Esta Terra Selvagem

Esta Terra Selvagem Isabel Moustakas




Resenhas - Esta Terra Selvagem


8 encontrados | exibindo 1 a 8


leila.goncalves 03/07/2018

Quem É Isabel Moustakas?
Quem é Isabel Moustakas? Essa tem sido a pergunta recorrente no meio literário desde o lançamento de "Esssa Terra Selvagem". Muitas especulações têm circulado sobre os motivos que levaram o autor ou autora a optar por um pseudônimo. Curiosamente, o grande desafio do livro tem sido manter o protagonismo sem se tornar um coadjuvante diante do mistério.

Com cento e vinte páginas e escrito em apenas onze dias, trata-se de uma novela policial que aborda uma onda de crimes contra nordestinos, imigrantes, homossexuais e judeus em São Paulo. Planejados com cuidado, eles remetem a uma organização secreta, de cunho neonazista, que alicia seus membros entre jovens de classe média. Indubitavelmente, trata-se de um tema bastante atual, inclusive, seu cenário foi escolhido a dedo por conta da miscegenação étnica da cidade, no entanto, ela emerge morna e insípida, reduzida a um amontoado de nome de ruas e lugares.

Seu narrador e personagem principal é José, um jornalista do Estadão, encarregado de cobrir o bárbaro assassinato um boliviano e sua esposa, seguido do sequestro da única filha do casal. Como detetive, ele está mais para Watson do que Sherlock e mereceria ser melhor explorado. Não se sabe seu sobrenome, não há qualquer descrição física e sua vida se resume a poucas informações: tem 32 anos, é divorciado e seu pai, que mora em Santos, foi preso durante a Ditadura Militar.

Porém, no meu entender, o maior problema do livro está no uso de estereótipos e na investigação do caso. Há pontos em aberto, soluções mágicas e coincidências demais. Por exemplo, o conveniente aparecimento de um diário e um inesperado presente deixado na cama do protagonista clamam por maiores explicações.

Como pontos positivos, a história possui um ritmo frenético (perfeito para um filme), consegue manter o suspense e prima pelos bons diálogos. O que mais me surpreendeu foi o ódio que extravasa da narrativa. Não basta matar, é preciso matar com requintes de crueldade, o que gera um inesperado prazer. Moustakas, ao exibir essa selvageria, choca o leitor.
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Marianne 04/12/2016

Esta Terra Selvagem (Isabel Moustakas)
João é um repórter investigativo na cidade de São Paulo que nunca encontrou o “caso” que desse uma guinada em sua carreira. Após escrever um artigo sobre um ataque violento que ocorreu a uma família de São Paulo — um casal e a filha adolescente, Marta, a adolescente e única sobrevivente do ataque, o chama para uma conversa.
Seis meses se passaram desde que a casa de Marta fora invadida por homens que violentaram e atacaram seus pais na sua frente. Marta sofreu as consequências do ataque, foi mantida em cativeiro pelos homens carecas que diziam ter matados seus pais porque seu pai era “um porco boliviano”, e foi solta uma semana depois com um recado a ser dado.
Marta até então nunca havia falado publicamente sobre o ataque ou sobre os dias que ficou em cativeiro. João encontrou no depoimento de Marta informações importantes que podiam ajuda-lo a entender melhor quem eram os rapazes por trás dos ataques. Em seu artigo já havia conectado o ataque sofrido pela família de Marta a muitos outros que diariamente ocorriam pela cidade de São Paulo.
Homens carecas, camisetas brancas, coturnos de cadarço ver e amarelo e suásticas pelo corpo estavam na descrição de todas as vítimas sobreviventes.
Mas logo após contar os detalhes de tudo que sofreu e dar carta branca para o repórter publicar tudo que disse, Marta coloca João numa situação irreversível, que faz com que o repórter transforme em questão pessoal a investigação dos ataques.
A narrativa não poupa o leitor dos detalhes violentos, muitas vezes de revirar o estômago. O suspense e o elemento surpresa nos prendem na história e são o principal trunfo do livro.
Mas a partir de pouco mais da metade do livro a história começa a seguir um ritmo um tanto desconexo com o que foi apresentado até então. Os acontecimentos se desenrolam com uma rapidez que não se encaixa na história e da poucas chances de desenvolvimento dos personagens que vão surgindo e as relações entre eles. O desenrolar da narrativa acontece de supetão, não dá tempo ao leitor de absorver e se localizar na sequência.
Apesar do final acelerado, que confesso ter me decepcionado um pouco, a leitura flui bem. O livro é bem escrito e a história de ficção nos choca não apenas pela narrativa violenta mas também pela consciência de que grupos de radicais intolerantes existem e crimes como os descritos no livro já foram —e são— noticiados em muitas matérias do Fantástico e Jornal Nacional.
Espero que tenham gostado da resenha, até a próxima!

