Clara dos anjos

Clara dos anjos Lima Barreto




Resenhas - Clara dos anjos


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Fabio Henrique 04/08/2017

Lima Barreto em grande forma
Ainda que seja um pouco datado (ao trabalhar com valores morais de uma época específica) é um romance muito bem estruturado, com ótimos personagens, escrito com elegância e clareza e com algumas passagens de grande brilho.
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Colégio Evolução 22/07/2017

Em todos as suas obras, com maior ou menor ênfase, Lima Barreto denúncia as intocáveis formas de preconceito racial que oprimem e marginalizam os negros. Clara dos Anjos não foge à esse propósito. Trata-se de uma crônica do cotidiano da população pobre do Rio de Janeiro no início do século XX. Nesse relato denúncia, o autor conta a história da jovem e ingênua negra do subúrbio carioca de Inhaúma, Clara dos Anjos, que se entrega de corpo e alma a Cássia, por quem é cruelmente abandonada.
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Makhno 16/07/2017

Lima Barreto é um dos grandes intérpretes do Brasil do começo do século XX, com suas críticas marginais aos mitos consagrados pela história oficial brasileira. Um gênio que conseguiu captar como poucos conseguiram o modus operandi do racismo “à brasileira”, isto é, o modo como a dominação racial e a exclusão social do negro foi construído, de forma camarada e sutil. “Clara dos Anjos” é a descrição minuciosa das relações sociais de uma sociedade autoritária, injusta, que inferioriza a mulher e fortemente racista. Um roteiro bem atual para uma sociedade que ainda não aparou suas arestas com a condição social do negro e que camufla o racismo no famigerado mito da “democracia racial”. A vitalidade de uma obra é medida pela sua atualidade e Lima Barreto tem tal aspecto como marca de toda sua produção intelectual.
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Leituras do Sam 24/06/2017

As qualidades da obra de Lima Barreto é indiscutível, e eu não tenho profundidade para fazer uma resenha apropriada, só posso dizer que ao escrever a história da jovem Claro dos Anjos, o autor faz um retrato das diferenças sociais e raciais que ainda se fazem sentir na sociedade.
É uma história até bem simples - uma jovem negra do subúrbio é enganada pelo jovem branco rico - mas é na contextualização da história e com as críticas sociais que a obra ganha profundidade.
Lima Barreto não tem medo de dizer o que pensa através dos seus personagens e assim sua obra torna-se um importante instrumento de denúncias contra a discriminação racial e social no Brasil.

@leiturasdosamm
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Agenor 06/05/2017

