O compromisso

O compromisso Herta Müller




Resenhas - O Compromisso


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VG 31/08/2019

Convocada, convocada, convocada
Andando por Porto Alegre, meses atrás, fui atraída por um sebo, no qual encontrei (e comprei) o livro O Compromisso, de Herta Muller, ganhadora do Nobel de 2009. Nele a autora narra a história de uma operária de uma fábrica de roupas durante o período comunista na Romênia.
A protagonista, cujo nome não aprendemos ao longo do livro, tem sua vida regida e organizada em torno de um importante compromisso que se repete diversas vezes por semana, sempre às 10h: ela é convocada e interrogada pelo serviço secreto romeno.
Os interrogatórios são fruto de bilhetes que a personagem coloca nos ternos masculinos que costurava e que a fabricava e exportava para a Itália. Nesses bilhetes, perguntava a alguém – a qualquer um – se desejava se casar com ela, deixando seu nome e endereço como forma de contato. O chefe dela, ao descobrir os bilhetes, faz uma denúncia ao serviço secreto romeno.

“Meus bilhetes foram julgados prostituição em local de trabalho, numa reunião da qual eu não pude participar.”

O caminho entre sua casa e o local do interrogatório é percorrido de bonde e leva em torno de uma hora e meia, e é neste percurso que a acompanhamos. Paralelamente às situações que ela vê e ouve neste trajeto, somos levados a seguir a protagonista em sua jornada interior. Seguimos pelos meandros de suas memórias, passando pela infância, seu primeiro casamento, sua amizade com Lili, seu segundo casamento e os motivos que levaram à sua denúncia ao serviço secreto.
O pensamento da personagem vagueia, tateia, mistura eventos distantes e próximos temporalmente e aponta para uma desagregação cada vez maior do sentido. O compromisso é o referencial a partir do qual sua vida se o agora. O resto todo é secundário, é passageiro, é um emaranhado de fatos pouco concretos.

“Há muito que dizer sobre a vida, mas essencialmente nada sobre a felicidade, porque assim que a gente abre a boca, ela some. Nem mesmo a felicidade perdida suporta ser falada. As coisas a que me habituei têm a ver com a passagem de um dia a outro, não com felicidade.”

A protagonista vive com seu atual companheiro em uma torre inclinada, assim como a sua vida para ser inclinada, desviante. Ela foge à retidão demandas pela vida (tenta escapar do regime comunista, quer ser livre das obrigações que lhe são impostas), seu parceiro vende antenas de televisão ilegais num mercado de pulgas. Temos a sensação de que ambos – por seu caráter desviante, estão apartados de todos à sua volta, de sua rigidez e retidão.
No caminho para o interrogatório, a protagonista observa cenas simples, e estranho – a mulher que come cerejas e cospe os caroços na mão, o bêbado que tem entrar no bonde e que é deixado para trás pelo motorista. Cenas que dão um ar de concretude e surrealidade a um cotidiano em que o sentido parece se desintegrar: a narradora precisa responder a perguntas que se repetem, e repetem e repetem, sem sentido aparente – a não ser, talvez, uma forma de tortura sutil.
Eu estava ansiosa para ler Herta Müller e não me decepcionei com este livro, nem um pouquinho.

site: https://umapormes.home.blog/2019/08/31/convocada-convocada-convocada/
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Os Livros e Filmes da Bá 23/11/2018

INQUIETANTEMENTE VAZIO
Prêmio Nobel 2009. Rápida impressão sobre o livro, logo sai resenha no canal.
Herta Muller atravessou o regime comunista romeno e aqui temos o pano de fundo da história, em fluxo de consciência.
A protagonista não tem nome (deduzo que seja uma mulher em torno de 30 anos) ela trabalha em uma fábrica de roupas e, desesperada para fugir de sua realidade, coloca bilhetes nos bolsos se oferecendo em casamento. Um colega de trabalho descobre e a delata. ela perde o emprego e passa a ter um "compromisso" com as autoridades secretas que querem descobrir o motivo de sua "traição".
A cada dia marcado para o compromisso ela pega o bonde e viaja por cerca de 1:30h, onde se desenrola todo o fluxo de consciência da personagem. Ela reflete acerca do ex-marido; o atual, alcoólatra; a amiga; a família; o bairro; a infância.
A história é ausente de amor, felicidade, alegrias do dia a dia, temos um panorama triste, vazio, uma realidade dura e sem perspectivas, relembro aqui o pano de fundo: o regime comunista! Enfim, pode não ser um livro fácil ´para algumas pessoas, a mim não marcou muito, pois não senti empatia pela personagem, ela não me conquistou a fim de querer saber sobre a vida dela, mas, em contrapartida, acho que foi exatamente essa a ideia de Herta, tanto que nem o nome da personagem sabemos.

