Mundo Cão

Mundo Cão Matheus Peleteiro




Resenhas - Mundo Cão


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Bruno.Fonseca 30/05/2015

Mundo Cão | O mundo é um cão raivoso prestes a lhe devorar
A ficção e a realidade, a realidade e a ficção… não importa a ordem, elas vão se misturar um dia. Seja onde for e como for elas vão se encontrar. É como um rio que encontra o mar, mesmo que nem todos eles tenham esse destino, mas algum deles um dia se encontram.

Mundo Cão é um livro que encontrou na sua realidade a ficção que precisava para alçar o voo necessário e criar o imaginário que te prende a cada página. Matheus Peleteiro, um jovem escritor com seus 19 anos trouxe à realidade baiana, um pouco de ficção e originalidade para tratar de assuntos da sociedade e do cotidiano diferente do que estamos acostumados a ouvir quando o assunto é o nordeste do país.

O livro conta a história de Pedro Contino (cujo nome é uma homenagem a Pedro Pondé, da banda Scambo e Gabriel Contino, o Gabriel O Pensador), um menino sem recursos morador da favela Roda Viva, em Salvador, que é apresentado à literatura e com essa experiência passa a cultivar uma crescente consciência social. Leia a resenha completa no link disponibilizado a seguir.

site: http://www.proibidoler.com/resenhas/mundo-cao-o-mundo-e-um-cao-raivoso-prestes-a-lhe-devorar/
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Mica 29/05/2020

Ótimo!
O mundo é um cão raivoso prestes a lhe devorar. Frases fortes assim preenchem as páginas desse livro. Tive o prazer de descobrir sem querer em uma feira na minha faculdade e a leitura foi maravilhosa. A história é cheia de referências musicais, autores e se passa na Bahia. Amei!
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Gleise 02/04/2015

Mundo Cão - A realidade que nem todos querem ver
“Mundo Cão - A história se passa em Salvador, na favela Roda Viva, onde Pedro Contino, um garoto jovem, começa seu relato, cheio de revolta e verdade, sobre o que a vida dele e de muitos outros que moram ali e em outras favelas do Brasil, representam para a sociedade...nada! A forma como ele se enxerga e como enxerga seu futuro, e como gostaria de mudar isso.

Sendo esse o ambiente da história, não espere por palavras bonitas. A descrição é recheada de palavrões, que ao meu ver, não me ofenderam. Talvez seja porque eu me identifiquei demais com os pensamentos de Pedro, no sentido da necessidade da mudança, da raiva entalada na garganta, na injustiça e na imoralidade que vivemos nesse país. Então, para mim, a linguagem se encaixou perfeitamente, afinal como descrever uma situação tão revoltante com palavras bonitas? Por que amenizar o descaso que estamos vivendo?

Foi imensamente prazeroso ler as referências que o autor fez a músicos e escritores...principalmente ao Legião Urbana e Gabriel Pensador que sempre foram meus ídolos......”Sim, eu vivi na época do Legião Urbana”, agora eu faço referência a passagem do livro.

O livro tem várias frases e pensamentos de impacto, que me faziam refletir ainda mais, me doer por aqueles menos favorecidos, como quando Pedro diz que o país é maravilhoso, certo, mas ele não conhece nenhuma dessas maravilhas...certamente é isso que acontece...as maravilhas são vistas por aqueles que nos arruínam...

Outra frase impactante e real de Pedro, quando se refere a procurar empregos e concorrer com outros que recebem uma educação de qualidade.

“ Ao menos queria uma concorrência leal. Afinal, não sou beneficiado por nada” – pag 21.

Em muitos momentos ri com o mau humor do Pedro, e esse mau humor persiste quase o livro todo, mas realmente entendi o porque, o que ele queria. Torci para que ele conseguisse permanecer em sua vida “digna”, que se desse bem com a mulherada, e que conseguisse alcançar seu tão sonhado objetivo.

O que posso dizer é que não encontrará nesse livro uma história mágica de amor, e sim um drama da vida real, que muitos preferem não conhecer. Eu não perdi meu tempo, fico feliz por ter tido a oportunidade dessa leitura, de mais uma vez constatar o quão dura é a realidade de muitas pessoas .

