A lição de anatomia do temível Dr. Louison

A lição de anatomia do temível Dr. Louison Enéias Tavares




Resenhas - A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison


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Francisco M. 22/06/2020

Um suspense de tira o folego... bem... pelo menos, quase.
Enéias fez um excelente trabalho conseguindo retratar quase que fielmente Porto Alegre do inicio do Século XVIII. a ideia de tratar o romance como um "documentário", juntando partes de depoimentos, diários e gravações é muito boa, contribui muito para o clima de suspense que se instaura no ar e mistifica a figura do Dr. Louison com um grande vilão da história. o vocabulario totalmente diversificado e os vicios de liguagem proporcionam uma experiencia única.

Confesso que as vezes me senti enojado e muita vezes revoltado em certas partes do livro realmente vc se assusta com a brutalidade retratada no romance e ao mesmo tempo mantem as esperanças com um toque de sentimentalismo. Sendo o romance uma coletanea de acontecimento, encontros e desencontros. aqui há um certo apelo para os tramas pessoas e o autor ainda dá uma leve critica social no Brasil povoado por meretrizes, corruptos e robôs. em fim é uma história quase perfeita até o penúltimo capitulo onde toda atmosfera criada com todo cuidado se cai por terra e vc descobre que o recheio do bolo não é tão gostoso assim. mas mesmo assim é um livro bom.
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Giane 14/05/2020

Surpreendente!
Ouvi este livro através da plataforma da audible, narração excelente! Posso dizer que há anos não encontrava um livro que me surpreendesse tanto. Claro que não sou fã do estilo de narrativa, motivo pelo qual dei 4 estrelas, a qual é feita em forma de entradas em um diário ou cartas endereçadas a diversos personagens. E que personagens hein! Todos dotados de muita humanidade, esta traduzida através de seus medos, defeitos, amores e loucuras. Com isso, não consegui em momento algum adivinhar o próximo passo que o autor escolheria, já havia muito tempo perdido esse prazer e, ao mesmo tempo, facinio em descobrir somente nos últimos instantes o quê aconteceu de fato durante toda a narrativa. E posso dizer que quando tudo se descortinou, fiquei embasbacada por não ter pensado naquela possibilidade. Acho que deixe-me mergulhar tanto no livro e nas descrições feitas que até esqueci do mundo. Vale muito a pena ser lido ou ouvido!
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Brunno 09/12/2019

Surpreendente
Acho q dentre a literatura brasileira é o livro que mais me chamou a atenção, pelas reviravoltas, trama, narrativa, personagens cativantes. Fui mais que surpreendido porque quando comecei a ler fui totalmente pego de surpresa. A única coisa que posso falar é, leiam.
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Rub.88 08/10/2019

