A Cor Púrpura

A Cor Púrpura Alice Walker




Resenhas - A Cor Púrpura


191 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |


Nanase 15/09/2009

Um dos melhores que eu já, em toda a minha vida. Sério. A história é tão palpável, e é tudo tão bonito, e tão doloroso ao mesmo tempo! É uma denúncia das mais cruéis, principalmente para quem, como eu, jamais tinha parado para pensar nas vidas de mulheres como a Celie. E a premissa da história é tão simples e ao mesmo tempo tão GENIAL - digo, desabafar escrevendo para Deus, cara, como assim? E como isso jamais tinha me ocorrido antes? Tão simples, e tão brilhante!

E por falar na Celie... Ah, a Celie. Aliás, ah, os personagens desse livro. Um enredo tão fantástico que é capaz de te fazer simpatizar com TODOS os personagens, sem exceção - e são personagens tão humanos, tão cheios de defeitos, alguns até mesmo com atitudes desprezíveis! E ainda assim é impossível não adorá-los, cada um, com suas particularidades e detalhes. A Celie, que começa a história tão apagada, reprimida por todos os lados, analfabeta, ignorante e covarde - e com o passar da história, apenas, você se dá conta de quão FORTE e da pessoa incrível que ela é, e isso de um jeito tão natural! A Docí, que acaba exercendo sobre o leitor o mesmo fascínio que exerce sobre todos os outros do livro - você se apaixona por ela junto com a Celie, é inevitável. O Albert, e a maneira como ele é totalmente detestável e risível como ser humano, e o jeito como ele evolui e acaba fazendo com que você o perdoe no decorrer da história. O contraste de como ele é cruel com a Celie e frágil com relação à Docí e ao próprio pai. E, por falar em pai... O Harpo, cara, o Harpo! O jeito como ele procura seguir todas as expectativas do Albert e tratar as mulheres do mesmo modo estúpido como ele as trata - e quando ele acaba se apaixonando logo pela Sophie, que NÃO é desse jeito, o conflito perceptível que ele sofre é de dar pena, mesmo que acabe tomando as atitudes erradas.

Aliás, já que mencionei o romance do Harpo e da Sophie, que fique registrado que acho que NUNCA vi um livro tratar melhor de amor do que este. Sério, é um jeito tão realista, tão triste, e tão, tão bonito. O Harpo e a Sophie quebraram meu coração o livro inteiro. A Celie e a Docí, na cena em que Docí a deixa, mano, eu chorei feito um bebê. E o Adam e a Tashi, ah, cara, como eu CHOREI com o que ele fez por ela. Foi uma das coisas mais lindas que eu já vi.

E o final, mano. A maneira como a autora consegue criar uma história tão irremediavelmente triste, com tantos conflitos envolvidos, dar um final feliz e mesmo assim não ficar forçado, ah! Amo, amo, amo. Um dos meus livros favoritos, para sempre (L).
Cidinha 28/07/2010minha estante
Que bom que você gostou de ler esse livro,pois lendo as suas outras resenhas fiquei um pouco confusa, será que é necessário ser tão crítica e tão radical, sem pelo menos analisar que mesmos não gostando de certas obras, a mesma têm um certo valor?!


Hester 24/12/2011minha estante
Sua resenha é simplesmente fantástica


Leo 03/03/2012minha estante
Olá! Você foi perfeito na sua resenha. Escreveu tudo que eu gostaria de ter escrito. Este é um dos livros que mais gostei. Comecei a leitura e não queria parar!!!LINDO.Parabéns!


Viviane @resenhasdaviviane 22/03/2018minha estante
Estou lendo esse livro agora e pensando a mesma coisa que você, ainda estou na metade do livro e me sentindo apaixonada por cada personagem.