Parabéns Matheus, você escreve com perfeição!”

Segue a playlist do livro conforme o autor me informou:

Para escolha do título do livro : http://youtu.be/ymUZJlNtzSU

E outras que marcaram a história :

http://youtu.be/TDKOVwA7S3I

http://youtu.be/U2yh6XvrDN0

Para mais informações sobre o autor : www.facebook.com/espirituosoetragico


site: https://www.facebook.com/Sugestoesdelivroscapasinopse e http://www.sugestoesdelivros.com.br/
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Eduarda Rozemberg 27/01/2017

O mundo é um cão raivoso prestes a lhe devorar
Mundo Cão é o segundo livro do autor que eu leio. Já estou um pouco mais familiarizada com o estilo de escrita de Matheus Peleteiro, e mais uma vez ele não deixa a desejar. Essa é uma história que não possui um final feliz, mas que traz uma importante mensagem sobre o peso que nossas escolhas têm na nossa vida.

Pedro é um rapaz de dezoito anos que foi criado pelos avós na favela Roda Viva. Ele procura independência e ter um lugar só seu e tem o grande sonho de ser um escritor. Foi apresentado ao mundo literário por meio do seu vizinho, Luís, ex-professor de sociologia, e por meio disso ele cria um senso crítico sobre a realidade a sua volta e questiona tudo e todos.

Em meio a narrativa temos influência de autores consagrados, como Charles Bukowski, e de músicos importantes no cenário nacional, como Legião Urbana. Sendo assim, Pedro em uma narrativa em primeira pessoa, nos transporta do real para o ainda mais real, o mundo cão quem que vivemos. De forma coloquial e rápida, sem muitos detalhes, a verdade crua nos é mostrada.

O livro começa quando Pedro é acordado por barulho de tiros e um conhecido é encontrado morto. Frente à isso, ele se sente motivado a arranjar logo um emprego e sair da casa dos avós, pois não quer acabar como qualquer outro garoto da favela, entrando para o tráfico, onde há dinheiro fácil (e desonesto).

"O mundo é um cão raivoso prestes a lhe devorar. E você deve conquistar uma parte dele antes que seja tarde demais e ele tenha lhe engolido por inteiro."

Pedro é envolvido no mundo da música, da bebida e das mulheres, mesmo que durante muito tempo tem se visto apaixonado por Carol. Até então, nunca tivera a real coragem para se aproximar dela. E durante as páginas veremos o seu desenvolvimento romântico e profissional. Posso adiantar que este é um daqueles livros que não tem aquele final previsível e comum.

Mundo Cão é um livro curto, que li em mais ou menos dois dias. Demorei a criar um ritmo bom devido a quantidade de monólogos, o que acabou tornando a minha leitura bem mais lenta, porém não menos proveitosa. Não foi cansativo exatamente pelo fato de que o autor deixou de lado detalhes supérfluos para focar nas reflexões. Já não é mais segredo para ninguém que gosto de livros que me fazem pensar, certo? Assuntos como desvalorização dos artistas nacionais, influência da globalização e a falta de progresso são abordadas. Para quem gosta de assuntos políticos, é um prato cheio.

A única coisa que não gostei muito foi a falta de desenvolvimento das outras personagens da trama, o que poderia ter transformado o simples em algo muito mais completo. A diagramação é simples, porém, bem feita. Há notas no rodapé explicando cada referência feita. Mundo Cão é um ótimo livro, embora não o melhor.

site: http://paragrafosetravessoes.blogspot.com.br/2017/01/resenha-do-livro-mundo-cao.html
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Nil 05/07/2020

História muito confusa e a leitura não me foi agradável.
É um livro que eu não tornarei a ler.
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Kétrin 01/06/2015

Pedro Contino é um jovem que foi criado por seus avós, ele mora na favela Ronda Alta em Salvador onde não é um lugar privilegiado para se viver, e por isso, desde cedo teve diversas oportunidades para entrar no mundo dos crimes. Mas ele sempre viu o mundo de uma forma diferente, ele tem o desejo de poder mudar seu futuro e fazer sua história novamente.

