A Letra Escarlate

A Letra Escarlate Nathaniel Hawthorne




Resenhas - A Letra Escarlate


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Juh Saint 29/01/2021

Um dos classicos mais chatinhos e ainda é importante igual
Nesse livro vemos duas mulheres terem suas reputações destruídas por conta dos valores da epoca e perderem o sossego, suas liberdades, várias vezes. A mãe comete adulterio e tem uma filha bastarda, ambas serão as protagonistas dessas estória. Por cartas deixadas, a mãe relata para a filha muita coisa triste que aconteceu em sua vida, por conta da punição que tomou da igreja conservadora da época pela filha que teve fora de um casamento, e é claro que o pai da criança não recebeu punição alguma e ainda saiu de bom moço. Ela foi deixada com o que da titulo A Letra Escarlate que marca um A de Adúltera em seu próprio corpo, uma tatuagem para as pessoas lembrarem dela com vergonha e nojo. Foi atormentada por isso. Agora a filha precisa enfrentar um tratamento diferente por ser bastarda, descobrir coisas sobre o passado da mãe. É claro que não vai ser tão fácil quanto o esperado. Acho que a história contando assim é bem interessante mas nossa que leitura chata, uma das mais chatas que já fiz. Machismo da época e o fanatismo religioso, o fundamentalismo, é tratado com honras. O que me deu preguiça do livro é a escrita chata de um clássico, cheio de coisas desnecessárias, os personagens secundários também são todos chatos e entediantes. O que ocorre no decorrer da estória demora muito e fica interessante no final. Dizendo essas coisas, acho que é um livro importante igual e quem gosta mais de clássicos e é tranquilo com linguagem difícil e enrolada, precisa ler!!
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André Lisboa 27/09/2020

Crítica a moralidade e puritanismo do Século XVII
Poucos são os livros que se reocupam com a crítica ao comportamento da sociedade de forma fiel aos fatos, e ainda trazer conjuntamente uma beleza de uma literatura refinada e envolvente. A letra escarlate, livro do profícuo escritor estadunidense do século XIX Nathaniel Hawthorne, é o reflexo dramático de uma história triste e profundamente comovente. Publicado em 1850, este aclamado clássico da literatura estadunidense faz uma crítica da sociedade conservadora e às suas normas sociais, muitas vezes hipócritas, apresentando uma paixão proibida ante as fragilidades humanas.

O livro apresenta a história da jovem Hester Prynne, uma mulher que tem uma relação adúltera que termina com o nascimento de uma criança ilegítima no seio de uma comunidade puritana Salém, no Boston do século XVII. Publicamente repreendida e humilhada por todos, Hester é obrigada a carregar uma letra “A” de adúltera, na cor escarlate, e que ficará para sempre bordada em seu peito. Hester, uma heroína que resiste ao escrutínio público, dilapidada da estima por si própria, apresenta uma força interior para criar a sua filha Pearl, completamente sozinha, e ainda mantendo segredo acerca da identidade de seu amante. Nesse ínterim, temos a revelação do reverendo Dimesdale, um jovem e atormentado clérigo protestante em uma comunidade repleta de degradações morais e hipocrisias.

Na narrativa o Hawthorne traz uma crítica, quase que explícita, a moralidade do puritanismo da sociedade puritana conservadora e preconceituosa, em meados do século XVII nos Estados Unidos. Ele também faz críticas à hipocrisia humana sem deixar de valorizar a força de uma mulher que luta para dar vida e esperança a sua filha. Como se trata de um livro escrito no século XIX, a fluidez da narrativa talvez seja um tanto rebuscada e intrincada, porém, muito embora cheia de sagacidade e inteligência por parte do autor, principalmente por deixar o mistério pairar por quase todo o livro. Não há muitas reviravoltas no enredo, exceto no final, que é algo digno de um arrebatamento literário e sentimental. De certo que a forma que o autor coloca o reverendo Dimesdale irrita o leitor, muitopor ele ter grande culpa pelo sofrimento da Hester. Verdadeiramente ele é um personagem que é apresentado como “coitadinho”, coisa que ele não é.

