A Governanta

A Governanta A. S. Victorian




Resenhas - A Governanta


5 encontrados | exibindo 1 a 5


Alessandra @jardim.de.historias 01/08/2017

Nunca fiquei tão frustada com um livro! Criei tantas expectativas que todas elas foram, minuciosamente, desapontadas.
Para quem está acostumado com os costumes escritos nos romances de época, vai incomodar lendo a história. Você verá pessoas de classes sociais diferentes se casando ou casais morando juntos antes do matrimônio, palavras que não faziam parte do vocabulário da época, pessoas de sexos distintos se despindo diante de outras, isso sem terem nenhum tipo de relacionamento, e muito mais. Além de praticamente todos os personagens masculinos serem violentos, covardes e preconceituosos. Tive nojo da época.
Achei as cenas muito rápidas. Quando eu estava entrando em um cenário, ao virar a página, a cena já havia acabado, e também teve muita coisa repetitiva, principalmente as falas. Os personagens também não ajudaram. Nunca senti tanta raiva de tanta gente ao mesmo tempo, inclusive a protagonista. Sério!
A autora trouxe temas fortes para a obra, como o abuso físico e emocional. Achei que ela deveria ter aprofundado mais nesses assuntos. A protagonista passa, praticamente o livro todo sendo violentada, e ao final da história, não fiquei convencida de que tudo e todos ficaram realmente bem.
Em suma, fiquei muito decepcionada com tudo o que aconteceu e com os furos que a autora deixou. Dou uma estrela para a edição que é maravilhosa. Impecável! A outra dou por ter me feito perder três dias lendo.
Se alguém aqui já leu, me explica o porquê de ter gostado, porque estou impressionada com a nota aqui no Skoob.
Para você que leu até aqui, meus agradecimentos!

" Acho que a saudade dói mais quando nos viramos para nossa vida e descobrimos que não fizemos nada para sair da situação deplorável do passado. As pessoas vêm e vão. Deixam profundos sulcos em nossos seres, lembranças boas, amores... Deixam também a promessa de que o futuro será bom, mesmo se elas não estiverem mais ao nosso lado. Pior é desistir desse futuro, só porque perdemos a esperança por um mísero instante."


Arine-san 14/02/2017

Os livros históricos são nosso passaporte para o passado, e eu amo essas viagens para outros tempos. Conhecendo um pouco da A. S. Victorian, eu sabia mais ou menos o que podia esperar de A Governanta, talvez por enxergar semelhanças entre o livro e outros romances históricos. Bem, nesse ponto ela me surpreendeu.

A Governanta conta a história - por vezes, sofrida - da Samantha. Com um pai ausente, mas uma mãe amorosa, acompanhamos parte da infância feliz da menina. No entanto, após a morte quase misteriosa da mãe, a vida da menina muda completamente. E é aqui, talvez, que começa de verdade o livro.

Criada por governantas no maior estilo "madrasta má", e com castigos praticados por seu pai cada vez mais ausente, Samantha amadurece rápido e perde boa parte do que deveria ser uma época feliz em sua vida. Nessa época, mesmo seu vínculo com amigos ganha alguma distância e ela se sente extremamente sozinha.

Talvez por todo esse resgaste à infância da protagonista, A Governanta sai bastante do que normalmente vemos nos romances históricos e me surpreendeu. Senti que o recorte poderia ter sido bem menor do que foi, ou então ser acrescentado à narrativa através de cenas no decorrer do livro, mas não foi algo que me incomodou tanto.

Quando a menina faz, enfim, 18 anos, a história deslancha em casamento arranjado, pai casado e com outro filho, decisões e reencontros. É um ponto realmente marcante não só para a personagem, mas também para a autora, que vai ganhando mais voz na narrativa.

Sempre muito obediente e uma filha exemplar, Samantha resolve fugir do casamento forçado e das garras do pai, cada vez mais cruel. Com a ajuda de amigos, ela parte para a Inglaterra e vai trabalhar como governanta na casa do David Luft. Aqui, a narrativa da A. S. Victorian está em seu melhor momento, fluída e muita gostosa de ler.

A leitura para mim foi bem rápida, sempre numa narrativa de tom simples; ditada tanto pela "voz da escritora", que parece ter encontrado seu jeito de escrever nessa simplicidade, quanto também por sua falta de experiência. Dá para ver como a autora amadureceu com relação ao início do livro, e, por ser seu primeiro livro, é bem claro o quanto ela precisa aprender daqui para frente ainda.

Com relação a isso, talvez o que eu mais tenha sentido falta é de uma aproximação com a Inglaterra daquela época, afinal, este é um romance histórico. O recorte não foi muito bom, e é possível que tenha faltado alguma sintonia entre a autora e a própria época em si.

Falta de pesquisa? Não sei bem. Acho apenas que Victorian não conseguia se imaginar tão bem dentro do universo que escrevia e isso tirou um pouco da experiência do próprio leitor dentro do cenário. Ainda assim, sinto que para um primeiro trabalho no gênero, a Victorian se saiu muito bem!

