Nós, os afogados

Nós, os afogados Carsten Jensen




Resenhas - Nós, os afogados


5 encontrados | exibindo 1 a 5


Carolina DC 07/08/2015

Maravilhoso!
"Nós, os afogados" de Carsten Jensen é uma obra atemporal. Dotada de lirismo e com um ritmo poético, somos convidados a nos juntar a inúmeros marinheiros, que tiveram suas decepções e alegrias em meio a um instável lar, o mar. A narrativa é direta, mas ao mesmo tempo ao refletirmos sobre o conteúdo, percebemos que o narrador é intimista e que até mesmo defende um ou outro lado da história. É a capacidade do autor em tornar o narrador um dos pontos centrais do enredo.

"As nuvens acima do mar congelado mudavam, mas ele já as conhecia todas. Havia muito com que os olhos se refestelassem, mas nada para a alma. Albert tinha fome de algo que o céu não era capaz de satisfazer. Em algum lugar do planeta, precisava existir um tipo diferente de luz. Um mar que espelhasse novas constelações. Uma lua maior. Um sol mais quente." (p. 108)

A leitura é densa, e muitas vezes, o narrador oculto nos faz questionar da veracidade do que está sendo narrado. Quando a sinopse menciona que o livro nos remete às epopeias, é verdade, pois a história não gira em torno de um personagem, ou conta um determinado acontecimento. Ela representa inúmeras pessoas que passaram suas vidas no mar, conhecendo inúmeros locais, culturas e pessoas, e ainda sim, vivendo dentro de uma cultura particular: as regras de um navio.

"Não tinha nada a ver com obedecer as regras. A vida lhe ensinara algo muito mais complicado do que a justiça. Seu nome era equilíbrio." (p. 244)

Em relação à revisão, diagramação e layout a editora realizou um trabalho impecável. A capa parece um quadro e combina perfeitamente com a trama.


site: http://www.viajenaleitura.com.br/
Lívia @escritoraliviamessias 07/08/2015minha estante
Adoro suas resenhas, Carolina!


Carolina DC 10/08/2015minha estante
Obrigada Lívia ;)




Blog MDL 07/02/2016

Cem anos de história. Nesse livro, iremos embarcar na vida das pessoas de Marstal, cidade pequena e orgulhosa, cidade de marinheiros, porém pertencente às viúvas e aos órfãos. De 1848 a 1945, há muita história a ser relatada por uma narrativa poderosa, um grande elogio a um modo de vida que ficou para trás deixando apenas lembranças naqueles que viveram ou fizeram parte dos prazeres e sofrimentos presentes ali.

O livro está divido em quatro partes bem elaboradas, de modo a auxiliar o leitor a compreender melhor todos os acontecimentos. Na primeira parte, acompanhamos os marinheiros a uma disputa de um ducado pela Dinamarca na guerra contra a Alemanha em 1848. Dando maior visibilidade a Laurids Madsen, aquele que “foi ao céu e voltou” depois da explosão do navio em que estava e de como passar por essa guerra o mudou, fazendo-o largar sua família e ir embora, deixando todos sem saber se estava vivo ou não.

A partir de um pedaço da primeira parte até a terceira parte do livro, temos Albert como personagem principal, onde sua vida e suas aventuras são narradas, desde o momento em que ele se torna um jovem marinheiro e sai mar afora em busca de respostas e do paradeiro de seu pai, Laurids Madsen, seu amadurecimento e sua evolução de marinheiro a capitão até quando ele decide se fixar em terra, depois de uma longa vida ao mar. Mesmo sendo um dos maiores corretores de navios da cidade de Marstal, sem mulher ou filhos e tendo uma vida boa e confortável, Albert só acha razão para uma possível felicidade depois que conhece o jovem Knud Erik, filho da viúva Klara Friis, com os quais estabelece um laço de amizade e confiança.

Depois disso, passa a ter como personagens principais Klara Friis e seu filho Knud Erik, dando uma pequena conclusão nessa saga de cem anos de muitas aventuras ao mar, muito pranto na terra e muito aprendizado e evolução na pequena cidade de Marstal.

“Nós, os Afogados” me surpreendeu de várias maneiras que eu não esperava. Primeiro: sua narrativa. Nunca havia lido nenhum livro narrado pela primeira pessoa do plural. Esse “nós” que nos conta a história o tempo todo nada mais é todos os marinheiros, as pessoas que ali vivem. Isso trouxe uma abordagem totalmente inusitada, já que os relatos podem ser apenas fofocas das pessoas da cidade ou a mais pura realidade.

