Kaori

Kaori Giulia Moon
Giulia Moon




Resenhas - Kaori


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Karine Coelho 24/06/2010

O Livro Perigoso Para Crepusculetes
Apaixonante. Provocante. Sensual. Ardente. Assustador. Emocionante. Eu poderia citar milhares de adjetivos que combinam com esse livro, mas não haveria espaço para tanto. Permita-me dizer apenas mais um: empolgante. O livro de Giulia Moon é um tsunami de sensações, que te arrasta para dentro da história da bela e sedutor Kaori, a vampira-gueixa de rosto juvenil. Um mergulho profundo na antiga cultura feudal japonesa, com seus xoguns, samurais, daimyôs e bakemonos de todos os tipos inimagináveis. Ao mesmo tempo, um passeio pela capital paulistana dos dias atuais numa trama ágil e instigante. As duas histórias, tão distantes entre si, se entrelaçam lentamente até o surpreendente final. No meio desse turbilhão alguns personagens se destacaram, como a gata-nekomata Mishi, o vampiro afetado Mimi (tiradas ótimas!), a diabólica Madama Missora, o pintor José Calixto e o samurai Kodo (meu personagem favorito, confesso)

Mas, agora que já falei dos pontos positivos, sinto-me no dever de colocar alguns poucos pontos negativos (porque nenhuma obra é perfeita, afinal). Há um excesso de cenas de sexo que, depois de algum tempo acabam ficando banais. E há uma fragilidade em Kaori no final do livro que quase compromete a imagem poderosa que ela tem por todo o livro, transformando-a de vampira poderosa em uma mocinha em perigo. Mas esse detalhe é perdoado pelas surpreendentes revelações no final, e um vislumbre do meu Rio de Janeiro.

Enfim, um livro deliciosamente perigoso e sedutor. Uma obra-prima da literatura fantástica nacional.
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Dani Tiemi 26/01/2010minha estante
Wow... Adorei sua resenha! Fiquei morrendooo de vontade de ler este livro!


Ana Paula 04/02/2010minha estante
Quando li não cheguei a notar a fragilidade de Kaori no final, como você diz. Mas pensei um pouco, e concordo com você. Não acho que o final tenha sido ruim, mas talvez a Kaori merecesse um final mais poderoso, mais altivo. Não sei se essas são as melhores palavras pra definir, mas acho que deu pra entender. rs

De qualquer forma, é um ótimo livro!


Dominique 10/02/2010minha estante
KODO é o cara!! Tb amei!! Miga, sua resenha está para lá de completa!!




Leo Ragacini 03/09/2009

Resenha por Kizzy Ysatis (O clube dos imortais & Diario da Sibila Rubra)
KAORI – Perfume de Vampira

Um choque de culturas, combinação de estilos num caldo japonês de terror, humor, erotismo, ação e beleza no romance que promete ser uma das principais referências da literatura do gênero no Brasil.

Por Kizzy Ysatis

Há anos, a escritora Giulia Moon vem mantendo as livrarias enriquecidas com boas histórias de terror. Sejam com vampiros ou não. As capas de suas obras, carregadas em vermelho, fizeram com que eu sempre a chamasse de A Dama Rubra do Terror. Giulia contava pela WEB, e seus contos se destacaram a ponto de publicá-los finalmente em papel. Daí tivemos Luar de Vampiros, Vampiros no Espelho & Outros Seres Obscuros e A Dama Morcega. Todos livros de ótimos contos. Contos que também pudemos conferir nas antologias Amor Vampiro e, mais recentemente, no Território V. Temos duas novidades na nova publicação de Giulia: primeira, ela retoma suas raízes japonesas; e, segunda, ela estréia seu primeiro romance: KAORI, Perfume de Vampira (Giz Editorial, 2009).

