A Letra Escarlate

A Letra Escarlate Nathaniel Hawthorne




Resenhas - A Letra Escarlate


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Cleide 28/10/2019

A letra escarlate
No começo, a leitura é um pouco maçante, mas assim que começa a ter ritmo, não conseguimos parar de ler. Gostei muito, a pequena Pearl é uma fada, uma bruxa, depende dos olhos de quem a vê.
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Eloisa.Goronci 22/10/2019

Bem prolixo, mas me fez perder o medo de ler clássico. A história é incrível, bem surpreendente. Acaba por fazer uma análise social do papel de uma mulher tida como adúltera em uma sociedade puritana.
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Geise @leiturasdageh 23/05/2019

Romance psicológico
No mês de março tive a oportunidade de conhecer mais esse clássico da literatura. Um livro publicado em 1850. Uma história que não tem muita ação, mas é repleto de pensamentos, sentimentos, questionamentos e reflexões, por isso ele foi intitulado como romance psicológico.
Nessa história vamos conhecer Hester, que é considerada uma adultera e tem como penitência carregar a letra A (de adultera) em seu peito para que todos saibam do pecado que cometeu. E isso até o fim dos seus dias. Diante de tamanha humilhação, pensamos que vamos encontrar uma mulher envergonhada, com baixa autoestima e que prefere viver escondida do que enfrentar a sociedade, não é? Mas não! Aqui vamos encontrar uma mulher forte, destemida, corajosa, muito à frente do seu tempo.
Aqui vamos ver como o ser humano é repleto de hipocrisia. Que se acha no direito de julgar os pecados dos outros como se fossem santos (Alguma semelhança com a época que estamos vivendo?) Quanto indignação eu tive ao acompanhar a trajetória de Hester.
Um livro excelente para nos fazer pensar e mudar em relação ao julgamento dos erros dos outros.
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IsrFernandes 12/05/2019

A carga do pecado
Numa sociedade em que a religião está intimamente ligada à própria lei civil, unindo as ordens cósmica e social, Hester Prynne é condenada por ter cometido um adultério. Sua pena, além de um tempo no cárcere, é exibir bordada no peito a marca deu seu crime-pecado.

Mesmo submetida ao juízo, ao escárnio e à segregação, Hester não aceita o papel de pobre coitada. Ao emergir da prisão, onde dera à luz a menina fruto do adultério, ela exibe a tal letra escarlate com altivez para o público ávido por execrá-la. Que ela não seja confundida também com uma rebelde e ou uma acusadora das regras sociais. Não questiona a punição, mas faz questão de ostentá-la, como o cristianismo adotou como símbolo a cruz onde Cristo padeceu.

Ela se recusa a revelar a identidade do cúmplice, mesmo quando a retirada da letra escarlate lhe é oferecida em troca de uma denúncia, oportunamente maquiada sob o verniz sagrado da confissão. Para ela, a humilhação pública não é pior do que a ruína de seu parceiro.

Apesar da atitude desafiadora que ostenta em público, intimamente, Hester sente vergonha genuína do bordado, pois sabe que o adultério marca sua consciência com uma culpa real. Além disso, os olhares, as insinuações, as piadas infantis, as imprecações em público e até os sermões na igreja a que sempre é exposta, estendendo a pena que cumpre no cárcere, fazem de sua vida em sociedade uma espécie de prisão perpétua.

Ela resiste à tentação de deixar a Nova Inglaterra para recomeçar a vida num lugar onde ninguém reconheça seu status. Prefere deixar que a sociedade a lembre permanentemente do seu pecado e, com isso, buscar a reconquista a pureza que o pecado roubara.

Isolada numa casa antiga e alienada de toda atividade social, Hester vive do mesmo talento que lhe permitiu enriquecer com detalhes o bordado em seu peito. Sua habilidade, tão rara quanto importante, embeleza os trajes de políticos, mortos, juízes, damas, crianças e militares. A exceção são os véus de noiva, símbolos da pureza virginal que ninguém quer ver maculada por uma adúltera.

Aparentemente à parte do martírio de Hester, Hawthorne explora a relação entre Roger Chillingworth, um médico com estranho pendor intelectual para o oculto, e Arthur Dimmesdale, jovem reverendo que padece de uma doença misteriosa.

