A sexta extinção

A sexta extinção Elizabeth Kolbert




Resenhas - A Sexta Extinção


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Núbia Esther 10/01/2016

“Muito, mas muito de vez em quando, no passado remoto, o planeta sofreu mudanças tão violentas que a diversidade da vida despencou de repente. Cinco desses antigos eventos tiveram um impacto catastrófico o suficiente para merecer uma única categoria: as Cinco Grandes Extinções. No que parece ser uma coincidência fantástica, mas que provavelmente não é coincidência alguma, a história desses eventos é recuperada bem na hora em que as pessoas começam a perceber que estão provocando mais um. Embora ainda seja demasiado cedo para saber se atingirá as proporções dos anteriores, esse novo evento fica conhecido como a Sexta Extinção. ” (Página 29)

Em A Sexta Extinção – Uma História Não Natural, vencedor do Pulitzer de não-ficção em 2015, Elizabeth Kolbert nos apresenta histórias emblemáticas de espécies já extintas e outras em vias de extinção. Revisitando a história do planeta e todos os outros processos de extinções já experimentado por ele ao longo de sua história, Kolbert retraça o papel do ser humano nas alterações sofridas pelo planeta e escancara o legado trágico deixado pela humanidade. Para isso, ela foi em busca de cientistas das mais diversas áreas do conhecimento, fez entrevistas, leu publicações científicas, participou de expedições, visitou museus e laboratórios. Kolbert se embrenhou na floresta noturna, no recife localizado no meio do nada, mergulhou em águas ácidas, escalou barrancos enlameados, visitou ilhas ermas e acampou na floresta amazônica andina. O resultado é um texto claro e bastante completo, que passa longe da superficialidade. E que tem tudo para agradar tanto os leitores já íntimos do tema quanto os mais leigos no assunto.

Kolbert dividiu o livro em treze capítulos, em cada um o enfoque é dado a um organismo ou grupo de organismos já extintos ou em vias de extinção. É assim que conhecemos mais sobre a história dramática da rã-dourada-do-panamá, hoje já extinta na natureza e destinada a persistir apenas em cativeiros esterilizados para manter de fora seu temido algoz: um fungo que tem causado a morte de inúmeras espécies de anfíbios. Ou, como a descoberta de estranhos ossos nos Estados Unidos e o trabalho pioneiro de Georges Cuvier como anatomista, foi o grande pontapé para o desenvolvimento do conceito de extinção. Como a caça desenfreada aos araus-gigantes levou ao surgimento de uma das primeiras leis visando a proteção da vida selvagem. Como a junção de várias áreas do conhecimento levou a descoberta da ocorrência de elementos cataclísmicos como o que causou a extinção dos dinossauros. E a Pangeia inversa provocada pelo homem. Pouco a pouco Kolbert vai unindo esses eventos isolados e evidenciando o padrão que eles formam. Muitas histórias são exemplos de resiliência, de adaptação, outras tantas chegam a ser desesperadoras. A extinção é um processo instigante, natural, o lado oposto da balança onde também está a diversificação. Em muitos momentos esse equilíbrio foi quebrado, levando a vida a seguir caminhos que nos possibilitaram ser hoje uma das espécies mais bem adaptadas e bem-sucedidas do planeta. Só que isso, às custas do equilíbrio e da constância tão necessárias a vida.

O tema discutido aqui não poderia ser mais atual ou necessário. É importante refletir sobre nossas escolhas e hábitos e agir para mitigar ou retardar ao máximo a tragédia anunciada. Kolbert conseguiu escrever um livro que durante a leitura nos passa a impressão de estarmos assistindo a um documentário. Com uma linguagem clara, concisa e visual, ela consegue nos transportar para a Floresta Amazônica, para o recife na Oceania, o sítio arqueológico na França e outros tantos lugares belos e ameaçados que tornam esse grito de socorro ainda mais pungente. Livro para ler, reler, discutir e indicar para o maior número de pessoas.

