O Designer Humilde

O Designer Humilde Charles Bezerra




Resenhas - O Designer Humilde


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Edir 23/01/2009

Super-Homem vs Batman
O Super-Homem é aquele cara que acha que tem super-poderes e que ele esta acima de todos e de tudo. Já o Batman é um cara normal que sabe que não possui super-poderes mas sabe como usar seu cinto de utilidades. Em um resumo do livro, pode-se dizer que um designer humilde é aquele que procura apenas realizar bem seu trabalho como projetista, visualizando as causas positivas e negativas de sua criação.
Nepomuceno 31/08/2014minha estante
Melhor trecho do livro. E uma noção de humildade!




Nubia Cristine 02/05/2014

Vamos praticar a humildade?
O designer humilde (Rosari, 2008, 89 páginas) do professor e designer Charles Bezerra não é só um livro de design, mas também uma reflexão acerca de sustentabilidade e dos problemas enfrentados no dia-a-dia.
Logo no prefácio encontramos um “tapa na cara”, onde Bezerra cita que a maioria dos designers possuem um grande ego e não conseguem perceber, e muito menos assumir, seus próprios erros. E explica que a ideia do designer humilde se baseia no fato das pessoas reconhecerem suas próprias limitações e dependem de outros. Para alguns, isso pode parecer um pouco ofensivo, porem ao longo dos pequenos capítulos, ele explica melhor este conceito pouco disseminado nos dias de hoje.
Design, uma área nova e ainda pouco reconhecida, mas que está se espalhando rapidamente e conquistando lugar nos mais diversos ramos de atividade. Muitos se prendem na discussão eterna de tentar definir em poucas palavras o que é design, porem o que aconteceria se tentássemos parar com isso e focar nossas energias nos reais problemas que o design pode ajudar, sejam eles quais forem. Existe certo medo de realizar uma ação, algo que ajude ou solucione um problema, as pessoas tem medo de se desviar do design, de serem criticadas por não estarem realizando design, mas vamos pensar bem, qual o melhor design? Aquele de um site ou identidade visual de uma grande empresa ou aquele que ajuda a resolver um grande problema social? Ambos são importantes, e ambos merecem atenção.
Entramos então em outro ponto: a falta de humildade para pedir ajuda. Bezerra cita que precisamos ser ao mesmo tempo especialistas e generalistas e para isso não podemos ficar presos a conhecimentos de uma ou outra disciplina, mas temos que estar voltados para o todo. Esse trecho, se interpretado de forma errada, pode causar certa confusão ao leitor, pois neste cenário que nos encontramos hoje, onde o mercado está cada vez mais competitivo, é necessária a especialização. O que Bezerra cita, é que devemos conhecer de forma geral o todo. E neste momento também devemos sempre pedir ajuda, pois da mesma forma que uma empresa precisa de diversos departamentos para se manter, um projeto de design precisa da ajuda de diversas áreas diferentes.
O capitulo “Somos todos designers” é um tanto polemico, e ao meu ver também pode ser interpretado de forma errada. Bezerra cita que qualquer pessoa pode ser designer, pois todos nós podemos produzir conceitos que nos levam a situações melhores. Quem é designer sabe muito bem o que queremos dizer com a palavra “sobrinho”, pois hoje em dias encontramos várias pessoas que acham a atividade de design simples e realizam trabalhos sem ter o menor fundamento teórico, ou até mesmo habilidade técnica! Mas acredito que a verdadeira ideia aqui está relacionada ao tópico anterior. Uma equipe de projeto pode ser composta por arquitetos, engenheiros, estilistas, designers etc. e as ideias não precisam vir necessariamente do designer, mas do conjunto ou de outra pessoa especifica.
Hoje em dia percebemos uma grande onda de designers elaborando
trabalhos simples, minimalistas, limpos. Porem o que poucos sabem, é que como
cita Bezerra, criar o simples é complexo. Ele também cita que o processo de design
está cada dia mais complexo, pois hoje precisamos pensar em uma grande
quantidade de fatores como meio ambiente, cultura, tecnologia, ética etc. Mas como
fazer isso? Em “A lógica dos processos de design”, Bezerra nos mostra, não uma
receita de bolo a ser seguida, mas sim um caminho que pode ser percorrido para se
fazer um projeto bem sucedido. A meu ver, temos um sério problema com a maioria
dos designers, pois se concentrar no processo de criação em si, não é o foco da
grande maioria. Isso por culpa do mercado, de clientes, mas principalmente culpa
dos próprios designers. Para se alcançar a simplicidade verdadeira, precisamos
transmitir conceitos e valores em poucos elementos, e o processo para se chegar
até ai, não é nada simples.
Outro capitulo um tanto chocante que encontramos neste livro é “Criadores
Super-Homens e criadores Batman”, onde Bezerra nos dá uma visão, a meu ver,
generalista e divide os designers em dois grandes grupos: os que possuem grande
confiança em si mesmo e normalmente não pedem ajuda a ninguém e os que
possuem uma atitude discreta ao trabalhar. Realmente vemos muitos casos desses,
porem essa ideia não funciona bem assim na vida real, onde vemos tudo se
misturar, nos mais diversos tipos de profissionais. Acho que todos nós, sem
exceção, precisamos aprender que qualquer profissional precisa ter intelecto, lógica,
caráter e ética. O difícil é saber equilibrar esses fatores...
Designer humilde. Um livro e um conceito que deveria ser visto e refletido por todos os designers, e por que não, por todas as pessoas de forma geral? Essa ideia tenta nos mostrar que precisamos reagir para não acabar com o nosso mundo, e com nós mesmos. E conseguiremos isso através da humildade, do trabalho simples, mas com um forte conceito, do deixar de se preocupar com coisas banais e comerciais e se preocupar mais com problemas de verdade. Precisamos sair do design puramente artificial e conseguir nos aproximar mais do design natural, parar de planejar projetos de curto prazo e criar ações que passarão por diversas gerações, cada uma melhorando a anterior.
Designer humilde, design humilde, trabalho humilde, vida humilde. Um livro fascinante, e uma ideia que não deve ficar somente no papel.
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Ka 25/04/2015

