Minotauro

Minotauro Benjamin Tammuz




Resenhas - Minotauro


9 encontrados | exibindo 1 a 9


GETTUB 21/08/2018

http://gettub.com.br/2018/08/21/minotauro/
lexander é um espião. Então não é surpresa que possua algum tipo de paranóia. A surpresa é que além disso, ela possui delírios e passa a vida à espera de encontrar a mulher dos sonhos. Isso acontece quando ele tem 41 anos. Durante uma missão, ele vê Tea em um transporte público, uma adolescente, com menos de metade de sua idade, e reconhece nela a pessoa por quem buscava. E se apaixona. Mas não tem coragem de se apresentar. Ao invés disso, envia uma carta onde, de forma bastante sincera, descreve seus sentimentos e a convicção de que, um dia, eles ficarão juntos. Tea é uma adolescente que é cortejada por um desconhecido, e isso desperta nela curiosidade. Ela responde à carta de Alexander e, nos anos seguintes, eles formam um laço afetivo.


Mas Alexander tem um imprevisto por causa de sua profissão e fica meses sem mandar nenhuma notícia para Tea. Nesse meio tempo, ela se envolve com G.R., um jovem que sofre de um conflito de gênero: ele é homossexual, mas não consegue se revelar perante a família. Os dois marcam o noivado, uma vez que Tea está de coração quebrado pela ausência de Alexander. Mas, às vésperas do evento, Alexander volta, descobre e G.R. sofre um acidente e morre. A partir desse ponto, a história se divide em três narrativas sobre o passado e o futuro de G.R., de Alexander e de Nikos, um professor que conhece Tea anos depois e por quem se apaixona. E o leitor vai descobrir que esses três personagens têm muito mais em comum do que apenas Tea.

MINOTAURO é um romance que obriga o leitor a considerar por quem e quando foi escrito. Benjamin Tammuz é natural da Rússia, mas sua família emigrou para a Palestina quando ele tinha apenas cinco anos de idade. Em 1981, quando o livro foi publicado, o mundo ainda vivia uma constante paranóia devido à Guerra Fria, que “terminou” dez anos depois, em 1991, com a queda do muro de Berlim. Isso explica muito do comportamento obsessivo de Alexander e da aceitação de Tea em romantizar e manter um relacionamento sem presença. E isso não é absurdo, uma vez que hoje, com as redes sociais, aplicativos de encontros, entre outros métodos, milhares de pessoas se relacionam à distância, e nem sequer vivemos um período de ameaças de início de uma terceira guerra.

Parte da narrativa se concentra no conteúdo de cartas trocadas entre Alexander e Tea. Elas são impregnadas de frases românticas, de juras de amor e promessas de futuro juntos. Através delas, é perceptível o quanto os personagens são solitários, o que pode justificar o exagero das emoções e a entrega a situações desconhecidas. Mas também pode ser um sintoma de um desvio emocional e psicológico de ambos. É difícil ter uma certeza absoluta em relação a Tea, uma vez que ela era muito jovem no início do relacionamento, e porque, anos depois, quando ela já tem 26 anos, seu comportamento muda e ela começa um relacionamento com Nikos, um professor da faculdade. Mas Alexander mantém seus pensamentos e seu comportamento consistente e obsessivo por toda a história. Isso resulta em um fim que deixa um aperto no coração, um certo choque, principalmente pela forma fria e direta que o autor narra um certo acontecimento lá pelas últimas páginas.

Sem dúvidas, MINOTAURO é o resultado da imaginação de um autor cujo raciocínio divagava entre o real e o paranóico, cuja leitura incomoda pela forma como os personagens se tornam reféns das próprias emoções. Uma leitura densa, mas não para todos.

site: http://gettub.com.br/2018/08/21/minotauro/
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Jacqueline 24/05/2018

Das obsessões e de outras neuroses (e de como a literatura nos ajuda a lidar com elas)
Também somos totalmente capturados pela obsessão de Alexander. Mas, por estarmos do outro lado da história, conseguimos sair do labirinto (não da mesma forma que entramos, mas de alguma forma afetados por todo percurso percorrido)
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Fernando 12/02/2018

Um tanto quanto decepcionante
Esperava mais. Apesar da narrativa ser bastante engenhosa, alternando o ponto de vista de várias personagens que se interligam, a construção e o desfecho (apesar de anunciado), me deixaram com uma sensação de um romance incompleto. Também achei que faltou profundidade às personagens, o último capítulo é o que parece melhor construído, mas não salva o romance.
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Nicolle 11/09/2016

Lírico de uma profundidade estupenda.
Li em um dia... Quarto livro da Rádio Londres lido e quarto caso de amor profundo... Uma narrativa diferente com quatro histórias com personagens extremamente bem delineados e complexos que se unem num final arrebatador...
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Alexandre Melo 28/01/2016

Minotauro: uma brilhante obra de Benjamin Tammuz
Em Minotauro encontramos na realidade 4 histórias separadas em capítulos, mas totalmente ligadas, chamados: Agente Secreto, G.R, Nikos Trianda, e Alexander Abramov, Tammuz nos deixou uma história que termina no meio, e se explica desde o início. Encontramos na trama um agente secreto de 41 anos que em missão em Londres, acaba em um ônibus, lá encontra a jovem Téa, de 17 anos, e apaixona-se pela garota, sem nem mesmo se apresentarem. O desconhecido descobre de alguma foram o endereço dela, e passa a lhe enviar cartas de amor durante anos. Téa acaba se apaixonado por esse homem que não conhece, e nutre esse amor platônico. No caminho ainda encontramos GR. noivo da Téa que se mostra um homem muito mimado, e Nikos Trianda, professor universitário por quem Léa também se envolve. Toda a história envolve esses homens apaixonados pela mesma mulher, e suas vidas antes dela.

