Império de Diamante

Império de Diamante J.M. Beraldo




Resenhas - Império de Diamante


11 encontrados | exibindo 1 a 11


Paola 01/04/2015

Fantasia brasileira de boa qualidade
Império de Diamante se passa em Myambe, uma terra com características parecidas às da nossa África. Esse é o primeiro ponto que torna a leitura interessante: diversidade.
Myambe é governada pelo Imperador de Diamante, um deus-vivo que todos os povos devem cultuar ou pagar pelo preço da heresia. Mas a terra começa a morrer e o império a decair depois que o deus-vivo é atingido por um mercenário.

Foi uma leitura divertida. Achei que as pontas demoraram um pouco para serem ligadas, pois temos a visão de diferentes personagens ao longo da narrativa, mas valeu a pena esperar.
O final foi surpreendente (duvido que alguém adivinhe e por isso não vou dar spoilers), mas confesso que fiquei um pouco revoltada. Fez sentido, mas gostaria que tivesse acabado de outra forma. Fiquei com aquela sensação de ter sido enganada pela natureza de um dos personagens (pronto, parei por aqui).

Recomendo para os amantes de fantasia em geral, uma ótima pedida entre uma e outra batalha medieval passada em ambientes europeus!
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neo 14/02/2015

Venho tendo uma má sorte com livros nacionais ultimamente e isso me levou a meio que desistir de ler vários livros lançados aqui esse ano (acho que tem apenas mais dois na minha lista de leitura, mas depois disso estou me dando uma folga). Ler Império de Diamante, portanto, não estava nos meus planos, mas a sinopse, a capa e o fato de ele poder ser lido como volume único me convenceram a lhe dar uma chance. Apesar dos pesares, não me decepcionei.

Império de Diamante é um livro que se destaca desde o início por se situar em um mundo de fantasia bem diferente do que estamos acostumados. O continente onde a história se passa, Myambe, é baseado na África e não, graças a todos os deuses, na Europa medieval. Sair da mesmice foi um alívio, e eu gostei bastante das diferentes religiões e lugares apresentados no livro.

A história também é muito original e gira em torno do misterioso Imperador de Diamante, o chamado deus-vivo que governa boa parte do continente e que começou suas campanhas de conquista há mais de dois mil anos atrás, sendo, portanto, imortal. Porém, faz vinte anos que ninguém o vê, e seus sacerdotes dizem apenas que ele está meditando. Mas estaria o Imperador de Diamante meditando mesmo ou sua imortalidade teria enfim chegado ao final? Se ele não está morrendo, então por que Myambe, sendo supostamente ligada a ele, está definhando? Boa parte do livro é voltada para essas perguntas, e então para suas respostas.

Os personagens principais são Rais Kasim, um mercenário que no primeiro capítulo do livro fere o Imperador de modo (supostamente) mortal, Adisa, um jovem sacerdote do Imperador que possui o dom de entender qualquer língua falada ou escrita, Mukhtar Marid, um dos guerreiros seguidores da religião da Estrela da Manhã, e Zaim Adoud, o governador da distante província de Abechét, negligenciada (assim como outras) desde o desaparecimento do Imperador. Através desses quatro personagens é que os mistérios de Myambe e do Imperador são nos apresentados.

Império de Diamente mexe muito com religião. No Império, por exemplo, nenhuma outra religião além da do Imperador aka o deus-vivo é permitida, e aqueles que desafiam essa proibição - assim chamados de hereges - são severamente punidos. Mas, é claro, nada disso impede que as dezenas de religiões de Myambe continuem a ser praticadas na surdina, longe dos olhos dos primogênitos do imperador (guerreiros com habilidades sobrenaturais) ou de seus sacerdotes.

Outro assunto que me agradou bastante foi o abordado através do personagem Adisa, um jovem que cresceu dentro da capital, Jimfara, e que acredita firmemente que tudo que lhe é dito sobre o Imperador e sobre o Império é verdade. Para ele, todos os cidadãos do Império têm o que comer e onde morar (já que o Imperador cuida de todos que "aceitem" ficar sob sua proteção) e os outros povos, os ainda não conquistados, são apenas teimosos que não entendem a grandiosidade e bondade do Imperador. As coisas são bem diferentes, é claro. Uma seca assola Myambe desde o desaparecimento do Imperador, e somente as pessoas mais ricas e a capital possuem comida, água e um bom lugar para viver. Quando Adisa é forçado a deixar Jimfara, ele passa a compreender que o mundo pintado para ele pelos sacerdotes é muito diferente do mundo real.