Sempre incentivado para a leitura por seu vizinho Luís, um ex professor de Sociologia na Universidade de Bahia, Pedro se encontrou nos livros e a esse novo mundo em meio às páginas, onde ele poderia viver qualquer história que ele quisesse. Ele se apaixonou pela maneira como Bukowski escreve, assim o tornando sua inspiração.

Com essa visão de um mundo melhor, Pedro vai em busca de melhorias para sua vida, ele procura um emprego e uma casa nova. Se sentindo realizado financeiramente e espiritualmente, ele acredita que tudo está ao seu favor... até que as coisas começam a virar de pernas para o ar.

"Afinal, o mundo não é uma maravilha. O mundo é muito pior. Ele não é uma caixinha de surpresas. O mundo é ação, reação e lógica. Ele não vai pegar leve na hora de reagir, afinal, não é completamente belo, devemos saber disso. O mundo é um cão raivoso prestes a lhe devorar. E você deve conquistar uma parte dele antes que seja tarde demais e ele lhe tenha engolido por inteiro."

Com uma escrita em primeira pessoa, podemos ver em primeira mão a visão de Pedro sobre a sociedade, sobre suas revoltas e seus medos. Ele nos conta sobre a favela onde vive e sobre os demais moradores, pude imaginar o cenário em minha volta e tomei um choque de realidade, pois é tudo muito real, essa é a realidade de muitas pessoas.

Mundo Cão é uma leitura excepcional, o autor está de parabéns por ter me proporcionado uma leitura que fugiu dos meus padrões, mas que se tornou essencial. Com uma narrativa simples, o leitor consegue refletir sobre os padrões de vida, a questionar nossos próprios medos e superá-los.

Se você procura uma história de amor com um final feliz, não aconselho a leitura. Mas se você está a procura de uma história com um drama de vida e a dura realidade, vá em frente que você vai gostar de conhecer mais sobre a história de Pedro, mas já vou avisando que o livro está recheado de palavrões, o que não me incomodou. Com um final que eu nunca teria previsto, o autor me surpreendeu com suas escolhas, mas que de certa forma, fez jus ao livro.

site: http://lovereadmybooks.blogspot.com.br/2015/04/resenha-mundo-cao.html
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Daphne 23/06/2015

Mundo Cão, a realidade vista de cima do morro.
A HISTÓRIA:
Mundo Cão, conta a história de Pedro Contino, um adolescente gente fina que mora com os avós de forma humilde e que narra sua realidade vista de cima do morro da favela onde vive. O garoto é inteligente, interessado e tem carisma (e tem mesmo… Pedro é o maior pegador!), mas em sua transição para tornar-se adulto, passa a levar um estilo de vida incerto, intenso, cheio de descobertas e altos e baixos. Pedro busca andar por trilhas seguras e corretas, mas está sempre rodeado de más influências que tentam arrastá-lo para baixo, está sempre na corda bamba e a um passo do abismo, pois vive num meio de oportunidades escassas e que não permite deslizes. Um meio injusto e propício a todos os tipos de perigos e ameaças.
Pedro vive nos extremos e à flor da pele, e vai cada vez mais entrando de cabeça num caminho sem volta, onde uma chance quase sempre é a única e um erro pode sempre ser o último!

NOSSA OPINIÃO:
Mundo cão é um livro dinâmico, daqueles que dá vontade de ler num fôlego só. As coisas acontecem rápido. Ele narra as agonias, o auto-conhecimento e as experiências do protagonista como se fossem nossas. Pedro cativa pela simplicidade poética, agressiva e sincera com que conta os fatos. Com uma linguagem fácil e realista, apresenta seu ponto de vista de ‘anti-herói’ sem nenhum glamour, frescura ou auto-piedade, apenas mostrando fatos e consequências, a verdade nua e crua dentro da favela.
É um livro simultaneamente patriota e crítico, pois sempre traz os dois lados da moeda, o bom e o ruim, o céu e o inferno. E diversas vezes faz com que o leitor pare para pensar e considerar outras opiniões, valores e ações, faz julgar menos e questionar mais, faz entender melhor uma realidade diferente e muitas vezes distante, apesar de diariamente presente.
O mais interessante e bonito no livro, são as referências que pipocam em muitas páginas. As citações são principalmente musicais, e fizemos questão de ouvir todas as canções mencionadas. Muitas já conhecíamos, outras ainda não, mas de qualquer forma foi ótimo relembrar antiguidades e descobrir novidades. Era como um presente no meio da leitura, ler com trilha sonora, esperar a próxima referência, como se fosse mais um esforço do autor em fazer com que o leitor realmente sentisse o que aquele trecho queria transmitir. Foi uma ideia sensacional e até pensamos que no fim, a história de Pedro Contino deveria virar música, assim como a de João do Santo Cristo deveria virar best seller um dia!

