Abandonado

Abandonado Vinícius Pinheiro




Resenhas - Abandonado


6 encontrados | exibindo 1 a 6


Leitor Nerd 25/04/2018

Requintado
Comprei esse livro porque estava por um preço baixo, não tinha expectativas e talvez por isso, me surpreendi demais.

O autor faz uma breve referência ao filme Dogville, do dinamarquês Lars Von Trier, o que sugere ser uma obra sólida, sombria e heterogênea. A capa dá ideia de tremulação, pois é necessário parar, se concentrar e após um tempo entender o que está acontecendo ali. Na contracapa e em trechos do livro temos a referência do film noir. A escrita do autor é impecável, madura e chega a ser uma mistura poética e filosófica que mistura realidade e ficção de forma descomplicada e atraente.

Este romance trágico gira em torno de Alberto Franco, um roteirista em início de carreira e jornalista informal. Confesso uma coisa: Tive alguns momentos de raiva e indignação lendo o livro. Pense num protagonista que adora ser feito de trouxa! Ainda mais quando se trata de Clara, uma dubladora e atriz em ascensão, e o que tem de linda, tem de manipuladora. Alberto e Clara começam a se relacionar, mas em nenhum momento há demonstração de amor entre eles, só constatamos desejo sexual e tentativas inúteis de benevolência. Ambos possuem personalidades fortes, e uma coisa que faz Alberto se tornar ainda mais interessante é que ele é desses que pensa e faz, sem pensar duas vezes e muito menos pensa nas consequências de suas ações. Por vezes, a narrativa nos espanta devido a alta carga de acontecimentos em um só capítulo e ocasionalmente em um mesmo parágrafo.

Abandonado é um livro que faz você se sentir usado, desolado, à venda e realmente abandonado. Mas quem disse que isso é ruim? Ele mostra diretamente que muitas vezes vendemos nossas horas de lazer para nos submetermos a humilhações e constrangimentos, onde nem sequer exigimos nossos direitos. Isso se dá em razão do receio de perder o emprego, amizade ou qualquer tipo de elo que nos dá proveito. Isso mostra que carecemos acordar para a vida e dar outra direção para o futuro que queremos.

Para um livro que foi comprado de forma aleatória, Abandonado me deixou abnegado por efeito do enredo conturbado.

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Maga 05/11/2015

Ame E odeie
Está aí um livro que eu "amei odiar". Ou "odiei amar"... Alberto Franco, o narrador de "Abandonado", é um dos personagens mais divertidos e, ao mesmo tempo, idiotas com que já deparei em um romance. Acabo de ler o livro e é como se ele fosse um velho conhecido, um amigo a quem eu adoraria dar um puxão de orelha de vez em quando...

A história está bem mal descrita na sinopse, mas é mesmo difícil de resumir: Franco é um roteirista de cinema em início de carreira. Isso significa que ele precisa se virar com o que lhe aparecer à frente pra pagar as contas. E eis que lhe surge a grande oportunidade quando Clara Bernardes, uma atriz em ascensão, o convida a fazer a adaptação de um livro para o cinema.

A partir de então se sucedem uma série de situações hilárias entre os dois, sempre tendo como fundo uma crítica meio ressentida aos meios culturais e de comunicação. Clara é descrita como uma mulher tão bela quanto manipuladora. Ela faz o pobre Franco de gato e sapato, assim como os amigos da república onde ele mora e os chefes no subemprego de jornalista. Ou pelo menos é isso que ele quer que o leitor pense.

Franco é um típico narrador que eu adoro em uma história: aquele em que você não pode confiar. Isso fica claro na reviravolta final, que me deixou com mais dúvidas do que respostas, outra coisa que eu gosto em histórias.
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Arca Literária 14/06/2015

Alberto Franco é um homem que busca um status social em meio a grande São Paulo, ele atua como jornalista e roteirista de cinema. Tenta ser o escritor da sua própria história, mas como ele pode escrever sua história, se nem ao menos ele valoriza a sua escrita?
Certa ocasião, ele conhece Clara, uma bela atriz que também busca um espaço na sociedade, eles são massas ambulantes que ocupam um lugar no espaço, mas que não tem reconhecimento. É Clara que convida Franco para tentar brilhar na vida, adaptando um livro para o cinema, filme esse que Clara se propõe a toda e qualquer proposta, mesmo essa proposta sendo ficar nua durante toda a gravação, deixando todos boquiabertos no set de gravações, apenas para conseguir o papel principal.
Alberto e Clara começa a ter relações sexuais, que por sinal não consegue transmitir amor ao leitor, e é assim que os dias passam. Eles passam a fazer visitas constantes a Carmem, uma vidente que acredita que tudo que acontece na nossa vida está escrito e planejado, visita essa que se torna para Franco interessante e instigante.
Alberto começa a trabalhar em um jornal onde Mirian Saboia, a editora, não tem uma fama nada boa, e neste Jornal que ele é inesperadamente escalado para fazer a cobertura de um jogo de futebol importantíssimo para a repercussão do jornal no dia-a-dia dos leitores, é nesta cobertura que Franco se torna um homem famoso, por ter sua crônica futebolística repercutida em vários canais de comunicação, alguns criticando outros elogiando, como diz no livro, não deixando de fora a ironia e o sarcasmo.

