Lobo de Rua

Lobo de Rua Jana P. Bianchi
Jana P. Bianchi




Resenhas - Lobo de Rua


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Thiago 17/07/2015

Prólogo com esteroides
Lobo de Rua é uma novela, ou livro curto, do futuro livro da Janayna, Galeria Creta. Apesar de não saber os detalhes dele, achei Lobo de Rua um prólogo estendido.

Pra mim, um dos problemas de prólogos é o despejo de informações. Por ser uma introdução, o autor geralmente enche essas páginas iniciais com descrições excessivas e explicações desnecessárias sobre a "mecânica" do mundo, como ele funciona. De certo modo, isso acontece em Lobo de Rua, mas sem exagero e com um diferencial: a escrita de Janayna. Ela insere as exposições bem espaçadas, em diálogos e pontos de vista dos personagens. Sua prosa é leve e divertida, bem humorada em alguns momentos e mais sombria em outros, acertando o tom das passagens. Aliás, um detalhe (ou falta dele) que eu gostei muito foi a Janayna ter optado por não descrever cada canto de São Paulo. Essas descrições, que me parecem mais ligadas às emoções do autor que ao propósito das cenas, faz a leitura se arrastar, ao menos pra mim.

A única coisa que me incomodou um pouco, mas acredito que seja picuinha minha, porque não vi mais ninguém falar sobre isso, foi a constante troca de pontos de vista dos personagens, especialmente no capítulo 2. Trocamos entre a cabeça de Raul e Tito de um parágrafo para o outro, às vezes. Esse pingue-pongue me deixa um pouco confuso — eu gosto de manter o foco nos pensamentos e motivações de um personagem pelo menos durante o capítulo inteiro. Claro, nada disso tira o mérito da grande história de Janayna e de sua escrita maravilhosa.

Recomendo à todos. Fantasia nacional em belíssimo nível, feita com talento e dedicação.
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Queria Estar Lendo 20/06/2018

Resenha: Lobo de Rua
Lobo de Rua é uma novella do universo Galeria Creta, da autora Jana P. Bianchi. Enquanto o livro está sendo produzido, essa curta história nos dá uma introdução à fantasia urbana que vai compor o mundo da autora; e é um começo bastante impactante.

Na história, Raul vive uma vida difícil, morando nas ruas, sobrevivendo à própria sorte, e tudo fica ainda mais complicado quando ele se descobre um lobisomem. A licantropia e sua origem são o pano de fundo para a trama que acompanha esse garoto aterrorizado pela nova realidade; a ajuda aparece de repente, na forma de outro licantrope chamado Tito. Ele se oferece para guiar Raul nessa nova vida, ciente dos pesadelos que o jovem está para enfrentar. Ciente, também, de que existe uma maneira de conviver com essa maldição.

"Raul era coadjuvante, sua vontade não importava. Era o monstro quem estava no comando daquele corpo, e ele só queria comer."

A narrativa da Jana te fisga logo de cara. É uma história rápida, com uma escrita bem fluida e ideias bastante originais. Fantasia urbana é um dos subgêneros da Fantasia que mais me agradam, então encontrar uma trama como essas, com personagens carismáticos e um cenário tenebroso e familiar que é a grande São Paulo, foi um pote de ouro.

Através dos tons sombrios da maldição da lua, a autora nos mostra que a vida de Raul já era um grande tormento antes de ganhar esse adicional perturbador. As ruas e a incerteza e a solidão, principalmente, são os maiores demônios do garoto. Some isso a ser dilacerado pelas luas cheias, obrigado a se transformar em uma fera sedenta por sangue e carne, e dá para ter uma ideia do que o pobrezinho enfrenta no passar da história.

Com Tito, no entanto, Raul encontra gentileza e uma presença atenciosa muito bem-vindas nesse período de transformações; ele não é só um garoto abandonado, afinal. Existe uma doença, uma maldição que fazem dele um risco para todos que cruzarem seu caminho - e, sem saber controlar, sem sequer saber o que esperar da licantropia, Raul precisa de orientação.

"A maldição do lobisomem era desgraçada, mas o menino já parecia viver sua própria maldição."

