As Belas Imagens

As Belas Imagens Simone de Beauvoir




Resenhas - As Belas Imagens


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Jéssica 20/01/2014

O livro "As Belas Imagens" de Simone de Beauvoir é uma história sobre Laurance, uma mulher casada que em crise com seu relacionamento e com os relacionamentos sociais faz a reflexão sobre "as belas imagens". Quando ela usa este termo de "belas imagens" é sobre a vida de aparências, ou convenção social. Isto é possível de se observar em duas partes que selecionei. A primeira falando da viagem que ela fez onde refletindo que:
"(...)incitariam os seus amigos a verem Atenas e a cadeia de mentiras se perpetuaria, as belas imagens permanecia intactas apesar de todas as desilusões."(130)
Mostrando que as opiniões das pessoas ao afirmar que o "belo" é viajar para Atenas e caso você não goste deste lugar ou passeio deixaria de perpetuar as "belas imagens" ou as aparências. Então, com medo de perder a conexão com pessoas passa a viver sobre mentiras onde a convenção social dá o valor de algo ser melhor do que outra coisa. O segundo trecho selecionado é quando ela fala sobre a filha criticando a "bela imagem", ela disse:
"-É simples sou eu quem cuida de Catherine. Você intervém de quando em vez. Mas sou eu quem a educo, e sou eu quem deve tomar decisões. Estou tomando-as. Cria um filho, não é fazer uma bela imagem..." (140)
Neste outro trecho vemos algo que Beauvoir explora em outras obras dela que é a questão feminina. Simone de Beauvoir é uma filosofa francesa feminista que acredita que:
"NINGUÉM nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam de feminino." (p. 9, O Segundo o Sexo, vol. II)
Vemos Beauvoir questionando os padrões do ser menina, onde podemos relacionar com a análise de Andrea Nye (1988) da qual diz que:
"Quando as mulheres são educadas, tratadas e consideradas como iguais, como homens, tornam-se masculinizadas e com isso perdem suas almas femininas. Tornam-se frias, competitivas e reduzem sexo e amor a pura lascívia. Ela citava em especial "socialistas" como Kollontai, que transformaram a mulher em apenas companheira dos homens e incentivavam a promiscuidade, relacionamentos seriais e divórcio fácil." (p. 116)
Assim, mostrando como esta obra é profunda e tão bonita em sua reflexão pontuo mais uma citação do livro sobre desta viagem a Atenas, Laurance refletia e viu que:
"Uma menininha pôs-se a dançar, tinha três ou quatro anos: minúscula, morena, olhos negros, um vestido amarelo rodado formando uma corola na altura do joelho, meias brancas, girava em torno de si mesmo, os braços para acima, os rostos afogados em êxtase, com um ar muito louco. Transportada pela música, deslumbrada, tonta, transfigurada, desvairada." (122)
Neste momento, Laurance viu algo que ela considerou uma bela imagem, sem a ideia de convenções, mas algo simples e belo que saiu da alma de uma menina ao ouvir uma música. Desta forma, vemos que Beauvoir aborda assuntos amplos que o termo "belas imagens" que guia a narrativa de Laurance em suas vivências e finalizando com uma grande reflexão sobre a vida, a mulher e "belo".

site: http://ofemininodoslivros.blogspot.com.br/
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CooltureNews 13/07/2013

Coolture News
Este não é um livro comum ou fácil de ser compreendido, na verdade, acho que só pode ser inteiramente compreendido quando se procura entender a autora e a fase em que ela se encontrava ao escrevê-lo.

“As Belas Imagens” é um dos últimos romances de Simone, onde ela buscou compreender através do existencialismo a condição da mulher e da moral burguesa numa França pós 2ª Guerra, marcada pelo consumismo e o individualismo. É neste cenário que temos Laurence, uma publicitária ainda jovem que sente-se completamente deslocada em seu meio social.

Após um colapso nervoso ocorrido cinco anos antes, Laurence tenta se manter num regime de auto controle, no qual o seu trabalho como publicitária é parte fundamental, um lugar onde ela encontra um jeito de mascarar sua realidade e frustração com sua vida em geral através de suas belas imagens.

Casamento, amante, filhos, os problemas de sua mãe, seus amigos sofisticados e burgueses, seu pai e sua vida de aparente de liberdade dos conceitos da sociedade, são todas essas coisas que pertencem ao universo de Laurence e a tornam uma personagem que não sabe lidar com a perspectiva de magoar os outros ou de decepcioná-los, sendo influenciada pelas circunstâncias, sem conseguir se opor a nada.

Ela foi criada assim, criada para ser uma bela imagem, assim como as imagens dos produtos com o qual trabalha, porém, em suas reflexões é possível perceber que mesmo sendo condicionada a toda uma perspectiva burguesa e alienada, ainda resta dentro de si um pouco de rebeldia juvenil, que ela acaba por reencontrar em sua filha mais velha.

A narrativa não segue a estrutura de um romance, é mais como um recorte de um pedaço crucial da vida de Laurence, não tendo verdadeiramente um inicio ou fim, mas procurando mostrar o momento exato em que ela caiu em si.

A sensação que tive ao ler a narrativa foi a de me espelhar na personagem e de chegar realmente a compreendê-la em toda sua angustia e confusão. Simone conseguiu com uma narrativa baseada em dois tipos de narrador passar com tranquilidade os sentimentos de uma personagem que vai se tornando mais vivida conforme passa o tempo.

As Belas Imagens não é um livro comum, podendo até mesmo ser frustrante, mas afirmo com toda certeza que é uma obra clássica, capaz de despertar a sensibilidade do leitor. Recomendo como uma leitura de introdução a obra de Simone De Beauvoir por demonstrar em pouco mais de 140 páginas o estilo literário e reflexivo da autora.

site: www.coolturenews.com.br
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