Renata CCS 22/01/2013

A cor pura da alma
A COR PÚRPURA é um livro simples, mas apesar disso, bastante complexo, comovente e pensante. A narrativa se passa na Geórgia com início de 1909 e conta a história de Celie, negra e semianalfabeta. Aos 14 anos foi violentada pelo próprio pai, é mãe de um filho que não pôde criar e dada em casamento a um homem que não ama e a trata como escrava. Ela passa a vida longe de todos por quem nutre uma afeição verdadeira. Cada vez mais triste e solitária, Celie passa a escrever cartas, primeiramente para Deus, depois passa a trocar cartas com sua querida irmã Nettie, que acabou se tornando uma missionária na África. Os capítulos (que na verdade são as cartas de Celie) são curtos, mas cheios de relatos de dor e solidão. A impressão é que até certo ponto da trama nós estamos lendo o diário da protagonista. Conforme a trama se desenvolve, Celie revela seu espírito brilhante, ganhando consciência do seu valor, coisa na qual ela não era capaz de enxergar, pois sempre se considerou feia e burra, uma pobre coitada. O livro é inestimável não pela narrativa de um modo geral, é porque ele nos comove, nos faz refletir sobre o valor da família e da liberdade, e merece ser contemplado. Indico a todos que gostam de enredo que falam de sentimentos capazes de gerar reflexões. Recomendo também o filme: uma das poucas adaptações de livro que assisti e vale a pena ser visto.
06/02/2013minha estante
Voce me fez querer agora ler o livro.Adorei o filme, muito triste e mais forte, só que já faz tempo.bjos!


Renata CCS 07/02/2013minha estante
Oi Sú, leia sim! Vale muito a pena! bjs.




Mariana Cardoso 17/06/2011

Sim, é doloroso. Muito. A Cor Púrpura não é o tipo de obra simples e leve que se lê ao acordar, mas um livro tão carregado de sentimentos e realismo que é quase possível tocar em cada personagem e respirar a atmosfera ao redor deles.
Celie, em suas cartas à Deus, destrincha tudo o que acontece em sua vida: os abusos frequentes por parte do "pai", o casamento mórbido com Sinhô, o amor por sua irmã, Nettie, as desavenças com os filhos do marido, a atração por Doci Avery.
Os personagens são únicos. Tão marcantes a ponto de se tornarem uma memória, como pessoas que você acredita ter mesmo conhecido - me encantei por Sofia.
O romance epistolar de Walker, que conduz à preconceituosa Geórgia de 1909, possui outra - dentre as muitas - característica fantástica: a passagem do tempo. Durante a leitura, anos se vão como segundos. E quando menos se espera, a garotinha de quatorze anos já tem décadas e décadas de vida. Um mero detalhe, em meio a todos os outros elogios que cabem aqui.
Creio não ter encontrado ainda o termo exato para descrever esse - maravilhoso, único, indescritível - livro.
Alessandra 17/06/2011minha estante
Mari, vc tem 14 anos mesmo? Que coisa garota, você tem uma escrita e um vocabulário sublimes. A forma cheia de sensibilidade e maturidade com que você compreende a obra e consegui transmitir na sua escrita é admirável, principalmente pela sua idade. Já vi o filme desse livro e quando vc marcou como lido aproveitei e marquei logo como 'vou ler'. Parabéns pela resenha, com certeza vou ler esse livro.


Mariana Cardoso 18/06/2011minha estante
Obrigada, Alessandra! :D
A Cor Púrpura é um livro inspirador e único, vale cada minuto de leitura. Você não vai decepcionar.




Doni 20/08/2014

Uma saga em busca da felicidade...
Simples de ler, dramático com pitadas de humor e inocência alheia, essas são algumas das características que definem o romance de Alice Walker, que ganhou o prêmio Prêmio Pulitzer em 1983.
O livro é narrado totalmente em primeira pessoa, por Celie a protagonista, uma negra semi-analfabeta, o que torna a leitura do livro, uma leitura que se deve dar a devida atenção, já que as dificuldades da protagonista ao se comunicar impedem que ela escreva de modo coerente.
O que me chamou a atenção no livro foram as questões que ele aborda, discussões simples porém com um grande profundidade elas são:

* Machismo; Celie vive sob uma sociedade machista, onde é explorada pelo pai, pelo marido, e as vezes pelo enteado pelo simples fato de ser mulher, sob o fundamento de que o homem "é quem reina".