Escrevi uma resenha sobre esse livro, quem se interessar, link logo abaixo


Naty 01/05/2017

Um livro que ironiza uma época, que critica a questão social no Brasil, além da hipocrisia da população.
Esse livro foi escrito pelo escritor Lima Barreto, um mulato que, quando completava sete anos de idade, viu a lei áurea sendo assinada. Enfim, a abolição da escravidão. Pena que leis não eliminam preconceitos.
E são esses preconceitos o âmago de suas obras ou, pelo menos, dessa que vos falo. Clara dos Anjos foi um livro do qual não me afeiçoei muito, mas que, com certeza, traz muito da realidade brasileira, ainda mais naquela época.
O enredo enfoca como Cassi, um menino branco, vagabundo e mal, se aproveita de meninas negras, mulatas e brancas pobres, desonrando-as. É isso que acaba acontecendo com Clara. Ela, sempre criada num ambiente recatado em que a mãe nada falava sobre as asperezas da vida ou sobre as peripécias do amor, cai, facilmente, nas amarras desse ignóbil conquistador.
Para alcançar esse fim, ele comete até mesmo um assassinato. Ele corrompe outras pessoas. Ele é, com certeza, a figura mais criticada do romance. É uma face caricaturada da hipocrisia social e do abuso que a aristocracia fazia em relação aos menos favorecidos.
Outra coisa que o autor enfoca, de forma veemente, é que a mãe do rapaz acaba o apoiando em seus erros por causa do sentimento racista que a permeia. Ela acha o seu filho mais importante que as vítimas dele e, quando estas vêm a pedir explicações ou que tome alguma providência, ela rejeita a hipótese de casar seu filho com qualquer uma delas. Isso acontece porque elas são pobres, negras, mulatas. Porque elas não merecem o filho dela. (QUE PENSAMENTO MAIS HORRÍVEL. PENA MAIOR AINDA É QUE NEGAR ESSA RELIDADE É NEGAR O QUE OS OLHOS PODEM VER).
Pelo que eu li sobre o escritor, ele teve uma vida muito contubarda: seu pai era louco, ele ficou viciado em bebidas alcoólica e o sucesso que ele tanto almejava na literatura foi um sucesso pós morte. Nem por isso ele deixou de tecer inúmeras críticas cujos principais temas são os seguintes: a estúpida mania de aristocracia, o preconceito racial, a obsseção em querer ser doutor, a sabedoria oca dos intelectuais famosos, a falsa caridade das irmandades religiosas, entre outros.
Lima Barreto também foi muito criticado, em sua época, por se utilizar de uma linguagemm que tentava imitar mais a própria linguagem popular. A época em que se insere a obra é marcada pelo parnasianismo, portanto, sua maneira diferente de escrever foi muito notada, mas não como algo bom e sim como uma forma errada de escrever.
Eu também percebi algumas críticas à influência estrangeira, as quais permeiam o livro por meio de palavras empregadas em inglês. O misticismo do povo brasileiro também é criticado, já que Lima Barreto vê isso como um sinal de ignorância. A religião x é usada na situação x, a y na y. Ou seja, religião deixa de ser convicção, passa a ser apenas a forma de se alcançar o que se almeja.
Um dos personagens desse livro, o Leonardo Flores, lembrou-me muito o autor, pois, ambos eram apaixonados pela literatura, mas acabam no fundo do poço e no vício da bebida. " A obra é tudo para o pequeno povo; o autor nada"
Uma parte que retrata o preconceito da mãe é que quando ela acha que o filho vai para outro Estado brasileiro para ser trabalhador "de enxada", ao invés de ela se sentir alegre por ele abandonar a vida ruim, ela se sente envergonhada. Para ela, vergonha não é a atitude, é a cor, é a condição social, são as vestes. Para mim, como uma das vítimas de Cassi diz: pior que ele, só a mãe.
Um elogio que tenho de fazer ao livro é que ele pode servir de alerta para as meninas. Permeiam o nosso tempo histórias de princesas que encontram feras e as transformam em príncipes ( Isso mesmo! A Bela e a Fera). Esse já foi o meu filme favorito da Disney até que percebi o dano que ele pode causar no que muitas meninas, despreperadas para a rudeza da vida, pensam do amor.
Claro achava que com ela seria diferente. Ela achava que Cassi só tinha feito aquilo com as outras. Em certos momentos, ela até cria na ideia de que aquilo acontecia por que as outras garotas eram safadas. Parece idiota o pensamento, não é? Mas muitas, ainda hoje, pensam assim. Filmes, como o anteriormente citados, acabam propagando no imaginário feminino que, com o amor, as mulheres podem mudar os homens maus. Pena que os gatinhos arranham.
Será que não é por isso que muitas mulheres, na sociedade odierna, muitas vezes, envolvem-se com homens problemáticos só porque eles são bonitos ou porque acham poder resolver o problema do outro?
O ilogismo desse pensamento se encontra no fato de que se submeter ao sofrimento em nome de outra pessoa que te faz sofrer, mesmo você a amando do fundo do seu coração (ou achando que a ama), é burrice. Por que você que tem de resolver o problema dela?Primeiro, ela resolve o problema dela e, depois, tudo pode dar derto entre os dois.
E é isso que ele traz nesse livro. Se, talvez, ela não tivesse sido criada num ambiente tão fechado e sua mãe a tivesse instruido que os pais limitam os filhos de se casar com certas pessoas porque, mesmo que, no meio da paixão isso pareça ser bobagem, a conduta irá influenciar permanentemente como essa pessoa é e, futuramente, como o relacionamento irá se estabelecer, Clara poderia ter tido um futuro melhor.
Não estou querendo difamar o filme da Disney, pois explicto, sinceramente, que sempre foi o filme que mais gostei. No entato, negar a verdade e escondê-la é cair no mesmo erro da mãe e do pai de Clara. As crianças acabam, muitas vezes, não levando a figura da fera apenas para o sentido da aparência, mas da própria essência. E convenhamos, ser "fera" na aparência não influêcia em nada no que se é no interior, mas ser "fera" na essência, como Cassi no livro, é um problema e, de pessoas assim, é melhor ficar longe como diz o próprio Marramaque no livro.
Enfim, termino essa resenha dizendo que gostei do livro, embora não tenha sido uma leitura muito atrativa para mim e recomendo a leitura. Foi muito bom conhecer esse autor mesmo que por uma de suas obras menos conhecidas.
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Daniel 16/03/2017