PS: A tradução da edição brasileira coube à Mauro Pinheiro, e no geral, está bem boa, exceto pelas ocasionais escorregadelas na flexão de gênero. Acho que ele se esqueceu que é uma autorA a responsável pela obra. Alguns termos científicos também ficaram errados e poderiam ter sido facilmente percebidos por uma revisão de alguém mais acostumado com a terminologia científica. Mas, são erros pequenos e que não chegam a interferir na leitura. Uma ótima leitura.

[Blablabla Aleatório]

site: http://blablablaaleatorio.com/2015/12/26/a-sexta-extincao-elizabeth-kolbert/
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Rafael Maltez 08/05/2016

A resenha 6 versa sobre a sexta extinção. Uma das melhores obras recentes que li sobre a crise ambiental e a extinção da biodiversidade que está em curso e provocada por uma única espécie ("A extinção em curso tem sua própria causa original - não é um asteroide ou uma erupção vulcânica maciça, mas 'uma espécie daninha'"). Não por acaso venceu o prêmio Pulitzer de 2015. A autora, com dados científicos, nos esclarece em treze capítulos, o que está realmente a ocorrer com as espécies, revelando tanto as causas como as consequências. Fiquei feliz em ter dedicado um capítulo a uma realidade bem próxima dos brasileiros: devastação da Floresta Amazônica. Uma das mais trágicas e tristes agressões à biodiversidade perpetrada por nossa espécie é a que está ocorrendo diuturnamente bem no nosso território e parece que nada consegue impedir essa tragédia anunciada e que teve início no governo militar que incentivou o desmatamento, conforme nos relata a autora. Leitura obrigatória para quem minimamente se interessa pela questão ambiental em obra de leitura leve, mas com fundamentadas e ricas informações.

Nota: 9
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Leandro.Santana 02/11/2016

Excelente livro - li em 3 dias
Os fatos relatados no livro são estarrecedores e demonstram que a capacidade construtiva dos seres humanos é diretamente proporcional a sua capacidade destrutiva. A ação do homem nos últimos milênios, em especial nos últimos duzentos anos, está causando mudança em nosso planeta sem equivalente nos milhões (ou bilhões) de anos anteriores.
A leitura do livro me fez repensar a relação do homem com a natureza. Frequentemente ecologistas são taxados de dificultadores do desenvolvimento econômico. Agora, com certeza darei mais atenção aos seus argumentos nesse tipo de discussão.
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IvaldoRocha 09/04/2016

Um bom livro, vencedor do Prêmio Pulitzer.
Ás vezes você vai se perder entre milhões e milhares de anos, termos em latim, nomes complicados, datas, períodos, espécies, mas nada que atrapalhe o prazer da leitura. Ao longo do livro a vida na Terra é revista e descobrimos, que já passamos por cinco grandes extinções. Nestas extinções, independente da sua causa, a grande maioria das espécies existentes desapareceram para sempre.
O livro mostra todo o trabalho que a jornalista fez, viagens para os mais diferentes recantos da Terra, entrevistas com pessoas com suas especialidades técnicas e que estão empenhadas em mapear, entender e tentar deter as extinções que acontecem ao nosso lado a todo instante e nem nos damos conta disso.
Após tudo que já se falou do livro, não vou tentar fazer uma resenha, apenas citar duas coisas que me chamaram mais a atenção, coisas que eu antes não tinha percebido.
A primeira é que a próxima extinção será causada por nós, o Homo Sapiens que vai destruí mais de três quartos de todas as espécies e não só pelas alterações no ambiente que provocamos, mas também pela rapidez com que estamos provocando estas alterações.
A segunda é que existem vários indícios de que provavelmente a extinção do Homem de Neandertal contou com uma forte ajuda do Homo Sapiens, ou seja, desde os primórdios da nossa existência temos o dom de extinguir espécies.
Tomara que tenhamos tempo de mudar.
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Maria Fernanda 25/01/2017

BOMBA RELÓGIO
Quando eu me interessei por esse livro, não imaginava que se encaixaria tão bem na minha área de estudo, menos ainda que a leitura seria tão fantástica.