site: http://www.dear-book.net/2016/09/resenha-esta-terra-selvagem-isabel.html
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@plataformalit 05/11/2016

O livro é narrado em primeira pessoa por João. Um jornalista que investiga o caso de Marta: uma jovem que fora sequestrada cujos pais foram queimados vivos por nazistas e se matou coma uma facada no olho na sua frente.
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Literatura Policial 01/06/2016

Isabel Moustakas não esconde apenas sua identidade
Rápido de ler, o livro mantém a tensão de forma contínua, e tem um bom ritmo. E diverte! Falta humor, é verdade, mas ele fornece doses homeopáticas de ironia, o que não é a mesma coisa, mas sinaliza rotas de fuga para os que se impressionam demais com mutilações e espancamentos. Um exemplo está no diálogo entre João e Pedro, seu editor, lá pela metade do volume, e que se apresenta como um lampejo de vitalidade diante de tanto sangue, ódio e morte.

Como deu pra perceber nesta estreia, Isabel Moustakas não é misteriosa apenas quanto a sua identidade, mas também em relação ao próprio repertório literário. Não parece ter mostrado tudo o que sabe. Se você tem uma tarde livre e quer escapar para algum lugar inóspito e brutal, siga a autora. Se espera mais de uma história policial, busque outro atalho na cidade.

site: https://literaturapolicial.com/2016/05/30/isabel-moustakas-nao-esconde-apenas-sua-identidade/
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Bruna 27/05/2016

Já fazia um bom tempo que eu não li um romance policial. E mais tempo ainda que não lia um tão bom! Esta terra selvagem, de Isabel Moustakas, foi um dos últimos lançamentos da Companhia das Letras, e consegue narrar uma instigante e perturbadora trama de investimento e suspense em apenas 120 páginas!

Um caso chocou a cidade de São Paulo. Após testemunhar o brutal ataque, seguido do assassinato de seus pais, Marta passou uma semana em cativeiro, sofrendo os mais brutais e horríveis abusos físicos e psicológicos. Sete meses após a sua libertação, ela enfim consente em falar com um jornalista, e escolhe João. Após relatar todos os acontecimentos, com uma dificuldade obvia de reviver tudo aquilo, a jovem se mata. Assim, do nada. Diante de um João em choque e sem reação.

Após a morte de Marta, sua avó entrega seu diário a João, e este inicia uma investigação própria sobre os acontecimentos. As mortes de Marta e seus pais, parecem estar nitidamente ligadas a uma onda de crimes de ódio que assolam São Paulo, uma vez que seu pai era um imigrante boliviano. Descendentes indígenas, tanto brasileiros quanto latino-americanos, nordestinos, homossexuais, judeus. Essas são as vítimas desse grupo com claras tenências neonazistas, que são caracterizados por usar cabelo muito curto, coturnos com cardaços verde e amarelo, blusas brancas, além de alguns ostentarem uma suástica nas cores da bandeira do Brasil. Porém, por mais que as vítimas sobreviventes consigam relatar essas descrições, a polícia não parece estar nem perto de encontrar os criminosos.

“ - (…) a hora estava chegando, ele repetiu isso, ficou repetindo, a hora está chegando, a chora está chegando e a gente cai queimar tudo que é índio boliviano e paraíba e crioulo e viado, não vai sobrar um, e depois disse que era eu era, tipo, o aviso, sabe?
- Aviso?
- É. O aviso de que a hora está chegando.”
Pág. 19


O livro é narrado em primeira pessoa, por João, que faz mais do que nos conduzir por sua investigação e descobertas. O mais sensacional foi ver como tudo isso passa a afetá-lo profundamente. Afinal, é impossível mergulhar nessa podridão toda e sair ileso. Isabel conseguiu criar uma história verossímil e coerente. Toda a trama tem um foco único na investigação e, com isso, ela conseguiu desenvolver uma história dinâmica e envolvente, com início, meio e fim em apenas 120 páginas, sem deixar a sensação de correria ou falta de informação.

A diagramação é simples, mas muito bem feita, com papel amarelado e letras grandes, o que torna a leitura ainda mais rápida e dinâmica. E a capa é bem interessante, pois retrata um centro urbano dentro dos contornos de um corpo ensanguentado.

Esta terra selvagem foi um livro muito intenso, em alguns momentos chocante. A narração dos acontecimentos foi forte e dolorosa, porém, a autora não usa de descrição exagerada dos crimes e atos violentos. O que torna o livro tão intenso é o fato de ter retratado algo real demais, do tipo de coisas que vemos todos os dias nos jornais. Vivemos em uma época de ódio gratuito e intolerância. Não é incomum vermos notícia de ofensas verbais ou agressões físicas geradas por algum tipo de preconceito. E um grande centro urbano como São Paulo é marcado por uma intensa diversidade cultural, racial e religiosa. Imaginem o estrago que um grupo organizado para o crime racial não poderia fazer em um lugar assim?

