Trilhas de Silêncio

Trilhas de Silêncio Evelyn Postali




Resenhas - Trilhas de Silêncio


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Claudia Mina 22/05/2017

O sentimento por trás do silêncio
Trilhas de Silêncio é um livro que retrata as emoções e conflitos do jovem Israel, que junto com a busca de respostas para o seu passado, acaba embarcando em uma jornada de autoconhecimento.
O título do livro já mostra o que o leitor encontrará na obra, é um convite a trilhar a história junto com o protagonista, desde o início na estrada, passando por sua primeira incursão por Lagoa Bela e chegando à casa de Vicente. A narrativa se desenrola lentamente, de maneira minuciosa, intimista, sem pressa. Ao longo da história, a autora vai revelando pistas que vão instigando o leitor a encaixar as peças do quebra-cabeça. Como num álbum de fotos, momentos são retratados, ajudando o leitor a visualizar os personagens, as localidades, a vida na pequena Lagoa Bela. No meio da leitura, é como se o leitor convivesse com aquelas pessoas, como se elas fossem parte de sua família.
Tão importante quanto a história da família de Israel é seu relacionamento com Vicente. A distância e o silêncio inicial dão lugar a um afeto crescente. Eu admiro a capacidade da autora de lidar com os sentimentos mais profundos, fazendo o leitor mergulhar na mente e na alma dos personagens. O relacionamento é complexo, em grande parte da história não pode ser expresso abertamente. Então o leitor precisa aprender a ler o silêncio, o que se encontra por trás dele.
Trilhas de silêncio se mostra um belo trabalho para aqueles que buscam um livro sensível sobre os relacionamentos humanos.


thaamuniz 17/02/2017

Israel e Vicente tem o lugar deles no meu coração
“Para seguir essas trilhas, é preciso um coração desarmado.”

Lagoa Bela é uma pequena cidade com jeitinho de interior onde boa parte dessa história irá passar. Em busca de respostas, Israel sairá da cidade grande contra a vontade de sua mãe em busca do seu denominado tio para descobrir um pouco mais sobre seu pai e suas origens.

Ao chegar em Lagoa Bela e encontrar seu tio, Israel percebe que terá um desafio pela frente: seu Vicente é um homem fechado, de poucos amigos e de um coração solitário. E quebrar essa barreira pode ser difícil.

Israel terá uma longa jornada. E irá percorrer as longas trilhas de silêncio feitas pelo caminho e pelo passado que irá se revelando aos poucos.

“Contar uma história não é senão contar um pedaço de nós, já que as palavras vivificam os fatos, em especial se fizermos parte total ou parcial deles.”

O livro demonstra um drama familiar, que reflete não só no passado, mas também como no presente de cada um.
As escolhas, as consequências delas e os sentimentos que ficaram… Toda dor, toda angústia e amor.
Todo contexto se encaixa perfeitamente no final onde podemos entender cada personagem a sua maneira com uma sintonia envolvente, intrigante e cativante.

Quanto aos personagens, Vicente demonstra ser muito mais que aparenta. Ele é um homem de coração grande, que nos conquista a cada página. Aquela aparência de um homem solitário e fechado, se vai aos poucos com a chegada de Israel. E com isso, finalmente podemos conhecer o verdadeiro Vicente que está escondido entre suas dores e fantasmas.
Eu senti uma imensa empatia por ele. E também entendi porque ele escolheu ser assim.

Já Israel não é só um jovem rapaz que busca o passado para entender onde ele se encaixa. É muito mais complexo do que isso. Além dele ser um rapaz bastante determinado e curioso, percebemos também que ele está busca de si mesmo, em processo de se descobrir e de se aceitar.
O relacionamento de Israel e Vicente ao decorrer da história, demonstra criar forças que surpreende os dois. Um sentimento muito maior que o fraternal.

Evelyn nos mostra com muita sensibilidade um romance dramático repleto de sentimentos e padrões diferentes, destacando a homossexualidade e seus preconceitos.

O livro se passa no presente entre Israel e Vicente; e também mostra as algumas lembranças do passado. Tudo isso construindo de uma forma inteiramente envolvente, que nos faz sentir na pele dos personagens.
O cenário é incrível, Lagoa Bela me deixou com a sensação que é uma cidade que traz uma paz a alma e que ajuda os personagens a se conhecerem profundamente.

No fim, terminei o livro com lágrimas nos olhos e uma reflexão: nossas escolhas ou nossos atos refletem em consequências, sejam elas boas ou ruins. E que podem simplesmente encontrar com nosso presente ou futuro.

E que o amor é maior que qualquer preconceito ou escolha. Quem ama confia, tolera e aceita. Nosso coração que é uma casa que não deve permanecer vazia, independente de quem for escolhido.