Eu gostei bastante das interações entre os dois. O laço empático se forma logo no início porque Tito sabe pelo que o rapaz está passando; ele viveu o suficiente para entender. Mas existe uma melancolia e alguma coisa diferente em Raul que impelem Tito a olhar por ele. A não dar as costas como faria em qualquer outra situação. Um pai cuidando de um filho, um irmão mais velho de um mais novo. São interações bonitas, emocionantes. E o final é de partir seu coração.

A aura macabra e sombria da trama combina com o universo fantástico apresentado pela autora; além de lobisomens, menções a outras criaturas de lendas e mitos antigos recheia as páginas com easter eggs. Promessas do que pode aparecer quando o livro expandir esse universo.

"Mas meninos como Raul sempre davam seu jeito de alimentar a mente e a alma: moleques de rua também contavam histórias."

A edição da Dame Blanche está impecável. Passei por uns poucos errinhos de revisão, mas nada que atrapalhe a leitura. A capa é de encher os olhos e a diagramação combina perfeitamente com o que nos é apresentado pela obra.

Lobo de Rua atingiu todas as expectativas que eu tinha e ainda conseguiu superá-las. Jana P. Bianchi criou um universo tenso e instigante; e já estou aqui esperando por mais.

site: http://www.queriaestarlendo.com.br/2018/06/resenha-lobo-de-rua-mlo2018.html
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neo 19/06/2015

Quem acompanha o blog sabe que eu não tenho um grande amor por fantasia urbana não. Leio um livro ou outro do tipo de vez em quando, mas não é um subgênero que me agrada o suficiente pra que eu faça disso um hábito. Por isso comecei a ler Lobo de Rua - que é uma novela, tendo apenas umas 60 páginas - um tanto hesitante, mas a história logo me conquistou e eu deixei minhas neuras de lado.

A primeira coisa que me agradou foi a escrita. Sou muito chata nesse aspecto (e acho que todo mundo aqui já sabe disso), mas a escrita da autora me agradou bastante e fez a história fluir de modo perfeito. Como não estou acostumada a ler novelas ou contos (livros são muito mais minha praia mesmo), pensei que acabaria a história me sentindo insatisfeita por causa das poucas páginas, mas a boa da qualidade da escrita e os personagens interessantes provaram meus temores infundados.

Outra coisa que curti foi a "naturalidade" do texto. Na maior parte das vezes que leio um livro nacional de fantasia ou sci-fi (e nisso incluo distopia, óbvio) fico com a impressão de que tanto a narrativa quanto os diálogos soam demais como se fossem traduzidos do inglês. Sei que tecnicamente isso não faz sentido nenhum, mas acho que é um efeito colateral de lermos tantas coisas de fora, e bem, inglês e português são línguas bem diferentes. Usar uma do mesmo modo que se usa outra não dá muito certo, e é exatamente por isso que tradução é um negócio que dá um trabalho dos diabos e que pode dar errado pra cacete. Escrever em português usando a mesma estrutura do inglês? Fica horrível, pelo menos pra mim. Lobo de Rua escapa disso, felizmente. A novela soa "em português" do início ao fim, graças aos céus.

A única coisa que me incomodou mesmo foi que o final ficou um tico corrido. Nada muito grave, mas eu gostaria de ter passado mais algum tempo nas cenas finais para poder compreender o Raul melhor, por exemplo.

De qualquer forma, Lobo de Rua é uma história muito boa e que me deixou curiosa sobre o universo que a autora criou. 4.5 estrelas.

site: http://chimeriane.blogspot.com.br/
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Laís Helena 15/07/2015

Resenha do blog "Sonhos, Imaginação & Fantasia"
Lobo de Rua introduz o leitor ao universo de A Galeria Creta (livro ainda em processo de escrita) nos apresentando a Raul, um jovem morador de rua com uma condição que torna sua vida ainda mais difícil: a licantropia. Porém, ele é acudido por Tito Agnelli, que, até onde se sabe, é o único outro lobisomem que habita São Paulo nos dias atuais, e com a ajuda dele, compreende o que é ser um lobisomem — desde a contaminação até as consequências de abrigar uma fera incontrolável em seu interior.

