O Segundo Sexo

O Segundo Sexo Simone de Beauvoir




Resenhas - Boxe - O segundo sexo


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Nádia C. 14/09/2019

Um livro que não acaba
Quase dois anos lendo esse livro que não se termina de ler, não concluímos a leitura de O Segundo Sexo porque ela não se finda com o virar da última página. Coloco-o de volta à estante sabendo que esta leitura foi apenas uma conversa das muitas que são sempre necessárias de se ter com Simone de Beauvoir. Com isso não quero afastar você que comprou o box novo lindamente editado pela @novafronteira para embelezar seu acervo esperando um dia ter coragem de encarar as quase mil páginas desse monumento em forma de escrita (juro que não to esticando a baladeira, o livro é tudo isso sim). Mas sim avisar que o mergulho é profundo, então toma fôlego, mas vai.
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Porém, O Segundo Sexo não é perfeito, nem pretende sê-lo. No mundo das feministas "fada sensata" "zero defeitos" "perfeita", Simone não vai preencher esse espaço e isso não faz de sua obra menos revolucionária ou importante. O Segundo Sexo deseja trazer, em poucas palavras, uma revisão do que tem se entendido no âmbito biológico, social, psicológico do que é ser mulher, e defender que em nenhum desses aspectos justifica sermos submissas; nem explica porque nós mulheres somos consideradas o Outro do homem, não explica porquê o macho é o corpo universal (um). .
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Além disso, também traça um olhar sobre os mitos na literatura e em outras áreas que constroem as muitas imagens sempre degradantes ou oprimidas da mulher, dá um belo tapa na cara de vários filósofos e artistas super poderosos expondo a misoginia deles disfarçada de genialidade.
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E ainda constrói um retrato da socialização feminina, que é basicamente como meninas são criadas diferente de meninos edificando esse mundo desigual e opressor entre os gêneros. É aí que algumas coisas escapam do retrato social que Simone expõe. O livro se detém a analisar em geral a vida de meninas e mulheres num contexto europeu de classe média. E dai quando a gente compara com as várias outras realidades da mulher ao redor do mundo, algumas coisas parecem "faltar". .
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No entanto, não acho que isso deva ser cobrado exatamente de Simone em 1949, apesar de que já existia há muito tempo a luta das mulheres negras nos EUA, como bem diz Angela Davis.
Mas sim que temos que igualmente ler feministas negras e que falam de realidades diferentes da europeia que ainda é considerada como a ideia da mulher universal. Obviamente a opressão sexual que vivemos em certa medida é igual para todas: somos oprimidas pelo nosso sexo. Mas as nuances da vulnerabilidade de mulheres de contextos socio-culturais diferentes pode variar. Por exemplo, quando Simone fala da desenvolvimento da sexualidade da menina, ela diz que a menina é privada disso desenvolvendo mais tarde que os meninos, fiquei refletindo que num contexto brasileiro isso já é bem ddiferente, pois justamente pelo contrário, meninas aqui são expostas sexualmente cada vez mais cedo
Roberto 12/03/2020minha estante
Muito grato por sua resenha. Já baixei esse livro, mas agora aumentou a vontade de lê-lo.




Laura 23/04/2020

Garanta já a sua crise existencial!
Pensei que concluiria hoje a obra de Simone, me enganei. Não está finalizada, está em andamento, está sendo escrita nesse exato momento; na militância, nas mulheres ao redor do mundo que reivindicam os seus direitos, em cada indivíduo que se incomoda com as suas amarras. A obra continua sendo escrita por cada mulher que alcança sua transcedência para além do sexo (apesar disso ainda não ser plenamente possível), para além dos papéis que nos são impostos.
Já escutei muito, na infância e até hoje, que "mulheres nunca serão iguais aos homens". Sinceramente, eu espero que isso seja verdade. Cada indivíduo é único! Não queremos ser IGUAIS aos homens, queremos equidade, queremos as mesmas oportunidades, queremos ser livres!
Aos que defendem ainda o estado patriarcal da coisa, usando a beleza da feminilidade e de que é dessa maneira que as coisas devem ser, repito aqui uma das frases dita por Simone em seu capítulo de conclusão: Se tais tesouros se pagam com sangue ou desgraça, é preciso saber sacrificá-los.
Algumas considerações para os colegas que pretendem ler a obra no futuro:
1) O primeiro livro irá trazer MUITAS referências literárias de época, romances. Se você, assim como eu, tem agonia em não conhecer as referências citadas, não se desespere, com o passar das páginas, fica fácil entender a narrativa referida.
2) Colegas da Psicologia, preparem-se para reviver as aulas de Psicanálise. Adler e Freud são as referências da área mais citadas.
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Antony.Trindade 01/06/2020

Obra fundamental!

