A Study in Charlotte

A Study in Charlotte Brittany Cavallaro




Resenhas - A Study in Charlotte


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Lauraa Machado 19/11/2017

Legal, mas nada impressionante
Nota verdadeira: 3,5

Normalmente, quando estou lendo um livro, já tenho uma boa ideia do que ele prometeu e não cumpriu, do que me surpreendeu, de qual nota quero dar no final. Mesmo que os acontecimentos durante o livro possam mudar muito a minha opinião, eu quase nunca fico em dúvida se o acho bom ou não. A Study in Charlotte é um livro que eu ainda não sei se gostei muito ou se foi só okay.

Em algumas resenhas que eu tinha lido antes sobre ele, vi bastante gente falando que a Charlotte era parecida demais com o Sherlock. E ela tem muitos aspectos parecidos, sim, como alguns hobbies e alguns vícios, mas ainda achei que todos eles foram bem explicados e ainda senti algumas coisas nela que são bastante diferentes do Sherlock. Ela é tão complexa quanto espera-se que seja e, apesar de alguns leitores acharem que ela é péssima pessoa, não a achei tão péssima assim. Na verdade, eu gostei bastante dela como personagem, mas ainda senti que deixou algo a desejar, já que ela não foi tão incrível quanto poderia ser.

Sobre o caso que ela e o Watson investigam, achei que foi bem construído, as peças todas pareciam não encaixar até ele ser solucionado. Meu único problema é que muitas questões dele não estavam ao alcance do leitor, e esse é um jeito um pouco fácil de ninguém descobrir o culpado (em vez de, por exemplo, esconder pela narrativa como a autora fez com outros detalhes). O final da história, faltando umas sessenta páginas mais ou menos, é a melhor parte. Eu realmente fiquei animada e queria saber como terminaria. Mas, até ali, eu estava um pouco desligada demais de tudo.

Não me leve a mal, não tem nada de muito errado com o livro, só não consegui me importar com nada. Na verdade, no começo eu tinha a impressão de que nem a autora tinha decidido os detalhes sobre os personagens - principalmente o protagonista, Watson. É uma impressão muito esquisita, me faz não levar quase nada a sério do que ele fala. Ou seja, eu não estava convencida de como ele já tinha pensado na Charlotte antes de conhecê-la, nem de como a via. Até quase o final, eu ainda não tinha muita certeza da relação dos dois, o que é um absurdo, já que essa é a base toda do livro.

Por falar na relação do Watson com a Holmes, esse talvez tenha sido meu maior problema durante a leitura. Eu sabia que o livro ia puxar para um lado romântico, mas não funcionou. Não é nem problema de eles não terem química, é mais de eles não terem a química certa. O romance não só é um pano de fundo, como ele mal aparece e poderia muito bem não ter existido. Não sei se a autora estava cautelosa demais para escrever um romance pelo ponto de vista de um garoto ou o que, só sei que ficou muito qualquer coisa e eu não shippei os dois em nenhum momento. Pelo contrário, cheguei a torcer para ter entendido errado e não ter nem sombra de romance entre os dois.

Não que isso estrague o livro. Como eu disse, não tem nada de tragicamente errado com ele. Durante vários momentos, eu fiquei realmente surpresa com os acontecimentos, gostei das personalidades dos principais e do caso que eles resolveram juntos. Acho que os próximos livros da série podem ser mais profundos em relação à construção dos personagens - sozinhos e entre si, - mas não posso dizer que o livro é surpreendente e incrível. É uma leitura fácil e divertida, mas nada que vá mudar a sua vida (como tenho certeza de que o Sherlock fez para muitas pessoas).
Andréa Araújo 19/11/2017minha estante
Gostei da ideia do livro, vou querer ler um dia.b