O livro em certos pontos torna-se um pouco confuso, pois ele é narrado por Franco, na primeira pessoa, mas é direcionado a outra pessoa desconhecida. Alberto tem relações confusas com sua família, e com seus colegas de republica, e futuramente com Clara, e é isso que ele retrata no livro, deixando o leitor bastante instigado para desvendar o ponto final deste confuso e destemido texto que é a sua vida.

Uma coisa que me admirou na personalidade de Franco, foi o fato de ele pensar em fazer algo e pouco tempo depois já colocar em pratica. Definitivamente, é um livro com aspectos positivos qualitativos.

Um detalhe característico do livro, que por sinal influência muito na qualidade da escrita a meu ver, é o fato de o Vinicius Pinheiro não enrolar para relatar acontecimentos. Em alguns momentos, o leitor leva um baque ao perceber que aconteceram varias coisas em um único paragrafo. (Alguns autores, explicam o principio físico do giro da maçaneta da porta feita de madeira reflorestada vinda da Amazônia, que ocasiona o desmatamento que influência no aquecimento global que pode causar a morte de toda a humanidade, e que a morte é a única certeza que nós temos.)
Com certo tempo, aprendi a gostar deste tipo de livro, com um aspecto meio que filosófico, e esse me surpreendeu bastante.

A parte gráfica do livro está realmente bem bonita, os contrastes verdes na capa, com a estrutura e fonte do titulo e nome do autor, deram bastante significado á temática do livro, a folha de rosto com a capa e tons em preto e branco adaptaram-se bem a obra, e a folha branca não me atrapalhou em nada na hora da leitura, o tamanho da fonte está adequado para a leitura, e analisando bem a obra, o estilo das cores nós percebemos um aspecto nostálgico bem interessante.
Resenha de Isaac Leitor
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Naty 19/05/2015

Para refletir!
Como diria Vinícius Pinheiro, não é preciso ser um divisor de águas da literatura para contar uma boa história; assim foi com o personagem deste livro. Alberto Franco, um jornalista informal e roteirista em início de carreira, se envolve com uma atriz iniciante, a misteriosa Clara Bernardes.

A jovem é bastante impulsiva e tem uma personalidade forte. Por sua vez, o protagonista não fica atrás quando o quesito é caráter marcante. O envolvimento dos dois é algo que toca nosso jovem Alberto. A paixão desenfreada que ele sente por ela é de deixá-lo louco e, até mesmo, cego.

“Pode parecer paranoia à primeira vista, eu sei. Guardadas as proporções de tempo, espaço e qualidade literária, sentia-me como um personagem de Homero, reclamando da vida aos deuses ao lado de uma bela ninfa imortal em uma ilha paradisíaca” (p.24).

Além dos dois, o autor nos apresenta uma personagem um tanto incomum em obras: uma vidente. Ela parece saber de tudo, porém, seu tom irônico mostra que nem tudo é o que parece. De forma veemente, ela costuma afirmar aos clientes: “tudo já está escrito”. Todos parecem manipulados por uma força invisível, precisam enfrentar a crise da criatividade para sair dessa armadilha de que tudo já está destinado e não há mudanças. É necessário buscá-las, contudo, parece que o final é apenas a solidão.

O autor faz uma referência à obra com o intrigante filme Dogville, do dinamarquês Lars Von Trier. Nele, habitantes de uma cidade à beira do fim do mundo se comportam como ratinhos de laboratório; a alusão que a obra nos passa é exatamente essa. Muitos se sentem abandonados, acreditam que o seu destino está escrito como a vidente declarou e não há mais nada a ser feito.

“- A revelação é algo pessoal. Cada um vê o que precisa ser visto e sente o que precisa ser sentido, acredite. Mesmo que você me dissesse o que houve eu não seria capaz de entender” (p.55).

Porém, Vinícius nos mostra que é necessário buscar, incessantemente, para que sejamos melhores sempre; para que busquemos o ápice de tudo. É uma luta para sobreviver diariamente, enquanto apenas aproveitamos o pouco que nos resta para “viver”. Os valores são invertidos e a dignidade da pessoa humana é deturpada. Salários cada vez mais raquíticos, humilhações dos chefes carrascos, um labor excessivo para pagar as dívidas e tentar preencher o estômago como der.

