Quase memória

Quase memória Carlos Heitor Cony




Resenhas - Quase memória


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João Viktor 09/02/2021

Quase Memória, quase romance
Eu achei esse livro em uma caixa de livros velhos dos meus avós, nem eles sabiam do que se tratava. A um tempo atrás tentei vender o livro num sebo com mais outros, sem ter lido, só julgando pela capa antiquada. E hoje eu agradeço muito pelo dono do sebo não ter aceitado.
Quase Memória é um livro único, eu pelo menos, nunca li nada igual. A mistura de realidade com romance que o autor faz é super interessante, e uma das coisas que faz essa obra ser tão diferente.
Vale lembrar que Quase Memória, faz jus ao subtítulo de "quase romance" porque não tem exatamente um enredo nem um conflito (o próprio autor disse isso) então se você prefere narrativas mais tradicionais eu não te recomendaria esse livro. Mas pra qualquer outro tipo de leitor eu não poderia recomendar mais.
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Laura.Ferreira 22/11/2020

Um livro de alta sensibilidade, por meio de um pacote misterioso, o autor/filho se perde em memórias, lembranças de seu pai. Por meio dessas lembranças, entramos num universo paralelo criado pelas façanhas do pai, lembranças talvez não muito fidedignas, porém emocionantes, engraçadas, tristes e, sobretudo, inesquecíveis!
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Zé - #lerateondepuder 11/08/2020

Quase Memória
Uma quase memória é o título que pode trazer várias intepretações, sendo uma dúvida que pairou durante quase toda a leitura desse livro, que a mim parece mais uma homenagem e relato bem pessoal detalhado da vida do pai do autor. A falta de esclarecimento sobre o título se corrobora pela incrível semelhança das sinopses sobre a obra, uma vez que, em quase todos os locais em que estas foram apresentadas, são praticamente iguais, um detalhe que não passou despercebido e que não acontece com a maioria dos livros.
Desta forma, os comentários de Nelson de Sá que constam na contracapa de uma das edições, praticamente, podem também ser vistos “ipsis litteris”, na maioria das demais edições, inclusive na análise contida na clássica coletânea de resenhas, 1001 livro para ler antes de morrer, um dos bons motivos que classificam o livro em tela como uma obra clássica.
Na verdade, trata-se de um livro de leitura agradável, que apresenta os fatos de forma assíncrona, todos relacionados ao criador do autor Carlos Heitor Cony, o qual foi publicado no ano de 1995, após mais de duas décadas sabáticas, sem que Cony, membro da Academia Brasileira de Letras, publicasse qualquer outro título. Vale ressaltar que este clássico recebeu alguns prêmios e que o autor escreveu outras renomadas obras, como Pilatos (1973) e O Piano e a Orquestra (1996), dentre outras.
O que pode ser visto na escrita é uma boa dose de saudosismo, uma vez que Carlos Heitor imprime uma gama de apresentação de fatos do passado, verdadeiras reminiscências de sua mente, em que seu pai é o grande protagonista. A trama vai girar em torno de um embrulho com a letra paterna, recebido em um determinado hotel em que se encontra o protagonista, após mais de 10 anos da morte de seu progenitor.
Ao longo do desenvolvimento dos capítulos, o autor retoma várias vezes à questão do embrulho, que leva a marca indelével de seu genitor, quase que como indiscutível autoria e que fora entregue, misteriosamente, uma década depois de seu falecimento. O pacote acaba sendo o mote para apresentar descrições muito detalhadas das atitudes, até mesmo um tanto quanto bizarras e quixotescas de Ernesto Cony Filho, como o gosto paterno pelas comidas e bebidas, aos diversos e muitos amigos exóticos, até as verdadeiras façanhas que o pai promovia, apresentando-o na visão de um herói para seu filho.
A vida de Cony no seminário de Rio Comprido é retratada, da mesma forma, em várias passagens, contando a visão religiosa e positiva que parece ter se incrustado em mais de oito anos de estudo para se tornar padre, desde sua tenra infância. O orgulho que toda a família e amigos tem para com essa condição é bem visível, não deixando claro o motivo de sua desistência, antes da ordenação.
A carreira de jornalista tem um destaque bem relevante, começando por tecer detalhes da vida profissional de seu genitor, desde o tempo em que as redações ainda eram bem rudimentares, não contando sequer com máquinas de escrever, sendo as notícias formatadas à lápis, para depois serem impressas. É um relato bem consistente não somente da profissão, mas da forma que seu progenitor trabalhava, até a chegada de alguma das tecnologias atuais, um ciclo que se fechou com o autor seguindo essa mesma vocação de repórter, jornalista e colunista.
Há espaço para a descrição de duas grandes revoluções políticas históricas, como a entrada de Vargas no poder, que teve um grande reflexo para o fechamento de alguns jornais e pouco mais de trinta anos depois, com a tomada do poder por conta dos militares. Foram dois períodos nominados como ditaduras, em que os jornais influenciaram sobremaneira até o seu desencadear e sofreram vários reflexos e transformações, durante seu funcionamento.
O Rio de Janeiro, como época de Capital Federal, tem destaque especial, tal como Niterói, a cidade em que morou a família de Cony, quando este era criança. O tal saudosismo é bem evidente nessas passagens em que descreve a cidade e centro político que atendia os aspectos culturais sofisticados de Ernesto Cony, como seu gosto pelas óperas e sinfonias clássicas, descritas em detalhes de nomes e tipos.
A justificativa para este título se descortinará mais ao final, quando o autor vai se referir ao tempo que ficou fragmentado em quadros e cenas nas lembranças de Cony, que não consegue formar exatamente a memória que seu pai e os outros protagonistas significaram para ele, tal qual um quase romance ou uma quase biografia, que não é mais possível de se materializar, tal qual o embrulho recebido.
Essa resenha se baseou na edição Kindle do ano de 2014, da Editora Nova Fronteira e conta com, pelo menos, mais cinco edições diferentes. Assista à vídeo resenha em: https://youtu.be/k5eouRT-M4I, acesso em 11 ago. 2020. Paz e Bem!


