Mar de pedras

Mar de pedras Daniel Barros




Resenhas - Mar de pedras


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Ana Paula 12/03/2018

O romance conta a história de Henry, um fotógrafo badalado que ganha a vida fazendo fotos de super modelos. O protagonista mora em um povoado de pescadores em Alagoas esquecido pelo mundo e pelo próprio prefeito, que só quer saber de fazer a vida na capital do estado e em Brasília. Esse povoado tem uma rua com mansões de pessoas abastadas que só vão para lá aos fins de semana ou durante as férias de verão. Apesar de ser de uma família rica e ter um bom retorno financeiro através de seu trabalho Henry é um homem simples e não abre mão de morar no povoado, escolha que nenhum dos seus vizinhos entende porque não há nada para se fazer por lá. Desde o início Daniel mostra como o fotógrafo, ao contrário do prefeito, se preocupa com o bem estar das pessoas que moram no povoado e está bem inserido na rotina da região.

As pessoas mais próximas dele são: Seu Antônio, Carolina, Lisbela, Padre Francisco e o delegado. Seu Antônio é um pescador simples e desde que o pai de Henry morreu cuida dele com muito apreço. Carolina é neta de Seu Antônio e é uma espécie de governanta de Henry, ela administra a despensa e a limpeza da casa. Os dois são tratados por Henry como pai e irmã e ele é muito grato aos dois pela forma como cuidaram dele durante todos esses anos. Lisbela é sua cachorra e amiga mais fiel. Padre Francisco é conhecido como sorriso azul porque está sempre disposto a ajudar a quem precisa e oferecer uma palavra de conforto. Seus discursos incitam pensamentos de igualdade e criticam o descaso e a desigualdade na região não agradam o prefeito, que o chama de comunista. Já o delegado é uma mistura de homem da lei com alguém que é subjugado pelos costumes locais de dar privilégios apenas a quem tem dinheiro.

Os quatro personagens retratam personalidades que são muito comuns no interior do Brasil, pessoas boas que vivem em função de uma família, pessoas que se contaminam com o status quo por medo de perderem posição social e pessoas que enxergam como o mundo é injusto e desigual e tentam fazer com que aqueles que são afetados saiam do comodismo e tomem as rédeas da própria vida sem abaixar a cabeça para mandos e desmandos. Se você já assistiu a alguma minissérie da Globo que retrata o interior do país com certeza já viu esses personagens com outros nomes e pode ter certeza que eles existem na vida real.

A cada página vamos conhecendo a rotina de Henry como fotógrafo e em casa até que ele conhece Francesca, uma modelo de 19 anos que mesmo sem perceber vai fazer com que Henry questione a sua forma de se relacionar com as pessoas. Por ser um homem solteiro e desimpedido ele é beeem mulherengo, mas não é extremamente machista e é respeitoso e cooperativo com as mulheres e todos a sua volta. Uma outra personagem marcante é Bruna, a mulher do prefeito que também retrata um perfil muito conhecido que abre mão da felicidade em favor do poder econômico e do prestígio.

O livro tem vários outros personagens interessantes, mas vou fazer mistério para vocês terem o gostinho de conhecê-los um a um e entenderem como eles se inserem na história e no perfil do brasileiro. O mais interessante da história é que apesar de trazer uma narrativa simples e sem grandes reviravoltas o texto é carregado de críticas ao patriarcado que domina a política brasileira. Além do descaso com a população também há críticas a forma como os políticos são eleitos. Como se a política fosse algo hereditário e não um mecanismo permanente de busca do bem estar social das pessoas de determinada localidade. No livro (e na vida real) não é necessário haver plano de governo, basta ser filho de alguém importante ou que já passou pela política local.

Mar de Pedras também denuncia o modo como esses políticos lidam com a concorrência, esmagando e aniquilando qualquer um antes que ganhe adeptos suficientes para serem uma ameaça. É um relato da realidade política brasileira, onde pessoas que passaram a vida morando fora da cidade são eleitas só porque tem sobrenome conhecido na política. Onde as pessoas se contentam com o descaso e agradecem as migalhas entregues como lembrança para que votem novamente no candidato na próxima eleição.

