Reze Pelas Mulheres Roubadas

Reze Pelas Mulheres Roubadas Jennifer Clement




Resenhas - Reze pelas mulheres roubadas


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Dira 29/05/2020

Meninas traficadas, mulheres abandonadas e esquecidas
Que livro Foda! Chorei feito uma criança nas últimas páginas. LadyDi e sua mãe são personagens que reúnem características que tocam a gente de forma muito profunda. A história é difícil, pesada e sofrida, meninas roubadas e traficadas na cidade de Guerrero no México. Mães e filhas abandonadas, trágicas e comoventes histórias, rostos e nomes.

[Agora vamos deixar você feia, minha mãe disse. E assobiou. Sua boca estava tão próxima que ela cuspiu perdigotos em meu pescoço. Senti cheiro de cerveja. No espelho, eu a vi passar o pedaço de carvão em meu rosto. É uma vida sórdida, murmurou.(pg.9)]
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Nana 17/10/2018

Reze por um mundo melhor!
Esse é um tipo de livro que fica na nossa memória por um tempo, devido a sua história triste, chocante e dolorosa.
É ficção, mas foi baseado em relatos reais de moradoras das regiões mais violentas do México, onde os traficantes de drogas dominam totalmente o local. As personagens vivem sob constante ameaça de violência.
A história é narrada por Ladydi, uma adolescente que mora com sua mãe em Guerrero, na zona rural do México, local onde as meninas precisam fingir-se de meninos para não serem roubadas pelos traficantes e usadas com escravas sexuais. O pai fugiu para os EUA e nunca mais voltou.
Apesar dessa leitura ter sido bastante pesada e ter me deixado angustiada com tantos horrores, me ensinou sobre uma realidade que eu não conhecia e me mostrou o poder do crime organizado no México.
Terminei de ler aprendendo um pouco mais sobre os horrores que o ser humano é capaz e refletindo sobre a minha vida.
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leila.goncalves 17/07/2018

?Graças A Deus, Nasceu Um Menino!?
Eu não fazia a menor ideia de que hoje em dia, mulheres jovens, pobres e bonitas são sequestradas no México em plena rua ou na própria casa sob a mira de um revólver.

Jeniffer Clement passou dez anos ouvindo esses relatos, enquanto escrevia "A True Based On Lies", seu romance de estreia, sobre o papel feminino no cartel das drogas. Para tal, entrevistou namoradas, esposas e filhas de traficantes, chegando a trágica conclusão que sei país também é um labirinto de mulheres escondidas, tentando se proteger dessa ameaça.

A grande maioria das ví­timas é usada para tráfico sexual ou outras formas de escravidão, como trabalho forçado, pagamento de dívida ou filmagens pornográficas. Um negócio lucrativo, afinal, "uma mulher pode ser negociada para diferentes donos várias vezes, e até mesmo dezenas de vezes por dia como prostituta, enquanto que um saco plástico com drogas só pode ser vendido uma única vez."

Portanto, foi uma decisão acertada o segundo romance da autora, "Reze pelas Mulheres Roubadas", abordar esse assunto. A narrativa gira em torno de Ladydi Garcia Martínez, uma jovem que nasceu numa comunidade rural dizimada por traficantes de drogas, equivocadas políticas agrícolas e imigração ilegal. Uma pequena aldeia cortada por uma estrada que leva ao porto de Acapulco, lugar de chegada e partida de "qualquer tipo de mercadoria", e apesar dos fatos narrados terem sido inspirados na realidade, seu texto é absolutamente ficcional.

Criada pela mãe, seu pai fugiu para os Estados Unidos há anos, Ladydi tem como companhias inseparáveis o calor e a pobreza. Além disso, no quintal de seu casebre há um buraco cavado que serve para escondê-la, quando preciso. Ela passou a infância fantasiada de menino e a adolescência, suja e enfeada, com a finalidade de enganar o cartel, mas nem sempre essas artimanhas dão certo... Sua amiga Paula, "mais bonita do que a Jennifer Lopez", é a primeira sequestrada entre as garotas de sua idade.

