Do Amor e Outros Demônios

Do Amor e Outros Demônios Gabriel García Márquez




Resenhas - Do Amor e Outros Demônios


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Renata CCS 05/03/2013

Às vezes atribuímos ao demônio certas coisas que não entendemos, sem cuidar que podem ser coisas que não entendemos de Deus. (página 120)
O AMOR E OUTROS DEMÔNIOS é o primeiro livro de Gabriel García Marques, que surgiu de uma reportagem de outubro de 1949, quando ele é enviado pelo seu jornal ao Convento de Santa Clara, onde antigos túmulos estavam a ser destruídos. De um deles saiu uma cabeleira cor de cobre de vinte e dois metros pertencente a uma jovem. Na lápide constava simplesmente o nome Sierva María de Todos los Àngeles, sem sobrenome nem pista de quem ela seria. O escritor lembrou de uma lenda que a avó lhe contava sobre uma marquesa de doze anos que foi mordida por um cão e que fazia milagres. E é a partir dessa lenda que sai este romance.

A história se passa em uma pequena cidade da América do Sul de colonização espanhola, época em que a Igreja Católica impunha suas crenças e tudo o que não estava de acordo com seus princípios era considerado bruxaria ou adoração ao demônio. É lá que encontramos Sierva María, filha única, resultado de um casamento de interesses, nascida de 7 meses e desenganada pela parteira, a garota que já teve um início de vida complicado foi rejeitada pela mãe, ignorada pelo pai e criada junto aos escravos. Um dia, aos 12 anos de idade, andando pela feira com uma das escravas de sua casa, Sierva María é mordida por um cão raivoso e é então que tem início sua trágica sina. Dias depois Sierva María começa a delirar, apresenta um comportamento estranho e conta mentiras compulsivas, então acredita-se que, por decorrência da mordida, ela tenha adquirido raiva. O médico recomenda que ela seja mandada para algum lugar isolado, já que a doença não tem cura. Desesperado, o pai começa a utilizar todo tipo de benzedura e ungüento para tentar salvar a filha, o que acaba piorando os delírios. Embora estivesse afastado da igreja há anos, ele procura o bispo em busca de ajuda, por não saber mais a quem recorrer. Para a igreja, o caso da menina só poderia ser obra do demônio. O bispo então é claro e irredutível em sua decisão: internar Sierva María no Convento de Santa Clara para iniciar o exorcismo.

O livro descreve muito bem o perfil de um país colonizado, com suas misturas de crenças africanas com o catolicismo. O autor é bastante crítico com a intolerância e preconceito da igreja católica, que condena tudo o que não consegue explicar. Tudo o que acontece de diferente no convento (até mesmo um eclipse) passa a ser culpa de Sierva María e do demônio que a possuiu. O fato da menina ter sido criada junto aos escravos e falar várias línguas africanas somente confirmava o diagnóstico da igreja de que ela estava possuída. Para o padre Cayetano, responsável pelo exorcismo da garota, tudo era questão de dar poder demais ao diabo. E ao duvidar da possessão e ter contato direto com Sierva María, o padre enfrenta algo muito mais difícil de lidar do que demônios: o amor.

O texto é carregado de sentimento e sensibilidade, um romance alucinado, com a mistura inusitada e muito bem balanceada de realismo fantástico, ingredientes ordinários e poesia, características sempre presente nas obras de García Marques. Para mim, ele é belo e triste, e ficou marcado como um livro que fala sobre o amor e a necessidade que todos temos dele. O livro é genial, mais que recomendado!
Regente Deo 11/03/2013minha estante
Poucos são os autores que possuem a capacidade para, através de fábulas como esta, alçar temas ricos para reflexão humana, sem cair no vulgar. A propósito, é uma bela resenha: simples e instigante.


Renata CCS 12/03/2013minha estante
Olá João, obrigada pelo comentário. Realmente GGM é um escritor único, de quem sou grande fã. Um abraço.


Nanci 26/10/2013minha estante
Renata:

Foi García Márquez que transformou minha visão pela literatura; por culpa dele me viciei em livros, na adolescência e não pretendo me curar.

Por outro lado, e em que pese meu enorme apreço por seus contos (os romances são igualmente inesquecíveis), não consegui resenhar seus livros.

