A arte de produzir efeito sem causa

A arte de produzir efeito sem causa Lourenço Mutarelli




Resenhas - A Arte de Produzir Efeito sem Causa


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Thiago Donato 06/04/2021

Perturbador, caótico e envolvente
Confesso ter procurado tal obra após conhecer a sua versão cinematográfica, e de início posso afirmar, são amplamente diferentes. O autor nos trás a história de Júnior, um homem de meia idade, que após um fim abrupto do seu relacionamento procura o pai ao mesmo tempo em que sua depressão alfora, aos poucos vamos conhecendo fragmentos do seu passado onde sua mãe e seus costumes bruxos são frequentemente citados. O texto, apesar de curto, é extremamente denso e cheio de referências a Borroughs, contraditório autor norte americano que apesar de incômodo, nos prende até o fim mesmo que em certo ponto ele se torne repetitivo. A leitura nos enlouquece e3nos incomoda juntamente com o protagonista, que em sua letargia deixa aos poucos de é visite como ser, passando a ser um nada, sem identidade. O final é totalmente aberto, mas de clara interpretação, fazendo uma alusão típica ao cinema clássico brasileiro, boa leitura.
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Tamara 17/03/2021

O nome do livro já diz muito bem como que a história vai se desenvolver. Esse livro foi uma releitura pra mim. Não acho que gostei tanto como gostei da primeira vez, mas continuo achando um livro muito bom. Ele te deixa curioso e apreensivo. Vale lembrar que tem uma adaptação chamada "Quando eu era vivo", que também é o máximo.
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Thais 14/03/2021

Uma letargia delirante, sufocante e perturbadora. São essas palavras me vêm à mente quando penso sobre este livro.

Narrado em terceira pessoa, ele conta a história de Júnior, um homem de quarenta e três anos que repentinamente entra num quiprocó com a esposa (a mulher o trai com o amigo adolescente do filho). Ele abandona o emprego e então busca abrigo no apartamento do pai, que tem como inquilina uma jovem chamada Bruna, uma estudante de artes e por quem Júnior desenvolve uma espécie de paixonite.

Sem dinheiro para mais nada, Júnior começa a extrair grana dos pertences da jovem. No entanto, não há reflexão moral, de ordem ética ou existencial por parte do narrador em nenhum momento. A linguagem é crua e as frases são secas e curtas.

Mergulhado num tédio e vazio existencial crescente, ele vê seus dias se repetindo numa espiral de acontecimentos que se resumem a idas a padarias e botecos (onde começa a se afogar na bebida) e no retorno ao velho sofá da sala. É de lá pra cá, de cá pra lá, sucessivamente. Até que... Júnior começa a receber misteriosos pacotes anônimos com recortes de velhas notícias envolvendo o escritor William Burroughs, que matou a mulher acidentalmente durante um "brincadeira" com uma arma de fogo.

A partir desse evento, Júnior é arrastado pelas horas e dias, perdendo-se num labirinto psicológico (representado pelos desenhos que começa criar obsessivamente) sem vislumbrar uma saída (e ele não parece se importar em encontrá-la). E não vou me estender aqui, para não dar spoiler.

Particularmente, achei que faltou um pouco de ironia (e até humor) para atenuar o ritmo da história em alguns momentos (chega a ser um pouco cansativa), e que passa a se tornar cada vez mais sombria, caótica e asfixiante, e que nos leva (e traga) junto com Júnior para um labirinto aparentemente sem saída.

Resumo da ópera: uma história bem contada, com algumas passagens e descobertas surpreendentes, apesar dos pesares.
Italo 14/03/2021minha estante
Um humor não diminuiria o peso dessa espiral caótica que o personagem vai caindo? Interessante serem recortes de notícias do Burroughs, tudo a ver, e esse elemento da narrativa: a paranoia e obsessão.

Eu gosto de personagens assim e histórias assim. Me lembra muito Thomas Pynchon. Me lembra também House of Leaves.


Thais 14/03/2021minha estante
Também pensei nisso em relação a uma dose de humor, mas é que há uma sucessão de acontecimentos que se repetem e se repetem, ad nauseam, então, num determinado momento, é exaustivo mesmo. Mas já é bem intencional, eu acho. Há uma série de referências no livro (Kafka, pra citar mais um exemplo), o que também me agradou.


