O Mito da Beleza

O Mito da Beleza Naomi Wolf




Resenhas - O Mito da Beleza


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megacombo 16/01/2009

Muito bom, recomendo para todo mundo... Me dei conta de muitas coisas que nunca tinha imaginado... Toda mulher deveria ler. Não é uma leitura leve, verdade, mas também não chega a ser um livro científico. Pena que não encontro para comprar...
Maree 15/08/2011minha estante
eu achei pra vender na estante virtual!




Jocélia 03/08/2016

Mulheres X Mulheres
O fato de as mulheres competirem entre si através da "beleza" chama a atenção da autora para abordar a temática do livro.
Denominando como ‘’o mito da beleza’’ a autora descreve que, o que o mito está fazendo às mulheres hoje em dia, é consequência unicamente da necessidade da cultura, da economia e da estrutura do poder contemporâneo de criar uma contra-ofensiva contra as mulheres. Pois, pelo fato de que as mulheres devem querer encarná-la, e os homens devem querer possuir mulheres que a encarnem, o mito da beleza não tem absolutamente nada a ver com as mulheres. Ele diz respeito às instituições masculinas e ao poder institucional dos homens.
Ao descrever os elementos que compõem o mito, a autora afirma que o mito da beleza sempre determina o comportamento e não a aparência. Citando como exemplo o envelhecimento da mulher, que se torna “feio" porque as mulheres adquirem poder com o passar do tempo e porque os elos entre as gerações de mulheres devem sempre ser rompidos... As mulheres mais velhas temem as jovens, as jovens temem as velhas, e o mito da beleza mutila o curso da vida de todas.
Recorrendo a conceitos de "beleza”, a sociedade construiu um mundo feminino alternativo, com suas próprias leis, economia, religião, sexualidade, educação e cultura, sendo cada um desses elementos tão repressor quanto os do passado.
Porém, numa época em que o movimento das mulheres abre caminho no mercado de trabalho, tanto as mulheres quanto os homens já estão acostumados ao fato de a beleza ser avaliada como um bem, pois ambos os sexos estão preparados para o desdobramento que se segue, pois à medida que as mulheres exigem e vão conquistando acesso ao poder, a estrutura do poder recorre ao mito da beleza para promover uma competição entre as mulheres...
Ler sobre ‘’esse mito’’ me fez concluir que, enquanto não tivermos em mente que melhor que o que a "beleza" oferece nos pertence de direito por sermos mulheres. Quando aprendermos a separar a "beleza" da sexualidade, quando festejarmos a individualidade das nossas feições e das nossas características, teremos acesso a um prazer em nossos corpos que nos una em vez de nos dividir.
Essa seria a maior das conquistas...

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Queria Estar Lendo 05/10/2018

Resenha: O Mito da Beleza
O Mito da Beleza é um livro clássico da terceira onda do feminismo, publicado originalmente em 1991 e que agora ganha uma nova versão pela editora Rosa dos Tempos - que nos cedeu um exemplar para a resenha.

O livro de Naomi Wolf foi um dos primeiros a tratar da beleza como um mito e uma forma de opressão, um conceito com o qual já estamos mais familiarizadas hoje em dia. Em O Mito da Beleza a autora aborda como as imagens de beleza são usadas contras as mulheres no âmbito do trabalho, da cultura, da religião e do sexo, e ainda fala da forme e da violência.

No caso dos últimos dois capítulos, A Fome e A Violência, fica bastante claro como o mito da beleza não só restringe nossas relações interpessoais, as expectativas que as pessoas têm sobre nós, nossa experiência em locais profissionais e com a nossa própria sexualidade e coisas do tipo, mas como isso tem um poder direto sobre a nossa vida - e a morte - quando desencadeia situações como distúrbios alimentares e as cirurgias plásticas que, em especial nos anos 90, pareciam ser regra para as mulheres ocidentais.