Enfim, a fidelidade do relato histórico, na medida em que a crítica social e aos costumes puritanos de uma sociedade onde religião e leis se misturam, e a construção ficcional do autor, são coisas da mais alta qualidade. Um clássico que mexe com as emoções, que expõe a crítica e que apresenta uma heroína que desafia a moralidade hipócrita com uma força interior incrível. É o tipo de livro que te faz refletir e mostra que tudo é possível.
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Juliete Marçal 26/08/2020

"Aquele não era um tempo de delicadezas."
Nathaniel Hawthorne nos traz a história de Hester Prynne, uma jovem que muda-se para a Nova Inglaterra, e que diz estar esperando pelo marido. No entanto, ela acaba se envolvendo com um homem e desse relacionamento nasce uma criança. O nascimento da pequena Pearl, torna-se fruto de um pecado e prova do adultério de Hester. Assim, ela é julgada, condenada e obrigada pelo resto da sua vida a usar uma letra A escarlate bordada sobre o seu peito para marcar o seu pecado, um símbolo de vergonha, repulsa, desdém, menosprezo e da Adúltera que ela é. Depois do seu julgamento, acompanhamos a vida de Hester e de sua filha, Pearl, a partir dos olhares julgadores e de repulsa da puritana comunidade de Salém, sobrevivendo sem ajuda de ninguém. Além de criar a filha sozinha e de suportar a humilhação, escárnio e segregação pública, Hester Prynne tem como missão proteger o segredo a cerca do nome do pai da sua filha, segredo esse que se torna ameaçado com a chegada de um novo morador na comunidade.

"Ela tomou o bebê num dos braços e, com o rosto queimando, um sorriso arrogante e o olhar de quem não se deixaria humilhar: encarou a gente de sua cidade e os vizinhos que a rodeavam. No peitoral da túnica, em tecido vermelho fino e adornado por um elaborado bordado e fantásticos floreios em linha dourada, trazia a letra "A"."

Durante a narrativa o autor mostra o quanto a sociedade daquela época era conservadora e preconceituosa, e também faz críticas à hipocrisia da mesma. É bom ressaltar que a história é ambientada em uma rígida comunidade puritana de Boston, na Nova Inglaterra, mais precisamente na comunidade de Salém, - em uma época em que as pessoas viviam sob o julgo das regras religiosas e do moralismo, "uma gente para a qual religião e lei eram quase a mesma coisa". Isso tudo faz parte da crítica do autor, assim, da mesma forma, em mostrar como a protagonista lida com toda essa situação.

"A máscara de pureza não passava de uma mentira, e de que, se a verdade fosse revelada por todo lado, brilharia uma letra escarlate em cada um dos muitos bustos."

Particularmente, a história não conseguiu me envolver! Comecei a leitura animada e curiosa, mas isso não continuou devido a ter se tornado maçante e enfadonha. Apenas o fato de querer saber como seria revelada a identidade do pai de Pearl (o que não é nenhum segredo para o leitor desde o início da história) me fez continuar a leitura. Talvez não tenha sido uma leitura cem por cento prazerosa, por ter esperado mais reação da protagonista e menos conformismo. Ou não estava muito na vibe desse tipo de escrita: mais descritiva, psicológica e simbólica.

Apesar do livro ter uma sinopse interessante, o enredo é muito devagar, constituindo de uma narrativa longa e com pouca ação, o que torna a leitura às vezes cansativa e muito descritiva. E mesmo sendo uma história de pouca ação e tendo partes que são entediantes, eu recomendo a leitura para que o leitor possa ter a sua própria experiência. Por que? Porque simplesmente, o livro traz algumas reflexões legais, principalmente, sobre preconceitos e julgamentos, nos fazendo refletir que alguns comportamentos da sociedade não mudaram.

"E asseverava-lhes, ainda, sua crença firme de que, numa época mais luminosa, quando o mundo estivesse amadurecido para tal, quando os céus assim quisessem, uma nova verdade seria revelada, de modo a estabelecer toda a relação entre homem e mulher num patamar mais afeito à felicidade mútua."

^^
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Anica 07/04/2009

A Letra Escarlate (Nathaniel Hawthorne)
Li no final de semana passado, e simplesmente devorei o livro. Sim, ele é curto e é bem fácil devorá-lo em um final de semana. Mas não é só por ele não ser um tijolão, é porque a narrativa flui muito bem e Hawthorne consegue manter sua curiosidade do início ao fim da história de Hester Prynne. Na puritana Nova Inglaterra do século XVII, a mulher é acusada de adultério e deve usar uma letra A escarlate para mostrar para todos o crime que cometeu.

