Medéia

Medéia Eurípides




Resenhas - Medéia


43 encontrados | exibindo 1 a 16
1 | 2 | 3


George Facundo 25/06/2010

A doce vingança da amarga Medéia
Medéia e Jasão são aquele casal de vilões bem típico das novelas globais. Um casal que, como se costuma dizer aqui no nordeste, "não são flor que se cheire".

Tanto que, depois de uma série de traições, conspirações e assassinatos, foram expulsos de seu país de origem, fugindo para o exílio na cidade de Corinto, levando consigo apenas seus dois filhos.

Acontece que Medéia se vê trocada pela filha do rei de Corinto e a mesma foi obrigada, junto com os filhos, a abandonarem aquele lugar de "mala e cuia", para que o marido pudesse usufruir de tudo do bom e do melhor que as boas graças do rei e o fogoso leito da princesa poderia lhe dar, sem ter o incômodo de uma ex-mulher torrando a paciência dele.

Medéia então, tomada por toda fúria que o istinto feminino somado a todas as forças ediondas de muitas tpm's somadas, resolve não levar desaforo pra casa (no caso, pro exílio) e decide por "acabar" (expressão bem comum usada por mulheres furiosas) com a raça do pobre canalha desafortunado Jasão.

A personagem Medéia é de fazer a vingativa Beatrix Kiddo (Kill Bill vol. 1 e 2), a Flora (da novela A Favorita) e Suzane von Richthofen (burguesa paulista assassina dos pais) ficarem parecendo a Madre Teresa de Calcutá.

E, ao contrário das vilãs citadas, Medéia não é levada a sua sanguinolenta vingança por motivos de busca do poder (Flora), nem dinheiro (Suzane), tampouco a vingança pelo filho morto (Beatrix), mas sim pelos motivos mais primitivos do universo feminino, dignos de uma história Nelson Rodriguianas, uma tragédia motivada por um leito desonrado.

Até onde uma mulher é capaz de chegar para fazer o seu marido infiel pagar caro por tê-la traído e abandonado?

É um livro perfeito para a namorada ou esposa desconfiada presentear o parceiro como uma forma de "aviso prévio".

E para os cuecas de plantão, o livro pode ser extremamente instrutivo para que se possa perceber como a mulher tem essa capacidade de ir da doce ternura(amor) a um azedume vingativo(ódio), num piscar de olhos.

Toda mulher é potencialmente Medéia, quando devidamente estimuladas pela nossa incurável canalhice, salvo também as devidas proporções emocionais de cada uma.

Enfim, para todos uma ótima leitura, ou vingança, sei lá!
Mari 07/11/2017minha estante
Gostei da resenha!


Esther 22/03/2020minha estante
Adorei tua resenha! Nem sempre fácil trazer a história de um clássico pros dias atuais, tanto na forma de escrever quanto ressaltando as implicações na vida cotidiana




Malu 27/05/2020

Euripedes merece o título de "mais trágico dos trágicos" dado por Aristoteles. Medeia é perfeito.
comentários(0)comente



júlia 08/10/2020

medeia deserved better
comentários(0)comente



Julyana 25/08/2013

Diz um político da minha terra que mulher mal amada se assemelha a uma cobra mal matada: o bote é fatal. Medeia prova que isso é verdade.
comentários(0)comente



Suelen 15/04/2021

Medéia
Não sou acostumada a ler peças, mas Medéia conseguiu me prender do início ao fim.

Até que ponto o ser humano pode chegar por vingança? Medéia chegou a extremos que me deixaram chocada, ainda mais que aparentemente ela saiu impune dos crimes cometidos.
comentários(0)comente



Rafa 26/12/2013

A mãe, a esposa
Sensacional. Não vejo outra palavra para descrever tanto a peça quanto a protagonista homônima. A sapiência da personagem Medeia, a rapidez com que os fatos se sucedem e as descrições terríveis, fazem de Medeia a melhor tragédia que já li. A história é conhecida de todos, mas apenas lendo a tragédia você passa a entender os pormenores e a ponderar os fatos. Na tradução de Trajano Vieira a peça se enche de elegância e excentricidade!
comentários(0)comente



Silas 21/10/2020

Até então dos grandes clássicos gregos, eu só tinha lido Édipo Rei. Eu tinha gostado, mas nada que chamasse muito a minha atenção. Pois Eurípedes mudou esse quadro: Medeia com sua sede por justiça, sua dor e isolamento deu um linguagem universal a peça.

Carpeaux meio que confimou minhas impressões no postacio, Eurípedes se diferenciou dos seus contemporaneos Sófocles e Esquilo, justamente por discutir os conflitos do indivíduo, suas pulsões, enquanto que os outros focavam na coletividade. Além disso, há uma inclinação na peça semelhante ao que vimos no movimento modernista no século passado: havia uma tentativa de criar algo novo, de causar estranheza no público e uma mãe matar seus filhos para atingir seu marido sordido e ainda contar com o apoio divino com certeza causou essa estranheza e perplexidade.
Quanto a tradução apenas elogios, o Trajano fez um trabalho fenomenal. Traduzir um texto em grego antigo e trazer a simetria e sonoridade pensando pelo autor é um trabalho Herculano que ele fez bem feito.
comentários(0)comente



Natasha 24/11/2020

A peça em si é interessante, por mais que necessário um conhecimento prévio da história de Medéia. Eu gostei bastante. Agora, sobre a edição ela é bem completa, eu diria. Basicamente tem toda uma explicação do conceito teatro e tragédia, sendo essa parte maior que a peça em si.