O livro já tem quase 30 anos, e por isso a edição da Rosa dos Tempos traz textos atualizados da Naomi Wolf, comentando sobre o que mudou desde que ela escreveu o livro e o que não mudou tanto assim - especialmente no tocante dos distúrbios alimentares.

Ainda assim eu acho importantíssimo a gente frisar o fato de ser um livro tão antigo, porque ele é definitivamente um marco no movimento e um livro para ser consultado para que possamos acompanhar a evolução dessa discussão, mas sempre lembrando que seus dados, em sua maioria, estão defasados.

É importante que a gente leia ele e depois tente se informar sobre como a situação está atualmente, e não só através dos textos atualizados da autora, porque ainda assim a Naomi Wolf não comenta sobre tudo - até porque não teríamos espaço, né.

Pelo meu entendimento atual do mito da beleza, eu senti falta de falar mais sobre como ele contribui, também, para desqualificar o movimento feminista e com a cultura do estupro. Embora a autora aborde os temas, achei que dava para falar muito mais sobre isso, ao mesmo tempo em que eu acho que muito do texto poderia ter sido condensado.

Às vezes eu tinha a impressão de estar "lendo em círculos", sabe? Era como se ela ficasse dando voltas em torno de um tema ou uma ideia só para encher linguiça. E eu prefiro muito mais livros diretos. A impressão que eu tive em alguns momentos era que ela estava subestimando a minha inteligência ao mesmo tempo em que reforçava uma ideia de superioridade por estar me apresentando aquelas ideias pela primeira vez.

Por fim, acho legal destacar mais uma vez que O Mito da Beleza é um ótimo livro por marcar a nossa história da compreensão das opressões que vivemos. Por ser um dos primeiros a tratar especificamente da beleza ele pode servir como o norte para os estudos - tanto acadêmicos como pessoais - mas não deve ser tomado como verdade absoluta, atual ou atemporal, e pede por leituras complementares também.

É um livro que indico, em especial para começar a desconstruir esse mito dentro de nós mesmas.

site: http://www.queriaestarlendo.com.br/2018/10/resenha-o-mito-da-beleza.html
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alineaimee 02/09/2016

O livro apresenta dados assombrosos sobre a relação da mulher com o próprio corpo e com o consumo, e traça contrastes interessantes quanto a essas relações em comparação com os homens. Algumas conclusões são um tanto forçadas ou pouco fundamentadas, mas o livro acaba servindo com um eficiente instrumento de reflexão sobre esses assuntos.
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J.C.S.Rabelo 21/05/2017

Quem quer ser a donzela de ferro?
Alguns livros são legais, alguns nem tanto. Alguns te fazem feliz, outros te aborrecem…Mas outros simplesmente mudam a sua forma de enxergar o mundo.

O Mito da Beleza é uma grande referência feminista, pois serve de uma porta de entrada aos mais diversos questionamento a respeito da beleza, e como ela afeta as vidas das mulheres (e dos homens também), em todos os aspectos (sexual, profissional, político, pessoal…). Naomi Wolf consegue ilustrar o Mito de forma bem interessante, por meio da Donzela de Ferro.

A Donzela de Ferro representa o ideal feminino, tudo aquilo que nós, mulheres, deveríamos ser para nos adequarmos ao Mito. O grande problema é que a Donzela, como “ideal”, é uma representação que não condiz com a realidade. E por mais que a mulher tente ser como ela, sofrendo, se privando dos prazeres da vida, se calando, se definhando cada vez mais, ela nunca consegue alcançar a beleza da Donzela. E sempre será julgada por isso.

Mas como o ideal da Donzela de Ferro se sustenta? Por que as mulheres passam fome, se submetem a intervenções cirúrgicas, abdicam do prazer, do conforto e da própria voz na sociedade, tudo em nome de um ideal inalcançável? A resposta encontra-se justamente no Mito. E ele é construído de uma maneira engenhosa, de acordo com os interesses de quem tem a perder com a felicidade e a inteligência das mulheres.