Essa premissa simples se desenrola em uma trama bem elaborada, que vai aos poucos ampliando o universo apresentado pela autora, ao mesmo tempo em que deixa o leitor querendo mais, com uma surpresa no final que provavelmente abre caminho para a provável premissa de A Galeria Creta. E, falando em universo, apesar de apenas alguns pequenos detalhes terem sido apresentados nesta novela, vê-se que ele foi muito bem construído: os lobisomens, a Galeria Creta e diversos seres fantásticos (como vampiros e videntes) que foram citados rapidamente na história foram mesclados de forma tão coerente com um cenário real (São Paulo) que não fica difícil imaginar que eles possam existir.

Outra coisa que me agradou muito foi a escrita. Livros de novos escritores (e não somente de escritores brasileiros e independentes) geralmente apresentam a escrita um pouco imatura, muitas vezes relatando a história em vez de mostrá-la e deixar que o leitor a sinta, mas isso não aconteceu com Lobo de Rua. A narrativa apresenta todos aqueles detalhes necessários para me fazer sentir como se estivesse vivendo uma história, ao mesmo tempo em que é fluída, fazendo as páginas se virarem sozinhas (li toda a novela em uma única “sentada”). O único ponto negativo que eu poderia citar é que faltaram descrições, tanto de lugares famosos de São Paulo quanto da Galeria Creta.

Os personagens são poucos, mas bem construídos. Ainda que as motivações de alguns deles não tenham ficado claras, ou que o mistério tenha se mantido, é possível perceber que existem. Além disso, a maneira como a autora retratou seus dramas (especialmente os de Raul, um menino de rua) os tornou mais críveis e humanos.

Também destaco a maneira como foi abordada a licantropia. Podemos reconhecer o mito do lobisomem, que nesta história também se transforma com a lua cheia, mas a autora inovou na forma como a licantropia é transmitida, e também em alguns detalhes sobre as consequências de se transformar em um lobo todo mês. Não falarei muito sobre isso para não estragar a surpresa.

O final encerra essa história de maneira que, embora não previsível, soou adequada à trajetória de Raul. Ao mesmo tempo, deixa algumas pontas em aberto, encaminhando o leitor para as histórias que estão por vir e fazendo-o ansiar por elas. A revisão é impecável, e todo o cuidado de Jana com os aspectos da obra (que possui excelentes ilustrações) nos prova que a publicação independente é uma alternativa, e não a falta dela.

site: http://contosdemisterioeterror.blogspot.com.br/2015/07/resenha59.html
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Stefanello 24/08/2015

Desbravando Lobo de Rua
Embalado pela Maratona Literária que o blog Me Livrando organiza de vez em quando, resolvi apostar em um livro nacional curtinho, com menos de 100 páginas, mas muito bem recomendado!

Lobo de Rua, que faz parte do universo da série A Galeria Creta, escrito pela autora Jana P. Bianchi, conta a história de Raul, um guri adolescente que mora abandonado à própria sorte nas ruas de São Paulo, vivendo cada dia como se fosse o último. Ao mesmo tempo que busca explicações para o que está acontecendo, Raul é resgatado das ruas por Tito, um imigrante italiano que mora na cidade e é bem mais do que parece. Ele é o que Raul está se tornando: um lobisomem.

Munida de uma narrativa bem detalhada, temos uma obra onde todos os cinco sentidos são explorados, fazendo com que o leitor sinta-se lá dentro da cena, junto de Raul, como se fosse parte do cenário, principalmente nos momentos em que as transformações para lobisomem ocorrem.

Aliás, transformações essas que tiveram um bom destaque no desenrolar da trama de Lobo de Rua. O corpo sendo rasgado por dentro, os pêlos crescendo, ossos se quebrando para formar novos, enfim, tudo está ali, narrado do jeito que deveria ser feito, preparando o leitor para o que virá.

Para Raul, acostumado a passar fome e viver em perigo constante, ser um lobisomem é uma dádiva ou uma maldição? O que é pior, quase morrer de fome ou matar outras pessoas para saciar a sua sede? São questionamentos dessa magnitude que o leitor se encontrará fazendo durante a leitura.