Se você aprecia um romance tradicional, com começo meio e fim, esqueça esse livro. Ele não apresenta uma solução para os conflitos e problemas abordados, mas é um depoimento pungente de uma situação impensável em pleno século XXI. Uma leitura obrigatória para quem defende e crê nos direitos das minorias e que dificilmente irá esquecer a saga dessas mulheres tentando romper com seu destino.

"Agora vamos deixar você feia, minha mãe disse. E assobiou. Sua boca estava tão próxima que ela cuspiu perdigotos em meu pescoço. Senti cheiro de cerveja. No espelho, eu a vi passar o pedaço de carvão em meu rosto. É uma vida sórdida, murmurou." (Ladydi)
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Ana 30/05/2018

Refletir sobre o que não conhecemos
Reze Pelas Mulheres Roubadas é uma obra ficcional, é uma história que se passa no México, mas poderia ser um documentário das pobres regiões em qualquer lugar do Brasil, onde a ausência do Estado é sentida nas ações mais simples e insignificantes do cotidiano.

Pela visão de Ladydi, uma menina de 11 anos, ficamos conhecendo as dificuldades das mulheres que vivem nesse povoado, com medo de serem roubadas como escravas sexuais para os traficantes da região.
Pouco a pouco vamos conhecendo a rotina dessa menina que vive com sua mãe, uma rotina de medo, de comida escassa, da falta de saneamento básico, da falta da educação básica, da segurança. Tudo isso se reflete em suas personalidades: a mãe entrega-se ao vício do álcool e submete a filha à situações de perigo; a filha busca nos vizinhos e amigos o amparo social que o Estado deixa de oferecer.

Falar dos Direitos Humanos parece distante onde o Estado se ausenta. Como falar do direito ao voto para uma menina que não tem nem mesmo o direito à vaidade ? já que precisa se parecer e se comportar como um menino maltrapilho para não ser roubada como escrava sexual? Como falar do direito à educação quando os professores encontram-se desestimulados a oferecer qualquer tipo de ensino numa região pobre e de difícil acesso?

Não é difícil entender que a massificação do acesso de informações ? como uma televisão com acesso a canais de TV a cabo e canais ditos cultos ? torna ainda mais abstruso acreditar que as pessoas estejam sem acesso a alimentos e sendo regadas com veneno. Que o tráfico de drogas seja a instituição que amedronta e protege, visto com tanto temor como oportunidade para uma vida adulta de acesso ao dinheiro e seus luxos, mas não à educação e cultura.

Reze Pelas Mulheres Roubadas nos faz refletir sobre a realidade dos que têm tão pouco e sentem de forma mais impactante as lacunas do Estado e diante das dificuldades cotidianas sequer conhecem ou reconhecem a falta dos mais básicos dos seus direitos: a dignidade.
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Vanessa Prateano 09/02/2018

Reze pelas mulheres roubadas: Um relato sobre o terror misógino que acomete o México
Uma vida vivida com medo e à espera do pior, em que um buraco cavado na terra é a “estratégia” usada pelas mães para evitar que suas filhas virem escravas sexuais. Essa é a rotina de mulheres que (sobre)vivem numa pequena localidade do estado mexicano de Guerrero, entre as cidades de Chilpancingo e Acapulco, um dos locais mais perigosos para se viver dentro de um país que é mundialmente conhecido por seus feminicídios. A histórica contada em Reze pelas mulheres roubadas pela escritora estadunidense (e de ascendência mexicana) Jennifer Clement foca na vida da pequena Ladydi García Martinez, que é pré-adolescente quando a narrativa se inicia.

Ladydi vive numa montanha onde, ela nos revela, não há homens. Ou estes imigraram para os Estados Unidos ou se afogaram/foram alvejados enquanto cruzavam a fronteira (atravessando desertos ou rios) ou então estão mortos/presos porque se envolveram com o narcotráfico.