A escrita de Império de Diamente é boa, bem melhor do que a da maioria dos livros nacionais que vejo por aí, mas tem suas falhas. Mais tell do que eu gostaria, o que, apesar de não chegar a incomodar de verdade, é algo que tira um pouco da beleza da história e da escrita. Senti falta também de um pouco mais de "sutilidade", principalmente nos capítulos de Adisa. A descoberta do mundo verdadeiro e das mentiras dos sacerdotes aconteceu muito na cara, por assim dizer, e de modo bem óbvio. Ou seja, muito dessas descobertas é jogado de modo muito direto na cara do leitor, o que meio que o impede de sentir a surpresa, a decepção e o horror que elas causam junto com o personagem.

Os personagens com POV são bons, mas o único que chegou a me convencer de verdade foi Zaim Adoud, pra mim o personagem mais inteligente do livro inteiro. Os secundários, porém, não recebem muita atenção e ficam meio de lado mesmo.

Ah, e Myambe é baseada na África, certo? Então, todo mundo é negro ou mulato/moreno. Os companheiros mercenários de Rais Kasim, porém, são estrangeiros e portanto brancos, mas somente a mulher causa estranhamento nos personagens que não estão acostumados a pessoas brancas ou que nunca as tenham visto. Adisa mesmo age ok com os dois caras brancos, mas dá um piti por causa da mulher. Ainda tentando entender o porquê (talvez por ela ser loira???? Who knows), mas continuemos.

O final foi bem satisfatório, mas confesso que senti falta de mais informações sobre o Imperador, tanto sobre sua personalidade quanto sobre sua história. Gostei bastante do último capítulo de Zaim Adoud e 404 Adisa not found para vermos como ele lidaria com as descobertas que fez após o clímax do livro. No geral, Império de Diamante é uma história interessante e eu provavelmente lerei os próximos volumes. 3.5 estrelas.

(OBS: Três mulheres de semi-importância no livro inteiro, duas das quais não ganham nome e uma sendo uma entidade maléfica muito nua e muito sexy, é claro. ZzzZzzZzz).

site: http://chimeriane.blogspot.com.br/
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Eric "Julián" Silva 12/10/2016

Mais um bom livro brasileiro de fantasia
Em o Império de Diamante, J. M. Beraldo tece uma narrativa complexa e inspirada na geografia física e cultural do continente africano. É a primeira vez em que leio um livro brasileiro onde os negros são os personagens principais e ao mesmo tempo que destaca o poder e a coragem de seu povo sem retrata-los nem como escravos, nem como membros de comunidades urbanas periféricas e empobrecidas – o que me deixou muito feliz.

Beraldo parece se inspirar na força natural das tribos africanas e dos antigos impérios que ali existiam antes da chegada dos colonizadores. Povos que tiravam de suas relações com a natureza não só o substrato de sua fé, como também a força guerreira que faz das culturas africanas não apenas curiosas como sublimes e fascinantes. Por isso as imagens que são evocadas pela narrativa são fortes e impactantes, como a dos guerreiros do imperador de Diamante com suas máscaras de contas coloridas, com as poderosas zebras que lhe serviam de montaria e o poder mágico que deles emanavam.

Quanto ao enredo, o Império de Diamante é um daqueles livros que se devora rápido porque a todo o momento algo está acontecendo. Não é nem de longe uma trama parada, e o mistério de quem é de fato o imperador, se ele é realmente imortal, se de fato é um deus, bem como de qual é sua origem, permeia toda a narração como um fantasma que persegue os seus personagens. Além disso, o autor consegue um desfecho inesperado, realmente surpreendente em que muitos dos mistérios são revelados, mas algumas questões sobre o destino do continente negro ficam em suspenso e à espera da continuação da série.
Além disso a narrativa é fácil de compreender sem ser reducionista ou simplória e sem se descuidar com a qualidade da escrita, das descrições e do desencadeamento das ideias, cenas e acontecimentos. Cuidados que são essenciais para uma boa história e que junto com a qualidade e criatividade da ideia nos faz ter vontade de ler a continuação da narrativa.
Confiram a resenha completa em: http://conhecertudoemais.blogspot.com.br/2016/10/imperio-de-diamante-j-m-beraldo-resenha.html

site: http://conhecertudoemais.blogspot.com.br/2016/10/imperio-de-diamante-j-m-beraldo-resenha.html
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Paloma 18/02/2017