Correio Elegante
Correio Elegante

Desde a utilização mais pratica e menos experimental do motor a vapor, essa tecnologia impulsionou a humanidade, num relativo curto período de tempo, a uma qualidade de vida significativamente melhor. A revolução industrial teve seus grandes problemas humanísticos e ambientais, mas sem ela a fome e as doenças seriam insuperáveis e não teríamos ferramentas para combatê-las. E houve também a expansão cultural com a possibilidade de viagem mais longas e mais rápidas usando barcos e a locomotiva. O Steampunk, subgênero da ficção cientifica, trabalha basicamente na utilização diversificada de maquinários movidos pela força do vapor e a transformação subsequente dessas “facilidades” na sociedade. E o papel imaginativo do autor e de ignorar alguns problemas técnicos como a impossibilidade de muita miniaturização dos apetrechos que logicamente não aguentariam a pressão da agua em constante ebulição. Se faltar praticabilidade, a fantasia cobre a falha. E eu fico mais com a fantasia em casos assim.
O livro A Lição de Anatomia do Temível DR. Louison de Enéias Tavares, me desculpe ou não, mas não é uma estória Steampunk. Os pré-requisitos não são respeitados. O maquinário cheio de engrenagens, barulhento e que solta fumaça é muito subutilizado. Praticamente nada de importante ou relevante acontece devido à tecnologia rudimentar. Parece que escritor se lembra, em alguns mínimos momentos, que tem que colocar esses elementos para enquadrar o enredo nesse gênero rico. Quando vejo isso, em qualquer mídia ficcional, uma passagem sendo inserida sem mais nem menos, traduzo como sinal de má qualidade. Se for gratuito fique esperto, pois tem defeitos.
O romance é construído em missivas, que não são missões, e sim cartas, recados, telegramas, depoimentos gravados em áudio e depois transcrevidos, diários e laudas processos. Isso significa que cada capítulo tem uma voz diferente? Não! Tudo é escrito escorado no romantismo, estilo literário do século 18 e 19. Os personagens, tirando talvez dois, falam, ou melhor, escrevem empoladamente. Trocam elogios infinitos, promessas de amor eterno, maldições e vitupérios difíceis de compreender. Prolixos, afetados e convencidos.
O enredo é sobre os crimes do doutor Louison, que nome, e suas motivações. Não há investigação em nenhum nível. O responsável pelo caso policial, em uma única conversa sente que o suspeito é o executor dos desaparecimentos de figuras notórias da fictícia cidade de Porto Alegre, ano 1911. O prende e depois busca a provas. Não a corpos, mas desenhos de partes que o bom doutor iria expor para apreciação pública. Incrivelmente as pinturas podiam identificar um braço ou um coração dos sumidos. E isso é pobremente descrito no livro.
Os personagens são estranhos e deslocados. Um jornalista impressionável. Um trio de jovens mulheres que comandam um lupanar, eu tive que usar essa palavra, ao estilo francês. Integrantes de uma sociedade tão secreta que todos falam dela nas suas correspondências. Um médico alienista, que cuida de um hospício e não de ETs, que é racista e tem conhecimentos científicos baseados em coisas de ponta com frenologia. Uma mulher negra que nasceu livre, mas com pais ainda escravos que passou por trauma enorme. E as vitimas do doutor que são sádicos e depravados, porém tem pouco espaço nestas paginas. Duas coisas marcam bem esse livro; o anacronismo e a eufonia.
A estória não seria tão ruim se não fosse tão sacrificada pelo estilo estético e linguístico. No capítulo derradeiro o escritor ainda faz uma mea culpa sobre a confusão que a construção da narrativa é.
Para me deixar ainda mais feliz tem um poema no final. Um Poema. Pelo seu madruga...
Isaac Asimov escreveu uma vez numa coletânea dele, onde havia contos e depois uma breve analise e comentários sobre a época que foi escrito, que se tem que tomar cuidado com títulos longos. Que isso pode parecer uma síntese absoluta da estória e como uma armadilha se mostrar falsa. Não a lição de anatomia em A Lição de Anatomia do Temível DR. Louison.
Eu já li livro piores, mas nenhum tem a capa mais mentirosa que essa...
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Diego Araujo 29/08/2019

“Agora, deves deixar para trás a criança que acusa e abraçar o homem que compreende”
Com tantas obras internacionais à disposição hoje, os leitores acostumaram com grandes escritos inspirados em originais de Bram Stoker ou nas investigações feitas por Sherlock Holmes. Mal sabem a riqueza proporcionada pela literatura brasileira e seus personagens distintos canonizados por mérito e reconhecimento de tais autores. Já o autor deste romance reconhece o valor de nossa cultura, e com isso homenageia alguns dos seres criados por escritores consagrados, levando-os ao Brasil transformado em ambiente steampunk.

A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison estreia a série brasiliana steampunk. Publicado em 2014 por Enéias Tavares através da editora Casa da Palavra, o romance traz relatos dos personagens envolvidos nesta trama ambientada por tecnologias de vapor.

“Um século tão extraordinário em invenções e horrores”

De narrativa epistolar, muitos dos personagens possuem a chance de expor o próprio ponto de vista conforme compartilham a sua parte envolvida no enredo. Os registros feitos em diários, noitários, cartas e gravações colaboram a mostrar o delito deste romance: o assassinato de oito vítimas de alta casta social, tudo feito pelas mãos do Dr. Louison entre a primeira e o início da segunda década do século XX.