"O registro da desgraça eterna do menino não podia ser mais apropriado: manchando sua cama improvisada, a lágrima de sangue simbolizava, ao mesmo tempo, o desemparo de seu presente e a maldição que o aguardava no futuro."

E é isso que faz essa "prequela" para a série A Galeria Creta ser tão boa. Permeada por um humor ácido e descobertas novas a cada página, a relação de Tito e Raul vai se desenvolvendo aos poucos, com o italiano tentando mostrar ao guri o quão complicada pode ser uma vida dupla, quais são as consequências de seus atos e que nem tudo está perdido. Sempre há uma saída. Sempre há uma escolha a ser feita, como vocês perceberão nos capítulos finais, bem imprevisíveis, por sinal.

Reunindo diversas citações a locais conhecidos dos habitantes da capital paulista, também temos alguns aspectos da História do Brasil sendo levemente comentados, os quais eu espero saber mais nas próximas obras, principalmente no que se refere aos Lobos Farrapos. Cobrarei depois, Janayna!

"— Além de ilustrações fudidas — continuou Tito, fechando o volume —, o livro tem anexos que enumeram os primeiros lupinos que emigraram do Velho Mundo, a lista dos bandeirantes devorados por lobisomens do interior e as participações das alcateias mais clássicas nas principais escaramuças do país. Dizem que licantropos Farrapos lutaram ao lado de Garibaldi na Revolução, sabia?"

Sem contar que o livro menciona outros tipos de criaturas, como "vampiros que não brilham", minotauros, chupa-cabras e assim por diante. Imagino que eles aparecerão nos livros posteriores!

Os personagens de Lobo de Rua, mesmo sendo tão poucos, foram bem construídos e tiveram os seus desfechos encaminhados, o que é sempre complicado de se fazer em um livro de poucas páginas. Ao conversar com a autora, descobri que um desses personagens será de grande importância no livro #1 da série, A Galeria Creta, que deve ter o seu primeiro volume publicado no 1º semestre de 2016.

Para um livro de estreia, a qualidade do texto é muito boa, explorando muito bem a narrativa, de forma que ela não ficasse entediante e sempre trouxesse algo novo e importante para a trama, trocando pontos de vistas constantemente e, ao mesmo tempo, não deixando o leitor confuso.

Poderíamos ter mais alguns aspectos explorados se a obra tivesse mais páginas, é claro, como alguns caçadores de lobisomens cujos nomes foram apresentados e parecem ser parte importante no decorrer da história d'A Galeria Creta, mas o resultado final foi muito satisfatório.

Essa releitura da lenda dos lobisomens, aliada a uma ambientação urbana simples e bem atual, faz com que A Galeria Creta seja uma das séries nacionais a se observar e apreciar nos próximos anos!

site: http://desbravandolivros.blogspot.com.br/2015/08/resenha-lobo-de-rua-jana-p-bianchi.html
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Paola 18/06/2015

Fantasia Urbana de alta qualidade
Essa foi, sem dúvida, uma das melhores histórias que li esse ano. A escrita da Janayna é deliciosa, fluida, te traz para dentro das cenas de uma forma quase assustadora. Não consegui parar de ler até terminar, e a cada parágrafo fui surpreendida com a criatividade do universo criado e a complexidade dos personagens.

Essa é uma história de fantasia que se passa em São Paulo, e confesso que no começo fiquei com o pé atrás de ler fantasia urbana nacional. Não podia estar mais enganada; foi muito legal reconhecer os lugares que a autora descrevia - me senti em casa. E o mais gostoso, o final é surpreendente!

Para quem gosta de fantasia no geral, dark fantasy, fantasia urbana, vale muito a pena! Super recomendo!!!
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Igor Feijó 21/08/2015

Uma Fantasia Urbana selvagem com pinceladas de drama.
Se você cansou das costumeiras histórias sobre lobisomens, recomendo fortemente esta belíssima obra.

Aqui nosso protagonista extremamente bem construído passa por uma transformação, não só física como já vem apanhando moralmente de uma sociedade que não o enxerga. Os personagens e o desenvolvimento da trama te prendem do inicio ao fim, sempre surgindo elementos pelos quais você se intriga. É uma excelente adaptação do cenário brasileiro, a autora utiliza São Paulo de um jeito monocromático e profundo, e quando digo monocromático não é de forma a exaltar a perda das cores, mas os tons de cinza e escuridão que a vida dos personagens passeia.