site: https://www.youtube.com/watch?v=ODqzP_lMw_g
newton 13/10/2019minha estante
Como se pode esperar amor, felicidade, e alegria do dia a dia em um livro que tem por escopo narrar as atrocidades do regime comunista? Este livro não tem nada de vazio; ele é muito rico no que se propõe.




Sanoli 20/10/2018

https://surteipostei.blogspot.com/2018/10/o-compromisso.html
https://surteipostei.blogspot.com/2018/10/o-compromisso.html

site: https://surteipostei.blogspot.com/2018/10/o-compromisso.html
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Kleber Rafael 09/05/2017

Uma experiencia diferente...
O Compromisso, livro da escritora que recebeu o titulo máximo da literatura: o Nobel. O Livro em si não é ruim, é muito bem escrito, mas não me encantou... O vai e vem das memórias é muito constante e deixa a leitura muito sem sentido. não foi de todo ruim, o tema do livro é fantástico... foi uma experiência diferente.
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Carol 06/11/2016

O Compromisso
Já há algum tempo, Herta Müller figurava na minha lista de "Autores premiados que ainda não li". O Compromisso, volume 14 da Coleção Folha Grandes Nomes da Literatura, veio sanar essa pendência. Agora, a autora figura em outra lista, a de "Autores cuja obra necessito ler por completo."

O livro é um testemunho da era Ceausescu, na Romênia, com alguns traços autobiográficos. Herta Müller faz parte de uma minoria romena falante do alemão, e, em 1987, conseguiu emigrar para a Alemanha. Onde se estabiliza, tem suas obras traduzidas mundialmente e, em 2006, vence o Nobel de Literatura.

Não temos aqui um enredo propriamente dito. A personagem principal tem um compromisso marcado para as dez horas de uma quinta-feira. Ela pega o bonde às oito e, nesse intervalo de tempo, irá tecer reminiscências sobre sua vida.

Através do fluxo de consciência, o leitor, lentamente, é transportado para um mundo de interrogatórios secretos, medo, ansiedade e traições. Como viver sendo monitorado a todo instante?

O alemão é uma língua mais direta que a nossa. Elogio Lya Luft pela tradução, pois a escrita elegante e seca de Müller se mantém no português. As descrições da realidade romena são aterrorizantes - a cena em um banheiro público no mercado de pulgas é um exemplar disto.

Não é um livro fácil de se digerir, apesar da escrita fluida. Recomendo a leitores que se interessem por histórias não lineares. Fãs de Joyce, Virgínia Woolf e Kafka.

Quero pesquisar mais sobre a Romênia de Ceausescu. Quero ler todos os outros livros da autora.
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Meu perfil literário @reclivros 27/09/2016

Um bom e seco livro
Um livro sem divisões de capítulos, que causa uma certa estranheza no início, mas quando você percebe que todas as partes contam a mesma história, a leitura flui.
Recomendo!
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Mariana.Fernandes 20/09/2016

Esperava mais...
Ganhei o livro de presente, e quando li a sinopse fiquei animada e acabei puxando ele pro começo da lista e lendo de cara.
Estranhei a falta de capítulos, mas gostei do fluxo de consciência. O problema é que a autora se prende demais à eles, e o livro acaba ficando cansativo. Achei interessante a forma como ela ia e voltava nas memórias, só que algumas eram bem cansativas ou sem muita importância para o livro em geral.
Não diria que é um livro ruim, até porque Müller escreve bem, e a leitura fluiu, não demorei muito para ler, acho que no máximo umas cinco sentadas, porém eu esperava mais...
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Thalita 22/07/2016

O compromisso ganhou o Nobel de literatura em 2009. É claro que fiquei muito curiosa, afinal estava lendo um livro premiado, não é mesmo?
Quando o recebi já fiquei de olho e quando tive a oportunidade peguei e pensei que seria uma leitura muito boa. Fiquei mais ou menos um mês lendo apenas 175 páginas. Não foi o que eu esperava, mas gostei.