site: http://www.aciddiary.com/
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Amanda 11/07/2015

Pedro Contino: ame ou odeie.
Apesar de alguns erros na edição, que em nada atrapalham a leitura, o livro é sensacional! Essa capa é linda (que cores lindas são essas? a lombada dá o charme) e a história é arrepiante... O personagem é daqueles que se ama ou odeia: com suas opiniões fortes e anti-éticas, Pedro, o personagem principal, te faz refletir sobre o que você realmente pensa sobre certas questões... Muita gente amou o personagem, mas eu, particularmente, tive relações de ódio com o Pedro, chegando em momentos que precisava parar de ler para respirar e entender o porque dele ser assim, e esse é o incrível do livro. Pedro é assim porque o mundo cão o educou assim: machista, malandro e egoísta... E não é esse o retrato do homem moderno?
A história de um menino que quer fazer o certo, e até acha que está fazendo o certo, mas o mundo o puxa pra baixo... As inquietações de um menino se tornando homem e que não consegue acompanhar as mudanças rápidas demais, que age sem pensar e acaba se dando mal. Recomendo. E espero que, assim como eu, vocês fiquem no time do desamor por Pedro - rs - e amor pelo livro Mundo Cão.
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Gustavo 20/08/2015

Os dentes e as garras de um Mundo Cão
Há algumas semanas um rapaz chamado Matheus Peleteiro entrou em contato comigo via Facebook. Se apresentou, falou que tinha 19 anos, acabava de lançar o seu primeiro livro, “Mundo Cão” (Novo Século Editora, 2015), e que gostaria de falar um pouco sobre seu rebento comigo. Ele disse que escreveu tentando retratar a realidade social presente no Brasil e na Bahia, sobre a música alternativa atual – que para ele não é valorizada -, além dos anseios, os medos de um futuro trágico e as dificuldades que todos temos durante a vida. Falou também que tenta mostrar na obra, sob sua ótica, o período de decadência do brasileiro, e que para isto criou Pedro Contino, um jovem rapaz, morador da favela Roda Vida, na periferia de Salvador (BA). Um personagem que quer ser bom, apesar dos dias trágicos, ainda que tudo lhe chame para as escolhas erradas.
Na música de Chico Buarque, a “Roda Viva“, que nunca para de girar, retrata a vida de quem se sente preso na Ditadura; no livro, a roda muda de significado, passa não só a retratar um lugar fictício, como também é um reflexo de todas as favelas brasileiras que existem, prisioneiras dentro de um ciclo contínuo de crimes e segregações. Eu poderia listar aqui todas as favelas que conheço na minha cidade, que se assemelham em detalhes a tudo descrito na obra: as vidas perdidas nos morros que passam constantemente nas televisões, a juventude transviada para a marginalidade, a lástima alternativa desta mesma juventude de compensar suas carências e desejos através do roubo e do tráfico de drogas. Já começo a afunilar aqui as semelhanças entre Natal (RN), minha cidade, e Salvador, cidade natal do autor. Começo também a ver o quão assustadoramente real é a ficção de Peleteiro.
Nos dias em que se sucederam minhas leitura, uma pergunta me perturbava: como é que o autor tem alguma conclusão sobre as realidades do Brasil, enquanto eu me sentia perdido só em meios as diferenças da minha própria cidade? As desigualdades sociais no Brasil são gritantes e, muitas vezes, brutais. E eu não iria perdoar o livro de alguém que se diz apresentar estas diferentes realidades se não escrevesse uma história igualmente brutal. Felizmente me vi enganado, pois em 166 páginas aprendi muito mais do que em alguns livros de sociologia que já li na vida.
