Um Copo de Cólera

Um Copo de Cólera Raduan Nassar




Resenhas - Um Copo de Cólera


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Fabiana Vicentim 02/08/2019

Retrato atemporal da sociedade brasileira
Briga de casal ou retrato da classe média versus mídia/jornalismo/intelectualidade/ciências humanas na década de 70, no Brasil, em plena ditatura? Depois de uma noite de amor entre um homem e uma mulher, e um desjejum e um cigarro, tudo se transforma quando esse homem fica colérico depois de ver sua cerca viva comida por saúvas e ataca seus empregados, Mariana e Antonio.
Respondendo à pergunta, arrisco a dizer os dois. A classe média ontem e hoje briga contra qualquer tentativa de racionalidade como numa briga de casal depois de um jantar com uma garrafa ou duas de vinho. Perde-se as estribeiras e mostra sua face mais obscura: fascista, preconceituosa, reacionária e mimada. Um menino que precisa ser banhado e nunca contrariado (literalmente na narrativa), senão faz birra e fica agressivo, perdendo toda sua candura de horas atrás.
Mas a verdade é que essa personagem que parece representar a classe média, sendo um homem, sabe de seus privilégios e sabe que precisam dela, ela é a mais respeitada, a estrutura de toda a sociedade. Estranho que apenas os empregados, a classe trabalhadora, é que são nomeados, tendo assim identidade. Estranho ou não...
Para além da escrita liricamente maravilhosa de Nassar, sua complexidade se encontra, sem dúvida, no retrato metafórico que construiu da sociedade brasileira da época, a classe média e sua relação de amor e ódio com a sociedade, com a mídia, com as ciências e tudo aquilo que aponte suas falhas.
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Anny 24/05/2019

Muito tenso
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Tábata Kotowiski 06/03/2019

UAU!
Que livro intenso!
O autor consegue ir do amor ao ódio com uma propriedade!
A única parte que me incomodou um pouco foi durante a briga do casal. Achei que os diálogos da discussão não soaram muito verossímeis.
O personagem principal, o colérico, é um embuste machista.
Ainda assim, o livro é muito bom e vale a leitura.
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Nat 25/01/2018

Um Copo de Cólera, de Raduan Nassar
Um Copo de Cólera é o livro mais conhecido de Raduan Nassar, ganhador de vários prêmios importantes, incluindo o Prêmio Camões de 2017. Na trama, acompanhamos a história de um casal. Mas não sabemos nada do casal: quem são, nomes, profissão, onde moram – nada!

E, após as 91 páginas desse pequeno livro, continuo com essa sensação. São apenas quatro capítulos, sendo três deles narrados pelo homem e o último narrado pela mulher. A história começa com uma tórrida noite de sexo entre eles, seguida de uma briga no café da manhã. Pelo teor da briga, você pode tirar várias conclusões sobre a relação deles – que é uma relação longa data, que eles se conhecem muito bem, etc.

Resenha completa em vídeo, em breve

site: https://www.youtube.com/c/PilhadeLeituradaNat
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Moo 14/01/2018

Que livro!
Um livro com menos de 100 páginas cheio de intensidade! Um livro forte, reflexivo e que dá socos no estômago! Apesar de ser pequeno não consegui ler numa sentada devido a intensidade dele!
O livro seria um bloco único se não fosse a divisão dos capítulos. Raduan não utiliza ponto final a não ser no término de cada capítulo. Essa estratégia faz com que a intensidade aumente já que não há pausas - nem nos diálogos. Assim, ele vai misturando falas, lembranças, pensamentos...
O personagem principal me deixou inicialmente com raiva contribuindo para que eu não lesse tudo de uma vez. Do meio pro final do livro a raiva foi passando e comecei a acha-lo um idiota que busca ferir a jornalista com suas palavras, mas ela é astuta e não deixa por menos. Os diálogos entre o casal principal são cheios de alfinetadas, tapas e chutes - quase sempre apenas por palavras. Que diálogos incríveis!
Leiam!
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Tobias 09/01/2018

