Clara dos anjos

Clara dos anjos
3.14021 1027




Resenhas - Clara dos anjos


33 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3


rcavalcanti3 28/07/2016

Incrível
Mais de um século depois de ser escrito, Clara dos Anjos continua encantando por sua simplicidade complexa - ou seria complexidade simples? Lima Barreto nos brinda com um texto de linguagem simples de ler, constrói seus personagens com maestria e conduz uma história incrível em cima de um tema simples, que continua a ser atual até hoje. Um clássico da literatura brasileira que merece ser lido e conhecido por todos que gostam de boas histórias.
comentários(0)comente



Liz 14/07/2016

As relações sociais de opressão de gênero, classe e raça em Clara dos Anjos de Lima Barreto
O autor representa, na figura de Clara e no seu drama, a condição social da mulher, pobre e negra, “mulheres de cor”, daquele tempo. O preconceito racial por causa da cor, raça, a discriminação por ser pobre e o determinismo com que essas mulheres eram vistas: toda mulher pobre e de cor estava determinada a ser seduzida, corrompida e abandonada.

É por isso que a mãe de Clara tinha uma superproteção para com a filha, porque ela sabia o conceito genérico que elas sofriam. Clara ao mesmo tempo em que representa as mulheres pobres e negras, acaba representando também um pouco a identidade social dos homens pobres e negros em geral, que também eram muito discriminados na época. Como no caso do próprio autor do livro, Lima Barreto, que assim como Clara, era pobre e negro, e também sofreu discriminação por ser filho de uma negra.

Através da história das personagens é pintado um painel de críticas a essa sociedade racista, hipócrita, preconceituosa e excludente. Críticas a essa cultura estabelecida de determinar as raças, de lhes impor um destino já traçado, de que toda mulher pobre, “de cor”, seria seduzida e abandonada. Críticas à manutenção desse preconceito social e racial que fazia parte da cultura "daquele tempo''.

''Sem salvação'', arrastada por esse status quo - social, por sua manutenção, Clara, ironicamente dos Anjos, representa de certa forma uma parcela da nação brasileira, discriminada, corrompida, traída e abandonada.

A questão do poder em relação às classes sociais: o papel da influência, do favor e da indicação também é trabalhado na obra. Em geral, todas as mulheres que o Cassi (homem que ilude e abandona Clara) desonrava eram pobres, de humilde condição. Sem nenhum peso na sociedade. Então quando ele era denunciado não acontecia nada, porque a família dele tinha um pouco mais de condição que a das vítimas, porque seu pai tinha certa influência e/ou sua mãe tinha algum conhecido importante.

“(...) Em geral, as moças que ele desonrava eram de humilde condição e de todas as cores. Não escolhia. A questão é que não houvesse ninguém, na parentela delas, capaz de vencer a influência do pai, mediante solicitações maternas (...).”. (BARRETO, p.21).

As Artificialidades de aparências da sociedade são tratadas com sarcasmo e críticas. Ao explicar a origem do sobrenome Jones, o narrador ironiza o desejo de muitos brasileiros de se distinguirem por uma suposta origem estrangeira.

“(...) Cassi Jones de Azevedo era filho de Legítimo de Manuel Borges de Azevedo e Salustiana Baeta de Azevedo. O Jones é que ninguém sabia onde ele o fora buscar, mas usava-o, desde os vinte e um anos, talvez, conforme explicavam alguns, por achar bonito o apelido inglês... A mãe, nas suas crises de vaidade, dizia-se descendente de um fantástico Lorde Jones, que fora cônsul da Inglaterra, em Santa Catarina; e o filho julgou de bom gosto britanizar a firma com o nome do seu problemático e fidalgo avô. (...)”. (BARRETO, p.20).

Já que Lima Barreto é considerado um forte crítico da sociedade de seu tempo, ele não poderia deixar de mencionar em sua obra o descompromisso do governo em relação às camadas pobres da sociedade. Negligência política em relação às camadas socialmente baixas. Que só são lembradas quando é para pagar impostos. Assim, o autor também faz uma crítica às estruturas culturais e econômicas.

“(...) Por esse intricado labirinto de ruas e bibocas é que vive uma grande parte da população da cidade, a cuja existência o governo fecha os olhos, embora lhe cobre atrozes impostos, empregados em obras inúteis e suntuárias noutros pontos do Rio de Janeiro. (...) Mais ou menos é assim o subúrbio, na sua pobreza e no abandono em que os poderes públicos o deixam. (...)”. (BARRETO, p.74-75).

Clara dos Anjos é um romance intrigante e envolvente que nos ajuda a conhecer um pouco do cenário sócio-cultural do Brasil daquela época, sobretudo dos subúrbios cariocas onde configura-se o espaço central da narrativa.

