Mundo Cão

Mundo Cão Matheus Peleteiro




Resenhas - Mundo Cão


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Karen 02/10/2021

Este gênero de livro não e o que costumo ler, achei a leitura monótona, mas a leitura me prendeu, bom não gostei muito.
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Emily 02/08/2021

Nunca li um livro pior que esse...
Odiei esse livro! Não gosto de falar mal de livros mas esse aqui é péssimo, pode-se dizer até que só é composto por frases feitas e capítulos muito mal elaborados. Decepcionante!
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Ana Claudia 20/07/2021

Li diversos livros do Matheus Peleteiro, todos são muito bons! Matheus Peleteiro se tornou um dos meus autores contemporâneo nacionais favoritos.
Peleteiro 05/08/2021minha estante
Oh, vi isso aqui e fiquei bem feliz em saber, Ana! Obrigado por apostar em minha literatura e por compartilhar suas impressões!




Nil 05/07/2020

História muito confusa e a leitura não me foi agradável.
É um livro que eu não tornarei a ler.
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Mica 29/05/2020

Ótimo!
O mundo é um cão raivoso prestes a lhe devorar. Frases fortes assim preenchem as páginas desse livro. Tive o prazer de descobrir sem querer em uma feira na minha faculdade e a leitura foi maravilhosa. A história é cheia de referências musicais, autores e se passa na Bahia. Amei!
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O Colador de Resenhas 05/07/2018

Crítica: “Mundo cão”, de Matheus Peleteiro
Há tempos que a favela não é mais a mesma. Os morros já não são os morros de Noel Rosa e os malandros não são mais os malandros de Chico Buarque. As ‘comunidades’ deixaram as marginais culturais e ganharam espaço nas novelas, nos filmes e, claro, na literatura. Mundo cão (Novo Século, 166 págs.), de Matheus Peleteiro, é parte desse novo retrato da periferia brasileira, uma combinação pop do prisma cultural que os becos e vielas exalam.

Peleteiro cria um diálogo realista entre Pedro Contino e o mundo voraz que o cerca. As festas, alguma droga, o sexo e as mulheres: tudo isso é usado para compor um cenário aproximado – ainda que o tom ficcional seja claro. A favela Roda Viva está em Salvador, mas poderia ser colocada sem nenhuma anomalia em qualquer metrópole brasileira.

A colcha de retalhos é construída com referências que vão de Nietzsche a Detonautas Roque Clube, uma simbiose pouco provável, mas que funciona com emendas bem feitas. A favela deixa ser um lugar em que predomina o rap e o hip hop, aos menos aos olhos de Pedro, que vai “buscar no asfalto” a sua verdadeira identidade.

O estrangeiro

O amor é algo real e dramático em Mundo cão. Não somente o amor entre Pedro e Joana (ou Carol e algumas outras), mas também o amor pelos livros. Ao descobrir o valor da literatura, o jovem abandona a mediocridade – deixa de ser um sujeito banal. É como o momento em o Meursault de Camus mata o árabe e só então percebe que está vivo.

Aos poucos, Pedro se transforma em um estrangeiro dentro da Roda Viva, um outsider do gueto. Contino é um anti-herói contemporâneo, destituído da dicotomia comum dos romances e, por isso, tão comum quanto quem lê essa resenha.

Por: Jonatan Silva

site: www.tribunapr.com.br/blogs/contracapa/critica-mundo-cao-de-matheus-peleteiro/
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Gramatura Alta 19/06/2017

A escrita de Matheus Peleteiro possui traços únicos que tornam sua identificação clara. Ele utiliza uma narrativa crua, direta, por vezes, até rude, mas sem ser ofensiva. Poderia dizer que é sincera, sem rodeios ou floreios.