Clara dos Anjos
Resenha no link abaixo!

site: http://blogliteraturaeeu.blogspot.com.br/2017/03/clara-dos-anjos-de-lima-barreto-resenha.html


CultEcléticos 11/01/2017

Desta vez, opto por uma obra clássica da Literatura Brasileira e, arrisco dizer aqui, que é pouco reconhecida a sua importância dada o conteúdo que demonstra a preocupação de Lima Barreto (13 de maio de 1881 – 1º de novembro de 1922) com a condição e aceitação social da população negra no Rio de Janeiro, no início do século XX. A obra, embora tenha sido concluída em 1922, foi publicada postumamente com a primeira edição apenas em 1948.
É bem difícil ler a obra e não sentir um quê de autobiográfico* no levantamento dessas questões em que se nota uma forte denúncia do preconceito que sofrem os negros e os mestiços deixando ainda mais evidente que a diferença de classes que segue aumentando com as mudanças políticas e modernização que emergem no Rio Janeiro na década de 20.
Clara dos Anjos — menina mulata pobre do subúrbio carioca — acaba, por intermédio dos amigos do pai, conhecendo Cassi Jones — um malandro de família mais abastada, um conquistador. Mesmo sendo avisada por seu padrinho sobre o caráter de Cassi, Clara se relaciona com ele. Relacionamento esse que expõe o sofrimento infringido pela divisão de classe social imposta pela sociedade desse período. É durante a narrativa que o leitor acompanha tal sofrimento da protagonista que é seduzida e achacada por Cassi Jones e menosprezada pela família dele quando revela estar grávida.
O romance Clara dos Anjos retrata uma realidade do início do século XX e, mesmo passados quase 100 anos (93, para ser exato), o preconceito racial, a divisão de classes e o julgamento de um indivíduo considerando cor da pele e condição econômica, infelizmente, ainda ocorrem. Ou seja, ainda perdura um comportamento obsoleto, do século passado.


* Segundo o historiador e critico literário Sergio Buarque de Holanda, é muito difícil “escrever sobre os livros de Lima Barreto sem incorrer um pouco no pecado do biografismo”.

(Liz Frizzine)
Resenha publicada no site CultEcléticos.

site: http://www.cultecleticos.com.br/resenha-literaria-clara-dos-anjos-lima-barreto/
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wesley.moreiradeandrade 11/01/2017

Lima Barreto era um escritor maldito e marcou história na literatura ao usar sua pena para retratar personagens marginalizados. Algo parecido com o que a literatura de Fernando Bonassi e Luiz Ruffato representa na contemporaneidade. Clara dos Anjos foi publicado postumamente e estão lá em suas páginas os bêbados e os trabalhadores, os malandros e os bandidos, entre outras figuras recorrentes dos subúrbios. O ruim é perceber que muito da realidade que é contada pelo autor de O Triste Fim de Policarpo Quaresma ainda permanece atual. Lima Barreto descreve os morros, a periferia, o hábito de quem apenas sobrevive com o mínimo do dinheiro que ganha e luta para manter ao menos a honra ou o pouco que sobrou dela. Clara é a filha do senhor Joaquim dos Anjos e da dona Engrácia que vivem preocupados com a ameaça apresentada pelo sedutor Cassi Jones, um violeiro que tem fama de conquistador e mau caráter e de ter tirado a virgindade de dezenas de moças virgens e pobres, abandonando-as grávidas, além de se meter em confusões com mulheres casadas. Clara é, ao mesmo tempo, vítima de Cassi e da educação dada pelos próprios pais (passivos que eram em relação ao mundo), que não lhe deram a capacidade necessária de discernir as más intenções das pessoas para fugir das investidas de homens como Cassi Jones. Clara, apesar de todos os conselhos e avisos contrários dos amigos de seus pais, acaba deixando-se ludibriar pelos encantos e as mentiras de Cassi. Outros personagens ganham destaque como o poeta Marramaque, o Menezes, e suas existências miseráveis e crises de consciência, além da mãe de Cassi, que sempre o livra das confusões e da prisão fazendo com que o violeiro sinta-se mais impune e livre para repetir suas conquistas. Clara dos Anjos é um painel da vida no Rio de Janeiro do início do século XX sem jogar para debaixo do tapete aqueles que sempre vivem nos bastidores da sociedade e sofrem com o preconceito e a exclusão. Uma das principais obras de uma das mais originais vozes da prosa brasileira que descortinou um Brasil pouco retratado pelas letras tupiniquins e obteve o reconhecimento, mesmo que tardio, dos Modernistas, dos críticos e do público leitor.