“Talvez porque as distâncias estejam dentro de nós, não conseguimos entender o verdadeiro sentido da proximidade de almas, do existir.
Muitas vezes, não conseguimos entender que é impossível sermos sós.
Nosso coração é uma casa que não pode ficar vazia.”


site: blogcoracaodeleitora.blogspot.com.br


Mary 27/11/2016

Excelente!!
"Trilhas de Silêncio" é um livro surpreendente. Foi uma leitura deliciosa e envolvente, que me prendeu do início ao fim. Detalhado na medida certa, senti como se conhecesse Lagoa Bela e seus habitantes. Os personagens são cativantes e muito bem construídos, com personalidades fortes.
Amei todo o mistério envolvendo a vida de Vicente, os motivos do seu isolamento, a trama bem construída em torno do seu passado.
Assim como a determinação de Israel em buscar o que procurava, sem nunca desistir. Como não amá-los? Como não se encantar com a maneira com que os laços foram sendo construídos, aos poucos e de uma maneira tão sólida?
Perfeito. Super recomendo a leitura.


Kyanja 24/11/2016

Um romance psicológico que ativa a imaginação do leitor
"Trilhas de silêncio" é um romance que desconstrói a visão estereotipada de que é preciso ter sempre um protagonista e um antagonista fortes, de que uma história cativante se faz com conflitos o tempo todo. Porque há textos e personagens que vão nos conquistando lentamente... Sem alarde. Cuja ação, interna, é focada no não dito; e o tempo psicológico, denso, vai penetrando pelos poros e ativando a imaginação do leitor.
Mas como já escreveu a autora, na voz do protagonista Israel Morelli: “Histórias comuns não existem, porque nenhuma, de verdade, pode ser assim considerada. Contar uma história não é senão contar um pedaço de nós, já que as palavras vão vivificando os fatos, em especial se nós fizemos parte total ou parcialmente deles”. E de banal não há nada na história de Israel e Vicente.

Evelyn Postalli foi muito feliz em criar esse belo romance psicológico, ambientado em um período de extremo abafamento de verdades, de cerceamento de liberdade. Mas é nesse clima que surge uma linda e improvável história de amor entre duas pessoas que se conhecem em circunstâncias de busca ‒ de um ‒ e fuga ‒ de outro.

Impossível ler “Trilhas de Silêncio” de maneira indiferente!


site: kyanjalee.com.br


Kaio 27/10/2016

Viciante e misterioso
Ao deixar Porto Alegre, Israel Morelli, jovem estudante de jornalismo e amante de fotografia, parte para o interior, contra a vontade de sua mãe, em uma jornada para descobrir quem foi seu falecido pai e, assim, conhecer sua história.

Em um lugar longe de tudo, em meio a vegetação e riachos que cercam as serras gaúchas, Israel chega à casa de Vicente, um homem solitário e que parece carregar senão silêncio - porém uma das poucas pessoas que podem ajudar Israel a desvendar os segredos desse passado.

Totalmente indisposto a recordar de um passado carregado de lembranças dolorosas e amargas, Vicente, a princípio, quer ver Israel longe dali o mais rápido possível. Algo na personalidade do rapaz, porém - e Vicente não sabe exatamente o quê - o convence a deixar Israel ficar por alguns dias. Dias esses que sem que nenhum dos dois percebam, transformam-se em semanas e, eventualmente, meses.

Dividida entre os cenários contrastastes da capital gaúcha dos anos 80 e do cenário de cerras e incrível vegetação que compõem seu interior, a cada linha que lia, sentia como se estivesse de fato com Israel, percorrendo aquelas trilhas silenciosas de motocicleta, desbravando aqueles caminhos íngremes e cheios de árvores.

Trilhas de Silêncio é mais que uma história de busca por autoconhecimento. É, também, uma história sobre perda e superação, sobre decisões e suas consequências. Sobre o passar do tempo e seguir a vida com as escolhas que tomamos.

Israel chega à casa de Vicente com o propósito de descobrir uma história. Não sabia ele, porém, que acabaria ali escrevendo a sua própria.

Esse foi o primeiro livro que li da Evelyn Postali e tudo o que posso dizer é que certamente não será o último!


Matheus 27/10/2016

"Trilhas de silêncio" é muito mais que um romance. É a história de vários destinos silenciosos, que desaguam no barulho da vida. É sobre ausência e presença, idas e voltas, chegadas e partidas. Uma narrativa bem costurada, fluida e pegajosa - não há como não se colar à Israel Morelli, Vicente, e todos os outros. Um drama intrafamiliar, escorregadio. As alternativas narrativas usadas por Evelyn Postali - os detalhes, as transgressões temporais, os cenários - compõem um mosaico sentimental para o leitor. Um livro forte, bonito e intenso - como o são todos os romances memoráveis que lemos nas trilhas da vida.


Ben Oliveira 01/10/2016

Jornada em busca de si mesmo
Trilhas de Silêncio é o título do romance escrito por Evelyn Postali, publicado em 2016, disponível no Clube de Autores e na Amazon. A autora narra uma história sobre um jovem chamado Israel Morelli, que está à procura de mais informações sobre o seu falecido pai e acaba viajando para Lagoa Bela, uma região rural e distante de Porto Alegre, lugar em que sua família morara anos antes dele nascer.