site: https://linktr.ee/prof.josepascoal
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Steph Mostav 23/06/2020

"Amanhã farei grandes coisas!"
Muitos são os livros que causaram em mim mudanças fundamentais de pensamento, de visão de mundo, mas bem mais incomum é um livro arrancar de mim lágrimas como o fez o final de Quase memória. Mas vamos ao início: nesse quase romance, o autor conta várias histórias que envolvem ele próprio, ou melhor, o pai dele. Porque o pai de Cony é o verdadeiro protagonista, o escritor só está ali para "ser sua plateia". A maior parte dos capítulos mais parecem crônicas unidas umas às outras por um fio narrativo não convencional, já que logo no início Cony recebe um embrulho, que ele imediatamente identifica como obra do pai, sendo que este morreu há uma década. O maior mérito do livro provavelmente é o apelo ao emocional, ao nostálgico (ainda que eu esteja longe de ter vivido a maior parte dos períodos da história da minha cidade que ele descreveu). Sabemos da vida desse homem através do filtro das memórias de seu filho, que não deve ser lá a pessoa mais confiável para nos contar sobre os feitos daquele que mais admirava - porém, justamente por não ser confiável que é o melhor narrador possível para que seja possível nos afeiçoarmos a cada pequeno detalhe, cada pequena história que fez daquele pai e daquele filho quem eles realmente são. Além do protagonista e de seu maior admirador, quem está sempre presente é o tal embrulho que tornou possível esse resgate da memória e a decisão tomada quanto a ele me agradou bastante, ainda que eu tenha previsto esse resultado (não porque foi uma solução genérica, mas sim pela forma com que a narrativa me guiou até aquele final). Aliás: que puta final! Os últimos quatro ou cinco capítulos foram de longe os melhores, talvez pelo percurso até ali, talvez porque o escritor realmente tenha caprichado mais. Não é para menos que recebeu o Jabuti em 1996.
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Luiz Pereira Júnior 30/05/2020

Proustianamente brasileiro
Em uma narrativa semelhante à de Proust (não importa se intencional ou não), Carlos Heitor Cony nos leva de volta aos meandros de memória. Um tema repetido pelos autores, sem dúvida, mas é algo que está intrinsecamente ligado a nós. Não há ser humano (até mesmo as crianças) que, vez ou outra, vire a cabeça procurando algo que ficou para trás. Muitas vezes, nem mesmos nós sabemos o que é esse algo, ou por que olhamos para trás com tanta intensidade se todos temos certeza de que o presente é sempre o mais importante dos tempos...
Mas isso não significa que uma narrativa que apresenta o tempo como seu principal tema seja difícil de ser lida, de ser apreciada. Muito pelo contrário, essa obra é agradável, em muitos momentos de uma leveza que surpreende ao leitor (eu, por exemplo) que esperava todo o livro tomado por reminiscências, angústias existenciais e quejandos (e isso é um elogio!).
Algo notável é que a figura paterna tem tanto destaque que chega a eclipsar todos os outros personagens, que parecem mera sombra ou mero reflexo dele. Tudo parece girar ao redor dele, mas isso não se torna um demérito à obra. É a visão de um filho que decide contar a história de um pai que não mais existe, ou que existe apenas na memória (de uma forma idealizada, sim, mas ainda próxima ao que aconteceu na realidade e nos tempos que já se foram).
Dica: não assista ao filme. Como é possível mudar tanto de um livro para um filme? Um filme sem o humor simples e bondoso do livro (aliás, sem humor algum), sem leveza, com uma mistura de gêneros que confunde o espectador, em certos momentos parecendo teatro filmado, intelectualoide no pior sentido do termo...
Esqueça o filme! Leia o livro!
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Naiana 20/02/2020