Pedro, o personagem principal e narrador, mora em uma favela de Salvador. Rodeado pela violência típica de quem tem por vizinhos traficantes, além de conviver com tiroteios e a constante visita da morte a conhecidos, o rapaz de 18 anos decide escolher seus próprios caminhos. E ele quase consegue, principalmente com a ajuda de Luis, um professor de Sociologia. Mas, apaixonado por Carol, uma garota que mora perto de seu barraco, ele encontra na bebida a coragem necessária para paquerá-la. A partir desse ponto, Pedro começa uma descida vertiginosa de encontro à perdição daquilo que mais desejava.

Os pensamentos de Pedro levam a narrativa de MUNDO CÃO bem próxima da realidade do que é viver em uma favela. O personagem é machista, preconceituoso, possui uma visão política e religiosa limitada ao que ele sente e a como as pessoas se comportam de forma dogmática à sua volta, mas isso não o transforma em alguém amoral, apenas real.

Por mais que sua mente e seu coração sejam recheados e boa vontade, boas ideias, bondade, quando você vive em um ambiente impregnado de maldade, de precariedade, de falta de qualquer indicação de que o certo pode obter resultados, você acaba se corrompendo, acaba sendo obrigado a se submeter ao meio, ao contrário de transformar esse meio.

Dizem que uma pessoa pode mudar o mundo, mas a realidade é que o mundo muda as pessoas. E um mundo corrompido, corrompe totalmente. É por esse caminho que Pedro acaba seguindo, levando a um final que era esperado, mediante as escolhas que o personagem é obrigado a tomar.

Além da escrita crua, o autor carrega toda a narrativa com várias referências a cantores e obras de outros autores, com o acréscimo de frases de efeito, bem colocadas e com um significado suficiente para se fazer pensar, sem parecer forçado. Isso consegue levar o leitor a e se perguntar se realmente conhece como o mundo funciona, e o quanto cada um de nós representa numa sociedade parcialmente corrupta.

site: http://www.gettub.com.br/2017/05/mundo-cao.html
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Eduarda Rozemberg 27/01/2017

O mundo é um cão raivoso prestes a lhe devorar
Mundo Cão é o segundo livro do autor que eu leio. Já estou um pouco mais familiarizada com o estilo de escrita de Matheus Peleteiro, e mais uma vez ele não deixa a desejar. Essa é uma história que não possui um final feliz, mas que traz uma importante mensagem sobre o peso que nossas escolhas têm na nossa vida.

Pedro é um rapaz de dezoito anos que foi criado pelos avós na favela Roda Viva. Ele procura independência e ter um lugar só seu e tem o grande sonho de ser um escritor. Foi apresentado ao mundo literário por meio do seu vizinho, Luís, ex-professor de sociologia, e por meio disso ele cria um senso crítico sobre a realidade a sua volta e questiona tudo e todos.

Em meio a narrativa temos influência de autores consagrados, como Charles Bukowski, e de músicos importantes no cenário nacional, como Legião Urbana. Sendo assim, Pedro em uma narrativa em primeira pessoa, nos transporta do real para o ainda mais real, o mundo cão quem que vivemos. De forma coloquial e rápida, sem muitos detalhes, a verdade crua nos é mostrada.

O livro começa quando Pedro é acordado por barulho de tiros e um conhecido é encontrado morto. Frente à isso, ele se sente motivado a arranjar logo um emprego e sair da casa dos avós, pois não quer acabar como qualquer outro garoto da favela, entrando para o tráfico, onde há dinheiro fácil (e desonesto).

"O mundo é um cão raivoso prestes a lhe devorar. E você deve conquistar uma parte dele antes que seja tarde demais e ele tenha lhe engolido por inteiro."

Pedro é envolvido no mundo da música, da bebida e das mulheres, mesmo que durante muito tempo tem se visto apaixonado por Carol. Até então, nunca tivera a real coragem para se aproximar dela. E durante as páginas veremos o seu desenvolvimento romântico e profissional. Posso adiantar que este é um daqueles livros que não tem aquele final previsível e comum.