Elizabeth Kolbert é uma jornalista americana que passou anos indo e vindo dos mais diferentes lugares do globo, coletando dados que sustentassem o que ela nomeou de "sexta extinção". Isto porque, nos bilhões de anos que compreendem a história da Terra, nosso planeta passou por cinco grandes extinções. E, neste exato momento, estamos vivendo mais uma.

"Embora seja ótimo imaginar que houve um tempo em que o homem vivia em harmonia com a natureza, não existem evidências de que isso tenha de fato acontecido."

É spoiler dizer que a grande estrela desse show é o ser humano? Nós somos os culpados. Nós estamos destruindo nossa própria casa. E a maioria de nós não está nem aí — ou porque não acredita, ou porque se apoia em um poder superior, ou porque pensa que vai morrer antes de ver a merda acontecer. Opa, adivinhem só: já estamos vendo.

Em menos de 300 páginas, a autora nos apresenta tudo o que conseguiu reunir por meio de árduas pesquisas, estatísticas desesperadoras e observações assombrosas. Um soco no estômago, é o que esse livro é. Eu desafio vocês a não chorarem nem se revoltarem lendo o capítulo 3. Mas aviso desde já que é quase impossível.

site: http://instagram.com/_bookhunter
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Alexey 03/01/2019

Uma aula excepcional
"A Sexta Extinção", da jornalista Elizabeth Kolbert, ganhou o Prêmio Pulitzer 2015, e méritos para isso é que não faltam. Com ele, eu viajei mentalmente do Panamá ao Brasil, passando pela Itália, Estados Unidos e tantos outros países, acompanhando o empenho da autora em tentar entender uma das mais fundamentais questões dos nossos tempos: nós humanos estamos de fato contribuindo para a redução da biodiversidade do planeta?

"A Sexta Extinção" é uma aula dada em linguagem clara, mas jamais superficial. A capacidade de Kolbert para descrever o que ela mesma experimenta dá a vívida sensação de ter participado com ela de cada aventura. Ela mergulha, sobe montanhas, atravessa florestas, e faz tudo isso ao lado de cientistas especialistas em suas áreas. Kolbert é tão boa jornalista, que termina sendo a professora de ciências que qualquer um gostaria de ter: aquela que ensina a diferentes idades. Adolescentes entenderão o que ela escreve, e adultos não se sentirão diante de um texto tolo. Os idosos se sentirão afortunados por terem tido a oportunidade de conhecer o planeta Terra em toda a sua biodiversidade - coisa que talvez nossos bisnetos não terão.

Quando se fala em "eventos de extinção", é comum que a maioria das pessoas pense apenas em um: o evento extraterrestre que deu fim aos dinossauros. Há, na verdade, outros quatro eventos, e um em curso. Se você pensou em "aquecimento global", lamento, mas não é só isso. Mesmo que você duvide dessa alternativa, considere a acidificação oceânica, considere a eliminação de espécies inteiras decorrente de nosso pouco cuidado no manejo do mundo. Nós importamos inadvertidamente espécies que causam danos irreversíveis a outras.

Mas se somos um pouco demônios, somos também um pouco deuses. O agente da sexta extinção é também o único na natureza cuja inteligência e habilidades tornam-no capaz de garantir a conservação e ampliação da biodiversidade.

Terminei o livro com a sensação de ter viajado com uma amiga muito inteligente e divertida. Aprendi coisas que nem imaginava. Sem pestanejar, cinco estrelas de cinco para o livro.
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Henrique 19/12/2016