* Religião; é tratada poucas vezes, mas existem discussões (calmas) que falam sobre a aparência, a origem e as vontades e crenças de Deus e Jesus.

* Cultura Africana; alguém do livro que não vou citar para não revelar spoilers, acabou indo parar na Africa como ajudante de missionários, através dessa personagem é possível conhecer algumas tribos da região.

* Apartheid Americano; a protagonista e todos os outros negros, vivem sob as ignorantes Leis de Jim Crow, leis estaduais dos Estados Unidos que separavam os negros, asiáticos, dentre outros grupos dos considerados brancos, e esmagava essa parte da população e os privatizava de sua liberdade e direitos em alguns estados.

Celie passa por tantos problemas que é impossível se colocar no lugar dela e tentar resolver seus problemas diante de tantas poucas opções e é claro, de medo e submissão. Alguns trechos do livro são lindos, e Celie consegue descrever de uma forma tão simplória mas o mesmo tempo o simploísmo de Celie torna tudo tão profundo e verdadeiro.
É um romance para se fazer pensar e varias pessoas deveriam ler, especialmente aquelas que não conseguem entender as diferenças entre as pessoas e precisa abrir sua cabeça para respeita-las e tolera-las.
comentários(0)comente



Paty 18/11/2013

Escrever errado também é uma arte! Magnífico este livro!
comentários(0)comente



Márcia 27/06/2009

Lindo.

Um dos melhores livros da minha vida, nunca o esquecerei.
Daquele tipo de leitura que toca no fundo e te faz pensar realmente na sua vida e na de outras pessoas, compará-las e chorar pelas perdas dos que estão à sua volta.
comentários(0)comente



Queria Estar Lendo 05/03/2019

Resenha: A Cor Púrpura
A Cor Púrpura, livro de ficção da feminista e ativista pelos direitos civis Alice Walker, não é apenas um clássico da literatura norte-americana, como também vencedor do prêmio Pulitzer em 1983. Editado no Brasil pela José Olympio - selo do Grupo Editorial Record, o livro conta, através de cartas, a jornada de crescimento e auto-descobrimento de Celie, no inicio do século XX.

A história começa quando Celie tem apenas 14 anos e escreve sua primeira carta para Deus, contando sobre o abuso sexual que sofreu nas mãos do pai. Ela, uma jovem negra vivendo no interior no sul dos Estados Unidos, em uma época ainda mais machista e racista, se vê sem ter a quem recorrer e, por tanto, escreve a Deus.

E nós acompanhamos sua vida pelos próximos 30 anos enquanto ela escreve suas cartas, também, para Nettie, a irmã desaparecida que Celie acredita estar morta. E é através das cartas que lemos sobre o abuso que ela sofreu nas mãos do pai, dos filhos que teve com ele e foram arrancados de seus braços, do casamento forçado com o Sinhô, da violência que sofre nas mãos deles e, principalmente, de sua solidão.

Nettie é a única pessoa que já amou Celie, e ela, por sua vez, ama a irmã ferozmente, fazendo de tudo para impedir que ela também seja abusada pelo pai. Porém, ao longo dos anos e através da amizade que firma com Shuga Avery, uma cantora da cidade que já foi amante de seu marido, e com Sofia, a esposa de seu enteado mais velho, Celie passa a descobrir que seu mundo pode ser muito maior do que trabalhar e servir o Sinhô e apanhar dele.

"Eu nem olho pros homem. Essa é que é a verdade. Eu olho para as mulher, sim, porque não tenho medo delas."