Designer Humilde: Agente Da Inovação
O livro de estreia de Charles Bezerra, “O designer humilde” (Editora Rosari, 2008), faz um apanhado breve e introdutório sobre o design atual e o trabalho do designer enquanto criador de soluções e inovações. O autor é um conhecido cientista, professor e estudioso da inovação. Logo no seu primeiro livro, nota-se seu empenho para desmembrar e analisar o processo criativo através de uma escrita leve e sem termos técnicos da área.
O texto inicia com um prefácio bastante amplo — e, por isso mesmo, com uma certa fragmentação —, questionando a ética e a lógica do design. A humildade da qual Bezerra fala no título vem à tona com o debate sobre as limitações e dependências às quais os designers precisam se submeter. O autor também comenta sobre a vulgarização da palavra ‘design’ e traz vários teóricos para explicar o termo, ainda que acredite que tratar da terminologia não é importante. Ocorreu a vulgarização do design, conforme o autor, exatamente porque este se tornou cada vez mais necessário dentro do mundo do trabalho. Para Charles Bezerra, design é “o processo e a inovação como resultado positivo desse processo”, é uma ferramenta para resolver problemas.
Assim como a inovação depende do conhecimento de vários campos, todos podem ser designers, uma vez que criar não é um processo cognitivo único, mas o design passa primeiro por esse campo das representações mentais (e é esse o domínio que todos humanos possuem, exatamente o que nos diferencia dos animais).
O cientista também separa o que chama de “Design humano” do “Design natural”. Enquanto no humano, artificial, planejam-se as soluções, no natural elas “acontecem” de forma exclusiva e muito mais demorada (Bezerra ilustra isso com a teoria evolucionista de Darwin, já que a trata como sendo uma teoria do design). Sendo o design instrumento para a resolução de problemas, diz o literato que a complexidade reside justamente na criação do simples e que não se pode obliterar as consequências de cada criação. A “solução das coisas” passa por etapas como entender o contexto, ter criticidade para observar as perspectivas múltiplas, analisar as informações, ter insights e, só então, partir para a criação e a inovação.
Um bom designer seria um sujeito capaz de aprender com os erros, persistente, imaginativo, curioso, e, especialmente, humilde. Para justificar isso, o autor evoca as imagens de Superman e de Batman. Enquanto o primeiro é egocêntrico e acredita só em si, o designer Batman tem humildade suficiente para admitir que não tem superpoderes, todavia possui sua técnica e seus apetrechos para realizar um bom trabalho.
Charles Bezerra finaliza o texto afirmando que a ética foi deixada de lado e é indispensável colocar ideias e teorias à prova. Ele propõe que se tenha um design centrado na humanidade, que pense a longo prazo e esteja sempre ciente das consequências de suas criações. Para fortalecer essa ideia, o autor traz o que considera a abordagem lógica e teórica mais avançada na área atualmente, a Human-centred desing.
De modo geral, Bezerra cumpriu o prometido no seu prefácio. Fez um texto despretensioso — já que não é a intenção do autor presentear seus leitores com uma fórmula pronta, um método ‘receita de bolo’ para inovar, mas um recurso para incentivar o pensamento a respeito do ato de criar — e possui algumas críticas pouco explanadas, como quando afirma que as criações trouxeram bastantes problemas, entretanto não os cita. Ao afirmar que todos podem ser designers, o escritor pecou em não explorar esta declaração, podendo deixar dúbio seu entendimento e fazer com que se compare profissionais com amadores, por exemplo, desmerecendo a formação técnica e teórica dos primeiros. As inferências do professor, no que tange a relação homem versus tecnologia são coerentes, especialmente o trecho em que sustenta “a computação já apoia o processo de criação do Artificial em vários estágios dos processos de design, como, por exemplo, registrando, organizando e armazenando dados para comunicar nossas ideias para a sociedade. Mas ainda é limitada para criar”.
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