A questão de como Hawthorne prende nossa curiosidade se dá primeiro porque Prynne se mantem firme na idéia de não revelar quem era seu amante (aliás, que fique claro: em nenhum momento há dúvidas se ela traiu ou não). E o autor vai lançando dicas aos poucos, e só entrega a identidade dele quando já fica óbvio para o próprio leitor. Depois disso, a curiosidade se dá em saber o que acontecerá com o amante, e com a própria Prynne.

É um romance pesado, carregado. Não fica suave nem mesmo com o humor do Hawthorne, porque ele é muito cáustico. Não é leitura daquelas para te fazer sentir mais feliz sobre a humanidade, porque mostra o pior da humanidade: seja nos puritanos que fazem de Prynne uma pária por ela ter se envolvido com outro homem, seja pelas reações do amante [spoiler: selecione o texto para ler] que é um covarde, convenhamos. Eu fiquei com muita raiva da primeira vez que a Pérola pergunta “Você vai ficar aqui amanha conosco? Vai segurar em nossas mãos como está fazendo agora?” e ele responde que o fará no juízo final[/fim do spoiler].

É interessante também como Hawthorne apresenta Pérola, a filha de Prynne com o amante. Prynne chega a vestir a menina de escarlate, tal como a letra que carrega no peito - um prolongamento do pecado da mãe. Apesar de ser uma criança, Pérola é a personagem que melhor visão tem de todos os acontecimentos, inclusive ela deixa claro que sabe quem é o homem por trás da letra A, quando comenta com a mãe que ele está sempre com a mão no coração.

Uma história da dualidade humana, bem versus mal, mas extremamente sutil. A pena é que Hawthorne erra um pouco a mão no fim e tenta fazer um final feliz (pelo menos para Pérola), achei um pouco desnecessário. Mas mesmo assim não estraga o todo e é certamente um daqueles que caberia em uma estante de “livros que todos deveriam ler”. Tem uma versão para o cinema com Demi Moore e Gary Oldman, mas lá no Meia Palavra já li comentários de que mexem muito na história e ela fica bem pouco fiel.
19/10/2011minha estante
Gostei da resenha...estou com o livro nas mãos, pretendo lê-lo em breve e ver algumas visões sobre o mesmo me ajudará a ficar mais atenta à história.


Anica 19/10/2011minha estante
Obrigada, Nanda =] Depois me conte o que achou ;D


Sharon 26/11/2018minha estante
O final arrematadinho era necessário para a época. Também acho desnecessário, porque na introdução sabemos que Hester morre velhinha e querida pela cidade etc etc. :)




Jé Barros 21/02/2020

Um clássico maravilhoso.
Hester é acusada de ser Adúltera, como punição ela tem que usar uma letra bordada no peito. Ela se recusa a declarar quem é o pai da criança e uma pessoinha jura descobrir e fazê-lo sofrer. Hester começa a viver isoladamente em uma cabana com sua filha Pearl, ela passa por muita humilhação por conta de seu pecado, tendo a opção de ir embora dali mas ela decide ficar e pagar pelo seu erro. No desenrolar da historia, ficamos sabendo quem é a pessoinha que jura vingança e quem é o pai da menina. Apesar da humilhação que ela carrega e a vergonha, Hester é uma excelente bordadora, toda a comunidade de Salém requisita seus serviços, possibilitando o sustento dela e da filha. Sabemos que Hester e o pai da criança tiveram um romance, porém senti falta no livro explicando como aconteceu esse amor e se de fato foi amor(ou apenas 1 que amava), já que no Posfácio de Nina Baym nos mostra atitudes bem egoístas de certo personagem.

Viver em uma comunidade puritana não deve ser fácil, a Igreja controlava TUDO e qualquer pensamento ou ações "duvidosas" era tudo culpa de Satã.
Para mim é incrível ler um romance deste e tentar me colocar na época, acho que eu seria morta rapidinho hahaha.
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Paty 30/06/2016

Hawthorne conhece como ninguém o coração do homem. O mínimo que podemos considerar a respeito desse romance, de não mais de duzentas páginas, é que ele é surpreendentemente amargo e fabuloso.
Monica 04/07/2016minha estante
Estou com esse livro na estante há tempos. Vou colocar na meta de leitura para este ano!