Lizandra Souza

Resenha completa em: http://loucurasedevaneiosbyliza.blogspot.com.br/2013/07/resenha-critica-do-livro-clara-dos.html

site: http://loucurasedevaneiosbyliza.blogspot.com.br
comentários(0)comente



Ricardo Santos 03/06/2015

Crônica do Brasil de sempre
Uma ficção poderosa vai além da crônica. No caso de Lima Barreto, é o jornalismo a serviço da ficção. É uma compreensão mais completa do cenário social e da percepção psicológica do brasileiro urbano com um pé no rural. Em Clara dos Anjos, o autor consegue essa proeza de aliar o registro jornalístico em sua descrição e opinião do Brasil na República Velha, modernizador mas negligente, e o apuro literário na construção de personagens cativantes pelo o que são: Cassi, o marginalzinho branco de boa família; Clara, a jovem mulata ingênua; Marramaque, espécie de herói ético; Leonardo Flores, o poeta cheio de verniz, uma paródia do artista comprometido com sua arte, mas cego para tanta coisa... Lima Barreto era um apaixonado pelo subúrbio carioca, a terra dos desassistidos (e os subúrbios não continuam assim?), mas, como disse um especialista, era uma paixão crítica, porque ele criticava todo mundo, os poderosos e o povo. Espantosa a atualidade de um texto escrito há quase cem anos, em sua percepção de mazelas que ainda persistem com um engajamento refinado contra o racismo. Releitura de um texto fundamental numa edição que merece ser prestigiada.
comentários(0)comente



spoiler visualizar
comentários(0)comente



ANINHAPONCE 29/03/2015

Clara dos Anjos
Olá... O post de hoje será para falar do livro Clara dos Anjos – Lima Barreto. Em 2006, minha professora de Português colocou esse livro na lista de leitura que devíamos fazer aquele ano, então acabei comprando um exemplar, mas ela retirou a obra da lista, como já havia comprando resolvi ler... Só que não rolou, achei enfadonho e abandonei a leitura...
No final de 2014 (quase 10 anos depois) tomei a resolução de lê-lo e então decidir o que iria fazer com o meu exemplar: se iria mantê-lo em minha coleção ou passaria para frente: bom, pretendo passa-lo a diante. Consegui concluir a leitura, a história é interessante, embora previsível, mas não faz o meu gênero, nem o estilo de obra que quero ter em minha coleção.
A obra foi concluída em 1922, no mesmo ano da morte do autor. Mas foi publicada apenas em 1948, como pertencente ao pré-modernismo brasileiro.
A história se passa no subúrbio do Rio de Janeiro. No inicio somos apresentados a Joaquim dos Anjos, carteiro, casado com Dona Engrácia e pai de Clara dos Anjos, mulata bem educada, com bons valores, mas teve sua educação negligenciada no que diz respeito a relacionamentos e as “realidades da vida”.
E por esse motivo acaba por ser apaixonar pelo malandro Cassi Jones, um jovem renegado pelo pai devido à vida desregrada e por suas “aventuras românticas”.
O preconceito racial e a “libertação” estão presentes nas obras de Lima, que era descendente de escravos pelo lado materno e de portugueses pelo paterno, e enfrentou preconceito durante toda a sua vida por ser mestiço.
Suas obras, que apresentam temática social, abordam o abandono, a vida dos pobres, boêmios e os arruinados. Caindo ele mesmo nessa situação, falecendo aos 41 anos devido ao alcoolismo.

Espero que tenham gostado. Beijos e até a próxima.
comentários(0)comente



Daphiny 25/05/2014

Lima Barreto me ensinou a não ser romântica. Olha, eu passei o livro inteiro achando que Cessi (o modinheiro safado e desvirtuador de moças) tomaria finalmente vergonha na cara e se apaixonaria por Clara, mesmo eu a achando uma tola (o que ela realmente é: inocente e iludida), mas eu percebi que sou tão tola e iludida quanto a Clara que, mesmo sabendo de todos os pobres de seu amado, ainda assim se deu a luxo de apaixonar-se por ele e permitir-lhe tirar sua "pureza".
A riquíssima descrição do espaço (um Rio de Janeiro suburbano) me irritou profundamente durante o livro inteiro, visto que não sou fã de gazilhões de descrições físicas. Fomos apresentados às casas e às histórias de todos os personagens que são mencionados nesse livro, tendo, pelo menos, 4 páginas de descrição sobre cada um (o que também me irritou as veras).
Não foi o pior livro que eu já li em toda a minha vida, mas depois de tantas histórias "clássicas" mais elaboradas que li para a escola, esse livro com certeza me decepcionou. Sei que as moças, naquela época, eram chochas e inocentes e não deviam se portar como nos portamos ultimamente, mas a Clara foi o apogeu de todas as mocinhas bobas que eu já conheci na literatura e eu acho cárcere privado em que Clara foi criada ajudaram nessa inocência incalculável e absurda dela.
Enfim.... decepções a parte, fico feliz que tenha sido um livro curto.
comentários(0)comente



J.C 10/05/2014

Incrível
Apesar da escrita antiga e os costumes daquela época diferentes, o autor usa de uma linguagem de fácil compreensão.