O livro narra a trajetória de Kaori, uma adolescente cuja beleza, estonteante, só não provoca mais que seu perfume, próprio-cativante. E está justamente aí o significado de Kaori: fragrância, traduzido do original em Japonês. No Japão do período Tokugawa, o fascínio de Kaori apetece uma cortesã, a poderosa e terrível, Missora, okami-san (proprietária) do Kinjurô, que pretende transformar a garota na atração máxima de sua casa de prazeres. Paralelamente, na agitada São Paulo de nossos dias, temos as desventuras de Samuel Jouza (sim, com “J”), um vampwatcher (observador de vampiros) que trabalha para o IBEFF, Instituto Brasileiro de Estudo de Fenômenos Fantásticos (uma espécie de Talamasca tupiniquim) e que cai em desgraça ao se meter entre um nosferatu e seu alimento. Samuel tem uma profissão perigosíssima e precisava manter-se longe de olhos imortais e hematófagos, mas não é bem assim que as coisas acontecem nas histórias de Giulia Moon.

Esse é só o ponto de partida desse livro que está mais para uma montanha russa, cheia de curvas e reviravoltas, enriquecendo os curiosos com os significados dos termos e objetos japoneses citados no livro. Outro ponto alto são as criaturas mitológicas do folclore japonês, aqui repaginadas pela autora à moda Gaiman. Não parando por aí, a senhorita Moon cria suas próprias criaturas, os Famélicos, esses são de dar medo. São cães, grandes e escuros, que vivem das sobras deixadas pelos vampiros, longe de ser confundidos por lobisomens, são párias parasitas fantasmagóricos de rosto comum metidos em andrajos. Uma negra gorda, catadora de latinhas a virar uma esquina, sai de lá na forma do cachorrão, mas ninguém é capaz de notar, é bem Fantasia Urbana, que, como ouvi do Eric Novello, além do espanto que causa, tem boa nota de humor, em algumas cenas, ao menos nessas que se passam na urbe jesuíta; tirando as cenas dos pavorosos famélicos, claro, nessas não há nada de engraçado. Nos famélicos residem as cenas mais assustadoras. Terror, terror, terror.

No estilo, mora mais um truque usado por Giulia, esta danada. Para separar o clima e o tempo entre as tramas, ela desenvolveu um estilo singular para cada uma das partes, partes estas que nos são apresentadas em sequência, o livro não está dividido ao meio com duas partes distintas, ele é misturado. Um pé no Brasil, outro no Japão. Mas antes que eu fuja demais ao que dizia, voltemos ao estilo que distingue as cores narrativas. No Japão a narrativa é cinza, melancólica, arrastada, tensa. Muito tensa. Até nas lutas samurais. O suspense na parte do Japão sombrio nos embala a ponto de querer pular as partes de São Paulo para saber o que vai acontecer. Mas não façam isso, ele foi feito para ser lido desse jeito, é só ler o primeiro parágrafo da parte paulistana para lembrar que também foi abandonado num momento de tensão no capitulo anterior. Sim, na parte contemporânea também há o suspense, mas também há o colorido: o vampiro gay e estiloso, o vampiro burro e brutamontes, a mocinha em perigo, o mordomo afetado, entre outros personagens. A agitação fica por conta da rave celebrada na estação abandonada do metrô, intitulada Bloody Station. Na parte moderna da trama, a ação ininterrupta, como disse antes, tem aquela pitada de humor, mas vale lembrar que este humor está na dose certa, no final quase vaza, mas é isso que faz de Kaori, um desses livros que a gente nunca esquece. Agridoce, como alguns pratos orientais, e que deixa, ao final, um gostinho de quero mais.
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Lara 23/09/2011

Decepcionante
Uma história meio confusa ao meu ver, uma trama que te instiga a curiosidade e não revela nada demais, achei que a autora poderia trabalhar mais o suspense. Enfim, esperava mais.
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Fimbrethil Call 21/12/2009

Empolgante
Bom livro, cheio de suspense e aventura.

Passado em São Paulo, descrevendo lugares conhecidos, que dão uma sensação de familiaridade, cheio de seres fantásticos do folclore japonês e da mitologia vampírica.

é um livro muito bem escrito, mas com muitas cenas beeeem chocantes. Literatura adulta.