Bel * Hygge Library 16/09/2020

Somos todos pecadores
O livro começa com uma introdução do autor de conteúdo autobiográfico, na qual detalha o cargo que ocupava. E foi quando trabalhou como superintendente da alfândega que encontrou a ideia para o romance. A introdução é cansativa e prolixa, todavia, vale a pena conhecer de onde veio a inspiração para essa história.

O romance começa com Hester Prynne saindo da prisão segurando sua bebê, Pearl. Ela foi considerada adúltera, por conseguinte, pecadora, por ter engravidado um bom tempo depois que chegou à cidade. Era de conhecimento da população que era casada, entretanto, ninguém sabia se o seu marido estava vivo ou se havia morrido no mar. Com isso, ela é obrigada a confeccionar um adereço para pregar às suas roupas e usá-lo pelo resto da vida, como um símbolo marcado a ferro quente pelo pecado cometido. O adereço é uma leta A vermelha e com fios dourados. Depois que sai da prisão, Hester Prynne é castigada a ficar sobre uma plataforma em público para que todos a vejam, assim como a marca de seu pecado e, é claro, a julguem. A partir desse ponto, acompanhamos como Hester Prynne vive às margens da sociedade, sofrendo com julgamento e as consequências de seus atos. O romance possui um toque sobrenatural que dá um clímax incrível mais próximo do final da história.

É de impressionar o quanto esse livro é transferível e aplicável aos dias de hoje, e como se relaciona com a cultura do cancelamento, a capacidade/permissão que as pessoas ACHAM que possuem de julgar as atitudes do outro, mesmo sem ao menos conhecer o contexto ou saber se, de fato, a pessoa errou, e sem, também, antes fazer uma auto-crítica e auto-julgamento, analisando se age pior ou não que a pessoa referida. É a necessidade de apontar constantemente o erro do outro para parecer mais santo perante outros e si mesmo.

Quando li a cena na qual Hester Prynne é colocada sobre a plataforma para ser vista e julgada pelo seu pecado, pensei comigo se não seria a internet essa nova plataforma dos dias de hoje, expondo pessoas, às vezes, injustamente, rotulando-as e julgando-as. No fim, achei o livro um verdadeiro tapa na cara, uma lição para essa geração atual.

site: https://www.instagram.com/hyggelibrary/
João 16/09/2020minha estante
Tem algumas novas religiões que discordariam do "somos todos pecadores". Você seria cancelada.


Bel * Hygge Library 16/09/2020minha estante
É um trecho do próprio livro. Hahahaha! Teriam que cancelar até o Hawthorne, coitado... Nem depois de morrer ia ter paz!


Luana 17/09/2020minha estante
ow, mas querem cancelar O vento levou; A divina comédia (lá na Itália), pediram pra trocar nome de livro de Agatha (10 negrinhos para E não sobrou nenhum), outro que mudou o nome é A lista negra da Jennifer Brown, e querem mudar nomes no espaço, como Buraco Negro... onde vamos parar?


Luana 17/09/2020minha estante
Como se mudar o nome, acaba com tudo o mais. Vai entender esse povo.


Bel * Hygge Library 14/10/2020minha estante
Até o livro da Jennifer Brown querem mudar o nome? Isso tá ficando ridículo!


Luana 16/10/2020minha estante
Me lembrei dos versículos em Mateus 7:3-5 que diz: E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão.




Dtorreshp 26/10/2020

A
Uma história inesquecível que faz muitas críticas à sociedade puritana. O livro conta a história de Hester Prynne, uma mulher que tem uma relação extraconjugal e é julgada em praça pública pelos seus atos inadequados em uma comunidade extremamente puritana na Nova Inglaterra. O autor revela o cotidiano deprimente da personagem que carrega em seu peito A letra escarlate, em símbolo consequência do seu ato (pecado) para o resto da vida. Ao ler a obra fica bem claro de como a sociedade daquela época era pautada na religião e no conservadorismo, porém o autor consegue fazer várias criticas e reflexões sobre essa sociedade cheia de hipocrisias.
Eu gostei muito do livro recomendo.
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Dirce 09/09/2010