As mulheres e meninas que restaram sobrevivem como podem, por meio de trabalhos precários e algum dinheiro enviado pelos homens que estão nos EUA (algo muito raro), e em contante estado de terror. Os narcotraficantes que vivem na região sabem que ali vivem apenas mulheres e suas meninas. De repente, despontam na estrada desértica com seus carros de luxo e armados até os dentes e sequestram as meninas, com o objetivo de vendê-las para outros traficantes como escravas sexuais.

O destino final de muitas das vítimas do tráfico sexual, quando já foram usadas e abusadas incontáveis vezes, é o feminicídio, o ato extremo de um continuum de violência que se apresenta desde o dia em que uma menina vem ao mundo. Como afirma Clement em uma entrevista ao Estadão, tendo como base o que ouviu das próprias mulheres: “Uma mulher pode ser vendida várias vezes por dia e para diferentes donos ,enquanto um saco plástico com droga só é vendido uma vez”.

Para escapar dessa sina, da qual praticamente 99.9% das meninas jamais retornará viva, as mães bolam estratégias como enfiar as filhas em buracos quando os carros se aproximam. Quando elas nascem, anunciam à comunidade que, felizmente, naquela casa nasceu um menino. Pintam os dentes das filhas com canetas pilot e graxa, as impedem de usar vestidos e chegam a quebrar seus dentes para que fiquem feias.

Intersecções entre gênero, etnia e classe
Além da violência machista, as mulheres sofrem também com a pobreza, com a discriminação por serem mexicanas de pele escura e com um clima impiedoso. O lugar é quente e abafado, cheio de iguanas, escorpiões venenosos, formigas gigantes e moscas que se alimentam do sangue e das lágrimas das mulheres. Nas florestas ao redor escondem-se campos de maconha e de papoula (base da cocaína) que são a origem de muitos dos pesadelos do México.

O medo da violência faz com que quase não haja professores e médicos na localidade. Os primeiros só aceitam trabalhar ali como forma de cumprirem logo com as exigências governamentais de trabalho social como requisito para a formação, e o segundos só aparecem de vez em quando para realizar cirurgias, sempre escoltados pelo Exército.

Além da violência dos indivíduos do sexo masculino, a violência institucional, cometida pelo Estado (também monopolizado por homens), também é assombrosa. Embora caiba ao Exército encontrar e destruir as plantações, a corrupção leva a melhor: os helicópteros que deveriam derramar paraquat, um herbicida, sobre os pés de maconha e de papoula têm o hábito de fazer isso sobre a cidade, em cima das casas, das lojas e dos próprios habitantes, sem se importarem com o fato de que o líquido pode causar doenças, defeitos congênitos em bebês e até a morte.

O contraste entre a pobreza da montanha e as mansões de Acapulco também chocam. É nestas casas que muitas das mulheres arranjam emprego — este, inclusive, é o destino tanto Ladydi quanto de sua mãe. Muitas das mansões são de propriedade dos narcotraficantes, que possuem gostos bizarros e nenhum apreço pelo povo que sofre logo ao lado, inclusive dentro de sua própria casa. Os gostos sanguinários de um deles, inclusive, é o que, em parte, levará Ladydi à cadeia e contribuirá para aumentar o peso das acusações contra ela.

Afeto entre mulheres
Apesar de ser um livro extremamente doloroso e angustiante, “Reze pelas meninas roubadas” é também um livro cheio de afeto, de solidariedade feminina, de resiliência e até mesmo marcado por uma veia cômica. A amizade entre Ladydi e suas amigas Paula, Maria e Estefani é um dos aspectos mais belos da narrativa — ainda mais quando Ladydi descobre que sua ligação com Maria é mais profunda do que ela imaginavam.

A luta das mães para que suas filhas não sejam roubadas é emocionante — são mulheres traídas, desprezadas e abandonadas pelos maridos. Um contamina a esposa com o HIV e ainda a acusa de infidelidade, abandonando-a. O outro engravida a vizinha e amiga da esposa e, quando vai embora de vez para os EUA, deixa de mandar dinheiro à primeira família e só ampara a segunda. Um terceiro abandona a família após a filha nascer com uma deficiência.