Recomendo
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Antonio Luiz 14/03/2010

Lançado na Bienal do Livro de 2009, "Kaori: Perfume de Vampira" esgotou-se rapidamente nos estandes e continuou vendendo bem. Talvez isso se deva à febre criada pelo romance de Stephenie Meyer, mas as interessadas devem ser prevenidas de que "Kaori" está para "Crepúsculo" mais ou menos como a "Justine" de Sade para a série Sabrina (nessa escala, Nazarethe poderia ser comparada à série Mirella: picante, mas straight vanilla, na gíria do erotismo – pelos padrões vampíricos, bem entendido).

Criada no cruel Japão dos samurais e escolada nas perversões do Oriente e do Ocidente, a bela vampira-cortesã Kaori é uma dominatrix para Sacher-Masoch nenhum botar defeito. Os capítulos se alternam entre presente e passado, entre a atual não-vida de Kaori na São Paulo moderna e o início de sua carreira na Era Tokugawa. Apesar de o prólogo soar a clichê e o primeiro capítulo começar morno, a trama logo ganha ritmo e densidade.

O ponto fraco talvez seja a propensão excessiva de personagens ingênuos a buscar situações estranhas ou se meterem em enrascadas por excesso de bondade, o que por vezes os faz parecer pouco críveis – um clichê comum a muitas obras de tom sadomasoquista.

Mas tanto o cenário paulista quanto o japonês são muito bem desenvolvidos e explorados e a obra acrescenta à lenda tradicional algumas ideias novas e interessantes. Entre elas, a simbiose dos vampiros com uma linhagem de homens-cães que se encarrega de devorar e eliminar os cadáveres e a existência de “observadores de vampiros” especializados, dedicados a tomar nota de seus hábitos. Um deles é Samuel, co-protagonista do romance que tem como uma de suas muitas peculiaridades o gosto por refrigerantes diet. Bem adequado, pois esta é uma história para quem gosta de pouco açúcar e muita, mas muita pimenta.
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Anny Lucard 25/03/2010

Mundos paralelos
A história contada no livro ‘Kaori – Perfume de Vampira’ de Giulia Moon, é repleta de sensualidade e perigos, onde uma narrativa envolvente é dividida em duas tramas paralelas. Onde é mostrado o passado da vampira Kaori, desde a época que ainda era humana, no século XVII, em pleno Japão feudal, em contrasta com a vida agitada do humano Samuel em plena a São Paulo do século XXI.

Enquanto em uma parte da narrativa, é visto o passado e nele como Kaori se transformou em uma vampira. A outra parte se passa nos dias atuais e gira em torno de Samuel, um humano com uma peculiar profissão. Samuel é observador de vampiros, para um misterioso instituto de pesquisas.

A idéia das narrativas paralelas, torna a leitura ainda mais empolgante, pois de um lado, temos a magia das sagas heróicas de samurais e os mistérios das antigas lendas japonesas. Enquanto em outro, uma aventura eletrizante pelas ruas de uma metrópolis que nunca dorme, como é conhecida a capital paulista.
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Elidia 09/10/2009

Um banho de cultura fantástica!
Me surpreendi do começo ao fim com a trama da vida de Kaori, uma vampira que se sobrepões por ter sentimentos humanos e um cheiro adocicado, além da bela e viva tatuagem de dragão que se completa com Samuel, um humano que é pago para observar o comportamento dos desmortos.

Giulia Moon tras na trama uma visão biológica do ciclo fantástico que cria, e isso é muito interessante na percepção de leitor.

O banho de cultura se deve aos termos japoneses, e todo contexto histórico que a trama do japão feudal representa.

Mishi o gato de duas caudas, rouba a cena, pelo espiritismo dos dois lados da terra.

Adoreiiii mesmo.
Aguardo mais sucessos de Giulia Moon.

