A nova Atlântida

A nova Atlântida Francis Bacon




Resenhas - A nova Atlântida


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Ginete Negro 09/06/2020

Bensalém: uma sociedade ideal?
Partindo da costa peruana, um grupo de navegantes se perde no oceano Pacífico, vindo a encontrar, milagrosamente, a ilha de Bensalém, cuja existência ninguém sabia.

Bensalém é diferente de tudo; é um Estado que se pode chamar de 'ideal', o que reforça o fato de que os governantes pedem segredo por parte daqueles que aportam.

Bensalém, como é na narrativa, surgiu a partir da visão em alto mar de uma cruz e um palanque, que magicamente se transformam numa arca contendo textos bíblicos e uma carta de Bartolomeu, um dos apóstolos de Cristo.

Tudo parece ser virtuoso em Bensalém. Os servidores, por exemplo, não aceitam gorjetas ou presentes por um serviço, pois isso é visto como "pagar duas vezes". Os estrangeiros são muito bem recebidos, e uma grande autoridade da ilha conta a história dela e o porquê de ter chegado àquele nível de organização e altruísmo, bem como sobre a Casa de Salomão, a maior organização presente na ilha, talvez seu motivo de existência, cuja finalidade nos remonta a uma mistura de teosofia e sociologia.

Eu havia sido atraído para ler esse texto há alguns anos, por conta de teorias conspiratórias. Livre delas há anos, pude ver com distanciamento uma bela obra sobre uma sociedade ideal quanto à efetividade, mas que também tem seus dissabores: primeiramente, o conceito de "O Estado é tudo", pois tudo de bom provém do conceito de Estado total; e por segundo, a questão da falta de transparência e liberdade.

Logo, para mim, a grande questão que fica após a leitura do livro é:

Vale a pena tudo ao seu redor ser virtuoso, quando falta a você a plena liberdade e o acesso à verdade, uma vez que a Casa de Salomão decide o que contar e o que não contar a seus cidadãos?

Livro altamente recomendável.
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Antonio Aresta 16/11/2012

Pena que faltou tempo a Bacon
Bacon não completou Nova Atlântida. Como diz no início do livro o secretário particular que editou as obras póstumas de Bacon, este pensou “em um corpo de leis, ou no melhor dos Estados, ou numa comunidade exemplar”, que não chegou a descrever. O trabalho publicado, relativamente pequeno, vale em especial pela rica descrição que o Padre da Casa de Salomão – dirigente maior de uma espécie de organização responsável pelo progresso da ciência – faz “da interpretação da natureza e da produção de grandes e maravilhosas obras para o benefício do homem” que havia lá. Depois disto, a história termina. O relato é feito ao líder do navio que vagava pelo mar do Sul e foi levado a essa ilha por um vento forte que desviava pouco para nordeste. A ilha tem umas mil milhas de raio, e os ilhéus, cristãos, pacíficos e ordeiros, após alguma relutância, receberam bem os estrangeiros.
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Paulo Silas 14/08/2015

Nova Atlântida mostra um lugar imaginado por Francis Bacon no qual o bem comum é almejado por todos os habitantes da cidade, prezando por tudo o que é natural, cuja visão da natureza é a mesma para todos. Uma utopia escrita pelo famoso autor.

O relato é feito em primeira pessoa mediante a narrativa de um quase náufrago e seus companheiros de viagem. Após um tempo perdidos no mar, o grupo chega na cidade em questão (ilha de Bensalém), a qual é totalmente desconhecida do mundo. Lá são recebidos por um sacerdote, o qual de imediato indaga se os recém chegados seriam cristãos. Ao notarem um símbolo na ilha que ostentava a religião mencionada, os visitantes confirmam que eram. Daí em diante, são convidados para se instalarem na cidade, aproveitarem o que a ilha tem a oferecer e receber diversos ensinamentos de como funciona aquela comunidade.

É com a utilização dos relatos dos habitantes que são passados para o narrador que o autor conta a sua ideia de sociedade perfeita. Dentre os pontos fortes que pode se destacar dentre as ideias de Bacon encontra-se a cientificidade como regra, o louvor às coisas naturais, o amor à natureza e o cristianismo como religião imperante.
Dada a época em que o livro foi escrito, o autor mescla a ciência com a religião como questões coesas que estabelecem a sociedade. Isso pode ser observado inclusive no excesso de formalismos ritualísticos presentes em situações tanto especiais como do próprio cotidiano presentes na obra (um jantar em família, uma reunião com um sacerdote...).
O regramento da cidade também é exposto, o qual zela pela temperança, pelo amor, pela bondade e pela boa convivência entre todos os seus habitantes. Leis de asilo, regras para estrangeiros diversas das dos habitantes, especificações sobre o casamento, determinações de proteção à cultura, enfim, a exposição do autor se dá abrangendo diversos fatores: sociais, econômicos, religiosos, científicos e afins.

A leitura não encanta, mas se tornou referência. Fica a dica para quem se aventurar a ler o pequeno escrito de Francis Bacon.
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