Não há sentimentalismo nem apelação na denúncia feita por Clement. A mãe de Ladydi, Rita, é um ser humano complexo. É alcoólatra, viciada em documentários históricos da NatGeo, cleptomaníaca e mesquinha em suas relações interpessoais, mas também uma mãe que luta pela filha com unhas e dentes quando entende que sua proteção é essencial e necessária.

Situações vividas entre as mulheres que em outros lugares do mundo seriam vistas como comezinhas e até supérfluas adquirem um tom poético de resistência, como no caso das visitas das mulheres e suas filhas ao salão de beleza “A Ilusão”, de propriedade de Ruth, encontrada no lixo quando bebê.

Dentro do salão, por algumas horas, as mulheres pintam as unhas, escovam o cabelo e colocam maquiagem, para, ao final, retirarem o esmalte e o batom e desmancharem o penteado, já que a vida lá fora é cruel e cabe às mulheres não “provocarem” os homens com sua beleza. Muitas mulheres procuram Ruth não para que ela embeleze as filhas, mas para que as deixe feias, tanto que Ruth afirma que aquele não é um salão de beleza, mas de “feiura”.

Trecho:
A melhor coisa que você pode fazer no México é ser uma menina feia. Meu nome é Ladydi Garcia Martínez e tenho pele morena, olhos castanhos, cabelo castanho e crespo e pareço com todo mundo que conheço. Quando eu era pequena, minha mãe me vestia de menino e me chamava de Menino. Contei a todo mundo que tive um menino, ela disse. Se fosse uma menina, eu seria roubada. Se os traficantes de drogas ficassem sabendo que havia uma menina bonita por perto, eles invadiriam nossas terras em Escalades e a levariam. Na televisão, eu via meninas se enfeitando, penteando os cabelos e fazendo tranças com laços cor-de-rosa ou usando maquiagem, mas isso nunca aconteceu em minha casa. Talvez eu tenha que quebrar os seus dentes, minha mãe dizia. Quando cresci, passei a esfregar um lápis marcador preto ou amarelo nos dentes para que parecessem podres. Não há nada mais nojento do que uma boca suja, mamãe dizia. Foi a mãe de Paula quem teve a ideia de cavar os buracos. Ela morava em frente a nós e tinha uma casinha própria e uma plantação de papaias. Minha mãe dizia que o estado de Guerrero estava se transformando numa coelheira, com meninas se escondendo por toda parte. Assim que alguém ouvia o barulho de um SUV se aproximando, ou via ao longe um, dois ou três pontinhos pretos, todas as meninas corriam para os buracos. (Reze pelas mulheres roubadas, p. 9-10).

Delicadeza no trato da violência sexual
Para compor a história de Ladydi e suas amigas, Clement passou dez anos entrevistando dezenas de mulheres mexicanas vítimas da violência para compor o livro, mistura de ficção com prosa jornalística/documental. A obra, inclusive, foi possível por meio de uma bolsa ganha pela autora, o National Endowment for the Arts (NEA) Fellowship in Fiction, com o apoio do Sistema Nacional de Criadores de Arte (FONCA) do México. É um trabalho árduo do ponto de vista de apuração que, embora trate de um tema dificílimo e doloroso, o faz de forma responsável e delicada.

O tema da violência sexual está presente a todo instante, mas a autora dispensa descrições pormenorizadas de estupros ou de rituais sádicos cometidos pelos traficantes. Sua intenção não é chocar o leitor ou a leitora, afinal, que tipo de empatia poderia resultar do simples choque provocado pelo sensacionalismo?

Todas nós sabemos como é um estupro — a literatura e a mídia, ao longo do tempo, se encarregaram de jogar na nossa cara ou descrever demoradamente diversas cenas a respeito deste crime. O medo constante que sentimos ao andar nas ruas e as notícias policialescas de jornal não nos deixam esquecer o horror desse crime nem por um instante.