Chillingworth, com sua curiosidade obstinada, luta contra o temperamento arredio e tímido do pastor, que parece empregar sua energia vital na ocultação de um segredo.

Apesar disso, o pastor conduz suas funções com maestria. Seu dom para o sacerdócio angaria uma popularidade superior à de todos os outros clérigos, mesmo os mais antigos e mais intelectualmente capacitados. A essa associação entre o sacerdócio protestante e os estudos, Hawthorne opõe o sofrimento de Dimmesdale, mostrado como adepto da prática da "corrupta fé romana" de se penitenciar com chicotadas.

Assim como Hester extrai do pecado seu sustento e sua purificação, Dimmesdale extrai de seu padecimento espiritual um dom extraordinário de levar a palavra divina aos fiéis da congregação.

Unidos por anos de martírio, Hester e Dimmesdale, planejam deixar a Nova Inglaterra. Depois de anos ocultando o pecado — agravado por sua função social — o pastor tem sua disciplina ascética subitamente relaxada pela promessa de liberdade. Com isso, ele passa a ser tentado insistentemente a dizer profanidades aos fiéis que recorrem a ele.

Percebendo que sua alma foi exposta à obsessão demoníaca, Dimmesdale, após um último sermão espetacular, abre mão do plano de fuga. No mesmo cadafalso da execração de Hester, assume seu pecado para o público.

A fuga da Nova Inglaterra carregava algumas implicações. Dimmesdale não tinha o direito de se libertar de Chillingworth. Afinal, o médico o persegue justamente por ter sido vitima de seu pecado. De certa forma, o pastor para si aquele demônio, como se seu pecado tivesse sido um ritual de invocação. Em suma, a presença maligna do médico, mais que uma assombração, é a cruz que Dimmesdale precisa carregar no íntimo, assim como Hester carrega sua própria em público. E é também verdade que Chillingworth, com a alma completamente tomada por um desejo implacável de vingança, também está preso a ele.

Com justiça, seu gesto final é um sacrifício que dá a Hester a liberdade da maldita letra escarlate que lhe fora prometida caso revelasse seu cúmplice.

Embora o moralismo seja o ponto de partida da história, Hawthorne não escreve uma apologia da rebelião social e nem mesmo uma crítica de costumes, o que não deixa de ser uma forma de moralismo. É uma história de aceitação estóica do sofrimento para buscar nele o sentido da vida.

O autor também não simplifica a relação entre bem e mal, mostrando de que forma virtudes e pecados podem conviver na alma de uma pessoa.

Há espaço, contudo, para a exposição de certos tipos ao ridículo. Alude-se, por exemplo, ao natural apelo erótico que a juventude e o status de Dimmesdale exerce nas moças virgens da comunidade, que precisam disfarçar a atração sob a máscara da reverência ao sacerdócio.

Do contraste entre a beleza selvagem de Hester no cadafalso e a feiúra de uma das senhoras que compõem o júri informal, fica claro que o moralismo tem muito menos a ver com zelo religioso do que com a inveja recalcada pura e simples.

Mesmo não tendo nenhuma passagem explicitamente sobrenatural ou mágica, “A Letra Escarlate” explora o transcendental. Mergulha na realidade espiritual dos personagens e permite ao leitor enxergar através da perspectiva ponto de vista deles, como pessoas criadas numa sociedade permeada pelo temor da bruxaria.

A imensa dificuldade que Chillingworth e Dimmesdale encontram, cada um a sua maneira, de se livrar um do outro, e a que Hester tem de se livrar da letra escarlate são símbolos de uma verdade: não há como simplesmente jogar fora a cruz do pecado.
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cadalivroqueleio 12/11/2018

@cadalivroqueleio
Esse é um dos livro que eu tinha curiosidade de ler mas fui procrastinando e acabei nunca lendo... Não posso dizer que está na minha lista de favoritos hoje, mas também não desgostei por completo.

A história se passa no século XVII em Salem, uma colônia puritana e moralista. Hester Pryne é uma mulher casada que cometeu adultério e sua punição é andar publicamente com a letra A de adúltera bordada em suas roupas. A pergunta é: com quem ela cometeu tal adultério?