Mundo Cão é um obra crua, tão visceral como a fome, tão alarmante quanto a cede. E quando eu digo crua, de forma alguma eu quero que você entenda que este livro não tem tempero, o que eu quero dizer é que ele não precisa de tais artifícios para que o leitor se prenda a sua narrativa, que se identifique com os personagens nele descritos, que em algum momento diga “puta que pariu, isso já aconteceu comigo!”. A vida é dura, não aceita amadores nesse jogo. E eu lia, lia, lia… E quanto mais páginas eu passava, mais eu me via refletido naquela história e mais eu via a Roda Viva se assemelhando ao Morro de Mãe Luiza, aqui em Natal; mais eu via o bairro do Rio Vermelho, no livro, parecido com a Ribeira, bairro boêmio da minha cidade, o centro cultural e de todas as tribos; mais eu reconhecia o Pedro em mim e em alguns amigos que bebem, fumam, cheiram e perdem completamente o juízo perante belas e loucas mulheres.
A literatura tem um papel também fundamental no contexto da obra, mostrando o quão transformadora ela pode ser, te libertando das fronteiras impostas e lhe apresentando a um universo de conhecimento. Conhecimento é liberdade. Pedro, que cresceu em meio à violência, viu na oportunidade oferecida pelo seu vizinho, Luiz, a chance de fugir da guerra urbana através dos livros. Mudou de vida, arranjou emprego, transou com muitas mulheres, amou algumas outras, principalmente a Carol. Mas a vida sempre bate na porta, te puxa pelo braço para o presente e, uma hora ou outra, é ela que te põe de quatro e te devora. A vida realmente é um cão raivoso.
Também é importante esclarecer aqui dois parâmetros na obra, um musical e outro de estilo literário, que conduzem a narrativa. No primeiro, o autor estabelece uma crítica ao atual cenário musical, citando bandas como o Legião Urbana, Racionais MC’s, Engenheiros do Hawaii, entre outras, para cadenciar sua história e argumentar o quão precário estamos de bandas que retratem nossas necessidades, que nos enxerguem com um olhar mais humano e menos mercadológico. No segundo, dentro dos cenários da obra, é clara as referências que o escritor tem pelos estilos dos antagônicos Charles Bukowski e do Fiódor Dostoiévski.
Por fim, termino esse texto na véspera do vigésimo aniversário do autor, com a esperança de logo mais ter em mãos um novo livro dele, de falar pessoalmente sobre a mordida que o seu cão deixou em mim, sangrando lascivamente essas ideias. Quero relatar também sobre todas as comparações que fiz entre nossos mundos, de que eu tenho um pouquinho do Pedro, do Luiz, da Carol. Só quero dizer que sua obra, Matheus, é grande, com dentes e garras bem afiadas.

site: http://www.ochaplin.com/2015/08/os-dentes-e-as-garras-de-um-mundo-cao.html
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Cilene.Resende 26/10/2015

A mordida irrefreável
Resenha: Mundo Cão. Matheus Peleteiro; Talentos da Literatura Brasileira. Editora Novo Século, 166 p., 2015.
Sinopse: Unindo elementos de literatura marginal com sentimentos altruístas, surge Mundo Cão, que narra, em primeira pessoa, a história de Pedro Contino, um jovem que sofre desde cedo por conta das peripécias da vida, e, por mais que busque o melhor, vê, em sua sombra, o caos. Morador da favela Roda Viva, Pedro poderia ter traçado qualquer caminho, mas a vida escolheu um em especial. Mesmo em meio à ausência de recursos, é apresentado à literatura por um vizinho mais velho, e, por conta dela, cria uma importante consciência social. Guiado por músicas e livros, ele logo percebe como tudo funciona. Indigna-se e, amargamente, constata que não tem poder para realizar uma mudança no mundo... O caos já faz parte dele, envolvendo-se com drogas, álcool, e, para completar, com as mais belas e loucas mulheres.