Quase Memória
Muito bom, leitura gostosa, vontade de saber o que é verdade e o que é imaginação do autor que descreve a obra como um quase-romance, uma quase-memória, onde personagens reais e fictícios se misturam, onde fatos da história do Brasil se mistura com sua própria estória também, super recomendo a leitura, para ler com calma e se deliciar com as memórias do autor e sensações obtidas ao receber um pacote misterioso.
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ritita 29/01/2020

Que delícia de saudades, que delícia de livro.
Conhecia Cony apenas como excelente cronista, mas o moço é um excelente escritor, pelo menos neste livro.

O lirismo domina o enredo; mas as relações entre pais e filhos são sempre mais complicadas do que parecem e a carga afetivo-amorosa do livro vem misturada a uma boa dose de ironia.

Fico maravilhada com escritores nacionais como Cony, tão esquecidos em nossa literatura, onde apenas alguns ícones são endeusados, à revelia de outros tão bons quanto. Eu, que amo literatura nacional não conhecia seus livros, o que será corrigido daqui em diante.
Delícia de leitura, de escrita e narrativa leve e fluida.

Se estas memórias são frutos de verdadeiras lembranças, não sei, só sei que foi assim.
Ah, o título do livro bem poderia ter sido O pai.
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Val Alves 26/11/2019

Amanhã farei grandes coisas!
Esse é um livro sobre, entre muitas coisas, reminiscências. Essa coisa que todos nós temos, mas nem somos capazes de ter o empenho e a delicadeza em registrar por escrito e compartilhar com o mundo. Seja por serem muito íntimas- evocando sentimentos cuidadosamente guardados- seja por fazerem voltar a tona lembranças infantis e de um tempo tão distante que facilmente são corrompidas pelo desgaste da memória e tornem-se, portanto, imprecisas.

As reminiscências começam numa tarde de novembro de 1995 quando Carlos recebe um envelope sem identificação e, logo ao ler seu nome como destinatário e observar as qualidades do embrulho reconhece o único remetente possível : o pai.
Isso não seria surpreendente exceto por um detalhe: este já era falecido há dez anos.

"Tempo que ficou fragmentado em quadros, em cenas que costumam ir e vir de minha lembrança, lembrança que somada a outras nunca forma a memória do que eu fui ou do que outros foram pra mim.
Uma quase memória, ou um quase- romance, uma quase -biografia. Um quase- quase que nunca se materializa em coisa, real como esse embrulho, que me foi enviado tão estranhamente. E, apesar de tudo, tão inevitavelmente. "

Diante do embrulho começa a se recordar de vários ocorridos tendo o pai como personagem principal. São estórias incríveis e que só podiam ser possíveis vindo de uma pessoa que, sempre antes de deitar, dizia a si mesmo : "amanhã farei grandes coisas!"

"...as histórias em que ele se metia nunca tinham fim, ligavam-se umas as outras, entravam uma dentro da outra, como aquelas bonecas de madeira que fabricam na Rússia."

Capítulo por capítulo vamos conhecendo esse pai do qual o filho, claramente, tinha devoção. Um cara que poderia se envolver em um caso embaraçoso por causa de umas mangas; que fazia balões de São João inconfundíveis; que portava um canivete como arma; que seria capaz de levar um jacaré (ou seria um lagarto?) pra criar nos fundos da casa e que, entre muitas qualidades, "conseguia ter duas opiniões sinceras e contraditórias sobre o mesmo assunto. "

Livrinho maravilhoso! Quem gosta de ouvir bons casos e histórias de família pode ler sem medo.
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Junior 21/11/2018

Delicioso
É o típico livro delicioso de se ler. Neste quase romance/quase memória, Cony recebe um embrulho que supõe ser de seu pai, morto há 10 anos. Através da observação do embrulho ele puxa as memórias que tem de seu pai.