Aos poucos, ela descobre a amizade e o amor e a força, o poder da educação e o direito a ser reconhecida como um ser humano. A Cor Púrpura levanta temas muito relevantes ainda hoje, não só ao tratar da violência contra a mulher e o racismo, mas também ao falar da precária educação das mulheres - em especial as negras -, do machismo, do patriarcado, da segregação, da vivência da mulher negra, da espiritualidade versus a religião, da descoberta (e aceitação) da própria sexualidade.

Ao passo em que é um livro de leitura muito fácil, quebrado em cartas geralmente curtas que você lê e lê sem ver o tempo passar, ele traz reflexões grandes de formas descomplicadas. Quando terminei de ler, fiquei parada um tempo absorvendo o fato de que essas personagens não são reais, algo que parece tão absurdo visto o nível de envolvimento que tive com elas.

Ao falar da espiritualidade, especialmente, foi onde Alice Walker mais me pegou. Mostrar Celie se voltar para Deus em busca de ajuda, se frustrar, o negar e então finalmente entender a diferença entre espiritualidade e fé, e a religião foi, para mim, muito importante.

"Mas eu num sei como brigar. Tudo o queu sei fazer é cuntinuar viva."

A Cor Púrpura fala de uma realidade distante e, ao mesmo tempo, muito próxima. Ela não marca, exatamente, o tempo em que foi escrita. Não cita propriamente datas ou grandes acontecimentos para que possamos nos localizar, mas não é apenas isso que o torna atemporal. Infelizmente, muitas das mazelas vividas por Celie - e pelas mulheres a sua volta - ainda são bastante atuais.

Porém, são justamente essas mulheres que constroem a melhor parte do livro. Celie, Nettie, Sofia, Shuga, Mary Agnes... Elas são tão diferentes entre si e, ainda assim, conseguem firmar laços de amizade e gerar cenas de pura sororidade. Chorei com elas, ri com elas, sofri por elas e também as aplaudi. No fim, faz pensar que se essas mulheres tão diferentes conseguiram se amar e se apoiar, porque nós temos tantos problemas para fazer isso?

"Você deveria ver como elas mimam o esposo. Louvam suas menores realizações. Enchem eles com vinho de palmeira e doces. Não é de admirar que os homens quase sempre sejam tão infantis. E uma criança adulta é uma coisa perigosa, especialmente quando, como entre os Olinka, o marido tem o poder de vida e morte sobre sua esposa."

No fim de tudo, A Cor Purpura chegou ao topo dos meus favoritos. Celie agora anda de mãos dadas com Mariam, a protagonista de A Cidade do Sol, no meu ranking de protagonistas preferidas, e se tornou uma leitura que eu indico para todo mundo. Uma leitura rápida, direta, o retrato de uma sociedade que ainda, infelizmente, existe, cheia de reflexões tão extraordinárias quanto suas personagens.

site: http://www.queriaestarlendo.com.br/2019/03/resenha-cor-purpura.html
comentários(0)comente



Gabrielle | @gabrielleverni 08/11/2017

Um golpe na alma
"O que Deus fez por mim? perguntei. Ele me deu um pai linchado, uma mãe louca, um cachorro ordinário como padrasto e uma irmã queu na certa nunca mais vou ver. De todo jeito, eu falei, o Deus pra quem eu rezo e pra quem eu escrevo é homem. E age igualzinho aos outro homem queu conheço. Trapaceiro, isquecido e ordinário.
Ela falou, Dona Celie, é melhor você falar baixo. Deus pode escutar você.
Deixa ele escutar, eu falei. Se ele alguma vez escutasse uma pobre mulher negra o mundo seria um lugar bem diferente, eu posso garantir." [sic]

Celie é mulher e negra. Ela, como muitas outras de sua época, sofreu duplo preconceito, dupla agressão, duplo sofrimento – todos "duplos" que ainda permanecem arraigados na sociedade de hoje, infelizmente.