Italo 14/03/2021minha estante
Devo procurar. Talvez você se interesse por Crônica da casa assassinada do Lucio Cardoso. Tá saindo uma reedição agora em abril.


Thais 14/03/2021minha estante
Esse do Lúcio Cardoso não conheço. Vou atrás, sim, obrigada.




Alê 12/01/2021

Terror psicólogico de qualidade
Mutarelli tem o dom de nos deixar desconfortáveis com seus personagens crus e sem firulas, é uma das coisas que mais amo na escrita dele e que não falta aqui. A atmosfera claustrofóbica que vai sendo criada dentro daquele apartamento, a paranóia que vai crescendo juntamente com a bomba relógio que o personagem principalmente vai se transformando faz desse um dos melhores terrores psicológicos. O final PRA MIM foi genial, daqueles que vc termina o livro prendendo a respiração. Essa edição ainda conta com o roteiro do filme "Quando eu era vivo" que foi adaptado do livro.
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pierrealmeidaba 21/10/2020

Mutarelli entrega numa narrativa em terceira pessoa, a linha tênue entre a sanidade e loucura de Junior, personagem central da história. Com um texto simples e ao mesmo tempo denso, caótico, o autor nos leva a mergulhar de cabeça em um enredo completamente viciante e perturbador.

"A Arte de produzir efeito sem causa" certamente entrou para a minha lista de melhores leituras de 2020. Recomendo a leitura.
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Rafael 15/07/2020

Tenso e desconfortável, mas difícil de largar. Como tudo que eu li do Mutarelli, mas esse acho que é o mais angustiante/envolvente.

Depois de abandonar (ou perder) a mulher e o emprego ao mesmo tempo, o protagonista Júnior vai passar um tempo na casa do pai viúvo. Garante um teto mas perde o rumo.

Como nos outros livros, mostra um personagem introspectivo, pensativo e confuso. Ao longo dos capítulos a fraqueza aumenta, a confusão cresce, o controle diminui e a loucura ameaça.

Pertubador.
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Mario Manson 26/05/2020

Uma leitura insana
Um livro que mistura os problemas pessoais dos personagens com misticismo e influências do autor Willian S. Burroughs
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Rafa 24/05/2020

Angústia...
Não há outra palavra para a sensação que este livro trás, o que descobri que é típico das obras de Mutarelli. É frustrante o modo como você quer ter alguma esperança no protagonista, mas ele acaba te forçando a criar uma certa repulsa devido as suas atitudes.
O final em aberto e a sensação de desespero que aquilo me causou foi o motivo de eu ter dado 5 estrelas.
Felipe.Lopes 05/07/2020minha estante
Eu acabei de ler esse livro, acaba daquele jeito mesmo? Tipo, depois que ele encontra as **** ou é a edição que eu li que não estava completa?


Rafa 05/07/2020minha estante
Só lembro que acaba sem acabar kkkk


Felipe.Lopes 05/07/2020minha estante
Kkkkkkkkkkk




Lucas.Marques 23/03/2020

Pior final de todos os tempos...
Terror psicológico bem escrito. As vezes, fiquei agonizado com a escrita da autor (aparentemente, a ideia é essa, passar uma sensação de agonia). Ainda não acredito nesse final (que me deixou bravo e puto, inclusive achei que o ebook que comprei na Amazon estava faltando páginas, mas não. O final é ridículo mesmo).
Nota: 3 de 5
Felipe.Lopes 05/07/2020minha estante
Seu comentário respondeu minha pergunta. Obrigado.




Gustavo.Fiaux 13/02/2020

Espirais da loucura
Antes de ter lido ao livro, havia visto o filme que se baseou nele, Quando Eu Era Vivo, e adorei. Então, conforme lia o livro, fiquei extremamente perdido e confuso, já que as duas obras são diametralmente opostas. Mas ambas são igualmente fascinantes. A Arte de Produzir Efeito Sem Causa (belo título, aliás) é um livro muito sinestésico e ambíguo. Só senti que ele acaba muito bruscamente.
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Gabalis 17/01/2020

Divagações afogam a trama.
A trama fica dormente por um longo tempo e quando o autor lembra que ela existe já é tarde demais. Não tem o que ser feito senão engolir mais aspirina e fumar um cigarro na área de serviço. A loucura do protagonista vem lenta e não tem consequências. Se era bruxaria ou lombriga, nenhuma das possibilidades são exploradas ou resolvidas. As descrições se tornam repetitivas e acabam virando fórmulas.
Uma Horla que não deu certo mas me divertiu o suficiente. "Lá vem o Júnior com dor de cabeça", "Agora ele vai fazer o café", "E agora ele vai ver que horas são, lá vem..." etc.
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Augusto Pássaro 09/10/2017

Livro bastante regular.
De fato esse não me impressionou muito.