A história é contada por uma mulher que vive em uma ditadura na Romênia.
Ela é convocada vários e vários dias depois que descobriram o que ela fazia na fábrica de roupas em que trabalhava.
Essa mulher enviava bilhetes em ternos destinados à Itália oferecendo-se em casamento. Uma tentativa de fugir da ditadura imposta no seu país.
Ela vai contando toda a sua história. Conhecemos sua família, seus traumas, tudo que ela teve que passar. Conta tudo isso enquanto está dentro de um bonde indo mais uma vez depor.

O compromisso foi um livro bem difícil. Não me dou bem com fluxo de consciência e temos muito disso nessa história. Um livro sem capítulos, com leitura arrastada e cansativa.
Apesar de tudo que citei aqui em cima, gostei bastante de O compromisso. Teve momentos bons, e esses momentos bons fizeram valer a leitura.
A escrita da Herta Müller é simplesmente incrível apesar de ter achado complicada. Foi uma experiência muito diferente.
Fiquei muito comovida com tudo o que a personagem principal e seus conhecidos passaram. Não pude deixar de rir em algumas partes e ficar triste em outras. O que me rendeu várias marcações.
Gostei demais do avô da personagem principal. Os pensamentos dele são de uma sabedoria enorme.
O final... Bom, mais uma vez um final que fica no ar. Tem gente que gosta, mas eu não curto não.
Merece o Nobel? Acho que merece, sim. É uma grande obra.

site: https://www.instagram.com/colorindodevaneios/
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Pandora 17/07/2016

Se eu fosse o tipo de pessoa que marca todas as suas passagens favoritas de um livro com post it, me ocorreu agora que O compromisso da Herta Müller seria um livro impossível de ser fechado. O texto da autora tem uma força áspera, um lirismo pesado, uma capacidade de colocar interpretações plausíveis sobre a realidade que nos faz sentir o impulso de marcar tudo, pois tudo nele é marcante.



Narrado em primeira pessoa por alguém, que pode ser a própria Herta, O compromisso conta a respeito de como em uma manhã comum uma mulher pega o bonde e se dirige para um interrogatório a ser feito pelo Major Albu. O interrogatório é marcado para as dez da manhã, ela sai de casa às oito, essas duas horas no transporte são suficientes para ela rememorar, mastigar e pensar sua vida inteira.

De forma não linear, indo de trás para frente, de frente para trás e se embrenhando em curvas de memória, descobrimos detalhes da infância, da adolescência, da vida adulta da mulher que está indo depor e me senti como se estivesse ao lado dela conversando sobre a vida. Como sou o tipo de pessoa dada a conversar com estranhos na rua me pareceu como se estivesse sentada no assento, congelada e "absurdada" ouvindo as confissões de uma pessoa que passou por situações inimagináveis, mas permanece pragmática diante da vida.



Tem pessoas dotadas da capacidade de nos arrancar lágrimas contando até como teve uma longa vida feliz com um cachorro terrível, mas muito leal... Existem pessoas que são o absoluto inverso, elas te contam infinitos detalhes de uma vida recheada de violência de uma forma tão crua e natural que você só consegue ficar parada, catatônica, simplesmente ouvindo sem reação automática.

A Herta é justamente a do tipo que te faz ouvir sem reação automática. Com ela você se pega escutando ou lendo uma mulher te contar como seu primeiro marido foi a guerra, como seu sogro tentou substituir o marido em sua cama enquanto ele estava na guerra; como uma vez de volta da guerra esse mesmo primeiro marido tentou matá-la quando ela pediu divórcio; como seu colega de trabalho lhe assediou diariamente até lhe fazer perder o emprego; como seu atual marido é gentil, mas enfrenta a vida ingerindo mais e mais álcool; como sua avô enlouqueceu no campo de concentração e seu avó sofreu além dos limites do imaginável... Ela te confessa baixinho, quase como se não tivesse contando nada, a terrível experiencia de sair para um compromisso no qual se vai no minimo ser psicologicamente torturada, mas também se corre o risco de ser presa, violentada, machucada e morta dolorosamente.

O compromisso é um livro duro, sua protagonista é uma mulher dotada de uma resiliência fora do normal. Ela estica e não se rasga, se dobra e não se quebra. E, depois de nos contar tudo e mais um pouco sobre si, simplesmente se ergue, despede-se, atravessa a massa humana comprimida no limitado espaço do bonde, pede parada e se vai... Só quando ela dobra a esquina você se da conta que sabe tudo o que há para saber sobre ela menos seu nome, mas isso não importa, você tem uma longa história para digerir.

site: http://www.oquetemnanossaestante.com.br/2016/07/o-compromisso-resenha-literaria.html
Psicodelia Literária 18/07/2016minha estante
Parabéns pelo texto!