Celie não tinha para quem reclamar ou pedir ajuda, por isso ela escrevia (de acordo com seus parcos limites de escolaridade) para Deus, inicialmente. Um Deus, que não visão dela, a havia abandonado. Já aos 12 anos anos ela era estuprada pelo padrasto e, assim, acabou sendo afastada dos estudos por causa da gravidez. No entanto, não havia mais espaço na casa para mais duas bocas para alimentar. As crianças sumiram rapidamente.

Celie apanhava todos os dias. Era feita de escrava todos os dias. Sofria agressões de todos os tipos a todo momento. Foi por essa razão que ela não se opôs ao ser entregue para se casar com Sinhô. Não faria diferença. Todos os homens eram iguais: "Trapaceiros, esquecidos, ordinários."

"Mas eu num sei como brigar. Tudo o queu sei fazer é cuntinuar viva." [sic]

Mal sabia Celie que sua vida estaria prestes a mudar. Uma mudança lenta e sutil, mas que transformaria quem ela era, quem ela gostaria de ser: ela mesma, sem amarras, sem medos, sem mais sofrimentos. E tudo começou com a chegada de Shug Avery, um antigo caso de amor de Sinhô. Shug era o tipo de mulher deslumbrante, que vivia cantando pelo país e não aceitava ser subjugada por nenhum homem. (Enxergo essa personagem como o feminismo puro e simples, que brigava pela igualdade e se recusava receber ordens de qualquer tipo. Shug era a liberdade feminina, a força interior e a segurança que estava faltando dentro de Celie.)

"Ele bate em mim quando você num tá aqui, eu falo.
Quem? Ela fala. Albert?
Sinhô, eu falo.
Num posso acreditar, ela fala. Ela sentou no banco perto de mim com toda força, como se tivesse caído.
Por que ele bate em você? ela perguntou.
Porque eu sou eu e não você.
Oh, dona Celie, ela falou. Então ela me beijou na parte carnuda do ombro e levantou.
Eu num vou embora, ela falou, até eu saber que o Albert num vai nem mais pensar em bater em você." [sic]

Enquanto Celie aprendia sobre amar e ser amada com Shug, sua irmã caçula Nettie – que havia conseguido fugir do padrasto – se encontrava na África cumprindo missões e vendo, dia após dia, o cruel absurdo que foi o neocolonialismo. Ambas irmãs, tão distantes uma da outra, mas sempre procurando manter o contato através do Atlântico, durante 40 anos, vão lutar pelo que acreditam: que ainda existe amor e tolerância nesse mundo aparentemente abandonado por um Deus homem e branco.

Ler A Cor Púrpura é o mesmo que levar diversos golpes. As páginas são carregas de uma realidade pouco lembrada por nós e é isso que faz diversos trechos serem extremamente chocantes para quem está no séc XXI. Poucas histórias abrem espaços para tanta reflexão quanto a de Alice Walker. Do preconceito ao machismo, do neocolonialismo à violência ocidental, é impossível o leitor não sentir no âmago o que foi a vida de milhões de "Celies" e "Netties". A leitura é dolorosa e sobretudo necessária. Chorar faz parte desse processo. Largar a leitura para poder parar e refletir, também. Soltar palavrões é outra atitude que tive diversas vezes, porque, me desculpem, mas A Cor Púrpura é um dos livros mais F**** que já li.

Ps: no início me senti incomodada com os erros de grafia (propositais). Porém, são eles que dão um toque a mais de realidade a tudo. A leitura não seria a mesma sem eles.