O livro nos leva a refletir como uma obra publicada em 1850 pode ser tão atual. É incrível como a hipocrisia e o preconceito dos habitantes da cidade levam Hester a passar por uma penalidade absurda. Apesar disso, ela se torna uma personagem forte e sensível.

Vale ressaltar que o início do livro conta com um capítulo enorme sobre a alfândega e como a história da letra escarlate foi “descoberta”. Achei esse início bem cansativo é desnecessário... A leitura do livro em si também se torna um pouco arrastada pela quantidade absurda de detalhes e divagações do autor.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
O livro algumas adaptações cinematográficas, a mais conhecida e atual sendo com a Demi Moore! Essa leitura fez parte do Desafio Rory Gilmore que estou fazendo junto com a @sugadaporumlivro 💖

site: https://www.instagram.com/p/BpNIoy-n8bn/
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Sugada Por Um Livro 01/11/2018

O pecado
Um clássico da literatura americana, o romance e ficção “A Letra Escarlate”, do saudoso Nathaniel Hawthorne (1804 – 1864), publicada pela editora @penguincompanhia

Com uma narrativa impactante e carrega de mistério, o saudoso autor, nos convidada a adentrar na vida da nossa heroína, Hester Prynne.

Em uma sociedade puritana do século XVII, o pecado é mortal e Hester é destinada a usar a letra escarlate por toda eternidade pelo simples fato de sucumbir ao desejo carnal.

Uma obra complexa que levanta várias questões sobre o crime de adultério do ponto de vista de uma sociedade de séculos atrás, mas será que não fazemos o mesmo hoje?

Um dos pontos fortes da história é forma de como a mulher é retratada. Nossa protagonista, apesar da vergonha em que é exposta, não se entregada aos dogmas de sua época. O que vemos é a figura de uma mulher forte e amável, uma mãe antes de qualquer dificuldade e seu amor próprio. Afinal, o que significa a letra "A" bordada tão delicadamente?

Quem é o acusador e quem é vítima? Quem cometeu o maior crime? A sociedade puritana do século XVII ou Hester Prynne?

Curiosidade: 1. Nathaniel Hawthorne (1804 – 1864) é considerado o primeiro grande escritor dos Estados Unidos; 2. A obra “A Letra Escarlate”, teve sua primeira edição publicada em 1850. O livro esgotou em apenas um mês; 3. A personagem Hester Prynne, é considera a primeira heroína da literatura americana; 4. A história teve 3 adaptações para as telas de cinema. A priemira em 1926, pelo diretor Victor Sjöström,a segunda em 1934, pelo diretor Robert G. Vignola e por último em 1995, pelo diretor Roland Joffé.

Fonte de Pesquisa: Wikipédia

Ps.: 1. É impossível não ficar preso no sofrimento da protagonista e no mistério envolvendo o nascimento de sua filha; 2. É incrível, mas o nosso mundo não é tão diferente da Hester Prynne; 3. A obra é o 2º livro do #desafiororygilmore que estou fazendi.

site: https://www.instagram.com/sugadaporumlivro/
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Tati 31/10/2018

Passada na Nova Inglaterra do século XVII, quando ainda se queimavam bruxas, “A Letra Escarlate” narra a história de Hester Prynne, jovem mulher de grande beleza que, tendo uma filha de relação conhecidamente adúltera, é condenada a para sempre expor o emblema de sua vergonha e de seu pecado no peito sob a forma de uma letra “A” escarlate. Questionada pelos seus sentenciadores sobre quem teria sido o cúmplice do pecado para que este pudesse compartilhar do mesmo destino, a protagonista afirma peremptoriamente sua intenção de levar esse segredo para o túmulo.

A partir dessa cena inicial é que a história se desenvolve. Nisso, a narrativa segue por várias fases do texto sem que haja qualquer diálogo, tal é o isolamento forçado à personagem pelo julgamento dos membros da sociedade que talvez tenham como única vantagem poder esconder os seus pecados dos demais, ao contrário de Prynne, para quem a própria filha perenemente simboliza a falta cometida. Tal suposta vantagem se haverá de por em dúvida a partir do momento em que a narrativa – finalmente agora encontrando diálogos a retratar – se aprofunda sobre outros personagens, cujas interações podem revelar mais dos segredos que, se dependêssemos da admissão verbal dos personagens, poderíamos não ser capazes de alcançar.