Uma história e tanto!!!
Império de Diamante narra a história de um deus que dizimou diversos povos e crenças para que todos fossem apenas um. Em alguns momentos voltamos 20 anos na história e ficamos cientes de determinados fatos que mudaram a vida dos protagonistas e como o Império se formou, além de conhecermos os ritos de passagem e etc…

Acontece que esse deus poderosíssimo é ferido em uma batalha por um simples (ou não tanto assim) guerreiro da Estrela da Manhã. A partir daí, todo o Império de Diamante começa a ruir, trazendo assim a fome e a seca. Os moradores mais distantes da capital, começam a padecer e passar necessidades, enquanto os sacerdotes só se preocupam em fazer com que as pessoas não percam a fé e que toda informação que possa destruir o imperador suma dos registros, da história!

“-A vida é feita de ciclos que sempre voltam ao mesmo ponto. Assim como é perfeito um diamante, também é a eternidade. Um ciclo começou com você. Agora deve terminar com você.”

O que eu mais gostei nesse livro foi como a fé e religião foram abordadas. E claro, como cada personagem personificou as mais variadas formas reais que as pessoas tratam a fé própria e a alheia.

A história acontece em várias partes que se fundem no final. Temos Kasim e seus amigos trabalhando como mercenários, Adisa e as leituras sagradas/proibidas, Zaim Adoud e a procura por respostas. Depois o povo da Estrela da Manhã é inserido e Kasim começa a trabalhar pra eles e de repente, todos os personagens citados acima estão juntos. Alguns por vontade própria, outros foram forçados..

Informações extremamentes importantes para entender o ápice das batalhas no Império de Diamante:

Rais Kasim, ex-guerreiro da Estrela da Manhã: tinha fé mas a perdeu. Depois viu e viveu coisas demais, que o faz não duvidar da existência de poderes sobrenaturais mas que também não lhe causam mais temor.
Mukthar, Guerreiro da Estrela da manhã: Tem sede de vingança, deseja a queda do Império de Diamante, odeia os hereges, abomina Rais Kasim e seus amigos.
Adisa: Jovem e fiel ao seu Imperador, agraciado com dons, sua vida é pelo bem do Império mas ondas de dúvidas permeiam seus pensamentos quando começa a saber demais.
Eu não tenho o que reclamar do livro, em nenhum momento me senti perdida na leitura, as “janelas” de tempo foram bem criadas, assim como os blocos personagem-local. A história se passar na África foi muuuuito bacana, a escrita do autor vai fluindo e você só segue e claro, eu li um livro com mais de 200 páginas, fica subentendido que o autor escreve bem e que a história é envolvente.

Acredito que a continuação da história vai ser muito interessante, porque AQUELE FINAL ME DEIXOU EMBASBACADA!! Como que aquilo pôde acontecer? Ainda não superei, não hahaha.

Fica a dica desse livro pra vocês e espero que tenham gostado da resenha.

site: http://silenciosahighway.com.br/2017/02/18/livro-imperio-de-diamante-j-m-beraldo/
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Caroline 29/05/2016

‘Império de Diamante’: um livro com grande potencial, mas com deslizes técnicos
Cá entre nós, o Brasil está recheado de ótimos autores e obras maravilhosas; só temos que saber como e onde procurar.
J. M. Beraldo é um desses ótimos autores. Com uma trama interessantíssima, envolvente e misteriosa, ele conseguiu chamar a minha atenção. Ponto positivo para ele!
O livro é muito bom, sim. Sinto que li uma história fantástica, muito bem bolada e desenvolvida, mas que poderia ser ainda melhor.

A trama tem uma quantidade de mistérios e nos suscita tantas perguntas e teorias, que eu acho impossível que possa haver falta de interesse por parte dos leitores do gênero fantástico – principalmente dos leitores que gostam de fantasia propriamente dita. Sem falar, é claro, de que a história se passa no continente Africano, que é um cenário bastante incomum na literatura brasileira e, até mesmo, na estrangeira – eu, pelo menos, vi muito poucos. E isso já é o suficiente para despertar, se não interesse, alguma curiosidade.