"Me diga como é o seu Deus, Celie.
Tá bom, eu falei. Ele é grande e velho e alto e tem uma barba cinza e branca. Ele usa roupa branca e anda discalço.
Ela deu risada. Por que você tá rindo? perguntei.
Porque é ele que tá na Bíblia branca dos branco.
Foi Deus quem escreveu a Bíblia, os branco num tem nada a ver com isso.
Então porque ele é igualzinho a eles, hein? ela falou. Porque a Bíblia é igualzinha a tudo que eles fazem, só tem eles fazendo isso e aquilo, e tudo que tem dos negro é o negro sendo amaldiçoado? (...) Você tem que tirar o homem da sua vista antes de poder ver alguma coisa. O homem corrompe tudo. Ele tenta fazer você pensar que ele tá em todo lugar. E quando você pensa que ele tá em todo lugar, você começa a pensar que ele é Deus. Mas ele num é. Quando você tiver tentando rezar e o homem se estatelar lá no fim, diga pra ele se mandar." [sic]
comentários(0)comente



Andreia Santana 15/10/2011

Não me canso de reler as cartas de Celie
A primeira vez que li A Cor Púrpura tinha 13 anos e peguei o livro, de bobeira, sobre a cama da minha mãe. Comecei a folhear e não larguei até terminar. Alguns anos mais tarde, reli depois de assistir a versão para o cinema, dirigida por Steven Spielberg e com uma inspiradíssima Whoppi Goldberg no papel principal. Inesquecível!

A Cor Púrpura – vencedor do prêmio Pulitzer, um dos mais importantes do mundo – é parecido com uma “conversa de meninas”. O romance de Alice Walker é comovente, delicado, áspero, intenso, de chorar e de rir em cada uma das suas páginas.

O livro conta a trajetória de Celie, uma mulher negra americana, bastante sofrida e reprimida, que se descobre a partir de uma amizade improvável – Sug Avery, a amante de seu marido, uma famosa cantora de cabaré, torna-se sua grande aliada, confidente, e a única pessoa capaz de fazer Celie revelar a grande mulher que estava escondida pela violência e humilhações sofridas desde a infância. Além das histórias pessoais destas mulheres, o romance é um panorama lúcido e esclarecedor sobre o racismo.

O livro foi publicado pela primeira vez, nos Estados Unidos, em 1983 e logo tornou-se um grande sucesso de público e crítica. Em 1985, Steven Spielberg dirigiu a adaptação do romance e a própria Alice Walker assinou o roteiro. Esta é sem dúvida uma das mais bem sucedidas adaptações da literatura para o cinema.

O filme transformou o livro em mito e ele foi traduzido para mais de vinte idiomas. Minha edição é de 1986 – a primeira lançada no Brasil. Só vi o filme na TV nos anos 90, quando reli a obra. De lá para cá já reli outras tantas vezes e cada vez me surpreendo mais com a capacidade de Alice Walker de falar das e para as mulheres de qualquer lugar do mundo e de qualquer cor, posição social, religião…

Escrito em forma de diário, melhor dizendo, de cartas que Celie escrevia para Deus, o livro é um libelo aos direitos humanos e ao respeito mútuo, uma celebração da união e da solidariedade entre as mulheres, que surge sempre nos momentos mais dramáticos da vida; e, principalmente, uma bandeira levantada contra o racismo e toda torpeza dos preconceitos sociais.

Quem é? - A autora Alice Walker nasceu na Georgia, no sul racista norte-americano. Ela é reconhecida internacionalmente por sua participação em movimentos pelos direitos civis, principalmente das causas negra e feminina. Além de romancista premiada, é autora de contos, ensaios, poemas e vários livros infantis. Atualmente, Walker vive na Califórnia. Sou fã de carteirinha dos seus escritos e desta grande mulher!
comentários(0)comente



Raquel 13/02/2014

Um livro que celebra a vida
Maravilhoso! Belíssimas lições de amor, perdão, religião...tudo que tem haver com a vida!
Aprendi lendo este livro o quanto uma adaptação para o cinema pode mudar uma história, não para pior, nem para melhor; apenas mudar. O filme acaba sendo muito mais forte que o livro, pelo modo que os acontecimentos são ordenados, diferente do livro.
Ambos são obras belíssimas, mas o livro, mostra uma lição que o filme não mostra, o Perdão.
Como sempre vale muito a pena ler o livro que inspirou o filme. Não vou cair no clichê em falar que o livro é sempre melhor, pois não é o caso. O livro sempre acrescenta ao filme, e o filme acrescenta também ao livro.
comentários(0)comente



02/02/2012

^ 4 estrelas ^
O que dizer? É tão bonito quanto à cor que o intitula.
E de certo modo simples também. É bem notável que os livros mais bonitos são sempre aqueles mais simples, que falem de relações, que tratem de sentimentos, que externem o interno. E essa obra faz isso!