Sua resenha é ótima. Parabéns.

Beijo, da Nanci.


Renata CCS 28/10/2013minha estante
Obrigada pelo gentil comentário, Nanci. García Márquez é um dos meus escritores preferidos tb, e é muito difícil tecer qq comentários sobre suas obras. Mas acho que sou movida pela paixão por seus livros e tento passar um pouquinho disso qd escrevo.
abraços!


Elwing 30/04/2014minha estante
Resenha perfeita, parabéns! =)


Gabriella.Cardoso 26/01/2017minha estante
Foi o primeiro livro do Gabo que caiu na minha mão e eu achei que todo esse intróito da reportagem e da lenda que a avó contou era uma invenção só para fisgar o leitor. E mesmo pensando assim, ele me fisgou direitinho.

Mais tarde também li "Amor nos tempos do cólera" e parece que é recorrente na obra dele essa relação entre amor e doença. Cólera... raiva... Ele era um gênio.




Adelson 01/07/2012

O mestre da solidão.
Gabriel Garcia Marques é o melhor escritor entre todos os escritores vivos. Para compará-lo com alguém do ramo, precisaríamos escanear a história desde o primeiro indivíduo que rabiscou um monólito de caverna, passando pela primeira digital impressa, até os tempos modernos de farta escrita. Aos que duvidarem, deixamos o desafio de escrever por ofício, visto que esta experiência, em si, levará à compreensão da magia literária de Garcia Marques.

No presente caso, Do Amor e Outros Demônios, temos uma história, em tese, simples e monótona, manuseada por um artista da palavra que a enriquece com uma textualidade ímpar.

Existem escritores e contadores de história. Entre os escritores, por exemplo, estão os poetas e entre os contadores as vovós. O contador é do texto, o escritor da palavra. Gabriel Garcia Marques é dos poucos que estão enquadrados nos dois casos. Sabe narrar e embelezar as suas histórias com construções poéticas e sacadas frasais estupendas, que nos deixam de boca aberta.

Há frases, parágrafos e construções textuais nos livros de Garcia Marques que somente ele, com seu talento, consegue fazer. Este Colombiano possui um dom natural para criar arranjos soberbos, que nós, particularmente, somente vimos, até hoje, em Dom Quixote e em alguns textos de Machado de Assis.

Aos que leem por lazer, o caminho é outro. Do Amor e Outros Demônios é para ser degustado e não apenas lido. Não veio para vitrinas, ampliar acervos ou substanciar a função social da literatura, mas para tatuar a escrita artística.

É um livro que pode ou não agradar, dependo do gosto literário do leitor e da pujança do Gabriel narrador. Para quem escreve é um manual amorfo, um amuleto, fonte de inspiração e humildade. Um objetivo inatingível a quase tudo, até porque, além do escritor, o sonho chega a qualquer nível.
Renata CCS 06/03/2013minha estante
Adoro Gabriel García Marques e seu estilo único. Adorei este livro e gostei muito de sua resenha.


Adelson 06/03/2013minha estante
Obrigado, Renata CCS. Você não é BBB, mas espio, suas resenhas, também. Já lhe disse isso.
Não me via lido por aqui. Vou escrever outras, depois deste tapinha no ego.
Tudo que escrevemos nos apresenta. Vale mais que roupa nova de shops. heheheh




Anderson 06/08/2015

Dizer que as histórias do Gabo são lindas me parece redundante. Mas não há outro adjetivo pra elas: são absolutamente lindas!

Brincando com as crenças africanas e a religiosidade, usando como plano de fundo uma Colômbia ainda colônia, o autor nos conta a história de amor entre uma menina e um clérigo.

O tom de fantasia, aquele realismo mágico, perpassa toda obra com uma delicadeza que poucos escritores conseguem. A leveza com que se conta cada fato, cada história, o tom de conversa que é usado, nos faz sonhar com aqueles personagens e com aquelas passagens.

De proibidos amores e incontáveis demônios Gabo nos brinda com uma bela novela de paixão e entrega.
Morgana 07/08/2015minha estante




Aline Memória 03/11/2010

"Confessou que não passava um instante sem pensar nela, que tudo o que bebia e comia tinha gosto dela, que a vida era ela a toda hora e em toda parte, como só Deus tinha o direito e o poder de ser, e que o gozo supremo de seu coração seria morrer com ela."