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7 Random! 20/01/2012

"Lança todo esse perfume, desbaratina, não dá prá ficar imune ao teu amor..."
Como eu disse no TOP TWO!!, esse livro é perfeito para quem gosta de terror. Afinal, o tema é vampiros. (Mas não vampiros a lá Crepúsculo, viu? Vampiros medonhos MESMO. Não leiam o livro de noite, rsrsrs).
Giulia Moom escreve uma envolvente história que se passa tanto no Japão antigo quanto na atual São Paulo, alternando entre esses dois tempos. A mistura entre as medonhas aventuras vampirescas com as emocionantes lutas de samurais e lendas folclóricas japonesas deu supercerto, e "Kaori" se tornou um daqueles livros que, por mais que você se pele de medo - tipo eu - você não consegue largar de jeito nenhum até saber o que vai acontecer!!
Missora é a antagonista da história, a inimiga de Kaori. Sem brincadeira, ela é a pernonagem mais má e cruel que eu já vi em todos os livros que li na minha vida! Me deu até mais medinho do que a Dhuoda, a Dama Branca - mais tarde Dama Negra - do livro "A História do Rei Transprente"!! E a Kaori também não é nenhuma santinha não... Mas o livro também conta com personagens muito fofos, como Beatriz, a biologa que estuda camélios (leia o livro pra saber que bicho é esse =P); o pintor José Calixto; e Mimi, o vampirinho gay fissurado em armas.
Alternando entre os dois tempos - passado e presente - as duas histórias não parecem ter nenhuma ligação uma com a outra, e no início você meio que fica com raiva, porque o capítulo sempre para numa parte boa!!

Gostou? Leia o final da resenha em:
http://7random.blogspot.com/2012/01/kaori-de-giulia-moon.html
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sami monteiro 28/12/2009

Uma leitura diferente
Um ótimo livro...

Kaori faz jus ao estilo da autora,forte mas acolhedora.

Nota-se que a pesquisa foi longa deixando muito bem detalhado para os leitores desfrutarem tanto do japão feudal quanto das ruas paulistas...

Apenas tenho para mim que os dois momentos da história (passado e presente)ficaram realmente muito distantes um do outro,como se estivessemos lendo dois livros ao inves de um que une os dois enredos,tambem considero um pouco exagerado e desnecessaria algumas cenas na parte japonesa da estória,mesmo se tratando de um bordel...

enquanto algumas tramas tiveram resoluçoes rapidas de mais,como acontecem nos contos...

ainda sim é um excelente livro...mais do que recomendado.
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Dark-Arcueid 23/07/2012

Resenha Kaori
Conta a história desta bela jovem do período feudal, de como virou vampira e como veio para o Brasil e conheceu o outro protagonista deste livro Samuel Jouza um observador de vampiros. Uma história envolvente e com bastante ação.
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Wolff 23/08/2012

Existem inúmeros livros que abordam o tema VAMPIRO, porém são poucos os que privam pela qualidade de história e escrita e Kaori - Perfume De Vampira é um desses livros raros. Suspense, ação, maldade, sedução, romance sofrido e um enredo original, único, é o que prezo em histórias vampirescas e Kaori tem tudo isso. Se tem uma coisa que me incomodou nesse livro foi o fato de tê-lo adquirido no início do ano passo e só agora que fui saboreá-lo. A principio, pensei que seria só mais uma história sem graça, como tantas por ai, tendo como inspiraçao a saga Crepúsculo, oh, mas como estava enganado... Me detestei por não tê-lo lido muito antes. O livro me prendeu tanto que por vezes perdi o onibus do trabalho porque não conseguia parar de ler.
Esse com certeza foi um dos melhores livros de ficçao que li até hoje, e olha que não foram poucos. Se compara a obras inesqueciveis como Drácula de B.S e As Cronicas Vampirescas de Anne Rice, pela seduçao, brilhantismo e originalidade.
Ah... e o que é melhor ainda: Pelo visto as aventuras de Kaori nao param por aqui.
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Estefânia 31/08/2011