Jennifer Clement, por outro lado, não está interessada nisso — na linguagem gráfica, nas descrições que beiram o sadismo de muitos narradores (em geral homens) e na exploração do sofrimento pelo sofrimento. O que ela mostra é como a violência afeta o cotidiano das vítimas e as impede de viver com dignidade, como forma de gerar empatia e engajamento no tema.

A forma pela qual é narrado o que ocorre com Paula — tanto o seu “roubo” quanto o cativeiro em si e como sua vida é suspensa após a violência— mostram toda a delicadeza da escrita de Clement e o respeito pela história de milhares de mulheres mexicanas, vivas ou mortas, cujas vidas foram atravessadas por violências e privações de direitos terríveis.

Em um momento em que, felizmente, falamos cada vez mais sobre a violência sexual e o feminicídio, “Reze pelas mulheres roubadas” é um poderoso instrumento de conscientização e sensibilização a respeito do que ocorre no México — que vem logo atrás do Brasil no infame ranking dos países que mais matam mulheres. Nós estamos em 5.º lugar, e os mexicanos, em 6.º.

Uma vez que lutamos até mesmo para visibilizar e legitimar o termo feminicídio, ter a nosso favor uma Literatura que se importa com o sofrimento das mulheres e sua libertação das garras da violência é algo para se comemorar. Há pouco tempo não era assim. Que ela seja, portanto, um instrumento potente de humanização das mulheres por meio das palavras.



site: http://deliriumnerd.com/2017/11/28/reze-pelas-mulheres-roubadas/
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Delirium Nerd 29/01/2018

Um relato sobre o terror misógino que acomete o México
Uma vida vivida com medo e à espera do pior, em que um buraco cavado na terra é a “estratégia” usada pelas mães para evitar que suas filhas virem escravas sexuais. Essa é a rotina de mulheres que (sobre)vivem numa pequena localidade do estado mexicano de Guerrero, entre as cidades de Chilpancingo e Acapulco, um dos locais mais perigosos para se viver dentro de um país que é mundialmente conhecido por seus feminicídios. A histórica contada em Reze pelas mulheres roubadas pela escritora estadunidense (e de ascendência mexicana) Jennifer Clement foca na vida da pequena Ladydi García Martinez, que é pré-adolescente quando a narrativa se inicia.

Ladydi vive numa montanha onde, ela nos revela, não há homens. Ou estes imigraram para os Estados Unidos ou se afogaram/foram alvejados enquanto cruzavam a fronteira (atravessando desertos ou rios) ou então estão mortos/presos porque se envolveram com o narcotráfico.

As mulheres e meninas que restaram sobrevivem como podem, por meio de trabalhos precários e algum dinheiro enviado pelos homens que estão nos EUA (algo muito raro), e em contante estado de terror. Os narcotraficantes que vivem na região sabem que ali vivem apenas mulheres e suas meninas. De repente, despontam na estrada desértica com seus carros de luxo e armados até os dentes e sequestram as meninas, com o objetivo de vendê-las para outros traficantes como escravas sexuais.

O destino final de muitas das vítimas do tráfico sexual, quando já foram usadas e abusadas incontáveis vezes, é o feminicídio, o ato extremo de um continuum de violência que se apresenta desde o dia em que uma menina vem ao mundo. Como afirma Clement em uma entrevista ao Estadão, tendo como base o que ouviu das próprias mulheres: “Uma mulher pode ser vendida várias vezes por dia e para diferentes donos ,enquanto um saco plástico com droga só é vendido uma vez”.

Leia a resenha completa no link abaixo:

site: http://deliriumnerd.com/2017/11/28/reze-pelas-mulheres-roubadas/
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Vaninha 10/10/2017

"A melhor coisa que você pode fazer no México é ser uma menina feia."

Escrito a partir de diversas entrevistas feitas durante anos pela autora, Reze pelas mulheres roubadas é uma obra de ficção escrita para revelar a dura realidade das mulheres no México atual.