Médico reconhecido pelos bons e enriquecidos cidadãos, a notícia de ele ser o responsável pela morte desses nobres civis choca a comunidade porto-alegrense, atrai atenção inclusive do jornal carioca, o qual envia o jornalista Isaías Caminha a reunir os fatos através de relatos e entrevistas. Isaías relata das novidades encontradas em Porto Alegre enquanto conhece algumas personalidades da sociedade, como a senhorita Vitória Acauã e o alienista Simão Bacamarte, dono do instituto psiquiátrico onde o próprio Dr. Louison é contido até o dia da execução pelos crimes cometidos: a forca. Isaías tem a oportunidade de reunir a versão de Louison aos fatos coletados, conversa com ele um dia antes da condenação, um dia antes da notícia do Dr. fugir das instalações do alienista.

“Ao escutar a mensagem ‘etnia desconhecida’, questionei-me sobre o absurdo daquela frase num país como o Brasil”

Toda a escrita é apresentada conforme a época, desde as grafias ― como o uso do “ph” em vez da consoante “f” ―, palavras características e a formalidade correspondente a autoria do personagem, este também elaborado de acordo com o original da obra clássica homenageada, salvo as criações originais de Enéias. A escrita demanda maior atenção aos leitores acostumados a linguagem dos romances recentes, e recompensa tal esforço por imergir todo o ambiente a partir desta construção de palavras.

Sem seguir ordem cronológica ― às vezes ignora até a lógica ―, os registros avançam e regressam no tempo, contam fragmentos dos acontecimentos com lacunas restritas ao convívio de outro personagem a preencher em registro posterior. Mal existe progressão no enredo, pois a intenção deste romance é outra, a de discutir o atentado já realizado pelo Louison e montar o quebra-cabeças da investigação motivada por determinados personagens, isso tudo enquanto cada pessoa compartilha da própria experiência e intimidades nos registros dispostos em todo o romance.

A ambientação steampunk é elemento secundário no meio de tamanha dedicação a reconstruir personagens consagrados neste ambiente. Presentes em momentos importantes da narrativa e até interfere na história de certas pessoas, os mecanismos movidos à vapor por vezes desaparecem dos relatos reunidos, deixa certos textos com características de romances de época em vez do gênero proposto. Também chama a atenção de um evento importante como a promulgação da Lei Dourada que garante alforria aos escravos no Brasil dez anos antes do acontecido neste romance; fica confuso sobre esta diferença ser proposital a encaixar no enredo ou foi equívoco do autor.

A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison propõe homenagear pessoas fictícias da literatura brasileira e adequar a narrativa correspondente na época. O livro cumpre esta promessa e proporciona ao leitor moderno o vislumbre da nossa linguagem um século antes de evoluir do modo como a conhecemos. Ainda elabora o enredo de forma singular, deixa a narrativa encantar nos detalhes vivenciados pelas pessoas do romance enquanto descobrimos os detalhes do atentado feito por Louison e as consequências.

site: https://xpliterario.com.br/xp-leitura/licao-de-anatomia-do-temivel-dr-louison/
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Deia 21/06/2019

Esse livro me levou a um estado de curiosidade que a partir de hoje quero ler todas as obras desse autor e do gênero steampunk.
A obra é composta por vários depoimentos escritos, orais e de outras fontes, que vão nos dando peças para montar um incrível quebra cabeça.
Dentre esses personagens estão figuras da literatura brasileira como Rita Baiana, Pombinha e Léonie de Aluísio de Azevedo, Simão e Evarista Bacamarte de Machado de Assis, e vamos combinar que Simão está desprezível, entre outros.
O autor empregou a estética steampunk, que aprendi agora, é um subgênero da ficção científica, que usa elementos futuristas com robôs, lâmpadas e carruagens a óleo, nesse caso ambientado nos anos 1900. A inserção desses elementos não incomoda pela sutileza usada pelo autor em colocá-los na narrativa.
Quanto ao resto só lendo para entender e se deliciar.
Agradeço a quem me sugeriu esse livro.
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Zé Wellington 25/03/2019

Romance policial steampunk legitimamente nacional
Quem vê a capa do livro pode imaginar somente uma aventura despretenciosa, mas não se engane: Eneias Tavares conseguiu criar um dos mais inventivos romances policiais já escritos no Brasil, com uma forte veia realista/naturalista e um delicioso cenário steampunk.
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Peterson 04/03/2019