O destaque está para o romance, que começa com um clichê mas consegue ganhar identidade própria no decorrer das mais de 500 páginas do livro. Aliás, não só isso é um grande feito: o fato do livro ser tão longo, e ainda assim fácil de ler, dá alguns pontos de crédito para a autora, que soube dirigir boa parte da narrativa muito bem.

O romance de estreia da A. S. Victorian merece atenção, talvez, por suas personagens marcantes e humanas. Porém, a edição do livro passou por muitos problemas com relação à edição do texto. Há muitos erros ortográficos e de digitação, marcando principalmente a falta de atenção da editora do livro quando lançou a edição. Uma pena!

No mais, A Governanta é um livro bacana para passar o tempo. O tom da narrativa é ideal para quem quer ler algo em uma única sentada, e as 500 páginas não devem assustar. Não mesmo! Se você gosta de romance, final feliz e aqueles velhos mocinhos durões, se joga na leitura, que provavelmente você vai gostar.

site: https://redatoraquele.wordpress.com/2017/02/13/resenha-a-governanta-a-s-victorian
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Arissia 12/10/2016

Sensacional!
m É um prazer finalmente poder uma resenhar sobre este livro, que tive a sorte de receber autografado pela própria autora!
Pois bem, fisicamente livro é lindo e devo assumir que passei um longo período admirando a capa, o título e a imagem estabelecem uma relação muito forte com à história.
Indo à resenha, neste livro conhecemos a história da Samantha (ou Sam, para os íntimos), nossa heroína não começou sua trajetória de vida muito bem, tentarei não dá spoilers além do necessário. Após a morte de sua mãe, Samantha vê à sua governanta que é uma víbora casar-se com o seu pai, o que alterou o rumo de sua vida eternamente, em sua fase adolescência/juventude a Sam se vê forçada a concordar com um noivado e de conveniência pela vontade de aliviar o sofrimento que passava ao lado da família, nesses momentos há um grande diferencial pois a autora retrata à infância da protagonista e o leitor pode observar a construção de seu caráter e ter uma ideia mais clara dos seus sentimentos, diferente de outros livros que a maioria dos personagens apenas recordam suas dores. Entre esses momentos a Samantha conhece a verdadeira face do seu noivo . Motivada pelo desespero e contando com a ajuda dos empregados e de seu fiel amigo de infância: Don (que é um fofo), A Sam consegue fugir e parte para um recomeço de vida como Governanta de Charles, filho do médico Mr Luft, a relação deles é construída lindamente, a Sam super atrevida e ele de poucas palavras, é possível sentir às emoções que emanam dos personagens cada vez que eles estão juntos, mesmo não havendo cenas hots.
"-Ele sorriu. Aproximou o rosto do meu, seu hálito fresco beijava minha face.- Se não tiver mais nenhuma desculpa...
-Não tenho, senhor."
Os personagens são maravilhosos e cada um tem o seu papel na história. O relacionamento é gradativo, a leitura é leve, apesar da carga dramática que emanam dos personagens.
A Samantha entrou para a lista de minhas personagens favoritas por não perder a sua força e vontade de viver, sem se vitimizar, e se esforçando pela felicidade todos. O Mr Luft apesar de sisudo no começo só esconde por trás de uma redoma de proteção , mas,que apesar de seu orgulho se importa com a Sam e é louquinho por ela, isso fica bem nítido sem contar no Charles, um amor de menino, foi incrível acompanhar às diferenças entre a Governanta que a Samantha teve e a Governanta que ela foi para o pequeno Charles o enchendo de amor e carinho! O contexto histórico foi bem contemplado de maneira que passa à real concepção do feminino e da infância da época em sua totalidade!
Sinto muito se a resenha ficou longa, mas o livro traz muitos aspectos que não poderia deixar de abordar! Leitura mais que recomendada!
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Tammy 01/10/2016

A Governanta (Livreando)
Samantha teve um início de infância feliz, mesmo com o pai distante, sempre teve o apoio e o amor de sua mãe, e sua felicidade se completava ainda mais quando estava na companhia de seus amigos Don e Isabele Rocher. Tudo parecia bem, até que sua mãe falece de maneira inesperada e tudo o que viveu até esse momento, seria mudado drasticamente, e ela sabia disso.

"Eu não queria mais sofrer sem merecer, preferi obedecer e fingir que estava tudo bem. Mas dentro de mim eu sabia que nada estava, nem ficaria bem tão cedo." p.25

Com a ausência da mãe, agora Samantha seria cuidada integralmente pela governanta Heloíse, que a acha uma garota insolente e digna de todo castigo divino. Seu pai também não colaborava para que a situação tornasse melhor, desprezava sua filha e não admitia as lamurias pela morte da mãe. De forma resumida, Samantha passou a viver trancada, deixada de lado com suas dores e feito uma serviçal dentro da própria casa. Era muito sofrimento para uma criança, mas não impossível de acontecer.