Ler esse livro tem um sabor satisfatório por dois motivos especiais: primeiro porque é um clássico digno e só de lê-lo já envaidece quem o faz, segundo porque a simplicidade dele vem coberta por complexidade e poder rompê-la é maravilhoso.

Um livro narrado todo em forma de cartas... Isso parece fácil, mas causa um estranhamento inicial. Porque é de época! E é feito de cartas! E tem seus momentos de monotonia, é bem verdade. Logo é superado. Não é nada que faça jogar o livro pra longe e pegá-lo depois de vinte e quatro horas com aquela cara de desgosto. A parte monótona do livro tem muito mais a ver com seguir logo em frente e chegar na parte da felicidade. Porque Celie precisa ser feliz! Precisa!

É tão alarmante a vida da protagonista e a sua consciência do comodismo, que chega a ser incômodo. Você está lendo cartas alheias. Cartas pessoais. Isso te dá alguma intimidade pra querer dar algum tipo de conselho-fórmula-da-felicidade. Mas felicidade não tem regra e tampouco significam as mesmas coisas para as mesma pessoas. O que gera a realização de uma pessoa, pode ser simplesmente insignificante ou repulsivo para outra.

E a realização de Celie... Bom, eu não esperava. Ou talvez esperasse. É complicada a sexualidade da personagem principal. Não dá pra rotular facilmente e esse nem é um assunto assim tão importante dentro da trama. Não dá para se ter conclusões assim como não dá para premeditar nada (embora haja momentos de desconfiança com relação ao fato).

Aponto as cartas recebidas da irmã, Netie, como um ponto não entusiasta. Algumas cartas da irmã são simplesmente longas demais, embora possam ser facilmente justificadas. Sem falar que o problema da redenção tardia pode incomodar. E também o fato de a personagem ter sofrido tanto e de tantas formas sem lamentações implicavam realizações maiores que compensassem. Eu acredito assim, mas sei que nem tudo são flores.

A cor púrpura é para quem gosta: de romances epistolares, quem lide bem com toda sorte de sentimentos representados, quem não se incomode com a falta de ação e suporte bem à idéia de páginas introspectivas que despertem discussões e reflexões.


Uma cor para se ter na estante, uma vida para se lembrar de como nosso sofrimento pode não ser nada para quem já passou coisa pior.
comentários(0)comente



Dose Literária 25/09/2014

A Cor Púrpura - Alice Walker
Meu primeiro contato com A Cor Púrpura foi através da adaptação cinematográfica em 1991. Eu tinha 7 anos, mas o filme teve grande impacto na minha mente infantil. Tornei-me grande fã da atriz Whoopi Goldberg que fez o papel da protagonista Celie.

Este ano, conversando com uma professora que teve sua tese de doutorado sobre literatura afro americana, pedi sugestões de escritores e ela indicou-me duas escritoras: Alice Walker e Toni Morrison (as favoritas dela).

Alice Walker (nascida em 1944), recebeu cinco premiações por seu trabalho e é hoje incluída, pelos mais importantes críticos literários dos Estados Unidos, entre os melhores escritores americanos contemporâneos .