Sensacional!
Uma obra que irá te prender do começo ao fim!
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Aninha | Estante de Instantes Blog 03/01/2019

Suspense na medida certa
Através de cartas de diversos personagens, nos apresentam o Dr Louison, o temível monstro, “Estripador da Perdição”, capaz das mais horríveis atrocidades. Mas a cada nova carta percebemos que, apesar da crueldade de seus atos, talvez os vilões sejam outros...
Passa-se numa Porto Alegre pós abolicionista, em meados das décadas de 1900, misturando a estética Steampunk com personagens clássicos da literatura brasileira. A história começa levemente maçante, com muita descrição, principalmente quando o jornalista Isaías Caminha é o narrador. Mas conforme avançava na leitura fiquei totalmente presa. Queria descobrir por que Dr Louison, um homem aparentemente tão distinto, foi capaz de atos indizíveis de maldade. 🕰Os personagens são cativantes, repletos da diversidade do povo brasileiro. Achei ainda mais rico que o autor homenageou algumas obras famosas da literatura brasileira, utilizando nomes como Rita Baiana, Pombinha e Léonie, do livro de Aluízio Azevedo, “O cortiço”. Tem muitas passagens difíceis de ler, por serem brutais e explícitas. Tem também um personagem horrível que carrega preconceitos e vilezas que enxergamos ainda hoje em figuras de poder. As reflexões sobre justiça, amor, ciência e outros assuntos são muito interessantes.
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4 estrelas| Recomendo demais. Não vejo a hora de continuar lendo a série e conhecer mais sobre cada personagem.

site: https://www.instagram.com/p/Brk2J_3gkiO/
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Paulo 06/10/2018

Como alguém que vem buscado divulgar literatura fantástica nacional admito que alguns autores me intimidam. Me intimidam pela importância que eles tem para o mercado de produção de literatura fantástica, pela qualidade de escrita, pelo status que eles adquiriram com os fãs. Digo isso em relação ao Afonso Solano, ao Eduardo Spohr e ao Eneias Tavares. São pessoas fantásticas, de uma simplicidade imensa e, ao mesmo tempo, de uma qualidade inegável na arte da pena. Por isso eu esperei tanto tempo antes de criar coragem para me debruçar sobre o material deles. Porque eu queria fazer uma leitura com absoluto cuidado para não deixar escapar quaisquer detalhes.

Eneias dá uma aula de escrita criativa em A Lição de Anatomia. Uma coisa que eu tenho como característica é o hábito de tentar me acostumar com um tipo de escrita. Depois que eu me acostumo, a leitura flui de forma mais rápida. Mas, ele não me deu uma chance em nenhum momento de me acostumar. Quando eu conseguia pegar o jeito da escrita dele, entrava outra parte que mudava completamente o estilo, me obrigando a rever a forma como eu encarava a narrativa. Parece algo ruim, mas eu encarei como um desafio. E adorei o que eu vi. Para mim, o autor é um alquimista da escrita: alguém capaz de transformar qualquer estilo narrativo em algo especial. Temos um diário, um romance epistolar, uma sequência de inquéritos, uma entrevista. Esta versatilidade acaba auxiliando no resultado final.

A narrativa segue na linha de primeira pessoa quando o estilo de escrita se enquadra neste padrão. Por exemplo, na primeira parte, narrada por Isaías Caminha ele é mais descritivo já que ele age como os nossos olhos. Porém, nos inquéritos policiais temos uma narrativa mais seca por se tratar de um tipo de relatório. A escrita empregada pelo autor é muito bem localizada. Faz total sentido com aquele momento romântico usado como base para compor o cenário. Dá para sentir aquela aura novecentista típica de romances como O Cortiço ou O Alienista. Eu fiquei impressionado em como o autor conseguiu até ambientar a sua escrita. Não é algo simples de ser feito; necessita de um profundo conhecimento sobre as estruturas empregadas pelos autores para construir frases, que palavras usar e em que situações encadeá-las. Mesmo quando ocorre uma mudança no estilo de escrita, esta se adapta ao tipo de personagem que a está usando. Por exemplo: se Isaías Caminha é mais jornalístico, Rita Baiana é mais informal e emotiva enquanto que mais à frente temos uma escrita mais floreada. Isso dá a cada personagem uma característica própria que interfere em como ele fala.