Aos dezoito anos, ela retorna para casa. Agora tinha um meio irmão, uma madrasta e um pai que a tratava praticamente como uma desconhecida. Sendo apresentada a sociedade, Sam foi cortejada por diversos rapazes, mas somente um lhe chamou a atenção, Gareth, e viu nele uma oportunidade de sair de casa e tentar ser feliz. Parecia perfeito, até ela descobrir o quanto seu noivo era abusivo, possessivo e sem caráter. De maneira desesperada Sam foge para tentar refazer sua vida. Como destino, conseguiu um emprego de governanta na casa de Mr. Luft, tendo como pupilo o filho de seu patrão, Charles. Uma criança doce, mas cheia de feridas, assim como o pai, que ainda tinha o agravante da rispidez. A chegada de Sam nessa família mudaria a todos naquela casa, inclusive a percepção que tinha de si mesma.

A Governanta é um romance histórico que traz muitos elementos em comum com uma grande obra da literatura inglesa, Jane Eyre, para quem já leu, verá semelhanças entre essas duas obras em diversos momentos, mas Victorian conseguiu deixar sua marca através de uma percepção diferente dos fatos, o que me agradou muito. Trouxe características singulares em diversos personagens e fez com que a história conseguisse seguir seu próprio rumo no decorrer das páginas, o que foi muito satisfatório, já que no início, me preocupei pelas semelhanças.

"Eu estava feliz por ser quem eu era, libertar meu eu e falar tudo aquilo que me incomodava. Estava feliz por não ter mais que sofrer as injustiças impostas pelo mundo desde o meu nascimento, nem ter que guardar segredos." p.503

Sam é uma mulher forte, isso ninguém pode negar. Ela enfrenta diversos episódios conturbados durante a narrativa, com fortes características do quão a mulher era diminuída naquela época, a autora retrata alguns desses aspectos de maneira sucinta e concreta, não vitimando a personagem, mas mostrando a sua força interior diante dos fatos pesarosos. Sam é uma personagem que luta pelo seu melhor, que almeja e segue em frente, apesar de suas feridas, ela caminha pela história de maneira livre e curiosa.

O romance acontece de maneira leve e calma, vivenciamos junto aos personagens cada estágio dessa aproximação e os tormentos ao qual terão que enfrentar para seguir em frente. Charles é uma criança adorável, por diversas vezes surge uma vontade de acalentá-lo e lhe dedicar todo o amor que precisa. Mr Luft, apesar de parecer alguém seco e desprovido de sentimentos em primeiro momento, vai evoluindo e saindo de seu casulo conforme os dias se passam. O amor nessa família foi tirado de maneira drástica e a maneira que escolheram para seguir em frente foi fingir que nunca existiu, e é por isso que o desenrolar dos acontecimentos surge de maneira tão tocante e singela.

"Senti uma mistura de tristeza e felicidade tomar meu corpo e, por impulso, abracei-o com força. Ele não me repeliu como era esperado, abraçou-me com carinho pela cintura, mantendo meu corpo mais perto do seu. Eu me permiti chorar em seu peito." p.304

O romance ter mais de 500 páginas, mas o leitor não nota essa quantidade. A história envolve já nas primeiras páginas e as seguintes se tornam ainda mais interessante por querer saber como todos irão se posicionar e enfrentar o que tem no caminho. Todos evoluem de maneira significativa e isso é perceptível ao ler a última frase dessa encantadora história.

Seria digno de cinco corujinhas se não fosse o fato da ambientação, que para mim, deixou a desejar. Sou acostumada a ler romances de época, amo cada século, e o fato de descrever de maneira vívida cada etapa desse tempo é o que torna a história mais interessante, infelizmente, não conseguir sentir esse ambiente. Os personagens tornam-se o centro completo da história, onde a interação fica deixada exclusivamente para o desenrolar dos fatos.

Apesar disso, a obra me encantou e não me fez querer me separar em nenhum instante desses personagens. Ela flui com facilidade, tem um ritmo próprio e convence. Achei a capa simples, mas significativa, e retrata no íntimo a personagem principal. As letras têm uma fonte maior que o normal, o que facilita demais a leitura, há alguns parágrafos em que a fonte muda em uma linha, mas em nada prejudica a leitura. É narrado em primeira pessoa pela Sam, o que nos torna mais íntimos de sua maneira de observar as diversas situações pela qual passou. Com certeza indico para os ávidos desse tipo de romance e também para aqueles que desejam ler um bom nacional do gênero.

"Acho que a saudade dói mais quando nos viramos para nossa vida e descobrimos que não fizemos nada para sair da situação deplorável do passado. As pessoas vêm e vão. Deixam profundos sulcos em nossos seres, lembranças boas, amores... Deixam também a promessa de que o futuro será bom, mesmo se elas não estiverem mais ao nosso lado. Pior é desistir desse futuro, só porque perdemos a esperança por um mísero instante." p 254

site: http://www.livreando.com.br/
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