A cólera na escrita
O autor descreve, com sutileza, reflexões e detalhes, um dia de relacionamento entre um homem e uma mulher. O casal se desentende por questões menores e, por conta disso, brotam do fundo de cada ser uma cólera mútua.
Os capítulos do texto são intensos, de muito fôlego, pois o autor inicia a narrativa e só pontua ao final do capítulo. As frases são separadas por vírgulas, pontos e vírgulas, e o pensamento flui sem barreiras gramaticais. Na destilação de ódio do casal são encontradas reflexões filosóficas da vida que cada um leva. Da mesma forma que cada um tenta ferir o outro com suas palavras, há também, no fundo, um desejo entre eles.
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Oz 29/08/2017

Meio copo de cólera
Sobre a forma, o livro é curto, mas relativamente denso. Não me incomodei em nada com a escrita sem pontos finais, já que um dos meus escritores favoritos, Saramago, também não é lá muito ortodoxo nesse sentido. Até acho que é um ponto positivo, já que dá uma fluência e uma dinâmica grande no fluxo de pensamento dos personagens.

A história começa com um casal fazendo amor e, na manhã seguinte, o sujeito se enfurece com as formigas que comem a cerca-viva do seu jardim. Ele sai chingando tudo quanto é coisa e a mulher (jornalista) toma as dores dos empregados, repreendendo a forma bruta com que o sujeito se expressa. Nisso, começam a entrar na discussão as visões de sociedade conflitantes entre os dois, rolando algumas metáforas com o tempo em que a obra foi escrita.

Tudo isso é bem interessante, mas certamente não faz meu estilo. O que me incomodou nesse livro é que, para mim, a escrita mais lírica e rebuscada com que o personagem-narrador expressa suas ideias não condiz muito com o modo com que uma pessoa pensaria/falaria nessa situação, o que acaba por me soar um texto poético, porém artificial e cansativo. Embora a literatura se permita lançar mão justamente desse estilo mais "complexo" de texto, isso só me agrada quando vejo um sentido para aplicar essa forma aos personagens. Na obra, os personagens acabam sendo apenas uma alegoria para expor ideias conflitantes. Nesse caso, o que importa para o autor, é mais ressaltar a discussão de ideias do que desenvolver uma trama ou a fazer uma caracterização mais pormenorizada dos personagens. Essa escolha, para o meu gosto, é como beber de um copo meio cheio ou meio vazio, que, ao mesmo tempo, mata a sede com algumas frases marcantes, mas não me satisfaz completamente como leitor.

site: www.26letrasresenhas.wordpress.com
Fabíola 03/09/2017minha estante
Eu amei a escrita de Raduan Nassar. Ao contrário do que você sentiu, eu fiquei extremamente envolvida pelos diálogos, pelas supostas atitudes, analogias...enfim, um dos melhores livros que tive contato. Não sei sua opinião sobre por exemplo , Crime e Castigo de Dostoiévski, mas esta sim , foi uma obra que custei a gostar.


Oz 03/09/2017minha estante
Fabíola, ainda não consegui ler Crime e Castigo, mas certamente esse dia chegará! Acho que sou mais a exceção por não ter gostado tanto do Um Copo de Cólera, embora eu consiga perceber suas qualidades.




Jaina 22/08/2017

Intenso!
É uma novela, um livro curto. Curto como são curtos os ataques de fúria. Nassar é difícil de ler, pelo menos para mim. Mas o cansaço que sinto quando me deparo com o fim de uma obra sua não é pela leitura difícil, é pela vida, pelas pessoas. Talvez o mesmo cansaço que faz com que o personagem se isole em sua chácara, cercado de plantas e em companhia de seu cão, Bingo. Talvez seja esse mesmo cansaço que contaminou o autor e o fez se isolar da sociedade, criando coelhos e talvez criando personagens mais intrigantes do que esses que aqui se apresentam...
Um copo de cólera fala de humanidade, sexo, raiva, influência materna e relações conflituosas, jogo de poder... Fala da vida. A vida crua, dolorida e defeituosa.
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Manoel 28/05/2017