A ambientação é um dos pontos altos do livro. Empregando a estética steampunk, Eneias nos apresenta a Porto dos Amantes, uma versão diferente da nossa Porto Alegre. Mesclando tecnologias como robôs (que substituíram os escravos que acabaram de se tornar livres), com carruagens e lâmpadas a óleo, o autor é tão sutil em suas descrições que os elementos dissonantes steampunks parecem harmônicos. Quase como se sempre estivessem ali desde o começo. Porto dos Amantes exala personalidade e os elementos que a compõem são colocados pouco a pouco: a Casa dos Prazeres, a ilha, a mansão de Louison. Essa construção sistemática ajuda também no desenrolar da história porque o leitor vai se familiarizando com o cenário.

A história é apresentada a partir de diversos pontos de vista distintos: Isaías Caminha, Simão Bacamarte, os inquéritos policiais, as cartas trocadas entre as mulheres da Casa dos Prazeres entre outros. O leitor vai juntando as peças do quebra-cabeças, montando as personalidades de cada um dos personagens. Conhecendo estes ângulos distintos, as coisas vão ficando mais claras e os plots vão sendo resolvidos um a um. Ao final, o autor consegue lidar com todas as pontas, deixando apenas alguns ganchos que podem ser aproveitados futuramente. Outro ponto interessante é que ele vai citando diversos acontecimentos do passado dos membros do Parthenon Místico que nos deixa curiosos sobre suas aventuras.

Há muita riqueza nos personagens e em suas atitudes. A temática principal da narrativa é uma jornada de vingança. Mesmo uma pessoa lógica e racional pode ser vítima de suas emoções. Por mais que sejamos capazes de buscar racionalizar nossas ações, quando se trata de alguém que amamos, perdemos a razão e passamos a enxergar em tons de vermelho. Isso pode mudar a atitude de um homem. E quando cedemos a esse instinto primitivo e matamos alguém, avançamos a outro estágio absoluto de percepção sobre a natureza do mundo e das pessoas. Por mais justificáveis que sejam as ações cometidas, infelizmente, os fins não justificam os meios. O que levou à tragédia fez com que o personagem só fosse capaz de pensar na gravidade do que foi feito muito tempo depois. E não percebemos nele um arrependimento; sua justiça foi direta e fatal.

Outro personagem de grande destaque é Simão Bacamarte. Eneias conseguiu criar um personagem realmente repulsivo. Ele tem aquela personalidade do cientista preconceituoso do século XIX. Alguém que prega o evolucionismo social e é responsável por um manicômio. Suas formas de tratamento são completamente questionáveis e as elites dirigentes fecham o olho às suas ações reprováveis. Cada página do diário de Bacamarte transborda loucura e racionalismo ao mesmo tempo, demonstrando a personalidade conturbada e contraditória do personagem.

Todo o ar decadentista criado por Eneias está presente na própria maneira como os personagens entendem o mundo ao seu redor. O melhor exemplo disso é Rita Baiana que busca no prazer e na música a ambrosia capaz de curar suas dores. Ela sente falta de sua senhorinha e escreve cartas cada vez mais repletas de solidão e dor. O mundo criado pelo autor não é para os fracos; estes são testados diariamente em suas certezas e convicções. O mundo está mudando e estas não parecem estar acontecendo para uma mulher. Os valores são questionados pelos personagens como a substituição de escravos por autômatos. E o que acontece aos escravos libertos? Como será sua vida?