Os pecadores.
A LETRA ESCARLATE, é um tipo de literatura que aborda uma temática que eu gostaria de poder dizer: Que bom que essa temática está superada.Que bom que ela inexiste nos dias atuais. Que bom que é uma temática que se perdeu ao longo do caminho da História. Mas, lamentavelmente, não posso dizer nada disso, pois quando se trata da infidelidade conjugal, a mulher é a penalizada, e a história parece não ser uma looonngaaaa reta, e sim, um Roda Viva, haja vista, que manchetes com letras garrafais nos informa que uma mulher iraniana que manteve " relações ilícitas" recebeu 99 chibatas e possivelmente será condenada a morte por apedrejamento. Bem, agora surgiu um papo de envolvimento no homicídio do marido. Será?
Assim como essa iraniana, a protagonista do romance: Hester Prynne, uma mulher transgressora que viveu no século XVII em uma sociedade americana com princípios morais e religiosos rígidos, recebe, por ter mantido um relacionamento extra-conjugal, uma severa punição: carregar no peito a letra "A" de adúltera.
Hester e a filha Pearl (fruto desse relacionamento e que é considerada um mal pela sociedade da época ) vivem isoladas em uma cabana completamente ignoradas.
Interessante notar como a intolerância e uma moral rígida leva um erro assumir a proporção de um pecado tão mortal a ponto de fazer o " pecador" (reverendo Dimmesdal )definhar em vida e a "pecadora" (Hester) a necessidade de ostentar seu estigma mesmo quando desobrigada a isso. A religião e a sociedade conseguiram incutir no reverendo Dimmesdal e na Hester Prynne a idéia de que seus erros, necessitavam ser severamente punidos até por eles mesmos:os "pecadores" .
Achei um romance muito bom, muito bem escrito, sem muitos floreios e que me levou QUASE a concordar com uma tese que li , ou ouvi em algum lugar - atribuída a Nietzsche - de que o homem não é bom por sua natureza, e sim por temer Códigos Doutrinais Divinos ( se não for exatamente isso, é algo parecido).
Lamentei não saber o real destino de Pearl. Oxalá ela pudesse representar a mulher que respeita e é respeitada, não por temor a qualquer tipo de punição, mas sim como consequência natural do amor e do companheirismo.

Gininha 22/11/2011minha estante
Mais uma resenha dessa admirável leitora, Dirce, a quem o título do romance de Jane Austen - Razão e Sensibilidade - cai como uma luva. Como sempre, toda vez que leio as resenhas dessa sensivel e ao mesmo tempo racional paulista de Sorocaba fico com vontade de ler o livro resenhado. Já são alguns. Provavelmente, quando eu ler A Letra Escarlate, não farei resenha, porque a que teria de fazer, pelas filigranas do texto, creio que seria essa aí.


Dirce 23/11/2011minha estante
Gininha,
Só posso lhe dizer que eu me sinto muito envaidecida e honrada com o seu comentário.
Obrigadíssima.




Zé - #lerateondepuder 26/04/2020

A Letra Escarlate
Imagine uma mulher casada e que decide morar em um determinado local, inicialmente sem o seu marido, e depois de dois anos de solidão aparece grávida, sem que o pai assumisse a criança ou, até mesmo, fosse identificado, com direito a toda possível especulação por parte dos moradores locais? Sob os olhos de nosso mundo contemporâneo, seria apenas um problema conjugal a resolver, talvez até mesmo tendo certo apoio de sua vizinhança para as necessidades ao nascer da criança. Entretanto, este fato ocorre nos idos de 1666, em Boston, uma das colônias americanas da Nova Inglaterra, recém descoberta e ocupada, onde o fator religioso e moral dos novos habitantes era determinante na organização social.

Esta é a história contada no livro A Letra Escarlate de Nathaniel Hawthorne, um dos maiores romances norte americanos, que traz a saga de Hester Prynne, em uma comunidade onde o puritanismo impera sobre qualquer ordem, condenando uma mulher por seu adultério, tendo como pena a imposição de sempre usar em suas vestes, a letra “A” bordada em ouro em seu peito, uma forma humilhante de permitir à população que a identificasse como adúltera e uma das piores pecadoras, indigna do convívio social.