Para argumentar a favor da existência do Mito, Naomi Wolf utiliza-se de uma série de dados estatísticos, causas judiciais e publicidade voltada às mulheres. E o resultado é assustador. Ela não só consegue convencer o leitor de que há algo horrível por trás de uma inocente propaganda de maquiagem, como também lançar um palpite de um futuro próximo. O que é incrível é que muito do que ela sugere no livro (que foi escrito no início da década de 90), de fato já acontece, 20 anos depois.

Quem vê tudo isso de forma superficial tende a propor uma ideia errada a respeito do livro. A lição mais importante a ser aprendida é que a autora não rejeita a beleza. Não é ruim querer se sentir mais bonita. O ruim é ser aprisionada no Mito. É procurar a beleza não para si mesma, mas para alcançar um ideal proposto que não traz satisfação pessoal nem felicidade. É ignorar que é possível ser plenamente satisfeita com o seu próprio corpo, mesmo que tenha uns quilinhos a mais, ou mesmo que não goste de usar salto alto, ou mesmo que prefira deixar os cabelos encaracolados. É não enxergar que a mulher pode ser livre, feliz, inteligente, ativa e competente, sem que precise parecer uma “obra de arte” e sem ser julgada por isso.
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Dani 28/09/2016

Esse livro precisa ser lançado novamente urgentemente e com uma atualização até os anos 2010!
Maravilhoso!!!
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Adriana Scarpin 24/08/2017

Décimo terceiro livro do clube do livro feminista da Emma Watson no Goodreads
Os livros escolhidos por Emma Watson nos últimos meses vem sendo exemplares, com O Conto da Aia e O Mito da Beleza, de livrinhos meia boca ela passou para tiro-porrada-e-bomba. Ainda bem, pois finalmente fui incitada a ler este clássico da Naomi Wolf que toda mulher REALMENTE deveria ler.

O Mito da Beleza: neste primeiro capítulo a autora mostra que depois da segunda onda feminista que tirara a aura doméstica da mulher, o mercado teve que criar o mito da beleza para que a mulher gastasse em cirurgias plásticas, cosméticos e dietas.
O segundo capítulo, Trabalho, busca enfatizar o quanto é cobrada a aparência na mulher num ambiente de trabalho, sempre com a dualidade se você se arruma está pronta para ser assediada e se você está casual os clientes masculinos não te aceitarão, colocando a situação num beco sem saída e te condenando apenas por ser mulher. Há citação de vários casos jurídicos cuja decisão sempre foram contra as mulheres e a favor dos homens, por mais absurdas que sejam as situações.
O terceiro capítulo, Cultura, explana as consequências do mito da beleza na midia, desde a prevalência da manipulação da indústria de cosméticos em revistas femininas, passando pela indústria da pornografia e a hoje já defasada "concorrência" feminina.
O quarto capítulo, Religião, discorre como as mulheres quase se libertaram do dogmatismo inferiorizante das religiões patriarcais para deslocarem sua subserviência nas seitas do vigilantes do peso, produtos para a pele e cirurgias estéticas. Se eu ainda não estava apaixonada pela Naomi Wolf até então, foi a partir deste capítulo que me entreguei.
O quinto capítulo, Sexo, trata da cultura de estupro, da indústria pornográfica, e como o mito da beleza, a donzela de ferro, impede o desenrolar sexual das mulheres, evidenciado que somos criadas para sermos desejadas, mas nunca nos ensinam a desejar.
O sexto capítulo, Fome, dá ênfase de como a anorexia e bulimia cresceram a medida que as mulheres foram conquistando seu espaço além do lar, a autora denuncia a forma de uma escravidão doméstica sendo trocada pela escravidão da beleza e como com o passar das décadas desde os anos 20 a massa corpórea das mulheres vem diminuindo exponencialmente - isso porque ela escreveu esse livro no auge das supermodels como Cindy Crawford e Claudia Schiffer que eram magras mas muito mais voluptuosas do que veio a seguir com modelos fazendo da esqualidez um ícone da beleza digno de campo de concentração.
O sétimo capítulo, Violência, trata das intervenções cirúrgicas invasivas como lifting, lipoaspiração, rinoplastia e principalmente cirurgia nos seios com as mulheres encontrando problemas em seus corpos que na realidade não possuem problema algum, a autora chega a comparar tais rituais impostos pela indústria da beleza às mulheres aos conceitos eugenistas, onde uma pessoa normal é tida como um desvio.
O capítulo conclusivo, Para além do mito da beleza, discorre sobre métodos de resistência à indústria da beleza institucionalizada e o quanto nos longínquos anos 90 os homens estavam sendo enveredados pelo mesmo caminho.