Um dos grandes clássicos da literatura brasileira
A obra nos traz um embate verbal de um casal, desencadeado por um acontecimento frívolo, que vai crescendo até atingir o ápice da fúria. O modo mordaz como as provocações e ofensas, entre o homem e a mulher, vão se desenvolvendo, é de uma eloquência ímpar, orgasmática, com construções textuais ricas de lirismo. O final é totalmente imprevisível. Embora seja pequeno em número de páginas, o livro requer uma leitura mais morosa e atenta, primeiro para capturar todo o significado e essência de seu rico vocabulário e, segundo, pelo prazer que sua leitura fomenta. Tal como um bom vinho ou uma boa cerveja artesanal, é leitura para ser apreciada em pequenas doses. Magnífico!

Nassar possui uma trajetória meio estranha, mas fascinante, no mercado editorial brasileiro. Na década de 70, escreveu dois livros que entraram para a história por sua qualidade e, depois, desgostou da Literatura, abandonando-a. Foi se dedicar à vida no campo, indo viver em sua fazenda. Anos depois, desgostou novamente, e doou a propriedade para uma universidade, de novo surpreendendo todos. Avesso à popularidade, Raduan nunca se acostumou com os holofotes.

Em tempos recentes, recebeu ataques injustos de muitas pessoas, ao fazer críticas ao governo do pulha e corrupto Michel Temer, durante a cerimônia de entrega do Prêmio Camões, uma das maiores honrarias que um escritor em língua portuguesa pode receber. Na ocasião, foi criticado pelo então Ministro da Cultura (!), Roberto Freire, que, recentemente, foi citado no esquema de corrupção do "Mensalão do DEM". Enfim, nada que possa, obviamente, manchar o legado literário e biográfico do escritor.
Jaina 22/08/2017minha estante
Eu adoro a forma dele descrever as cenas. E o erotismo dele é cru.
É uma história "simples", mas ao mesmo tempo cheia de nuances. Nassar é demais!


Manoel 23/08/2017minha estante
Concordo, Jaina!




Josiene 01/05/2017

?
Não sei bem o que pensar desse livro, na verdade novela, eu achei que era um romance tórrido, mas aí aquela discussão muito esquisita, nessa hora tive impressão que estavam falando da ditadura militar por conta de vários termos que apareciam durante as agressões verbais como exílio, censura, e outros. Mas estou me sentindo uma analfabeta funcional sabe, aquela pessoa que sabe ler mas não entendi nada do que está escrito.
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ThelioFarias 12/03/2017

Um classico
"Um copo de cólera" é um clássico brasileiro, do premiado Raduan Nassar, recentemente agraciado com o Prêmio Camões. Livro bem escrito, de forma elegante e artesanal.
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Thaisa 26/02/2017

Intenso!
Bom, não tenho muito o hábito de ler livros clássicos. Não que eu não goste, mas geralmente os clássicos precisam de um pouco mais de tempo para serem lidos, apreciados e tempo sobrando é algo que não tenho no momento. Minha pilha de livros atrasados só aumenta, então preciso otimizar meu tempo. Porém, coloquei uma meta de ler livros clássicos da literatura erótica para ver as diferenças existentes nesse gênero em nossa atualidade e Um Copo de Cólera está em minha lista.

Apesar do livro ser classificado como um clássico da literatura erótica, não o considero um livro erótico propriamente dito, ao menos não dentro dos padrões que estamos habituados atualmente. Posso dizer que esse é um livro psicológico, um erotismo psicológico que desperta no leitor uma sensação de envolvimento grande e uma entrega total aos sentimentos. É o mesmo que acontece em um momento de prazer, certo? Só que aqui o "prazer" está em se aprofundar nos pensamentos e sentimentos do personagem de uma forma que você não consegue largar. Me senti envolta em uma teia de aranha, um emaranhado eroticamente psicológico.