Essa é a declaração do padre Cayetano à Sierva María, menina de 12 anos tido como possuída. É ou não é covardia do Garcia Marquez retratar a relação deles assim, de uma forma tão bonita? Porque se fosse em qualquer outra situação, eu nem esperaria para julgar, acharia inadmissível uma relação entre um padre de 36 anos e uma menina de 12. Mas lendo o livro eu não só não senti nojo nem repulsa a eles juntos (o que seria o normal), mas cheguei a torcer por eles em certo momento. O motivo disso? A belíssima narrativa de Gabriel Garcia Marquez, e só por ela o livro já merece cinco estrelinhas.

Mas não é só pela sua narrativa que me encantei pelo livro, como também pela história, que se passa na Colômbia do período colonial, em uma cidadezinha que é como se fosse duas cidades em uma: quando os navios negreiros estão lá, há festas e danças; mas quando os navios se vão levam junto a alegria da cidade, que vira uma sombra do que é no resto do ano. Lá, convivem juntos o catolicismo (mais exaltado do que no Brasil devido à colonização espanhola) e as crenças e religiões africanas dos negros escravos. É exatamente nesse contexto em que é criada Sierva María, filha de pais ausentes que relegaram sua educação aos escravos. Por isso, a menina fala diferentes línguas africanas, pratica alguns rituais de macumba, enfim, é mais acostumada à cultura negra do que à branca. Um dia, é mordida por um cachorro e daí surge a dúvida que em nenhum momento o autor deixa claro: ela pegou a doença raiva?

Essa mordida do cachorro é o que muda toda a história. A partir daí, o que seria uma simples mordida, muda todo o curso da narrativa: seus hábitos incomuns provenientes da cultura negra em que foi criada e os supostos sintomas da raiva se mesclam num contexto da Inquisição e começam a pensar que a menina está possuída. A possível raiva que ela pegou também provoca uma mudança em seu pai, que percebe como estava agindo mal com a filha até o momento, e tenta se redimir de 12 anos em pouco tempo. O marquês foi um dos meus personagens favoritos exatamente por causa dessa mudança quase epifânica, que levantou até certos valores morais nele.

Aliás, todos os personagens da história mereceriam destaque na resenha: sua mãe Bernarda, Dulce Olivia, Martina, o bispo, Abrenuncio... realmente, não há um personagem que não tenha algo de especial, algo de excêntrico que enriquece a história - outro ponto para Garcia Marquez, junto com as descrições do ambiente que me transportaram ao cenário colonial.

A partir do momento em que se pensa que Sierva María está possuída e ela é transportada ao convento, inicia-se outra parte da história, e é aí que o padre Cayetano nos é apresentado. A ele é incumbida a missão de exorcizá-la, mas à medida em que surge no padre a dúvida se ela está de fato possuída, ele se apaixona por ela.

O resto não vou dizer para não estragar a surpresa, mas recomendo o livro, que foi meu primeiro contato com Garcia Marquez, e posso dizer que já estão procurando outros livros dele.
Evelyn Ruani 10/10/2011minha estante
Aline, parabéns pela belíssima resenha!
Adoro ler essas resenhas passionais. Estou lendo esse livro e estou encantada também com a narrativa de Marquez, embora eu já a conhecesse por ter lido 100 anos de solidão, O amor nos tempos do Cólera e Crônica de uma morte Anunciada! Você deve mesmo procurar outros livros do Marquez pra ler, você vai gostar :)
Abraço!




Ana Paula 23/06/2016

Loucura ou sobriedade
Ao terminar esse livro fiquei muito pensativa... Gostei ou não gostei?
Confesso que metade dele me choca e a outra me encanta.
Natalie 14/12/2016minha estante
Ana Paula, senti algo semelhante quando li Cem Anos de Solidão. Não sabia se tinha gostado ou não. Mas já me decidi. Não gostei. Ainda assim, pretendo dar nova chance ao autor.




Li 16/10/2011

DESAFIO LITERÁRIO 2011 - OUTUBRO - NOBEL DE LITERATURA *LIVRO 3*
Sinopse: Jovem marquesa supostamente possuída por demônios envolve-se com o padre espanhol encarregado de exorcizá-la. O ponto de partida do romance é uma reportagem que o então novato jornalista Gabriel García Márquez foi encarregado de fazer na Bogotá de 1949.