Livrão, hein.
Alba 24/01/2018minha estante
Alguém sabe onde consigo pra baixar? Não está vendendo nem na estante virtual, perguntei na Rocco e eles disseram que está fora de catálogo :(



Alba 26/01/2018minha estante
Obrigada!


Ris Márquez 27/07/2018minha estante
Foi lançada uma nova edição. Está disponível na Saraiva e também na Amazon.




Nem Tudo é Ficção 10/12/2018

Ser feminista não é o caminho mais fácil
O livro é dividido em 8 partes que são: O mito da beleza, O trabalho, A cultura, A religião, O sexo, A fome, A violência e Para além do mito da beleza.

Antes de tudo, quero deixar claro que não sou a melhor feminista, a que sabe de mais coisas e afins. Pelo contrário, agora é que estou me reconhecendo como uma e faço questão de compartilhar com vocês as pequenas informações que eu aprendi na minha jornada com o feminismo. Também vou aproveitar a oportunidade para falar que não é o caminho mais fácil “ser feminista”, porque é quase que fazer um detox da vida, ressignificando tudo que a sociedade colocou direta ou indiretamente em você, mulher, desde que você era uma criança. Se desconstruir dói e é lento, um dia a após o outro, e a nossa progressão vai ser assim, uma luta consigo mesma. Porém, é uma luta que liberta e te empodera não apenas como mulher, mas também como ser humano, porque nós compreendemos o nosso íntimo, nossa superfície, a nossa vivência dentro da sociedade e as pressões que nela existem e, além disso, começamos a compreender os outros, principalmente aqueles(as) que não tenham contato com o feminismo. E a nossa maior função é respeitar a si mesma e a irmã ao lado.

A autora fala como todo o conceito de beleza universal era idealizado pelos homens e para os homens. Ou seja, nem a nossa própria beleza foi planejada para o nosso bem-estar, pois toda essa pressão só oprimia as mulheres e beneficiavam os homens. Ela também mostra como a religião tem a ver com a beleza da mulher, como somos treinadas a valorizar o nosso corpo, como se isso fosse a única forma de atrair um homem, fala sobre cirurgia plástica e doenças como anorexia e bulimia.

Indico para todas que querem não só se informar, mas se libertar das prisões impostas pela sociedade.

site: https://nemtudoeficcao.com.br/2018/11/09/o-mito-da-beleza-parte-2/
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Duda 24/03/2019

Tive a sensação de que a autora em inúmeras partes do livro trazia informações infundadas (ou que pelo menos ela não colocou referências no extenso índice bibliográfico nas últimas páginas do livro) e isso atrapalhou demais o meu fluxo de leitura. Foi MUITO chato ler afirmações forçadas e às vezes até absurdas (como no caso da relação das roupas rasgadas que as mulheres punks usavam como uma alusão pra violências sexuais, sério, queria saber que link foi esse) pra corroborar um argumento certo, como se tivesse um desespero por se fazer crível... Não dá pra entender essa ação se você percebe facilmente que o livro foi resultado de uma ampla pesquisa séria. Dá pra entender a razão dele ter sido um livro importante pra época que foi escrito, mas a minha maior crítica não é por um pensamento que eu tenho apenas porque hoje em dia a visão é outra; colocar informações sem estudo algum num livro como esse é uma falta grave em qualquer época. Enfim, traz porcentagens da época muito relevantes.
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Bia Oliver 25/02/2016

Bom e ruim
O livro traz dados e estatísticas dos anos 80 que é bom termos conhecimento, mas não concordo com o posicionamento radical da Naomi Wolf. Uma leitura pesada e acredito que hoje tenham livros sobre o tema que são melhores.

site: http://www.leiturasecomidinhas.com.br/o-mito-da-beleza/
larissafr 07/05/2019minha estante
Realmente, leitura pesada, abandonei.




