Ainda Orangotangos

Ainda Orangotangos Paulo Scott




Resenhas - Ainda Orangotangos


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Nicholas 18/12/2020

Os contos são impactantes mas percebi pouca substância. Violência e sexo gratuitos que tenham gesticular a algum significado mais profundo mas acabam persistindo pelo puro valor de choque.
A prosa em vários contos é um delírio incoerente, refletindo as personagens, mas falta uma base sólida que a narrativa possa revelar.
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Diego Lunkes 23/06/2019

Paulo Scott pode ser definido como um escritor do novo milênio. Isso significa que suas histórias se preocupam em retratar o tempo e o espaço onde o autor vive. Neste caso, estamos falando mais especificamente da experiência de se viver em uma cidade como Porto Alegre nos anos 2000. Significa também que os formatos de suas histórias se afastam das maneiras mais convencionais de narrativa.

No entanto, se é fácil classificar Scott como um autor contemporâneo, é difícil definir sua obra. Seu livro de micro contos, "Ainda Orangotangos", chama a atenção pela versatilidade. Algumas narrativas se concentram em episódios cotidianos como um assassinato testemunhado em local público ("Se Há Fantasmas no Parque"). Outras ("Pusilânimes no Café da Manhã") constroem uma atmosfera de mistério e paranoia com um narrador que tem seu apartamento invadido, para somente depois concluir a trama com um desfecho mais sóbrio. O grau de estranheza aumenta no segmento do narrador perseguido por um escritor desconhecido ("Venâncio com João Pessoa"), pois este não oferece respostas claras ao final. O bizarro atinge o clímax em contos que beiram o absurdo ("O Molusco e o Esquizóforo"), apresentando um par de personagens socialmente desajustados, viciados em entornar frascos de perfumes, algo digno das narrativas de Chuck Palahniuk ou Irvine Welsh.

A estranheza causada pela temática de alguns contos é contrabalanceada pelo uso de cenários do cotidiano e por uma linguagem que busca se aproximar do discurso oral. Um apartamento no centro da cidade, uma corrida de táxi, uma tarde de domingo pós-grenal, um banco de praça, um semáforo de uma esquina: cenários de experiências compartilhadas que trazem ao leitor uma sensação de familiaridade. De forma parecida, a narrativa oscila entre um discurso poético ("O vagão balança como um torniquete frouxo […]"), formal ("Olhei-a de relance, antes de me juntar aos outros […]") e informal ("[…] larguei faz pouco essas parada de loló"), este último uma representação mais verossímil do discurso oral.

Scott também se esforça para contar suas histórias de formas criativas. Cada conto é escrito em um grande bloco único de texto, sem quebras de linhas, travessões, aspas ou qualquer outro indicativo que diferencie as mudanças de discurso. Narração, diálogos e pensamentos são encadeados frase após frase, como uma linha ininterrupta de pensamentos fluindo da consciência do narrador ou da garganta dos personagens. Como exceção a este recurso linguístico, surge o extenso uso de parênteses através dos contos, mas que ainda assim funcionam para manter a fluidez pretendida, uma vez que enclausuram breves comentários secundários que se ligam com o grande comentário verborrágico que compõe cada conto.

Toda esta estranheza dos contos de Paulo Scott pode não agradar o paladar de alguns leitores. Porém, mesmo nestes casos, o comprometimento do autor em representar seu tempo e seu espaço é tamanho que incute no leitor um segundo sentimento: familiaridade. E ao final, na oposição destes dois sentimentos, o leitor pode terminar o livro indeciso, como se acabasse de visitar um lugar há muito conhecido que foi estranhamente modificado.

site: https://barbaliterata.wordpress.com/2019/06/23/ainda-orangotangos/
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mari 04/11/2011

Sempre Orangotangos :l
Gostei da estética e do modo que foi escrito. Gostei principalmente do prefácio. De alguns contos, e de como coisas tão banais se tornam tão estranhas, e situações bizarras tratadas como algo comum. Agora quero ver o filme.
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Tito 22/06/2010

Vinte e dois microcontos estranhos, alguns dos quais delirantes. Os porcos sodomitas sabem das coisas: tudo muito, muito interessante.
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