Mundo Cão é um livro curto, que li em mais ou menos dois dias. Demorei a criar um ritmo bom devido a quantidade de monólogos, o que acabou tornando a minha leitura bem mais lenta, porém não menos proveitosa. Não foi cansativo exatamente pelo fato de que o autor deixou de lado detalhes supérfluos para focar nas reflexões. Já não é mais segredo para ninguém que gosto de livros que me fazem pensar, certo? Assuntos como desvalorização dos artistas nacionais, influência da globalização e a falta de progresso são abordadas. Para quem gosta de assuntos políticos, é um prato cheio.

A única coisa que não gostei muito foi a falta de desenvolvimento das outras personagens da trama, o que poderia ter transformado o simples em algo muito mais completo. A diagramação é simples, porém, bem feita. Há notas no rodapé explicando cada referência feita. Mundo Cão é um ótimo livro, embora não o melhor.

site: http://paragrafosetravessoes.blogspot.com.br/2017/01/resenha-do-livro-mundo-cao.html
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Silvana - Blog Prefácio 05/01/2017

Em Mundo Cão conhecemos o mundo pelos olhos de Pedro Contino. Pedro tem dezoito anos e é apenas mais um morador da favela Roda Viva, em Salvador. Mais um entre os montes que tentam nadar fora do caos que é aquilo tudo, mas que tem poucas esperanças de conseguir mudar seu destino. Enquanto as crianças nascidas fora da favela sonham em serem médicos e terem uma vida tranquila, dentro dela os sonhos são outros. Todo moleque quer ser um traficante e ganhar dinheiro fácil, mesmo sabendo que a vida será curta, geralmente até os vinte cinco anos. Alguns com mais sorte passam disso, mas essa é a média.

Pedro mora com seus avós desde pequeno, mas não vê a hora de ter um cantinho só seu. Sua avó é Testemunha de Jeová e seu avô católico. E mesmo sendo de religiões diferentes, o objetivo deles em comum é levar Pedro até Deus. E também ele não aguenta mais ser acordado as madrugadas com tiroteios e depois que tudo silencia, ver alguém que ele conhece morto. Por isso quando ele consegue seu primeiro emprego, em um bar, a primeira coisa que ele faz é alugar um cantinho só dele. Ainda é na favela, mas é quase fora dela, em lugar um pouco melhor.

E mesmo tendo crescido na favela, Pedro teve a sorte de conhecer Luis, um professor de Sociologia que colocou um pouco de literatura na cabeça de Pedro. Depois que conheceu a coleção de livros de seu Luis, Pedro começou a ter prazer na leitura, principalmente nos livros do autor Charles Bukowski. E Pedro tem uma paixão por uma de suas vizinhas, Carol. Mas como Carol é tão segura de si, ele não tem coragem de chegar nela. É quando uma pessoa fala para Pedro sobre as bebidas, a coragem que elas dão. Então Pedro começa a beber e quando percebe, já está no caminho que ele queria evitar.

O mundo é um cão raivoso prestes a lhe devorar. E você deve conquistar uma parte dele antes que seja tarde demais e ele lhe tenha engolido por inteiro.

Mundo Cão é narrado em primeira pessoa e tem uma linguagem bem informal, por isso você vai encontrar gírias e bastante palavrões durante a leitura. Mas em contrapartida, o autor usa trechos de várias músicas, ditados populares e trechos de livros e ate falas de filmes durante a narrativa. Acho que já comentei várias vezes que não tenho o hábito de ouvir músicas, por isso não conhecia a maioria delas. Mas esse meu desconhecimento não fez muita falta, já que temos os nomes das músicas e a pessoa/banda que canta nas notas do rodapé.

Uma coisa que gostei muito, foi ver como o autor não mascara a verdade que é escondida pela maioria e ignorada de propósito por tantos outros. Ele não tem medo de mostrar a realidade que mesmo a gente achando que conhece, é mostrada bem superficialmente pela mídia. E pensem aqui na pessoa que adora um romance de época onde tudo é praticamente perfeito e livros com finais felizes, lendo essa história. Não vou dizer que fiquei chocada, mas que me deu um nó na garganta deu.

