Naquele Exato Momento

Naquele Exato Momento Dino Buzzati




Resenhas - Naquele Exato Momento


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jota 25/09/2020

Avaliação da leitura: 3,2/5,0 – BOM (é bom, mas...)
Dino Buzzati (1906-1972), mais conhecido dos leitores por O Deserto dos Tártaros (1940), sua obra máxima, aborda em seus escritos, antes de mais nada, conforme destaca o editor da Nova Fronteira, os absurdos da vida com o objetivo quase explícito de mostrar a impossibilidade de se chegar a uma conclusão sobre os problemas da existência humana. Desse modo, os mais de 150 textos que compõem Naquele Exato Momento deixam no leitor a sensação de que são, em sua maioria, sem desfecho, inconclusos, mais ou menos da mesma forma que não podemos precisar como se passarão todos os fatos de nossas vidas, apenas que vamos todos morrer, nossa única certeza. Que causa medo, que é uma fonte de angústias...

Assim, o final de cada relato fica por conta do leitor, porque “cada vez que a ponta da caneta toca o papel, no fundo há o pensamento de quem vai ler amanhã.”(Março de 1946, p. 60). A interpretação do mundo por Buzzati leva em conta também a visão do leitor, hoje, amanhã, depois. O título do volume já dá uma ideia do papel fundamental do tempo em nossas vidas (“naquele exato momento em que acaba a juventude.” (conforme escreveu no texto que dá título ao livro, p. 71), como ocorria com a história do tenente Giovanni Drogo, personagem central de O Deserto dos Tártaros. A existência humana, com sua breve duração quando comparada à história da humanidade, é examinada por Buzzati através dessa coleção de relatos, pequenos contos, notas, apontamentos, digressões, parábolas e memórias, vários deles retirados de seus diários.

Em alguns relatos encontramos certa poesia em forma de prosa, mas os escritos realmente engraçados são raros. Quase todos nos causam certo estranhamento, coisas fantásticas ocorrem em alguns deles, como é o caso do de um mendigo que diariamente chega ao mercado para esmolar a bordo de um Rolls Royce guiado por um motorista de libré (O Grande Mendigo). Ou ainda o curioso diálogo (que também é, no fundo, sobre o tempo) entre uma senhorita e um sujeito indeterminado, em Um Caso Interessante (p. 65):

A moça disse:
- Gosto da vida, sabe?
- Como? Como disse?
- Disse que gosto da vida.
- Ah, sim? Explique isso, explique bem.
- Gosto, pronto, e me desagradaria muitíssimo deixá-la.
- Senhorita, explique-nos, é terrivelmente interessante... Ei! Vocês aí,
venham ouvir vocês também, a senhorita aqui diz que gosta da vida!

Por fim, devo assinalar, como escreveu outro leitor, que os textos de Buzzati podem cansar um tanto quem os lê porque sua fórmula se torna repetitiva, os relatos são muitos e ao final da leitura não conseguimos lembrar muito bem do que tratavam. Ainda mais que, como já foi assinalado, eles são, em sua maioria, inconclusivos. Uma edição mais enxuta, apenas com os melhores textos, organizada por um especialista, provavelmente agradaria mais aos leitores comuns.

Lido entre 04 e 25/09/2020.
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Henrique Fendrich 02/10/2019

Textos curtos, mistura de ensaio, crônica e poema em prosa. Vários deles me deixaram comovido até os ossos. Porém, à medida que se avança na leitura (e o livro é extenso), a fórmula começa a cansar.
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Teca 18/02/2011

crônicas datadas
Dino Buzzati tem um bom texto, mas não consegue nessas crônicas contornar a datação de impressões cotidianas. É inevitável a comparação com Rubem Fonseca, cujos textos fluem maravilhosamente entre datas e endereços, sobrevivendo ao tempo.
Henrique Fendrich 29/10/2014minha estante
Acho que estou lendo outro livro.




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