Nati 26/03/2017

"The two of us, we're the best kind of disaster."
Eu adoro adaptações e retellings, adoro como um autor consegue pegar uma história batida e acrescentar ou mudar elementos dela de um jeito único e torná-la nova, refrescante. Claro, nem todas as retellings funcionam, mas a maioria é bem interessante. A Study in Charlotte é uma adaptação das histórias clássicas de Sir Arthur Conan Doyle e seu famoso detetive Sherlock Holmes e seu melhor amigo e comparsa, Dr. John Watson. Na Tv e nos filmes, temos vários exemplos de histórias fantásticas usando essas obras que funcionam, porém a maioria segue a mesma fórmula e essa série, apesar de trazer nossos protagonistas adolescentes e até um genderswap (uma Holmes menina,yay!), além de brincar com a ideia de uma linhagem de Holmes, Watsons e Moriartys, todos descentes e continuando o legado de seus membros mais notórios, não escapa dos vários clichés que cercam o mundo do famoso detetive. Temos um Watson cão de guarda e leal seguidor, até meio apagado, mas que sente que é seu dever ser amigo dessa menina cuja inteligência e capacidade mental são muito além de tudo que ele já conheceu, e uma Holmes que segue o cliché de todas as adaptações de Sherlock até o momento, com poucas exceções: uma menina com quase nenhuma aptidão social, sarcástica e brutalmente honesta, que não tem tato ou traquejo e aparenta não ter sentimentos (mas os tem até demais), que tem uma inteligência fenomenal e é fascinada por crimes e todo o tipo de conhecimento que os envolva (incluindo experimentos estranhos, livros sobre poeira e terra, esqueletos de abutres, etc.). Os dois se unem e viram melhores amigos quando acabam na mesma escola privada, onde um crime baseado nas histórias do detetive descendente de Charlotte acontece e ambos os protagonistas acabam sendo acusados de cometê-lo. E daí, a dinâmica que segue é bem parecida com outras adaptações, num tom leve e rápido, porém sem grandes surpresas ou revelações. Os crimes se tornam meio que um side-plot para a evolução do relacionamento dos dois principais e para os mistérios que envolvem Charlotte Holmes - sua vida, porque ela teve que deixar Londres e o que isso tem a ver com os Moriarty. Tem um toquezinho romântico, porque aqui a autora planeja que os personagens se apaixonem (e concretizem o sonho de milhões de gerações de fãs de finalmente verem um Holmes e um Watson juntos romanticamente). No geral, um livro legalzinho e uma leitura leve que dá para ser lida numa sentada ou num final de semana, quando você não quer nada pesado e complicado, ou após aquele livro que te deixou no chão depois do final.
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Krous 18/09/2017

Eu bem queria ter dado uma nota melhor ao livro porque adorei a ideia de Brittany de escrever aventuras dos descendentes de Sherlock Holmes e John Watson e o texto ela é maravilhoso. Também amei James Watson e seu humor. Mas não dá para engolir a Charlotte. Chata, arrogante, egoísta. Ela é exatamente como seu tataravô e isso não é elogio.

Com o fim da leitura, percebi que Elementary se mantém como a única obra baseada nos personagens de sir Arthur Conan Doyle em que o criador do seriado tenta equilibrar a relação entre Holmes e Watson. Ambos personagens possuem as mesmas características (e defeitos) das histórias originais; Sherlock é arrogante e Watson é mais sensata. A diferença é que o detetive pode ser grosseiro com a puta que o pariu, mas não com sua parceira ou seus colegas e trabalho porque senão eles vão dar uma resposta atravessada. O motivo? A perspicácia de Sherlock simplesmente não é desculpa para ele tratar as outras pessoas mal.
Por que eu estou gastando linhas defendendo uma série que o fandom raiz de Sherlock Holmes odeia tanto numa resenha de livro? Porque com a conscientização de relações abusivas, fico surpresa de ver quanta gente ainda usa esse modelo de ~amizade~ nas suas histórias ou quando precisa citar uma relação platônica saudável, duradoura e verdadeira. A amizade entre o detetive e o médico só é duradoura e isso deve ser porque John Watson ainda não se deu conta de que não tem amor próprio.