O autor consegue nos entreter com um escrita muito fluida, embora eu ache que poderia haver um pouco mais de humor, que seria perfeito para dar um tom mais leve. A trama foi bem desenvolvida – há um foco narrativo que é mantido até o final. E, melhor ainda, há uma conclusão no fim do livro. É uma história completa, com início, meio e fim. E um ótimo fim, diga-se de passagem. Nesse quesito, admito que o autor conseguiu me impressionar – acho que ele não poderia ter dado um final melhor à história.

site: http://www.vailendo.com.br/2016/02/17/imperio-de-diamante-de-j-m-beraldo/
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Davenir 26/12/2018

Fantasia para fugir do óbvio
"Império de Diamante" (2015) é um romance de fantasia do João Beraldo, o primeiro da série "Reinos Eternos" que venceu o prêmio Argos em 2016 e não foi a toa: o mundo criado foge do padrão da fantasia medieval baseado na Europa e coloca sua aventura em Myambe um continente baseado na cultura africana e indiana.

A história é complexa, mas o autor conduz o leitor com bastante habilidade, sem pressa e sem enrolar. Tudo começa há 20 anos quando o guerreiro mercenário Rais Kasim se auto-exila após uma batalha perdida contra as tropas do Imperador de Diamante em sua última conquista. No continente de Myambe o Império de Diamante, suprimiu culturas e conquistou todos as nações entorno de seu imperador, mas os rumores de que o império está caindo vão colocar quatro personagens principais numa trama para derrubar o império, 20 anos depois. Rais Kasim, um mercenário de Myambe que depois de décadas fora do continente volta para pegar trabalhos liderando um grupo de mercenários estrangeiros; Mukthar Marid, guerrilheiro rebelde que luta fervorosamente pelo fim do império; Adisa, um jovem sacerdote da Ordem de Bronze que recebe poderes do imperador para servi-lo; e Zaim Adoud, o governante da província de Abechét que se vê esquecida pelo império e envolta de intrigas com os nobres locais.

Os quatro personagens são bem construídos e bem diferentes entre si o que traz várias visões do mundo de Myambe, e o cenário diferente do medieval/fantasia europeizado instiga e justificaria uma torrente de descrições, mas o que temos é um livro sem enrolações em que a trama política e a ação. A magia é presente no livro e bem embasada nas religião e mitologia africana, nos poderes dos primogênitos e suas máscaras de contas (como se fossem orixás vivos na terra) e nas vestes, nos ritos e superstições. Senti falta do animismo que é bem presente na religiosidade africana mas cabe lembrar que o livro não é uma transposição mas uma inspiração na África.

A leitura não nos deixa cair no sono das descrições, tanto apenas pela novidade do mundo mas pela agilidade da escrita do autor, onde coisas acontecem o tempo todo, o que me fez, particularmente, ler o livro muito rápido. O livro também traz uma moralidade cinza, que além de ser uma escolha mais madura ajuda a não entregar quem vai viver ou morrer na história, pois realmente tememos pela vida dos personagens preferidos.

Império de Diamante é daqueles livros que nos faz viajar pelo mundo, e nos faz querer visita-lo novamente ao fim da leitura. O livro está mais que recomendado, não apenas pela sua ambientação que traz frescor ao padrão da Fantasia, mas pela história bem construía, bem amarrada e com gosto de querer saber mais desse mundo.

site: http://wilburdcontos.blogspot.com/2019/01/resenha-83-imperio-de-diamante-j-m.html
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Paulo 11/06/2017

Muitos comentam sobre o excesso de histórias fantásticas que se inspiram de uma maneira ou de outra nos mitos de povos europeus. Seja Tolkien trazendo um pouco do norte da Europa ou George R. R. Martin se inspirando na Guerra das Rosas na Inglaterra, a maioria dos livros de fantasia partem desse universo mitológico conhecido para construir suas histórias. Por esse motivo, Império de Diamante é um sopro de ar fresco na fantasia ao trazer um mundo com gingado e espiritualidade claramente baseado no continente africano.