Um romance focado na penitência, na culpa, na autoflagelação e até mesmo em vingança, “A Letra Escarlate” pode ser lida de diversas formas, seja como um retrato da hipocrisia de uma sociedade sempre disposta a julgar e a pregar pela moral e pelos bons costumes, desde que enquanto capaz de manter seus próprios pecados em segredo; seja através da análise do ponto de vista da fibra e da humildade da heroína em seu comprometimento com a punição que lhe fora imposta pelos outros e, por que não, por ela mesma.
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Bia 28/06/2018

Hester Prynne: Uma personagem forte.
A Letra Escarlate, obra que foi publicada em 1850, mostra como muitas pessoas ainda precisam evoluir em pleno século XXI. Mesmo tanto tempo após sua publicação, não é incomum encontrar pessoas com o pensamento tão ultrapassado. A obra mostra a jornada de uma personagem forte, paciente e decididamente íntegra, que mesmo com tudo e todos contra ela, não se deixou abalar nem endureceu seu coração, e o modo como ela decidiu viver após o ocorrido, ajudando os pobres que, muitas vezes, a pagavam com ingratidão, andando em retidão e educando sozinha da melhor forma possível sua pequena filha, fez com que ela se transformasse num exemplo até mesmo para os seus perseguidores.

Hester Prynne é uma jovem casada, que em acordo com seu marido, decidem se mudar para o Novo Mundo. Seu marido decidiu que ela viajasse antes, sozinha, pois ele ainda tinha alguns negócios inacabados, e precisava retardar sua viagem. A história se passa na Salem do século XVII, colonizada por puritanos vindos da Inglaterra.
Hester já vivia na comunidade há dois anos, sem notícia alguma de seu marido. E de repente aparece grávida...
O adultério era um crime punível com a morte. Hester é presa imediatamente. Ainda na prisão, ela deu à luz a pequena Pearl, fruto de seu amor proibido, que muitos passaram a chamar de filha do diabo.
Entretanto, a jovem recebe uma punição considerada leve pelos habitantes locais: ao invés da pena de morte, ela seria obrigada a levar a letra "A" de Adúltera bordada em suas roupas pelo resto da vida, como um lembrete de sua desonra. Hester e sua filha, com apenas três meses de vida, são expostas em humilhação diante de toda a comunidade, durante três horas, no mesmo local onde criminosos eram executados. Mesmo diante de tal humilhação, não quis confessar quem era seu amante. E foi em meio à multidão que ela avistou o homem com quem fora casada até então. O mesmo havia sido prisioneiro de índios, que agora exigiam o resgate por ele.
Este, passa a atuar na comunidade como médico, aproveitando-se de conhecimentos adquiridos enquanto refém. Adota o nome de Roger Chillingworth. Em uma visita à prisão, confronta Hester, para que esta lhe diga o nome de seu amante e, após ela negar, ele decide então fazer um acordo: Que o casamento deles seja segredo perante todos, mas que a partir de então ele dedicaria sua vida para descobrir a identidade do amante dela, e cumprir sua vingança...

Ao expor o preconceito de uma sociedade hipócrita, que desconta no pecado alheio o medo do julgamento divino por seus próprios erros, o autor representa as falhas, angústias e misérias da humanidade, levando a reflexões diversas a respeito de uma religião impiedosa e opressora.

Pra quem for ler essa edição, vale ressaltar que o início do livro é a partir da página 53, pois antes disso, há detalhes desnecessários, na minha opinião, sobre a alfândega, funcionários que passaram por lá, até que em meio a muitos objetos ele encontra um pedaço de tecido bordado com a letra "A", etc, etc... eu quase desisti de ler o livro, estava muito maçante, até que decidi folhear e vi que melhor seria pular esta parte, pois o importante era a partir da página 53.
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Deghety 23/04/2018