Uma leitura que vale muito a pena!
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Vinícius 25/08/2015

Recomendo!
Lobo de Rua é uma novela, uma história curta que nos introduz na fantasia urbana que a autora pretende nos trazer logo. O texto é fluido, muito interessante e cativante, diferente de muito do que se tem visto por aí. Vale a pena dar uma chance a esta releitura da lenda do Lobisomem, que também faz parte do nosso folclore!
Vou destacar dois pontos positivos e dois pontos negativos da obra:
+ Narrativa fácil, sem enrolações, direto ao ponto sem deixar de explicar o ambiente à volta da história e dos personagens;
+ Personagens cativantes (pelo menos os dois principais), com voz própria.
- A autora usa muito "disse fulano", "disse ciclano" durante os diálogos. O lado ruim não é só pelo uso excessivo do verbo dizer (ela poderia, também, usar outras formas para indicar quem está falando, explicitando alguma ação ou trejeito no momento do diálogo). Além disso, há uma incessante repetição em alguns capítulos do nome dos personagens que falam; às vezes, não é necessário indicar quem está falando, as próprias palavras escolhidas e o encadeamento delas deixam claro ao leitor.
- Há uma quebra na narrativa que não me agradou, mais ou menos com 60% da história, mudando ligeiramente o foco. Eu entendi o motivo dessa quebra, serve para ligar ao ponto do livro que Janayna logo publicará deste universo, mas, na minha opinião, incomodou pela própria proposta da novela. Nada que uma nova revisão ou um pouco mais de cuidado não deem conta.

Além disso tudo, ressalto que há um tipo de "plot twist" que, na minha visão, foi simplesmente demais! Nada clichê, e nada que faça o leitor achar a história previsível, ou que a autora quer enganá-lo. Não é um mistério, apenas a opção da autora em mostrar o verdadeiro foco da história narrada.

Boa leitura a todos! Podem comprar sem medo!
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Brena 11/05/2019

Lobisomens, sofrimento, mitologia, fantasia.
Peguei esse ebook esperando ler mais uma aventura sombria e cheia de ação sobre lobisomens, porém me deparei com uma trama introspectiva, que fala de sofrimento e compaixão. E isso foi ótimo. Quando chegou a ação da trama, já estava completamente envolvida na árdua vida de Raul e Tito. A Jana economiza nas palavras e torna a leitura fluída e mais rica e original que muitos calhamaços por aí. A história, além de apresentar uma nova mitologia sobre os licantropos, também serve para introduzir a Galeria Creta, a qual tem um potencial enorme de desenvolvimento para várias fantasias.

“Mordida não é coisa de lobisomem. Não, não, é frouxo demais, sensual demais. Morder para se multiplicar é coisa dos malditos chupadores de sangue, dramáticos e metafóricos como são.”


site: https://cronicasfantasticas.com/category/folheando/
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raposisses 05/07/2019

adorei a escrita, a construção de mundo, o ritmo (muita gente vai achar lento demais, mas gosto de introspecção), e o final me surpreendeu! apenas duas coisas:
- gostaria que o dito final surpreendente tivesse tido um pouco mais de construção em cima antes de chegar naquela conclusão
- pelo modo que certos personagens foram introduzidos para obviamente serem o foco de uma continuação, não sei se tenho interesse em continuar a série (se ela continuar), porque os digos personagens não me agradaram muito. não tenho a mínima vontade de ler um livro com o téo como protagonista, por exemplo. mas o minotauro parece interessante.
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Haniel Ferreira 11/02/2020

Lobo de Rua é uma daquelas histórias que te fazem entrar na maior cidade do Brasil e enxergar que, de fato, ela pode ser o palco dos mais fantásticos e estranhos acontecimentos que jamais foram imaginados.
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Lucas Furlan - Valeu, Gutenberg! 21/01/2019

Resenha | Lobo de rua, de Jana P. Bianchi
Esqueça os lobisomens americanos que passeiam por Londres ou Paris. A novela "Lobo de rua" da escritora Jana P. Bianchi, narra, com muita originalidade, a história de um lobisomem brasileiro que vive em São Paulo.