Continue lendo em

site: http://www.doseliteraria.com.br/2014/09/a-cor-purpura-alice-walker.html
comentários(0)comente



Julio Cesar 18/03/2009

A COR DA ALMA
Este belíssimo livro comove, faz com que repensemos nossa vida ou o que se pode fazer dela quando o assunto é sonhar com o valor autêntico da liberdade, mesmo quando se vive sob um jugo que maltrate a alma. É um tipo de obra que todo mundo deve ler pelo menos uma vez na vida, se uma vez por ano não for possível.
comentários(0)comente



Douglas 30/05/2010

recomendo!!
Lindo o livro eo filme!!!
comentários(0)comente



Fer Mendonça 22/09/2012

Nunca havia lido um livro feminista e confesso que eu comecei a ler o livro esperando que alguma parte visivelmente feminista pulasse pelas páginas e dançasse pelada na minha frente, mas não foi bem assim.
A história toda é contada por Miss Celie, que tem uma visão muito depreciativa de si mesma, chegando a se chamar de 'feia' e 'burra' várias vezes e primeiramente elas são dirigidas à Deus, mas depois são dirigidas à sua irmã, Nettie.
A passagem de tempo no livro é meio doida. Em 100 páginas se passam 12 anos, ou coisa parecida. Concordem comigo que isso é um pouco absurdo para um livro, né?
Miss Celie vem de uma família problemática, onde desde cedo ela cuida de seus irmãos mais novos e, digamos, da necessidade física de seu pai. Ela começa a ser violentada logo após sua mãe parir um de seus irmãos mais novos e se recusar a deitar com ele, que procura Celie. Depois da morte da mãe, ela começa a se oferecer para o pai para poupar que sua irmã sofra a mesma coisa. Ela teve dois filhos, que acredita terem sido mortos.
Um dia Nettie aparece com um homem em casa, pedindo a benção do pai para se casar, que se recusa e entrega Celie no lugar. Que casa com o Sinhô e passa a cuidar de casa e família, o que é um pouco dificil, porque os filhos do sinhô são mal-educados e revoltados com a morte da mãe.
A vida de Celie começa a mudar depois que seu marido a proíbe de ver a irmã, que logo ela acredita ter sido morta, e trás a amante doente pra casa, Doci Avery e ela cuida da amante sem reclamar.
Durante a trama, nos é apresentado a luta pela liberdade da mulher e as diferentes personalidades que surgem durante esse processo. Há Sofia, a nora que se recusa a obedecer o marido, faz o que quer e ainda revida, caso ele decida bater nela. Há a famosa descarada, desbocada e bissexual, simbolo de liberdade feminina na época (na minha opinião). Há a branca que decide trabalhar pros negros e por isso é discriminada. Há a negra que aos poucos toma consciência de si mesma. Há a negra que passa o livro inteiro tentando se libertar.
Enfim, é um livro para se ler e refletir, não tem como não se emocionar com a história de Celie, Nettie, Doci, Sofia e tantas outras. Assim como não posso de recomentar a todas as leitoras e leitores do blog.
A única coisa um pouco enervante no livro, que eu demorei pra me acostumar, é a escrita simples da protagonista, que se utiliza de 'sinhô', 'queu', 'cumeça', entre outros, mas que é perfeitamente explicável se nós nos colocarmos no lugar dela, de moça simples que foi obrigada a largar a escola por estar grávida do pai.

Quotes:

"Ele nunca teve uma palavra boa pra falar pra mim. Só diz, Você vai fazer o que sua mãe num quis fazer. Primeiro ele botou a coisa dele na minha coxa e cumeçou a mexer. Depois agarrou meus peitinho. Depois, ele impurrou a coisa dele pra dentro da minha xoxota. Quando dueu, eu gritei. Ele cumeçou a me sufocar, dizendo É melhor você calar a boca e se acostumar."

"To ficando cansada do Harpo, ela diz. Tudo no que ele pensa desde que a gente casou é como fazer eu obedecer. Ele num quer uma mulher, ele quer um cachorro."

"A primeira vez queu vi inteiro o longo corpo negro da Doci Avery cum os bico do peito quem nem ameixa preta, parecendo a boca dela, eu pensei queu tinha virado homem."

Leia mais resenhas em: http://blogmundodetinta.blogspot.com.br
comentários(0)comente



191 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |