O Abolicionismo

O Abolicionismo Joaquim Nabuco




Resenhas - O Abolicionismo


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TalesVR 06/05/2019

Tão atual e tão antigo
Esse livro é curioso, é tão atual quanto consegue ser antigo. Por fim acaba sendo um documento importantíssimo para o estudo do abolicionismo, pela pena de Joaquim Nabuco, um dos principais nomes da causa no Brasil.

Atual porque ataca feridas que ainda estão expostas no Brasil: o abolicionismo só terá fim com a plena inserção do negro na sociedade brasileira, o que ainda não ocorreu de fato, passados 131 anos da abolição formal. Todas as supostas leis abolicionistas não passaram de falsidade e perversão do Estado brasileiro, principalmente se formos levar em consideração o abandono material do país aos negros pós-Lei Áurea. Enfim, na época que esse livro foi escrito tais eventos ainda não tinham acontecido.

Também é verdade que a escravidão degenera um país, e Nabuco exemplifica com casos brasileiros e norte-americanos como isso ocorre. Curioso é que ainda hoje o país vive na escravidão econômica da agricultura, impossibilitando o avanço industrial e tecnológico. O Brasil continua um país escravo, não mais de negros escravizados, mas dependente de um sistema semi-colonial que começou com o tráfico negreiro. São 500 anos de exportadores de matéria-prima barata e sem valor agregado, mão-de-obra barata e descartável.

Nabuco erra ao ignorar o preconceito de cor. Não é verdade o que ele diz que não há preconceito de cor no Brasil, existindo somente a distinção entre livre x escravo. Hoje em uma sociedade pós-escravista (pelo menos no papel) a cor estigmatiza parcela da população, que continua vitima do preconceito estrutural, herdeiro da escravidão. Outro ponto é que em suas palavras, embora ache sinceramente que ele tenha dito isso de boa-fé, encontra-se um protótipo da política de embranquecimento aplicado pela República. Se haveria extensa mão-de-obra disponível dos próprios ex-escravos, por que chamar europeus brancos para cultivar a terra? Inclusive é desse ''erro'' que o país colhe os frutos até hoje. Deixaram os negros sem assistência depois de 300 anos escravizados enquanto davam condições melhores para brancos assalariados, com o único intuito de branquear o Brasil.

Enfim, antes mesmo de Gilberto Freyre, Caio Prado Junior ou qualquer outro, Joaquim Nabuco estabeleceu um escrito sistematizado sobre o abolicionismo no Brasil, mais especificamente sobre a Lei do Ventre Livre, assinada em 1871, ao qual ele critica abertamente pela sua falha em promover a real abolição. Continua uma leitura interessante, embora deva-se ter certo cuidado pois, como foi abordado, algumas ideias já estão superadas, como é natural, já que se passaram 136 anos da escrita.
Khadija.Slemen 06/05/2019minha estante
ainda estamos nesses "sistema social" , em diferentes formas e em grandes variacoes. Nabuco publica cinco anos antes da aboliçao e parece que nao teve votos nas primeiras eleiçoes sobre a materia. Aqui no interior do estado do rio...ainda tem pessoas que vivem como se fossem escravos em terras do interior...vez ou outra tem denuncias mas os senhores das terras nao sao punidos.


TalesVR 06/05/2019minha estante
Sim, essa abolição foi muito ilusória :(. Nabuco inclusive saiu do Brasil desiludido com as derrotas que ele teve e publicou esse livro na Inglaterra. E o trabalho escravo infelizmente é muito atual, em todo o mundo. Uma praga que deve ser combatida.


Henrique.SchmAtz 24/06/2019minha estante
Podeira me explicar o capitulo 2 ? Fiquei em dúvida quando li.




Taís 22/12/2015

Livro maravilhoso, com textos muito esclarecidos e infelizmente ainda muito atuais. São fatos mostrados que nos fazem refletir no hoje e no quanto ainda vivemos esta fase de ignorância e preconceito. Estranho como ele já conseguiu prever que a escravidão nos traria consequencias futuras e marcaria toda a nação.
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Renata 08/06/2013

A escravidão impediu o progresso brasileiro
Joaquim Nabuco, diplomata brasileiro do Segundo Reinado, escreveu O Abolicionismo em 1883. Fiquei surpresa com a lucidez dele sobre os problemas que a escravidão gerava para o Brasil. Ele defende a abolição da escravatura, justificando que a escravidão impedia o desenvolvimento do país, além da vergonha social de ser o único país onde a escravidão ainda era legal e da questão humanitária. Ele usa os Estados Unidos como exemplo, que, após a independência e a abolição, viviam um grande período de progresso, pois, o homem livre e assalariado é mais produtivo que o escravo. Ele denuncia o interesse dos grandes proprietários de terra, que viam o escravo tão somente como mercadoria, e a covardia do Império de se impor sobre essa classe que o apoiava.
O livro só não é melhor porque o autor acaba se repetindo muito, mas é uma leitura muito interessante e obrigatória para quem quer entender melhor o Brasil.
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Bianca 19/01/2013


Este livro fala sobre as condições em que os escravos eram mantidos nas senzalas, as leis que até hoje muitas pessoas não sabem que existiram e que eram utilizadas para ilusão da sociedade e dos próprios escravos e de vários abolicionista que viveram na época de Joaquim Nabuco que também era um dos maiores e mais influentes abolicionistas.
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