A primeira vez que ouvi falar do trabalho de Giulia Moon foi através de uma entrevista com outro autor brasileiro, do qual já era fã, André Vianco. Perguntado sobre a produção de livros vampirescos no país, o nome de Giulia apareceu entre os indicados. Uma rápida pesquisa sobre esta escritora paulistana me revelou “Kaori – Perfume de Vampira”. O trabalho feito na capa é lindo, e a edição caprichada me deixou ainda mais interessada. Comentando com algumas amigas, descobri um número surpreendente de fãs da vampira oriental. Elas me indicaram o livro com tanto entusiasmo, que fiquei tentada a correr atrás do meu exemplar. Foi o que fiz e, por incrível que pareça, o pessoal da Giz Editorial atendeu aos meus pedidos feitos via Twitter. Por causa de uma promoção oferecida pela editora, comprei o meu Kaori por um preço bacana, autografado pela simpaticíssima autora, com marcador e tudo o que tinha direito! Até aí, meu romance com Kaori estava indo muito bem, mas, com o livro na mão, surgiu a dúvida:
Será que é tudo isso mesmo?
Para descobrir, tentei me livrar das impressões positivas antes de começar a leitura.
A primeira surpresa foi a disposição dos capítulos, que se alternam entre o presente, em São Paulo, e o distante passado do Japão feudal. Em São Paulo, acompanhamos os passos de Samuel Jouza. No Japão, testemunhamos o passado de Kaori. É delicioso ver como as duas histórias caminham para o mesmo destino. A mistura inesperada de fantasia, Japão e Brasil, passado e presente, foi muito bem dosada.
Giulia Moon nos dá uma aula de cultura nipônica. O livro é recheado de termos em japonês, que podem parecer um pouco estranhos de início, mas que o leitor logo incorpora ao vocabulário. Como boa parte da história se desenrola no período feudal da terra do sol nascente, dá para aprender um pouquinho do que era viver naquela época ao lado de samurais, prostitutas e camponeses. As descrições de cenários, vestuários e hábitos me lembraram o clima de outro excelente livro, “Memórias de uma Gueixa”, de Arthur Golden. Obviamente, a fantasia não foi esquecida em nenhum momento, e está presente nessa fase da trama através das lendas japonesas. Você sabe o que é um Nekomata? E um Tengu? Ao ler Kaori, descobrirá essas e outras criaturas folclóricas do outro lado do mundo. Os vampiros ainda dividem espaço com uma nova classe de seres místicos, os Canis Famélicos (tem até nome científico!), mais conhecidos como limpadores. Esses não constam em nenhum folclore que eu conheça, e foram inseridos no enredo como interessantes cães sobrenaturais, cuja sobrevivência depende diretamente dos sugadores de sangue. Os vampiros de Giulia seguem a linha mais “tradicional” do mito, assemelhando-se mais aos personagens de escritores como Anne Rice, tão sexualmente ativos quanto os mortos-vivos de Charlaine Harris, e totalmente diferente das versões mais adolescentes e açucaradas de Stephenie Meyer ou P.C. Cast.
Logo de cara, o leitor encontra Kaori no momento do seu jogo de sedução, onde a vítima sortuda é o brasileiro Samuel Jouza (assim mesmo: JOUZA, e não SOUZA). Samuel é um vampwatcher, profissão oculta dos olhos da sociedade, cujo trabalho consiste basicamente em observar e catalogar os vampiros de uma área e entregar os dados ao IBEFF (Instituto Brasileiro de Estudos de Fenômenos Fantásticos), agência responsável por investigar toda sorte de seres místicos em território nacional. Samuel nem mesmo sabe para o quê seus dados são usados, mas cumpre sua função com competência e discrição, até a noite em que, como era de se esperar, acaba atrapalhando os planos de certo vampiro perigoso. Como resultado, Samuel acorda com uma marca de mordida no pescoço, um grande