***Raul, o lobo de rua***

O lobo do título é Raul, um jovem miserável que mora nas ruas da capital paulista. Sem saber como ou por quê, ele começa a se transformar em lobisomem nas noites de lua cheia, num processo doloroso, violento e traumático. Numa de suas transformações, ele é encontrado por Tito Agnelli, um italiano que há décadas é vítima da mesma maldição.

Tito assume a responsabilidade de ensinar ao rapaz os mistérios da licantropia e as melhores formas de suportar seu destino.

***Fantasia e crítica social***

A escrita de Jana P. Bianchi (que também é editora da revista virtual Mafagafo) é muito envolvente. "Lobo de rua" é um texto curto, mas a autora conseguiu desenvolver nele uma nova mitologia para seus lobisomens: a forma de contaminação, o tempo de vida, a organização das alcateias, as habilidades especiais, etc. E essas novas ideias são muito interessantes!

Na novela também há espaço para crítica social. Por não ter instrução, Raul tem dificuldade para entender sua situação. A vida nas ruas fez dele um rapaz cheio de dor e medo e essa característica se acentua a cada nova transformação:

"Enfim, afundou ainda mais no lixo fedorento e começou a chorar. Queria ficar bem quieto, sumir, dormir e nunca mais acordar. Mas a vida insistiu em passar. Em um mês, a lua impiedosa minguou, nasceu, cresceu e voltou a sorrir prateada e quase toda cheia no céu nublado do verão."

***A Galeria Creta***

À medida que a leitura avança, novos elementos vão aparecendo, ou apenas sendo citados, na trama: caçadores de lobisomens, ciganas, minotauros, um rapaz cético chamado Téo e um local misterioso, a Galeria Creta. É lá que uma reviravolta acontece na trama de Raul.

Mas daí o livro acaba.

Confesso que num primeiro momento fiquei frustrado. Não pela leitura ter sido ruim, muito pelo contrário, mas porque eu queria saber mais.

Foi só então que descobri que "Lobo de rua" é justamente uma introdução ao universo da Galeria Creta, que será ampliado em outras histórias de Jana P. Bianchi. Isso não é segredo pra ninguém, eu que estava mal informado…

Fiquei animado com a notícia. O universo criado pela autora tem tudo para render várias outras narrativas e eu já estou com vontade de lê-las. Aliás, é difícil não ter esse sentimento ao finalizar "Lobo de rua".

Se você gosta de fantasia urbana, ou se quer conhecer melhor esse gênero, a novela de Jana P. Bianchi é uma ótima pedida!

site: https://valeugutenberg.wordpress.com/
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Vilson 25/01/2016

Para além de luas cheias e balas de prata.
Sempre que preciso avaliar um livro, me vejo diante de um dilema: apreciar como teórico ou como diletante?

Isso faz muita diferença, pois o pomo de ouro da análise estética é justamente ser capaz de analisar objetivamente coisas que você não gosta (mas entende que são bem construídas) e apontar erros (ainda que doa) em coisas que você gosta; o segundo, por sua vez, é o leitor que mede uma narrativa com sua régua customizada: o gosto. O teórico avalia clinicamente; o diletante só quer se apaixonar por um livro. O primeiro precisa que o livro lhe proporcione um almoço de bom tamanho; o segundo exige uma noite de amor com luz de velas, pétalas de rosa e Marvin Gaye de trilha sonora.

Com Lobo de Rua, não passei por esse dilema. Me apaixonei pelo livro tão logo comecei a leitura, e ainda tenho dificuldade em encontrar nele problemas de formais ou temáticos. É talvez o livro mais "sabonete" que li em 2015. Melhor que isso: é um livro sobre lobisomens, que se passa em São Paulo e eu, que morro de medo de narrativas de terror e suspense e costumo não gostar de fantasia urbana, grudei obsessivamente nele.

Em Lobo de Rua, Janayna Pin nos apresenta um mundo profundamente sinestésico - cada textura e odor nos é descrito com riqueza de detalhes, e isso quase nunca é agradável, mas é satisfatório pra p*rra.