O jovem autor Matheus Peleteiro, que lançou esta sua primeira obra aos 19 anos, destaca uma ficção muito semelhante à realidade de grande parte da população brasileira através do protagonista Pedro Contino, a quem nomeou homenageando a Pedro Pondé, vocalista da banda Scambo e Gabriel Contino, mais conhecido como Gabriel o Pensador, utilizando várias referências musicais, nos mais variados estilos, fazendo questão de não apenas se apropriar de suas ideias e inspirações mas as destacando do texto e as explicando no rodapé. (Vale a pena conferir e conhecer as músicas e as bandas se ainda não as conhecer, inclusive, ouvi-las enquanto lê o livro é muito bom!)

O próprio nome da fictícia favela soteropolitana que situa geograficamente a estória narrada em primeira pessoa pelo protagonista é musicalmente sugestiva: Roda Viva, música de Chico Buarque que retrata o círculo vicioso, a roda que não para de girar na vida das pessoas que então se sentem presas à Ditadura militar da época. No entanto esse novo modelo de Roda Viva retrata, numa escrita simples, direta e principalmente fluida, o reflexo de toda favela brasileira, de seu infinito ciclo de crimes e de segregação social e racial.

A influência do gosto pessoal do autor não se detém na seara musical, havendo também referências a séries de televisão americana, filosofia e poesia. O estilo Bukowskiano de conduzir a estória evidencia a paixão do jovem autor pelo escritor alemão, isso quer dizer que a trama se desenvolve sem firulas ou enrolações, torneada em belas pernas femininas, regada a um nível alcoólico embriagante, onde o protagonista só se f... "se dá mal", especialmente quando você acha que ele vai se dar bem.

Pedro Contino, um jovem sem recursos que foi criado pelos avós em uma favela violenta e dominada pelo tráfico, diferentemente de seus colegas que sonham em ser os "donos da boca" quer alçar outros voos, no entanto, não é otimista ao ponto de se lançar do penhasco. Ao contrário, pelo conhecimento adquirido com os livros que teve o privilégio de ter contato, almeja apenas construir uma vida honestamente vivível: trabalhar, auferir renda, morar dignamente, viver uma paixão e escrever para deixar um legado.

Porém, "o mundo é um cão raivoso prestes a lhe devorar" e o desfecho mostra as razões pelas quais o cão está faminto e porque é impossível impedir o seu ataque.

Citação: "O mundo é um cão raivoso prestes a lhe devorar. E você deve conquistar uma parte dele antes que seja tarde demais e ele tenha lhe engolido por inteiro."

"Muitas vezes é difícil distinguir o que sai da boca das pessoas do que sai do rabo de um cavalo?"
(Essa é uma das frases de efeito, dentre tantas do livro que te fazem refletir em vários aspectos. Como discordar? Vamos apenas pensar que um bom lugar para sentir o odor característico de uma tropa deles acometidos de uma virose altamente epidêmica é a grande rede mundial de computadores, mais especificamente algumas redes sociais onde se encontra todo tipo de "especialista": cientistas políticos que jamais leram O Contrato Social ou Marx; economistas que não sabem quem é Simonsen; esportistas, educadores, feministas, nutricionistas e por aí vai... ou vão, vão compartilhando asneiras como se fosse uma brincadeira de telefone-sem-fio.)

Assim, nada mais justo que coroar de jovem TALENTO brasileiro da literatura, o autor desse romance que é apenas pano de fundo a uma verdadeira crítica social que proporciona reflexão e diversão, ao passo que você imagine Hobbes* estapeando Rousseau*.

*Thomas Hobbes, e Jacques Rousseau


Por Cilene Resende Manzato
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Fernanda 03/11/2015

Resenha: Mundo cão
CONFIRA A RESENHA NO BLOG:

site: http://www.segredosemlivros.com/2015/11/resenha-mundo-cao-matheus-peleteiro.html
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Mariane 06/12/2015

O primeiro romance de Matheus Peleteiro não tem uma história feliz. O autor apresenta a visão de um jovem tentando sair a qualquer custo dos domínios da favela, e dá ao livro a sua visão, que também pode ser traduzida como a visão de muitas pessoas desesperançosas quanto à convivência humana e tudo o que está envolvido, mas o principal é a representação do quão trabalhoso pode ser afastar-se de uma cultura sólida e entranhada quanto a da favela Roda Vida em Pedro Contino.