A história começa em uma imensa batalha entre uma tropa comandada por Rais Kasim e o exército comandado pelo Imperador de Diamante e seus primogênitos. Em um lance de sorte, Kasim acerta o imortal Imperador com uma lança e leva o Império a um período de decadência. Vinte anos mais tarde, várias peças irão se mover para iniciar um jogo perigoso que poderá colocar toda a Myambe em risco. Kasim retorna depois de um longo exílio, agora como o líder de um grupo de mercenários composto pelo caçador Vinko, pelo assassino Anton e a feiticeira Inessa. Kasim oferecerá seus serviços a quem lhe pagar mais, mas logo terá que confrontar fantasmas de seu passado. Mukhtar Marid é um guerreiro fiel à Estrela da Manhã, um culto religioso considerado herege pelo Imperador. Mas, quando um oráculo lhe conta sua participação em um plano que pode enfraquecer os poderes imortais do Imperador, Mukhtar precisará de todas as suas forças para aceitar o inaceitável segundo suas crenças. Zaim Adoud é mais um a receber esse título e ser um dos generais do Imperador em províncias distantes. Porém, Abechét já viu dias melhores. Cercado por nobres preguiçosos que nada fazem para mitigar as dificuldades da província, Adoud receberá a visita de um primogênito que o levará a ruínas no meio da floresta de Kwindago onde um estranho mistério ronda o lugar. Por fim, Adisa é um sacerdote do Imperador cujo poder é a habilidade de traduzir todas as línguas, conhecidas ou desconhecidas. Habitando Jimfara, capital do Império de Diamante, ele verá sua crença inabalável no poder absoluto e piedoso do Imperador ser questionado por eventos que o colocarão frente a frente com Kasim, Mukhtar e Zaim Adoud. A colisão das histórias destes personagens resultará em uma mudança na vida dos súditos do Imperador.

O tema principal é a crença religiosa. Como tanto aqueles que creem como os que não creem podem fazer o bem ou o mal. E que a fé é uma questão de ponto de vista. Kasim é um homem que foi traído por sua fé na Estrela da Manhã e abandonou tudo para seguir uma vida de glórias. Quando retorna a Myambe se vê às voltas com a sua antiga religião novamente e algumas coisas que ele credita ao acaso, acabam se revelando algum tipo de interferência superior. Mas, quando ele percebe o poder do Imperador de Diamante, volta a se questionar sobre se vale a pena ou não ter fé. Entretanto, ele já foi mudado em seu interior. Para um homem que se dizia sem fé e cético cogitar se vale a pena ou não tê-la novamente, significa que suas crenças foram atingidas de uma forma indelével.

Adisa representa a fé inabalável e até mesmo ingênua. Ele é fiel a seu Imperador e sua religião é aquilo que há de melhor para o homem. Os pobres e famintos são apenas pessoas que passam por aquilo para reverenciar o seu deus. Quando ele foi confrontado com a dura realidade fora dos muros de Jimfara ele percebe o quanto o seu mundo é frágil. O curioso é que mesmo diante de uma situação adversa onde tudo converge para uma série de mentiras, ele mantém uma fé ingênua que percebe todos como tolos e ele como o único sábio.

Mukhtar representa a fé cega e vingativa. Como rebelde contrário ao Imperador de Diamante ele vê naqueles que adotam a outra religião como passíveis de serem eliminados e desmerecedores da caridade da Estrela da Manhã. Ou seja, percebemos como o autor trabalhou com gradações de fé ao longo de sua história. E em nenhum momento ele se colocou favorável a qualquer tipo. Beraldo entende todas essas formas com suas qualidades e defeitos. Achei muito interessante essa discussão moral do que significa a fé e como a religião afeta os destinos das pessoas. Existe até uma confrontação entre os deuses antigos (uma espécie de politeísmo não muito bem explicado aqui) e os dois cultos monoteístas (creio eu) da Estrela da Manhã e do Imperador de Diamante. Apesar de que este último é apenas um entre muitos Eternos que veremos em outros volumes da série.

Nesta resenha eu quis tirar um pouco o foco da construção do enredo com base na cultura africana porque muitos já disseram isto em outras resenhas. E Império de Diamante é muito mais do que isso. É uma exploração sobre personagens e seus problemas em aceitar um status quo opressivo. Zaim quer o melhor para sua cidade; Adisa quer o conhecimento para melhor auxiliar seu Imperador; Mukhtar quer acabar com o domínio do Imperador; e Kasim quer mudar em seu interior. Todos são personagens fortes em suas convicções e levados a atos extremos quando necessário.