A Letra Escarlate
A Letra Escarlate traz como protagonista Hester Prynne, uma jovem que é condenada a usar no seio a letra A em escarlate como um castigo à seu crime e/ou pecado.
"Hester Prynne veio a ter um papel a desempenhar no mundo. A sociedade, que a marcara com um ferrete mais intolerável para um coração de mulher do que o que assinalou a fronte de Caim, não a pôde proscrever completamente, vencendo-lhe a natural energia de caráter, e a rara capacidade. "
Hester vive a marginal da comunidade, junto com sua filhinha Pearl, criança personalidade misteriosa e fruto do tal crime.
A história gira em torno de 4 personagens, Hester, Pearl, o médico Roger Chillingworth e o Reverendo Arthur Dimmesdale e como são atormentados pelo laço que os une.
Numa visão geral, Hawthorne põe em questão o comportamento humano a respeito de julgamento, hipocrisia e suposta moralidade.
"O ambiente não deixava de refletir o respeito que sempre envolve o espetáculo da culpa e da degradação de um semelhante, enquanto a sociedade não estiver bastante corrupta para sorrir em vez de tremer diante dele. "
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Deghety 23/04/2018

A Letra Escarlate
A Letra Escarlate traz como protagonista Hester Prynne, uma jovem que é condenada a usar no seio a letra A em escarlate como um castigo à seu crime e/ou pecado.
"Hester Prynne veio a ter um papel a desempenhar no mundo. A sociedade, que a marcara com um ferrete mais intolerável para um coração de mulher do que o que assinalou a fronte de Caim, não a pôde proscrever completamente, vencendo-lhe a natural energia de caráter, e a rara capacidade. "
Hester vive a marginal da comunidade, junto com sua filhinha Pearl, criança personalidade misteriosa e fruto do tal crime.
A história gira em torno de 4 personagens, Hester, Pearl, o médico Roger Chillingworth e o Reverendo Arthur Dimmesdale e como são atormentados pelo laço que os une.
Numa visão geral, Hawthorne põe em questão o comportamento humano a respeito de julgamento, hipocrisia e suposta moralidade.
"O ambiente não deixava de refletir o respeito que sempre envolve o espetáculo da culpa e da degradação de um semelhante, enquanto a sociedade não estiver bastante corrupta para sorrir em vez de tremer diante dele. "
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Well 21/04/2018

A herança de um pecado
Considerado um dos primeiros romances da literatura americana, pertencente ao American Renasscence, o que poderia ser o "romantismo" americano, mesmo podendo ser classificado dentro do "simbolismo".
Independente da classificação em períodos ou "escolas" literárias, esse romance possui uma singular importância para história americana.

Escrito em 1850, foi um dos mais famosos romances de Hawthorne. A trama conta a vida de Hester Prynne, uma jovem que, na Salém do século XVII, cometeu um ato de adultério e é condenada pela sociedade puritana da época, a usar sobre o peito uma letra "A" estampada em vermelho e dourado, como símbolo de sua ignomínia (palavrinha bastante utilizada no livro). Para piorar ela se recusa a revelar o nome de seu amante. Para piorar ainda mais ela, logo no primeiro capítulo já está com uma filha no colo, fruto de sua traição.
Seu marido permaneceu na Europa... Mas o "pecado" dela torna-se (ou se tornaria se fosse revelado...) ainda pior porque o pai da pequena Pearl, sua filha, é Dimmesdale: um reverendo local, bonito e bem quisto pela população.
Isso não é um spoiler pois nos é revelado antes do meio do livro.

Tudo isso e mais alguns outros eventos misteriosos e até místicos por assim dizer, engloba toda a história. Sim, os acontecimentos se resumem a poucas coisas, podendo ter sido apenas um conto se fosse um tanto mais direto.

O romance é prolixo em descrições de paisagens e alegorias sobre os temas abordados na obra, como a hipocrisia social, a religiosidade, o simbolismo envolvendo quase todos os personagens, tornando a leitura um pouco arrastada. Mas nem por isso menos importante.
É instigante ler esse livro porque ficamos o tempo todo querendo saber o desfecho e o destino dos personagens, principalmente as femininas. Pearl é de uma sagacidade impressionante, sendo considerada, por mim ao menos, como o maior símbolo de honestidade da trama. Hester é uma protagonista forte, corajosa e suporta sua punição com uma resiliência invejável, fazendo-nos vê-la não como uma pecadora, e sim como uma mulher que cometeu um deslize e por isso é demasiada humana como qualquer um de nós.

Um livro interessante, mais pelas suas reflexões levantadas nos leitores do que pelo seu desenvolvimento de narrativa. Recomendado para quem tem paciência para digerir uma história profunda e que discorre de forma lenta, mas nunca trivial.
Um clássico notável.