Enfim, o autor consegue nos surpreender positivamente com uma escrita deliciosa, empregando personagens da literatura brasileira com originalidade. Nenhum deles parece ter sido forçosamente utilizado; todos tem uma razão de ser e de estar. Para um livro de estreia, é um trabalho de competência ímpar que só fez crescer o meu apreço pelo que o Eneias faz pela literatura fantástica nacional. Só tenho a fazer recomendações efusivas para que todos leiam este trabalho. Não percam tempo!!! Sejam encantados por esta escrita sensacional.

site: www.ficcoeshumanas.com
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Carminda 14/09/2018

UM MÉDICO-VILÃO-ASSASSINO? DESCUBRA!
Este livro é simplesmente magnífico, recomendo à todos que curtem o estilo Steampunk, e aos que não curtem, também! Pois a narrativa aqui construída é algo há muito perdido na literatura brasileira - sim, é brasileiro e de melhor qualidade - o autor é simplesmente um gênio, ele recria de forma criativa e totalmente inovadora personagens já consagrados na literatura clássica brasileira, como os de Machado de Assis e Álvares de Azevedo, dentre outros.

A narrativa é construída de forma bem peculiar - o que me lembrou a narrativa de "Drácula - Bram Stoker" (super recomendo também) - em forma de noitários e entrevistas.

Os personagens dão um show a parte, todos muito bem construídos, principalmente o protagonista Dr. Louison, que você descobrirá ser um assassino em série frio e calculista... será?! Leia você e tire suas conclusões, eu já tirei a minha! ;)

O melhor de tudo, é que esta narrativa se passa na bela cidade brasileira de Porto Alegre dos Amantes (como este nome é lindo), em uma época retrofuturista, cheia de maquinários tecnológicos e zepelins no céu, além das elegantes vestimentas e os bons modos dos viventes da cidade.

É uma narrativa eloquente e horripilante que transporta o leitor ao estilo steampunk da melhor forma possível, através da imaginação!

É isso, é brasileiro, e veja, É ÓTIMO! Não perde em nada aos romances estrangeiros. Além de ser uma narrativa curta e que não dá vontade de parar. Foi, de longe, o melhor achado da vida, agradeço por esse livro ter me encontrado, agora eu sou dele e ele é meu!

A iniciativa do autor Enéias Tavares é criar uma coleção, denominada "Brasiliana Steampunk" onde ele continuará as narrativas retrofuturistas em solo brasileiro. Há dois contos avulsos, tipo spin-off de dois personagens do livro, que também são fantásticos, além do site lindíssimo onde pode-se acompanhar narrativas e produtos relacionados a coleção. Além da criação de uma Webcomic e da Série em live-action a serem lançadas em breve.

É isso, aqui fica minha humilde recomendação de leitura.
Embarque em seu zepelim e curta a viagem.

site: http://brasilianasteampunk.com.br/
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Cris 17/05/2018

Surpreendente!
O livro começa narrando a história do ponto de vista de Isaías Caminha, um jornalista carioca que é enviado a Porto Alegre para escrever uma matéria sobre um assassino em série: o Dr. Louison, que está preso em um hospício, depois de revelado ser o autor de uma série de crimes bárbaros que chocou a população local.

O Dr. Louison consegue fugir do local de segurança máxima em que estava, e então começa uma grande aventura para descobrir o seu paradeiro, e isso acaba envolvendo vários personagens.

Este livro possui um estilo muito diferenciado de leitura. Ele pode ser classificado como do gênero “Steampunk”. A história se passa no início do século XX em uma sociedade alternativa, onde vemos além dos bondes, dirigíveis, máquinas a vapor, e robôs.

A narrativa é alternada por vários relatos de diferentes personagens do livro. Temos transcrição de áudio e cartas narrados em diferentes épocas.

Uma coisa muito interessante, é que o autor usou vários personagens da Literatura Brasileira misturados com outros personagens criados somente para o livro.

Eu achei a história muito criativa, pra mim este estilo foi muito original e interessante. Mas o ritmo é lento e muitas vezes eu me perdi com a narrativa. Porém, no final, todo o quebra-cabeça de encaixa bem.