Hester dá à luz a uma linda pequena Pearl, que acaba sofrendo por consequência todas as agruras do isolamento imposto à sua mãe. Outros constantes no núcleo centrar dos personagens são o Pastor Dimmesdale, um clérigo reconhecido por sua fé extremada e conduta ilibada perante seus seguidores, bem como um médico que aparece misteriosamente, nomeado como Roger Chillingworth. Essa lenda infame vai se conduzir com uma abordagem bem maniqueísta, centrada, praticamente, nas intrínsecas ações destes quatro personagens.

Tudo começa com uma turba à porta da prisão municipal, pessoas que religião e lei eram a mesma coisa. As mulheres criticavam que os juízes haviam sido piedosos demais para com Hester Prynne, que sai da prisão e se dirige ao cadafalso para ser exibida para toda a população de Boston, como forma de humilhação pública. Durante a dolorosa expiação, Hester reconhece uma pessoa na multidão. Também é concitada sem êxito, a revelar o nome do pai da criança, para depois retornar ao encarceramento e receber a visita do médico Chillingworth em sua cela.

Cumprido o período do cárcere, permanece a adúltera naquela cidade, presa pelo pecado e a infâmia com que lhe tratavam, aceitando sua culpa e penitência. Sobrevive realizando o trabalho de bordados finos, criando a doce filha, cuja mãe bem a vestia e não lhe tratava com severidade. Tal qual uma fada, porém estigmatizada como a mãe, Pearl era considerada como cria do demônio, pelos populares.

O tempo da obra se concentra em sete anos e revela um final um tanto quanto feliz, mas que deixou na vida de Hester um completo estigma, como um emblema que deve denotar o caráter imoral de uma pessoa. Entretanto, de pecadora, nossa protagonista passa por toda agonia, cumprindo sua sentença, tornando-se uma heroína, por sua postura determinada em assumir sua culpa, enfrentando a sociedade de cabeça erguida, em que pese toda a solidão moral que a letra escarlate produzia.

A trama traz ao leitor aspectos como pecar e perdoar, confissão e culpa de pessoas que contribuíram, diretamente, para o fardo de uma moça jogada à ignomínia e infâmia da vergonha pública, revelando a falsa moral de um grupo social preconceituoso e desonesto. Aqueles que mais se diziam santos eram sim o piores pecadores, enquanto a reconhecida publicamente por um grave deslize, segundo o código moral da época, era de fato uma das personalidades mais bondosas, coerentes, transparentes e honestas. Revela um sistema social de justiça humana totalmente precário e, por que não dizer, injusto.

A obra foi publicada no ano de 1850, uma ficção em prosa que descreve os personagens em cenas ao longo dos anos, com capítulos dedicados a cada fato, até chegar ao ápice final. Hawthorne esmera-se em realizar descrições bem longas, em um estilo retilíneo de escrita, alterando em certos pontos o assunto que está tratando, sempre fazendo um link com o que escreveu anteriormente, principalmente em uma introdução feita em quarenta páginas.

A história não pode fugir ao olhar moralista que expressa seu autor em outras publicações, bem como a visão do século XVII, de um mundo puritano de protestantes radicais que emigraram da Inglaterra perseguidos pela religião, indo colonizar os Estados Unidos, estabelecendo as bases para a ordem religiosa, intelectual e social da Nova Inglaterra, enfim, um regime social fundamentalista. É sim uma grande crítica das sociedades e seus preconceitos vazios.

Embora possam ser encontradas mais treze edições, esta em que se baseou a resenha é do ano de 2010, da Editora Companhia das Letras, traduzida por Christian Schwartz, uma leitura bem agradável e rápida, que detém a atenção do leitor, exceto nas primeira quarenta páginas introdutórias. Pode ser baixada em LeLivros, disponível em: http://lelivros.love/book/download-a-letra-escarlate-nathaniel-hawthorne-epub-mobi-e-pdf/. Acesso em: 26 abr. 2020.