Depois: sua temática. Mesmo mantendo o foco em alguns personagens, a história não é sobre eles. Nem mesmo sobre a Dinamarca ou a pequena cidade de Marstal; mas sim sobre o tempo e como as coisas mudam ao longo dele. O tempo nada mais é do que a chave para entender de verdade o que o livro realmente que nos passar. Mesmo relatando a dura vida das pessoas que ali vivem, Carsten Jensen ainda consegue introduzir um humor sagaz em vários momentos ao decorrer do livro.

Não recomendaria esse livro para um leitor “iniciante”, pois além de ser um livro grande, ele é repleto de reflexões e uma filosofia que, para muitos, pode se tornar complicado de compreender. É uma leitura bastante intensa e também relata uma realidade muito cruel da vida dos marinheiros e das pessoas que estão ao seu redor. Mesmo assim, ele traz consigo muitas questões que podemos dizer que são ideais que toda pessoa tenha conhecimento sobre e leve consigo.

Preciso também falar que a editora Tordesilhas, por mais que publique poucos livros, estes são de uma qualidade incontestável. Não li nenhum livro que estivesse abaixo de “muito bom”. Ela consegue cativar os seus leitores de várias maneiras diferentes. Uma das coisas que mais me agrada é trazer livros fora do eixo EUA, muitos da parte Nórdica e mais fria da Europa, com cenários magníficos para a imaginação de cada leitor. “Nós, os Afogados” não está nem um pouco atrás do selo de qualidade Tordesilhas.

Apesar de ser uma história bastante densa, é escrita de uma maneira bem simples, condizendo com a simplicidade do cenário e de seus personagens e narradores. Não é um gênero que eu estou acostumada a ler. Também, acho que nunca li nada parecido. Mesmo assim, é um livro impressionante, um dos melhores que já tive o prazer de ler. Ainda que eu ache que as pessoas que estão começando a se envolver no mundo da leitura agora não devam começar com algo tão intenso, esta é uma leitura mais que recomendada. Espero que vocês gostem tanto quanto eu gostei.

site: http://www.mundodoslivros.com/2015/11/resenha-nos-os-afogados-por-carsten.html
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Túlio 23/04/2018

Monumental! (vou resumir sem muito nhem-nhem-nhem)
Eu estava receoso a respeito do livro, porque havia lido algumas resenhas e críticas (até boas), mas que classificavam o livro {repleto de lirismo, etc...} e essa baboseira toda. Então temia que fosse um daqueles calhamaços maçantes, e tal. No entanto me surpreendi! Foi a melhor leitura do ano! E suspeito que vai ser difícil ler algo melhor ainda este ano.

O livro é basicamente uma mistura de epopeia com romance de formação. Pois atravessa gerações, e ilustra muitíssimo bem como nos influenciamos uns aos outros. Se eu fosse definí-lo em poucas palavras diria que se trata de violência; sobrevivência; fé; raízes, e por aí afora. É simplesmente brilhante! Personagens irão ecoar na memória por muito tempo. O texto em si tem a fluidez de um Jonathan Franzen (calhamaço, mas anda bem...), mas acredito que do ponto de vista estilístico se assemelha muito a um Victor Hugo moderno. Assim fica fácil de sacar a pegada da obra. Leia! Só isso. Livro bom é para compartilhar! Leia!...
Erika.Carvalho 23/04/2018minha estante
Já me convenceu a querer ler, Tulio! Vou procurar o livro ;)


Túlio 24/04/2018minha estante
Meu!... Q livro!... Começa devagar e então depois de umas oitenta páginas engrena q é uma beleza!


27/04/2018minha estante
Me deu vontade de ler em


Túlio 27/04/2018minha estante
Muito, muito, muito bom.




Coruja 01/02/2018

Embora seja escrito em prosa, não tenho dúvidas de que o romance dinamarquês Nós, os Afogados mereça a classificação de epopéia - no sentido de ‘uma extensa narrativa heróica que faz referência a temas históricos, mitológicos e lendários’. No espaço de um século, acompanhamos a história de três homens - Laurids Madsen, seu filho, Albert e Knud Erik, um órfão que Albert acaba ajudando a criar -, confundidas com a história da cidade de Marstal, na Dinamarca, e dos conflitos em que os homens de Marstal se envolvem, incluindo as duas guerras mundiais. Sendo Marstal uma terra de portos e navegadores, essa é também uma narrativa de marinheiros, da evolução dos veleiros para os barcos a vapor e, claro, de ‘histórias de pescador’ - um pé, pois, no realismo fantástico.

O livro é dividido em três partes, cada qual acompanhando um desses personagens em suas jornadas. Tudo começa com Laurids Madsen, que teria ido ao céu após a explosão do seu navio, num conflito entre Dinamarca e Alemanha em 1848. São Pedro lhe nega entrada no Paraíso e ele cai em pé, salvando-se graças ao peso de suas botas. Os primeiros capítulos nos mostram os dinamarqueses capturados na batalha, prisioneiros enquanto aguardam um acordo entre seus governos. Laurids, que pode até não ter visto os portões do paraíso, mas certamente sobreviveu milagrosamente ao combate que acabou com o navio em que era tripulante, muda com a experiência, e um dia embarca num navio para os extremos do mundo e nunca mais retorna.