Samyle 19/04/2019

O porque de o feminismo incomodar tanto
A princípio, eu achava que esse livro seria uma reflexão interessante, mas que provavelmente a autora teria exagerado um pouco. Ledo engano. Separei alguns trechos que foram mindblowing pra mim (estão no final), caso você ainda tenha dúvidas.

O mais curioso, na minha opinião, é que, sabendo que o livro é um tanto datado (já que foi publicado em 1991 e a sociedade já mudou um pouco), mesmo assim me proporcionou muitas reflexões sobre os tempos atuais, de modo que acabei anotando no meu livro alguns acontecimentos que me vieram à mente, especialmente aquela música que saiu durante o período eleitoral: "as minas de direita são as top mais belas, enquanto as de esquerda têm mais pelo que cadela" (confere o 1° trecho pra entender como isso é simbólico).

A autora fez um trabalho primoroso de pesquisa, colhendo uma grande quantidade de dados (que, na 1° parte do livro, deixa a leitura mais cansativa). No entanto, ela não se limita a citá-los, trazendo reflexões contundentes e de uma sagacidade impressionante. Após vencer as primeiras páginas, a leitura desse calhamaço flui. Você simplesmente não consegue parar.

Os argumentos, por sua vez, abrangem os mais variados âmbitos: a escritora vai te provar que o mito da beleza prejudica seus relacionamentos, sexo, saúde (física e mental), profissão, etc. Trata da indústria das cirurgias plásticas, pornografia, bem como faz um apanhado histórico de como eram os esteriótipos que oprimiam as mulheres antes do surgimento do mito da beleza, ao passo que demonstra como o mito veio para substituir os nossos antigos opressores, fazendo a mesma função. Leitura essencial, especialmente para nós, mulheres, que sofremos com isso diariamente.

"Estamos em meio a uma violenta reação contra o feminismo que emprega imagens da beleza feminina como uma arma política contra a evolução das mulheres: o mito da beleza. [...] A reação contemporânea é tão violenta porque a ideologia da bezela é a última remanescente das antigas ideologias do feminino que ainda tem poder de controlar aquelas mulheres que a segunda onda do feminismo teria tornado relativamente incontroláveis. Ele se fortaleceu para assumir a função de coerção social que os mitos da maternidade, domesticidade, castidade e passividade não conseguem impor. Ela procura neste instante destruir às ocultas e em termos psicológicos tudo de positivo que o movimento proporcionou às mulheres abertamente e em termos tangíveis" pg. 230/231.

"As jovens hoje herdaram vinte anos de propaganda da caricatura da feminista feia. Por isso "sou feminina, não feminista" [...] É grande o número de jovens que não percebem que outros retratam "uma feminista" dessa forma para garantir que elas reagiriam como reagem." pg. 303.

"O que as meninas aprendem cedo não é o desejo pelo outro, mas o desejo de ser desejada. Elas aprendem a observar o seu sexo juntamente com os meninos. Isso ocupa o espaço que deveria ser dedicado a descobrir o que é que elas querem, a ler e a escrever sobre isso, a procurar e a alcançar o objetivo. O sexo é um refém da beleza e os termos do resgate são gravados cedo e em profundidade na mente das meninas com instrumentos mais bonitos do que aqueles em que os anunciantes e os pornógrafos não sabem usar: a literatura, a poesia, a pintura e o cinema." pg. 230/231.

