Crônica de Uma Morte Anunciada

Crônica de Uma Morte Anunciada Gabriel García Márquez




Resenhas - Crônica de uma morte anunciada


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Lennon.Lima 23/09/2017

Dinâmico, envolvente, enxuto. Leitura obrigatória de um fôlego só.
“'No dia em que o matariam, Santiago Nasar levantou-se às 5h30m da manhã'. Fatalidade, destino, o absurdo da existência humana. O que explica a tragédia que se abateu sobre o protagonista de Crônica de uma Morte Anunciada? Neste romance curto de construção perfeita, García Márquez monta um quebra-cabeça cujas peças vão se encaixando pouco a pouco, através da superposição das versões de testemunhas que estiveram próximas a Santiago Nasar no último dia de sua vida.”

“Em que e em quem acreditar? Como descartar a parcialidade das versões e 'o espelho quebrado da memória' dos envolvidos.”

Como conseguir prender a atenção do leitor revelando logo de cara que o protagonista morre no final por um crime que não cometeu? Reconstituído as horas antecessoras de sua morte revelando personagens e ambientação cativantes entremeadas por boas surpresas. Isso requer uma escrita ágil e envolvente que consiga fisgar a curiosidade do leitor em poucos parágrafos, pois a falta de conectividade instantânea pode provocar desmotivação em prosseguir com a leitura uma vez ciente das informações cruciais. Uma proposta ousada e por isso arriscada que deve contar com o espírito criador em estado de ebulição e um entusiasmo crescente conforme a espessura que se dá a obra para conferir segurança destemida em pôr em prática tal estrutura narrativa. Felizmente é o caso e o resultado é exitoso. Tenho essa convicção (sobre a intensidade do poder criativo do autor durante a escrita) por estar ciente de que a obra foi uma quebra de um longo hiato do consagrado escritor na sua produção literária. Ele tinha abandonado a profissão para se dedicar a outras atividades e surpreendeu a todos ao anunciar um novo romance. Certamente o acúmulo de anos inativo represando capacidade criadora tão extraordinária desenvolveu uma vontade irreprimível de se expressar artisticamente gerando essa maravilha do campo das letras.

A reconstituição do fatídico dia se dá na forma de uma apuração jornalística na qual colhe-se relatos de personagens que mantinham contato com a vítima. Tais relatos apresentam algumas imprecisões devido aos efeitos do tempo nas lembranças dos entrevistados e necessitam de habilidades dedutivas e comparativas, com a dos outros depoimentos, para uma descrição plausível dos últimos passos do protagonista.

Como mencionado, o sucesso do texto está vinculado a captura da atenção do leitor rapidamente e o estilo adotado da narrativa, sóbrio, sentenças curtas, por vezes coloquial, sem o apelo de grandes digressões, sem o uso de construções de frases complexas e de difícil absorção, é extremamente eficaz quanto a esse objetivo, no meu entender. O estilo também mantém coerência com a premissa de uma elaboração de um texto jornalístico já que tal perfil de texto segue as características mencionadas.

O autor demonstra uma técnica incrível ao aplicar um ritmo célere sem comprometer a profundidade exigida para se gerar envolvimento, empatia, e sem confundir o leitor com as diversas minúcias que traz sobre os tipos abordados e do vilarejo. É quase um organismo vivo que se engrandece instintivamente ao se nutrir do maná certeiro. Cada palavra, informação, detalhe uni-se ao volume consumido com uma espontaneidade assombrosa, como se não houvesse outro caminho a se trilhar, outro texto a se unir, outra lógica a se seguir. Estabelece-se uma trilha formidável composta por uma escrita precisa e saborosa cuja travessia até o seu desfecho é irresistível. Não é de se admirar percorrê-la em uma única leitura.

Outro aspecto que contribui para a leitura viciante é a sensação de constante urgência que elementos do roteiro traz desde o início da narrativa: descobre-se que a morte investigada poderia ser facilmente evitada, pois era pública, quase todos sabiam quando, onde, como e por quem seria executada, mas mesmo assim nada se fez. Passa-se o livro inteiro com a sensação de que bastaria encontrar a pessoa certa no momento certo para se evitar o mal e você passar a torcer por isso, mesmo já ciente do final trágico. Eis a maestria. Apesar de se revelar todos esses detalhes do enredo, isso não prejudica a experiência de leitura, pois é aquela velha história: não importa o final, mas, sim, a jornada. É interessante perceber os tipos de entraves que impedem de se transmitir uma notícia tão vital ao personagem, de como são sutis e plausíveis, e que tornam crível tamanho absurdo.