O foco muda então para Albert, o filho de Laurids. Primeiro assistimos o conflito das crianças com o violento professor da única escola de Marstal, Isager, que não se contenta com a palmatória, somando ao seu repertório socos, chutes e a corda. Esse é um conflito de gerações mas que, segundo alguns dos meninos que já foram para o mar, é necessário, visto que, ao se tornar adulto e marinheiro, as surras apenas aumentam. A violência com que eles precisam se acostumar está presente desde muito cedo, é parte de sua experiência de vida. Passado esse primeiro aprendizado, Albert se torna marinheiro, passando por diversos navios, vivendo a lei do mar e a lei da terra e, após alguns anos, sai em busca do pai, indo parar em ilhas de canibais e cabeças encolhidas. Aqui temos as primeiras referências diretas à Odisséia, com Albert identificando-se com Telêmaco à espera e em busca do pai.

Já velho, Albert tem sonhos premonitórios nos quais enxerga Marstal como uma cidade de navios e marinheiros fantasmas. São os primeiros dias da Primeira Guerra Mundial e, embora a Dinamarca tenha se mantido neutra, seus barcos caíram muitas vezes vítima de submarinos alemães. É dessa maneira que entra em cena o terceiro protagonista do romance: Knud Erik, que ainda menino, perde o pai num desses navios. Albert, que nunca se casou ou teve filhos, acaba se aproximando do garoto, tornando-se a figura paterna na vida dele - e envolvendo-se também com a viúva, Klara Friis.

Albert acaba deixando a fortuna que fez em sua carreira como capitão e corretor de navios para os Friis… e assim temos a terceira parte do romance, que se divide entre o amadurecimento de Knud Erik, sua partida para o mar, e seu envolvimento na Segunda Guerra Mundial; com a história de sua mãe, cujas perdas para o mar fazem com que ela o enxergue como um inimigo e cuja fortuna herdada permite a ela encontrar meios de se vingar.

Todos esses personagens passam por processos de desumanização e depois de reencontro com a própria humanidade, através da violência, de suas buscas pessoais, e do aprendizado que tiram do mar. Klara serve como um interessante contraponto colocado a todos esses homens - ela é a mulher sempre deixada no porto, para quem o mar é uma ameaça, representante do outro lado desse mundo de sacrifícios e imensidões.

O enredo é quase todo em primeira pessoa, mas não enxergamos o narrador (exceto por alguns capítulos em que Albert conta sua jornada) - ele é um dos homens de Marstal, uma das testemunhas daqueles acontecimentos, ele é um homem adulto e é uma das crianças e é também um dos marinheiros nos diferentes barcos por onde passamos; ele é um e muitos e por isso está sempre falando “nós, os homens”, “nós, os meninos”, “nós, os marinheiros”, "nós, os afogados". Não me lembro de ter visto antes essa técnica narrativa, mas embora tenha estranhado de início, foi uma escolha que fez sentido, especialmente a se considerar o coletivo do título. Há também um elemento de universalidade nessa forma de narrar, de abarcar o mundo naquela cidadezinha da costa dinamarquesa; num tom que nos faz pensar em História e Tradições Orais, algo bem presente no fim do livro.

Curiosamente, minha jornada com Nós, os Afogados é também uma pequena odisséia. A primeira vez em que ouvi falar desse livro, foi numa indicação numa revista de avião; em algum ponto sobre o mar entre Recife e Lisboa - e a capa da edição portuguesa foi o que realmente me chamou a atenção. Anotei o título, coloquei na minha lista de ‘querências’ e deixei lá por um tempo. Não sei exatamente quando foi que descobri que o livro também tinha sido publicado no Brasil, mas sei que o encontrei para troca no Skoob e foi assim que ele chegou na minha estante. Foram dois anos até que eu me decidisse por começá-lo - quatro, desde que o descobri naquela viagem - mas, bem, aqui estamos.