A ambientação é espetacular e acho que o autor irá trabalhá-la melhor em volumes futuros. Nesta história ele trabalha apenas com o porto, um pouco de Jimfara, Abechét e a floresta de Kwindago. Mas, existe muito a ser explorado. São deixados muitos ganchos intrigantes, mesmo a história sendo fechada em si. Adorei o enredo e os personagens. Recomendo muito a quem quer sair um pouco desta linha de histórias mais europeizantes e tentar algo diferente.

site: www.ficcoeshumanas.com
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Daniel 12/11/2016

Melhor fantasia nacional
Leia! Leia! Leia! Final vai te deixar querendo mais sem dúvida...
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Vagner 10/02/2015

Desbravando Império de Diamante
Um reino em decadência. Um Imperador que simplesmente desaparece após ser mortalmente ferido em uma batalha. Junte isso tudo a um povo passando fome e pronto: temos uma nação prestes a explodir em uma guerra civil. O diferencial da obra de J. M. Beraldo? Não estamos mais na Idade Média, desbravador, estamos em um continente árido, pobre e cheio de peculiaridades. Alguma semelhança com a África? Não é por acaso, já que o autor inspirou-se em culturas africanas para criar Reinos Eternos, uma série que eu certamente acompanharei do começo ao fim!

A narrativa de Império de Diamante passa-se em Myambe, um continente praticamente todo dominado pelo Imperador, que passou séculos conquistando cada região possível e agora vê Myambe passar por uma seca nunca antes vista. Como antecipado na sinopse, tudo começou a pior com a decadência do Império, logo após o soberano ser atingido durante um combate com guerreiros do Vale, última região anexada pelo Império de Diamante, fato que ocorreu 20 anos atrás.

Inicialmente somos apresentados a Rais Kasim, um mercenário nascido no Vale que esteve naquela batalha, a que mudou tudo, mas acabou sendo obrigado a fugir para outros continentes e ficar longe das garras do Imperador. Acompanhado por outros três companheiros, só agora volta para o seu continente de origem. Com que intuito? Leia e descubra!

Como já é de praxe, sempre é bom termos pontos de vistas diferentes em uma obra, e é nessa hora que entra Adisa, um sacerdote de 15 anos com um dom extremamente diferenciado: consegue entender qualquer língua escrita e falada sem nem ao menos tê-la estudada anteriormente. E é com esse dom especial que ele irá procurar bobagens/heresias escritas a respeito do Imperador ao longo da História e alterá-las de um jeito que agrade ao clero imperial.

Outro que merece destaque é Zaim Adoud, governante de uma província bem mais afastada da capital do Império e que está sendo totalmente negligenciada pelos que estão no poder. Uma situação que o deixa em uma posição delicada, já que precisa lidar com os seus subordinados passando dificuldades e ainda por cima precisa dar satisfações ao Império.

E, por fim, temos Mukhtar Marid, um dos guerreiros sagrados do Vale, seguidor da Estrela da Manhã e consequentemente inimigo do Império. Mukhtar lidera um bando de rebeldes em ataques contra os que estão no poder e pretende livrar o Vale do seu domínio, fazendo de tudo para que isso realmente aconteça, mesmo que as consequências sejam duras.

"Se eram covardes o suficiente para renegar sua religião e povo, não mereciam viver."

Bem, passadas essas apresentações iniciais básicas, vamos ao que realmente interessa: Império de Diamante é um baita livro, meio curto, confesso, mas intenso como poucos! Eu queria ler sempre mais! Desbravar algo diferente às vezes faz muito bem, e com certeza você sentirá isso enquanto viaja por toda Myambe junto aos quatro personagens principais.

Confesso que toda vez que leio algo baseado na África o meu espírito aventureiro vai lá no meu cérebro e diz: "Hey, Indiana Jones, que tal desbravar pirâmides e palácios, falar com os espíritos e mergulhar em uma baita aventura?" Sim, foi exatamente assim que eu me senti enquanto desbravava Império de Diamante e queria descobrir mais sobre os segredos que o autor trazia, as locações que tanto habitam o meu imaginário e os seres sobrenaturais que só caminham à noite.

O mistério sobre o que está acontecendo com o Imperador é pulsante, viciante, sempre presente. Você sentirá isso em cada capítulo que lê, com cada ponto de vista diferente, coletando informações aqui e ali e tentando descobrir o que realmente se passa. Tentar descobri-lo e acertar é recompensador, já digo de passagem.