"Foi ressuscitada a caricatura da feminista feia para atacar o movimento das mulheres. A caricatura não é original. Foi criada para ridicularizar as feministas do século XIX. A própria Lucy Stone, que seus simpatizantes viam como "um modelo de graça feminina" [...] Foi achincalhada por seus detratores com os "habituais comentários" sobre as feministas vitorianas: "mulher grande e masculina, de botas e charuto, dizendo palavrões como um soldado." pg. 37/38.

"Os homens são estimulados visualmente pelo corpo feminino e são menos impressionáveis pela personalidade da mulher porque desde cedo são treinados para reagir assim, enquanto as mulheres são menos estimuladas em termos visuais e mais em termos emocionais por ser este o treinamento que recebem".

"Os pesquisadores J. Polivy e C. P. Herman concluíram que a "restrição calórica prolongada e periódica" resultava numa personalidade característica cujos traços são a "passividade, a ansiedade e a emotividade" São esses traços, e não a magreza em si, que a cultura dominante deseja criar, no sentido pessoal de identidade das mulheres recém-liberadas, com o objetivo de erradicar os perigos dessa liberação".

Resenha de @chez_literatura. IG literário
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Gaby 15/10/2018

O Mito da Beleza é um clássico da terceira onda feminista escrito por Naomi Wolf na década de 1990 que renova a preocupação e a consciência sobre como a mídia de propaganda atinge as mulheres em variados contextos, seja na aparência, trabalho, direitos, maternidade, relações conjugais ou sociais.

O livro é dividido em oito partes: o mito da beleza, o trabalho, a cultura, a religião, o sexo, a fome, a violência e "para além do mito da beleza"; contando também com apresentação (da autora), introdução, agradecimentos, notas, bibliografia e índice remissivo. É uma obra completa, onde Naomi se mune de fatos, estatísticas e pesquisas, citando outras autoras, trabalhos e livros feministas no caminho. Como um livro de não ficção, O Mito da Beleza se consagra como uma das leituras mais importantes para entender a construção da imagem da beleza e perfeição física e de comportamento que são impostos às mulheres, como a autora tão bem explica:


"O mito da beleza tem a seguinte história a contar. A qualidade chamada 'beleza' existe de forma objetiva e universal. As mulheres devem querer encarná-la, e os homens devem querer possuir mulheres que a encarnem. Encarnar beleza é uma obrigação para as mulheres, não para os homens, situando esta necessária e natural por ser biológica, sexual e evolutiva. (...) Nada disso é verdade. A 'beleza' é um sistema monetário semelhante ao padrão-ouro. Como qualquer sistema, ele é determinado pela política e, na era moderna no mundo ocidental, consiste no último e melhor conjunto de crenças a manter intacto o domínio masculino. Ao atribuir valor às mulheres numa hierarquia vertical, de a cordo com um padrão físico imposto culturalmente, ele expressa relações de poder segundo as quais as mulheres precisam competir de forma antinatural por recursos dos quais os homens se apropriaram." (p. 29)


O processo que envolve a mídia e seu culto à beleza e juventude da mulher é explicado maravilhosamente por Wolf, que nos entrega um livro muito relevante e necessário, com dados reais, texto muito bem escrito e oportunidades de reflexão acerca do tema. A 'beleza' como é vista e desejada hoje é resultado do patriarcado, de uma sociedade machista que perpetua a ideia da "perfeição", que para ser atingida mata milhares de mulheres no processo, no mundo todo. Sim, mata. Naomi trás estatísticas sobre as mortes por trás de revistas e programas de dietas absurdas, procedimentos estéticos perigosos e pílulas que são verdadeiros venenos, deteriorando a saúde e até matando pessoas que tentam atingir aquela ideia de beleza a acabam caindo na ideia de inadequação que, também, pode levar a morte. A indústria da beleza é perigosa, e é assim há muito tempo.

E é também dessa busca incansável pela 'beleza' que a industria midiática se alimenta, se sustenta. O ideal feminino, de postura perfeita, corpo escultural, comportamento submisso, rosto simétrico, liso, impecável... tudo isso transforma as mulheres e crianças, em reféns, escravos de uma ideia machista, que sexualiza e tortura enquanto lucra milhões, bilhões de reais.