site: http://wesleyescritosebesteiras.blogspot.com.br/2014/04/na-estante-18-clara-dos-anjos-lima.html
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Gloria Ferreira 30/10/2016

Então, no céu, também se encontram manchas?
Na lista dos livros que marcaram o Pré-Modernismo brasileiro, Clara dos Anjos, de Lima Barreto, reflete a sociedade carioca do início do séc. XX, acorrentada pelos preceitos de hierarquia de classes, ainda com cicatrizes abertas da escravidão, numa realidade onde brancos aristocratas se sobressaem aos negros dos subúrbios.

Encontramos em Clara, a personagem principal, a imagem de uma menina negra, pobre, inocente e superprotegida por sua família, que buscava preservar acima de tudo os valores morais e a honra de sua filha. A educação de Clara, que cresceu isolada em casa, sem muitos amigos, liberdade e contato com a realidade e do mundo fora das suas ilusões de menina, acabou por torná-la vítima de Cassi, um jovem burguês que carregava em sua fama o hábito de desonrar e enganar donzelas ingênuas.

Dessa forma, mesmo contra a vontade de seus pais, Clara acaba se apaixonando cegamente por Cassi, e esse amor torna desastroso e triste o desfecho final da história. Lima Barreto apresenta em suas páginas, a crueldade e a injustiça enfrentada pelos desfavorecidos daquela época, e nos mostra tudo de uma forma bem simples, sem o rebusco comum dos clássicos literários, o que facilita muito a leitura.
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Priscila.Araujo 13/09/2016

É interessante como Lima Barreto coloca muito de si em suas obras. Ele foi humilhado diversas vezes, deixado de lado por ser mulato e pobre, não conseguia a ascensão e o reconhecimento que tanto almejava. Era brilhante, mas só depois de sua morte, conseguiu notoriedade. Os escritores medíocres da época conseguiam quase tudo em vida, ele nada. Mas quem são esses autores agora? Lima Barreto é grande, estudado, analisado. Suas obras são ícones. Gostaria muito de encontrá-lo e dizer que hoje ele é um ícone da literatura brasileira, hoje ele tem notoriedade. Pena que não conseguiu em vida. Morreu jovem, bêbado e na sarjeta. Lima Barreto e Aluisio Azevedo são meus autores brasileiros preferidos, ambos realistas.
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Rafael 30/08/2016

Lima Barreto foi um gênio e suas obras provam isso. Clara dos anjos é uma obra rica em detalhes,daquelas que te leva ao local onde tudo está acontecendo.
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rcavalcanti3 28/07/2016

Incrível
Mais de um século depois de ser escrito, Clara dos Anjos continua encantando por sua simplicidade complexa - ou seria complexidade simples? Lima Barreto nos brinda com um texto de linguagem simples de ler, constrói seus personagens com maestria e conduz uma história incrível em cima de um tema simples, que continua a ser atual até hoje. Um clássico da literatura brasileira que merece ser lido e conhecido por todos que gostam de boas histórias.
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Liz 14/07/2016

As relações sociais de opressão de gênero, classe e raça em Clara dos Anjos de Lima Barreto
O autor representa, na figura de Clara e no seu drama, a condição social da mulher, pobre e negra, “mulheres de cor”, daquele tempo. O preconceito racial por causa da cor, raça, a discriminação por ser pobre e o determinismo com que essas mulheres eram vistas: toda mulher pobre e de cor estava determinada a ser seduzida, corrompida e abandonada.