espaço em branco na memória, além de ser suspeito de ter matado uma criança. A partir daí, o vampwatcher deixa de ser um mero espectador dos sugadores de sangue, e é obrigado a interagir com os seres da noite, investigando o que realmente aconteceu. De quebra, ele tem a oportunidade de reencontrar a vampira oriental que, anos atrás, deixou a vaga lembrança de seu perfume inebriante na memória confusa de Samuel... Esse é o início da ação em São Paulo, no ano de 2008, onde o leitor acompanha a jornada investigativa de Samuel pelos redutos dos vampiros paulistanos. A narrativa é ágil, leve, e empolgante. Simplesmente impossível chegar ao final de um capítulo sem estar ansioso pelo próximo movimento de Samuel nesse jogo mortal, que rendeu ótimas cenas de tensão e nos apresentou a vampiros modernos maravilhosos. Conhecemos Karl, o vampiro caçadeiro violento e devasso, que fatura vendendo humanos para famintos mortos-vivos que preferem gastar dinheiro do que buscar a própria comida. Mimi, o improvável vampirinho no estilo visual kei (movimento ligado ao rock oriental, onde jovens se vestem de forma extravagante e andrógena), gay, carismático, com tiradas hilárias e surpreendente fixação por artilharia pesada. Felipe, o vampiro metrossexual, rico, ambicioso, poderoso e dono da melhor danceteria vamp de São Paulo. Takezo, que eu adotei como meu vampiro favorito do livro. Japonês, tradicionalista, sábio como só um disciplinado oriental poderia ser, e com porte de guerreiro forte e imortal. Isso para não falar dos membros do IBEFF, humanos com os quais a criei forte empatia, como a cientista Beatriz e o empresário Sidnei. A autora soube construir personagens secundários excelentes, daqueles que a gente torce para que apareçam em mais e mais cenas! E a vilania da história então? Missora é aquela típica personagem sádica e inescrupulosa que todos amam odiar! Fuyu e Yuki formam a dupla de lindas orientais mais cruel e sanguinária que já vi! Claro que, como em todo bom livro de vampiros, ninguém pode ser considerado bonzinho ou livre de pecados, mas essas mulheres foram capazes de se destacar entre as criaturas da noite.
Não posso falar muito sobre a vampira que dá título ao livro, ou revelaria mais do que devo. Como descrever Kaori em poucas palavras? Kaori nos é apresentada como uma bela garota que viveu no Japão em 1647. Cobiçada por seus encantos, atrai o interesse da influente dona de uma casa dos prazeres, Missora. Acompanhamos a saga dessa menina por tragédias, paixões, sangue e sexo, até que sua transformação na sedutora vampira Kaori. Ela é misteriosa, sensual, inteligente e intensa. Não espere por uma vampira cheia de pudores, daquelas que choram mais do que bebem sangue. Essa vampira abraça sua natureza assassina, conhece muito bem seus instintos. Ela não é robótica, fria ou extremamente violenta, mas isso não significa que tenha um lado angelical. Kaori mata. A japonesa nos seduz e nos atrai para seu abraço fatal com naturalidade. Essa é a especialidade de Kaori.
O final deixa diversas pontas soltas, o que pode decepcionar o leitor que esperava pelo fim de todos os mistérios. Porém, isto não é fruto de inabilidade para concluir a história. Intencionalmente, Giulia Moon guardou mais do seu perfume de vampira para a sequência, Kaori 2. Resta conferir o destino de tantos personagens cativantes, e aproveitar mais da fantasia oferecida por essa talentosa autora brasileira.
P.S.: No livro, é revelado que o primeiro encontro de Kaori e Samuel foi narrado no conto “Dragões Tatuados”, publicado na coletânea de contos vampirescos “Amor Vampiro”, também da Giz Editorial.
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bardo 26/01/2012