Mas e a religião, onde entra? Primeiramente saiba que é ela quem molda a história de Myambe e seus habitantes. Quando o Imperador começou a anexar territórios, a maioria dos refugiados passou a viajar para continentes distantes, criando assim uma mistura étnica monstruosa, sem precedentes, onde cada um tem suas crenças e farão de tudo para que ela seja a predominante.

Mesmo assim, o que move Myambe é a crença no deus-vivo, o homem que os levou até onde estão. Qualquer opinião contrária é considerada heresia e deve ser combatida e aniquilada, principalmente se o Imperador resolver usar os seus primogênitos, guerreiros dotados de habilidades especiais e uma das suas principais armas para realizar a sua vontade.

"Os escritos ensinavam que um primogênito era muito mais que um homem; era uma entidade nascida no próprio corpo do Imperador, capaz de montar o corpo de um escolhido perfeito."

Em Império de Diamante você também conhecerá outras pessoas dotadas de habilidades especiais além de Adisa, o sacerdote-tradutor, e os primogênitos do Imperador, além dele próprio. Temos oráculos, homens e mulheres que falam com espíritos e pessoas que conseguem mexer com as leis da natureza. Sem contar os animais!! Estamos tão acostumados a ver cavalos por aí que quando li zebras cheguei até a desconfiar. ashusahuhasuhas. Ter elefantes de guerra e chitas em meio à narrativa também transforma o fato em um diferencial para a série e eu espero que os bichanos sejam cada vez mais utilizados, assim com o(s) tipo(s) de magia existente(s).

Acho que era isso por enquanto. Leia e tire suas próprias conclusões. Império de Diamante provou ser um ótimo livro de fantasia NACIONAL e sai um pouco da tão utilizada Idade Média para explorar mundos diferentes, baseados em culturas locais e que se cruzam a todo instante. Fica a minha recomendação de leitura, espero que curtam e passem aqui depois para dizer o que acharam!!

A versão física do livro deve sair ainda no 1º semestre de 2015. Por sinal, a capa é SENSACIONAL, encaixou perfeitamente com a ideia do livro e foi ela que me fez desbravar Império de Diamante.

Ah, mais uma coisa: jamais duvide de Rais Kasim, o melhor personagem desse livro!

site: http://desbravandolivros.blogspot.com.br/2015/02/resenha-imperio-de-diamante-j-m-beraldo.html
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Edson 10/11/2017

Um achado para a Fantasia Nacional : J.M Beraldo
Sabe quando você vai ler um livro sem pretensão nenhuma? Sem ler nenhuma resenha, ser ver nenhum vídeo sobre e nem nada e se surpreende? Bem, essa foi minha reação com O Império de Diamante do autor nacional ( viva o nosso Brasil ! ) J.M Beraldo.

São poucos autores que tem a grande sorte de terem seus livros sendo publicados e mais outros poucos que tem seu devido reconhecimento, por esse e outros motivos que vou citar aqui é que fazem este autor ser um achado !

O livro conta q história de 4 personagens chaves para sua trama :
Rais Kasim: ex-guerreiro que se auto-exila após uma guerra e se torna um mercenário.
Adisa: sacerdote do deus-vivo de Myambe.
Zaim Adoub: governador de uma das maiores e mais importantes cidades do Imperador.
Makhtur: rebelde contrário ao Imperador.

Cada personagem é único, um grande destaque para o meu querido Adisa ( um Tyrion da vida ).