O propósito do livro é observar e analisar o padrão de eventos específicos de extinção de espécies dentro de uma perspectiva mais ampla no contexto da história da vida. Neste sentido, a autora faz uma imersão no mundo da biologia e geologia para apresentar, de maneira didática, algo que muitos devem ter noção: os seres humanos estão se autodestruindo. Essa percepção levou a muitos cientistas a proporem a criação do Antropoceno, que seria uma nova época do período Quartenário para substituir o Holoceno. O leigo não deve se assustar à nomenclatura técnica. Tudo é didaticamente explicado pela autora que, por ser jornalista, consegue traduzir esses "palavrões" em ideias mais palatáveis. Acredito que esse foi o grande trunfo do livro. Também considero que o trabalho feito pela autora foi exemplar. Ao longo do livro ela alterna partes de análise e explicações com a narrativa de suas viagens para diversos lugares alvos de pesquisas. No entanto, os detalhes desses relatos foram, com o desenvolvimento da leitura, um pouco chatos. Particularmente, as análises das observações foram bem mais interessantes de se ler e nada exagerado. O livro mostra que a história da vida não é estritamente uniformitarista ou catastrofista, mas um misto, em que houve longos períodos de tranquilidade e muito, muito de vez em quando, revoluções catastróficas. As causas dessas perturbações são variadas e a que está causando a próxima a uma velocidade sem precedentes é o ser humano. E o pior é que isso não tem a ver com o fato se as pessoas cuidam o ou não do planeta...Leitura recomendada!
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Guilherme.C 24/06/2016

Interessante
O livro trás uma visão, já até vista por todos, de como a influência humana pode mudar drasticamente o cenário ecológico, biológico etc. A autora explana suas ideias de forma detalhada e mesmo assim busca não se apoiar tanto nos conceitos técnicos.
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JPHoppe 28/06/2016

Hoje em dia não há dúvidas de que existiram espécies, gêneros e mesmo filos inteiros no passado da Terra que atualmente não existem mais. No entanto, não foi assim por boa parte da história humana, que via cada animal expressão da obra divina, e portanto sua extinção seria considerada uma falha do processo perfeito. Cada novo fóssil descoberto colocava esse pensamento mais e mais em cheque.

Mas o que leva uma espécie a ser extinta? É o destino natural da filogenia de uma espécie se extinguir, tal qual o fim natural do tempo ontológico é a morte do indivíduo? Ou sempre existe uma causa externa, catastrófica, que resulta na extinção das espécies? A resposta é algo como "Sim". Existe tanto uma extinção natural, que não depende de causas catastróficas, e existiram tanto episódios geológicos dessa natureza que levaram a uma taxa de extinção muito superior, as chamadas Extinções em Massa.

A mais famosa é extinção do fim do Cretáceo, que contou com a queda de um meteorito de dimensões dantescas, alterando completamente o clima em escala mundial por centenas de anos. Precisou de um meteorito. Atualmente, as transformações que a espécie humana vem provocando no globo, de maneira mais sutil no início mas muito acelerado posteriormente, vem alterando nas mesmas proporções o clima no planeta inteiro, levando a uma taxa elevadíssima de extinções. Este livro conta essa história, a da Sexta Extinção em Massa do planeta Terra.

O quão significativa ela é? O meteorito - e suas consequências - não apenas marcam o fim do Cretáceo, ele o provoca. As alterações causadas pela queda deixaram uma assinatura geológica que mesmo dezenas de milhões de anos depois podem ser vistas. Atualmente, vivemos no Holoceno, marcado pelo fim da última era glacial, mas está sendo debatido que a espécie humana marca um novo período, o Antropoceno. Este também deixará marcas na terra que poderão ser interpretadas tão distantes no futuro quanto a extinção dos dinossauros é para o agora. Esse é o impacto causado pela humanidade.

O livro é escrito por uma jornalista sem formação científica, na mesma linha do jornalismo científico de David Quammen (que ela cita bastante). Apesar de voltado para o público geral, em momento algum o livro sacrifica o rigor científico para tornar a leitura mais atrativa.

Leitura recomendada.
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Daniel.Simoes 16/01/2019

Transformou a forma como eu vejo o mundo com relação aos efeitos do homem na biodiversidade do planeta. Apresentando diversas pesquisas em todo o mundo, ela evidencia a catástrofe ambiental que a humanidade tem causado na Terra. Com o aquecimento global, a acidificação dos oceanos, a disseminação de espécies invasoras (nova Pangeia) e a fragmentação das florestas, a maioria das espécies que existem hoje estão fadadas à extinção. Numa análise de tempos geológicos, as mudanças que os homens estão causando são praticamente instantâneas, não dando tempo para que as espécies possam se adaptar. Inevitavelmente o mundo está se tornando menos diverso, e as completas consequências disso ainda não podemos saber.
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Camila.Dias 30/03/2019