A narrativa do autor é intensa. Não tem paradas para o leitor poder respirar. É difícil respirar. Você se perde em meio a um turbilhão de sentimentos que começam de maneira sutil até chegar ao clímax da cólera depois de um fato totalmente bobo que envolve uma cerca viva e formigas. O texto também pode ter diversas interpretações em relação ao casal protagonista. Casal esse que não tem um nome e nem há a necessidade de ter. Infelizmente não posso comentar as minhas impressões nessa resenha ou será spoiler.

Enfim, esse meu primeiro contato com Nassar foi marcante. Apesar do livro ter poucas páginas ele é intenso. Tão intenso que terminei a leitura me sentindo tonta, confusa e cansada. O autor consegue passar todo o sentimento do personagem no decorrer da narrativa. Sentimos a intensidade aumentando progressivamente até haver uma explosão da cólera. É magnífico como ele joga com as palavras!

Por ser um livro clássico, a linguagem pode não ser de fácil entendimento, mas eu recomendo muito essa leitura! Se você está em busca de uma leitura intensa, que vai dar um nó em sua cabeça, te fazer pensar e ainda assim não compreender como tudo aquilo acabou acontecendo, esse livro é pra você!

Resenha publicada no blog MInha Contracapa:

site: http://minhacontracapa.com.br/2017/02/resenha-um-copo-de-colera-de-raduan-nassar/
Alê 03/03/2019minha estante
A tua resenha resumiu as minhas impressões, Thaisa. Foi exatamente assim que eu fiquei ao terminar o livro.


Thaisa 04/03/2019minha estante
Ah, que bom Alê!




Isotilia 06/02/2017

Livro interessante
Mais comentários no blog.

site: http://500livros.blogspot.com/2017/02/raduan-nassar-e-universidade-federal-de.html
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Madsea 30/01/2017

Então, né?
Nesse romance, Raduan deve ter usado umas 7.000 vírgulas e aproximadamente 5 pontos finais. Eu não sei se entendi, mas eu gostei.
Jaina 22/08/2017minha estante
Não sei se entendi, mas gostei. Hahahaha




Fabíola 14/01/2017

Um copo de cólera
Comprei hoje e acabei nesse instante a leitura... estupefada....
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Um livro repleto de sentimentos transbordantes, excessivos, um comportamento egoíco, um exarcebamento de uma relação contubarda, perturbadora, amor e ódio juntos...
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Os capítulos se passam de forma surpreendente...O primeiro e o último capítulo possuem o mesmo nome: A chegada, demostrando o objetivo do escritor.
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A trama se passa entre dois narradores que formam aparentemente um casal, nada além é revelado, nesse ponto nossa criatividade é aguçada...serão amantes? Namorados? Casados?...
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O clímax do livro inicia-se com um fato aparentemente superficial da cerca viva do narrador ter sido destruída por formigas e a partir daí a cólera apresentasse de forma contundente... Não há como parar de ler...
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Fiquei surpreendida......E pensei: quantos de nós não possuímos tanta cólera dentro de nosso ser... quantos de nós não vivemos relações conflituosas... Não nos deixamos levar pela escuridão de situações... Não criamos nossas próprias celas... Não usamos máscaras para sobreviver a momentos dolorosos?... Não somos fascistas de nós mesmos?...
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Uma leitura de tirar o fôlego...
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5/5
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15/01/2017minha estante
Resenha muito boa. Vou colocar na minha lista de próximas leituras.


Fabíola 15/01/2017minha estante
Obrigada Zé depois conte-me.


Jaina 22/08/2017minha estante
Eu adoro a forma dele descrever as cenas. E o erotismo dele é cru.
É uma história "simples", mas ao mesmo tempo cheia de nuances. Nassar é demais!


Fabíola 22/08/2017minha estante
Concordo Jaina . Um dos melhores escritores na minha opinião.




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