Da forma como Brittany Cavallaro escreveu eu não tenho nenhuma reclamação. Não tenho costume de ler em inglês, mas o meu conhecimento é avançado, então, não tive dificuldade com o vocabulário. Ela também não usou palavras rebuscadas nem perdeu tempo descrevendo cenários ao invés de desenvolver a história.

Agora ela poderia ter criado uma Charlotte Holmes e James Watson mais originais ao invés de simplesmente copiar os traços de seus tataravós. Ainda assim... quanto ao James, lamentei a falta de qualidades próprias, mas ele é um personagem cativante e tem um humor maravilhoso. Me identifiquei com algumas coisas que ele compartilhava para o leitor. O livro é narrado por ele, uma espécie de diário tal qual seu antepassado fazia, principalmente depois que passou a trabalhar em parceria com o detetive. Assim, James tem uma vantagem sobre Charlotte: mais de 300 páginas para ele nos mostrar como é de verdade.

Para Charlotte, a oportunidade de conhecê-la melhor aparece somente no epílogo que é narrado por ela. Para mim pareceu uma tática da escritora para desfazer qualquer má impressão que o leitor possa ter tido da personagem: sua frieza, os erros que ela cometeu que prejudicaram outras pessoas, sua prepotência. Claramente Brittany queria despertar a empatia do leitor por Charlotte (inclusive quando usou a carta "estupro"). Mas too little, too late. Não adiantou nada. A personagem apresentada no epílogo é a mesma burguesa metida do resto da história.

Como dito antes, a dinâmica entre Charlotte e James é a mesma de Sherlock e John - e nada a ver com a sinopse do livro. Ela se acha superior a todo mundo porque consegue detectar quando as pessoas mentem, encontrar pistas nos lugares mais improváveis, ligar pontos e ajudar a polícia a encerrar um caso. Tudo isso seria admirável não fosse a informação de que ela foi TREINADA para ser assim por sua família. Na verdade, todos os Holmes desde Sherlock são submetidos a testes para serem os fodões na arte da investigação. E por quê? Tudo por causa do sobrenome que eles carregam. Pouco a ver com nascerem com aptidão para serem detetives. Deve ser um fardo grande ser obrigado a ser tão bom quanto seu tataravô para não decepcionar as pessoas quando elas tomam conhecimento de que você e Sherlock Holmes são parentes.

Já a família Watson é mais normal que a família Holmes. Fantástico que somos parentes de John Watson, mas cada ser humano é de um jeito e lógico que não vamos submeter ninguém a ser como ele. Que doideira...! Talvez por isso as duas famílias tenham se afastados. Porque os Holmes são frios e esnobes, e os Watsons são simpáticos.
James apenas fantasiava que era BFF de Charlotte, mas nunca viu as fuças da garota até ser transferido de escola (casa e país). James apenas fantasiava que era o fodão, mas na realidade ele não passa de um adolescente de 17 anos como os outros.

Sério, temos um problema muito grande quando simpatizamos mais com o criminoso do que com quem está investigando o crime. Eu lamentei a violência que Charlotte sofreu, mas não consegui suportar essa garota. E não achei nada bonito o quanto ela maltratava James. Tudo para manter a dinâmica Holmes-Watson como era no passado. Charlotte para mim é uma personagem egoísta, fria e drogada cujo comportamento foi normalizado só porque era idêntico ao de Sherlock Holmes como se isso fosse algo a ser admirado. Errou feio, errou rude. O irmão não fica atrás, os pais também não. Uma família de gente detestável.

E para completar o ciclo de erros de Brittany, ainda teve ensaio de um romance entre Charlotte e James. Estou aguardando a onda de protesto e fúria do fandom de Sherlock Holmes, tal qual teve quando John Watson virou Joan Watson em Elementary. Não teve nada com romance (até porque nem precisaria: gays existem, galera), mas como a série ganhou hate das pessoas. Então não espero menos que isso para este livro.

Apesar de tanta indignação quanto à Charlotte, eu continuo com vontade de ler o segundo volume da história torcendo para que Brittany tenha amenizado esses traços da personagem.


site: https://www.instagram.com/shiuestoulendo/
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