Com 208 páginas, a não linearidade da narrativa e os diversos pontos de vista que conhecemos trazem um brilho significativo a Minotauro. Apesar de o último capítulo se arrastar um pouco, o conjunto da obra labiríntica proposta por Tammuz me agradou, e tenho certeza que também agradará você. Parabéns Rádio Londres por nos presentear com obras tão interessantes, mas esquecidas pelo mercado nacional. (veja resenha completa no blog)

site: http://doqueeuleio.blogspot.com.br/2016/01/minotauro-uma-brilhante-obra-de.html
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Conrado 03/11/2015

Minotauro
A palavra que permanece na cabeça, ao final, é expectativa. Expectativa que temos com relação à vida, à família e ao amor, e saber lidar com suas conquistas e frustrações. A vida não é perfeita e equilibrar todos os seus valores em uma grande balança, nos permitirá uma vida plena.
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Ladyce 24/07/2015

Nem amor, nem espionagem
"Minotauro" de Benjamin Tammuz não chega a ser um romance. São quatro histórias levemente interconectadas. A última, que leva o nome de Alexander Abramov é a mais completa, mais detalhada e interessante. E as que a antecedem revelam aspectos da trama nela retratada. Só aí no final é que encontramos o personagem que reconhecemos eventualmente como pertencendo à primeira história e conectado com as outras duas anteriores. Enfim, parece um romance inacabado, com um espaço oco no meio.

Esse livro me foi apresentado com dois perfis: uma história de amor e uma história de espionagem. Mas não é uma história de amor, nem uma história de espionagem. Em lugar do amor, temos uma obsessão, uma condição psicológica que tenta, e nesse caso é bem sucedida, captar uma presa, possuí-la e por ela ser possuído. O próprio autor nos avisa dos complexos sentimentos explorados por ele, quando declara que “a vítima apega-se ao seu assassino e se apaixona por ele” [95].

Alexander Abramov, o Minotauro, era filho do judeu Abram Alexandrovich que partiu da Ucrânia, “sólido e saudável como um touro jovem” [115] e da alemã não-judia, Ingeborg Von Hase. Muito rico o casal Alexandrovich se estabelece em terras que no futuro formarão parte do Estado de Israel. Como Minotauro, Abramov se encontrará prisioneiro de um labirinto musical na sua imaginação [146]. Ele imagina que poderá ser salvo de sua vida agonizante pela mão de uma donzela, como ele observou na gravura que decorava o seu quarto de criança [125]. E essa donzela, ele decide, no dia de seu 41º aniversário é Téa, uma jovem adolescente que não desconfia do destino que Abramov moldará para ela.

Téa é vítima de uma obsessão que cerceará sua vida cotidiana e seu destino. Testemunhamos o controle obcecado de Abramov sobre os movimentos de Téa. Aprendemos também a maneira como ele consegue interferir na vida da jovem, eliminando sistematicamente qualquer competição que possa ter de outros homens. Seu comportamento é tão fora da norma quanto havia sido o comportamento de sua mãe que sofria de um profundo desequilíbrio emocional, razão de sua morte prematura.

A espionagem, a que esse romance alude tem duas facetas: é a última profissão de Abramov, e é também o modo pelo qual ele resolve viver seu grande amor, o amor de uma pessoa doentia, insana. Existe uma expressão em inglês que melhor descreve essa ação, “to stalk someone”, como um lobo caça uma lebre, ação, é bom lembrar, considerada crime nos Estados Unidos. Talvez seja por isso que a primeira das quatro partes deste romance, titulada Agente Secreto, tenha sido de leitura fascinante, mas desconfortável. Abramov faz uma escolha aleatória ao focar o seu amor. A presa, Téa, uma moça que ele vê por acaso em um ônibus, mais de vinte anos mais nova, será daí em diante, fruto de sua obsessão. Cartas e mais cartas anônimas estabelecem contato entre os dois. Ela inicialmente curiosa, ingênua, lisonjeada responde inocentemente ao interlocutor, sem perceber que entreabria assim a porta para o assédio. Daí por diante ela não terá paz. Envolve-se emocionalmente, e será incapaz de se esquivar do futuro que Abramov projeta para os dois. É uma luta desequilibrada, perversa, saturniana, antropófaga.

O desfecho é inevitável e anunciado. Paralelos com tragédias gregas são inevitáveis, ainda mais porque elas são citadas através do texto. Mas no final esse foi um romance que não se resolveu completamente, que não passou de quatro excelentes partes sem grande contextualização que as envolvesse.
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Gabriela 23/04/2015

Resenha em vídeo
Resenha em vídeo

site: https://www.youtube.com/watch?v=jebWN7vy4TE
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Paula 31/03/2015

Uma das melhores leituras de 2015.
Para ler a resenha, acesse:

site: http://pipanaosabevoar.blogspot.com.br/2015/03/minotauro.html
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