A Letra Escarlate

A Letra Escarlate Nathaniel Hawthorne




Resenhas - A Letra Escarlate


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Anica 07/04/2009

A Letra Escarlate (Nathaniel Hawthorne)
Li no final de semana passado, e simplesmente devorei o livro. Sim, ele é curto e é bem fácil devorá-lo em um final de semana. Mas não é só por ele não ser um tijolão, é porque a narrativa flui muito bem e Hawthorne consegue manter sua curiosidade do início ao fim da história de Hester Prynne. Na puritana Nova Inglaterra do século XVII, a mulher é acusada de adultério e deve usar uma letra A escarlate para mostrar para todos o crime que cometeu.

A questão de como Hawthorne prende nossa curiosidade se dá primeiro porque Prynne se mantem firme na idéia de não revelar quem era seu amante (aliás, que fique claro: em nenhum momento há dúvidas se ela traiu ou não). E o autor vai lançando dicas aos poucos, e só entrega a identidade dele quando já fica óbvio para o próprio leitor. Depois disso, a curiosidade se dá em saber o que acontecerá com o amante, e com a própria Prynne.

É um romance pesado, carregado. Não fica suave nem mesmo com o humor do Hawthorne, porque ele é muito cáustico. Não é leitura daquelas para te fazer sentir mais feliz sobre a humanidade, porque mostra o pior da humanidade: seja nos puritanos que fazem de Prynne uma pária por ela ter se envolvido com outro homem, seja pelas reações do amante [spoiler: selecione o texto para ler] que é um covarde, convenhamos. Eu fiquei com muita raiva da primeira vez que a Pérola pergunta “Você vai ficar aqui amanha conosco? Vai segurar em nossas mãos como está fazendo agora?” e ele responde que o fará no juízo final[/fim do spoiler].

É interessante também como Hawthorne apresenta Pérola, a filha de Prynne com o amante. Prynne chega a vestir a menina de escarlate, tal como a letra que carrega no peito - um prolongamento do pecado da mãe. Apesar de ser uma criança, Pérola é a personagem que melhor visão tem de todos os acontecimentos, inclusive ela deixa claro que sabe quem é o homem por trás da letra A, quando comenta com a mãe que ele está sempre com a mão no coração.

Uma história da dualidade humana, bem versus mal, mas extremamente sutil. A pena é que Hawthorne erra um pouco a mão no fim e tenta fazer um final feliz (pelo menos para Pérola), achei um pouco desnecessário. Mas mesmo assim não estraga o todo e é certamente um daqueles que caberia em uma estante de “livros que todos deveriam ler”. Tem uma versão para o cinema com Demi Moore e Gary Oldman, mas lá no Meia Palavra já li comentários de que mexem muito na história e ela fica bem pouco fiel.


Jé Barros 21/02/2020

Um clássico maravilhoso.
Hester é acusada de ser Adúltera, como punição ela tem que usar uma letra bordada no peito. Ela se recusa a declarar quem é o pai da criança e uma pessoinha jura descobrir e fazê-lo sofrer. Hester começa a viver isoladamente em uma cabana com sua filha Pearl, ela passa por muita humilhação por conta de seu pecado, tendo a opção de ir embora dali mas ela decide ficar e pagar pelo seu erro. No desenrolar da historia, ficamos sabendo quem é a pessoinha que jura vingança e quem é o pai da menina. Apesar da humilhação que ela carrega e a vergonha, Hester é uma excelente bordadora, toda a comunidade de Salém requisita seus serviços, possibilitando o sustento dela e da filha. Sabemos que Hester e o pai da criança tiveram um romance, porém senti falta no livro explicando como aconteceu esse amor e se de fato foi amor(ou apenas 1 que amava), já que no Posfácio de Nina Baym nos mostra atitudes bem egoístas de certo personagem.

Viver em uma comunidade puritana não deve ser fácil, a Igreja controlava TUDO e qualquer pensamento ou ações "duvidosas" era tudo culpa de Satã.
Para mim é incrível ler um romance deste e tentar me colocar na época, acho que eu seria morta rapidinho hahaha.
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Paty 30/06/2016

Hawthorne conhece como ninguém o coração do homem. O mínimo que podemos considerar a respeito desse romance, de não mais de duzentas páginas, é que ele é surpreendentemente amargo e fabuloso.