A história da obra começa 20 anos atrás, na Batalha do Vale, quando as forças do Imperador estão tentando expandir território e encontram os seguidores da Estrela da Manhã. No combate, Rais Kasim ver ao longe o imortal Imperador, o deus-vivo em pessoa, e sua primeira reação é jogar uma lança e acertá-lo no peito, fazendo seu exército, vendo seu Imperador caído como um mero mortal, recuar. Kasim quando ver que conseguiu derrubar o famoso deus-vivo, resolve se auto-exilar e ir embora de Myambe. Durante 20 anos Kasim adquiriu experiência como mercenário e montou seu grupo e volta ao continente de Myambe atrás de novos contratos.
No decorrer, conhecemos o devoto Adisa, um rapaz novo que entra para a Ordem de Bronze do Império de Diamante. Adisa tem um dom especial : conseguir ler e entender qualquer tipo de língua, tanto nova quanto morta e entender simultaneamente. Após seu ritual de iniciação, Adisa da continuidade aos seus estudos e crenças, chegando a conhecer o próprio deus-vivo, mesmo que em seu estado catatônico, em pessoa.
Os conflitos sempre são grandes em Myambe, e o Imperador tem a ajuda de seus Zaim, os governantes das principais cidades e províncias. Um Zaim é um comandante de guerra experiente e normalmente o cargo é passado de pai pra filho durante séculos. Zaim Adoub começa a ver os nobres de sua cidade cultuando outros deuses e logo após isso, um Primogênito ( considerado um filho sagrado do deus-vivo ) aparece para lhe causar mais problemas.
Por último, conhecemos Makhtur, um rebelde contrário ao deus-vivo e suas crenças e políticas. O objetivo de vida de Makhtur e sua rebelião é destruir por completo o Império de Diamante por seus ideais.

O ponto forte desta obra é a narrativa.
O autor J.M Beraldo sabe muito bem oque faz. A escrita é daquelas que te dar mais vontade de devorar o livro. Com ambientações muito bem detalhas que vão de desertos até selvas densas ( você consegue sentir até a temperatura dos locais quando ler ). E o ponto que sempre vejo como forte em qualquer livro : capítulos curtos de até 12 páginas.
Hoje em dia é difícil acharmos livro com menos de 20 páginas por capítulo, ainda mais de fantasia, mas neste daqui é diferente. São poucas páginas com muitas informações que não te cansam, pelo contrário, da até mais vontade de ler.

A mitologia/cultura utilizada para o universo criado por Beraldo é de surpreender. Enquanto pega emprestado umas coisas da cultura Africana, cria novos horizontes interessantes.

Como amante de uma boa fantasia, não sei por que demorei tanto a ler este livro, me arrependo de não ter conhecido logo quando foi publicado. E também não entendo outra coisa : como este livro não é tão bem falado ainda? Um autor com o nível de Beraldo tem que ser reconhecido!
Fica aqui minha dica para todos os colegas leitores: deem uma chance para este livro, vocês não irão se arrepender.

Nota: 4,5/5,0
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Dhiego Morais | @liemderry_ 11/07/2016

Império de Diamante
O Império de Diamante é um reino eterno que conquistou e suprimiu várias culturas de Myambe, o grande continente e berço de toda a humanidade. As suas terras são constantemente abraçadas pelo sol e exibe paisagens ora áridas, ora verdejantes, a medida que se desbrava os seus limites.

Com uma história inspirada claramente nas culturas e religiões africanas, J. M. Beraldo ambienta o seu mundo não apenas com um texto gratificantemente bem estruturado, mas também com uma riqueza de detalhes que extrapola a temática habitual da fantasia contemporânea, que frequentemente navega em mares feudais.



“Eles desceram sobre o vale como uma onda negra e letal. Suas flechas perfuraram a carne. Suas rochas esmagaram ossos e muralhas. Em seguida, suas espadas cortaram aqueles que se atreveram a resistir. A lutar por seus ideais. Suas montarias atropelaram aqueles que se recusaram a morrer. E, por fim, qualquer um tolo o suficiente para permanecer vivo teve suas mãos decepadas.”

Devo confessar nunca ter lido um livro cuja abordagem se molda na geografia, na cultura e nas crenças do continente africano, de forma geral. Sendo assim, a curiosidade de descobrir o que as savanas da fantasia de Beraldo exploraram e como a trama foi planejada e amarrada se duplicaram.

Em Império de Diamante, a última conquista do Imperador de Myambe — o Vale — rendeu também um problema de proporções gigantescas. Após a vitória daquele que é considerado o deus-vivo, nada mais se soube de sua divindade, de sua pessoa, aparentemente recluso há duas décadas em seu majestoso palácio, na capital do império, em Jimfara.

Cultuado nos quatro cantos do continente, o Imperador de Diamante é a terra, e a terra é o Império; três faces de um mesmo ser e eterno como o diamante. Há uma forte conexão entre o que faz do governante supremo o que é e o ecossistema de Myambe. Sendo assim, agora o império parece ruir com a seca interminável e com o afastamento da capital para com os assuntos das cidades e tribos mais longínquas.

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