Com uma linguagem poética o livro narra o dia a dia das mulheres de Guerrero, uma pequena comunidade de beira de estrada, aos pés de uma montanha a poucos quilômetros de Acapulco e próxima à fronteira com os Estados Unidos.

Não existem homens em Guerrero. Todos os homens vão embora. Alguns se envolvem com o tráfico mas a maioria decide atravessar a fronteira em busca de uma vida melhor, abandonando esposas e filhas. Alguns retornam uma ou duas vezes para rever a família mas a grande maioria jamais volta.

Abandonadas as mulheres da cidade precisam lutar para sobreviver. A maior batalha que elas enfrentam, no entanto, não é contra a pobreza ou a fome e sim contra os traficantes que sequestram todas as garotas consideradas bonitas. As garotas sequestradas não voltam.

É nesse cenário que conhecemos Ladydi e suas amigas. Para que as garotas não sejam levadas as mães usam diversos artifícios para que pareçam feias e sempre que uma SUV é avistada as meninas precisam correr para se esconder. As que não conseguem são levadas e não há a quem recorrer: a polícia e até mesmo o exército estão comprados.

Abandonadas, traídas, usadas como mulas, como bode expiatório, marcadas como se fossem gado, estupradas, roubadas...

Não vou me estender muito para não acabar soltando um spoiler, mas devo dizer que o livro vale - e muito - a pena. Ele é fino e por isso dá para ler super rapidinho.

Se quiser saber mais sobre essa questão, o livro A morte de Sarai, de J. A. Redmerski fala um pouco sobre o assunto e tem um filme chamado Juarez - esse baseado em fatos reais - que denuncia essa situação.

O México é considerado hoje um dos lugares mais perigosos para uma mulher viver.
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fabi g c 05/09/2017

Você nunca mais vai pensar no México da mesma forma
Esse livro foi um daqueles achados na banca de livros a 10 reais, o título me chamou atenção, li em uma manhã, queria muito conhecer Ladydi e suas amigas. Me surpreendeu muito. Se os escorpiões tiveram piedade da menina, por que eu não teria?
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Henrique 21/07/2017

Recomendadíssimo
Que grata surpresa não tive ao ler esta obra. Ao leitor menos curioso para saber do enredo, como eu, pode acreditar se tratar de uma obra não fictícia, tamanha é a desenvoltura da autora que dá voz à personagem Ladydi, que vive em um povoado entre a Cidade de México e Acapulco, encrustado nas montanhas. Os parágrafos e frases curtos, mas com uma densidade de significado forte, além de tornar a leitura uma experiência agradável, dão o tom de uma temática que seria muito mais sombria e pesada, não fosse o humor ácido da mãe de Ladydi e da própria Ladydi em relação às circunstâncias. A história de vida de uma criança num país onde ser mulher é um castigo. É a voz daquelas que nunca tiveram a vez de se livrar do estigma que carregam.

"Uma mulher desaparecida é apenas outra folha que corre pela sarjeta durante uma tempestade , ela disse ."
Clement, Jennifer. Reze pelas mulheres roubadas (Locais do Kindle 722). Editora Rocco.
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João 30/05/2017

Reze Pelas Mulheres Roubadas é mais um livro chocante que leio sobre a realidade de muitas mulheres no mundo.
Pelo que entendi a autora se baseou em fatos reais para criar o livro.
Uma realidade terrível para essas mulheres mexicanas.
Não dá pra falar muito sobre o livro,só digo que é uma excelente leitura.
Euflauzino 06/06/2017minha estante
já está anotado :D




Alcinéia 02/03/2017

Reze pra que seja um menino.

“Agora vamos deixar você feia, minha mãe disse. E assobiou. Sua boca estava tão próxima que ela cuspiu perdigotos em meu pescoço. Senti cheiro de cerveja. No espelho, eu a vi passar o pedaço de carvão em meu rosto. É uma vida sórdida, murmurou.”