Dirce 09/09/2010

Os pecadores.
A LETRA ESCARLATE, é um tipo de literatura que aborda uma temática que eu gostaria de poder dizer: Que bom que essa temática está superada.Que bom que ela inexiste nos dias atuais. Que bom que é uma temática que se perdeu ao longo do caminho da História. Mas, lamentavelmente, não posso dizer nada disso, pois quando se trata da infidelidade conjugal, a mulher é a penalizada, e a história parece não ser uma looonngaaaa reta, e sim, um Roda Viva, haja vista, que manchetes com letras garrafais nos informa que uma mulher iraniana que manteve " relações ilícitas" recebeu 99 chibatas e possivelmente será condenada a morte por apedrejamento. Bem, agora surgiu um papo de envolvimento no homicídio do marido. Será?
Assim como essa iraniana, a protagonista do romance: Hester Prynne, uma mulher transgressora que viveu no século XVII em uma sociedade americana com princípios morais e religiosos rígidos, recebe, por ter mantido um relacionamento extra-conjugal, uma severa punição: carregar no peito a letra "A" de adúltera.
Hester e a filha Pearl (fruto desse relacionamento e que é considerada um mal pela sociedade da época ) vivem isoladas em uma cabana completamente ignoradas.
Interessante notar como a intolerância e uma moral rígida leva um erro assumir a proporção de um pecado tão mortal a ponto de fazer o " pecador" (reverendo Dimmesdal )definhar em vida e a "pecadora" (Hester) a necessidade de ostentar seu estigma mesmo quando desobrigada a isso. A religião e a sociedade conseguiram incutir no reverendo Dimmesdal e na Hester Prynne a idéia de que seus erros, necessitavam ser severamente punidos até por eles mesmos:os "pecadores" .
Achei um romance muito bom, muito bem escrito, sem muitos floreios e que me levou QUASE a concordar com uma tese que li , ou ouvi em algum lugar - atribuída a Nietzsche - de que o homem não é bom por sua natureza, e sim por temer Códigos Doutrinais Divinos ( se não for exatamente isso, é algo parecido).
Lamentei não saber o real destino de Pearl. Oxalá ela pudesse representar a mulher que respeita e é respeitada, não por temor a qualquer tipo de punição, mas sim como consequência natural do amor e do companheirismo.



Ci.Bonatto 26/02/2020

Massante
Este livro foi uma leitura do clube do livro, sempre traz histórias não tão conhecidas. Achei o início até interessante a premissa de um tema tão forte como o puritanismo da igreja, adultério e a intolerância. numa sociedade conservadora. Mas não me cativou nem os personagens nem a escrita do autor, a começar pelo prefácio demasiado longo e desnecessário e que em nada acrescenta na estória. Eu achei que tem muitos pontos relevantes pra discussão, e que alguns ainda vemos hoje na nossa sociedade de forma mais velada, porém ainda presentes.
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Ana Carolina Wagner 26/02/2020

O que é sororidade?
Resenha completa com citações em @tagarelicesdacarol e em breve, vídeo no meu canal.

A Letra Escarlate | Nathaniel Hawthorne | EUA | 5/5 | @penguincompanhia | 1850 (2017) | 336 págs.
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O que é sororidade? Certamente era um conceito desconhecido na Salem do século XVII, colonizada por puritanos vindos da Inglaterra. Mesmo com uma escrita bem poética, o autor mostra o quanto a sociedade era conservadora, preconceituosa, impiedosa e, principalmente, hipócrita.
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Hester Pryne, nossa protagonista, é uma jovem que cometera adultério resultando em uma filha ilegítima, algo que para esta sociedade moralista era um crime punível com a morte. No entanto, como seu marido estava desaparecido e ninguém sabia se ele estava morto, ela recebeu uma pena "mais branda": fora obrigada a levar para sempre a letra "A" de Adúltera bordada (em vermelho) em seu peito. As outras pessoas mulheres, ao saberem dessa punição "amena", consideravam uma verdadeira afronta. Por isso, além de exposta, sempre que possível era ridicularizada e humilhada publicamente.
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Alguns questionamentos surgem durante a leitura: quem era o pai de sua filha? Por que ele não encarava as consequências publicamente? Por que Hester o escondia? Amor? Medo? Proteção? Apesar de ser uma história sem muita ação, a narrativa de Nathaniel é repleta de reflexões, simbolismos e sentimentos. Uma espécie de romance psicológico.
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Se você pensa que vai encontra uma mulher envergonhada e com medo da sociedade, está bem enganado. É apaixonante a forma como ela lida com a sua dor. Sua força e coragem são invejáveis. É uma mulher destemida... bem à frente do seu tempo. Por isso, é considerada um dos primeiros símbolos da luta feminina por liberdade.
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O história não é para questionar a culpa de alguém nem para saber se o adultério é realmente um pecado. O mais importante é como Hester lida com a sua situação.
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Infelizmente, o livro é extremante atual: ainda vivemos em uma sociedade em que as pessoas julgam os pecados dos outros como se seu telhado não fosse de vidro.