Apesar de se ter um protagonista não se trata de uma de estória que se prenda e dependa inteiramente de um personagem. Não é a estória que está a serviços dos personagens, mas o inverso. Santiago Nasar poderia ser qualquer pessoa que mesmo assim a crônica seria possível de se realizar sem alteração da proposta, no máximo com algumas variantes. Todos os indivíduos apresentados traz sua parcela de contribuição para se montar um mosaico sobre um microcosmo página após página mais ampliado e familiar.

É uma leitura saborosíssima que encanta pela simplicidade que somente os grandes trabalhos alcançam: de fácil assimilação, mas que gradualmente revela camadas complexas que surpreende o leitor ao se vê plenamente capaz de entendê-las quase sem se dar conta disso. O único defeito é que um lazer de pouquíssimas páginas.
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Marvin.Cross 26/08/2017

Fazia tempo que eu tinha esse livro, então me sinto feliz por ter parado de protelar a leitura dele (principalmente pq não tem sequer 200 pgs). Me senti mais envolvido com as primeiras 70, 80 páginas do que com as outras depois destas. Mas gostei dessa primeira experiência com Gabo, embora tenha tido expectativas maiores. Só espero deixar de protelar a leitura de Cem Anos de Solidão, rsrs.
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Zelinha.Rossi 13/08/2017

Só no universo literário de Gabo é possível uma morte que
1) é conhecida por praticamente todos os personagens
2) ninguém leva a sério embora seja anunciada pelos assassinos aos quatro cantos
3) os próprios assassinos tentam a todo custo evitar e serem impedidos por aqueles a quem anunciam
4) ninguém tem coragem de anunciar ao futuro assassinado
5) os únicos que tentam de fato impedir a morte são terrivelmente tapeados pelas ironias do destino
e o assassinato que é anunciado desde a primeira linha da história de fato acontece!
Hilário! Maravilhoso!

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naldho 31/07/2017

Por que deixar para depois o que se pode fazer agora?
O livro mostra como a procrastinação e a suposição de que o outro vai fazer aquilo que deveríamos fazer por compaixão,conhecimento ou mesmo obrigação, pode levar à consequências irreversíveis e até dolorosas. Um ótimo livro,com a escrita fácil e direta de García Márquez.
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Culto e Cultura 22/07/2017

Crônica de uma morte anunciada
Meu primeiro livro de Gabriel García Marquez não poderia ser melhor. Considerado uma ótima obra introdutória aos livros do escritor colombiano ganhador do prêmio Nobel e grande nome do realismo mágico, trata-se de uma obra curta mas marcante. As poucas páginas de uma escrita crua conseguem prender o leitor e não permitem que o livro seja largado antes do fim da estória. Retrata a morte mais anunciada possível do personagem Santiago Nassar, com as circunstâncias e dúvidas que a envolvem, a descrição realista da cena e do dia do crime e as memórias das diversas pessoas que sabiam o que iria acontecer mas na maioria dos casos não fizeram nada para impedir, as quais contribuíram com seus relatos e memórias para construir a narrativa contada por um amigo próximo de Santiago

site: https://www.instagram.com/cultocultura/
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Monique 22/07/2017

O Gabo é mesmo mestre em contar histórias e descrever memórias. A estrutura dessa narrativa é tão fantástica que mesmo conhecendo desde o princípio quem morreu, quem matou, como e por que isso aconteceu, fiquei presa até a última linha, querendo descobrir mais sobre o mistério que envolvia essa sociedade tão inerte diante de tal brutalidade. Depois da leitura, descobri que o Gabo se inspirou em um crime real, que aconteceu em Sucre, onde morou no até o inicio da década de 50, o que me fez compreender melhor o teor critico à sociedade colombiana, e seus valores, nessa época. Enfim, vale muito a pena ler e reler...
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Marker 21/07/2017

Ao anunciar a tragédia tão minuciosamente descrita ao longo desse pequeno volume logo em sua primeira linha, Gabo deixa claro o tipo de escritor que foi e segue sendo. Pouco interessado em suspenses simples e mistérios genéricos, neste Crônica ele toma emprestado certo sentimento kafkiano de estranheza e incompreensão das ferramentas dos homens e da lei para contar a história de Santiago Nasar e os motivos, ou sobretudo falta destes, para a sua trágica morte. Se fala sobre tradição e crime, mas é sobretudo uma investigação de ares jornalísticos que investiga as esquinas enevoadas da memória e amontoa diversos pontos de vista em busca de uma verdade que provavelmente não existe. Foda.
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Lucas Furlan - Valeu, Gutenberg! 28/06/2017

A morte de Santiago Nasar
Esse livro é mais uma prova do talento narrativo incomparável de Garcia Márquez. Logo na primeira frase do livro já sabemos que Santiago Nasar foi assassinado, mas o autor esmiúça esse crime com tanta exuberância que é impossível largar o livro.