Sei que algumas pessoas se incomodam com a presença de cenas de sexo em livros, então devo alertar que esse romance contém sim alguns momentos bem picantes, mas eles estão completamente inseridos no contexto da história e auxiliam o leitor a compreender facetas da personalidade dos personagens envolvidos no ato. Ao todo são três cenas em um livro com 250 páginas, achei algo super normal por ser um livro adulto e também não acho que a presença do sexo o transforma em um livro erótico justamente porque o foco maior é nas relações humanas e políticas e não no ato sexual em si. É um romance que poder ser lido sem medo por qualquer um que goste de histórias de amor e também vai satisfazer aqueles que gostam de ler obras críticas.

Não é uma história pesada, mas está longe de ser apenas um romance de verão. As críticas são muito claras e mostram uma realidade que nem todos que vivem em capitais enxergam. Para mim, foi um ótimo começo e já não vejo a hora de ler Enterro sem Defunto, que promete entregar uma narrativa bem diferente da que eu conheci em Mar de Pedras, um livro muito bem escrito que você lê bem rapidinho graças a fluidez da história.

site: http://pontoparaler.com.br/critica-de-livro-mar-de-pedras/
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Laura 26/05/2017

Resenha: Mar de Pedras (completa no blog)
Através de meu julgamento da capa do livro eu esperei muito dele (com essa capa maravilhosa acho que qualquer um esperaria), e ele foi ainda melhor do que eu pensei que seria. O livro nos traz uma leitura gostosa, de fácil entendimento, uma leitura maravilhosa, que nos prende ao passar de cada palavra, e que retrata a vida de pessoas simples e nos mostra um pouco de como são o mundo e as pessoas à nossa volta.
Eu não conhecia o autor e suas obras antes de iniciar esse blog, conheci em minhas eternas pesquisas sobre autores nacionais e fico muito feliz e grata por tê-lo descoberto. Considero que foi uma dadiva ter tido a oportunidade de ler um livro tão maravilhoso, e que foi escrito por um autor que apesar de não ser tão conhecido parece ser alguém que tem muito a nos passar (isso pode ser percebido na entrevista maravilhosa que ele nos deu, veja aqui.) e que espero que faça muito sucesso. [...]

site: www.v3rsosdaalma.blogspot.com
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Larill || @vitlitbooks 06/09/2015

A narrativa se concentra nessa pequena cidade/ilha do interior que nos mostra como a política das cidades pequenas remete a mesma da República Velha, igual nos livros de escola, em que a hierarquia ainda reina na figura do prefeito, que vem de uma família rica que passa mais tempo na Capital do que na própria cidadezinha e que pouco se interessa pelas questões dos moradores locais. E é nesse descaso do prefeito que a população sempre acaba recorrendo a Henry e ao Padre Francisco.

A maioria dos moradores da região são pescadores e pessoas simples, mas de grande coração como Seu Antônio – velho pescador que viu Henry crescer e é um amigo de longa data -, sua neta Carolina, que toma conta da casa de Henry quando ele está fora da cidade.

Um livro narrado em terceira pessoa e que se concentra, principalmente, no ponto de vista do Henry e em um grande questionamento que surge na vida do personagem: ele está tendo um caso com uma mulher casada e apaixonada por outra mulher; essa questão faz o fotografo refletir bastante em alguns momentos do livro.

Os capítulos são curtos e isso facilita ainda mais o desenvolvimento da história que em certos momentos faz o leitor questionar o suposto envolvimento de Henry e Francesca e até mesmo a capacidade de Henry em lidar com seus sentimentos. As cenas de sexo não são vulgares, elas dão o tom certo na construção da trama, mas não são apropriadas para menores de idade. A diagramação é simples e boa, os erros de revisão são poucos e a leitura é muito fácil. O nome do livro faz todo o sentido quando se chega ao final da história e o leitor precisa mesmo chegar ao último capítulo para entender essa ligação.


site: http://vitlitbooks.blogspot.com.br/2017/03/resenha-de-mar-de-pedras.html
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Acad. Literária 09/08/2015