Entender e compreender aquilo que é uma questão de construção/estrutural social do patriarcado.
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Vanessa - @livrices 19/02/2019

Sinto que não tenho palavras à altura da minha filósofa favorita, mas vamos lá.
O Segundo Sexo é o tipo de leitura que te muda pra sempre.
Beauvoir é esplêndida na riqueza de detalhes e dados a fim de explicar e refutar teorias até hoje aceitas quanto à causa da suposta inferioridade do sexo feminino.
Trata-se de uma pesquisa histórica, bibliográfica e também ?biográfica?, pode-se dizer. Beauvoir vai desde os primórdios da natureza humana e animal, passando por aspectos sociológicos, psicológicos, biológicos, materialistas, místicos e tantos outros.
Apesar de não denominar-se feminista, sua obra serviu de base à maioria das vertentes feministas, principalmente a do Feminismo Radical - que, com toda certeza, bebeu da fonte beauvoiriana.
A autora tem como premissa questionar o ?ser mulher?, ao contrário de suas antecessoras, que até então haviam se focado apenas em condições objetivas, desconsiderando a raiz das opressões. Simone afirma que a feminilidade é uma projeção do Outro em relação ao Universal (masculino), moldada pelo olhar do macho, como forma de dominação, longe de ser algo ontológico da fêmea humana. Conclusão esta, aliás, já exposta por Virgínia Woolf anos antes, em ?Um teto todo seu?, apesar de mencionado em termos diferentes (espelhos). Digamos que a versão de Beauvoir é mais trabalhada e ?filosofada?. Rs.

Poderia dizer que O Segundo Sexo é um livro ?clássico?, mas, para além disso, considero-o como um livro BÁSICO, que deveria ser lido por todos, homens e mulheres que se interessam pela desmistificação das estruturas de gênero e funcionamento da sociedade.
Gênero é poder, é violência, é categoria hierárquica. Livremo-nos das amarras do gênero.
Leiam Simone de Beauvoir!
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Esther 25/02/2020

Ambos os livros maravilhosos!
Com o volume 1 realmente nos reconhecemos no que é dito por Simone, conseguimos conhecer a raíz do problema, compreender e refletir sobre o assunto. Já com o 2, temos uma visão ainda mais profunda das consequências do machismo nas diversas fases da vida da mulher e para diferentes mulheres... Através da "experiência vivida", Simone aprofunda nossa compreensão e expõe a possível solução para essa chaga que permeia nossa sociedade.
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Arthur Conrado 20/07/2017

Mulher: o segundo sexo ou um ser em devir, na condição de "um vir-a-ser"
“A mulher?”. Assim inicia Simone de Beauvoir o primeiro capítulo do livro O segundo sexo, obra na qual, a partir da análise dos pensamentos biológico, filosófico e do materialismo histórico, além da análise também de mitos, ela desenvolve uma concepção da identidade feminina.

A partir de de um panorama sociocultural hegemonicamente masculino, expõe a relegação da mulher à condição de Outro perante o ser Um que o homem representa. A forma que a autora compreende de reivindicação da individualidade da mulher é, antes de mais nada, a consolidação da própria identidade feminina. Entendendo a mulher não como uma condição imanente a todo ser humano do sexo feminino mas como uma construção da feminilidade, Beauvoir afirma que a sujeição feminina não se dá apenas por conta de uma imposição masculina, mas também por conta da abdicação da mulher perante às exigências da ordem estrutural na qual se encontra inserida. Portanto, mulher é aquela que, ciente da sua condição de “um vir-a-ser” em contraste com o homem, “que se faz ser o que é”, transforma essa condição através da definição da própria existência.
Jaqueline 31/01/2018minha estante
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Carla.Elisio 06/05/2018

Leitura Revolucionária
Como é sabido o “Segundo Sexo” é um livro dividido em dois volumes e primeiramente para iniciar e dar continuidade com o propósito de finalizar a leitura do primeiro volume é necessário ter paciência, já que inicialmente a autora explica a relação histórica, psicanalítica e biológica “macho e fêmea” descrevendo todo o processo evolutivo de diversas espécies animais não humanos incluindo muitos termos científicos.

A abordagem da relação humana, essencialmente mulher e homem só começa a partir da segunda parte do primeiro volume, dando seguimento a todos os conflitos existentes na sociedade patriarcal. Portanto, como disse o escritor e bibliófilo José Mindlin “A maior qualidade de um bibliófilo é a paciência”!

Ao iniciar a leitura do primeiro volume, é fundamental que a leitora ou leitor realmente deseje e tenha como objetivo adquirir o conhecimento proposto pela Beauvoir através do seu livro, a partir dessa consciência cognitiva sem dúvidas a paciência fará parte da leitura até a sua finalização, sobretudo a sua compreensão.

Vale ressaltar que antes de embarcar numa leitura como essa, é preciso amadurecer em alguns aspectos, já que na “minha opinião” a linguagem da Simone é bem complexa.
É importante a realização de uma boa pesquisa sobre a Autora e o seu pensamento filosófico, considerando a época em que foi escrito, mas no fim dá tudo certo adquirimos todo o entendimento sobre o texto e principalmente a mensagem transmitida.

Uma coisa é fato, uma mente que lê "O Segundo Sexo" jamais será a mesma, é um divisor de águas na vida, uma revolução absoluta!! Para uma mente inquieta é como o encaixe de um quebra cabeça do qual vínhamos tentando encaixar as peças desde o dia do nosso nascimento, e quando finalizamos a leitura encaixamos a última peça e concluímos o que decerto é a relação Mulher + Homem + Humanos + Sociedade + Vida + Valores. Enfim! A leitura do Segundo Sexo é o início para se obter uma mente progressista elidindo completamente o senso comum da vida de quem o ler.
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