A obra permite várias leituras: será que os homens são apenas egoístas ou são impotentes frente ao destino?

Leitura obrigatória!

(Leia a resenha completa no blog)

site: www.valeugutenberg.wordpress.com
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Drielly 10/06/2017

"No dia em que o matariam, Santiago Nasar levantou-se às 5h30 da manhã."

Aquele livro que desde a primeira frase você já sabe o desfecho, mas lê até o fim com coração apertado torcendo pro narrador ter se enganado e que o desfecho seja diferente.
Mesmo sabendo o que vai acontecer, não sabemos como nem por que. Fiquei tão envolvida na leitura que vai ser difícil tirar essa história da cabeça por um bom tempo, há muito que não favoritava um livro. A narrativa da morte de Santiago Nasar é muito bem construída e todas as pontas ficam amarradinhas no final do livro.

Leiam, leiam e leiam!


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Braguinha 05/06/2017

Obra menor de GGM
Uma obra menor do autor colombiano. Passa longe da genialidade de “Cem Anos De Solidão”.

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Thiago Fernan 30/05/2017

Esplêndido
Como assim, um livro que já começa contando o fim? Como assim, um livro curto com tantos detalhes de aspectos sociais e personagens profundos? Meu primeiro contato com Gabriel Garcia se revelou surpreendente. A atualidade reserva livros clichês e de escritas rasas, e isso acaba nos fazendo acostumados com literatura "trash". Ao me deparar com esse livro em especial, volto a ser lembrado de como a leitura, a literatura e as grandes obras podem ser fantásticas, bem escritas e servirem de alimento ao intelecto. A riqueza de detalhes em "Crônica de uma morte anunciada" impressiona, ainda mais quando o fim é prenunciado. Engraçado foi ter me visto torcendo para Santiago não ter morrido, mesmo não sabendo muito sobre ele, mesmo conhecendo seu destino. A cena final me fez revirar o estômago!

Esse é daqueles raros livros que, quando terminam, te fazem parar e refletir sobre tudo e sobre nada, com surpresa, com exasperação!
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Lorena Alhadeff 22/05/2017

"A fatalidade nos faz invisíveis..."
Meu primeiro Gabo, valeu a pena!!!
Livro excelente, história muito bem escrita. No início parece um pouco óbvio, pois desde as primeiras paginas sabemos o desfecho do livro. Mas Gabo surpreende com seu talento e nos mostra alguns antigos costumes, comidas, ditados e rotinas do Caribe e locais próximos. Mostra-nos, entre outros fatos, o machismo exacerbado da época, a desvalorização da mulher, além da violência tolerada para resolver questão de "honra". Vamos seguindo as opiniões e observações de seus personagens surreais, divertidos, trágicos e sofridos, passo a passo, até o derradeiro acontecimento envolvendo o a vítima (que não fica claro ser inocente ou não), Santiago Nasar.
Obs: no início deste livro, percebi algumas leves semelhanças de personagens e descrições com o livro Dois Irmãos, Milton Hatoum.?
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Bruna 14/05/2017

Como sempre, escrita maravilhosa e não consegui largar até terminar.
Achei muito genial os maiores mistérios do livro não serem os assassinos e nem o motivo do crime, e sim outros que vamos lendo ao desenrolar da história.
É uma história tão pequena e ainda assim te dá muito pra pensar. A valorização exacerbada da virgindade da mulher, a passividade das pessoas com relação aos crimes e muito mais.
Só tirei uma estrela pela falta de conexão emocional com os personagens (o autor nunca teve a intenção, ainda assim...)
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Firmino 30/04/2017

“nunca Houve morte mais anunciada” (pag.76)

Mataram Santiago Nasar. Esta é a noticia que o leitor recebe logo de cara no inicio do livro. Por que? Como? Por quem? As respostas são obtidas no decorrer do livro de uma forma que fica evidente a capacidade jornalística e o talento de Gabriel Garcia Marques que de uma forma magistral, da voz a um narrador personagem através do qual, expõe os fatos ocorridos recompondo-os “com tantos estilhaços dispersos, o espelho quebrado da memória” (pag 13)

Esta é a principal característica que torna essa obra tão magnífica: a forma que é narrado; a recomposição desses “estilhaços” que vão montando um quebra-cabeça, por via de testemunhos de alguns dos moradores do povoado e do próprio narrador, que, alem de nos revelar o que realmente aconteceu naquela segunda feira terrível nos proporciona um panorama da vida de Santiago Nasar e de seus achegados.

Lopes 02/05/2017minha estante
é muito bonito esse "anúncio".


Firmino 03/05/2017minha estante
sem dúvida, Lopes. Beleza única esse "anúncio"




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