Terminando… Nós, os Afogados é um livro intenso, ambicioso, mas que faz jus a essa ambição. Ele me fez viajar, e me deixou com vontade de colocar os pés na areia, de navegar e olhar as estrelas no meio do mar, sem terra à vista. É uma bela e poderosa narrativa, uma boa aventura, repleta de momentos de ‘história de pescador’, sem deixar de ser realista, especialmente em suas perdas e na forma como apresenta a guerra. Mas é também um livro denso, complexo, que se recomenda degustar aos poucos.

site: http://owlsroof.blogspot.com.br/2018/02/desafio-corujesco-2018-uma-aventura-no.html
Lucas Alencar 12/05/2018minha estante
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Júh 08/02/2016

Resenha feita para o Blog Mundo Dos Livros
Cem anos de história. Nesse livro, iremos embarcar na vida das pessoas de Marstal, cidade pequena e orgulhosa, cidade de marinheiros, porém pertencente às viúvas e aos órfãos. De 1848 a 1945, há muita história a ser relatada por uma narrativa poderosa, um grande elogio a um modo de vida que ficou para trás deixando apenas lembranças naqueles que viveram ou fizeram parte dos prazeres e sofrimentos presentes ali.

O livro está divido em quatro partes bem elaboradas, de modo a auxiliar o leitor a compreender melhor todos os acontecimentos. Na primeira parte, acompanhamos os marinheiros a uma disputa de um ducado pela Dinamarca na guerra contra a Alemanha em 1848. Dando maior visibilidade a Laurids Madsen, aquele que “foi ao céu e voltou” depois da explosão do navio em que estava e de como passar por essa guerra o mudou, fazendo-o largar sua família e ir embora, deixando todos sem saber se estava vivo ou não.

A partir de um pedaço da primeira parte até a terceira parte do livro, temos Albert como personagem principal, onde sua vida e suas aventuras são narradas, desde o momento em que ele se torna um jovem marinheiro e sai mar afora em busca de respostas e do paradeiro de seu pai, Laurids Madsen, seu amadurecimento e sua evolução de marinheiro a capitão até quando ele decide se fixar em terra, depois de uma longa vida ao mar. Mesmo sendo um dos maiores corretores de navios da cidade de Marstal, sem mulher ou filhos e tendo uma vida boa e confortável, Albert só acha razão para uma possível felicidade depois que conhece o jovem Knud Erik, filho da viúva Klara Friis, com os quais estabelece um laço de amizade e confiança.

Depois disso, passa a ter como personagens principais Klara Friis e seu filho Knud Erik, dando uma pequena conclusão nessa saga de cem anos de muitas aventuras ao mar, muito pranto na terra e muito aprendizado e evolução na pequena cidade de Marstal.

“Nós, os Afogados” me surpreendeu de várias maneiras que eu não esperava. Primeiro: sua narrativa. Nunca havia lido nenhum livro narrado pela primeira pessoa do plural. Esse “nós” que nos conta a história o tempo todo nada mais é todos os marinheiros, as pessoas que ali vivem. Isso trouxe uma abordagem totalmente inusitada, já que os relatos podem ser apenas fofocas das pessoas da cidade ou a mais pura realidade.

Depois: sua temática. Mesmo mantendo o foco em alguns personagens, a história não é sobre eles. Nem mesmo sobre a Dinamarca ou a pequena cidade de Marstal; mas sim sobre o tempo e como as coisas mudam ao longo dele. O tempo nada mais é do que a chave para entender de verdade o que o livro realmente que nos passar. Mesmo relatando a dura vida das pessoas que ali vivem, Carsten Jensen ainda consegue introduzir um humor sagaz em vários momentos ao decorrer do livro.

Não recomendaria esse livro para um leitor “iniciante”, pois além de ser um livro grande, ele é repleto de reflexões e uma filosofia que, para muitos, pode se tornar complicado de compreender. É uma leitura bastante intensa e também relata uma realidade muito cruel da vida dos marinheiros e das pessoas que estão ao seu redor. Mesmo assim, ele traz consigo muitas questões que podemos dizer que são ideais que toda pessoa tenha conhecimento sobre e leve consigo.

Preciso também falar que a editora Tordesilhas, por mais que publique poucos livros, estes são de uma qualidade incontestável. Não li nenhum livro que estivesse abaixo de “muito bom”. Ela consegue cativar os seus leitores de várias maneiras diferentes. Uma das coisas que mais me agrada é trazer livros fora do eixo EUA, muitos da parte Nórdica e mais fria da Europa, com cenários magníficos para a imaginação de cada leitor. “Nós, os Afogados” não está nem um pouco atrás do selo de qualidade Tordesilhas.

Apesar de ser uma história bastante densa, é escrita de uma maneira bem simples, condizendo com a simplicidade do cenário e de seus personagens e narradores. Não é um gênero que eu estou acostumada a ler. Também, acho que nunca li nada parecido. Mesmo assim, é um livro impressionante, um dos melhores que já tive o prazer de ler. Ainda que eu ache que as pessoas que estão começando a se envolver no mundo da leitura agora não devam começar com algo tão intenso, esta é uma leitura mais que recomendada. Espero que vocês gostem tanto quanto eu gostei.


site: http://www.mundodoslivros.com/2015/11/resenha-nos-os-afogados-por-carsten.html
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