Escolhi o livro depois de fazer muita “pesquisa de campo”! Muita gente que perguntei apontou esse como o melhor dos que eu estava interessada em ler DE Gabo (já li os melhores dele), então segui a opinião do pessoal, vamos ver se acerto! E outra, a sinopse me fez lembrar muito de uma crônica de João Ubaldo Ribeiro em “Arte e ciência de roubar galinha”!

Bom, a temática é mais ou menos a mesma da crônica, mas o tom é bem diferente. O livro é interessante, fala de relacionamentos, de culturas, religiões e seus preconceitos e da luta entre as verdades impostas e as pessoais... Não é o suprasumo como “Cem Anos de Solidão”, mas é bom de ler, e mostra como qualquer coisa pode dar material para uma boa história se a pessoa tiver talento e criatividade!
A base do livro foi uma ossada de menina encontrada quando se esvaziava as criptas de um antigo convento para transformá-lo num hotel. A ossada tinha um cabelo ruivo que media 22 metros!
“(...) Já a mim não pareceu tão trivial, porque minha avó me contava em menino a lenda de uma marquesinha de doze anos cuja cabeleira se arrastava como a cauda de um vestido de noiva, que morreu de raiva causada pela mordida de um cachorro, e que era venerada no Caribe por seus muitos milagres. A ideia de que aquele túmulo pudesse ser dela foi a minha notícia do dia, e a origem deste livro.”

Eu estava com muitas saudades de Gabo e acho que me dei bem em seguir o conselho do pessoal. Dos três livros “oficiais” para este mês, com certeza foi o que mais gostei de ler, talvez por já estar familiarizada com o estilo do autor, ou porque gosto de realismo fantástico.


*http://desafioliterariobyrg.blogspot.com/*
Viquinha 30/10/2011minha estante
Será que existe possibilidade de não se gostar de um livro do Gabo?...suas histórias são apaixonantes.




Normanda 24/04/2009

"Do amor e outros demônios" foi o primeiro livro de Marquez que li. Da mesma forma que Gabriel se interessou pelo crescimento dos cabelos de Sierva Maria, eu também fiquei louca pra saber o que e porque que isso acontecia, afinal, a menina já estava morta.

Esse livro me fez lembrar Rapunzel, só que sem a tolerância e amor do livro infantil. No livro, Maria busca desesperadamente o amor das pessoas. Num sei porque mas sempre que leio Garcia Marquez me vem a mente Pablo Picaso.
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Wendell.Vita 26/01/2019

Interessante
Quando visitei Cartagena de Indias, conheci o @sofitelcartagena. Um lindo hotel construido com partes de convento de 1621. Ao saber que Gabriel Garcia Marquez havia escrito um livro cuja história passava ali interessei prontamente. Gabo era um jovem repórter quando foi escalado para cobrir o fato de que um convento iria ser demolido para a construção de um hotel de luxo. Quando o autor estava acompanhado as escavações viu uma sepultura de onde saia uma grande cabeleira, mesmo apos seculos. Imediatamente Gabo lembrou de uma lenda contada por sua avó de que havia uma marquesa de longos cabelos que morrera. Assim surge toda atmosfera do livro. Em uma Colômbia colonial aterrorizada pela epidemia de raiva, conhecemos Sierva Maria uma menina de 10 anos, nascida em uma familia rica porem sem o carinho merecido, principalmente da sua mae, assim ela é criada pelos escravos. Sierva sofre uma mordida de cao e tenta esconder mas a verdade vem a tona e ela é levada ao convento santa clara para que se trate. Já sobre os cuidados das freiras Sierva comeca a ter alteração do comportamento, fica agressiva, com alucinações e todos acham que ela está possuída pelo capiroto. Para deixar mais real, Sierva fala Iorubá, a linguagem dos africanos. O que Gabo vai fazer é criar uma atmosfera enigmática que faz com que o leitor ora ache verdade, ora mentira os fatos ali narrados. Aqui você terá reflexões sobre escravidão, doutrinação religiosa, crenças populares. Terá também uma discussão sobre amor. Será que existe alguma regra para amar alguém? Um livro simples, curto, mas que pode ajudar para quem quer se envolver em outras obras mais famosas do autor. Para mim foi legal ler o livro e lembrar do hotel e imaginar toda a história passando ali. Quase vi Sierva Maria andado nos corredores ou sentada em um dos bancos do jardim principal
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JJ 03/01/2016