A divulgação científica é extremamente necessária
Esse livro me fez ver o quanto a divulgação científica é necessária!
Torço para que mais jornalistas se empenhem nessa tarefa árdua e que tenham os incentivos necessários para realizar o que é necessário.
Esse livro traz à tona o quanto o comportamento humano tem sido decisivo e nocivo no avanço acelerado da destruição de vários ecossistemas.
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euzebio 27/05/2017

A Sexta Extinção
A Sexta Extinção e um ótimo livro. Com ele fiquei sabendo de vários processos de extinção em massa que ocorrem neste exato momento. E todos o culpado é o Homem.

Ela fala do motivo de não vermos mais sapos, rãs e pererecas. Conta também do porque que a maioria dos morcegos americanos estão se extinguindo. Desde cosmos de Carl Sagan que não leio um livro, essencialmente sobre ciência, tão interessante e fundamentalmente preocupante.

site: http://lognerdgeek.blogspot.com/2017/05/a-sexta-extincao-de-elizabeth-kolbert.html
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Guynaciria 16/05/2018

Que livro maravilhoso, não é de se surpreender que a autora Elizabeth Kolbert, foi premiada com o Pulitzer por esse ensaio.

Elizabeth Kolbert é uma jornalista nova-iorquina, que se dedicou a pesquisa dos efeitos desastrosos que o homem causa no ambiente, quando não tem consciência de suas ações. 

Neste livro ela nos esclarece de forma clara e de fácil assimilação, como essas ações são responsáveis pela sexta extinção em massa de espécies, sendo esse um efeito global. Para apresentar um ensaio embasado em fatos científicos, a autora viajou para os quatro cantos do globo e entrou em contato com os cientistas e biólogos mais renomados em cada área de estudo.

As conversas são descritas de forma impessoal, o que deixa a leitura mais agradável, mesmo para pessoas leigas no assunto (como eu sou).

A autora ainda tem o cuidado de reforçar a sua obra, trazendo elementos que configuraram as primeiras cinco extinções, além de uma analise detalhada delas feita por nomes renomados como é o caso de Charles Darwin, Georges Cuvier e Charles Lyell.  Essa trajetória histórica só reforça que esse é um efeito desastroso no tangente a perda de material genético e de espécies ainda não catalogadas. 

Foi incrível descobrir que em ambientes relativamente pequenos podem existir uma grande variedades de espécies, como é o caso dos corais, que abrigam milhares de espécies por metro quadrado. 

Apesar de ter gostado muito do livro, e de ter esclarecido varias duvidas que eu tinha a respeito do assunto, mesmo assim a leitura é as vezes um pouco cansativa, chegando a ser repetitiva em alguns pontos. Também achei que a autora fugiu do tema algumas vezes, na tentativa de fornecer uma visão histórica (abordava algumas coisas desnecessárias).
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hugofreitas 16/02/2017

Caminhando para o fim da vida
Me lembro certa vez, lendo o livro “Encontro com Rama” livro de ficção científica escrito por Arthur C. Clarke em 1972, ter parado a leitura para refletir em uma frase dita por um dos personagens do livro. Um dos cientistas do livro, ao se referir sobre a raça humana, nos compara com parasitas. Somos a única espécie do planeta (excluindo a classe parasitária) que consome mais recursos do que precisa e do que temos à disposição. Que provoca a extinção de espécies e de nossa própria raça e destruímos de forma gradativa todo nosso ecossistema. Aquilo ficou na minha cabeça e desde então, venho dizendo que a espécie humana foi um erro.

A Sexta Extinção, livro ganhador do Prêmio Pulitzer (o Oscar da literatura, para os não familiarizados) escrito pela jornalista Elizabeth Kolbert, explica como o ser humano alterou a vida no planeta Terra como nenhuma outra espécie jamais fizera. Para isso a autora organiza o livro em 13 capítulos, cada qual destinado à uma espécie (a maioria extinta e outras ainda não, mas quase, incluindo a nossa própria homo sapiens) onde colhe depoimentos, entrevistas e pesquisas para traçar um desenho de como diversas espécies (animais e vegetais) estão sumindo do planeta de forma assustadoramente rápida, obviamente influenciadas pelo ser humano.