Neste mundo pitoresco, a licantropia é uma triste realidade, uma aflição, uma doença. Aqui, não podemos esperar por lobisomens completamente "alterizados" - nós os vemos, em sua forma humana, lamentando o que fazem quando se tornam monstros sob a influência da lua cheia: sim, eles se arrependem e tentam se controlar - o que não é possível.

Por outro lado, também não podemos esperar "monstros conscientes" aqui - ao contrário da opção de muitas narrativas de horror e ação mais recentes, os lobisomens descritos por Pin, tão logo estão transformados, são tomados pelo que há de mais básico em seus seres e se rendem por completo à fome e à libido. Nada pode parar seu avanço animalesco contra o que estiver em seu caminho.

Neste contexto, somos apresentados ao jovem morador de rua Raul (com um nome estranhamente onomatopaico) e ao italiano expatriado Tito, e só eles importam para esta análise. Não me entenda mal, outros personagens são apresentados, com destaque para o Minotauro, um ser mitológico que rege um submundo fantástico sob São Paulo - ele é uma mistura dos personagens interpretados por Tom Wilkison em Batman Begins (Chris Nolan, 2005) e Denzel Washington em Dia de Treinamento (Antoine Fuqua, 2001), sem contar a cabeça de bovino, evidentemente.

Entretanto, "carisma macho" à parte, dois terços do livro enfocam as interações entre o italiano e o menino, enquanto o primeiro tenta educar o segundo a respeito do que é ser um lobisomem - em suma, uma vida amaldiçoada e desprovida de romantismo, uma vida cujas dores psicológicas e físicas Pin descreve com muito detalhe clínico e nenhuma misericórdia. Sentimos, junto aos dois pobres diabos, o desconforto das mandíbulas em plena expansão e de um rabo brotando na base da espinha.

Aliás, falando em carisma macho, é curioso notar que a autora criou um universo extremamente masculino aqui. Há apenas duas personagens femininas, e embora ambas sejam motores tão essenciais para a trama quanto os demais, são nitidamente obscurecidas. O próprio Tito observa que ser lobisomem é uma condição irremediavelmente masculina, sem qualquer poesia ou romantismo. Com efeito, o mundo que a autora criou reflete isso duramente: um mundo de suor, acotovelamento no transporte público, feridas abertas e sanduíches de mortadela.

Mas nem tudo é presente em Lobo de Rua, e este é um de seus maiores trunfos. Pin estabelece uma história para além da história, brindando o leitor com migalhas de um suposto passado. Pelos olhos de Tito temos um suave vislumbre do que se passou em outras épocas deste, que é um mundo real, mas um tipo de real 2.0.

Problemas? Um só. Janayna Pin não é uma leitura fácil. A autora tem vocabulário e não poupa o leitor de descrições meticulosas. As descrições são tão meticulosas, na verdade, que em muitos momentos parecem saídas de um relatório médico/policial. Leitores que apreciem ação em colheradas fundas também encontrarão dificuldade com este livro de lobisomem - não há lutas ou perseguições. Trata-se, enfim, do drama de dois caras que sabem que são doentes e fazem o possível para enjaular sua doença, de forma que não venham a ferir ninguém. Se você não chorar ao fim dessa narrativa, me parece provável que você não seja capaz de chorar com muitos livros.

Quando digo que esses pontos são problemas, quero dizer que são problemas para certos tipos de leitores. Para mim, que aprecio narrativas de experiência, de ponto de vista e de busca de identidade, foi um belo de um banquete.

E, além do mais, lendo essa pérola, me senti indo mais uma vez a São Paulo, cidade que amo como só um paranaense interiorano e deslumbrado seria capaz de amar. Não tem como não gostar desse livro.
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Julia Santos 05/06/2019

Diferente do que eu esperava!
Esse ebook estava parado a muito tempo no meu kindle, quando resolvi ler de uma hora para outra! No início achei que seria apenas mais uma história sobre lobisomens. Não poderia estar mais engana.. o livro nos ambientaliza a cidade de São Paulo, e só por esse fato já me senti altamente envolvida. Além de mostrar como a licantropia realmente seria se caso existisse na nossa realidade. Achei envolvente, direto ao ponto! Adorei!
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