Catarine Heiter 28/02/2018minha estante
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Quase Tudo de Medicina 07/07/2016

Tive uma péssima impressão...fiquei perdida e confusa...jamais abandonei um livro e fiquei muito frustrada em ter que tomar essa atitude com um livro tão premiado...tentei novamente voltar e não consegui...não gosto de repudiar livros porque por mais desinteressante que seja sempre há algo bom para reter....talvez a culpa tenha sido minha e eu não estivesse preparada como leitora para ler esse livro....
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Nat 05/11/2015

O livro conta a história de uma mulher que vive uma perseguição de uma ditadura na Romênia e está indo para uma convocação (que pode terminar em nada ou em prisão ou em tortura). No trajeto de bonde até esse interrogatório, ela vai relembrando fatos de sua vida. É um livro até que curto mas que achei difícil de ler, a escrita da Herta não me prendeu. Achei um pouco confuso, porque não tinha uma ordem cronológica. Também não me apeguei a personagem principal. Dei três estrelas.
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kelly 09/05/2015

Minha opinião
Apesar de ser um livro de poucas páginas, vc tem a impressão de q a leitura vai fluir mas, infelizmente n flui. Tive que recomeçar 2 vezes pra terminar. Em suma, o livro é chato, entendiante e cansativo. Muito a desejar pra uma escritora premiada.
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RafaelW 12/08/2010

Herta Müller escreve muito bem
Herta Müller escreve muito bem. O livro trata da vida de uma mulher que vive na Romênia comunista e os efeitos (ou defeitos) que isto causa ao longo da sua vida.
A história é meio autobiográfica, pois a própria autora, pelo que eu sei, nasceu na Romênia e foi fugida para a Alemanha (a Ocidental da época, obviamente) no final do Séc. XX (precisa dizer?).
Vá lá, o livro é meio truncado, sem capítulos, às vezes meio arrastado, e por isso cansativo, mas vale a pena porque é muito bem escrito (pra mim isto é importante).
Não tenho tanta bagagem literária assim e por isso não sei quem merece ou não o Nobel de Literatura, mas se for pela forma como escreve, o prêmio foi bem dado.
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Fernando 22/01/2010

Não posso dizer que esse livro não seja "grande coisa", que foi o que eu pensei durante a leitura e logo após terminá-lo. Pensando sobre ele agora, penso que existam algumas virtudes nesse romance sobre a classe operária romena. O final aberto a interpretações por si só talvez seja uma delas.

Mas como já relatado aqui, o romance perde o ritmo em certos pontos, o que dificulta a leitura. Eu mesmo demorei mais do que o habitual para um livro tão pequeno. Talvez ele tenha qualidades realmente, mas como não tenho grandes pretensões literárias e para mim a literatura é tão somente um prazer, não posso afirmar que recomendo essa obra, já que a sua leitura não foi prazerosa como eu esperava.
Yeah
Giliade 22/01/2010minha estante
Devo dizer que essa resenha contribuiu seriamente para que o livro fosse jogado para o fim da fila de espera das obras que pretendo ler. No entanto, é interessante ter diferentes pontos de vista, já que através disso, é possível fazer uma análise mais imparcial a partir da leitura da obra.

Se esse livro colaborou significativamente para que ela ganhasse o nobel de literatura, é certo que alguma qualidade deve ter, como as descritas por você. Mas agora é preparar para as próximas destruições! Rock!


Quase Tudo de Medicina 03/02/2014minha estante
Tive exatamente a mesma impressão...fiquei perdida e confusa...jamais abandonei um livro e fiquei muito frustrada em ter que tomar essa atitude com um livro tão premiado...tentei novamente voltar e não consegui...não gosto de repudiar livros porque por mais desinteressante que seja sempre há algo bom para reter....talvez a culpa tenha sido minha e eu não estivesse preparada como leitora para ler esse livro....


Eloiza Cirne 12/04/2014minha estante
Eu também o abandonei. Leitura para mim é sinônimo de prazer. Costumo dizer que não preciso "sofrer" para poder ler um livro. Se não sei apreciar um escritor medalhado, nobel... paciência. O livro é chatésimo!




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