Os capítulos do romance são narrados em primeira pessoa e em terceira pessoa. Do ponto de vista do protagonista, o leitor viaja pelas aventuras de um rapaz curioso. Sabe quando dizem que o silêncio é uma resposta? Para Israel não é o suficiente. Ele perdeu o pai, Dário Morelli, quando era criança e sente uma necessidade de reviver mais lembranças dele e recuperar as peças, como se ao trilhar aquela jornada, ele fosse reconstruir algo que faltava.

Desenterrando o passado, Israel acaba conhecendo o seu tio, um homem chamado Vicente Morelli. O estudante de jornalismo tenta se aproximar cada vez mais do trabalhador do campo. Suas histórias estão unidas e ao mesmo tempo parecem ser tão diferentes – e o leitor descobre que talvez não sejam tão incomuns. Deste encontro de mundos, a autora nos guia por caminhos, por vezes nos fornecendo algumas memórias e flashbacks, possibilitando ao leitor junto com Israel fazer suas próprias descobertas e entender mais as motivações e as personalidades dos personagens da trama.

“Histórias comuns não existem porque nenhuma, de verdade, pode ser assim considerada. Contar uma história não é senão contar um pedaço de nós, já que as palavras vão vivificando os fatos, em especial se nós fizemos parte total ou parcialmente deles”

O romance está dividido em seis partes, nas quais vemos os personagens principais mergulhando em seus passados e amadurecendo seus sentimentos. Trilhas de Silêncio explora bem o psicológico dos personagens e suas relações com o ambiente, com as pessoas e suas histórias de vida. A questão do silêncio que vem no título do romance é trabalhada de inúmeras maneiras ao longo da narrativa, às vezes de forma literal, outras vezes nas entrelinhas.

Apaixonado por fotografia e por contar histórias, o protagonista acaba vendendo seus artigos em suas idas para Lagoa Bela. Quanto mais ele conhece as pessoas da região, mais tem dificuldades em entender por que os pais foram embora dali e por que perderam contato com Vicente. Embora Israel acabe se aproximando cada vez mais de Vicente, o homem e sua mãe continuam com receio de tocar no passado. A teimosia de Israel nem sempre o ajuda com os resultados que precisa, mas acaba movimentando a trama e ao mesmo tempo nos lembrando que nem tudo está sob nosso controle, independente do quanto queremos evitar.

“O céu estrelado enchia meus olhos. Vi a silhueta escura dos morros e da vegetação próxima da casa. A beleza do lugar me conquistava aos poucos e me questionava o que meu pai buscara longe dali. Tudo bem que a paixão estivesse tomando conta, mas sabia que depois da morte da mãe nunca mais retornara. Morrera longe daquele lugar. Longe do único irmão”.

Ao passar cada vez mais tempo em Lagoa Bela, os amigos e a família ficam preocupados com Israel. O rapaz está determinado a fazer o que é preciso para reunir mais informações sobre o seu pai, antes de voltar para Porto Alegre. O ritmo do campo, os trabalhos braçais, o silêncio, o contato com a natureza e uma inesperada amizade fazem com que o jovem se sinta cada vez mais conectado com a casa que pertencera a sua avó, nos levando a revelações e reviravoltas inquietantes e nos fazendo compreender mais sobre a teia que une os personagens.

A autora nos proporciona um verdadeiro passeio. Tal qual Israel que viaja em busca de si mesmo, é difícil não encontrar paralelos com nossas próprias histórias e não desejarmos nos perder nas páginas da história, só para nos encontrarmos – uma das magias da literatura. Evelyn retrata com sensibilidade a questão da autodescoberta e autoaceitação, mostrando que dos preconceitos dificilmente podem vir coisas positivas. Os cenários bucólicos, os estados emocionais e a maneira que as histórias dos personagens estão entrelaçadas, tudo é relatado de forma tão verossímil, que Israel, Vicente e os demais personagens parecem pessoas vivas, não criaturas de papeis, e não é tão difícil se imaginar percorrendo aquelas trilhas de silêncio.

“... entendia, contudo, que o complemento de sua alma cansada estava longe ainda de existir, e se existisse, longe de acontecer. Não havia em Lagoa Bela alguém capaz de fazê-lo completo, de desenterrar de dentro dele o sentimento que outro sentira”.

Evelyn Postali escreveu uma história marcada por dramas e delicadezas. Somos guiados por nossas ações ou pelos nossos destinos? Em Trilhas de Silêncio, percebemos a força das linhas, do sangue e das emoções. Me senti na pele de Israel, de Vicente e senti aquela deliciosa catarse após concluir a leitura – como quando nos sentimos transformados ao chegar em casa, após voltar de uma longa viagem com a qual não só nos divertimos, como aprendemos mais do que imaginávamos e pudemos vivenciar outras experiências e realidades.

site: http://www.benoliveira.com/2016/06/resenha-trilhas-de-silencio-evelyn-postali.html


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