Olho de boto

Olho de boto Salomão Larêdo




Resenhas - Olho de boto


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Fernanda 18/06/2015

“Olho de Boto” é o primeiro livro de Salomão Larêdo que leio (o autor tem mais de 40 livros!) e, confesso, não apenas a temática me chamou bastante atenção como também o fato de o livro ser baseado em fatos reais. Atualmente, muito se fala a respeito de relações homoafetivas e podemos ver com muita clareza o impacto que tais discussões estão causando. Como já comentei nas resenhas que fiz sobre os livros de David Levithan, é notório que personagens homossexuais estão enfim tomando espaço e considero de uma riqueza inestimável para a representatividade que nós, leitores, nos identifiquemos com os personagens das histórias que lemos. Claro que ainda temos personagens homens, brancos e héteros, mas toda forma de particularidade/singularidade é importante.

O que Salomão Larêdo traz com “Olho de boto” é uma história muito interessante e fora do padrão considerado comum de narrativa. Como paraense, percebi muitos traços regionais no livro e adorei me sentir próxima da minha cultura com alguns termos que, aposto, só paraense vai ler sem estranhar. O fato é que a obra é nacional e trata o fator importante de discutir o amor homoafetivo, não nos dias atuais (que já não é tão simples), mas nos anos 60, nos tempos da ditadura militar em plena Amazônia.

Inacha é um povoado de Cametá que se alvoroça inteira quando dois homens decidem se casar. Inajacy e Inajá se amam e se querem e decidem formalizar o ato. A população, mais do que qualquer coisa, fica curiosa. É interessante como foi proposto pelo autor que esse casamento é um espetáculo que todos querem participar, belo bem ou pelo mal, e que essa cerimônia será o inicio de algo grandioso para o mundo.

“Tem calma, minha mana, aguenta as pontas, este pequeno será causa da queda de muita gente e de muitas mudanças pelas quais o mundo vai precisar passar para que o homem se entenda e se respeite, trate a si e aos outros, principalmente a mulher, com respeito e admiração. Ele é sinal de contradição. Um facão amolado, grande e pesado, vai te trespassar teu corpo e tua alma e desse um também. Através dele tudo será revelado. Te segura!”

O povoado está passando pelas mudanças normais que o tempo impõe a todos e Salomão Larêdo nos dá essa perspectiva clara de novos conhecimentos e nova ideias, porém não esquecendo que nos anos 60 a mitologia era extremamente forte, principalmente no meio Amazônico. O ponto que me chamou mais atenção foi que Inajacy, um dos noivos, se vê como mulher. Ele não quer viver como homem para seu amado, mas ele se considera mulher e crer piamente que um feitiço desfaria sua condição errada para a certa, completando assim sua felicidade.

“Preciso encontrar este homem que quebre meu encanto para me tornar mulher completa e ser uma pessoa; existir, quero existir, quero voltar a ser mulher. Já fui, me arrependo de ter sido e não ter percebido que era e agora quero voltar e não posso, não passo no teste, ó castigo.”

É importante lembrar que o contexto histórico em que o livro se passa é muito adequado para as situações narradas. Mais que um casamento homoafetivo, “Olho de boto” nos mostra como aquela sociedade vivia, conta seus “causos”, suas histórias, de maneira crua e direta. Conhecemos inúmeros personagens e fragmentos de seus cotidianos, com seus respectivos dramas e alegrias. É de uma riqueza incrível a experiência que Salomão Larêdo dá aos seus leitores através desse enredo.
Como comentei anteriormente, a narrativa é fora do padrão; Em 3ª pessoa, com uma linha atemporal e repleto de pequenos fragmentos de vários moradores de Inacha.

Em um vídeo de divulgação para "Olho de boto", Salomão Larêdo comenta que seu intento é que por meio do compartilhamento das experiências através dos seus textos, as pessoas possam entrar em contato não apenas com a realidade amazônica, mas com a realidade do ser humano no mundo. Do meu ponto de vista como leitora, essa intenção foi alcançada.
A editora Empíreo fez um trabalho maravilhoso com a edição do livro e toda sua produção foi realizada com primor e singularidade, desde o título do livro (quem assistiu o vídeo vai ter uma pista) a arte da capa (que vem de um projeto chamado “Fragmentos irrecuperáveis”, de Gabriel Dias) ... sinceramente, quero abraçar o trabalho incrível da editora.

“Olho de boto” é uma obra atemporal que relata um fato que aconteceu no passado com os olhos no futuro, dando ao leitor questionamentos relevantes sobre como vemos o outro, sobre como meu ponto de vista pode afetar de forma fatal e, claro, sobre o amor. Após seu lançamento recente, em maio, já foi alvo de participação de uma palestra sobre Homossexualismo na literatura, levando a temática vivida na Amazônia para novos horizontes.
Constelações para Salomão Larêdo!

PS: Vários links sobre o livro disponível no blog Garota Pai D'Égua.

site: http://www.garotapaidegua.com.br/2015/06/eu-li-olho-de-boto-salomao-laredo.html
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Camila TQR 22/01/2017

Ganhei este livro em um sorteio , onde tive a honra de conhecer o autor e ter meu livro autógrafado pelo mesmo.
Confesso que tentei ler e deixei de lado por achar confusa a estória.
Porém, ao começar a reler vi que o livro não conta apenas uma, mas várias estórias, que tem uma principal que é o casamento da Inaja e Inajacy -que são dois homens que desejam se casar.
Para aqueles que não são paraenses ou nortistas, vão achar uma linguagem bem complicada, visto que a estória é construída em cima de um fato ocorrido na cidade de Cametá no Pará.
A história de fato ocorreu na década de 60, que foi a realização de um casamento homossexual, que aconteceu, entretanto ocorreram alguns fatos não agradáveis - que o próprio autor conta só no final do livro - mas apesar desses fatos, o autor decide colocar a visao de outros personagens (muitos) sobre o ocorrido, e não só isso, ele faz brilhantemente a junção de fatos históricos da década de 60 com os dias atuais.
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><'',º> 07/12/2017

Salomão Larêdo ficciona a ventura e a aventura de dois homens que se apaixonam e fazem tudo para realizar o sonho de efetivar casamento e se processa no interior da Amazônia (Cametá), na década de 1960, em plena ditadura militar.

SALOMÃO LARÈDO
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