O que dizer de Guerrero? É uma cidade do México, onde as meninas são disfarçadas de menino até os 11 anos de idade e depois são obrigadas a se transformarem em meninas feias. Uma cidade onde entre escorpiões, que podem matar com uma só picada, cobras, moscas, formigas vermelhas, calor e pobreza estrema nascem as personagens do livro de Clement. Dos olhos de Ladydi conhecemos esse mundo, tão distante e próximo de nós. E nada coloca mais medo nos habitantes dessa cidade do que os homens do tráfico. A mãe de Ladydi, sempre tem um pensamento crítico com relação a realidade o que faz dela uma mulher amarga, por saber muito bem onde esta inserida e as consequências disso. “Não existe nada pior do que uma filha sem pai, minha mãe dizia. O mundo simplesmente devora essas meninas vivas.”.

Sem dúvida o melhor livro que já li, a autora conta a realidade com poesia, é surpreendente, mudamos para Guerrero e podemos ver e sentir cada local e conhecer cada personagem, fazemos parte da história e quando lemos a última página do livro, ele continua dentro de nós. Ladydi estará sempre dentro de cada leitor que se emocionou com sua história. Ela era uma garotinha que fazia orações ao contrário, pois sua mãe sempre dizia para fazer suas orações ao contrário, pois se Deus realmente soubesse do que precisava, ele nunca daria.

“O que todo mundo sabia era que a fila de visitantes esperando para entrar na cadeia feminina era curta. A fila de visitas na cadeia masculina era longa e se estendia por pelo menos dez quarteirões. Podia levar horas para os visitantes finalmente conseguirem entrar para ver os homens. Foi Luna quem me contou isso. Não há nada mais que se precise saber, ela disse. Ninguém visita as mulheres. Todo mundo visita os homens. O que mais precisamos saber a respeito do mundo?”

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Elis 05/11/2016

Que baita dor nas entranhas
Sim, roubam mulheres aqui do lado. Aqui em SP deve acontecer, no RJ, nas regiões mais pobres do nordeste, nos EUA, mas a história narrada nesse livro, que dor aqui nas entranhas. A linguagem é poesia pura, singela, linda, única. As histórias são horríveis e como tudo que é horrível dá para rir, chorar, sufocar, engasgar. Provavelmente a melhor coisa que li em 2016, que ainda não acabou. Podemos dizer que é o livro mais surpreendente do ano.
A protagonista mora em uma montanha cheia de mulheres abandonadas que rezam para que seus rebentos sejam meninos porque mesmo que sejam traficantes (com quase toda a certeza) ou emigrem para os EUA, ser homem é melhor do que ser uma mulher roubada. Partindo dessa premissa segurem suas emoções.
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Viviane 03/11/2016

Um soco no estômago
Embora seja um romance é baseado na realidade do tráfico de mulheres no México.
A protagonista, Ladydi é uma menina que nasce em uma montanha no México, vive só com sua mãe, pois o pai foi embora para os EUA.
Ao longo da infância as mães protegem as filhas cortando seus cabelos curtos, enfeiandos-as.
Ladydi tem suas amigas inseparáveis, ao longo do livro vamos descobrindo o destino de cada uma.
É chocante! Um final comovente e surpreendente.
Recomendo muito!

"Uma mulher desaparecida é apenas uma outra folha que corre pela sarjeta durante uma tempestade, ela disse. "

Leiam!
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San... 15/09/2016

Fico me perguntando, como, em pleno século XXI, nos deparamos com uma realidade inaceitável, onde a lei do mais forte ainda seja um imperativo. Embora ficcional, a realidade vivida nos locais onde os quartéis ditam as regras é exatamente essa. Boa leitura para que saibamos que, no resto do mundo, a vida segue cursos completamente divorciados de nossas experiências pessoais.
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Ana 28/08/2016

Incrível!
Um relato que, porém fictício, nos transporta para uma realidade dura do tráfico de mulheres e prostituição infantil no México. Leitura envolvente do começo ao fim.
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