"Nos anos 50, as rendas com publicidade aumentaram extraordinariamente, alterando o equilíbrio entre o departamento editorial e o de publicidade. As revistas femininas passaram a interessar às 'companhias que, com a guerra a ponto de terminar, teriam de fazer com que as vendas ao consumidor tomassem o lugar dos contratos de materiais bélicos'. (...) Os relatórios dos especialistas em marketing descreviam formas de manipular as donas de casa para que se tornassem consumidoras inseguras de produtos para o lar." (p. 101)


O segundo capítulo do livro é dedicado ao tema trabalho, e nele a autora vai trazer também fatos sobre como esse mito da beleza atinge as mulheres na busca por empregos, especialmente os de destaque, pois entra na equação os empregadores que procuram funcionárias que atingem certos padrões, padrões esses altíssimos, e a idade dessas mulheres. Homens grisalhos não enfrentariam tanta dificuldade para conseguir um cargo na televisão, diferente das mulheres que mostram os mesmos sinais de idade. A autora trás diversos exemplos, e é doloroso ver tanta verdade, tantos fatos reunidos.

É muito interessante, e tanto assustador, ler sobre isso. É revoltante imaginar que vivemos em mundo que nos machuca, nos desestabiliza, e que isso não é de hoje, como também está longe de acabar. O Mito da Beleza é um livro que abre os olhos, a mente, nos mostra a realidade da indústria como ela é, patriarcal e perigosa, exigente e manipuladora, incentivando a rivalidade e também a submissão. Das (e entre as) mulheres, claro.


"(...) apesar da vergonha, da culpa e da negação, é cada vez maior o número de mulheres que se pergunta se elas são mesmo totalmente neuróticas e solitárias ou se o que está em jogo tem a ver com a relação entre a libertação da mulher e a beleza feminina. Quanto mais numerosos foram os obstáculos legais e materiais vencidos pelas mulheres, mais rígidas, pesadas e cruéis foram as imagens da beleza feminina a nós impostas." (p. 25)



Leitura recomendadíssima, e não só para mulheres. Acredito que essa é uma leitura que todos deveriam fazer; todos que querem dar uma olhada no que existe atrás da grossa parede construída pela industria da beleza; para quem quer sair da caixinha, espiar, ler algumas verdades.

Ao mesmo tempo que a leitura é super válida e repleta de bons argumentos, a escrita da autora pode ser um pouco intrincada, e alguns capítulos bem densos, requirindo mais atenção e tempo do leitor; não é uma leitura rápida. É um livro que continuarei lendo, relendo e fazendo minhas anotações.

Leiam! :)

site: http://umaleitoravoraz.blogspot.com/2018/10/resenha-o-mito-da-beleza-de-naomi-wolf.html#more
Thais Galdino 24/10/2018minha estante
A kéfera recomendou ele no insta dela, e agora lendo aqui me parece parada obrigatória pra 2019, no máximo.


Gaby 25/10/2018minha estante
é uma leitura super importante, Thais! Recomendo muito também




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Nádia C. 24/07/2019

o mito atualmente
Muitas observações a serem feitas, como o fato do objeto de análise ser a realidade de mulheres brancas estadunidenses de classe média, mas nem por isso menos necessário. Afinal, são essas mulheres que ditam e são ditadas pelo mito da beleza. São as globais, socialites e atrizes de hollywood com milhões de seguidores que ainda nos convencem e são convencidas hoje que existe um ideal de beleza a ser perseguido ou que a beleza é a maior preocupação das mulheres, assim, o livro ainda é um retrato bem atual da prisão que vivemos e que muitas vezes parece estar sendo reproduzida pela boa vontade pelo universo gay, tanto com uma cobrança maior em cima de mulheres trans e cis de estarem buscando esse padrão, como numa afirmação de que isso é o mais importante em ser reconhecida como mulher.
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Fernanda 17/12/2015

Onde encontro?
Gente, quem tiver para vender, eu compro! !!
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