site: http://estanteinsolita.blogspot.com.br/2015/11/mundo-cao-matheus-peleteiro.html
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Iuri Rodrigues 28/08/2016

Com grande influência do escritor pós beat, Charles Bukowski, Mundo Cão, romance de estreia do autor Matheus Peleteiro, nos apresenta as "andanças" de Pedro Contino, um jovem que vive com os avós na favela Roda Vida. Mesmo com a ausência dos pais, todas as dificuldades e falta de recursos, ele é apresentado à literatura por Luís, ex professor de Sociologia da Universidade Federal da Bahia, o que faz o garoto ter um senso mais crítico e questionador em relação às coisas à sua volta.

Em sua narrativa, Mundo Cão, nos apresenta várias críticas, não apenas às favelas brasileiras, mas também sobre questões políticas e sociológicas. Com uma linguagem coloquial, e com várias referências da música - Legião Urbana, Gabriel O Pensador, Emicida, entre outros - acompanhamos pelo olhar de Pedro situações que nem sempre estamos dispostos a ouvir, ou simplesmente, pensar sobre.

O livro, por mais que tenha demorado dois ou três capítulos para ganhar ritmo, é muito bem estruturado e é perceptível o talento do autor com as palavras. Isso não quer dizer que não tive problemas com a obra, afinal, é quase impossível um texto ser intocável. Pedro foi um enorme problema para mim, ao mesmo tempo que foi uma colírio para olhos, pois em diversas situações suas ações não condiziam com suas ideias, e em outras ele me sacudia mostrando a realidade das coisas. Algo que me incomodou foi o machismo impregnado em algumas atitudes, como no momento em que ele "proíbe" uma de suas namoradas ir à marcha das vadias com os seios à mostra por considerar coisa de "puta". Consigo entender que em certas partes tive problemas com o protagonista não por culpa do escritor, mas sim, por ele ser um personagem tão real para os dias de hoje, e sei que o real muitas vezes nos incomoda. Pedro é real, Pedro é brasileiro como nós, e é muitíssimo difícil sermos criticados.

O texto flui bastante, e a leitura além de prazerosa é bem rápida. O autor consegue desenvolver bastante o enredo utilizando algumas formas que encontramos também nas obras do autor alemão, Charles Bukowski. Infelizmente, o final fez a obra perder alguns pontos comigo; não pelo desfecho da obra, mas por tudo ter acontecido muito rápido. A sensação é de que as coisas foram apressadas para chegar logo no final, sendo que o ápice da estória já é mais próximo do fim.

Senti também a falta de alguns personagens, que em minha opinião, seriam bastante produtivos para obra, como por exemplo, o Luís. Acho que o autor poderia ter explorado mais este personagem e ter colocado mais diálogos com o mesmo.

Por fim, levando em conta todas as considerações, considero Mundo Cão um bom livro. O meu sentimento ao término da obra, era uma completa confusão de pensamentos, e uma súbita vontade - quase necessidade - de ler tudo novamente e ver se entendi realmente a mensagem que o autor queria passar. Um ótimo texto, que merece sim ser lido e interpretado de forma forma crítica, e não apenas como outro livro qualquer de entretenimento.
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Lidi 08/12/2016

Muito bom!
Recheado com ótimas referências de escritores e de músicas cuja a maioria não conhecia O livro de #matheuspeleteiro começa de uma forma despretensiosa. Achei que séria só a história de um rapaz que cresceu numa favela e que agora começava a gozar uma vida melhor com dinheiro, bebida e mulheres. Mas ele não é só isso não. Traz a visão de alguém que nasceu sem grandes expectativas cercado por má influências e mostra como a vida e o destino parece brincar com o futuro de algumas pessoas.
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Silvana - Blog Prefácio 05/01/2017

Em Mundo Cão conhecemos o mundo pelos olhos de Pedro Contino. Pedro tem dezoito anos e é apenas mais um morador da favela Roda Viva, em Salvador. Mais um entre os montes que tentam nadar fora do caos que é aquilo tudo, mas que tem poucas esperanças de conseguir mudar seu destino. Enquanto as crianças nascidas fora da favela sonham em serem médicos e terem uma vida tranquila, dentro dela os sonhos são outros. Todo moleque quer ser um traficante e ganhar dinheiro fácil, mesmo sabendo que a vida será curta, geralmente até os vinte cinco anos. Alguns com mais sorte passam disso, mas essa é a média.