Agora uma coisa que me incomodou no livro foi o protagonista. No começo do livro me encantei com ele. Aquele jeito de falar o que pensa e de conseguir ver além do padrão imposto pela mídia. Mas chegou um certo momento em que ele se mostrou o contrário do que ele tinha mostrado até então. Ele foi preconceituoso em alguns momentos, generalizou em outros, principalmente quando o assunto era religião e foi muito machista várias vezes com a namorada. Confesso que fiquei feliz quando ela resolveu dar um basta nos desmandos dele. Mas não sei se essa foi a intenção do autor ao escrever ele exatamente assim, afinal ele poderia ser qualquer pessoa real que eu e você conhecemos.

A leitura é muito rápida, porque além do livro ser curto, a história envolve de uma maneira que a gente não quer largar o livro sem saber qual será o destino do Pedro. E mesmo o autor tendo usado o personagem para passar várias mensagens reflexivas, isso não tornou a leitura maçante, ela é muito ágil. E o final me surpreendeu. Não o final do personagem, que já esperava mais ou menos aquilo mesmo, me surpreendi com uma revelação que teve nas últimas páginas. E quando a capa, combinou bem com a história. Só me resta indicar o livro. Leia, é uma leitura bem fora do mais do mesmo que tem por ai. Você não vai se arrepender.


site: http://blogprefacio.blogspot.com.br/2016/12/resenha-mundo-cao-matheus-peleteiro.html
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Lidi 08/12/2016

Muito bom!
Recheado com ótimas referências de escritores e de músicas cuja a maioria não conhecia O livro de #matheuspeleteiro começa de uma forma despretensiosa. Achei que séria só a história de um rapaz que cresceu numa favela e que agora começava a gozar uma vida melhor com dinheiro, bebida e mulheres. Mas ele não é só isso não. Traz a visão de alguém que nasceu sem grandes expectativas cercado por má influências e mostra como a vida e o destino parece brincar com o futuro de algumas pessoas.
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Iuri Rodrigues 28/08/2016

Com grande influência do escritor pós beat, Charles Bukowski, Mundo Cão, romance de estreia do autor Matheus Peleteiro, nos apresenta as "andanças" de Pedro Contino, um jovem que vive com os avós na favela Roda Vida. Mesmo com a ausência dos pais, todas as dificuldades e falta de recursos, ele é apresentado à literatura por Luís, ex professor de Sociologia da Universidade Federal da Bahia, o que faz o garoto ter um senso mais crítico e questionador em relação às coisas à sua volta.

Em sua narrativa, Mundo Cão, nos apresenta várias críticas, não apenas às favelas brasileiras, mas também sobre questões políticas e sociológicas. Com uma linguagem coloquial, e com várias referências da música - Legião Urbana, Gabriel O Pensador, Emicida, entre outros - acompanhamos pelo olhar de Pedro situações que nem sempre estamos dispostos a ouvir, ou simplesmente, pensar sobre.

O livro, por mais que tenha demorado dois ou três capítulos para ganhar ritmo, é muito bem estruturado e é perceptível o talento do autor com as palavras. Isso não quer dizer que não tive problemas com a obra, afinal, é quase impossível um texto ser intocável. Pedro foi um enorme problema para mim, ao mesmo tempo que foi uma colírio para olhos, pois em diversas situações suas ações não condiziam com suas ideias, e em outras ele me sacudia mostrando a realidade das coisas. Algo que me incomodou foi o machismo impregnado em algumas atitudes, como no momento em que ele "proíbe" uma de suas namoradas ir à marcha das vadias com os seios à mostra por considerar coisa de "puta". Consigo entender que em certas partes tive problemas com o protagonista não por culpa do escritor, mas sim, por ele ser um personagem tão real para os dias de hoje, e sei que o real muitas vezes nos incomoda. Pedro é real, Pedro é brasileiro como nós, e é muitíssimo difícil sermos criticados.