Livro muito bom e gostoso de se ler. Recomendo.
comentários(0)comente



spoiler visualizar
comentários(0)comente



Camila 14/11/2013

Como última obra feita pelo escritor carioca Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922), publicado depois de sua morte, Clara dos Anjos, traz uma denúncia áspera do preconceito racial e social, vivenciado por uma pobre mulata do subúrbio carioca.

O livro conta a estória de uma mulata que se apaixona por Cassi Jones, que enganava as mulheres com seu falso amor para conquistá-las. Suas “vítimas” eram sempre mulheres negras, pobres ou casadas, pois assim ele não seria obrigado a casar-se com elas já que sua mãe era extremamente preconceituosa e o protegia quando elas iam atrás dele.

Cassi Jones pertencia a uma posição melhor que Clara, e era considerado o desgosto da família, pois ele vivia enganando pobres mulheres e acabando na cadeia por isso, seu pai o reprimia, porém sua mãe sempre o ajudava a sair de suas confusões.

Já a Clara tinha dezessete anos, era ingênua e foi criada “com muito desvelo, recato e carinho; e, a não ser com a mãe ou pai, só saía com Dona Margarida, uma viúva muito séria, que morava nas vizinhanças e ensinava a Clara bordados e costuras.”

Mas no final do romance o autor relata que ela, consciente e lúcida, reflete sobre sua situação:

“O que era preciso, tanto a ela como às suas iguais, era educar o caráter, revestir-se de vontade, como possuía essa varonil Dona Margarida, para se defender de Cassi e semelhantes, e bater-se contra todos os que se opusessem, por este ou aquele modo, contra a elevação dela, social e moralmente. Nada a fazia inferior às outras, senão o conceito geral e a covardia com que elas o admitiam…”

“O verdadeiro estado amoroso supõe um estado de semiloucura correspondente, de obsessão, determinando uma desordem emocional que vai da mais intensa alegria até à mais cruciante dor, que dá entusiasmo e abatimento, que encoraja e entibia; que faz esperar e desesperar, isto tudo, quase a um tempo, sem que a causa mude de qualquer forma.”

site: http://world-book-4you.tumblr.com/
comentários(0)comente



Malu Andrade 15/09/2013

Um dos livros que marcaram o Pré-Modernismo brasileiro, traz marcado nas suas páginas a realidade do próprio autor: Lima Barreto. Negro, nascido no subúrbio carioca, enfrentou muitas dificuldades em sua breve vida.
Em Clara dos Anjos, o "romance" entre os personagens principais não é muito ressaltado. Mesmo assim nem de longe o livro chega a ser insípido ou sem conteúdo: demonstra de forma cruel e sincera como era a realidade das camadas mais pobres da sociedade carioca do início do século XX.
É uma ótima dica para quem procura conhecer um lado não muito realçado na literatura brasileira do século passado: a vida nos subúrbios.
Bruno 15/09/2013minha estante
Muito bom. Parabéns!
excluir




spoiler visualizar
comentários(0)comente



spoiler visualizar
comentários(0)comente



Panda 11/04/2013

Acho que por ser um clássico a situação final do livro não me surpreendeu muito, porque acho que hoje é o que mais acontece. Porém só o final, mas o desenrolar da história mostra como era antigamente e hoje mudou bastante.
comentários(0)comente



Renata 18/03/2013

Um dos melhores livros que já li
O livro conta a história de Clara dos Anjos, uma adolescente ingênua, criada dentro de "uma redoma de vidro", que é enganada pelo cafajeste Cassi Jones. Clara é humilhada e discriminada por sua posição social humilde e por sua cor.
Quando comecei a ler este livro, não imaginei que ele pudesse agregar tantos valores. A capacidade de Lima Barreto de retratar a sociedade de sua época (fins do século XIX) é impressionante. Com a leitura, percebe-se a formação da sociedade brasileira e os valores que permanecem até hoje entre os brasileiros. Acredito que compreender o mundo em que vivemos é essencial para uma vida mais produtiva e, consequentemente, mais feliz. O fim do livro é um choque de realidade, o que me levou a me questionar: "O que posso fazer para mudar isso?"
Enfim, Clara dos Anjos foi para mim uma agradável surpresa, ultrapassando minhas expectativas. É a obra prima de Lima Barreto e superou em muito Triste Fim de Policarpo Quaresma. Clara dos Anjos entra para a minha lista de favoritos.
comentários(0)comente



mfayon 04/03/2012

Retrato da Realidade de hoje e sempre
Talvez as cores tenham mudado, porém é algo que muito acontece com as jovens pobre e com pouca ou nenhuma estrutura familiar para perseguir esses lívidos que engravidam moças e simplesmente fogem ou não dão a mínima assitência. Lima Barreta com sua escrita próxima ao realismo conseguiu traduzir em palavras o retrato de uma época em que o status social e a influência do dinheiro valem muito, coisa que pouco se mudou hoje.
comentários(0)comente



33 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3