site: https://www.instagram.com/tagarelicesdacarol/
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Aline Teodosio @leituras.da.aline 27/03/2020

Estados Unidos, século XVII, numa sociedade altamente puritana, Hester Prynne é levada ao cadafalso pelo crime de adultério. Porém, pelo fato de seu marido ter desaparecido, deixando-a desamparada, ela recebe uma pena mais "branda", que é carregar para sempre no peito a insígnia A escarlate, o A de adúltera, rebaixada à escória da sociedade.

Apesar de toda a vergonha de carregar o peso moral da letra escarlate, junto com o fruto do seu pecado, a pequena Pérola, Hester se mantém uma mulher forte e altiva. Acatando a sua reclusão, mas ciente de sua responsabilidade de mãe, ela sobrevive por meio da sua arte e do seu altruísmo.

O livro em si é de poucas ações e de muito mais reflexões. A escrita é rebuscada e poética, e pode entediar alguns leitores. Mas a narrativa é um mergulho na alma daqueles que sofrem. Hester sofre com os olhares julgadores e com a exposição. Enquanto isso, o adúltero sofre por esconder o seu pecado. Um sofrimento tão intenso que vai consumindo a sua alma. Covardia? Talvez. Hester enfrenta. O adúltero teme, se sufoca, se afoga em culpas e lamúrias.

Mais do que uma história sobre traição, A letra Escarlate é uma crítica a uma sociedade julgadora e hipócrita que esconde de forma funesta seus próprios pecados. Uma crítica à religiosidade cega e irracional. Uma reflexão sobre a moral e os sentimentos humanos.
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Bia 20/05/2017

Clássico mais que recomendado!
O livro foi publicado em 1850 nos EUA. Já ganhou adaptações para os cinemas, uma em 1926 e outra em 1995; a última estrelada por Demi Moore.

Particularmente, gosto de clássicos e até fiz um desafio pessoal em ler mais clássicos neste ano. Assim sendo, fiquei muito empolgada em ler um livro que tem tanto significado histórico.

O que me deixou triste foi o fato de não encontrar uma edição física para comprar que não fosse de bolso. Vocês bem sabem que tais edições acabam sendo desconfortáveis para leitura, uma vez que as letras são demasiadamente pequenas e os espaçamentos entre parágrafos e linhas praticamente inexistentes.

Mas, quando li a primeira página do livro, a edição já não foi um incômodo. A Letra Escarlate é um clássico que, com toda certeza, prende o leitor.

Hester Prynne é nossa protagonista. É uma mulher que cometera um crime que, para a época, era considerado muito grave: o adultério.

Estamos no século XVII, e nesta época, tal crime poderia ser punido até mesmo com a morte. Mas vamos analisar a situação da nossa então pecadora.

Hester era casada, porém seu marido havia partido para uma viagem e ninguém sabia sobre seu paradeiro. Assim, ela acabou por traí-lo e desta traição nasceu a pequena Pearl.

Não temos detalhes a respeito desta traição, tão pouco sobre como era o casamento de Hester. Nós a encontramos bem no dia de seu julgamento. A prova da traição era a então bebê. Hester estava presa e como sentença teria de usar a letra A, bordada em vermelho bem no peito, símbolo de ADÚLTERA, por toda sua vida.

Acreditem, sua pena fora considerada abranda, uma vez que ninguém sabia ao certo se o marido da “criminosa” estava morto.

É válido analisarmos a cultura do povo local. Estamos de frente a uma sociedade puritana, que abomina quaisquer tipo de pecado que acreditem ir contra os desígnios de Deus.

Sororidade era uma palavra completamente desconhecida. As outras mulheres, ao saberem da punição amena de Hester, consideravam uma verdadeira afronta.