"Todo homem ama mais a si próprio do que ao seu próximo (egoísmo legítimo em alguns, interessado em outros)."
"A justiça, com efeito, pouco esclarece os mortais em seus julgamentos, antes de terem podido ler claramente no pensamento de seus semelhantes, eles o condenam à primeira vista, sem haverem sofrido por parte daqueles a menor ofensa."
"De todos os seres que respiram e que pensam, nós outras, as mulheres, somos as mais miseráveis. Precisamos primeiro comprar muito caro um marido, para depois termos nele um senhor absoluto de nossa pessoa, flagelo ainda pior que o primeiro."
comentários(0)comente



Tito 23/09/2012

Medéia, uma mulher intensa, toda trabalhada na ~mágoa cabocla~.
comentários(0)comente



anna 07/04/2020

vingança, vingança e vingança.
o livro conta a história de médeia, uma mulher que se apaixonou e só queria ser amada de volta, o que não aconteceu e isso nos leva ao título. bom dia, stou com sono.
comentários(0)comente



deborap 25/02/2020

Há quem considere Medéia sob um paradigma feminista. A mulher sem voz, ultrajada em sua paixão, descobre seu poder por meio da destruição daquilo que seu homem mais preza. Ou seja, em vez de aceitar passivamente a sentença de exílio, Medéia torna-se sujeito ativo e toma as rédeas de sua vida, para o bem ou para o mal.

site: https://medium.com/@LivroseTinta/med%C3%A9ia-3af643faf756
comentários(0)comente



spoiler visualizar
comentários(0)comente



Marcelly 26/04/2020

A Medéia que existe em todos nós
A grande vantagem em ler as tragédias e as comédias gregas é que elas trazem à luz a reflexão ímpar de nos representar. Representação no sentido humano, não a de cor, religião ou sexo.

Quem nunca confiou e se doou a alguém (não necessariamente em sentido amoroso) e viu-se desprezado(a) quando este outro já não via mais interesse? Quem já não foi um pouco, ou total, Jasão, desprezando o essencial para buscar algo superficial? O que é o poder? O que é a promessa? O que é o futuro para aqueles que não pensam sobre isso em seus atos?
Essas são perguntas, dentre outras milhares, que se pode tentar refletir após esta leitura de Eurípedes.

Esta obra definitivamente rica por justamente não estar engessada em comodismos atuais, mas sim por conferir que somos um pouco cada personagem, mesmo sem rompantes drásticos.
O humano não fica preso ao tempo.
comentários(0)comente



Flayra 08/11/2020

Amor e ódio são mais próximos do que se imagina
Minha primeira tragédia, inclusive a favorita, todo rancor e ódio carregados por medéia devido as situações que eram impostas a ela e consequentemente eram obrigadas a serem engolidas a fizeram explodir como uma supernova para ações que poderiam sim consternar a própria contato que machucasse a jasão bem mais, a mesma estaria disposta a fazer qualquer coisa, todo sentimento de vingança mostram nada mais que a essência do "amor" e como facilmente pode ser transformado em raiva, angústia, antes tudo que um indivíduo pode desejar e logo em seguida uma armadilha que pode tirar a base do certo e errado. Pude perceber que a leitura é deveras mais leve que héracles, dependendo do gosto pode ser um ponto positivo ou negativo, farei ao máximo mais e mais pessoas lerem, pois discussões sobre a obra não faltam.
comentários(0)comente



Natalie 15/11/2016

Mulher ultrajada. Estrangeira rejeitada. Medeia traz uma descrição psicológica muito forte da mulher filha do rei Eetes da Cólquida, que por amor a Jasão planeja a morte do pai para que o amado tenha a posse do velocino de ouro. Foge com ele de volta para Corinto e tem dois filhos dessa união. Anos depois ele a abandona para casar com Glauce, filha do rei Creonte.

A peça mostra o desejo de vingança da mulher traída. Sentimos compaixão por ela durante boa parte do tempo. Como um homem pode deixar a família somente almejando ascensão social? Pobre Medeia. Desabafa com a ama e o preceptor de seus filhos; o coro fica também do seu lado. Pragueja contra todos, até que recebe a ordem de exílio. No entanto, recebe a visita de Egeu, rei de Atenas, que concede-lhe abrigo em sua morada.

Neste ponto Medeia calcula a vingança. Matará sua rival e o pai. Por necessidade, os próprios filhos. Aí perde a razão. O ódio toma conta da personagem e aqueles que estão cientes do que está por vir tentam dissuadi-la da decisão. Ela não recua e leva a cabo o crime. Jasão chega a tempo de apenas ver o cadáver das crianças enquanto Medeia foge no carro de Febo, num deus ex machina sensacional.

É uma tragédia de tirar o fôlego. Cada diálogo é revelador. Se inicialmente nos comprazemos com a dor da protagonista, depois do comportamento irascível atingir os filhos fica difícil defendê-la. Há como ver a situação sob diversos ângulos, o que suscita boas discussões. É justificável ou não sua atitude? É um debate que, provavelmente, nunca morrerá.
comentários(0)comente



43 encontrados | exibindo 1 a 16
1 | 2 | 3