O texto flui bastante, e a leitura além de prazerosa é bem rápida. O autor consegue desenvolver bastante o enredo utilizando algumas formas que encontramos também nas obras do autor alemão, Charles Bukowski. Infelizmente, o final fez a obra perder alguns pontos comigo; não pelo desfecho da obra, mas por tudo ter acontecido muito rápido. A sensação é de que as coisas foram apressadas para chegar logo no final, sendo que o ápice da estória já é mais próximo do fim.

Senti também a falta de alguns personagens, que em minha opinião, seriam bastante produtivos para obra, como por exemplo, o Luís. Acho que o autor poderia ter explorado mais este personagem e ter colocado mais diálogos com o mesmo.

Por fim, levando em conta todas as considerações, considero Mundo Cão um bom livro. O meu sentimento ao término da obra, era uma completa confusão de pensamentos, e uma súbita vontade - quase necessidade - de ler tudo novamente e ver se entendi realmente a mensagem que o autor queria passar. Um ótimo texto, que merece sim ser lido e interpretado de forma forma crítica, e não apenas como outro livro qualquer de entretenimento.
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Moo 29/01/2016

Uma escrita simples, mas que consegue capturar o leitor e fazê-lo viajar nas indignações sociais do Brasil. Essa história pode ser a de José, Maria, João ou Raimunda que povoam não apenas o Nordeste, mas todas as regiões brasileiras.
Eu me identifiquei com as passagens onde o autor utilizou partes de músicas ou poesias na narrativa de uma forma que se encaixavam perfeitamente.
Acredito que os jovens, principalmente, se identificariam com esse livro. Ele fala de primeiro emprego; de buscar um lugar ao sol; de amor; de indignações sobre o Brasil, a vida; a vontade de correr atrás dos sonhos ou de jogar tudo pro alto. Além disso, o livro traz a marcante época dos protestos de julho de 2013 traduzindo o sentimento de muitos - de estar perdido no meio da multidão e sem um foco para lutar.
Jaque Cabral 30/01/2016minha estante
ele é sensacional!




Mariane 06/12/2015

O primeiro romance de Matheus Peleteiro não tem uma história feliz. O autor apresenta a visão de um jovem tentando sair a qualquer custo dos domínios da favela, e dá ao livro a sua visão, que também pode ser traduzida como a visão de muitas pessoas desesperançosas quanto à convivência humana e tudo o que está envolvido, mas o principal é a representação do quão trabalhoso pode ser afastar-se de uma cultura sólida e entranhada quanto a da favela Roda Vida em Pedro Contino.

site: http://estanteinsolita.blogspot.com.br/2015/11/mundo-cao-matheus-peleteiro.html
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Fernanda 03/11/2015

Resenha: Mundo cão
CONFIRA A RESENHA NO BLOG:

site: http://www.segredosemlivros.com/2015/11/resenha-mundo-cao-matheus-peleteiro.html
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Cilene.Resende 26/10/2015

A mordida irrefreável
Resenha: Mundo Cão. Matheus Peleteiro; Talentos da Literatura Brasileira. Editora Novo Século, 166 p., 2015.
Sinopse: Unindo elementos de literatura marginal com sentimentos altruístas, surge Mundo Cão, que narra, em primeira pessoa, a história de Pedro Contino, um jovem que sofre desde cedo por conta das peripécias da vida, e, por mais que busque o melhor, vê, em sua sombra, o caos. Morador da favela Roda Viva, Pedro poderia ter traçado qualquer caminho, mas a vida escolheu um em especial. Mesmo em meio à ausência de recursos, é apresentado à literatura por um vizinho mais velho, e, por conta dela, cria uma importante consciência social. Guiado por músicas e livros, ele logo percebe como tudo funciona. Indigna-se e, amargamente, constata que não tem poder para realizar uma mudança no mundo... O caos já faz parte dele, envolvendo-se com drogas, álcool, e, para completar, com as mais belas e loucas mulheres.