Kaori Perfume de Vampira – Giulia Moon
Devo confessar que na contramão da onda fantástica quem tem movimentado o circuito literário brasileiro eu não sou exatamente um fã do gênero, quando se fala em vampiros então, eu torço ainda mais o nariz, nada contra o tema em si, mas infelizmente o tema foi muito banalizado e adulterado diga-se. Quando fui apresentado a Kaori, tive certo ceticismo, não fosse a forma gentil como a autora me explicou a história na Bienal, demonstrando um grande conhecimento do que estava dizendo, a grande falha de diversos livros da nova geração é a falta de pesquisas, coisa que ela ao contrário deixou claro, tinha feito o dever de casa, não resisti e me propus a ler. Acostumado aos vampiros profundamente sensuais e intensos de Anne Rice, não me decepcionei, a personagem principal é dotada de uma vitalidade e uma personalidade inquietantes. Alias quase que todos os personagens são extremamente fortes, por mais tênue que seja sua aparição percebemos o cuidado que autora teve na elaboração de cada um deles.
Nota-se que a história passa-se em dois tempos e em dois países diferentes, no Japão Feudal e em nossos dias nas ruas de São Paulo. Alguns vão torcer o nariz para essa construção, eu por outro lado aprecio muito esse estilo, simultaneamente somos apresentados a protagonista e a sua arqui-inimiga a temível Missoura. É visível aqui um certo sabor de Musashi, do herói as voltas com seu inimigo de ódios incomensuráveis e que nunca desiste. No presente temos Samuel um “olheiro”, um jovem meio que sem rumo, com o estranho serviço de investigar os hábitos dos vampiros, entretanto para complicar as coisas na verdade o seu relacionamento com eles é veremos muito, mas muito mais intenso do que seria aconselhável. Temos também as conspirações de Felipe um vampiro extremamente poderoso, a qual uma das ambições é justamente possuir Kaori, com o desenrolar dos acontecimentos veremos que ele é um mero fantoche. Todavia o ponto forte do livro não está no presente e sim no passado, a história de como Kaori foi transformada, seu aprendizado bem como sua idílica e trágica paixão pelo pintor Calixto, o ódio e perseguição de Missoura, rendem os melhores momentos do livro, bem como as partes mais doces e tristes. Giulia escreveu uma história que ainda que vise mostrar uma personagem forte, que apesar de tudo resiste, soube também introduzir momentos de levar o leitor as lágrimas. Além disso temos o samurai encarregado de proteger Calixto, Kodo-san, personagem importantíssimo, e não a toa um espelho de Musashi o lendário samurai que escreveu O Livro dos Cinco Anéis.
Um ponto que tem sido um tanto criticado no livro são as cenas de sexo, as quais alguns consideram excessivas. Na verdade isso é um completo absurdo, uma coisa é um cena jogada, sem contexto outra completamente diferente, quando uma cena é pensada e por trás existe toda uma mensagem embutida. As cenas entre Samuel e Kaori por óbvio expressam o domínio que ela possui sobre ele, dentre outras coisas através da sua feminilidade, algum problema? Pode-se dizer que todas as cenas normais vão nessa linha, vamos parar de ver o sexo como algo sujo??
Agora, e creio que certamente muitos vão se chocar e se chocaram com as cenas de tortura sexual mostradas no livro, bom para começar, não é um livro adolescente, vamos ser francos não estamos lendo livro de vampirinhos água com açúcar, então crianças, por favor, pulem da página 102 até 110 não é um capítulo para vocês. Aqui a autora ousadamente entra nas artes mais cruéis de como dominar e subjugar um adversário, além de mostrar claramente um estranha relação que pode se desenvolver entre dois adversários declarados, o ódio misturado com o amor num todo indefinível. A cena é tão grotesca e medonha, e ao mesmo tempo tão profunda que não creio que algum leitor poderá passar por ela sem se abalar. Me lembrou um trecho de um livro do Nikos Kazantzakis, em que o personagem ao se fustigar com o chicote em penitência num dado ponto passa da dor ao prazer, e começa a se fustigar de forma descontrolada até que seu companheiro o manda parar, ele retruca senti prazer, ao que lhe é respondido, não você sentiu dor, é a mesma coisa. Pode-se extrapolar a reflexão sobre esse capítulo nas diversas relações predatórias que alguns homens e mulheres travam, onde o sadismo e o masoquismo se entrelaçam de forma indissociável.
É certo que as cenas são fortes, ainda mais por se tratar de um quase estupro, porém dentro da lógica mostrada não é algo banal para escandalizar e chocar e sim para se refletir, principalmente porque se não através da tortura carnal direta ou indiretamente também podemos recorrer ou ser vítimas dessa arte milenar de “domar” o outro, através de muitas artimanhas psicológicas. Tanto que o golpe final da aula de submissão não é uma dor física, mas uma dor incutida na alma, a derrota naquele momento é inevitável e a vitória da rival total e completa.
Mas o tempo passa e chega a redenção, e aqui a autora nos brinda com um certo adágio que a única coisa capaz de curar grandes feridas seja o amor, alias o Amor. Mas não é algo piegas, é uma história terna, mas na medida certa.
Damos outro salto no tempo e os fatos sucedem-se em ritmo vertiginoso, porém aqui já não nos aprofundamos tanto, o ritmo muda para algo mais elétrico, mais aventuresco. Entretanto aqui aparece um personagem que pode ser mal interpretado, o vampiro homossexual Mimi, antes que se façam julgamentos precipitados a respeito do jeito “alegre” no qual é descrito precisa-se pensar. Ele é andrógino sim e levemente caricato mas só no ponto que se pretende retratar um homossexual um tanto ousado e levemente debochado, como alias existem muitos; porém a própria descrição física do personagem não deixa dúvidas ele é bem viril. Em nenhum momento a autora o caricatura como uma “mocinha”, salvo quando Samuel numa reação normal de um hétero óbvio manifesta um leve preconceito, mas venhamos ainda que seja um livro de fantasia, não se pode perder o contato com a realidade, alguém está disposto a negar que as reações de Samuel são verossímeis? A construção de Mimi é muito mais respeitosa de que a de diversos personagens criados mídia a fora em séries e novelas, os quais ninguém parece notar o forte deboche e escárnio imbuído na caracterização do personagem. No mais a autora reafirma que não fez Mimi com intenções preconceituosas ao lhe dar um papel muito importante no final da trama e ser a forma dele que outro estranho personagem utiliza daí por diante.
Por óbvio esse seria somente o primeiro livro de forma que o final não é absoluto, não existe um felizes para sempre; não, assim como a vida as peças reorganizam-se e abrem-se o caminho para novos desafios e novas aventuras, não sem antes a autora nos deixar com uma pulga atrás da orelha. Mas isso está claro que ela não vai explicar tão cedo. É um livro muito bom, muito bem escrito, talvez um dos melhores do gênero atualmente.