A narrativa do autor é bem forte, possui apelo de violência e sexo. Eu também percebi muita crítica à sociedade, especialmente aos políticos e membros da igreja, além de possuir personagens femininas bem fortes e à frente de seu tempo. Recomendo!




site: https://www.instagram.com/li_numlivro/
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Eduardo 06/03/2018

Muito interessante
Um livro curto, escrito de uma forma que para mim é bem diferente tanto na forma de utilizar as palavras quanto na forma que é contada a história. O autor peca em alguns pequenos casos ao alongar demais pequenas situações apenas pelo prazer de escrever (já que este escreve bem) e ao utilizar em excesso algumas palavras que são pouco utilizadas no nosso cotidiano mas que deixa a leitura um pouco florida demais. Essas pequenas situações que a mim incomodou não desmerecem o livro e nem a história e garanto que é um livro que merece ser lido.
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bruno.rauber 25/02/2018

Eu não consigo pensar em nada além de uma enorme descrença que a leitura desse livro me proporcionou. É quase impossível de acreditar que A Lição De Anatomia Do Temível Doutor Louison é o romance de estréia do Enéias Tavares, dada a qualidade da obra. A facilidade com a qual o Enéias transita entre diferentes vozes narrativas, a forma que os eventos se desenrolam fora da ordem cronológica (que chegou a me lembrar dos roteiros do Tarantino) e, principalmente, a habilidade usada para transformar em uma excelente história de suspense o que poderia ter sido um mero romance policial sem alma (coisa que os leitores do gênero se deparam com triste facilidade). Recém minha segunda incursão no steampunk , mas não teria como ser melhor.
E que venham os outro volumes da Brasiliana Steampunk!
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Sario Ferreira 12/12/2017

Sobre a obra: uma invenção genial!
Confesso que meu primeiro contato com esse título esdrúxulo e detalhista fez com que eu jamais imaginasse tamanha riqueza por trás do livro de Enéias Tavares; só depois, lendo o livro, foi que percebi que o título era esdrúxulo e detalhista como o próprio Dr. Louison é.

O ritmo inicial é vagaroso, como o decolar de um dirigível, mas logo que o jornalista Isaías Caminha começa a ficar desconcertado com a misteriosa figura do serial killer Dr. Louison, o acompanhamos neste rumo. A trama se passa em Porto Alegre (dos Amantes), em um Brasil fictício do início do século XX, em que a tecnologia à vapor, robôs e mecanismos dominam os grandes centros urbanos.

A história é contada de uma forma que me lembrou muito o Drácula de Bram Stoker: uma coleção de cartas, "noitários", documentos e gravações de personagens diversos. Todos estes são ligados ao caso de um respeitável doutor e artista, que, apesar de ser uma figura ilustre e respeitável em todas as camadas da sociedade, é o culpado assumido de uma série de assassinatos viscerais; assim, todo o enredo se desvela, pouco a pouco dissolvendo as nebulosidades que recobrem a identidade de Louison.

Os personagens são muito marcantes e sofrem grande evolução, já que a história se utiliza de narrativas em primeira pessoa, mas o mais interessante é que o autor introduz seus próprios personagens e resgata personagens da literatura clássica brasileira, a saber: o imortal Solfieri (Noites na Taverna, de Álvares de Azevedo), a feiticeira indígena Vitória (Contos Amazônicos, Inglês de Souza), Sérgio e Bento (os estudantes de O Ateneu, Raul Pompeia), Simão Bacamarte (O Alienista de Machado de Assis), entre outros. Mais que resgatar tais figuras, Enéias teve a perícia literária de mimetizar o estilo e a caracterização dos autores criadores desses.

O estilo de linguagem varia bastante, de acordo com o personagem-narrador, indo das verborragias pomposas de Isaias Caminha e do Doutor Louison ao linguajar coloquial de Rita Baiana e do detetive Pedro Britto Cândido; entretanto, há uma constância poética muito agradável que permeia todo seu conteúdo.

Tudo isso não se atribui apenas a mera contação de história; a narrativa traz muitas contemplações, como discussões sobre a superimportância da estética na sociedade e os limites da moralidade. Não é um livro para ser lido com pressa.

A obra de Enéias Tavares é riquíssima e um verdadeiro tesouro de nossa literatura de ficção contemporânea, ideal e necessária para trazer de volta algum teor mais reflexivo ao nosso cenário de fantasia nacional. Para quê mais serve o fantástico senão refletirmos sobre a condição humana sob o abrigo de uma bela máscara?

Adiciono que os amantes de audiobook devem muito procurar pela versão do livro disponível na plataforma U-Book; a sonoplastia, leitura e trilha sonora são primorosas.

site: sagraerya.blogspot.com.br
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