Hester fora exposta, ridicularizada, humilhada de todas as formas possíveis perante toda a cidade. Mas, em momento algum, ela revelou o nome de seu amante. E ai ficamos com a pulga atrás da orelha: quem seria esse homem? Por que não se apresentava? Qual o motivo de Hester escondê-lo? Medo? Proteção? Amor?

Com o fim da prisão e portando a letra em seu peito, ela decidira por continuar no vilarejo. Ficou isolada em uma cabana, juntamente com sua filha, sem amigos; sendo o símbolo vivo do pecado. Mas não pensem que estamos diante de uma protagonista dramática. Hester é forte, conseguia manter a ela e sua filha.

Tinha o talento incrível ao manusear, com zelo, uma agulha. Tal talento estampava as vestimentas até mesmo de autoridades.

Mesmo forte, mesmo enfrentando a situação em que se encontrava sem recorrer a fuga ou morte, ela sofria todos os dias. A letra estampada em seu peito era tida como uma verdadeira chama do inferno. E claro que Hester acreditava fielmente que seu pecado era o maior que poderia existir.

Com o passar do tempo, Pearl cresce e torna-se uma criança linda. Sua mãe a vestia como uma verdadeira fada, mas percebemos certa peculiaridade na menina. Aliás, até mesmo Hester, por vezes, não entendia “o que era” sua pequena Pearl.

Assim como a mãe, a garota era julgada pela sociedade como fruto do pecado; alguém que não seria digna em conviver com os cidadãos puritanos do vilarejo.

As pessoas as ofendiam sempre que tinham oportunidade. E mesmo com todo esse sofrimento, Hester não revelava o nome de seu amante, pai de sua filha.

É engraçado lermos uma obra escrita há tantos anos atrás que traz um tema, mesmo com as adequações para a época, tão discutido nos dias atuais.

Os sentimentos da protagonista, vergonha, medo; a convicção em achar que aguentar as ofensas e os julgamentos é uma forma de pagar pelo erro que cometera; soaram completamente comuns à nossa realidade. Infelizmente.

Quantas mulheres não são condenadas em ofensas e julgamentos pelo adultério? E quantos homens temos nessa posição, praticantes do mesmo “crime”?

É uma obra que, quando vista pelo simples modo de entretenimento, nos prende por ter esse suspense em torno do pai de Pearl. E ao mesmo tempo, ficamos completamente curiosos em saber qual seria o destino de Hester e sua filha.

Por outro lado, também tem o poder de levantar questionamentos sobre a posição da mulher perante a sociedade. Foi completamente reflexivo, pessoalmente falando. Eu considerei até mesmo aqueles vídeos compartilhados no whatsapp que mostram sempre a mulher adúltera como uma grande vilã, que merece ser exposta em praça pública. Em compensação, o parceiro, assim como o amante de Hester, sempre é preservado. O homem adúltero também. Não vou entrar em detalhes sobre essa discussão, afinal estamos numa resenha aqui.

Voltando ao enredo, Pearl é uma criança a qual eu gostaria de acompanhar de perto seu desenvolvimento. Queria que tivesse um livro que a trouxesse como protagonista. Mesmo com toda a inocência de uma criança, Pearl se mostrou a frente de seu tempo e inconformada com sua posição, mesmo sem compreender ao certo. Hester sentia receio pela personalidade da filha, e muitas vezes a considerava como a enraização do próprio demônio. Mas como julgar a mãe que enxergava sua filha assim? Estamos falando do século XVII, onde mulheres a frente de seu tempo eram verdadeiras bruxas.

Foi uma obra muito importante para mim, apreciei a leitura por completo, a escrita é ótima e fácil em ser compreendida. É um livro gostoso em ser lido e por incrível que pareça, mesmo com as letras pequenas, foi uma leitura bem rápida.

Recomendadíssimo!

site: http://pausaparapitacos.blogspot.com.br/2017/05/resenha-letra-escarlate-nathaniel.html
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Cyntia Bender 06/04/2020