RESENHA - Mar de Pedras
Henry Melo, fotógrafo profissional, solteiro, boêmio e galanteador, divide seu tempo entre a ilha de pescadores no interior do Alagoas onde vive e as várias cidades para onde viaja a trabalho com relativa frequência. Sua profissão lhe permite conhecer muitas mulheres, belas e jovens modelos. Seu estilo de vida lhe proporciona relacionamentos baseados em atração física, sexo e casos de curta duração. E Henry leva a vida à sombra da amendoeira de seu quintal, regado a bebidas e embalado pelo som do mar que banha o vilarejo que tanto ama. Mas os caminhos da vida o levam a se envolver cada vez mais profundamente com os problemas e aflições daquele povo trabalhador e sofrido pelo qual sente afeição verdadeira. E enquanto se vê cada vez mais enredado pelos problemas e, consequentemente, pela política local, Henry se envolve com uma importante personalidade do vilarejo ao mesmo tempo em que, para sua própria surpresa, se descobre apaixonado por uma jovem modelo que acaba de conhecer.
Tórridos relacionamentos sexuais, uma pitada de romance e, sobretudo, política. Este é o mote de “Mar de Pedras”. O plano de fundo é um pacato e paradisíaco vilarejo de pescadores. E nele se desenrola uma história em que a “hereditariedade” do poder público, tão comum em pequenas cidadezinhas do interior, se apresenta como um dos grandes males que assolam o pacífico vilarejo. O jovem e questionável prefeito, membro de uma tradicional família de políticos, pouco se interessa pelas questões da vila de pescadores. Negligenciados por seu governante, o povo da vila recorre aos únicos com alguma condição de lhes atender: Padre Francisco e Henry. E a trama é construída em torno de Henry: seu trabalho; suas peripécias sexuais; seu relacionamento afetuoso com Seu Antônio, o velho pescador que o viu crescer, e sua neta Carolina, que cuida dos afazeres domésticos de sua casa; sua amizade sincera com Padre Francisco; seu carinho para com a cadela Lisbela; e seu empenho em ajudar o povo da vila. Há ainda uma questão que anda mexendo com a cabeça, o coração e os princípios do boêmio fotógrafo: Henry está tendo um caso com uma mulher (algo absolutamente trivial para ele) e está apaixonado por outra (algo espantosamente inédito para ele).
Narrada em 3ª pessoa, a trama se concentra em Henry, sendo a história contada a partir do ponto de vista do protagonista. Com capítulos curtos e narrativa ágil, o texto apresenta diálogos sucintos e precisos. Mas há longos trechos de texto em que não há diálogos, sendo o próprio narrador a apontar o que eventualmente teria sido dito pelos personagens – o chamado “discurso indireto” – e isso pode causar certa estranheza em alguns leitores. As descrições das cenas de sexo não recorrem à vulgaridade, mas é desaconselhável para menores de idade. A construção do protagonista é bastante detalhada e forte. É possível ter uma noção exata de quem é Henry Melo. Quanto aos demais personagens, somente Carolina recebe um tratamento semelhante, mas não igual. Foram poucos os erros de revisão perceptíveis. A formatação é simples e consistente com a proposta. A capa é muito bela. Devo confessar que demorei a entender a relação do nome da obra, “Mar de pedras”, com a história. Mas ao final do livro, o título faz todo o sentido. Só lendo pra ver. Aliás, o final é, até certo ponto, bastante previsível, mas é lindo e comovente.
“Mar de pedras” é a terceira obra de Daniel Barros, um alagoano que mora em Brasília desde o fim dos anos 1990. Engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal de Alagoas e pós-graduado em Segurança Pública, é policial civil há 17 anos. Como escritor, além de seus romances, tem participações em diversas coletâneas de contos em variados estilos, passando pelo erótico, terror e policial.
De leitura agradável e fluída, “Mar de pedras” faz uma crítica severa à maneira como é feita política nas cidades interioranas e às consequências disso para a população. Além disso, a obra mostra um homem acostumado a um estilo “solteiro pegador” de vida tendo que se redescobrir e se reinventar ao conhecer o amor. Em suma, “Mar de pedras” é um livro para quem aprecia uma literatura crítica e engajada sem abrir mão de uma história sobre o eterno embate entre o desejo carnal e o amor.

site: http://academialiterariadf.blogspot.com.br/2015/08/resenha-mar-de-pedras-daniel-barros.html
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