Vive-se de modo exaustivo, tudo deve ser feito para ontem e o verbo viver nos é roubado constantemente. Pagamos para sobreviver, enquanto o lazer nos é violado. Vinícius nos faz divagar de diversos modos e, a todo o instante, pude refletir melhor sobre como vendemos, por tão pouco, nossas horas preciosas.

“Você tem o direito de me matar. Você tem o direito de fazer isso, mas não tem o direito de me julgar” (p.73).

Não sei dizer se estou numa fase reflexiva, mas acredito que estou absorvendo as lições que os livros podem me passar. Esse, em especial, é um grande meio de fazer a sociedade acordar para o que está acontecendo ao nosso redor. Abandonado é um trabalho que te faz se sentir solitário, usado e vendável. Não vejam isso como algo ruim, pois esses adjetivos mostram que precisamos despertar para a realidade e mudar. Vendemos nossas horas, nos submetemos a humilhações e sequer reivindicamos, com medo de perder a única coisa que temos; seja trabalho, amizade ou algum tipo de vínculo que nos beneficia, de alguma forma. Abandonado é o típico livro que não podemos deixar de ler. Desperta aquele que dorme e não deixa dormir aquele que está acordado.
Eduarda Rozemberg 03/01/2017minha estante
Nossa, esse livro é bem diferente dos que eu costumo ver por aí, e achei ele super interessante. Sou do tipo que gosta de finalizar uma leitura e refletir, então me agradaria.


Lana Wesley 28/01/2017minha estante
Toda a premissa desse livro e imprevisível, e diferente das histórias clichês que vemos por aí, e ainda sim o autor consegue nos fazer refletir sobre muitas coisas, dentre elas como somos usados pelo trabalho, de forma que fiquemos exaustos, não vemos o tempo passar, e por isso deixamos as coisas boas, as nossas horas de lazeres escaparem. Me identifiquei muito com esse fatores, e por isso pretendo dar uma chance a essa leitura.


Marta 01/02/2017minha estante
Gostei bastante da resenha!! Sem dúvida quero muito ler!!
Beijoss




ViagensdePapel 15/05/2015

Abandonado, de Vinícius Pinheiro
A história de Abandonado é contada em primeira pessoa pelo seu personagem principal, Alberto Franco, um frustrado roteirista de cinema e que acaba se tornando repórter em um importante jornal de São Paulo. Franco vive em uma república com outros três rapazes, com os quais mantem uma relação de amizade e desprezo.

Logo no início da história, nosso protagonista conhece a sedutora e misteriosa Clara Bernardes, atriz e dubladora, que o convida para ser o roteirista de seu próximo filme. Franco então se apaixona por ela e os dois vivem um estranho romance, que em alguns momentos chega a lembrar “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, fato mencionado algumas vezes pelo próprio personagem principal.

Alberto Franco é um jovem vivendo a crise dos vinte anos, buscando um propósito para sua vida e que mesmo sendo continuamente maltratado pelo amor de sua vida, Clara, não consegue deixar que ela vá embora.

Apesar de ser curto e de possuir uma narrativa bastante leve, Abandonado não é um livro simples, pois traz muitos detalhes e reviravoltas. Ao longo da história descobrimos que Franco estava escrevendo para um dos personagens que descobrimos quem é apenas na reta final. Além da influência já mencionada de Machado de Assis, em alguns trechos a vida do personagem principal me lembrou de dois dos meus filmes favoritos, “Clube da Luta” e “Show de Truman” (apesar de ambos terem narrativas bem diferentes).

Obviamente que eu não vou estragar o final e conta-lo aqui, mas posso dizer que não imaginava que a história tomaria o rumo que tomou. O que pra mim foi um grande ponto positivo, pois adoro quando o autor “engana”, ou seja, traz um desfecho totalmente não esperado.


Continue lendo a resenha aqui:

site: http://www.viagensdepapel.com/2015/05/abandonado-de-vinicius-pinheiro.html
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mairla 07/05/2015

"No fundo, todos ali, incluindo agora minha cunhada grávida, não passavam de figurantes desnecessários na própria vida de cada um".
Confesso que não está sendo fácil descrever em palavras o que achei da obra de Vinícius Pinheiro, aviso de antemão que a avaliação numérica colocada no fim do texto é meramente e ilustrativa e não tenho certeza de representará minha verdadeira opinião sobre a obra, pois eu mesma a desconheço, portanto peço desculpas por uma outra ou outra contradição que possa surgir nesse texto.

A estética de “Abandonado” e a pequena referência ao filme Dogville do dinamarquês Lars Von Trier me sugeriram uma obra densa, pesada e conflitante. A arte da capa é desconcertante e chamativa, visto que a combinação de cores e as silabas esparramadas pelo papel demandam do futuro leitor certa concentração e alguns segundos a mais para que haja compreensão do que acontece ali. Sensação esta que rima com o fechar da última página.

Mais:

site: http://www.cinemundo.net.br/resenha-abandonado-vinicius-pinheiro/
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