Pedro mora com seus avós desde pequeno, mas não vê a hora de ter um cantinho só seu. Sua avó é Testemunha de Jeová e seu avô católico. E mesmo sendo de religiões diferentes, o objetivo deles em comum é levar Pedro até Deus. E também ele não aguenta mais ser acordado as madrugadas com tiroteios e depois que tudo silencia, ver alguém que ele conhece morto. Por isso quando ele consegue seu primeiro emprego, em um bar, a primeira coisa que ele faz é alugar um cantinho só dele. Ainda é na favela, mas é quase fora dela, em lugar um pouco melhor.

E mesmo tendo crescido na favela, Pedro teve a sorte de conhecer Luis, um professor de Sociologia que colocou um pouco de literatura na cabeça de Pedro. Depois que conheceu a coleção de livros de seu Luis, Pedro começou a ter prazer na leitura, principalmente nos livros do autor Charles Bukowski. E Pedro tem uma paixão por uma de suas vizinhas, Carol. Mas como Carol é tão segura de si, ele não tem coragem de chegar nela. É quando uma pessoa fala para Pedro sobre as bebidas, a coragem que elas dão. Então Pedro começa a beber e quando percebe, já está no caminho que ele queria evitar.

O mundo é um cão raivoso prestes a lhe devorar. E você deve conquistar uma parte dele antes que seja tarde demais e ele lhe tenha engolido por inteiro.

Mundo Cão é narrado em primeira pessoa e tem uma linguagem bem informal, por isso você vai encontrar gírias e bastante palavrões durante a leitura. Mas em contrapartida, o autor usa trechos de várias músicas, ditados populares e trechos de livros e ate falas de filmes durante a narrativa. Acho que já comentei várias vezes que não tenho o hábito de ouvir músicas, por isso não conhecia a maioria delas. Mas esse meu desconhecimento não fez muita falta, já que temos os nomes das músicas e a pessoa/banda que canta nas notas do rodapé.

Uma coisa que gostei muito, foi ver como o autor não mascara a verdade que é escondida pela maioria e ignorada de propósito por tantos outros. Ele não tem medo de mostrar a realidade que mesmo a gente achando que conhece, é mostrada bem superficialmente pela mídia. E pensem aqui na pessoa que adora um romance de época onde tudo é praticamente perfeito e livros com finais felizes, lendo essa história. Não vou dizer que fiquei chocada, mas que me deu um nó na garganta deu.

Agora uma coisa que me incomodou no livro foi o protagonista. No começo do livro me encantei com ele. Aquele jeito de falar o que pensa e de conseguir ver além do padrão imposto pela mídia. Mas chegou um certo momento em que ele se mostrou o contrário do que ele tinha mostrado até então. Ele foi preconceituoso em alguns momentos, generalizou em outros, principalmente quando o assunto era religião e foi muito machista várias vezes com a namorada. Confesso que fiquei feliz quando ela resolveu dar um basta nos desmandos dele. Mas não sei se essa foi a intenção do autor ao escrever ele exatamente assim, afinal ele poderia ser qualquer pessoa real que eu e você conhecemos.

A leitura é muito rápida, porque além do livro ser curto, a história envolve de uma maneira que a gente não quer largar o livro sem saber qual será o destino do Pedro. E mesmo o autor tendo usado o personagem para passar várias mensagens reflexivas, isso não tornou a leitura maçante, ela é muito ágil. E o final me surpreendeu. Não o final do personagem, que já esperava mais ou menos aquilo mesmo, me surpreendi com uma revelação que teve nas últimas páginas. E quando a capa, combinou bem com a história. Só me resta indicar o livro. Leia, é uma leitura bem fora do mais do mesmo que tem por ai. Você não vai se arrepender.


site: http://blogprefacio.blogspot.com.br/2016/12/resenha-mundo-cao-matheus-peleteiro.html
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