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Tomaz 18/12/2011

Um dos melhores livros de vampiro que já li!
São tantos elogios ao livro que fica difícil saber por onde começar. Giulia Moon conta a história de uma vampira japonesa em dois tempos, intercalando os capítulos com a era medieval dos xóguns e samurais e com a São Paulo do século XXI.
O livro é muito bem escrito e com uma diagramação e revisão tão primorosas que dava prazer cada vez que o pegava para continuar. Li aos poucos para saborear melhor e já estou com o meu volume dois para ter mais surpresas boas nestas férias.
Sem desmerecer os outros autores que ainda não li, Giulia entrou no rol dos melhores autores de livros de vampiro brasileiros, mostrando que os vampiros também chegaram ao Oriente.
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Adib 22/03/2011

Kaori
Confesso que o Livro é bem diferente do que eu esperava. Tanto nos lados negativos quanto nos positivos. Gostei que pelo menos não trata os vampiros como seres bobões. Que viram purpurina a luz do dia. Também porque é bastante fiel, a os vampiros originais.
E o que muito me chamou a atenção foi a fusão da tradição japonesa que me fascina, com o mundo dos vampiros.
A relação de amor e ódio dos personagens os torna bem vivos em nossas mentes. Embora vampiros brasileiros sejam "trash" demais. gostei do livro!


Ogradeço a Ana Jéssica Gomes.. Que não só me emprestou o livro, como também o comprou por minha "culpa" uahuaha
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