Ô leiturinha desgraçada...
Posso começar dizendo que esse livro não era nada do que eu esperava. Quando peguei essa leitura o que mais me interessou foi a descrição sobre a personagem principal indo contra a sociedade com um ato de rebelião ao castigo a que ela era exposta. E outra coisa que muito me chamou a atenção é que a história se passaria em Salem, quem não sabe de todas as possibilidade que essa pequena cidade carrega no nome, quem não gosta de uma boa história de bruxas afinal de contas? Ou no caso, de um fundo histórico baseado nas barbaridades da caça as bruxas na tão famosa cidade Salem. Bom já dá pra notar pelo inicio desse texto que meus interesses não foram adiante.
Achei a leitura massante, muito descritiva e me deu um pouco de incomodo o fato de a Hester (a protagonista) no fim das contas "proteger" a omissão do principal causador da sua dor. Não sei se pelo fato de ter sido escrito por um homem, mas acho que faltou muito mais identidade para a Hester, ela ficou uma personagem muito fraca. Esperava uma história de mais poder feminino, já que a história começa com um certo posicionamento da protagonista que indica um caráter muito diferente do que acabamos acompanhando no decorrer da história.
Enfim, como um clássico acho que vale a leitura pela experiência, mas não teria outro motivo pra indicar esse livro.
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- J 14/02/2020

Um surpreendente clássico
Após anos do sumiço de seu marido, Hester Prynne é descoberta grávida, e com o bebê prestes a nascer. Mas não quer revelar quem é o pai, para proteger sua fama e reputação. Até que aquele que era julgado morto aparece para iniciar uma investigação própria.


Dividido em pequenos capítulos, o que é bastante raro para um livro clássico, esta estória é bastante fácil de ler. Além disso, pela sinopse é fácil pensar que não apresenta qualquer dinamismo, porém é totalmente mentira. O livro não para. Em todo momento, vemos mais um mistério e a curiosidade surgindo! Me pareceu bastante um precursor dos thrillers, mas, claro, que não tão acelerado quanto os que temos atualmente; é um livro antigo, lembremos.


Apesar de ter descoberto desde quase o início quem era o pai da pequena Pearl, o livro em nenhum momento perdeu a graça. Exatamente pelo que citei acima: haviam coisas demais me deixando interessada!


Só peço, por último, aos que leram ou lerão um pouco de compreensão, pois o puritanismo nesta época era extremamente forte, tornando religião e lei quase a mesma coisa. Para alguns, será bastante difícil suportar isso, porém, mesmo imaginando que seria um deles, eu eventualmente consegui. E não me arrependo nada. Tentem!
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Nise 17/06/2012

Há alguns anos, eu assisti o filme "A letra escarlate" estrelado por Demi Moore, e gostei tanto do enredo que sempre quis ler o livro (considero os livros, "melhores contadores de histórias" que os filmes) mas na época, eu não tinha condições de comprar livros e, lembro também, de não tê-lo encontrado em nenhuma biblioteca que eu frequentava. O tempo passou, a ânsia em ler tal obra enfraqueceu e a leitura tão desejada, foi sendo adiada e adiada...até que, em um belo dia navegando pela net, me deparei com a imagem da capa do "dito cujo". Minha mente vagou para os anos de outrora e, fui tomada por um desejo ainda maior que o antigo de adquirir e ler esta obra. E eis aqui o desejo realizado...

Sim, eu sei que o parágrafo acima se faz desnecessário para quem quer apenas saber minha opinião, mas eu me senti coagida a fazer isso e não encontrei meios de me abster de tal sentimento. As minhas expectativas em uma boa leitura foram grandes; as ótimas criticas que li a respeito desta obra e a ânsia "renovada" em lê-la, fizeram eu esperar muito deste livro...e vocês não podem (ou podem) imaginar a minha decepção ao iniciar a leitura e me deparar com a "A alfandega". Este é o título da introdução de A letra escarlate e aqui, Hawthorne escreve uma "quase" autobiografia, narrando um pouco a respeito de si mesmo em um texto de aproximadamente 40 páginas, que mescla realidade e ficção. Eu aprecio autobiografias e esta, por sinal, é muito bem escrita, a minha insatisfação se deu pelo fato de eu não esperar por isso e também (aqui, talvez minha ansiedade ajudou), por considera-la extensa e repleta de detalhes desnecessários para a introdução do romance. Mas, a leitura da mesma é válida, ela revela detalhes de como originou a história e o autor até se explica sobre o impulso autobiográfico que teve, então, não deixem de ler, mas se estiverem ansiosos pelo romance em si, leiam a introdução por último. PS: Creio que foi o "impulso autobiográfico" de Nathaniel Hawthorne, que me "coagiu" a escrever o primeiro parágrafo da "Minha opinião". Uma punição por meu desânimo inicial... (risos)