Do amor, da loucura e de outros demônios (Do amor e outros demônios, Gabriel Garcia Marquez)
Sierva María de Todos los Ángeles nasceu de sete meses. Se sobreviveu, o fez por milagre - ou obra contrária. Fruto do ódio recíproco dos pais, elite colonial, tal como os cristãos novos ou os burgueses, a menina foi criada em meio aos escravos da casa, sob a proteção da negra Dominga de Adviento. Como a morte dessa e a crescente recusa mútua de seus pais, Sierva María passou a ser notada enquanto um membro da casa que requeria cuidados.
Após ser mordida por um cão raivoso, sob a suspeita de ter ela adquirido a doença, a menina passa aos cuidados do pai que, como para compensar os anos anteriores, faz de tudo o possível para mantê-la bem.
Depois de uma conversa com o bispo, seu pai decide interná-la num convento de freiras sob o pretexto de que a menina estivesse endemoniada.
O mesmo bispo que convenceu o pai a respeito de tal diagnóstico, lega ao seu braço direito, Cayetano de Laura, a tarefa de cuidar e guiar a menina. Mas as coisas começam a seguir um rumo não previsto pela Igreja…

Gabriel Garcia Marquez teve a ideia para escrever esse romance depois de ser designado para uma cobertura jornalística da abertura das lápides do antigo convento de Santa Clara. Genial como de costume, o autor nos brinda com uma bela história de amor.
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Guilherme Olímpio 02/10/2018

Narrativa e mito
Infelizmente tive que acompanhar o livro como audiobook e isso, talvez, tenha atrapalhado um pouco da minha experiência de leitura do Gabo. Mas não o "demonizarei" por um erro meu. Mesmo com esse deslize, adorei a escrita do Gabo. Foi meu primeiro livro dele e, apesar de achar a leitura pesada e difícil em certos momentos, consegui me deliciar no seu realismo fantástico, num certo lirismo e "romantismo" que sombra "Do amor e outros demônios".

É um livro para se refletir sobre a história, lendas, mitos, ética etc. E vale muito a pena sua discussão, que pode muito bem começar com: "O que são os 'outros demônios'?"

Depois de ter lido, tenho muita vontade de acompanhar outras obras e corrigir meus erros "literários".
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Diógenes - Estr 23/11/2013

O real e o Imaginário
Do amor e outros demônios, livro de 1994 do premiado escritor Gabriel García Márquez, obra de leitura fácil e cativante, o enredo tem como cenário uma pequena cidade portuária do período colonial da Colômbia. Toda a história se desenrola a partir da pequena Sirva Maria que certo dia é mordida por um cão raivoso. Diante da iminência dos sintomas da raiva, seu pai, o Marquês, é pressionado a interná-la na ala de um convento conhecida como ala das enterradas vivas. O livro mescla a incerteza de uma doença com a possibilidade da possessão diabólica indicada pelo bispo local. O realismo mágico, marca registrada do autor, é percebido de forma nítida na composição das personagens, que carregam elementos fantásticos como parte integrante da sua natureza. A fantasia e o mágico são percebidos de forma muito sutil, sem ultrapassar de forma grotesca a linha tênue que separa o real do imaginário.
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Angélica Roz 01/12/2012

Instigante!
Nossa, como é bom ler um livro bem escrito! Gente, o colombiano realmente é o cara!

Quando iniciei a leitura pensei “será que vou ter paciência para chegar ao fim?” e, então, algo muito misterioso aconteceu. Grudei-me no livro! Não consegui largá-lo nem para ir ao banheiro! Sério mesmo!
Comecei a leitura em uma noite e na tarde do dia seguinte já havia terminado.

O ponto de partida da história é o próprio Gabriel García Márquez que, em 1949, participa de uma reportagem sobre a remoção das criptas funerárias do convento histórico Santa Clara.
O convento havia sido convertido em hospital e, agora, estava sendo vendido para construírem um hotel cinco estrelas no local.