Basicamente o autor possui sérias influências do Kafka, do Dostoiévski e do James Joyce, porém a técnica não corresponde à profundidade do livro. O enredo tem de tudo pra ser bom, já que é uma cópia moderna de "A Metamorfose" do Kafka. Ele gira em torno de um personagem que perde o emprego, perde a mulher, vai morar com o pai e se encontra numa situação sufocante de tédio. Até aí tudo bem, porém ao decorrer das suas 206 páginas o livro em si acaba se tornando o próprio tédio. O autor é pouco descritivo, o que, na falta de enredo, acaba tornando a leitura cansativa; fica pulando de uma cena pra outra, tenta reproduzir alguns fluxos de pensamentos ao estilo Joyce mas sem o menor sucesso, tenta colocar um mistério com a história das correspondências mas isso também não tem nenhum desfecho e não mudaria nada se não estivesse na narrativa, é como um ícone, um detalhe insignificante que consome boa parte da leitura.

Se a ideia do autor era reproduzir a sensação de tédio, conforme muitos entusiastas do livro afirmam, então ele atingiu seu objetivo. O livro é entediante.
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Our Brave New Blog 19/11/2016

RESENHA A ARTE DE PRODUZIR EFEITO SEM CAUSA - OUR BRAVE NEW BLOG
Qualquer dia desses eu vou organizar um planão louco de traduzir a obra do Mutarelli para o sueco e fazer ele ganhar prêmio Nobel, porque, se a gente depender do Brasil para exportar cultura, estamos ferradíssimos. A estratégia é simples: traduz-se primeiro O Cheiro do Ralo, depois o livro de hoje, fecha com O Grifo de Abdera e aí serão eles que irão querer o resto dessa obra maravilhosa e singular da nossa literatura.

Quem acompanha o blog já conhece o senhor Mutarelli pelas resenhas de O Cheiro do Ralo e Miguel e os Demônios, mas, como são resenhas antigas, vou apresentá-los novamente a um dos principais escritores do Brasil no momento: Muta é um doido da cabeça que antes fazia quadrinhos, mas enjoou da antiga mídia e do pessoal que habitava as rodas de HQs, então trocou o traço pela palavra e vem arrebentando horrores nesse lado da arte também, tanto com as obras já resenhadas quanto com essa que vamos falar hoje.

Antes de tudo, como sempre, a sinopse: Junior volta para a casa do pai depois de velho por conta de problemas conjugais com a esposa e depois de ter pedido demissão do emprego. O pai divide a casa com Bruna, garota que aluga um quarto para poder morar perto da faculdade. Enquanto passa por essa depressão e tenta arrumar emprego para fugir da casa do pai, ele começa a receber pacotes sem remetentes que possuem vínculo com o escritor William Burroughs, e Junior vai atrás do sentido de estar recebendo aquela tralha toda.

O livro tem um ritmo diferente dos outros, que geralmente têm uma velocidade e musicalidade fortíssimas. Aqui Muta diminui um pouco e fala muito mais para retratar o cotidiano merda do protagonista, com certa lentidão e falta do que fazer mesmo, de forma que a história vai caminhando sem nada acontecendo até a chegada do primeiro pacote, sustentado pela habilidade incrível de humor do Mutarelli, com frases pontuais e certeiras.

O conceito parte das questões básicas da obra do mestre como a obsessão e o homem comum do século XXI, sempre com o recorte forte da sua hipocrisia e da sua paranoia em relação a todo e qualquer assunto, principalmente mulheres.

CONTINUE LENDO NO BLOG: http://ourbravenewblog.weebly.com/home/a-arte-de-produzir-efeito-sem-causa-por-lourenco-mutarelli

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Rodiney 08/11/2016

Tudo é vaidade...
Li este texto como uma metáfora da existência. Somos isso, esse sumir aos poucos. As coisas vão sumindo porque nós vamos sumindo até não sobrar mais nada de nós. Lembra-me a sabedoria egípcia: vaidade das vaidades, tudo é vaidade!
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