Tivemos até hoje Cinco Grandes Extinções, e uma Sexta está em andamento nesse momento. Segundo a autora, uma espécie desaparece a cada 100 segundos. Pois é, estamos lascados, pra não dizer outra palavra.

O livro é uma obra prima, não é atoa que ganhou o respeitável Pulitzer. Escrito com humor e leveza, mesmo repleto de termos técnicos e uma linguagem científica, Elizabeth consegue fazer o que os jornalistas fazem de melhor: conduzir uma boa história de investigação em um ritmo agradável.
Não se assuste com o número de espécies comentadas no livro (todas com sua nomenclatura em latim) e você, provavelmente como eu, irá viajar e não saberá qual espécie, ou animal, a autora está se referindo. Graças à tecnologia, temos o senhor Google e é uma leitura divertida pesquisar as espécies mencionadas no livro e olhar as imagens de cada uma.

Recentemente a revista científica americana “Science” revelou um estudo intrigante. “Os humanos são uma espécie única de ‘super-predadores’, com uma eficiência que ultrapassa todas as regras do mundo animal. Matamos outros bichos em uma taxa até 14 vezes superior a outras espécies caçadoras.”
Os cientistas sugerem que o homem se tornou um “insustentável super-predador” e assim vamos caminhando a nossa própria extinção.

Fico feliz em ler obras assim. Elizabeth provavelmente viajou para diversos países (dentre eles: Peru, Panamá, Austrália, Islândia, Brasil, Itália, Escócia e por ai vai) e levou anos para escrever esse livro. Conheceu os principais cientistas e estudiosos das mais diversas áreas, desde paleontólogos, químicos e biólogos até os especialistas em fungos, rãs, serpentes, bactérias e seres que você não sabia que existia um especialista particular.

“A Sexta Extinção” é um primor jornalístico e deveria ser lido por todas as pessoas. Não é uma leitura tão fácil, pois como mencionei, tem uma inclinação científica, mas também não é um texto difícil e cansativo. Elizabeth Kolbert nos conta uma história assustadora e revela o lado parasita da humanidade.

Se você assistiu Spotlight, filme ganhador do Oscar de Melhor Filme em 2015, provavelmente saberá apreciar um bom trabalho jornalístico. O que fica na minha cabeça é: porque ela decidiu fazer isso? Porque foi para os lugares mais remotos do planeta para contar uma história, que eu (e muitos de nós) nem sabíamos que estava acontecendo? De onde surge tanta dedicação?

E é isso que mantém a chama da esperança acesa. Existe pessoas dedicadas e comprometidas com nosso futuro e fazem de tudo para prolongar nossa estádia (e de todas as outras espécies) nesse pequeno planeta azul.

Se não leu, coloque na sua fila de leitura e garanta seu exemplar. O livro é curto (cerca de 336 páginas) e a leitura flui rapidinho. Valeu a pena cada parágrafo.



site: http://www.raposacultural.com.br/
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Li 23/04/2019

Todo mundo deveria ler esse livro
Sem brincadeira, um dos melhores livros que já li. É instigante e muito bem escrito e, tenho que admitir, bastante triste. Chorei algumas vezes lendo, mas ao mesmo tempo acho que é o tipo de livro que todo mundo deveria ler para se tornar um cidadão mais consciente. Embora ele possa te deixar, por vezes, um pouco sem chão, ele ao mesmo tempo é um livro com certo humor e que te leva pra diversos locais do mundo explorando diversos assuntos novos e interessantíssimos! Todo dia eu contava alguma coisa nova sobre o que tinha lido nele, já que é de um embasamento histórico e biológico maravilhoso e eu recomendo MUITO. Não tem uma linguagem científica de mais, acho que qualquer pessoa poderia ler, entender e curtir muito! Além disso, acho muito bom que, no final do livro, a autora apresenta todas as referências das informações passadas no texto.
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