Gabriel Gárcia Márquez fica impressionado quando, ao primeiro golpe da picareta, em uma das criptas, uma cabeleira viva, de cor cobre intensa, se espalha para fora. Ficando ali dentro do túmulo apenas uns ossinhos miúdos e dispersos.
Essa cripta pertencia a uma menina, que possuía apenas um nome, sem sobrenomes - Sierva Maria de Todos los Ángeles.
Estendida ao chão, ficou a cabeleira, presa ao crânio, que media vinte e dois metros e onze centímetros.
Essa imensa cabeleira faz Márquez se lembrar das lendas narradas pela sua avó materna, em que havia uma marquesinha, venerada no Caribe por seus milagres, que acabou morrendo de raiva devido à mordida de um cachorro.

Essa marquesinha possuía uma “cabeleira que se arrastava como a cauda de um vestido de noiva”. Então será que a marquesinha ali enterrada seria a mesma da sua infância?
A ideia de que aquela cripta pudesse ser a dela, fez com que o livro De Amor e Outros Demônios fosse originado.

Então é assim que começa a história de Sierva Maria de Todos los Ángeles, uma menina de 12 anos que, enquanto acompanhava a escrava da família ao mercado público, foi mordida por um cão raivoso.

A partir do ocorrido, todos passam a acreditar que a menina está contaminada. Então começam inúmeras e inusitadas tentativas de curá-la.
A menina é levada ao médico, a curandeiros e, por último, é colocada em um convento para passar por um exorcismo. Pois, depois de inúmeras tentativas de curá-la e de mudar o seu comportamento estranho, chegam à conclusão de que a menina não está somente com raiva, mas, sim, dominada pelo demônio.

Enquanto a história vai acontecendo, você vai conhecendo as pessoas que cercam essa menina e o porquê de ela ter comportamentos um tanto estranhos perante os olhos da sociedade.

Os seus pais são pessoas peculiares. Eles não tinham contato algum com a filha e, por isso, não sentiam nenhum carinho por ela. A mãe da menina nunca a quis, então ela foi criada pelos escravos da fazenda.
Mas não é só isso! Os seus pais possuem muita história. Conforme você vai virando as páginas do livro, vai montando um quebra-cabeça extraordinário.
Todos os personagens possuem algo bizarro e é justamente isso que os tornam tão reais. Não são pessoas idealizadas como acontece na maior parte dos livros, são pessoas que erraram muito e que, por diversas vezes, sentem-se perdidas e frustradas sem saber que rumo dar às suas vidas.

Quando a menina é levada para o convento, para o posterior exorcismo, passa a ter contato com um padre que acredita que ela não está possuída. Ele crê que aquilo é um grande mal entendido e tenta fazer de tudo para liberar essa menina do cárcere que está sofrendo no convento.
Mas o problema é que, conforme ele vai convivendo com a menina, vai apaixonando-se por ela. E, a partir daí, só você lendo para saber o que irá acontecer... ;)

Enfim, o livro aborda as relações humanas de todas as formas e aborda momentos doloridos da nossa história, como a Inquisição e a Escravidão.
Acredito que nenhuma resenha consegue passar tudo o que o livro transmite, pois realmente o autor consegue nos tocar durante a narrativa.

Então, se você está com vontade de ler um livro de grande qualidade e que seja uma leitura rápida, está aí uma bela dica! Super indico!
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BáCamargo 17/03/2010

Do Amor e Outros Demônios...
Só mesmo Gabriel Garcia Marquez para contar uma história tão pequena e ao mesmo tempo tão profunda e impossível de esquecer.
Com este livro é possível aprender que todos temos demônios dentro de nós(nossos defeitos, mágoas,ódios...), o amor acontece não quando conseguimos eliminá-los do outro, mas justamente quando estamos dispostos a enfrentá-los dia após dia porque no fundo sabemos que o amor é o melhor dos exorcistas.
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Karla 26/09/2010

Como todos os livros do G.Garcia Marquez, adorei esse! Devorei, na viajem de volta da Cidade do México!! A leitura envolvente me fez 'teletransportar' pra dentro da historia.
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Anna 02/06/2014

A coisa mais linda e maravilhosa que eu li esse ano.
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