe o livro chega a ser insípido ou sem conteúdo: demonstra de forma cruel e sincera como era a realidade das camadas mais pobres da sociedade carioca do início do século XX.
É uma ótima dica para quem procura conhecer um lado não muito realçado na literatura brasileira do século passado: a vida nos subúrbios.
Bruno 15/09/2013minha estante
Muito bom. Parabéns!




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