A letra escarlate é um romance denso, forte e dramático do início ao fim. É um livro de narrativa reflexiva e de poucos diálogos, escrito de forma poética e linguajar esmerado. Hawthorne envolve o leitor (me envolveu) com uma história de amor, mistério e suspense repleta de detalhes, que impressionam pela realidade exposta. Não é uma leitura suave e em mim, causou angustia, porém, não arrependimentos, pois, passado o desânimo inicial com a introdução (conforme descrito acima) eu devorei cada página do romance. Adorei a trama e principalmente o desfecho final, que é diferente do filme que assisti (apenas não incluam neste "adorei" o destino dado ao amante de Hester. Na minha opinião, o autor "perdeu a mão" e fez uso de um folclore exagerado, o que não me agradou). Eu "super" indico a leitura.

http://porquelerfazbempraalma.blogspot.com.br/
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Giro Letra 04/06/2011

A letra escarlate
- Hester! Hester Prynne! - exclamou. - És tu? Estás viva?
- Assim é! - respondeu ela. - Viva, nesta vida que tem sido a minha durante os últimos sete anos! E, tu, Artur Dimmesdale, ainda vives?
Não admira que se fizessem essas perguntas, que duvidassem de si mesmos. Tão estranhamente se encontravam, ali, na floresta escura, que aquilo parecia o primeiro encontro, no mundo de além-túmulo, de dois espíritos que tivessem num medo mútuo, desacostumados à nova condição, ao convívio como seres desencarnados. Um fantasma aterrorizando o outro! E ambos aterrorizados de si mesmos, porque o transe lhes avivava a consciência e revelava a cada coração a sua história e a sua experiência, como a vida só consegue fazer nesses instantes cruciais. Então, no espelho do momento que passa, a alma vê a própria fisionomia. Foi amedrontado, trêmulo e, mesmo com relutância, que Artur Dimmesdale estendeu a mão, fria como a morte, e tocou a mão fria de Hester Prynne. O aperto, embora gélido, baniu o que havia de assombração no encontro. Os dois se sentiram, pelo menos, habitantes da mesma esfera.

O livro A Letra Escarlate narra a história de Hester Prynne, uma mulher que viveu nos Estados Unidos, no século XVII. Vinda da Velha Inglaterra para o Novo Mundo, a sra. Prynne foi mandada para Boston pelo marido, que continuara em Amsterdã, onde deveria concluir alguns negócios importantes, para, só então, ir ao encontro da esposa. No entanto, dois anos se passaram, sem que tivesse qualquer notícia do marido. No decorrer desse tempo, Hester se envolveu secretamente com o sr. Arthur Dimmesdale, o jovem pastor da cidade.

Para sofrimento de Hester, o fato de ter se envolvido com outro homem acabou revelado para toda cidade, visto que ela engravidou. Mesmo pressionada pela sociedade, que ficou escandalizada com a gravidez de uma mulher cujo marido se encontrava ausente há anos, a sra. Prynne não tornou pública a identidade do pai da criança.

Como castigo por seu "pecado", Hester foi presa e condenada a usar, pelo resto dos seus dias, uma letra A escarlate presa ao corpete, como prova de que sua vida estava inexoravelmente marcada pela vergonha. Como uma punição desse tipo virou um verdadeiro espetáculo, Hester Prynne foi obrigada a enfrentar a humilhação pública no pelourinho da cidade, onde foi exposta por horas, já com sua filha nos braços, aos olhares estarrecidos e revoltados dos habitantes do local. Em meio a esses olhares, ela percebeu uma presença que ela não esperava: seu marido, que acabara de chegar.

Com o orgulho ferido e irritado com a mulher, o marido de Hester Prynne decide adotar outro nome, pois a revelação de sua verdadeira identidade mancharia sua honra, uma vez que seria conhecido como "o homem traído". Assim, apresenta-se à cidade como o médico Roger Chillingworth e, para manter a salvo seu segredo, arranca de Hester a promessa de que jamais contará a alguém que aquele distinto médico, na verdade, é seu marido.

Mas não se deve pensar que, com isso, o marido de Hester deu o assunto por encerrado. Ele passa a dedicar anos de sua vida a uma vingança. Ele descobre com quem Hester o traiu, porém não está em seus planos revelar a verdade. Sua vingança é fria: fingindo ser amigo do jovem pastor, passa a aumentar o tormento em que Dimmesdale mergulhara. De consciência pesada, o sacerdote se impõe duros castigos e, diversas vezes, tem o ímpeto de assumir a sua "culpa" publicamente, entretanto, fraqueja e, por isso, se impõe mais e mais castigos.