“Estes caras estão agindo há um bom tempo, em diversas frentes, de forma organizada. É coisa grande. Não vão parar. E a polícia não tem dado conta, ao que parece.”
Pág. 60


Recomendo demais a leitura, principalmente para os fãs de um bom romance policial, bem construído e desenvolvido.

site: http://meumundinhoficticio.blogspot.com.br/2016/05/resenha-esta-terra-selvagem-isabel.html
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@APassional 28/04/2016

* Resenha por: Rosem Ferr * Arquivo Passional
Os paulistas se identificarão com as locações, os brasileiros com a violência do racismo ainda presente em uma sociedade miscigenada, assim a trama é polêmica, atual, envolvente, repleta de reviravoltas, sobretudo inquietante tendo em vista a similaridade da narrativa com os noticiários da tv em que a xenofobia é uma ameaça real, neste sentido a brilhante Isabel Moustakas explora o tema, rasga o verbo, e realiza o oficio do bom escritor, pinçar a realidade e levar o leitor a reflexão.

Confira a resenha completa no blog Arquivo Passional, no link abaixo.

site: http://www.arquivopassional.com/2016/04/resenha-esta-terra-selvagem.html
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Portal JuLund 27/04/2016

Esta Terra Selvagem, @cialetras
Olá pessoal, hoje vou falar de um livro que me surpreendeu do início ao fim. Desde a capa, que é uma concepção linda e muito diferente, mas que tem tudo a ver com o contexto da história e a escrita da autora que desde as primeiras linhas me deixou deslumbrada, sim a palavra é essa, com seu estilo.

A família de Marta foi assassinada na sua frente e ela sequestrada pelos criminosos, chegou a ser suspeita de ter praticado os crimes, foi comparada com uma criminosa famosa por ter assassinado os pais, sendo que elevada a um nível mais cruel. Só que depois de todas as teorias a fazerem criminosa, ela é abandonada em um posto de gasolina, com a cabeça raspada, mutilada e violentada de todas as formas.

Continue lendo no

site: http://portal.julund.com.br/resenhas/esta-terra-selvagem-cialetras
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Aione 13/04/2016

Esta Terra Selvagem é romance de estreia de Isabel Moustakas. Podendo ser classificado como um romance curto, a agilidade da história contribui ainda mais com sua intensidade e ritmo, no mínimo, angustiante.

João é jornalista em São Paulo, responsável por acompanhar uma série de crimes hediondos ocorridos na cidade. Iniciados pelo assassinato brutal de um casal e pelo sequestro de sua filha, Marta, sete meses se passaram desde então e João será o primeiro a ouvir um depoimento da garota, que, após seu relato, comete suicídio na frente do repórter. A partir disso, João seguirá uma série de pistas que o levará a um suposto grupo racista, responsável pelas atrocidades cometidas ao longo dos últimos meses.

Além de sua característica sangrenta, o que mais me marcou durante a leitura desse thriller foi, sem dúvida alguma, a escrita de Isabel Moustakas. Assumindo um estilo próprio e sucinto, a autora faz uso de frases curtas em sua narrativa de forma a torná-la ainda mais impactante. Aquilo que não é dito nos salta aos olhos, demonstrando o quanto cada palavra suprimida está presente e tem sua respectiva força. Ainda, os diálogos criados pela autora representam, como poucos em romances, a estrutura da língua falada, sendo caracterizados por fluxos de ideias, truncamentos e ritmos próprios da oralidade.

E aliada a uma escrita já bastante intensa, a autora desenvolveu a trama com extrema agilidade, causando no leitor uma sensação quase ofegante. Os novos fatos e peças do quebra cabeça criado pela autora são apresentados um após o outro, sem nos dar tempo para respirar, com extremo impacto, seja pela força da escrita de Isabel, sejam pelas imagens praticamente dantescas por ela descritas.

Ainda, vale ressaltar que não apenas uma obra ágil e intensa, Esta Terra Selvagem é um livro de temática extremamente atual, considerando-se a motivação por trás dos crimes investigados. Vivemos, infelizmente, em uma época de ódio, intolerância e preconceito talvez sempre tenhamos vivido -, e aqui eles foram levados ao grau máximo, atentando para esse mal tão presente em nossa sociedade.

Minha admiração por Esta Terra Selvagem não ficou concentrada simplesmente na história narrada ou pela maneira de como ela foi contada. Acima disso, fica a habilidade empregada por Isabel Moustakas em relatar tanto com tão pouco. Há uma economia de palavras e cenas, mas impressões, relatos, reflexões e sensações que vão além do claramente dito. Um livro que certamente indico e recomendo aos fãs do gênero!

site: http://minhavidaliteraria.com.br/2016/04/12/resenha-esta-terra-selvagem-isabel-moustakas/
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