É possível encontrar mais de dez adaptações para o cinema, principalmente nas três primeiras décadas do século passado. As duas mais conhecidas e recentes datam do ano de 1979 e 1995, sendo esta versão não exatamente fiel a obra e interpretada por Demi Moore e Gary Oldman.
Paz e Bem!

site: https://lerateondepuder.blogspot.com/2020/04/a-letra-escarlate.html
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Carol 14/01/2021

A letra escarlate nos apresenta a Hester Prynne, recém-casada, que viajou sozinha para a Nova Inglaterra com a promessa de que o marido logo viria encontrá-la... porém isso não aconteceu!!!! Então a Hester acaba se envolvendo com um homem e engravidando. Como consequência a seu grande pecado, a mulher é obrigada a viver com a letra A de “adúltera” na cor escarlate e o isolamento pelo resto da vida. O livro nos faz criticar o machismo, a radicalidade no cristianismo e a crueldade de ser uma mulher na época.
"Hester nos mostra que permanecer fiel ao que somos é prova de caráter e também a atitude mais inteligente caso valorizemos uma vida tranquila sem perigo de adoecer a alma, ela, sendo pecadora e portadora de uma marca a identificando com tal, foi a única que resistiu aos anos e que ao invés de enfraquecer se tornou mais forte e se tornou maior que o símbolo do seu pecado, ao contrário dos seus antagonistas, o marido e o amante, que por se esconderem nas sombras encerram suas vidas em profundo amargor e fora de alcance da luz divina."
http://www.revelandosentimentos.com.br/2017/05/resenha-letra-escarlate.html
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Dri 22/01/2021

A letra escarlate
Eu esperava que fosse um livro bem bombástico e não foi o que aconteceu. Embora eu ache sim que ele poderia contar o mesmo enredo, e ficar bom. Desde que ele desse ênfase às coisas certas, o que não é o que ele faz. Deixa muita coisa sobre o objeto principal da história em aberto, mas divaga horrores sobre "o que poderia ter acontecido se algo tivesse sido feito de outra forma".
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Ci.Bonatto 26/02/2020

Massante
Este livro foi uma leitura do clube do livro, sempre traz histórias não tão conhecidas. Achei o início até interessante a premissa de um tema tão forte como o puritanismo da igreja, adultério e a intolerância. numa sociedade conservadora. Mas não me cativou nem os personagens nem a escrita do autor, a começar pelo prefácio demasiado longo e desnecessário e que em nada acrescenta na estória. Eu achei que tem muitos pontos relevantes pra discussão, e que alguns ainda vemos hoje na nossa sociedade de forma mais velada, porém ainda presentes.
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Ana Carolina Wagner 26/02/2020

O que é sororidade?
Resenha completa com citações em @tagarelicesdacarol e em breve, vídeo no meu canal.

A Letra Escarlate | Nathaniel Hawthorne | EUA | 5/5 | @penguincompanhia | 1850 (2017) | 336 págs.
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O que é sororidade? Certamente era um conceito desconhecido na Salem do século XVII, colonizada por puritanos vindos da Inglaterra. Mesmo com uma escrita bem poética, o autor mostra o quanto a sociedade era conservadora, preconceituosa, impiedosa e, principalmente, hipócrita.
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Hester Pryne, nossa protagonista, é uma jovem que cometera adultério resultando em uma filha ilegítima, algo que para esta sociedade moralista era um crime punível com a morte. No entanto, como seu marido estava desaparecido e ninguém sabia se ele estava morto, ela recebeu uma pena "mais branda": fora obrigada a levar para sempre a letra "A" de Adúltera bordada (em vermelho) em seu peito. As outras pessoas mulheres, ao saberem dessa punição "amena", consideravam uma verdadeira afronta. Por isso, além de exposta, sempre que possível era ridicularizada e humilhada publicamente.
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Alguns questionamentos surgem durante a leitura: quem era o pai de sua filha? Por que ele não encarava as consequências publicamente? Por que Hester o escondia? Amor? Medo? Proteção? Apesar de ser uma história sem muita ação, a narrativa de Nathaniel é repleta de reflexões, simbolismos e sentimentos. Uma espécie de romance psicológico.
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Se você pensa que vai encontra uma mulher envergonhada e com medo da sociedade, está bem enganado. É apaixonante a forma como ela lida com a sua dor. Sua força e coragem são invejáveis. É uma mulher destemida... bem à frente do seu tempo. Por isso, é considerada um dos primeiros símbolos da luta feminina por liberdade.
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O história não é para questionar a culpa de alguém nem para saber se o adultério é realmente um pecado. O mais importante é como Hester lida com a sua situação.
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Infelizmente, o livro é extremante atual: ainda vivemos em uma sociedade em que as pessoas julgam os pecados dos outros como se seu telhado não fosse de vidro.

site: https://www.instagram.com/tagarelicesdacarol/
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