Cada capítulo traz uma memória que, segundo o autor, mescla realidade com ficção. As passagens são emocionantes e divertidas. Ri demais ao ler a história do pé de manga.

Cony é fantástico. Escolhe as palavras precisas, descreve cenários com perfeição e entrelaça as histórias de modo magistral. Consegue, sobretudo, dispor as histórias nos capítulos sem seguir uma ordem cronológica e sem deixar confusas as memórias.

Leitura altamente recomendada desde grande escritor brasileiro!
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José Ricardo 15/11/2018

Nossas Memórias

Quase Memória é uma Quase Autobiografia da relação entre Carlos Heitor Cony e seu pai Ernesto Cony Filho. Ao chegar no hotel, onde está hospedado, Heitor Cony recebe a informação de que deixaram na recepção um pacote para ele. Ao se olhar para o objeto, ele reconhece o laço muito bem feito, contornando a pequena caixa. Aquele laço era de seu pai. Todos os detalhes, a precisão e firmeza que o caracterizavam era como se fosse a assinatura de seu pai. Detalhe: seu pai falecera havia 10 anos.

De posse da misteriosa encomenda, Heitor Cony é tomado por lembranças que marcaram sua relação com o pai. Vem à tona desde momentos de seus primeiros anos de vida até os últimos conselhos, conflitos e confissões trocados entre pai e filho.

Quase Memória é uma Quase Autobiografia da relação pai e filho. Diz-se “Quase” porque é contada a partir das memórias do filho, e memórias não são objetivas, exatas. Memórias são nossas impressões sobre determinados episódios. E mais: vão se alterando com o tempo. E o livro, de certa forma, traz isto. Fatos que foram interpretados de uma forma pelo jovem Heitor Cony, ao serem revisitados na fase da maturidade, recebem outros significados, menos exigentes e mais apaziguadoras. Cony passa a compreender melhor as contradições e conflitos daquele que foi seu pai e que ele traz muito com ele.

Mas o que tem no pacote com o laço do DNA de ambos? Será que seu conteúdo é mesmo importante? Será que ao abri-lo todas as imagens e memórias, agora ressignificadas, poderão ruir?

Você abriria?

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Debora 07/11/2018

Uma boa história
A história é boa, mas não consegui ter empatia pelo personagem, apesar de tudo. Ele mostra uma classe média brasileira com cujas práticas não coaduno. Assim, não consegui gostar tanto do livro.
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Adriano 23/08/2018

Linda homenagem
Se eu tivesse um filho, gostaria de que ele tivesse escrito este livro para mim. Que linda homenagem de um filho para com seu pai.
Além de muito bem escrito, o livro preserva características das quais eu aprecio muito: linguagem acessível, com pegadas de humor, capítulos curtos e que te deixam com vontade de ler o próximo até acabar.
Esse livro foi meu companheiro de ônibus e dos intervalos do trabalho. Recomendo àqueles que estão sem tempo mas que ainda assim não querem deixar de ler.
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Rodrigo Antonio 05/08/2018

Quase memória
O livro de Carlos Heitor Cony faz o leitor voltar a infância. Trazendo memórias do pai, que para o autor era visto como herói quando criança, Cony faz com que entramos no texto, nos identificando a cada capítulo, cada causo, cada nova aventura de um pai que viveu a vida com muita intensidade. O livro é maravilhoso.
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por Chrystiene Queiroz 09/01/2018

#sapekaindica Quase memória
Sinopse: "#Quasememória explora o território entre a ficção e a memória a partir das reminiscências do autor sobre o pai morto. Nele, Cony mapeia a relação pai e filho, os sentimentos contraditórios, as alegrias e tristezas que não se esquecem, o afeto incondicional e, acima de tudo, a cumplicidade."
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🔸#quotes favoritos:
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🔸"...já na fase final, quando não mais saía do leito, pedia para botar no som, fechava os olhos, não mais chorava, mas se despedia de tudo, dos balões, das técnicas, dos troféus, dos amigos, do canivete, do filhos, de suas coisas todas...despedida sem dor e sem lágrima, despedida de um caminhante exausto, fatigado de tudo, uma despedida geral e agradecida do camicase que doou a vida pelo objetivo de viver, viver tudo, inclusive o ato final, a despedida sem mágoa e sem rancor."
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🔸"...Não deveria ser uma produção de memória, mas uma quase memória na qual eu poderia inventar mentiras, saudades e sonhos que nunca se realizaram." Carlos Heitor Cony

site: https://www.instagram.com/p/BdoDT1FFqsC/?taken-by=sapekaindica
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