O jovem autor Matheus Peleteiro, que lançou esta sua primeira obra aos 19 anos, destaca uma ficção muito semelhante à realidade de grande parte da população brasileira através do protagonista Pedro Contino, a quem nomeou homenageando a Pedro Pondé, vocalista da banda Scambo e Gabriel Contino, mais conhecido como Gabriel o Pensador, utilizando várias referências musicais, nos mais variados estilos, fazendo questão de não apenas se apropriar de suas ideias e inspirações mas as destacando do texto e as explicando no rodapé. (Vale a pena conferir e conhecer as músicas e as bandas se ainda não as conhecer, inclusive, ouvi-las enquanto lê o livro é muito bom!)

O próprio nome da fictícia favela soteropolitana que situa geograficamente a estória narrada em primeira pessoa pelo protagonista é musicalmente sugestiva: Roda Viva, música de Chico Buarque que retrata o círculo vicioso, a roda que não para de girar na vida das pessoas que então se sentem presas à Ditadura militar da época. No entanto esse novo modelo de Roda Viva retrata, numa escrita simples, direta e principalmente fluida, o reflexo de toda favela brasileira, de seu infinito ciclo de crimes e de segregação social e racial.

A influência do gosto pessoal do autor não se detém na seara musical, havendo também referências a séries de televisão americana, filosofia e poesia. O estilo Bukowskiano de conduzir a estória evidencia a paixão do jovem autor pelo escritor alemão, isso quer dizer que a trama se desenvolve sem firulas ou enrolações, torneada em belas pernas femininas, regada a um nível alcoólico embriagante, onde o protagonista só se f... "se dá mal", especialmente quando você acha que ele vai se dar bem.

Pedro Contino, um jovem sem recursos que foi criado pelos avós em uma favela violenta e dominada pelo tráfico, diferentemente de seus colegas que sonham em ser os "donos da boca" quer alçar outros voos, no entanto, não é otimista ao ponto de se lançar do penhasco. Ao contrário, pelo conhecimento adquirido com os livros que teve o privilégio de ter contato, almeja apenas construir uma vida honestamente vivível: trabalhar, auferir renda, morar dignamente, viver uma paixão e escrever para deixar um legado.

Porém, "o mundo é um cão raivoso prestes a lhe devorar" e o desfecho mostra as razões pelas quais o cão está faminto e porque é impossível impedir o seu ataque.

Citação: "O mundo é um cão raivoso prestes a lhe devorar. E você deve conquistar uma parte dele antes que seja tarde demais e ele tenha lhe engolido por inteiro."

"Muitas vezes é difícil distinguir o que sai da boca das pessoas do que sai do rabo de um cavalo?"
(Essa é uma das frases de efeito, dentre tantas do livro que te fazem refletir em vários aspectos. Como discordar? Vamos apenas pensar que um bom lugar para sentir o odor característico de uma tropa deles acometidos de uma virose altamente epidêmica é a grande rede mundial de computadores, mais especificamente algumas redes sociais onde se encontra todo tipo de "especialista": cientistas políticos que jamais leram O Contrato Social ou Marx; economistas que não sabem quem é Simonsen; esportistas, educadores, feministas, nutricionistas e por aí vai... ou vão, vão compartilhando asneiras como se fosse uma brincadeira de telefone-sem-fio.)

Assim, nada mais justo que coroar de jovem TALENTO brasileiro da literatura, o autor desse romance que é apenas pano de fundo a uma verdadeira crítica social que proporciona reflexão e diversão, ao passo que você imagine Hobbes* estapeando Rousseau*.

*Thomas Hobbes, e Jacques Rousseau


Por Cilene Resende Manzato
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