É por isso que a mãe de Clara tinha uma superproteção para com a filha, porque ela sabia o conceito genérico que elas sofriam. Clara ao mesmo tempo em que representa as mulheres pobres e negras, acaba representando também um pouco a identidade social dos homens pobres e negros em geral, que também eram muito discriminados na época. Como no caso do próprio autor do livro, Lima Barreto, que assim como Clara, era pobre e negro, e também sofreu discriminação por ser filho de uma negra.

Através da história das personagens é pintado um painel de críticas a essa sociedade racista, hipócrita, preconceituosa e excludente. Críticas a essa cultura estabelecida de determinar as raças, de lhes impor um destino já traçado, de que toda mulher pobre, “de cor”, seria seduzida e abandonada. Críticas à manutenção desse preconceito social e racial que fazia parte da cultura "daquele tempo''.

''Sem salvação'', arrastada por esse status quo - social, por sua manutenção, Clara, ironicamente dos Anjos, representa de certa forma uma parcela da nação brasileira, discriminada, corrompida, traída e abandonada.

A questão do poder em relação às classes sociais: o papel da influência, do favor e da indicação também é trabalhado na obra. Em geral, todas as mulheres que o Cassi (homem que ilude e abandona Clara) desonrava eram pobres, de humilde condição. Sem nenhum peso na sociedade. Então quando ele era denunciado não acontecia nada, porque a família dele tinha um pouco mais de condição que a das vítimas, porque seu pai tinha certa influência e/ou sua mãe tinha algum conhecido importante.

“(...) Em geral, as moças que ele desonrava eram de humilde condição e de todas as cores. Não escolhia. A questão é que não houvesse ninguém, na parentela delas, capaz de vencer a influência do pai, mediante solicitações maternas (...).”. (BARRETO, p.21).

As Artificialidades de aparências da sociedade são tratadas com sarcasmo e críticas. Ao explicar a origem do sobrenome Jones, o narrador ironiza o desejo de muitos brasileiros de se distinguirem por uma suposta origem estrangeira.

“(...) Cassi Jones de Azevedo era filho de Legítimo de Manuel Borges de Azevedo e Salustiana Baeta de Azevedo. O Jones é que ninguém sabia onde ele o fora buscar, mas usava-o, desde os vinte e um anos, talvez, conforme explicavam alguns, por achar bonito o apelido inglês... A mãe, nas suas crises de vaidade, dizia-se descendente de um fantástico Lorde Jones, que fora cônsul da Inglaterra, em Santa Catarina; e o filho julgou de bom gosto britanizar a firma com o nome do seu problemático e fidalgo avô. (...)”. (BARRETO, p.20).

Já que Lima Barreto é considerado um forte crítico da sociedade de seu tempo, ele não poderia deixar de mencionar em sua obra o descompromisso do governo em relação às camadas pobres da sociedade. Negligência política em relação às camadas socialmente baixas. Que só são lembradas quando é para pagar impostos. Assim, o autor também faz uma crítica às estruturas culturais e econômicas.

“(...) Por esse intricado labirinto de ruas e bibocas é que vive uma grande parte da população da cidade, a cuja existência o governo fecha os olhos, embora lhe cobre atrozes impostos, empregados em obras inúteis e suntuárias noutros pontos do Rio de Janeiro. (...) Mais ou menos é assim o subúrbio, na sua pobreza e no abandono em que os poderes públicos o deixam. (...)”. (BARRETO, p.74-75).

Clara dos Anjos é um romance intrigante e envolvente que nos ajuda a conhecer um pouco do cenário sócio-cultural do Brasil daquela época, sobretudo dos subúrbios cariocas onde configura-se o espaço central da narrativa.

Lizandra Souza

Resenha completa em: http://loucurasedevaneiosbyliza.blogspot.com.br/2013/07/resenha-critica-do-livro-clara-dos.html

site: http://loucurasedevaneiosbyliza.blogspot.com.br
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