Enquanto isso, Hester cria sozinha a sua filha, mostrando-se cada vez mais destemida diante da exclusão social a que foi submetida. Hester é uma personagem fascinante, sobretudo quando comparamos sua força e coragem à covardia de Arthur. Ela é suficientemente forte para levar a sua vida passando por várias provações, como, por exemplo, a ameaça de que sua filha seja retirada dos seus cuidados. Mas Hester não é feliz. E sua infelicidade aumenta à medida que vê o estado em que seu amado se encontra. Contudo, sente-se presa à promessa feita ao marido.

Haverá alguma chance de reencontrar a alegria? Poderão Hester e Arthur viver, algum dia, o amor que sentem um pelo outro? Conseguirá Roger Chillingworth completar sua pífia vingança?

A Letra Escarlate é um livro denso, os dilemas de seus personagens são levados ao extremo e suas angústias são intensificadas pela mentalidade puritana da época. Hester e Arthur são absorvidos por sentimentos contraditórios, vivem entre o desejo de viver o amor que sentem e a aversão pelo "terrível pecado" de que se julgam culpados. É uma obra em que o amor e a culpa travam um duelo do qual apenas um sentimento persistirá.

Marcela Vasconcelos
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Marcos 16/01/2020

Um Clássico Norte Americano
Sob uma perspectiva contemporânea pode parecer difícil entender que a algum tempo atrás o sexo não era visto de modo tão leviano e banal como hoje.
Quando os desbravadores chegaram ao novo mundo, apesar de suas utopias sobre a vida, construiram uma prisão e um cemitério. Escrito de maneira magistral, A Letra Escarlate é um dos maiores clássicos norte americanos. Explora principalmente temas sobre pecado, culpa e redenção, em uma rígida comunidade puritana. Longe de ser somente uma denuncia sobre os excessos dos puritanos ou a hipocrisia religiosa, Hawthorne, nos brinda com uma personagem feminina forte, que corajosamente cria sozinha sua filha, símbolo maior do seu pecado, mas também seu maior tesouro. Firme em sua palavra, não revela o nome do pai da criança, nem sob a pressão dos juízes que a punem. Trata-se de personagem na qual o pecado e virtude convergem. O livro não está a denunciar o cristianismo, muito ao contrario, Hawthorne é cristão e sua personagem Hester também, por este motivo, não sucumbe a sua penitencia, mas a leva corajosamente. Uma breve explanação, Hester cometeu adultério, que gerou uma filha fora do casamento, seu marido, a muito se perdeu no mar, o pai da criança ela não vai revelar a ninguém. Sua punição poderia ser a morte, porém fora sentenciada a usar a letra "A" escarlate em seu peito para toda a vida e a algumas horas em praça pública encarando os moradores de seu vilarejo. Hawthorne não absolve sua personagem da culpa, embora não concorde com a punição, mais importante para ele é como ela lida com a sua situação e a certeza de que Deus vê o pecado de todos. Magistral.
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Tauan 24/09/2015

No livro, Hawthorne (considerado o primeiro grande autor americano) conta a história de Hester Prynne, uma jovem peregrina que veio ao novo continente estabelecer-se e aguardar a vinda de seu marido que permanecia na Europa. Porém, o Sr. Prynne se demora a ponto de todos imaginarem que ele teria morrido.
Apesar disso Hester engravida! Um choque para os puritanos (que são como crentelhos nível hard). Assim, como ela se nega a revelar quem foi seu cúmplice no terrível crime do adultério, ela é condenada a usar, pelo resto de seus dias, o distintivo de sua mácula, uma letra A vermelha (A de adultera).
Uma das melhores partes do livro é logo no começo, quando Hester está recebendo a letra escarlate – uma punição em praça pública – e seu marido chega na cidade. Porém, o narrador não conta logo de cara quem é o misterioso cavalheiro que reconhece Hester no pelourinho, o que cria um clima de mistério bem legal.
Também é muito interessante a convivência entre marido traído e amante incógnito. Este permanece desconhecido por bastante tempo e é outro choque, por se tratar de uma figura tão importante na sociedade puritana.
De um modo geral é um livro que vale a pena ser lido. A narrativa é simples, mas bela, o enredo é empolgante e o livro é curtinho.


site: http://pausaparaaleitura.blogspot.com.br/
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