Curiosidade: a introdução "A alfândega" é chata e cheio de detalhes, porém o autor conta sua experiência de emprego nesse local e como encontrou um símbolo A e cartas de uma possível Hester que realmente pode ter existido.
E... A época em que o livro se passa é a mesma em que rolava as queimadas às bruxas em Salém.
E última curiosidade, o bisavô do autor foi um dos juízes desse período macabro e o autor mudou seu nome de "Hathorne" acrescentando o "w" em seu sobrenome para evitar associações.
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Alex 18/11/2017

Esse livro é uma cacetada no moralismo, no tribunal da opinião pública; desconstrói o conceito de valores éticos e morais como verdade divina e inquestionável e o apresenta em sua forma crua: uma construção política que reforça o status quo de um sistema (obviamente patriarcal) de controle e obediência, para assim termos uma comunidade "produtiva e harmoniosa".

Um clássico em sua melhor definição: atemporal (a história se passa em 1600 e bolinha, narrada por alguém em 1850, mas cairia muito bem em 2017, tempos em que uma mulher se tornou nacionalmente conhecida depois que foi filmada e exposta em grupos de Whatsapp com um amante na entrada de um motel, para a crueldade festiva de uma sociedade hipócrita e insaciável).

Hester Prynne é uma das personagens mais interessantes que conheci em toda a ficção. Uma rosa contra "uma turba de homens barbados" (primeira frase do livro).

Ps.:A edição da Penguin está impecável!
Ps.²: O conto A Alfândega, que serve de introdução, é uma pérola! Uma humor afiado, inteligente, autoconsciente. Incrível. Para mim, a melhor parte do livro. Li e reli antes de entrar em A Letra Escarlate.
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leila.goncalves 21/10/2017

A Moral Não Segue A Letra Da Lei
"A Letra Escarlate" narra a redenção moral de uma mulher adúltera, tendo como cenário a cidade de Boston durante o século de XVII. Em 250 páginas, Hester Prynne ao lado de sua filhinha ilegítima terá de enfrentar o julgamento de uma sociedade colonizada por puritanos, que distante da hipocrisia que dominava a França de "Madame Bovary" ou a Rússia de "Anna Karenina", está disposta a formar um país baseado na severidade das leis e nos princípios religiosos.

De fato, naquela época, o sexo fora do casamento poderia ser penalizado com a pena de morte, no entanto, não há registro de que alguma pessoa teria sofrido o mesmo castigo imputado à Mrs. Prynne. O "A", de adúltera, bordado em suas roupas, provavelmente, foi produto da imaginação do escritor que também acrescentou um "W" a seu sobrenome. Aliás, Nataniel Hawthorne era descendente de uma família tradicional e seu tataravô foi o magistrado do rumoroso caso das "Bruxas de Salem".

Sem dúvida, Hester é o grande destaque de "A Letra Escarlate" graças à força de seu caráter. Nenhuma outra personagem é tão fascinante, nem Chillingworth, seu velho e cerebral marido, que é incapaz de amá-la ou seu amante, o Pregador Dimmesdale, que não assume os sentimentos e obrigações, priorizando seu papel na sociedade, decisão que termina por consumi-lo de culpa.

O livro exibe a eterna luta entre amor e liberdade assim como o poder da sociedade sobre o indivíduo e de suas obrigações para com ela. Trata-se de uma leitura rica que aborda temas como paixão, ciúme, hipocrisia, fraude e mentiras a partir da perspectiva de um Estado em que contrariar as leis, significa quebrar princípios religiosos.

Publicada originalmente em 1850, não há final feliz para essa história que Henry James, grande admirador de Hawthorne, descreveu como uma das ?mais tristonhas? da literatura inglesa. Sua leitura é um desafio muitas vezes cansativo, Hawthorne apresenta sob o ponto de vista vitoriano uma narrativa especialmente indicada para quem aprecia romances de época.

Finalmente, não deixe de assistir a adaptação para o cinema, realizada em 1995, tem Demi Moore no papel principal.

Nota: Esta edição foi feita com muito cuidado pela Penguim Editora. Com prefácio do autor e posfácio de Nina Baym, exibe tradução de Christian Schwartz, boa revisão e diagramação. Recomendo.
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